Reflexões

Domingo, 19 Agosto, 2007

«A NOSSA VITÓRIA DE CADA DIA»

Almada Negreiros

«Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceite o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.

Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer a sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gaffe.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer «pelo menos não fui tolo» e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.»

Clarice Lispector, in ‘Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres’

Publicado por Violeta Teixeira em 19/08 às 01:34 AM
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Sábado, 18 Agosto, 2007

«A SOLIDÃO NÃO CONSTITUI ALIMENTO, APENAS JEJUM.»

Foto da autoria de António Fonseca Ribeiro-Olhares.com

«Se não temos aptidão para fazer amigos, remodelemo-nos até consegui-la. A solidão só vale como remédio, como jejum - não constitui alimento; o carácter, como Goethe o viu com tanta clareza, só se forma no tumulto da vida. Se nos tornamos excessivamente introspectivos, estamos na senda da perdição, ainda que o nosso negócio seja a psicologia; olhar com persistência excessiva para dentro de nós mesmos é provocar o desastre do jogador de ténis que conscientemente mede a distância, os ângulos e a força dos golpes, ou como o pianista que pensa nos dedos. Os amigos são necessários, não só porque nos ouvem, como porque se riem para nós; através dos amigos conseguimos um pouco de objectividade, um pouco de modéstia, um pouco de cortesia; com eles também aprendemos as regras da vida, tornando-nos melhores jogadores dos jogos que a compõem.
Se queres ser amado, sê modesto; se queres ser admirado, sê orgulhoso; se queres as duas coisas, usa externamente a modéstia e internamente o orgulho. Mas o próprio orgulho pode ser modesto, raramente se deixando ver, e nunca se deixando ouvir.
Não revelar muita agudeza: os epigramas tornam-se odiosos quando farpeiam fundo a carne; e adoptar como lema o De vivis nil nisi bonum. Nunca provar que um homem está errado; ele não o perdoará nunca. O «nada fazer» é uma das coisas mais preciosas do mundo; frequentemente vale muito o nada fazer, e é sempre uma boa coisa o nada dizer. Ninguém deve mostrar-se ansioso de proclamar a verdade. Aceitando as convenções que a sociedade estabelece, gozamos um pouco de liberdade dentro das suas leis; isso nos permitirá tudo, se o fizermos com elegância e não o andarmos a proclamar.»

Will Durant, in “Filosofia da Vida”

Publicado por Violeta Teixeira em 18/08 às 01:54 AM
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Sexta-feira, 17 Agosto, 2007

«A FRONTEIRA ENTRE A AMIZADE E O AMOR»

Foto da autoria de K&p- Olhares.com

«Há na pura amizade um prazer a que não podem atingir os que nasceram medíocres. A amizade pode subsistir entre pessoas do mesmo sexo a diferentes, isenta mesmo de toda a materialidade. Uma mulher, entretanto, olha sempre um homem como um homem; e reciprocamente, um homem olha uma mulher como uma mulher; essa ligação não é paixão nem pura amizade: constitui uma classe aparte.
O amor nasce bruscamente, sem outra reflexão, por temperamento, ou por fraqueza: um detalhe de beleza nos fixa, nos determina. A amizade, pelo contrário, forma-se pouco a pocuo, com o tempo, pela prática, por um longo convívio. Quanta inteligência, bondade, dedicação, serviços e obséquios, nos amigos, para fazer, em anos, muito menos do que faz, às vezes, num minuto, um rosto bonito e uma bela mão!
O tempo, que fortalece as amizades, enfraquece o amor. Enquanto o amor dura, subsiste por si, e às vezes pelo que parece dever extingui-lo: caprichos, rigores, ausência, ciúme; a amizade, pelo contrário, precisa de alento: morre por falta de cuidados, de confiança, de atenção. É mais comum ver um amor extremo que uma amizade perfeita.
O amor e a amizade excluem-se um ao outro. Aquele que teve a experiência de um grande amor descuida a amizade; e quem se esgotou na amizade ainda não fez nada para o amor.
O amor começa pelo amor, e só se passaria da mais forte amizade para um amor fraco. Nada se parece mais com uma viva amizade do que essas ligações que o interesse do nosso amor nos faz cultivar.»

