Domingo, 28 Fevereiro, 2010
COMUNICAÇÃO
http://maschamba.weblog.com.pt/JoseGilPortugalOMedoDeExistir.jpg/JoseGilPortugalOMedoDeExistir.jpg
«Paradoxo: por um lado, a televisão fabrica-me representações de um mundo longínquo; por outro, esse é o mundo adequado ao meu mundo. É o que me convém: se as imagens do mundo não me dizem respeito, ou me dizem só longinquamente respeito, então está tudo bem assim, porque a minha imagem também só enevoada me diz respeito.
Eu nem me apercebo do «longe», do «afastamento», da «ausência de mim a mim». Não há paradoxo, porque não há consciência dele. Não há sobressalto de pensamento. Tudo se mistura, talvez.»
José Gil, in ‘Portugal Hoje - O Medo de Existir’
http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200504110005&author=20537
Filósofo e pensador português nascido em 1939, em Lourenço Marques, Moçambique. Após completar o ensino secundário na capital moçambicana, em 1957 veio estudar para a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde se inscreveu no curso de Ciências Matemáticas. Contudo, logo no ano seguinte mudou-se para Paris, em França, onde prosseguiu os estudos em Matemática. No entanto, percebeu que a sua área preferida era a Filosofia e mudou de curso. Em 1968 concluiu a licenciatura em Filosofia na Faculdade de Letras de Paris, na Universidade da Sorbonne. No ano seguinte fez o mestrado de Filosofia, com uma tese sobre a moral de Kant. Em 1982 concluiu o doutoramento com a tese Corpo, Espaço e Poder, editada em livro em 1988.
Entretanto, já desde 1965 era professor de Filosofia num liceu, funções que manteve até 1973, com passagens por Vincennes e pela Córsega. A partir dessa altura foi coordenador do Departamento de Psicanálise e Filosofia da Universidade de Paris VIII. Ao mesmo tempo fazia traduções de textos científicos para um organismo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Em 1976 José Gil regressou a Portugal para ser adjunto do Secretário de Estado do Ensino Superior e da Investigação Científica. Cinco anos mais tarde instalou-se definitivamente em Portugal quando passou a ser professor auxiliar convidado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Leccionou Estética e Filosofia Contemporânea. Paralelamente deu aulas no Colégio Internacional de Filosofia, de Paris, numa escola em Amesterdão, na Holanda, e na Universidade São Paulo, no Brasil. Orientou também vários seminários em Porto Alegre, no Brasil, e participou em congressos de Filosofia nos Estados Unidos da América. A partir de 1996 passou a dirigir a Colecção de Filosofia da editora Relógio D’ Água.
Publicou diversos artigos e ensaios científicos em revistas e enciclopédias de todo o mundo, destacando-se nas suas preferências a reflexão sobre o corpo. Também elaborou alguns trabalhos sobre o poeta Fernando Pessoa.
Em 2004 publicou Portugal, Hoje. O Medo de Existir, a sua primeira obra escrita directamente em português, que rapidamente se tornou um sucesso de vendas. O livro fala do quotidiano de uma forma simples e acessível. Antes disso já tinha publicado diversas obras, sobre temas tão diversos como Salazar, Fernando Pessoa, a Córsega, o corpo ou O Principezinho, de Saint-Exupéry.
Em Janeiro de 2005 a conceituada revista francesa Le Nouvel Observateur integrou José Gil no grupo dos 25 grandes pensadores do mundo.
http://www.wook.pt/authors/detail/id/7402
Publicado por Violeta Teixeira em 28/02 às 03:17 AM
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ANGÚSTIA
http://www.baroque.it/barocco-cultura/immagini/metastasio.jpg
«Se a íntima angústia de cada um se lesse escrita na cara, muitos dos que inspiram inveja só fariam pena.»
Metastásio , Pietro, in «Melodramas»
http://www.citador.pt/citacoes.php?Angustia=Angustia&cit=1&op=8&theme=15&firstrec=10
Pietro Metastasio
Pietro Trapassi, mais conhecido como Pietro Metastasio, (13 de janeiro de 1698, em Roma, Itália - m. 12 de abril de 1782, Viena, Áustria) foi um poeta e escritor.
Como grande articulador político, sua participação na formação de uma monarquia nacional que compreenderia a Áustria e Boêmia foi muito importante, isso reflete-se em sua nomeação para duque da Baixa-Áustria, em 1745, e bispo de Viena, em 1749.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pietro_Metastasio
Publicado por Violeta Teixeira em 28/02 às 02:47 AM
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LEVO-ME PARA OS LENÇÓIS DO FRIO
Trabalho fotográfico da autoria de Paulo Faria
http://olhares.aeiou.pt/peitos_de_pedra_paulo_faria_foto3461376.html
Levo-me para os lençóis do frio,
Passos descalços e espectrais,
Quando os pássaros soletram
Supostas notas musicais, sem maestro,
As quais rendilham-me os nervos,
Com fios que me ferem. Aliás,
Se despertos são, ter-se-ão
Entregues ao sono, num qualquer
Galho macio, o que não creio,
Porque os pássaros não dormem,
Como não dormem as pedras.
