Reflexões

Sexta-feira, 08 Agosto, 2008

«EVITAR O SOFRIMENTO»

Trabalho fotográfico de BMWS-Olhares.com

«Privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados. Porque é que não nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Porque é que não nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, esforçamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer.»

Sigmund Freud, in ‘As Palavras de Freud’

Publicado por Violeta Teixeira em 08/08 às 10:44 PM
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Quarta-feira, 06 Agosto, 2008

O VERDADEIRO E O FALSO

Tabalho fotográfico de rattus-Olhares.com

A primeira diligência do espírito é a de distinguir o que é verdadeiro do que é falso. No entanto, logo que o pensamento reflecte sobre si próprio, o que primeiro descobre é uma contradição. Seria ocioso procurar, neste ponto, ser-se convincente. Ninguém, há séculos, deu uma demonstração mais clara e mais elegante do caso do que Aristóteles: “A consequência, muitas vezes ridicularizada, dessas opiniões é que elas se destroem a si próprias”.

Porque, se afirmarmos que tudo é verdadeiro afirmamos a verdade da afirmação oposta, e, em consequência, a falsidade da nossa própria tese (porque a afirmação oposta não admite que ela possa ser verdadeira). E, se dissermos que tudo é falso, essa afirmação também é falsa. Se declararmos que só é falsa a afirmação oposta à nossa, ou então que só a nossa e que não é falsa, somos, todavia, obrigados a admitir um número infinito de juízos verdadeiros ou falsos.

Porque aquele que anuncia uma afirmação verdadeira, pronuncia ao mesmo tempo o juízo de que ela é verdadeira, e assim sucessivamente, até ao infinito.

Albert Camus, in “O Mito de Sísifo”

Publicado por Violeta Teixeira em 06/08 às 03:23 PM
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Terça-feira, 05 Agosto, 2008

O TEMPO

Trabalho fotográfico de MaGaGek .Olhares.com

«O tempo é a forma graças à qual a vanidade das coisas aparece como a sua instabilidade, que reduz a nada todas as nossas satisfações e todas as nossas alegrias, enquanto nos perguntamos com surpresa para onde foram. Esse próprio nada é portanto o único elemento objectivo do tempo, ou seja, o que lhe responde na essência íntima das coisas, e assim a substância da qual ele é a expressão.»

Arthur Schopenhauer, in ‘O Mundo como Vontade e Representação’

Publicado por Violeta Teixeira em 05/08 às 06:08 PM
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Segunda-feira, 04 Agosto, 2008

MULHER

Trabalho fotográfico de rattus-Olhares.com

«O homem deve à mulher tudo quanto fez de belo, de insigne, de espantoso, porque da mulher recebeu o entusiasmo; ela é o ser que exalta. Quantos moços imberbes, tocadores de flauta, não celebraram já o tema? E quantas pastoras ingénuas não o ouviram também? Confesso a verdade quando digo que a minha alma está isenta de inveja e cheia de gratidão para com Deus; antes quero ser homem pobre de qualidades, mas homem, do que mulher - grandeza imensurável, que encontra a sua felicidade na ilusão. Vale mais ser uma realidade, que ao menos possui uma significação precisa, do que ser uma abstracção susceptível de todas as interpretações. É, pois, bem verdade: graças à mulher é que a idealidade aparece na vida; que seria do homem, sem ela? Muitos chegaram a ser génios, heróis, e outros santos, graças às mulheres que amaram; mas nenhum homem chegou a ser génio por graça da mulher com quem casou; por essa, quando muito, consegue o marido ser conselheiro de Estado; nenhum homem chegou a ser herói pela mulher que conquistou, porque essa apenas conseguiu que ele chegasse a general; nenhum homem chegou a ser poeta inspirado pela companheira de seus dias, porque essa apenas conseguiu que ele fosse pai; nenhum homem chegou a ser santo pela mulher que lhe foi destinada, porque esse viveu e morreu celibatário. Os homens que chegaram a ser génios, heróis, poetas e santos cumpriram a sua missão inspirados pelas mulheres que nunca chegaram a ser deles.