Jean de La Bruyére, in “Os Caracteres”

Publicado por Violeta Teixeira em 17/08 às 12:33 AM
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Quinta-feira, 16 Agosto, 2007

«A VAIDADE CEGA A SABEDORIA»

Foto da autoria de Rattus-Olhares.com

«Os sábios da terra não são os mais próprios para o governo dela. As Repúblicas, que se fundaram, ou se quiseram governar por sábios, perderam-se, acabaram-se; temos notícia delas pelo que foram, e não pelo que são. (...) As maiores crueldades, ou foram feitas, ou aconselhadas pelos Sábios; estes quando persuadem o mal, é com tanta veemência, e tão eficazmente, que as gentes na boa fé, buscam, e particam esse mal, como por entusiasmo, e sem advertirem nele. A impiedade, é uma das coisas que a ciência ensina; não porque seja o seu objecto, ou instituto, mas porque quando a impiedade é útil, à força de a ornar, se lhe tira o horror. A vaidade das ciências não consente, que haja cousa de que ela não possa, nem se saiba aproveitar.
Os erros comummente são partos da sabedoria humana; o errar propriamente é dos sábios, porque o erro supõe conselho, e premeditação; os ignorantes quási que obram por instinto; a ciência sabe legitimar o erro, a ignorância não; por isso nesta não há perigo de que ninguém o aprove; ao passo que naquela há o perigo de que a multidão o siga. O erro na mão de um sábio é como uma lança penetrante, e forte; na mão de um ignorante, é como uma arma quebrada, sem uso, nem consequência. As coisas parecem que recebem mais da forma, que se lhes dá, que da natureza que têm; não se atende à substância do mármore, ao polido sim; a dureza importa menos que a figura. As ciências são as que dão o lustre às coisas, e sempre dão o lustre que lhes parece; ou duvidoso, ou falso, ou verdadeiro; a vaidade, é o artífice.»

Matias Aires, in ‘Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Carta Sobre a Fortuna’

Publicado por Violeta Teixeira em 16/08 às 12:41 AM
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Quarta-feira, 15 Agosto, 2007

A EVOLUÇÃO OPACA DO SER»

«Muitas vezes os seres são claros e translúcidos por serem primários e à medida que vão evoluindo é que se vão tornando opacos. Pensemos. Talvez seja isto: à medida que mais evoluindo vamos é que vão sendo precisos olhos mais penetrantes para se poder distinguir a qualidade de um ser. Então não será só à luz do sol que se deverá considerar a limpidez ou a translucidez do corpo de um ser mas à luz de outros princípios luminosos. (...) Aqui a razão precisava de ter evoluído paralelamente aos olhos, ora os nossos olhos vão de encontro aos seres como de encontro a um muro.»

Ana Hatherly, in ‘O Mestre’

«Ana Hatherly nasceu no Porto em 1929. Poeta, ensaísta e professora universitária, dedicou-se à Poesia Visual e ao Barroco como corrente literária. Obras poéticas: Um Ritmo Perdido (Lisboa, 1958), As Aparências (Lisboa, 1959), A Dama e o Cavaleiro (Lisboa, 1960), Sigma (Lisboa, 1965), Anagramático (Lisboa, 1970), O Escritor (Lisboa, 1975), Poesia (1958-1978) (Lisboa, 1979), Joyciana (obra colectiva, Lisboa, 1982), O Cisne Intacto (Porto, 1983), A Cidade das palavras (Lisboa, 1988), 77 Tisane (Verona, Colpo di Fulmine Editore, 1994), Volúpia (Lisboa, 1997), 351 Tisanas (Lisboa, 1997), A Idade da Escrita (Lisboa, Edições Tema, 1998). Poesia Visual – Mapas da Imaginação e da Memória (Lisboa, 1973), A Reinvenção da Leitura (Lisboa, 1975), Escrita Natural (Lisboa, 1988). Ensaio: A Experiência do Prodígio: Bases Teóricas e Antologia de Textos-Visuais Portugueses dos Séculos XVII e XVIII (Lisboa, IN-CM, 1983).»

Publicado por Violeta Teixeira em 15/08 às 02:00 AM
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Terça-feira, 14 Agosto, 2007

ESCRITA/LIVRO/VIDA

Marc Chagall («La Vie»)