Levo-me para os lençóis do frio,
Mas, se cantos entoam os pássaros,
Não me aquecem, pois, gélido o corpo,
Logo, me naufrago, nas trevas.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 28/02 às 01:59 AM
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Domingo, 21 Fevereiro, 2010
NOTÍCIAS DA ILHA DA MADEIRA
http://www.google.com/hostednews/epa/slideshow/ALeqM5jZH_ivltSUnJAA7L-9nwrnSvbUBg?index=0
NOTÍCIAS DA ILHA DA MADEIRA
De: Alertas do Google [mailto:googlealerts-noreply@google.com]
Enviada: domingo, 21 de Fevereiro de 2010 01:42
Para:
Assunto: Alerta do Google - noticias da ilha da madeira
Alerta de notícias do Google sobre: noticias da ilha da madeira
Protecção Civil tenta restabelecer ligações com zona oeste e ...
Jornal de Notícias
Segundo fonte dos Bombeiros do Machico, não houve feridos a lamentar na sequência do temporal que tem afetado a ilha da Madeira, e foram notadas apenas ...
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Chuvas torrenciais fustigam a Ilha da Madeira
RTP
A Costa sul da ilha foi a mais afectada pela chuva.... ha zonas sem ligação por terra ou mar....o vento e as cheias que se fizeram sentir no Funchal ...
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LUSA
Forças Armadas mobilizam cinco equipas para a ilha da Madeira
LUSA
... dois helicópteros e disponibilizaram alojamento para 130 pessoas num quartel, para dar resposta aos efeitos do temporal que hoje se abateu na Madeira. ...
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Madeira: Domingo terá aguaceiros e vento moderado
Diário Digital
Até ao final do dia de hoje são esperadas chuvas fortes na ilha da Madeira, mas para domingo prevêem-se aguaceiros e vento moderado, de acordo com o ...
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Madeira: Situação é de catástrofe, diz Aguiar-Branco
Diário Digital
O líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, apelidou hoje de «catástrofe» o temporal que afetou a ilha da Madeira, causando 32 mortos. ...
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Chuva intensa provoca o caos em vários pontos da ilha da Madeira
Sol
O vereador responsável pelo pelouro do Ambiente na câmara municipal do Funchal, Costa Neves, disse que a população do Vasco Gil, uma localidade na zona alta ...
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Benfica vai ajudar vítimas da tragédia madeirense
Record
O Benfica, possivelmente atração da Fundação do clube, vai ajudar as vítimas do temporal que, no sábado, causou uma enorme destruição na Ilha da Madeira. ...
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Prioridade é dar socorro e remover escombros
Jornal de Notícias
Ainda durante o dia de ontem, para dar resposta à destruição provocada pelo temporal que se abateu na ilha da Madeira, as Forças Armadas mobilizaram cinco ...
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Madeira/Mau tempo - Liga de futebol decreta minuto de silêncio por ...
Jornal de Notícias
Uma forte tempestade assolou hoje a ilha da Madeira, registando-se, até ao momento, 32 vítimas mortais e 68 feridos. Este texto da agência Lusa foi escrito ...
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Alerta enviado uma vez por dia pelo Google.
Publicado por Violeta Teixeira em 21/02 às 03:42 PM
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Sábado, 20 Fevereiro, 2010
AMANTES
http://www.imotion.com.br/imagens/data/media/75/2872amantes.jpg
Os Amantes não Contam Nada de Novo uns aos Outros
A alma só acolhe o que lhe pertence; de certo modo, ela já sabe de antemão tudo aquilo por que vai passar. Os amantes não contam nada de novo uns aos outros, e para eles também não existe reconhecimento. De facto, o amante não reconhece no ser que ama nada a não ser que é transportado por ele, de modo indescritível, para um estado de dinamismo interior. E reconhecer uma pessoa que não ama significa para ele trazer o outro ao amor como uma parede cega sobre a qual cai a luz do Sol. E reconhecer uma coisa inerte não significa identificar os seus atributos uns a seguir aos outros, mas sim que um véu cai ou uma fronteira se abre, e nenhum deles pertence ao mundo da percepção. Também o inanimado, desconhecido como é, mas cheio de confiança, entra no espaço fraterno dos amantes. A natureza e o singular espírito dos amantes olham-se nos olhos, e são as duas direcções de um mesmo agir, um rio que corre em dois sentidos, um fogo que arde em dois extremos.
E então é impossível reconhecer uma pessoa ou uma coisa sem relação connosco próprios, pois o acto de tomar conhecimento toma das coisas qualquer coisa; mantêm a forma, mas parecem desfazer-se em cinzas por dentro, algo delas se evapora, e o que resta é apenas a sua múmia. É por isso também que não existe verdade para os amantes; seria um beco sem saída, um fim, a morte do pensamento que, enquanto estiver vivo, se assemelha à fímbria arfante de uma chama, onde se abraçam a luz e a escuridão. Como pode uma coisa iluminar onde tudo é luz? Para quê a esmola do que é seguro e inequívoco onde tudo é plenitude? E como podemos ainda desejar alguma coisa só para nós, ainda que seja aquilo que amamos, depois da experiência que nos diz que os amantes não se pertencem, mas têm de se dar em oferenda a tudo o que vem ao seu encontro e se oferece aos seus olhares entrelaçados?