Se a idealidade da mulher fosse positivamente, e não negativamente, um factor de entusiasmo, inspiratriz seria a mulher à qual o homem, casando, se unisse para toda a vida. A realidade fala-nos, porém, outra linguagem. Quero dizer que a mulher desperta, sim, o homem para a idealidade, mas só o torna criador na relação negativa que mantém com ele. Compreendidas assim as coisas, poderá efectivamente dizer-se que a mulher é inspiradora, mas a afirmação directa não passa de um paralogismo em que só a mulher casada pode acreditar. Quem ouviu alguma vez dizer que uma mulher casada tivesse conseguido fazer do marido um poeta? A mulher inspira o homem, sim, mas durante o tempo que for vivendo até a possuir. Tal é a verdade que está escondida na ilusão da poesia e da mulher.
Que o homem não possua a mulher, isso é o que pode ser entendido de várias maneiras. Ou está ainda na luta para a conquistar, e assim se disse que a donzela entusiasmou o amante a ponto de fazer dele um cavaleiro, mas nunca se ouviu dizer que um homem se tornasse valente por influência da mulher com quem casou. Ou está convencido de que nunca lhe será possível casar com ela, e assim se diz que a donzela entusiasmou e despertou a idealidade do amante que se manifestou capaz de cultivar os dons espirituais de que porventura era portador. Mas uma esposa, uma dona de casa, tem tantas coisas prosaicas com que se preocupar, que nunca desperta no marido a idealidade.»

Soren Kierkegaard, in ‘O Banquete’ (Discurso de Vitor Eremita)

Publicado por Violeta Teixeira em 04/08 às 02:53 PM
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Domingo, 03 Agosto, 2008

SENSACIONISMO

O Sensacionismo

«Sentir é criar.
Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o Universo não tem ideias.
- Mas o que é sentir?
Ter opiniões é não sentir.
Todas as nossas opiniões são dos outros.
Pensar é querer transmitir aos outros aquilo que se julga que se sente.
Só o que se pensa é que se pode comunicar aos outros. O que se sente não se pode comunicar. Só se pode comunicar o valor do que se sente. Só se pode fazer sentir o que se sente. Não que o leitor sinta a pena comum [?].
Basta que sinta da mesma maneira.
O sentimento abre as portas da prisão com que o pensamento fecha a alma.
A lucidez só deve chegar ao limiar da alma. Nas próprias antecâmaras é proibido ser explícito.

Sentir é compreender. Pensar é errar. Compreender o que outra pessoa pensa é discordar dela. Compreender o que outra pessoa sente é ser ela. Ser outra pessoa é de uma grande utilidade metafísica. Deus é toda a gente.
Ver, ouvir, cheirar, gostar, palpar - são os únicos mandamentos da lei de Deus. Os sentidos são divinos porque são a nossa relação com o Universo, e a nossa relação com o Universo Deus.
(...) Agir é descrer. Pensar é errar. Só sentir é crença e verdade. Nada existe fora das nossas sensações. Por isso agir é trair o nosso pensamento.
(...) Não há critério da verdade senão não concordar consigo próprio. O universo não concorda consigo próprio, porque passa. A vida não concorda consigo própria, porque morre. O paradoxo é a fórmula típica da Natureza. Por isso toda a verdade tem uma forma [?] paradoxal.
(...) Afirmar é enganar-se na porta.
Pensar é limitar. Raciovinar é excluir. Há muito que é bom pensar, porque há muito que é bom limitar e excluir.
(...) Substitui-te sempre a ti próprio. Tu não és bastante para ti. Sê sempre imprevenido [?] por ti próprio. Acontece-te perante ti próprio. Que as tuas sensações sejam meros acasos, aventuras que te acontecem. Deves ser um universo sem leis para poderes ser superior.
São estes os princípios essenciais do sensacionismo. (...)
Faze de tua alma uma metafísica, uma ética e uma estética. Substitui-te a Deus indecorosamente. É a única atitude realmente religiosa (Deus está em toda a parte excepto em si próprio).
Faze do teu ser uma religião ateísta; das tuas sensações um rito e um culto. (...)»