«A parte desconhecida da minha vida é a minha vida escrita. Morrerei sem conhecer essa parte desconhecida. Como foi escrito isto, porquê, como o escrevi, não sei, não sei como isto começou. Não se pode explicar. Donde vêm certos livros? A página está vazia e, de repente, já há trezentas páginas. Donde vem isto? É preciso deixar andar, quando se escreve, não devemos controlar-nos, é preciso deixar andar, porque não sabemos tudo de nós próprios. Não sabemos o que somos capazes de escrever.
Conheci grandes escritores que nunca conseguiram falar disso - conheci Maurice Blanchot e Georges Bataille intimamente, conheci Genet, creio que menos. Eles nunca sabiam, nunca falavam disso. Penso que é errado, aliás. Há trinta anos, era uma espécie de pudor aprendido, em parte, na escola sartriana, não se podia falar daquilo que se escrevia, não era decente - e penso que em Les Parleuses é a primeira vez que alguém fala disso, pelo menos uma das primeiras vezes. É bom falar disso e, ao mesmo tempo, é muito perigoso dar a ler textos antes de estarem terminados.
(...) Após o final de cada livro é o fim do mundo inteiro, é sempre assim, de cada vez. E depois tudo recomeça, como a vida.
Quando se escreve, não se pode falar em vez de escrever. O que se passa quando se escreve, nunca se pode dizer. Eu consigo ler uma passagem, mas depressa fico assustada.
Sou mais escritora do que vivente, que uma pessoa que vive. Naquilo que vivi, sou mais escritora do que alguém que vive. É assim que eu me vejo.»

Marguerite Duras, in ‘Mundo Exterior ‘

Publicado por Violeta Teixeira em 14/08 às 12:48 AM
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Segunda-feira, 13 Agosto, 2007

« A PROFUNDIDADE DA NOSSA SEPARAÇÃO»

«O homem está dividido dentro de si. A vida volta-se contra si própria através da agressão, do ódio e do desespero. Estamos habituados a condenar o amor-próprio; mas aquilo que pretendemos realmente condenar é o oposto do amor-próprio. É aquela mistura de egoísmo e aversão por nós próprios que permanentemente nos persegue, que nos impede de amar os outros e que nos proíbe de nos perdermos no amor com que somos eternamente amados. Aquele que é capaz de se amar a si próprio é capaz de amar os outros; aquele que aprendeu a superar o desprezo por si próprio superou o seu desprezo pelos outros.
Mas a profundidade da nossa separação reside, justamente, no facto de não sermos capazes de um grande amor, clemente e divino, por nós próprios. Pelo contrário, existe em cada um de nós um instinto de autodestruição, tão forte como o nosso instinto de autopreservação. Na nossa tendência para maltratar e destruir os outros existe uma tendência, visível ou oculta, para nos maltratarmos e nos destruirmos.
A crueldade para com os outros é sempre também crueldade para com nós próprios. Deste modo, o estado de toda a nossa vida é o distanciamento dos outros e de nós próprios, porque estamos distanciados da Razão do nosso ser, porque estamos distanciados da origem e do objectivo da nossa vida. E não sabemos de onde viemos nem para onde vamos. Estamos separados do mistério, da profundidade e da grandeza da nossa existência. Ouvimos a voz dessa profundidade, mas os nossos ouvidos estão fechados. Sentimos que algo radical, total e incondicional nos é exigido; mas rebelamo-nos contra isso, tentamos fugir à sua urgência e não aceitamos a sua promessa.»

Paul Tillich, in ‘És Aceite’

«Paul Johannes Oskar Tillich (20 de agosto de 1886 – Chicago 22 de outubro de 1965) foi um teólogo alemão-estaadounidense, um filósofo cristão. Tillich foi comtemporâneo de Karl Barth, um dos mais influentes teólogos protestantes do século XX.
Paul Tillich nasceu a 20 de agosto de 1886 em Starzeddel na Prússia Oriental. Estudou sucessivamente a filosofia e a teologia em Berlin, Tübingen e Halle, sendo contemporâneo de Karl Barth e Rudolf Bultmann. Suas teses foram dedicadas à filosofia religiosa de Schelling.
Ordenado pastor em 1912, participou da Primeira Guerra Mundial como capelão de guerra. Até 1933, lecionou em Berlin, Marburg, Dresden, Leipzig e Frankfurt, onde sucedeu a Max Scheler em 1929.
Desempenhou um papel importante na fundação da Escola de Frankfurt, tendo orientado a tese de doutorado de Theodor Adorno. Foi fundador, com um grupo de amigos, do movimento intelectual do “socialismo religioso”.
Tendo perdido sua cátedra por causa de suas posições anti-nazistas, Tillich emigrou para os Estados Unidos em 1933, a convite dos amigos Reinhold e Richard Niebuhr. De 1933 a 1955, foi professor de Teologia Filosófica no Union Theological Seminary e na Columbia University (New York).
Depois, lecionou nas universidades de Harvard e de Chicago. Nesta última cidade, coordenou importantes seminários de estudos da religião com Mircea Eliade. Depois da Segunda Guerra, fez freqüentes viagens a Europa para cursos e conferências. Recebeu o prêmio da paz dos editores alemães em 1962.
Obras em português
• A coragem de ser (The Courage to be). Trad. Eglê Malheiros, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1972.
• Dinâmica da fé (Dynamics of Faith). Trad. Walter O.Schlupp, São Leopoldo, RS, Editora Sinodal, 1985.
• Teologia Sistemática (Systematic Theology). Trad. Getúlio Bertelli,São Paulo, Ed. Paulinas/São Leopoldo, Editora Sinodal, 1984 .
• História do pensamento cristão (A History of Christian Thought). Trad. Jaci Maraschin,São Paulo, ASTE, 1988.
• Perspectivas da Teologia Protestante nos séculos XIX e XX (Perspectives on 19th and 20th Century Protestant Theology). Trad. Jaci Maraschin, São Paulo, ASTE, 1986.
• A Era Protestante ( The Protestant Era). Trad. Jaci Maraschin, São Bernardo do Campo, Ciências da Religião e Traço a Traço Editorial, 1992.
• Amor, poder e justiça. São Paulo: Novo Século, 2004»