Robert Musil, in ‘O Homem sem Qualidades’
http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200905302300&author=988&theme=601
Publicado por Violeta Teixeira em 20/02 às 02:57 AM
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AMANTES
http://www.vanguardia.com.mx/XStatic/vanguardia/images/espanol/enamora2.jpg
«O homem e a mulher nasceram para amar-se, mas não para viverem juntos; todos os amantes célebres viveram separados»
Clarasó , Noel
Noel Clarasó Serrat (Barcelona, 1899 — 1985) foi um escritor catalão.
http://www.pensador.info/autor/Noel_Claraso/
Publicado por Violeta Teixeira em 20/02 às 02:47 AM
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Quinta-feira, 18 Fevereiro, 2010
A NOITE TOMBA-ME…
Manuel Alvarez Bravo
Fotografo Mexicano
1902-2002
http://www.ocaiw.com/galleria_maestri/?lang=pt
A noite tomba-me sobre o coração dos dias.
Toneladas de pedras esmagam-me,
Embora a sentença me tivesse sido ditada,
Desde o ventre da primeira alvorada celular.
Todavia, o brilho solar cegou-me os olhos
Da evidência, durante o longo tempo do pulsar
Das gotas de águas fluentes. No agora,
Julgo que não há modo de negar a ficção
Das palavras, nem de tomar o rumo de uma fonte,
Onde lavar o rosto da luta, as mãos da terra e da lama,
Do orgulho dos passos seguros da caminhada.
Mesmo esmagada por toneladas de pedras,
A poeta, paradoxalmente, de súbito, renasce, pisando
As uvas das palavras, afagando os seios, como se foram
De seda. Surpresa, A vulva se acende, e, dela, um poema
Se faz voz, se faz grito, se faz orgasmo de cratera vermelha.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 18/02 às 02:11 AM
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Quarta-feira, 17 Fevereiro, 2010
SOU…
Trabalho fotográfico da autoria de lúcio caldeira
http://olhares.aeiou.pt/enamorado_foto3463653.html
Sou, invariavemente,
A que não soube ser,
Salvo o nada que me sou.
Dos longes
Da vida, nada possuo
Que tenha semeado.
No agora, só tenho,
Em mim, o que não tenho,
E uma ânsia
Incontida de um abraço.
Violeta Teixeira, in FALO-VOS DO SILÊNCIO, Magno Edições, Leiria, 1999
Publicado por Violeta Teixeira em 17/02 às 02:23 PM
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HOMEM
És Um HOMEM, Se…
Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,
Quando os outros os perdem, e te acusam disso,
Se és capaz de confiar em ti, quando te ti duvidam
E, no entanto, perdoares que duvidem,
Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança
E não caluniares os que te caluniam,
Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine,
E pensar, sem reduzir o pensamento a vício,
Se és capaz de enfrentar o Triunfo e o Desastre,
Sem fazer distinção entre estes dois impostores,
Se és capaz de ouvir a verdade que disseste,
Transformada por canalhas em armadilhas aos tolos,
Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira
E construí-lo outra vez com ferramentas gastas,
Se és capaz de arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado,
E perder e começar de novo o teu caminho,
Sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado,
Se és capaz de forçar os teus músculos e nervos
E fazê-los servir se já quase não servem,
Sustentando-te a ti, quando nada em ti resta,
A não ser a vontade que diz: Enfrenta!
Se és capaz de falar ao povo e ficar digno
Ou de passear com reis conservando-te o mesmo,
Se não pode abalar-te amigo ou inimigo
E não sofrem decepção os que contam contigo,
Se podes preencher todo minuto que passa
Com sessenta segundos de tarefa acertada,
Se assim fores, meu filho, a Terra será tua,
Será teu tudo que nela existe
E não receies que te o tomem,
Mas (ainda melhor que tudo isto)
Se assim fores, serás um HOMEM.
Rudyard Kipling
Rudyard Kipling
Bombaim, 1936 – Londres,1865
Escritor britânico. Nasce na Índia onde o seu pai, pintor, é conservador de um museu. Enviado para a Grã-Bretanha para estudar, passa ali uns anos de solidão infantil num internato. Desta experiência sai posteriormente uma descrição: Bee, bee, Ovelha Negra. Em 1878 ingressa num centro educativo de filhos de oficiais e funcionários, de rigorosa moralidade e rígido ambiente (que lhe serve de inspiração para Stalky e Companhia).
Em 1882 volta à Índia como jornalista; nesta época preocupa-se com os temas que são uma característica da sua obra: a relação entre os dominadores brancos e a população indígena, a função civilizadora dos Britânicos, a memória da remota civilização indiana… Tudo isso está recolhido nos seus primeiros ensaios narrativos: Três Soldados, Contos das Colinas, obras com as quais consegue notoriedade.