Fernando Pessoa, in ‘Sobre «Orpheu», Sensacionismo e Paùlismo’


Publicado por Violeta Teixeira em 03/08 às 08:47 AM
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Sábado, 02 Agosto, 2008

O CÉU

Trabalho fotográfico de MARIAH-Olhares.com

«O céu colabora na nossa vida íntima, vive connosco, acompanha-nos na mudança do nosso ser; é um confidente, é um consolador; invoca-se, fala-se-lhe. Olhar o céu é, nos nossos climas, uma ocasião de viver: instintivamente, voltamos para ele os nossos olhos. O poeta meridional, cheio de imagens e de cores, contempla-o; o burguês trivial, admira-o; pela manhã, abre-se a janela e vai-se ver o céu! É um íntimo sempre presente na nossa vida; o nosso estado depende dele: enevoado, entristece-nos; claro e lúcido, alegra-nos; cheio de nuvens eléctricas, enerva-nos. É no Céu que vemos Deus… E mesmo despovoado de deuses, é ainda para o homem o lugar donde ele tira força, consolação e esperança. A paisagem é feita por ele, a arte imita-o, os poetas cantam-no.»

Eça de Queirós, in ‘O Egipto’

Publicado por Violeta Teixeira em 02/08 às 02:30 PM
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Quinta-feira, 31 Julho, 2008

LIVRO

«Algumas obras morrem porque nada valem; estas, por morrerem logo, são natimortas. Outras têm o dia breve que lhes confere a sua expressão de um estado de espírito passageiro ou de uma moda da sociedade; morrem na infância. Outras, de maior escopo, coexistem com uma época inteira do país, em cuja língua foram escritas, e, passada essa época, elas também passam; morrem na puberdade da fama e não alcançam mais do que a adolescência na vida perene da glória. Outras ainda, como exprimem coisas fundamentais da mentalidade do seu país, ou da civilização, a que ele pertence, duram tanto quanto dura aquela civilização; essas alcançam a idade adulta da glória universal. Mas outras duram além da civilização, cujos sentimentos expressam. Essas atingem aquela maturidade de vida que é tão mortal como os Deuses, que começam mas não acabam, como acontece com o Tempo; e estão sujeitas apenas ao mistério final que o Destino encobre para todo o sempre (...)»

Fernando Pessoa, in ‘Heróstrato’

Publicado por Violeta Teixeira em 31/07 às 03:03 PM
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Terça-feira, 29 Julho, 2008

«TODO O PRESENTE ESPERA PELO PASSADO PARA NOS COVOVER»

Registo fotográfico da autoria de Hugo Tinoco-Olhares.com

«Há vária gente que não gosta de evocar o passado. Uns por energia, disciplina prática e arremesso. Outros por ideologia progressista, visto que todo o passado é reaccionário. Outros por superficialidade ou secura de pau. Outros por falta de tempo, que todo ele é preciso para acudir ao presente e o que sobra, ao futuro. Como eu tenho pena deles todos. Porque o passado é a ternura e a legenda, o absoluto e a música, a irrealidade sem nada a acotovelar-nos. E um aceno doce de melancolia a fazer-nos sinais por sobre tudo. Tanta hora tenho gasto na simples evocação. Todo o presente espera pelo passado para nos comover. Há a filtragem do tempo para purificar esse presente até à fluidez impossível, à sublimação do encantamento, à incorruptível verdade que nele se oculta e é a sua única razão de ser. O presente é cheio de urgências mas ele que espere. Ha tanto que ser feliz na impossibilidade de ser feliz. Sobretudo quando ao futuro já se lhe toca com a mão. Há tanto que ter vida ainda, quando já se a não tem… »

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 5’

Publicado por Violeta Teixeira em 29/07 às 03:57 PM
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Segunda-feira, 28 Julho, 2008