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre (versão brasileira

Publicado por Violeta Teixeira em 13/08 às 07:12 AM
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Domingo, 12 Agosto, 2007

«OS OBJECTOS SÃO CONSOLADORES»

Foto da autoria de Francisco Garrett-Olhares.com

«Talvez os objectos sejam consoladores. Em especial os antigos, feitos de barro, feitos por homens com outra mentalidade. Os objectos são aquilo que não somos, aquilo que nunca chegaremos a ser. Será que as pessoas fazer as coisas para definir os limites da personalidade? Os objectos são os limites de que necessitamos desesperadamente. Mostram-nos onde terminamos. Dissipam temporariamente a nossa tristeza.»

Don DeLillo, in ‘Os Nomes’

Publicado por Violeta Teixeira em 12/08 às 02:10 AM
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Sábado, 11 Agosto, 2007

«PALAVRAS GASTAS PELO MAU USO»

Trabalho fotográfico da autoria de Francisco Garrett-Olhares.com

«Diz-me se essa palavra aí não está singularmente vestida e poderás ver todas as minhas nuas antes das coisas que medito as terem coberto com uma libré. É uma vergonha que a maior parte das nossas palavras sejam instrumentos de que se fez, outrora, mau uso e que, muitas vezes, conservem o cheiro da imundície em que as emporcalharam os anteriores proprietários. Quero trabalhar com palavras novas ou então - tenho necessidade para isso de menor ar do que uma ave exala nos seus cantos - nunca mais falar, a não ser de mim para mim, por toda a eternidade.»

Georg Lichtenberg, in ‘Aforismos’

«Georg Christoph Lichtenberg (1 de julho de 1742, em Ober-Ramstadt, Alemanha - 24 de fevereiro de 1799, em Göttingen, Alemanha), filósofo e escritor alemão.»

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por Violeta Teixeira em 11/08 às 11:52 AM
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Sexta-feira, 10 Agosto, 2007

«SEIS VIRTUDES QUE SE PODEM TORNAR DEFEITOS»

Marafona

«Conheceis as seis virtudes e os seis defeitos nos quais pode cair aquele que quer praticar as seis virtudes sem conhecê-las bem? O defeito daquele que quer ser benfeitor e não quis aprender a sê-lo, é a falta de discernimento; o defeito daquele que ama a ciência e não ama o estudo, é o de cair em erro; o defeito daquele que gosta de cumprir promessas e não aprendeu a fazê-las, é prejudicar os outros, prometendo-lhes e dando-lhes coisas nocivas; o defeito daquele que ama a franqueza e não aprendeu a praticá-la é o de aconselhar a repreender muito livremente sem nenhuma consideração para com as pessoas; o defeito daquele que gosta de mostrar coragem e não aprendeu a saber doseá-la é perturbar a ordem; o defeito daquele que ama a firmeza de alma e não aprendeu a limitá-la é a temeridade.»

