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A BELEZA É EFÉMERA

Fotos da autoria de Violeta Teixeira/Pandora

A beleza é efémera. Eu sei.
Dolorosamente.
Angustiadamente. Eu sei.

Por isso, finda que for,
No olhar do outro,
A aranha, que me sou,
Tecerá, negríssima,
A derradeira teia.

Faça silêncio, o leitor,
E, antes que a tecedeira
Se despeça das babas, dos fios,
Dos fusos, dê-me a boca a beijar,
Como um amante.

Abrace-me. Faça-me amor,
Como se o tempo a haver não
Houvera, nem fora efémera
A Primavera.

Mas, por favor, não me traga
Flores, nesse Inverno a vir,
Que eu o adorno de orvalhos
Azulinos e de um vago rumor
De galhos, se partindo.

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 05/11 às 09:33 AM
Categoria • Poesia

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