Canções de Caserna é a obra que o torna verdadeiramente popular; trata-se de textos poéticos sobre o sentido político e ético da acção inglesa na Índia, se bem que estão muito abertos à criação individual. As grandes obras de Kipling são Kim e O Livro das Terras Virgens. Esta última conserva, sob as estruturas da fábula, um delineamento ideológico centrado no problema da relação do indivíduo com a sociedade e a primazia da lei moral sobre os impulsos e instintos existenciais. Convencionalmente considera-se que é uma obra infantil. Estes temas e delineamentos reaparecem em Kim, mas mais aprofundados e com reflexões sobre as regiões orientais. Em ambas as obras sobressaem a agilidade narrativa e a solidez formal.
De grande êxito são as suas brilhantes narrações de aventuras, como Capitães Intrépidos. Quanto à sua obra poética, muito popular até aos anos 20 e depois esquecida, tem um ritmo vigoroso, revela uma notável habilidade no uso da métrica e possui uma sinceridade na expressão dos factos que chega a provocar ressentimentos entre personalidades públicas. O seu livro de versos mais interessante é Os Sete Mares.
Em 1907, Kipling recebe o Prémio Nobel da Literatura. Considera-se Kipling o principal representante da literatura imperialista, mas esta interpretação é superficial. O que Kipling mostra, mais que a presunção do propagandista, é a preocupação do moralista. Preocupa-o certamente o futuro do império britânico, que sabe que vai acabar por desaparecer, mas sustenta que as suas instituições devem defender-se a partir de uma postura ética. Para Kipling, a acção do homem recupera significado na sua dimensão social. Por isso lhe interessam tanto as comunidades militares e escolares e, inclusive, a singular associação dos animais da selva.
http://www.vidaslusofonas.pt/rudyard_kipling.htm
Publicado por Violeta Teixeira em 17/02 às 02:02 PM
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«O QUE SE FAZ POR AMOR…»
Ralph Wetmore
http://www.allposters.com/-st/Photography-Posters_c623_p2_.htm
«Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.»
Friedrich Nietzsche
http://www.pensador.info/autor/Friedrich_Nietzsche/
Publicado por Violeta Teixeira em 17/02 às 01:45 PM
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Segunda-feira, 15 Fevereiro, 2010
VELHO/NOVO
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=600298
«Todas as coisas que hoje se crêem antiquíssimas já foram novas.»
Tácito
http://www.pensador.info/autor/Tacito/
Tácito foi um historiador romano, que viveu entre 55 d.C. - 120 d.C., nasceu e morreu no sul da França.
Um dos seus pensamentos mais conhecidos., “Todas as coisas que hoje consideramos antiquíssimas foram novas um dia.” Essa advertência de Tácito ilustra bem nossas dificuldades com o passado. Graças a Tácito, muitas vidas ilustres se tornaram conhecidas.
Embora os dados a respeito de sua infância e juventude sejam muito poucos, sabe-se que Tácito casou em 78 d.C. com uma filha do general romano Caio Júlio Agrícola.
Tácito realizou ampla carreira jurídica em 81 e chegou a ser magistrado criminal. Um pouco mais tarde, em 88, devido à sua experiência tornou-se magistrado que administrava a justiça e em 97, cônsul (magistrado supremo).
Seus dotes oratórios como jurista foram várias vezes reconhecidos, mas foi como historiador que Tácito alcançou a fama. Entre os anos 100 e 117, escreveu os “Anais”, onde relatou a história dos imperadores romanos desde Tibério até a morte de Nero. Nas “Histórias”, redigidas entre 100 e 110, recriou o período seguinte, que vai até o reinado de Domiciano Além dessas duas obras monumentais, Tácito escreveu a “Germânia” (em que trata da vida e da cultura dos povos germânicos). Como escritor, seu estilo combinava a clareza à eloquência e concisão.
http://www.pensador.info/autor/Tacito/biografia/
Publicado por Violeta Teixeira em 15/02 às 01:58 AM
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Sábado, 13 Fevereiro, 2010
GESTOS? SINAIS?
http://www.juonline.com.br/arquivos/galeria_imagem/thumb_g_1236191872.jpg
Gestos? Sinais? Barco encalhado nos areais.
Faróis? Apagados. Navegamos no mesmo barco?
E os naufragados? Os destroçados?
Os barcos a mais nos oceanos inavegados?
Interrogo os astros. Faço gestos. Lanço sinais.
Mas… Sou um barco a mais. Um fracassado.
Navegamos todos no mesmo barco? Ingénuo
Argumento dos argonautas crentes no jamais
Somos sós!Afundado o barco. Expulso dos areais.
Gestos? Sinais? Faróis? Tudo jaz no fundo
Dos fundos. Para todo o sempre, sem retorno
A algum cais.Que monólogo, este! Absurdo e nulo,
Como tudo. Mundo que temos, sem portos de abrigo.