A LEITURA

Imagem ilustrativa de William Morris

«Se o gosto pelos livros aumenta com a inteligência, os perigos, como vimos, diminuem com ela. Um espírito original sabe subordinar a leitura à actividade pessoal. Ela é para ele apenas a mais nobre das distrações, sobretudo a mais enobrecedora, pois, só a leitura e o saber conferem «as boas maneiras» do espírito. O poder da nossa sensibilidade e da nossa inteligência, só o podemos desenvolver dentro de nós próprios, nas profundezas da nossa vida espiritual. Mas é nesse contacto com os outros espíritos que a leitura é, que se faz a educação das “maneiras” do espírito. Os letrados permanecem, apesar de tudo, como as pessoas notáveis da inteligência, e ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ciência literária, será sempre, mesmo num homem de génio, uma marca de grosseria intelectual. A distinção e a nobreza consistem na ordem do pensamento também, numa espécie de franco-maçonaria de costumes, e numa herança de tradições.

Marcel Proust, in ‘O Prazer da Leitura’

Publicado por Violeta Teixeira em 28/07 às 11:01 AM
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Sábado, 26 Julho, 2008

PENSAR

Obra escultórica de Constantin Brancusi

«Se grandes invenções ou descobertas, como o fogo, a roda ou a alavanca, se fizeram antes que o homem fosse, historicamente, capaz de escrever, também se põe como fora de dúvida que mais rapidamente se avançou quando foi possível fixar inteligência em escrita, quando o saber se pôde transmitir com maior fidelidade do que oralmente, quando biblioteca, em qualquer forma, foi testamento do passado e base de arranque para o futuro. A livro se veio juntar arquivo, para o que mais ligeiro se afigurava; e fora de bibliotecas ou arquivos ficaram os milhões de páginas de discorrer ou emoção humana que mais ligeiras pareceram ainda, ou menos duradouras. Escrevendo ou lendo nos unimos para além do tempo e do espaço, e os limitados braços se põem a abraçar o mundo; a riqueza de outros nos enriquece a nós. Leia.

Milhões de homens, porém, no mundo actual estão incapacitados de escrever e de ler, muito menos porque faltam métodos e meios do que incitamento que os levante acima do seu tão difícil quotidiano e vontade de quem mais pode de que seus reais irmãos mais dependam de si próprios do que de exteriores e quase sempre enganadoras salvações. Mais se comunica falando do que de qualquer outra forma; o que nos dizem muitas vezes nos parece de nenhuma importância, mas talvez tenha havido uma falha na atitude de escutar do que no conteúdo do que se disse; porventura a palavra-chave estava aí, mas estávamos distraídos, ou ansiosos por nós próprios falarmos; e no vento fugiu, a outros ouvidos ou a nenhuns. Ouça.
No tempo em que a antropologia ainda julgava que o homem descendia do macaco notou-se, para os distinguir, que um, mesmo no estádio mais primitivo, desenhava; o outro, mesmo que antropóide superior, nem olhava o desenho. Imagem nos veio acompanhando pela História fora, desde as pinturas ou gravuras rupestres, cujo verdadeiro significado ainda está por encontrar, até cinema ou televisão, sobre cujo significado igualmente muitas vezes nos podemos interrogar e que se tem de arrancar o mais depressa possível ao domínio do lucro, da publicidade ou das propagandas ideológicas para que possam cumprir, como nas formas mais antigas, a sua missão de iluminar, inspirar e consagrar o mundo. Imagem o cerca. Veja.
Mas o que vê e ouve ou lê nada mais lhe traz senão matéria-prima de pensamento, já livre de muita impureza de minério bruto, porquanto antes do seu outros pensamentos o pensaram; mas, por o pensarem, alguma outra impureza lhe terão juntado. Nunca se precipite, pois, a aderir; não se deixe levar por nenhum sentimento, excepto o do amor de entender, de ver o mais possível claro dentro e fora de si; critique tudo o que receba e não deixe que nada se deposite no seu espírito senão pela peneira da crítica, pelo critério da coerência, pela concordância dos factos; acredite fundamentalmente na dúvida construtiva e daí parta para certezas que nunca deixe de ver como provisórias, excepto uma, a de que é capaz de compreender tudo o que for compreensível; ao resto porá de lado até que o seja, até que possa pôr nos pratos da sua balancinha de razão. A tudo pese. Pense.»

