Sexta-feira, 30 Outubro, 2009

SER LIVRE

Trabalho fotográfico de vitor tripologos, Olhares.com

«O sujeito é constrangido a ser livre, uma vez
Que, para o ser, se tem que escolher a si mesmo.»

Jean Paul Sartre

Publicado por Violeta Teixeira em 30/10 às 02:05 AM
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ANGUSTIADA, A MADRUGADA…

Tabalho fotográfico da autoria de Kleber Tadeu. Olhares.com

Angustiada, a madrugada, não faz silêncio,
Mas é de uma tal opacidade, que recusa
A permissão de escolha da vontade, para a busca
Da liberdade, da liberdade, sem culpa do sujeito.
Ou do sujeito-objecto? Este, que não vê o Eu de Si.
Nem se sente um Ser do mundo, um Ser existente.
Insisto, todavia, nas perguntas adiadas, da última
Madrugada: o que é o Ser? O que é a realidade?
Como fazer essa descoberta filosófica? Ficará
Suspensa na opacidade desta e de outras
Madrugadas. Disso, estarei certa? Serei,
Para todo o sempre, uma Interrogação?
Questiono o Infinito-Finito, sabendo bem
Da vanidade desse coração que não pulsa,
Nem veias cósmicas tem. Celebro, contudo,
A vitória da aceitação do Absurdo, porque a existência
Do ser humano, segundo Karl Jaspers, «Só o poderá
Ser na medida em que deixar de ser objecto
Para si…». Ora, nunca serei existente,
Repito, se não consigo ver o Eu de Mim,
Se não encontro «a possibilidade de superar
O processo infinito da orientação do mundo:
A superação que abre caminho ao esclarecimento
Da Existência...». Por que continuo atada
Ao filósofo, acima, citado? Ignoro. Entrou-me
Em casa, alto, de fato cinzento, engravatado,
E, como se estivesse num palco, começou
A pregar, olhos nos olhos, seguro da sua verdade
Existencialista. Emudeci. Sim! Já o conhecia,
Há muitos anos, mas tinha a mente opaca,
Como opaca está esta madrugada. Concluio,
Lançando no fumo do meu cigarro, sempre
Aceso, que o ser humano só o é, «Enquanto projecto
Existencial concreto.» Basta! Acabei por dizer,
De pé, e fui ao encontro de Sartre, lido e relido,
Bem longe da universidade, apaixonadamente.
Dou por findo este poema, inconclusivo,
Transcrevendo o que recordo no agora, ao raiar
Do dia: «O sujeito é constrangido a ser livre, uma vez
Que, para o ser, se tem que escolher a si mesmo.»

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 30/10 às 01:51 AM
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Terça-feira, 27 Outubro, 2009

Gaston Bachelard

«Man is a creation of desire, not a creation of need.»

«(…)Gaston Bachelard (1884-1962), conhecido por tentar recuperar o caráter dinâmico e, portanto, histórico do saber científico. Este saber é dialético em sua essência, pois supõe um dinamismo que começa com os primeiros investigadores. Bachelard é um pensador que busca a convergência necessária entre ciência e poesia. Ele recupera a dimensão criativa das forças imaginantes e tem a ousadia de afirmar que aquilo que conhecemos racionalmente foi, um dia, o ideário de um sonho. Essa coexistência feliz entre o homem diurno – razão - e o homem noturno – sonho - é que faz a originalidade desse pensador.»

Publicado por Violeta Teixeira em 27/10 às 12:12 AM
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Segunda-feira, 26 Outubro, 2009