Sem um gesto. Sem uma voz. Sem um farol aceso.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 13/02 às 11:24 PM
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DESTINO
http://www.gaden.jp/zeit-foto/2003/030325/araki.jpg
«Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
(...) E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros.
E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.»
Haruki Murakami, in ‘Kafka à Beira-Mar’
http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200603261600&author=20099
HARUKI MURAKAMI
Um dos mais populares escritores japoneses, Haruki Murakami nasceu em Kyoto em 1949. Cresceu em Kobe, cidade portuária que lhe rendeu uma visão de mundo cosmopolita, um dos pilares de sua obra. Seus dias de universidade foram caóticos e intensos, incluindo uma participação ativa nos protestos contra a guerra do Vietnã. Formou-se em dramaturgia clássica no Departamento de Literatura da Universidade de Waseda. Pouco depois, montou um bar em Kokubunji, Tóquio (1974 a 1981), sobre o qual diria mais tarde: “Tudo que preciso saber na vida aprendi no meu bar de jazz.” Nesse período, publicou seus dois primeiros livros: Hear the Wind Sings (1979) e Pinball 1973 (1980).
Depois viriam Caçando carneiros (1982), publicado no Brasil pela Estação Liberdade em 2001; Hard-boiled Wonderland and the End of the World (1985), que lhe rendeu o prestigioso Prêmio Tanizaki; Norwegian wodd (1987), com mais de 20 milhões de cópias vendidas em um ano, e, em seguida, Dance Dance Dance (1988), entre outras obras. Seus livros de ficção mais recentes são After the quake (2000) e Kafka on the shore (2002).
Em 1996, Murakami recebeu o Prêmio Literário Yomiuri, prêmio já concedido a importantes nomes da literatura japonesa, como Kenzaburo Oe, Kobo Abe e Yukio Mishima.
Suas maiores influências literárias são Raymond Chandler, Kurt Vonnegut e Richard Brautigan. Paralelamente à atividade de escritor, traduziu para o japonês autores como F. Scott Fitzgerald, John Irving, Tim O´Brien, Truman Capote e Paul Theroux.
Após morar alguns anos na Europa e nos Estados Unidos, Murakami voltou ao Japão e atualmente vive nas proximidades de Tóquio.
CAÇANDO CARNEIROS
DANCE DANCE DANCE
http://www.estacaoliberdade.com.br/autores/murakami.htm
Publicado por Violeta Teixeira em 13/02 às 01:11 AM
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POESIA CHINESA
http://www.portalartes.com.br/portal/historia_pintur...
Uma Antologia de Poesia Chinesa
10 October 2008 3 Comentários
Cada vez mais, o Oriente está na moda. São muitas as “celebridades” que se convertem ao budismo e vários os canais de televisão que vêem a sua programação ser invadida por todo o tipo de desenhos animados japoneses – vulgo anime – ou filmes chineses. Mas, e a literatura?
De uma riqueza imensa, a literatura chinesa tem sido largamente ignorada pelos leitores portugueses. A estranheza da língua e, principalmente, as dificuldades de tradução (tema que será abordado mais à frente) ajudam à distância, mas Portugal foi o primeiro país a estabelecer contacto com o Oriente e justificava-se uma atenção maior por parte de leitores e tradutores.
Esta antologia é (ou foi), portanto, uma lufada de ar fresco no panorama editorial português. Publicada em 1989 pela Assírio e Alvim, apresenta-nos cinquenta e um poemas traduzidos directamente do chinês – uma “gota de água” como confessa o tradutor – que abarcam um período de vinte e sete séculos.
Quem se depara pela primeira vez com a poesia chinesa repara imediatamente numa característica notória – e bem apontada no prefácio: a sua espantosa continuidade. Com algumas excepções, poetas e escritores procuram construir uma literatura sem rupturas, alicerçada nos textos antecessores – o que contrasta vivamente com a tradição ocidental, feita muitas vezes de embates com a geração anterior. Isto reflecte-se nos temas abordados, que são frequentes ao longo de toda a antologia: solidão, separações, nostalgia, quer do tempo passado, quer da terra natal, contemplação da natureza, são alguns dos favoritos da maioria dos autores.
A antologia abre com o Shijing (o livro dos cantares), uma recolha de textos antigos, supostamente realizada por Confúcio, que data do primeiro milénio a.C., e que é considerada como o clássico da poesia chinesa. Ou seja, assume o papel que os textos homéricos ou os primeiros livros da Bíblia assumem na literatura ocidental. São, em geral, textos de estruturas muito rimadas (em chinês, claro), que vão dos hinos religiosos à canção popular, de que é exemplo o poema intitulado Folhas Secas:
Folhas secas, folhas secas,
O vento é que vos levanta
Ah irmãos, meus irmãos,
Cantai vós, eu de seguida.
