Poesia

Quarta-feira, 02 Abril, 2008

SEPARACIÓN

Registo fotográfico da autoria de Paulo Vieira- fotogenico.net

En balde, te bañas
En lagos límpidos.

Nada te lava de lo que
Hemos vivido, porque,
Después de partidas las
Ramas, yo respiro en
La raíz de tuyos tejidos. 

Violeta Teixeira, in Antologia Internacional AMOR OLVIDADO, Madrid, 2005

Publicado por Violeta Teixeira em 02/04 às 01:56 AM
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Terça-feira, 01 Abril, 2008

ÉTRANGÈRE DE MOI-MÊME

Escultura de Constantin Brancusi


Étrangère de moi même,
Le Soleil
Se
Réveille,
Sans
Que
Je
Le
Voie.

Caresse-moi mes paupières !
Donne-moi
Le
Soleil
À
Boire
Dans
Ma
Bouche !

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 01/04 às 01:14 AM
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Segunda-feira, 31 Março, 2008

ESTANGEIRA E TRISTE

Escultura de Constantin Brancusi


A Lua ajoelha-se,
Diante dos braços,
Decepados,
De um abrunheiro-bravo.

Aqui, me detenho.

Daqui,
Observo
O sublime rito.

E, daqui,
Me observo,
Enlaçada ao corpo
Daquela árvore.

Estrangeira
E triste.

Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 31/03 às 01:13 AM
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Domingo, 30 Março, 2008

CHACINA URBANA

Imagem ilustrativa de Jaune Muxart

Outra árvore!
Outra árvore derrubada!

Vejam como chovem
Vermelhas lágrimas
Do Sol!

Vejam-nas como caem
Na cova, onde saliva
Resina térrea a meada
Emaranhada das raízes!

Outra árvore! Sem idade!
Outra vida sacrificada
No altar de negócios vis!

Como me dói o latejar
De tantos «bleus», na carne
Telúrica da «anima»!

Violeta Teixeira, inédito (BOLORES DE AUSÊNCIAS)

Publicado por Violeta Teixeira em 30/03 às 12:55 PM
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Sábado, 29 Março, 2008

DESEJO DE OUTRO CORPO

Pintura da autoria de Kim Molinero

Aqueço os olhos nos brasidos
Do Sol Poente, debruçada no rebordo
Da varanda, que dá para o horto, onde
Os pássaros entoam cantos quebrados
Por sopros uivantes do vento, nos braços
Feridos de plátanos podados, recentemente.

Engolido pelas vagas do vasto oceano
O globo de fogo, deixando, no dorso
Das ondas ondeantes, lágrimas rubras
De sangue, o vento sossega-se, os pássaros
Emudecem, e as cigarras retiram da arca
Os instrumentos da sua orquestra. Na
Varanda permaneço, olhos amornados,
Trémulas as pernas, e lumes acesos,
Nas águas do delta, que desagua,
Descontente, no mar angustiado do
Desejo de outro corpo desencontrado.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 29/03 às 03:03 AM
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Sexta-feira, 28 Março, 2008

DESEO SÚBITO

Registo fotográfico de José Neves

http://nevesfotografia.blogspot.com/

Mi asalta, a veces, el deseo súbito
De rozar ciertos cuerpos con que voy
Cruzando, cuando la noche hay desciendo
Asustada sobre las arterias de la ciudad.

Me consiento, sen el mínimo pudor, en esta
Animalidad. Me consiento lo gozo de las
Imagines que convoco pera el descenso de la noche:
Ojos lucientes, cuerpos de felinos fulvos y suaves,
Mayidos lascivos de hembras en los pasadizos lunares.

Me despeño del alto del deseo. Me despedazo,
Después, en la noche infecunda: polvareda
Cósmica, ceniza negra, absurda e nula.

Violeta Teixeira, in Antologia internacional SENTIMIENTOS ENFRENTADOS, Madrid, 2005

Publicado por Violeta Teixeira em 28/03 às 02:32 AM
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Quinta-feira, 27 Março, 2008

A ANGÚSTIA

Obra pictórica de Jose Luis Fuentetaja

A angústia transborda,
Inunda, alaga,
Apodrece as raízes
Das árvores.

Náufraga, se segura
A poetisa
Aos cabelos de uma
Lua ruiva que, logo,
Se empalidece, fugidia,
Entre os dedos.

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 27/03 às 02:08 AM
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Quarta-feira, 26 Março, 2008

ÓDIO

Foto da autoria de Hartmut Nörenberg

Chovam cachos
De ódio nesses olhos
Cegos ao óbvio.