Publicado por Violeta Teixeira em 26/07 às 03:36 PM
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Terça-feira, 22 Julho, 2008

SENTIMENTO

Trabalho fotográfico de Johanes-Olhares.com

«Creio que a intensidade de um sentimento tem que ver com o número de elementos a que se aplica. Penso assim que ele varia na razão inversa do número desses elementos. Quanto maior for o número de filhos, menor é a alegria ou o desgosto que cada um provoca ao pai. O máximo de sentir diz respeito a todos e divide-se portanto por cada um. Se um indivíduo é o chefe de um povo, transfere para a colectividade a sua capacidade de sentir. Assim ele é praticamente insensível perante a sorte de cada um. A famosa insensibilidade de um chefe tem que ver com isso. O mesmo para o autodomínio que se refere a um indivíduo particular. Julgo que na realidade se trata de uma distribuição do seu sentir por vários elementos dos quais por exemplo os filhos (ou ele próprio) são apenas uma fracção. O resto dessa fracção pode ir para os seus negócios, o seu partido político, os seus amigos ou amantes, o seu clube. E então o admitável autodomínio tem apenas que ver com uma parcela do sentir. E com essa parcela já se pode ser forte e aguentar. Isto, se se não trata apenas, como julgo já ter dito, de uma alienação da emotividade e seu motivo, ou seja de um apartá-los de si, de um torná-los estranhos, ou alheios, como na situação vulgar de uma dor que é dos outros e nos não diz portanto respeito. É, de resto, o que até certo ponto eu tento aqui com o caso do Lúcio, reduzindo-o à escrita, ou seja objectivando-o, ou seja, separando-o de mim.»

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 5’

Publicado por Violeta Teixeira em 22/07 às 01:54 PM
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Segunda-feira, 21 Julho, 2008

ORDEM

Trabalho fotográfico de Hugo Tinoco-Olhares.com

«A ordem é o sinal e não a causa da existência. Da mesma maneira que o plano do poema é sinal de que ele está acabado e marca da sua perfeição. Não é em nome de um plano que tu trabalhas, tu trabalhas para obter um plano. Mas aquelas criaturas dizem dos alunos: «Olhem para esta grande obra e reparem na ordem que revela. Fabriquem-me, primeiro que tudo, uma ordem, e a vossa obra será grande». Uma obra dessas não passará de esqueleto sem vida e detrito de museu.
Não tropeces na tua linguagem. Se impuseres a vida, fundarás a ordem; se impuseres a ordem, imporás a morte. A ordem pela ordem é caricatura da vida.»

Antoine de Saint-Exupéry, in “Cidadela”

Publicado por Violeta Teixeira em 21/07 às 03:34 PM
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Domingo, 20 Julho, 2008

«A FONTE DE INTERESSE»

«E de vez em quando é assim: vivo numa suspensão de tudo, de interesses, de leituras, de escrita. Possivelmente é um erro supor-se que um interesse, seja qual for, reside nisso mesmo em que se está interessado. Não está. Um interesse remete sempre para outro e outro, até ao interesse final que tem que ver com a própria vida, o motivo global que nos impulsiona. Há pelo menos que haver uma razão final e genérica para que as razões circunstanciais ou ocasionais tenham um efeito propulsor. Há que termos essa razão, mesmo inconsciente, para que todas as outras actuem em nós. E o que não acontece quando por exemplo dizemos que estamos sem interesse. Não nos apetece ler, não nos apetece escrever, não nos apetece ir ao cinema, ouvir música etc, quando falta uma razão global em que isso se inscreva. E então dizemos sumariamente isso mesmo: que não nos apetece. Se temos um grande desgosto, se estamos condenados por uma doença etc. justifica-se o desinteresse por essa razão. Significa isso que essa razão é o fundamento global que nos falhou para qualquer outro interesse subsistir. Os que superam esse estado são excepcionais, ou loucos ou de força de vontade ou obsessivos, o que tudo é um modo de dizer que se está fora dos limites normais. Hoje estou em dia de suspensão - venho-o estando, aliás, há já dias. Só não sei a razão fundamental para que seja assim. Vou pensar aplicadamente, a ver se sei. »