Confúcio, in ‘Os Anacletos’

Publicado por Violeta Teixeira em 10/08 às 12:56 AM
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Quinta-feira, 09 Agosto, 2007

«O VERDADEIRO ROSTO DA HISTÓRIA»

«O verdadeiro rosto da história afasta-se veloz. Só podemos reter o passado como uma imagem que no instante em que se deixa reconhecer lança um clarão que não voltará a ver-se. «A verdade não nos escapará» - esta palavra de Gottfried Keller caracteriza com exactidão, na concepção da história que têm os historicistas, o ponto em que o materialismo histórico realiza o seu avanço através dessa imagem. Irrecuperável é, com efeito, toda a imagem do passado que corre o risco de desaparecer com cada instante presente que nela não se reconheceu. (A feliz notícia trazida pelo ofegante historiógrafo do passado sai de uma boca que, talvez no próprio instante em que se abre, fala já no vazio.)»

Walter Benjamin, in ‘Teses Sobre a Filosofia da História’

«Walter Benedix Schönflies Benjamin (Berlim, 15 de julho de 1892 — Portbou, 27 de setembro de 1940) foi um crítico literário e ensaísta alemão. Foi refugiado judeu alemão, diante da perspectiva de ser capturado pelos nazistas, escolheu o suicídio.
Biografia:
Walter Benjamin nasceu no seio de uma abastada família judaica. Filho de Emil Benjamin e de Paula Schönflies Benjamin, comerciantes de produtos franceses. Na adolescência Benjamin, perfilhando ideais socialistas, participou no Movimento da Juventude Livre Alemã, colaborando na revista do movimento. Nesta época nota-se uma nítida influência de Nietzsche em suas leituras.
Em 1915, conhece Gerschom Gerhard Scholem de quem se torna muito próximo, quer pelo gosto comum pela arte, quer pela religião judaica que partilhavam. Em 1919 defende tese de doutorado, A Crítica de Arte no Romantismo Alemão, que foi aprovada e recomendada para publicação.
Em 1925, Benjamin constatou que a porta da vida acadêmica estava fechada para sí, tendo a sua tese de livre-docência Origem do Drama Barroco Alemão sido rejeitada pelo Departamento de Estética da Universidade de Frankfurt.
Nos últimos anos da década de 20 o filósofo judeu interessa-se pelo marxismo, e juntamente com o seu companheiro de então, Theodor Adorno, aproxima-se da filosofia de Georg Lukács. Por esta altura e nos anos seguintes publica resenhas e traduções que lhe trariam reconhecimento como crítico literário, entre elas as séries sobre Charles Baudelaire.

Refugiou-se na Itália, de 34 a 35. Neste momento cresciam as tensões entre Benjamin e o Instituto para Pesquisas Sociais, associado ao que ficou conhecida como Escola de Frankfurt, de quem Benjamin foi mais um inspirador do que um membro. Em 1940, ano da sua morte, escreve a sua última obra, considerada por alguns o mais importante texto revolucionário desde Marx, por outros, um retrocesso no pensamento benjaminiano:, as Teses Sobre o Conceito de História. A sua morte, desde sempre envolta em mistério, teria ocorrido durante a tentativa de fuga através dos Pirenéus, quando, em Portbou, temendo ser entregue à Gestapo, comete suicídio. Sua obra exerce grande influência atualmente no editor e tradutor de suas obras em italiano Giorgio Agamben, sobretudo acerca do conceito de Estado de exceção.»

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.(versão brasileira)

Publicado por Violeta Teixeira em 09/08 às 01:14 AM
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Terça-feira, 07 Agosto, 2007

«TUDO DEVE SER CONTADO PELO MENOS UMA VEZ»

«Tudo o que nos acontece, tudo o que falamos ou nos é narrado, tudo quanto vemos com os nossos próprios olhos ou sai da nossa língua ou entra pelos nossos ouvidos, tudo aquilo a que assistimos (e por que, portanto, somos de certo modo responsáveis), há-de ter um destinatário fora de nós, e esse destinatário vai sendo seleccionado por nós em função do que acontece ou nos dizem ou então dizemos nós. Cada coisa deverá ser contada a alguém - nem sempre a mesma pessoa, não necessariamente -, e cada coisa vai-se colocando de parte como quem folheia e aparta e vai destinando prendas futuras numa tarde de compras.
Tudo deve ser contado pelo menos uma vez, ainda que, como havia determinado Rylands com a sua autoridade literária, deva ser contado segundo os tempos. Ou, o que vem a dar no mesmo, no momento justo e às vezes nunca mais se não se soube reconhecer ou se deixou passar deliberadamente esse momento preciso. Esse momento apresenta-se às vezes (a maioria das vezes) de maneira imediata, inequívoca e compulsiva, mas muitas outras vezes apresenta-se apenas confusamente e ao fim de lustros ou décadas, como acontece com os grandes segredos. Mas nenhum segredo pode ou deve ser guardado para sempre do conhecimento de toda a gente, é forçoso que encontre pelo menos um destinatário uma vez na vida, uma vez na vida desse segredo.
É por isso que algumas pessoas reaparecem.
É por isso que nos condenamos sempre por aquilo que dizemos. Ou por aquilo que nos dizem.»