Cachos de ódio
Compactos. Compósitos.
Cegantes.

Cachos, caindo, como
Meteoritos, do
Espaço cósmico.

Fora gestante de ódio
O meu útero psíquico!

Orifícios vazios,
Os teus olhos.

Violeta Teixeira, inédito (DÉDALOS DE AFECTO)

Publicado por Violeta Teixeira em 26/03 às 02:29 AM
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Terça-feira, 25 Março, 2008

GRITANTEMENTE GÉLIDO

monicaprosaepoesia.spaceblog.com.br/11/


Gritantemente
Gélido, de um branco
Árctico, cega-me
As pálpebras do tempo,
O teu silêncio.

Violeta Teixeira, inédito ( DÉDALO DE AFECTOS)

Publicado por Violeta Teixeira em 25/03 às 02:40 AM
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Segunda-feira, 24 Março, 2008

O MEU VASO SACRIFICIAL

Escultura de Constantin Brancusi


O meu vaso
Sacrificial

Carece da sintaxe
Lisa e breve

Que me satisfaça
O rosto do luto,

Sem sombras
Obscuras e solenes,
Sem escarpas,

No corpo do poema.

Vileta teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 24/03 às 01:29 AM
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Domingo, 23 Março, 2008

ROSTO MOLDADO NO BRONZE

Obra do escultor Constantin Brancusi

Conjugaste-me
O verbo da exclusão,
Como se me moldasses
No bronze, o rosto
Rígido da morte,

Com raízes, de luz
Apodrecida, nas
Pálpebras,

E, na boca,
Uma crispação,
Áspera e impositiva.

Embriaga-te
Da tua obra.

Como a arte
Nos toca, e

Nos liberta
Das babas da aranha!

Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 23/03 às 12:49 AM
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Sábado, 22 Março, 2008

JE NE TE DIRAI PAS

Kees van Dongen - «Le coquelicot»


Non! Je ne te dirai pas
Que tu as arraché, d’un seul coup, tous les
Coquelicots rouges de la paume
De mes mains.

Les pétales blessées
Sont des gouttes de sang qui ne cessent
Pas de goutter de
Mes doigts.

Ces vers tâchés de sang,
Sur la moisson de blé blond, que j’avais
Semé moi-même, tendrement, je
T’en fais cadeau.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 22/03 às 01:55 AM
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Sexta-feira, 21 Março, 2008

EXCÊNTRICA

Imagem ilustrativa do escultor Constantin Brncusi

Reticências de luxo
Respingam o vasto e peregrino
Aposento, onde a excêntrica
Senhora recebe a plêiade
Que a frequenta, nos seus
Intervalos de lucidez
Perversa e pura.

A múmia da empregada
Entra e sai amiúde,
Com uma bandeja de
Biscoitos loiros, compota
De laranja-azeda, bules
E xícaras de chá verde.

Quando o Sol recolhe as asas
Da renúncia, a plêiade
Despede-se, com cachos de
Beijos de pimenta da Índia.

A enfática senhora recosta-se
Na sua poltrona, e explora,
Num décor fantasmático,
As formas mais extremas
E audazes da arte floral japonesa.

Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 21/03 às 03:40 AM
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Quinta-feira, 20 Março, 2008

JE SUIS UNE MOUETTE MAZOUTÉE

Obra do escultor Constantin Brancusi


Je suis une mouette
Mazoutée, seule, sur le sable,
Parmi des ailes mortes.

Immobile, aveugle, je fais
Adieu aux vagues tâchées de noir
Foncé. Je fais adieu aux cieux
Cuivrés du coucher du soleil.

Que j’aimerais bien rêver d’un matin,
Aux ondes lavées, aux poissons
Argentés, aux cieux bleus !

Mais seule la mer de ces
Vers, m’accueille, dans
Son cœur.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 20/03 às 01:10 AM
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Quarta-feira, 19 Março, 2008

! MI ENCENDIA LOS OJOS!

Obra do escultor Constantin Brancusi


¡Mi incendia los ojos!
Mi da la luz del Sol
En mía boca
¡Fría!

Los ojos, yo los
Tengo bien abiertos,
Ciegos todavía.

¿O ciego es el Sol?

Violeta Teixeira, In Antologia Internacional ECLIPSE DE LUNA, Madrid, 2008

Publicado por Violeta Teixeira em 19/03 às 12:31 PM
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