«A ESPERANÇA DE UMA RELAÇÃO PROFUNDA»
«Conhecemos as pessoas durante anos, até mesmo dezenas de anos, habituamo-nos a evitar os problemas pessoais e os assuntos verdadeiramente importantes, mas guardamos a esperança de que, mais tarde, em circunstâncias mais favoráveis, se possam justamente abordar esses assuntos e esses problemas. A esperança, sempre adiada, de um relacionamento mais humano e mais completo nunca desaparece completamente, porque nenhuma relação humana se contenta com limites definitivos, restritos e rígidos. Permanece, portanto, a esperança, de que haja um dia uma relação «autêntica e profunda». E permanece durante anos, até mesmo décadas, até que um acontecimento definitivo e brutal (em geral, uma coisa como a morte) vem dizer-nos que é demasiado tarde, que essa «relação autêntica e profunda», cuja imagem tínhamos amado, também não existirá; não existirá, tal como as outras.»
Michel Houellebecq, in ‘As Partículas Elementares’
Michel Houellebecq, nascido Michel Thomas, é um escritor francês, nascido na ilha Reunião, em 26 de Fevereiro de 1958 (de acordo com sua certidão de nascimento) ou 1956, segundo a biografia do jornalista Denis Demonpion. Seus romances Partículas Elementares e Plataforma lhe valeram uma reputação internacional de provocador, embora sejam também frequentemente considerados como um sinal de renovação da literatura francesa.
Biografia
Seus pais desinteressaram-se do miúdo, e assim, os avós maternos o criaram, na Algéria. Com seis anos mudou-se para França com a avó paterna, cujo sobrenome adotou.
Aos 16 anos começou a ler H.P. Lovecraft, mestre estadounidense da literatura de fantasia e terror. Em 1991 dedicou um ensaio a Lovecraft.
Bibliografia
Seu primeiro romance, Extensão do Domínio da Luta (Extension du domaine de la lutte), foi publicado em 1994. O livro contém o tema principal de seus romances: a miséria afectiva das pessoas em nossa época.
Partículas Elementares (Les Particules élémentaires) provocou uma tempestade nos meios literários, dentro e fora da França, em 1998. O romance foi chamado “pornográfico”. De fato o livro dá toda margem a tais interpretações, na medida em que explicitamente descreve as aventuras sexuais do irmão do protagonista, com riqueza de detalhes, em situações típicas de filmes pornô. Evidentemente não é por essa razão que Houellebecq tem sido valorizado. Neste mesmo livro, sua discussão central não é o sexo, mas uma história do ser humano, da humanidade, ternamente elaborada e narrada de modo singular e, segundo alguns, absolutamente genial.
Seu último livro, A possibilidade de uma ilha, é também uma discussão do que é o ser humano, tomando como premissa uma nova raça, os “neohumanos”, como comentaristas da vida de seus antecessores clonados - sendo esta uma marca constante do autor. O livro não teve o efeito tsunami das Particulas Elementares , sendo porém muito mais refinado que aquele, e menos incisivo também - mas nem por isso menor.
Polêmicas=
Além das polémicas devidas a seus livros, suas declarações à midia têm sido tomadas contra ele. Houellebecq tem dito que a clonagem possui mais valores humanistas do que o aborto, ou que a religião mais estúpida é o islão.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Publicado por Violeta Teixeira em 04/05 às 05:34 PM
Categoria • Reflexões •
(0) Comentários •