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 5’

Publicado por Violeta Teixeira em 20/07 às 04:56 PM
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Sábado, 19 Julho, 2008

ARTE

Obra de Almada Negreiros

«Por isso, meu caro senhor, apenas me é possível dar-lhe este conselho: mergulhe em si próprio e sonde as profundidades onde a sua vida brota; na sua fonte encontrará a resposta à pergunta «Devo criar?» Aceite essa resposta, tal como lhe é dada, sem tentar interpretá-la. Talvez chegue à conclusão de que a arte o chama. Nesse caso, aceite o seu destino e tome-o, com o seu peso e a sua grandeza, sem jamais exigir uma recompensa que possa vir do exterior. Porque o criador deve ser todo um universo para si próprio, tudo encontrar em si próprio e na Natureza à qual toda a sua vida é devotada.»

Rainer Maria Rilke, in ‘Cartas a um Jovem Poeta’

Publicado por Violeta Teixeira em 19/07 às 02:50 PM
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Sexta-feira, 18 Julho, 2008

SUPOSIÇÕES

Trabalho fotográfico de Maria José Amorim-Olhares.com

«A vida onde nós conduzimos é baseada em suposições. Mudar sua vida necessita questionar estas suposições.

Suposição Uma: O que seus sentidos dizem você é verdadeiro

Esta é uma das suposições as mais fáceis a questionar então demolish! Você tem cinco sentidos: vista, hearing, toque, cheiro e gosto.

Deixe-nos a imagem que você está sentando em um riverbank. Que você vê?

Parte externa de yourself você vê todos os elementos que fazem acima a cena: o rio, um pescador, montanhas, árvores e assim por diante.

Mas é este realmente o que é ir sobre? A luz acena do rio, o barco, as montanhas, as árvores e todos os componentes restantes da cena viajam em uma velocidade de 299.792.458 medidores por o segundo. Bateram então os neurônios do fotorreceptor no retina de seus olhos. Estes geram então os impulsos elétricos que vão ao cérebro que processa então estes impulsos e críam a cena que você está vendo. Se você mover então sua cabeça então o cérebro tem que atualizar estas imagens. Se o pescador se mover seu barco então mais atualizar tem que ocorrer. A você este tudo parece sem emenda com nenhuma ‘ ruptura aparente ‘ na ação. Isto é porque cérebro atualiza as imagens assim ràpidamente que você não observa nenhumas rupturas. É similar a como você presta atenção a uma película. Uma película é uma série de imagens imóveis piscou uma após a outra em uma tela em uma velocidade de aproximadamente 25 frames um o segundo. Você não observa cada um ainda imagem. Se a película for palavra, um barco que cruza um rio, o illusion está criado então do movimento contínuo.

Você está vendo tudo enquanto se realiza no momento atual? A luz dos objetos próximos alcança seus olhos antes da luz dos objetos distantes. Em uma velocidade de 299.792.458 medidores um o segundo a luz das montanhas e o rio começam a seus olhos muito, muito rapidamente. Isto significa que para a maioria de finalidades práticas este não é um problema. Se você estiver jogando tênis, para o exemplo, o tempo que a luz das tomadas da esfera para alcançar seus olhos e então o momento para que a imagem seja processada pelo cérebro e atualizada ràpidamente, seguido pelo tempo onde faz exame para que seu cérebro diga seu braço para se mover é assim rapidamente que não impede que você bata a esfera com sua raquete se você for um jogador bom do tênis. Assim, o illusion está criado que tudo está ocorrendo no tempo real, quando você pode somente sempre tratar do passado em que vem à visão.