Javier Marías, in ‘Todas as Almas’

«Javier Marías Franco (Madrid, 20 de septiembre de 1951) es un escritor, traductor y editor español, miembro de la Real Academia Española. Es considerado uno de los novelistas más relevantes de la literatura española contemporánea.

Biografía
Hijo del filósofo Julián Marías, pasó parte de su infancia junto con su familia en Estados Unidos, ya que a su padre, encarcelado y represaliado por ser republicano, se le prohibió impartir clases en la Universidad española. Recibió una sólida educación liberal en el Colegio Estudio, heredero de la Institución Libre de Enseñanza. Se licenció en Filosofía y Letras (sección de Filología Inglesa) por la Universidad Complutense de Madrid.
Sobrino y primo, respectivamente, de los cineastas Jesús Franco y Ricardo Franco, colaboró con ellos en su juventud traduciendo o escribiendo guiones, e incluso apareciendo como extra en algún largometraje.
En 1970 escribió su primera novela, Los dominios del lobo, que sería publicada al año siguiente. Entre la escritura de la obra y su publicación, conoció al escritor Juan Benet, al que le uniría a partir de entonces una gran amistad, y que fue una figura clave en su vida personal y literaria.
En 1972 publicó su segunda novela, Travesía del horizonte, y en 1978 la tercera, El monarca del tiempo. Ese mismo año apareció su traducción de la novela de Laurence Sterne La vida y opiniones del caballero Tristram Shandy, por la que le fue concedido al año siguiente el Premio Nacional de Traducción. En 1983 publicó su cuarta novela, El siglo.
Entre 1983 y 1985 impartió clases de Literatura Española y Teoría de la Traducción en la Universidad de Oxford. En 1984 lo haría en el Wellesley College en Boston y entre 1987 y 1992 en la Universidad Complutense de Madrid.
En 1986 publicó la novela El hombre sentimental y, en 1988, Todas las almas. Esta última, aunque obra de ficción, narra la historia de un profesor español que imparte clases en Oxford, lo que dio lugar a algún equívoco al ser identificado de forma errónea el narrador con el autor.
En 1990 se publicó su primera recopilación de relatos breves, Mientras ellas duermen y en 1991 su primera recopilación de artículos periodísticos, Pasiones pasadas. En años sucesivos aparecieron nuevos volúmenes recopilando su obra publicada en prensa y revistas.
La novela Corazón tan blanco (1992) tuvo un gran éxito tanto de público como de crítica, y significó su definitiva consagración como escritor. Fue traducida a decenas de lenguas, y el crítico alemán Marcel Reich-Ranicki, auténtico gurú literario en su país, mencionó a Marías como uno de los más importantes autores vivos de todo el mundo. A su siguiente novela, publicada en 1994, Mañana en la batalla piensa en mí (título tomado de un verso de Shakespeare, al igual que Corazón tan blanco), le llovieron los premios en Europa y América.
En 1998 apareció Negra espalda del tiempo, novela en la que Javier Marías detalla los cruces entre ficción y vida real producidos por la falsa interpretación de Todas las almas como un roman à clef. Es también en esta obra donde se cuenta la historia del “legendario, real y ficticio” Reino de Redonda, del que Marías se acababa de convertir en soberano, con el nombre de Xavier I, tras la abdicación de Jon Wynne-Tyson. Con evidente tono lúdico, Marías (pese a su republicanismo confeso) aceptó el título con el objeto de defender el legado literario del Reino, nombró una corte formada por personajes de la cultura nacional e internacional y convocó un premio anual. En el año 2000 creó la editorial “Reino de Redonda”.
En 2002 comenzó a publicar la que podría calificarse como su novela más ambiciosa, Tu rostro mañana. Aunque de lectura independiente, continúa con algunos de los personajes (en particular, el narrador) de Todas las almas. Debido a su extensión, el autor tenía previsto publicarla en dos tomos, aunque serán tres como mínimo, ya que tras los dos primeros (Fiebre y lanza, 2002 y Baile y sueño, 2004) está aún inconclusa.
En 2006 fue elegido miembro de la Real Academia Española de la Lengua, en la que, tras leer su discurso de ingreso, ocupará el sillón R, vacante tras la muerte de Fernando Lázaro Carreter. Anteriormente había declinado pertenecer a la institución porque su padre ya ocupaba una plaza.
Es considerado uno de los escritores vivos más relevantes en lengua española. Sus novelas Corazón tan blanco y Mañana en la batalla piensa en mí han sido catalogadas, por muchos, entre los clásicos de la literatura castellana casi desde su publicación. Su labor como articulista ha sido muy influyente tanto en España como en América Latina y ha aparecido en medios muy relevantes como los periódicos españoles El País, El Semanal (al que renunció después de ser censurado) y la revista mexicana Letras Libres.
Además (exclusivamente en términos literarios) es rey de Redonda bajo el nombre de King Javier I (La historia del nombramiento aparece en Negra espalda del tiempo). Con su investidura ha otorgado títulos nobiliarios (ficticios) a una gran cantidad de personajes de las artes y las letras, entre ellos Pedro Almodóvar, Arturo Pérez-Reverte, Francis Ford Coppola y John Maxwell Coetzee.
A pesar de su éxito de crítica y público (o quizá a causa de ello), a Marías no le faltan detractores. A nivel literario, algunos lo consideran poco español y extranjerizante. Otros, un tanto sobrevaluado. Además, han sido públicas sus diferencias y enfrentamientos, entre otros, con Jorge Herralde (editor de Anagrama, en la que Javier Marías publicó alguna de sus primeras obras), Elías y Gracia Querejeta, por la adaptación cinematográfica de Todas las almas, con el suplemento de prensa El Semanal, que se negó a publicar uno de sus artículos, o con la Asociación de Víctimas del Terrorismo, a raíz de la publicación del artículo Un país demasiado anómalo.(...)»

