Quinta-feira, 31 Dezembro, 2009
LER
Carl Spitzweg, “Den Besuch” (1855)
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Carl Spitzweg (Munique, Alemanha em 5 de Fevereiro de 1808 – Munique em 23 de Setembro de 1885) foi um poeta e pintor romântico alemão.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
«O homem constrói casas porque está vivo, mas escreve livros porque se sabe mortal. Ele vive em grupo porque é gregário, mas lê porque se sabe só. Esta leitura é para ele uma companhia que não ocupa o lugar de qualquer outra, mas nenhuma outra companhia saberia substituir. Ela não lhe oferece qualquer explicação definitiva sobre o seu destino, mas tece uma trama cerrada de conivências entre a vida e ele. Ínfimas e secretas conivências que falam da paradoxal felicidade de viver, enquanto elas mesmas deixam claro o trágico absurdo da vida. De tal forma que nossas razões para ler são tão estranhas quanto nossas razões para viver. E a ninguém é dado o poder para pedir contas dessa intimidade.»
Daniel Pennac, Como um Romance (Rocco)
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«Daniel Pennac nasceu em Casablanca, em 1944, e é hoje considerado um dos mais importantes e populares autores da literatura francesa.
Os seus romances sobre a família Malaussène (Au Bonheur des Ogres, La Fée Carabine, La Petite Marchande de Prose, Monsieur Malaussène e Aux Fruits de la Passion) granjearam-lhe um enorme sucesso internacional, que conheceu também com Como Um Romance, um ensaio sobre a leitura que se transformou num livro de culto.
Mágoas da Escola obteve o Prémio Renaudot em 2007, depois de ter estado mais de 50 semanas nos tops de vendas franceses. Traduzido em 24 países, vendeu, só em França, mais de 800 mil exemplares.
Em 2008, Daniel Pennac obteve, pelo conjunto da sua obra, o Prémio Metropolis Bleu, anteriormente atribuído a escritores como Margaret Atwood, Carlos Fuentes, Paul Auster ou Norman Mailer.»
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Publicado por Violeta Teixeira em 31/12 às 04:29 PM
Categoria • Reflexões •
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A VIDA
Nós só vivemos contradições e para as contradições; a vida é tragédia e luta perpétua sem vitória e sem esperança de vitória; ela é contradição.
Miguel Unamuno
http://www.pensador.info › autores
Publicado por Violeta Teixeira em 31/12 às 04:18 PM
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SONHAR-TE-IA!
Registo fotográfico da autoria de Toni Frissell
Sonhar-te-ia! Seria uma cratera vermelha,
Na vagina da quimera de um Primavera
De rosas luarentas, se bem que efémeras.
Sonhar-te-ia! Faísca na fresta da espera
Infinda, mas finda, nas veias da lareira
Por falta de lenha seca. Desejada, mas nunca
Uma nesga de labareda atiçaste, ou, se o fizeste,
Teria sido apagada, sem sentido, no mapa
Cósmico do ventre do fazer amor. Sonhar-te-ia!
O medo, porém, de sofrer a tua perda, veste-me
De cinzas. Sonhar-te-ia! Seria uma chuva cálida,
Na vulva: salivas, esperma, seiva, espumas. Seria
Língua de fogo, no phalós erecto, e serpentes
Nos dedos da luxúria. Reacende-me o sonho!
Despe-te de medos! Promete-me um astro
Luzente, mesmo que faça dia! Ou seja Inverno.
Lambe e aquece-me o corpo do poema!
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 31/12 às 01:10 PM
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Quarta-feira, 23 Dezembro, 2009
O INTELECTUAL
Que é um intelectual? Quando é que uma pessoa se torna intelectual? Quer se seja escritor, universitário, cientista, artista ou advogado, só se passa a ser intelectual, no meu sentido, quando se trata, por meio de ensaio, de texto de revista, de artigo de jornal, de forma especializada e para além do campo profissional estrito, dos problemas humanos, morais, filosóficos e políticos. É então que o escritor, o filósofo, o cientista se auto-instituem intelectuais.