ABSURDO

Albert-Camus-Henri Cartier Bresson- Mgnum-Photos

«O sem-sentido; a inconformidade com as leis da coerência e da lógica; diz-se de todo o texto que não possua lógica interna e não obedeça a determinadas regras ou condições. O trabalho de desconstrução textual pode ser considerado uma tentativa de redução de um texto a um estado ad absurdum, pela revelação das suas contradições internas e impossibilidades lógicas, quer sejam imanentes a esse texto quer lhe sejam impostas. Falamos então dos absurdos de um texto quando nos referimos às suas proposições, ideias ou teses sem sentido.
Na história da filosofia, o absurdo é um conceito que remonta aos eleatas, sobretudo aos paradoxos de Zenão de Eleia que reduziram à condição de absurdo as teses pitagóricas. Diógenes de Laércio considerou inclusive Zenão de Eleia o criador da dialéctica, então entendida como a lógica que se reduziu ao absurdo. Este tipo de redução será ainda explorado pelos escolásticos, em dois métodos principais (que hoje podemos reconhecer, por exemplo, quer nas estratégias desconstrucionistas quer nos processos de construção de discursos parodísticos de muita literatura pós-moderna): a probatio per absurdum (a “prova pelo absurdo”, isto é, a demonstração da verdade de uma proposição pela falsidade evidente da proposição que se lhe opõe) e a reductio ad absurdum (a “redução ao absurdo”, um método irónico que visava ridicularizar uma doutrina adversária pela demonstração da falsidade de uma proposição levada até ao extremo das suas consequências). Na história da lógica até à Escolástica, vemos que o absurdo é tomado como sinónimo do falso.
Na história da teologia, o termo está testado em Tertuliano (160?-230), fundador da Igreja, que argumentou que a maior verdade do Cristianismo era a sua absurdidade: Creo quia absurdum est. ("Creio porque é absurdo.” - frase atribuída erradamente a Santo Agostinho) foi a sua resposta, perante o facto de ser tão irracional ter existido alguém que tenha sofrido tanto pela humanidade que tal só pode ser verdade, pois ninguém iria inventar tamanha absurdidade. Esta tese será retomada por Kierkegaard muitos séculos mais tarde.
Contemporaneamente, o termo está relacionado com o existencialismo francês, tendo sido aplicado a muita literatura do género. O absurdo é o que resiste a todas as questões existenciais; é o que fica depois de perguntarmos qual o sentido da existência. Neste sentido, o ensaio de Albert Camus sobre o absurdo, O Mito de Sísifo, fez escola, mostrando que todo o esforço humano, representado na figura mítica de Sísifo, é inútil. A tradição racionalista que colocava o homem no centro de uma ordem social equilibrada, onde se revelava sempre ou como herói ou como indivíduo que respeita os bons costumes, sucede agora uma visão do homem como indivíduo solitário, destituído de qualquer moral, jamais possuindo qualquer verdade, e sempre angustiado perante o nada para onde terá que caminhar irremediavelmente. O universo de Camus é um mundo feito de despropósitos, onde nada tem valor ou sentido. Portanto, a existência humana que aí se observa tem ela própria uma natureza absurda. As personagens da ficção de Kafka, por exemplo, vivem muito desta condição de absurdidade, pois são empurradas para situações incompreensíveis das quais não se vislumbra nenhuma saída. Este tipo de situação tem sido explorado de forma singular no drama contemporâneo, sobretudo a partir do teatro de Beckett, constituindo inclusive um género autónomo conhecido por teatro do absurdo. Quer neste tipo de teatro quer na ficção que explora a absurdidade, o denominador comum é a crença numa condição humana desprovida de sentido, a qual só pode ser revelada por obras literárias que sejam também elas próprias, pelo menos na aparência, marcadas pela mesmo sem sentido. A principal diferença entre os dramaturgos do absurdo e os romancistas existencialistas consiste na tentativa de explicação do real que apenas os segundos admitem ser possível.
O nonsense, ou o absolutamente sem-sentido, o grotesco, ou representação do ridículo, o fantástico, ou as representações para além do real, o humor negro, ou o mero recurso cómico ao macabro, são conceitos próximos do absurdo, mas devem ser distinguidos entre si. A distinção mais difícil talvez seja entre o sem-sentido (ou nonsense) e o absurdo, que apresentámos como sinónimos na definição de abertura do termo (tese defendida, por exemplo, por Thomas Hobbes, em Leviatã e em De Corpore, onde apresenta uma tábua de proposições absurdas). Em Investigações Lógicas (III, 12), Husserl entende-os como diferentes entre si, porque o sem-sentido não possui uma gramática, isto é, não tem leis naturais de significação, ao passo que o absurdo é apenas visto como uma parte especial do que tem sentido, sendo por isso sinónimo de contrasenso. Sendo este tudo o que é contrário ao bom-senso, portanto, tudo o que imobiliza o senso comum, a literatura do absurdo tende a não distinguir estes termos. Esta literatura pode ser identificada no teatro de Plauton, nas paródias medievais, nas nursery rhymes, no Book of Nonsense (1846), de Edward Lear, em Through the Looking-Glass (1871), de Lewis Carroll, no teatro do absurdo, que explora todas as formas de ausência ou incapacidade de comunicação.
CÓMICO; EXISTENCIALISMO; GROTESCO; FANTÁSTICO (género); NONSENSE; NURSERY RHYMES; TEATRO DO ABSURDO; WIT
Bib.: Albert Camus: O Mito de Sísifo: Ensaio sobre o Absurdo (2ª ed. rev. e aum., 1945); Arnold P. Hinchliffe: The Absurd (1969); B. K. Banker: “Albert Camus and the Concept of the Absurd”, Commonwealth Quarterly, 5, 17 (Karnataka State, India, 1980); Charles B. Harris: Contemporary American Novelists of the Absurd, (1971); David D. Galloway: The Absurd Hero in American Fiction: Updike, Styron, Bellow and Salinger (1966); Donald Palumbo: “The Question of God’s Existence, the Absurd, and Irony: Their Interconnection in the Philosophical and Literary Works of Sartre and Camus”, Lamar: Journal of the Humanities, 12, 1 (Beaumont, TX, 1986); Elizabeth Sotirova: “The Absurd as a Specific Form of Realism”, History of European Ideas, 20, 1-3 (Tarrytown, NY, 1995); Gerhard Hoffmann: “The Absurd and Its Forms of Reduction in Postmodern American Fiction”, in Approaching Postmodernism: Papers Presented at a Workshop on Postmodernism, ed. por Douwe Fokkema e Hans Bertens (1986); H. Gene Blocker: The Metaphysics of Absurdity (1979); Henri Peyre: “The Notion of the Absurd in Contemporay French Literature”, Prose, 4 (Nova Iorque, 1972); J. Cruickshansk: Albert Camus and the Literature of Revolt (1959); J. Quilles: Jean-Paul Sartre: El existencialismo del absurdo (1949); Jacqueline Lévi Valensi: “Aspects de l’absurde dans quelques romans français contemporains”, Francofonia, 10 (Florença, 1986); Jean Bessière: “Mimesis de l’absurde”, La Revue des lettres modernes, 767-770 (Fleury-sur-Orne, 1986); L. Kofler: Arte abstracto y literatura del absurdo (1974); Naomi Lebowitz: Humanism and the Absurd in the Modern Novel (1971); P. van den Bosech: Les Enfants de l’absurde (1955); Raymond Poulin: «Les Figures de l’absurde dans les récits et essais d’Albert Camus», Tese de Doutoramento (Univ. de Montreal, 1992); Richard Boyd Hauck: A Cheerful Nihilism: Confidence and “the absurd” in American Humorus Fiction (1971); Richard E. Baker: The Dynamics of the Absurd in the Existencialist Novel (1993); Richard Law: “The Absurd and Science Fiction”, Pennsylvania English, 10, 2 (1984); Robert A. Hipkiss: The American Absurd: Pynchon, Vonnegut, and Barth (1984); S. Cantaro: El absurdo o filosofía del absurdo (1952); Stephen M. Halloran: “Language and the Absurd”, Philosophy and Rhetoric, 6 (1973); W. F. Haug: Kritik des Absurdismus. Untersuchungen zur Konstruktion des “Absurden” vor allen bei J.-P. Sartre (2ªed., 1977).»