Publicado por Violeta Teixeira em 07/08 às 11:53 PM
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«O ESMAGAMENTO DO EU»

«O espectáculo (da sociedade de consumo) que é a extinção dos limites do eu e do mundo pelo esmagamento do eu que a presença-ausência do mundo assedia, é igualmente a supressão dos limites do verdadeiro e do falso pelo recalcamento de toda a verdade vivida sob a presença real da falsidade que a organização da aparência assegura. Aquele que sofre passivamente a sua sorte quotidianamente estranha é, pois, levado a uma loucura que reage ilusoriamente a essa sorte, ao recorrer a técnicas mágicas. O reconhecimento e o consumo das mercadorias estão no centro desta pseudo-resposta a uma comunicação sem resposta. A necessidade de imitação que o consumidor sente é precisamente uma necessidade infantil, condicionada por todos os aspectos da sua despossessão fundamental.»

Guy Debord, in ‘A Sociedade do Espectáculo’

«Guy Debord nasceu em 28 de dezembro de 1931 em Paris e faleceu em 30 de novembro de 1994. Foi um dos pensadores da Internacional Situacionista e da Letrismo Internacional e seus textos foram a base das manifestações do Maio de 68.
A Sociedade do Espetáculo é o trabalho mais conhecido de Guy Debord. Em termos gerais, as teorias de Debord atribuem a debilidade espiritual, tanto das esferas públicas quando da privada, a forças econômicas que dominaram a Europa após a modernização decorrente do final da segunda grande guerra.
Ele rejeita, como duas faces da mesma problemática, o capitalismo de mercado do ocidente quanto o capitalismo de estado do bloco socialista. Segundo Debord, o sentimento de alienação pode ser atribuído a forças do “espetáculo”, que podem ser traduzidas como a natureza sedutora do capitalismo. Em sua análise, Debord desenvolve as noções de “reificação” e “fetichismo das mercadorias”, introduzidas por Karl Marx em sua obra “O Capital”, comprovando as raízes históricas, econômicas e psicológicas da “mídia”.
O ponto central de suas teorias é que a alienação é mais do que uma descrição de emoções ou um aspecto psicológico individual. É a conseqüência da forma mercantil de organização social que atinge o seu clímax no atual capitalismo. É uma constituição moderna da luta de classes, desta forma, o espetáculo é uma forma mercantil de dominação burguesa sobre o proletariado, as duas classes revolucionárias.
Debord mostra algumas estratégias que buscam resistir à alienação através da supressão ou derivação da realidade espetacular, destruindo os valores burgueses.(…)»
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. (versão brasileira).

