ALI. SÓ. SEMPRE.
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Obra pictórica da autoria de Egon Schiele
Ali. Só. Sempre.
Corpo que se dura, porque,
Se recusa a ser outra,
Outra diferente.
Ou está, para além do ali,
Só, orbitando, num
Firmamento fantasmático.
Desloco-me no aqui, mas não dou
Um passo. Não estou convosco.
Sabei que nasci cedo demais,
Num mundo tosco e grotesco,
De gente, sem asas voantes,
Conformados, como rãs ou sapos,
Nadando em tanques, sem água.
Digo-vos do meu desencanto.
Não tardo o último desafio
Que me lanço.
Digo-vos que entrego,
o meu corpo, isento de pudor.
Entrego a quem voe
Os meus delírios, a quem
Ame todos os desvios
Dos meus cursos de água,
A quem me mate o cio
Às crateras da Lua.
Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, Leiria, 2000
Publicado por Violeta Teixeira em 04/02 às 01:42 AM
Categoria • Poesia •
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