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A BELEZA
Pablo Picasso
A beleza é efémera. Eu sei.
Dolorosamente.
Angustiadamente. Eu sei.
Por isso, finda que for,
No olhar do outro,
A aranha, que me sou,
Tecerá, negríssima,
A derradeira teia.
Faça silêncio, o leitor,
E, antes que a tecedeira
Se despeça das babas, dos fios,
Dos fusos, dê-me a boca a beijar,
Como um amante.
Abrace-me. Faça-me amor,
Como se o tempo a haver não
Houvera, nem fora efémera
A Primavera.
Mas, por favor, não me traga
Flores, nesse Inverno a vir,
Que eu o adorno de orvalhos
Azulinos e de um vago rumor
De galhos, se partindo.
Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003
Publicado por Violeta Teixeira em 24/10 às 09:03 AM
Categoria • Poesia •
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