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A HEROÍNA QUE ME INJECTO
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Mergulho nas tintas
Cínzeas do crepúsculo.
Não ouço a batida
Uníssona do meu pêndulo,
E, em vão, me esforço
Por limpar insólitas sombras,
Salpicadas de sangue, sobre
A peça recém concluída.
Seguro-me às traves
Do «atelier», não vá tombar,
Esvaída, sob o peso
Vermelho do tecto.
Mas nada me acontece,
Salvo a amargura trémula dos
Dedos, que me mina,
Como a heroína que me injecto,
No derradeiro degrau
Do desespero.
Violeta Teixeira, in AFLUENTES LUNARES (1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira – 1ª edição, 2000, co-edição Magno Edições/Câmara Municipal de Leiria, 2001
Publicado por Violeta Teixeira em 22/04 às 06:44 PM
Categoria • Poesia •
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