Folhas secas, folhas secas,
O vento sopra-as pr’a longe
Ah irmãos, meus irmãos
Cantai vós, depois sou eu
Embora simples, permitem descortinar várias características que terão forte influência na poesia posterior. Existe uma tradução completa do livro por parte do Padre Joaquim Guerra, editada em 1979. A antologia prossegue então para outra colecção, a Chuci (canções de Chu), datada de aproximadamente de 300 a.C., de onde o tradutor Gil de Carvalho selecciona um espantoso poema de Qu Yuan – o primeiro poeta chinês a assinar um texto – que sobressai pelo uso de imagens que não são muito diferentes do que se encontra nalguma poesia surrealista ou mais metafórica. Como exemplo reproduzem-se alguns versos do poema intitulado Deus do Rio:
O palácio é de escamas,
Uma de dragão à entrada,
Portas de concha, púrpura,
Quartos em pérola.
A antologia continua até ao século XVIII, apresentando-nos vários poetas, dos quais se destacam Li Bai, Du Fu (os dois “mestres” da poesia chinesa), Meng Haoran e Wang Wei. São, provavelmente, os autores mais conhecidos do grande público, existindo várias traduções de cada um deles em inglês e francês. Todos poetas da dinastia de ouro da China – a Tang – mal lidos encaixariam que nem uma luva no estereótipo ocidental de que a arte chinesa é basicamente contemplação, aforismos e comunhão com a natureza, o mesmo estereótipo que perverte o budismo, transformando-o num misto de meditação, frases ocas e yoga New Age. Na verdade, qualquer leitor mais atento percebe que são todos poetas abertos a várias interpretações e com poemas muitas vezes evasivos quanto ao seu verdadeiro significado. Cair na simplificação de Li Bai, por exemplo, é um perigo que não abona nada em favor da literatura chinesa. Tome-se como exemplo o poema Queixa das Escadas de Jade, do autor referido:
Nas escadas de Jade cresce
Ainda o branco orvalho,
O frio que toda a noite
Encharcou umas meias de seda.
Ela desce
A persiana de cristal
E contempla a Lua
– Envidraçada – do Outono
As notas do tradutor – que infelizmente rareiam ao longo da antologia – indicam-nos que “Escadas de Jade” são as escadas que dão acesso ao harém imperial, mas também podem ser a cútis macia de uma mulher. “Branco orvalho” são as lágrimas do rosto ou podem indicar que a mulher já não é nova. E “persiana de cristal” é uma cortina feita de bolas de cristal, característica dos aposentos do harém, ou uns olhos marejados de lágrimas. É certo que esquemas destes também são frequentes na literatura ocidental, mas quanto à cultura chinesa – talvez por incompreensão ou má vontade – há sempre a tendência de cair numa simplificação e num estereótipo que raramente correspondem à verdade.
Um trabalho desta envergadura, a trabalhar com uma língua tão diferente da nossa, implica como é óbvio problemas de tradução. Ou, pelo menos, dúvidas por parte do leitor. Como exemplo do trabalho de Gil de Carvalho, apresento o poema Parque dos Veados de Wang Wei, primeiro em chinês (a tradução dos caracteres foi realizada com a ajuda dos Selected Poems of Wang Wei, de David Hinton e cada um corresponde a uma palavra do texto à esquerda) e depois em português, tal como é apresentado na antologia.
Veados Parque
Vazio montanha não ver pessoa
Apenas ouvir pessoa voz eco
Regressar luz entrar profundo floresta
Novamente brilhar verde musgo sobe/ainda
Solitários montes, ninguém à vista,
Ecos somente de vozes humanas.
Um sol tardio entra no bosque fundo,
Brilha de novo o verde musgo.
O poema original é dúbio e apresenta inúmeras hipóteses. Logo no primeiro verso, quem está sozinho? O poeta no monte sem ver ninguém? Os montes que se encontram isolados e solitários? A tradução é difícil e o significado do poema varia com a interpretação do tradutor. Mais uma vez, observa-se que simplificar a poesia chinesa é um erro grave.
O livro, tal como este texto, não pretende ser um estudo exaustivo da literatura chinesa. Pretende, isso sim, ser uma pequena introdução a um universo enorme e estranho à maioria dos ocidentais. Peca, porém, nalguns pormenores. Falta uma tábua cronológica mais completa, as biografias dos autores são muita vezes fracas e inconclusivas e pediam-se mais notas. É no entanto um bom esforço, que poderia ter dado frutos, permitindo uma maior atenção à cultura chinesa. Vinte anos depois é triste verificar que tal não aconteceu.
Infelizmente o livro é difícil de encontrar. Além de estar esgotado na editora, também rareia nos alfarrabistas. Eu, pelo menos, percorri vários em Lisboa e não o consegui descobrir. A solução foi recorrer às bibliotecas públicas. Existe outra tradução de poesia clássica chinesa (Pavilhão de Chuva: Antologia de Poesia Clássica Chinesa, Pedro Formosa, 2002),
mais completa e não tão rara, mas a de Gil de Carvalho tem interesse por ter sido pioneira e pela beleza de muitas das traduções. Aliás, beleza é a palavra certa para esta antologia. As descrições magníficas das paisagens e o poder de reflexão da maioria dos autores são contagiantes, alheando-nos do mundo e ensinando-nos a estar sozinhos – o objectivo máximo da literatura. E se é verdade que tal não é exclusivo da poesia chinesa e que é fácil encontrar o mesmo em autores como William Wordsworth, John Keats ou até em pintores como Caspar David Friedrich, tal não invalida a riqueza única que possui a literatura oriental e, se confirma alguma coisa, é a universalidade da poesia.
