§ Comentários:


A BELEZA É EFÉMERA

A beleza é efémera. Eu sei.
Dolorosamente.
Angustiadamente. Eu sei.

Por isso, finda que for,
No olhar do outro,
A aranha, que me sou,
Tecerá, negríssima,
A derradeira teia.

Faça silêncio, o leitor,
E, antes que a tecedeira
Se despeça das babas, dos fios,
Dos fusos, dê-me a boca a beijar,
Como um amante.

Abrace-me. Faça-me amor,
Como se o tempo a haver não
Houvera, nem fora efémera
A Primavera.

Mas, por favor, não me traga
Flores, nesse Inverno a vir,
Que eu o adorno de orvalhos
Azulinos e de um vago rumor
De galhos, se partindo.

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 21/07 às 01:27 AM
Categoria • Poesia

{ ... bravo!! ... deixo-te: “haverá um tempo em que as palavras darão lugar aos gestos” © biquinha ... }

Comentado por © in[culto]  em  22/07  às  01:04 PM

Muito obrigada, Ricardo,pela visita e pelo comentário.
Por mais eloquentes que sejam os gestos; por mais eloquente que seja eloquente o silêncio(e é-o), sem palavras para nomear as coisas, estas deixariam de existir, pois só existe o que é nomeado.

Um beijo amigavelmente doce,

Comentado por Violeta Teixeira  em  22/07  às  07:29 PM

A beleza é efêmera sai com água e sabão, é frágil como o fio da aranha, e para encontra-ladela os humanos pagam qualquer preço. Os mortais esquecem que toda uva um dia srá passas.

Comentado por Lindonjohnson  em  15/08  às  09:08 PM


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