O termo intelectual tem um significado missionário, divulgador, eventualmente militante. Assim, a qualidade de intelectual não é determinada pela pertença profissional à intelligentsia, antes vem do uso ou da superação da profissão, nas e pelas ideias. Assim Sartre é um intelectual quando escreve L’Existencialisme Est un Humanisme e anima a revista Les Temps Modernes. Camus é um intelectual quando escreve L’Homme Revolté e faz editoriais em Combat. Aron é um intelectual quando participa no comité pela liberdade da cultura e publica as suas análises no Le Figaro. Na frente dos intelectuais há a raça bastarda dos escritores/escreventes (como mais ou menos dizia Barthes, o escritor escreve para a escrita, o escrevente escreve para as ideias). E o seu meio de expressão mais adequado é o ensaio, género híbrido entre a filosofia, a literatura o jornalismo e a sociologia.
Edgar Morin, in ‘Os Meus Demónios’
Publicado por Violeta Teixeira em 23/12 às 05:13 PM
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CULTURA-DESEJO
Obra pictórica da autoria de Salvador Dali
«A cultura do espírito identificar-se-á com a cultura do desejo.»
Salvador Dali
Publicado por Violeta Teixeira em 23/12 às 04:54 PM
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AINDA, NO AGORA…
Registo fotográfico da autoria de Violeta Teixeira/Pandora
http://olhares.aeiou.pt/a_mitica_femina_pandora_louca_no_foto3212328.html
Ainda, no agora, me magoa, agudamente,
O bisturi da tua ausência, embora nunca tivesses
Sido presente, no casulo, tecido com fios de veludo
E renda de cetim. Ainda, no agora, sou o luto de uma
Perda, embora nunca, alguma vez, te houvesse possuído,
Nem a Lua aberto as pálpebras e os lábios luzentes.
Ainda, no agora, o véu, que fora vermelho, não esvoaça,
Na fresta de todas as vãs e baças esperas, embora
Aceso, sem brilho, é certo, mas, insistente, esboce
Sempre um gesto lúbrico, como se quisesse que florisse
Uma precoce Primavera rósea, nos rebentos pálidos
Do átrio de pedra, sem veios pulsantes de seiva, veios
Quase exangues. Ainda, no agora, sem o mínimo nexo,
Remendo o veludo do casulo e a renda resplandecente.
Ainda, no agora, me magoa, agudamente, o bisturi da tua
Ausência, embora o coração do tempo não consinta
O recomeço de uma posse finda e infinita e profunda.
Nunca, porém, alguma vez havida, a não ser na vagina
Enlouquecida da poetisa, que permanece no aquém
De todos os voos.Se asas tem, tem-nas mutiladas.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 23/12 às 04:32 PM
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Segunda-feira, 21 Dezembro, 2009
«O AMOR DE SI PRÓPRIO»
rafaelaemcaldas.wordpress.com/.../
Ferido por uma crítica adversa, um poeta busca consolo para a mágoa relendo seus próprios versos.] Desgosto (...), mas desgosto curto. Ele irá dali remirar-se nos próprios livros. A justiça que um atrevido lhe negou, não lhe negarão as páginas dele. Oh! a mãe que gerou o filho, que o amamenta e acalenta, que põe nessa frágil criaturinha o mais puro de todos os amores, essa mãe é Medeia, se a compararmos àquele engenho, que se consola da injúria, relendo-se; porque se o amor de mãe é a mais elevada forma de altruísmo, o dele é a mais profunda forma de egoísmo, e só há uma coisa mais forte que o amor materno, é o amor de si próprio.
Machado de Assis, in ‘Elogio da Vaidade’
Publicado por Violeta Teixeira em 21/12 às 02:21 AM
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PRUDÊNCIA
http://www.exoticindiaart.com/product/OQ06/
“É inútil a tua aflição; nada podes sobre o teu destino. Se és prudente, toma o que tens à mão. Amanhã… que sabes do amanhã?”
-Omar Khayyam, Rubaiyát
Publicado por Violeta Teixeira em 21/12 às 02:00 AM
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VOU, NESTE MOMENTO…
Registo fotográfico da autoria de L. Dixon
Vou, neste momento, na direcção do mar,
Obedecendo, ao chamamento urgente
Dos mortos, naufragados, nos rochedos
Marinhos. Levo, nos cabelos vermelhos,
Algas, musgos, moluscos; nos braços, fetos
Abortados; e, nos lábios fissurados,
Resinas e espinhos de cactos, nunca
Floridos nas falésias dos meus desejos.
Passos gigantescos apressam-me,
Imperativamente. Só no mar se morre,
Sem um lamento,sem nada de que se recorde
Para sepultar. Só no mar se morre,
Com a pureza da nudez da mãe- natureza.