Publicado por Violeta Teixeira em 07/08 às 01:13 AM
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Domingo, 05 Agosto, 2007

«A NULIDADE COMO IDEAL»

«A nulidade exige ordem. Tem necessidade de uma hierarquia, de meios de pressão, de agentes e de uma finalidade que se confunda consigo própria. Para manter o ser humano no seu nível mais baixo, onde não corre o risco de fazer ondas, nada melhor que uma organização estruturada com níveis de poder e peões disciplinados capazes de os exercer. Qualquer estrutura deste tipo aguenta-se de pé devido à convicção geral de que não é necessário explicar para se ser obedecido, nem compreender para obedecer. A verdade difunde-se por si só de cima para baixo pelo mero efeito do ascensor hieráriquico. A eficácia é proporcional ao grau de complexidade graças ao qual é mantida a ilusão de uma certa liberdade em todos os níveis de comando.
Quanto mais insignificantes são as engrenagens humanas, mais fácil é convencê-las da sua falsa autonomia. As nulidades fornecem as melhores engrenagens, associando o máximo de inércia intelectual ao máximo de aplicação no exercício de uma ditadura sobre a pequena porção de poder que lhes cabe. Essas estruturas, onde todos têm razão quando estão acima e não a têm quando estão abaixo, realizam uma espécie de ideal humano feito de equilíbrio entre arrogância e humildade. Por muito que o maldigam, as sociedades regressam sempre a esse ideal.»
Georges Picard, in ‘Pequeno Tratado para Uso Daqueles que Querem Ter Sempre Razão’
Georges Picard

Georges Picard est né à Paris en 1945. Il a suivi des études de philosophie et a ensuite occupé différents postes dans le milieu de l’édition. Il est actuellement journaliste à 60 millions de consommateurs.



Histoire de l’illusion, 1993.
De la connerie, 1994.
Du malheur de trop penser à soi, 1995.
Le Génie à l’usage de ceux qui n’en ont pas, 1996.
Tout m’énerve, 1997.
Pour les yeux de Julie, 1998.
Petit traité à l’usage de ceux qui veulent toujours avoir raison, 1999.
Le Vagabond appoximatif, 2001.
Crème de crimes, 2002.
Tous fous, 2003.
Le Bar de l’insomnie, 2004.
Du bon usage de l’ivresse, 2005
Tout le monde devrait écrire, 2006
Mais dans quel monde vivez-vous, 2007

Chez Calligrammes

Brèves nouvelles du monde, 1986.
Variations sur le réel, 1988.



Publicado por Violeta Teixeira em 05/08 às 11:32 PM
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«SÍMIOS APERFEIÇOADOS»

Foto da autoria de Duarte Almeida-Olhares.com

«É preciso viver em estado de prevenção. Não ir na enxurrada do colectivismo e morrer afogado num bairro económico ou numa colónia balnear, resistir às pressões políticas mirabolantes, quer sejam de uma banda ou de outra, manter a condição do homem-artista em luta com o homem-massa foi sempre o que em mim se tornou claro desde que aos poucos tomei posse da minha personalidade. É fatal que se caminhe para a sanidade de vida das classes baixas, é humano que isso se faça, no entanto também é humano, mais talvez, que se lute desesperadamente para que a condição mais sagrada do homem evolua libertando-se das massas satisfeitas com a assistência médica, televisão e funeral pago. Essa massa vai criar um novo espírito animal, vai catalogar-se em Darwin e, convencidos que essa massa está feliz, constatamos ao fim de pouco tempo que esses grandes grupos de populações standardizadas deixaram de pensar e o seu sentir é apenas tactual, sem nada de sublimação em momentos mais íntimos.
O mundo que pensa, do artista e do intelectual, tem de libertar-se do incómodo desses homens que trouxeram como contribuição para a humanidade uma ideia abstracta do colectivo em marcha, que passaram a emitir sons, como pequenas estações emissoras, que não precisam de se articular em palavras, bastando-lhes os gestos. Ao fim e ao cabo aqueles que julgaram ter contribuído para a evolução da humanidade, dessa massa informe, é com tristeza, se ainda forem vivos, que constatam o facto de terem criado mais uma categoria animal, símios aperfeiçoados, em substituição do processo normal e não aflitivo do homem que evolui gradualmente dentro da sua própria missão de homem.»

Ruben A., in “O Mundo À Minha Procura I”

Publicado por Violeta Teixeira em 05/08 às 09:41 AM
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