Se você se mover para uma escala muito mais larga - diga quando você olha o céu, a seguir as estrelas que você vê são assim distantes afastado que a luz pode fazer exame de anos para alcançar seu olho. As distâncias da estrela são medidas frequentemente em anos claros. Um ano claro é iguais 5.88 milhão milhão milhas. Isto é como a luz distante viaja em um ano em uma velocidade de 186.282 milhas por o segundo ou de 299.792.458 medidores por o segundo. A estrela o mais próximo nosso sol é Proxima centauri que é 4.3 light-years do sol. O sol está a 93 milhão milhas da terra. Isto significa que nós podemos somente ver uma estrela enquanto apareceu ao menos 4.3 anos há. Nestas distâncias nós estamos vendo literalmente o passado.

O outro illusion é que você está olhando algo ‘ para fora de lá ‘. Na realidade, porque é o cérebro que cría as imagens, tudo está acontecendo dentro de seu cérebro. Há nenhum ‘ para fora de lá ‘ em tudo. Mesmo o pescador é percebido dentro de seu cérebro. Mesmo que você possa pôr sua mão para fora e sentir o frio do rio, você ainda pode somente ver o rio dentro de sua cabeça.
Um outro efeito estranho à observação é aquele quando nosso retina recebe a luz, a imagem que é dada forma é de cabeça para baixo. Nosso cérebro corrige este de modo que tudo apareça a maneira direita acima.

O som que alcança suas orelhas viaja em 770 milhas por a hora, que é consideravelmente mais lento do que a velocidade de luz. Isto significa que, se o pescador estiver cantando, então a imagem de seus alcances móveis da boca você muito mais rapidamente do que o som. Este efeito pode ser observado se você for algumas cem jardas afastado do começo de uma raça atlética que esteja começada por uma pistola começando. Enquanto o injetor está ateado fogo você vê o fumo levantar-se do tambor antes que você ouça o som do despedimento do injetor. A velocidade de som pode também variar de acordo com a temperatura e a altura. O mais elevado e o mais frio o ar são, então os cursos mais lentos do som. O media em que o som viaja também afetam sua velocidade - se isto seja água ou vidro para o exemplo.

Você pôs sua mão no rio. Quanto tempo faz exame para que você sinta o rio? Porque você toca no rio, os impulsos viajam através da rede do nervo em seu corpo a seu cérebro. Normalmente a taxa em que estes impulsos viajam é aproximadamente 331 medidores por o segundo. Este é um bit mais lento do que a velocidade de som em ao redor 346 medidores por o segundo em 82 graus de Fahrenheit.

O que no início nos aparece como uma situação simples - sentando-se em um banco do rio, vendo uma cena, estando ciente dos cheiros, tocando a água, pensando sobre o que você está vendo, é um mecanismo extremamente complexo. A energia no formulário da luz está sendo recebida por seu retina, alcance das ondas sadias seus cilindros de orelha, alcance das moléculas do odor seu nariz, impulsos de nervo entra em seu cérebro, impulsos elétricos ocorre em seu cérebro que nós chamamos pensar. Todos estes formulários diferentes da energia viajam em velocidades diferentes - contudo nós vemo-la toda como se ocorre no agora ou no presente. É nossa mente que processa toda esta informação para criar o que parece ser ‘ realidade ‘ - contudo a maneira que nós compreendemos o todo o isto é um illusion criado por nós para fazer o sentido dela todo. Certamente nós devemos fazer o sentido dele todo, se não seria impossível viver neste mundo físico. Nós necessitamos poder andar, evitando objetos, reagimos ao som de um leão rujir de modo que nós possamos fazer exame vôo antes dele de pounces e nos comamos.

É nosso cérebro que faz o sentido de tudo que nós vemos - mas podemos nós confiar em nosso próprio cérebro? »

Publicado por Violeta Teixeira em 18/07 às 06:21 AM
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