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A HEROÍNA QUE ME INJECTO

Mergulho nas tintas
Cínzeas do crepúsculo.

Não ouço a batida
Uníssona do meu pêndulo,
E, em vão, me esforço
Por limpar insólitas sombras,
Salpicadas de sangue, sobre
A peça recém concluída.

Seguro-me às traves
Do «atelier», não vá tombar,
Esvaída, sob o peso
Vermelho do tecto.

Mas nada me acontece,
Salvo a amargura trémula dos
Dedos, que me mina,
Como a heroína que me injecto,
No derradeiro degrau
Do desespero.

Violeta Teixeira, in AFLUENTES LUNARES (1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira – 1ª edição – 2000), co-edição Magno Edições/Câmara Municipal de Leiria, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 27/01 às 12:06 AM
Categoria • Poesia

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