Só no mar se morre, com música sacrílega,
De uma beleza ímpar. Só no mar se morre,
Com mortalha lunar. Só o mar nos acolhe
No seu ventre, filhos dilectos, que todos
Nós somos, das suas murmuras águas.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 21/12 às 01:35 AM
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Domingo, 20 Dezembro, 2009
POESIA
Trabalho fotográfico da autoria de MARIAH, Olhares.com
A Poesia não se Inventou para Cantar o Amor
A poesia não se inventou para cantar o amor — que de resto não existia ainda quando os primeiros homens cantaram. Ela nasceu com a necessidade de celebrar magnificamente os deuses, e de conservar na memória, pela sedução do ritmo, as leis da tribo. A adoração ou captação da divindade e a estabilidade social, eram então os dois altos e únicos cuidados humanos: — e a poesia tendeu sempre, e tenderá constantemente a resumir, nos conceitos mais puros, mais belos e mais concisos, as ideias que estão interessando e conduzindo os homens. Se a grande preocupação do nosso tempo fosse o amor — ainda admitiríamos que se arquivasse, por meio das artes da imprensa, cada suspiro de cada Francesca. Mas o amor é um sentimento extremamente raro entre as raças velhas e enfraquecidas. Os Romeus, as Julietas (para citar só este casal clássico) já não se repetem nem são quase possíveis nas nossas democracias, saturadas de cultura, torturadas pela ansia do bem-estar, cépticas, portanto egoístas, e movidas pelo vapor e pela electricidade. Mesmo nos crimes de amor, em que parece reviver, com a sua força primitiva e dominante, a paixão das raças novas, se descobrem logo factores lamentavelmente alheios ao amor, sendo os dois principais aqueles que mais caracterizam o nosso tempo: o interesse e a vaidade. Nestas condições, o amor que voltou a ser, como na Grécia, um Cupido pequenino e brincalhão, que esvoaça, surripiando aqui e além um prazer fugitivo — é removido para entre os cuidados subalternos do homem, muito para baixo do dinheiro, muito para baixo da política… É uma ocupação, sem malícia o digo, que se deixa para quando acabar o dia verdadeiro e útil, e com ele os negócios, as ideias, os interesses que prendem. «Já não há hoje nada de produtivo a fazer? Já não há nada de sério em que pensar?… Bem! Então, um pouco de perfume nas mãos, e abra-se a porta ao amor que espera!» A isto está reduzida a Vénus fatal e vencedora!
Ora quando uma arte teima em exprimir unicamente um sentimento que se tornou secundário nas preocupações do homem — ela própria se torna secundária, pouco atendida e perde a pouco e pouco a simpatia das inteligências. Por isso hoje, tão tenazmente, os editores se recusam a editar, e os leitores se recusam a ler, versos em que só se cante de amor e de rosas. E o artista que não quer ser uma voz clamando no deserto e um papel apodrecendo no armazém, começa a evitar o amor como tema essencial da sua obra.
Eça de Queirós, in ‘A Correspondência de Fradique Mendes’
Publicado por Violeta Teixeira em 20/12 às 12:42 AM
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«SENTA-TE AO LUAR E BEBE…»
«Toma uma ânfora de vinho, senta-te ao luar e bebe,
Lmbrando-te que, talvez amanhã, a lua te procurará em vão.»
Omar Khayyam:
Publicado por Violeta Teixeira em 20/12 às 12:33 AM
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GLORIFICO O VINHO
Glorifico o vinho, exímio navegante à tona
Do orvalho verde do tempo. Tomo um copo,
Com pétalas de ouro dos vinhedos de Setembro,
E, com ele navego, sob um céu demasiado feérico,
Para os brasidos da combustão do sangue,
E dos olhos de mel das abelhas, sobre o mosto
Azulado da velha adega, neste momento mágico,
Em que sou a criança, subindo a escada, enebriada,
Esvoaçante, que me leva ao tanque do antes havido.
Tomo outro copo, com pétalas púrpuras de papoulas,
Apanhadas num campo de trigo louro, antes da ceifa.
Exulto, como o Pablo Neruda, na morada do ser poeta,
Dos veios das pedras, à borda de um oceano impacífico,
Soltam-e pásaros exóticos, dioniso e tirsos de bacantes.
Delíro ! Não! Glorifico o vinho ! Citando Omar Khayyam:
«Toma uma ânfora de vinho, senta-te ao luar e bebe,
Lmbrando-te que, talvez amanhã, a lua te procurará em vão.»
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 20/12 às 12:24 AM
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