Por João Pedro Ferrão
http://orgialiteraria.com/?p=147
portuguese.cri.cn/152/2008/11/24/1s99283.htm
Xin Qiji (1140-1207)
Nasceu em Jinan, província de Shandong. Foi um dos mais célebres poetas da dinastia Song do Sul (1127-1279). Na altura do seu nascimento, esta província estava já sob a ocupação dos Jins. Fiel à dinastia Song, acompanhou o imperador Gaozong até Hangzhou. Foi tão bom general quanto notável poeta. Desempenhou as funções de governador militar das províncias de Jiangxi, Fujian e Hunan, e ligou-se à reconquista dos territórios perdidos.
Xin Qiji, na sua juventude, lutou contra os invasores estrangeiros e encarou com gravidade a queda de seu país às mãos dos usurpadores.
Só no fim da vida a sua poesia foi admirada e sê-lo-ia cada vez mais.
Na literatura chinesa, Xin Qiji revelou-se um dos melhores obreiros de poemas líricos e escreveu, exclusivamente, versos em forma de Ci, poemas líricos.
A Escrava Feia
Na juventude, não conhecia o sabor da melancolia,
Gostava de subir os degraus do pavilhão,
Gostava de subir os degraus do pavilhão,
E compor novos versos, falando sobretudo da melancolia.
Agora conheço todo o sabor da melancolia,
Quero falar, mas paro,
Quero falar, mas paro,
Digo apenas: “um dia ameno e um belo outono”.
http://portuguese.cri.cn/152/2008/11/24/1s99283.htm
Publicado por Violeta Teixeira em 13/02 às 12:50 AM
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Quinta-feira, 11 Fevereiro, 2010
«NÃO SOU NADA MULHER»
http://www.triplov.com/.../nocturno.html
Eu não sou em muitas coisas, nada mulher; pouco de feminino tenho em quase todas as distracções da minha vida. Todas as ninharias pueris em que as mulheres se comprazem, toda a fina gentileza duns trabalhos em seda e oiro, as rendas, os bordados, a pintura, tudo isso que eu admiro e adoro em todas as mãos de mulher, não se dão bem nas minhas, apenas talhadas para folhear livros que são verdadeiramente os meus mais queridos amigos e os meus inseparáveis companheiros. Zango-me comigo própria, tento fazer qualquer coisa, mas a leveza aérea das sedas, a fluidez ideal das rendas, fazem tremer-me as mãos que não tremem nunca ao folhear os livros que mais fatigam toda a gente, irritam-me e maçam-me a um ponto que tenho de atirar com aquilo tudo para outro regaço mais de mulher, mais cariciante, mais doce e com todas as carícias e doçuras que o meu não teve, não tem e não terá nunca. Que desconsolo ser assim, minha Júlia! Ter apenas paciência para penetrar os arcanos duma alma que se fecha nas páginas dum livro; ter apenas gosto em chorar com António Nobre, pensar com Vítor Hugo, troçar com Fialho de Almeida e rir suavemente, deliciosamente, com uma pontinha de ironia onde às vezes há lágrimas, com Júlio Dantas! Eu não devia ser assim, não é verdade? Mas sou… Tive os melhores professores de tudo na capital do Alentejo (que se são melhores não são bons), de bordados, de pintura, de música, de canto, e afinal sou uma eterna curiosa de livros e alfarrábios, e mais nada. E pensando bem, minha querida, não há tudo isso nos meus livros? Música e canto, bordados e rendas… que delícia e que finura em certos versos… que encanto e que magia em certas frases!… Palpo esses bordados, essa macieza de cetins, beijo esses pontos delicados, essa espuma de rendas, essas brancuras ténues, esses negros chorosos e trágicos, e acho-os melhores, convenço-me que valem mais que os mais valiosos trabalhos em que mãos de princesas descansassem. E muitas vezes surpreendo-me a sorrir com um pouco de ironia e de piedade por todas essas belas coisas, coisas de mulheres tão finas e tão leves como a leviandade…
Florbela Espanca, in “Correspondência (1916)”
http://www.citador.pt/pensar.php
Biografia
Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894, sendo baptizada, com o nome de Flor Bela Lobo, a 20 de Junho do ano seguinte, como filha de Antónia da Conceição Lobo e de pai incógnito. É em Vila Viçosa que se desenrola a sua infância. Em Outubro de 1899, Florbela começa a frequentar o ensino pré-primário, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca (algumas vezes, opta por Flor, e outras, por Bela). Em Novembro de 1903, aos sete anos de idade, Florbela escreve a sua primeira poesia de que há conhecimento, «A Vida e a Morte», mostrando uma admirável precocidade e anunciando, desde já, a opção por temas que, mais tarde, virá a abordar de forma mais complexa. Ainda no mesmo ano, Florbela começa a escrever uma poesia sem título, o seu primeiro soneto.
Conclui a instrução primária em Junho de 1906, entrando para o actual sexto ano de escolaridade em Outubro do mesmo ano. No ano seguinte, Florbela aponta os primeiros sinais da sua doença, a neurastenia; além disso, escreve o seu primeiro conto, «Mamã!». Em 1908, Antónia Lobo, a mãe de Florbela morre vítima de neurose, após o que a família se desloca para Évora, para Florbela prosseguir os seus estudos no Liceu André Gouveia, com o chamado Curso Geral do Liceu, cuja sexta classe (próxima do 10º ano actual) completa em 1912. Entretanto, em 1911, começa a namorar com Alberto Moutinho, mas acaba por se afastar deste, em virtude de uma nova paixão por José Marques, futuro director da Torre do Tombo. Após romper com este, no ano seguinte, Florbela reata o namoro com Alberto Moutinho e, a 8 de Dezembro, uma vez emancipada, casa com ele, pelo civil, aos 19 anos.
Em 1914, apesar de algumas dificuldades económicas, o casal muda-se para o Redondo, na Serra d’Ossa, onde abre um colégio e lecciona. Numa festa do colégio, Florbela recita, pela primeira vez, versos seus em público. É no ano seguinte que Florbela inicia o seu caderno «Trocando Olhares», que completa ao longo de cerca de um ano e meio. Em 1916, a revista «Modas e Bordados» publica o soneto «Crisântemos», cheio de alterações ao original, e Florbela torna-se amiga da directora e da sub-directora da revista, Júlia Alves, com quem, aliás, inicia correspondência. Alguns meses depois, torna-se colaboradora do jornal «Notícias de Évora», e desiste de um projecto intitulado «Alma de Portugal», um livro de acentuada carga patriótica, e que conteria as partes «Na Paz» e «Na Guerra».
Em 1917, após ter regressado a Évora, Florbela completa o actual 11º ano do Curso Complementar de Letras, com catorze valores; apesar de querer seguir essa área, acaba por se inscrever, em Outubro, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, o que a obriga a mudar-se para Lisboa, onde começa a contactar com a vida boémia. Na sequência de um aborto involuntário, em 1919, Florbela tem de se mudar para Quelfes, perto de Olhão, onde apresenta os primeiros sintomas sérios de neurose. Pouco depois, o seu casamento desfaz-se e Florbela decide ir para Lisboa prosseguir o curso, separando-se do marido, e passando a conhecer a rejeição da sociedade. Em Junho de 1919, depois de alguma correspondência trocada com Raul Proença, sai a lume o «Livro de Mágoas»; posteriormente, completa o terceiro ano de Direito. No ano seguinte inicia «Claustro das Quimeras»; simultaneamente, passa a viver com António Guimarães, em Matosinhos, com quem se casa em 1921, após o primeiro divórcio.
De volta a Lisboa, em 1923, Florbela vê publicado o «Livro de Soror Saudade», mas tem de se mudar rapidamente para Gonça, perto de Guimarães, para se tratar de um novo aborto. Assim, Florbela separa-se do marido, que pede o divórcio, oficializado em 1924; isso leva a que a família de Florbela não lhe fale durante dois anos, o que a abala muito.
Em 1925, depois de se ter mudado para a casa de Mário Lage em Esmoriz, casa com ele, pelo civil e, depois, pela Igreja. Dois anos depois, enquanto Florbela traduz romances franceses para a Livraria Civilização no Porto (que publica oito trabalhos seus), e prepara «O Dominó Preto», o seu irmão falece, o que a torna uma mulher triste e desiludida e inspira «As Máscaras do Destino». Enquanto a relação com o marido se desgasta progressivamente, a neurose de Florbela agrava-se bastante; é neste período que, possivelmente, se apaixona pelo pianista Luís Maria Cabral, a quem dedica «Chopin» e «Tarde de Música»; talvez por isso, tenta suicidar-se. Em 1929, Florbela passa por Lisboa, onde lhe é recusada a participação no filme «Dança dos Paroxismos», de Jorge Brum do Canto, e segue para Évora, onde, em 1930, começa a escrever o seu «Diário do Último Ano». Passa, então a colaborar nas revistas «Portugal Feminino» e «Civilização», e trava conhecimento com Guido Battelli, que se oferece para publicar «Charneca em Flor». Já em Matosinhos, Florbela revê as provas do livro, depois da segunda tentativa de suicídio, em Outubro ou Novembro, período em que a neurose se torna insuportável e lhe é diagnosticado um edema pulmonar. A 8 de Dezembro, dia do nascimento e do primeiro casamento, Florbela suicida-se, cerca das duas horas, com dois frascos de Veronal.
http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/florbela_espanca/domino_preto.html
Publicado por Violeta Teixeira em 11/02 às 01:53 AM
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