Carlos Ceia

Publicado por Violeta Teixeira em 26/10 às 11:55 PM
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SE…

Registo fotográfico da autoria de Violeta Teixeira/PANDORA, Olhares.com

Se estivesses na mesma órbita
Da minha, errante, vagabunda, é certo,
Mas, sempre, com explosões se fogos,
De rebeliões elegíacas, e de fúrias,
Farias brasas da lenha húmida, lançada,
Por dedos desesperados, na antiga lareira
Do desafecto, e as chamas, essas, nunca
Seguiriam o rumo das cinzas, nem seriam
Cinzentas as paredes das veias túmidas
De todos os fracassos. Nem o pêndulo
Do sangue se daria conta da rotação
Do sentimento nascente, sem regras
Rígidas de ponteiros em números árabes
Ou romanos, sem ruídos estrídulos, saídos,
Das fissuras do xisto, onde, penetro longos
Pregos de palavras malogradas, sobretudo
De madrugada, quando tudo se abate
Sobre a nudez gélida dos ombros dos
Sem Um gesto que afague, que toque,
Levemente, embora, o corpo derrubado,
No lajedo do beco de todas as portas
Fechadas, contra o rosto dos mendigos
De uma côdea de ternura. No dentro,
No entanto, vêem-se fiapos esquivos de luz.
Haverá lá gente?! Deixo suspensa a resposta
E o pasmo. Rasgo, incrédula, o pulso
Do suposto poema, por que nada fizeram
Os meus dedos para ter acontecido este parto.
E prossigo a releitura da «CHAMA DUPLA»,
Subintitulada «Amor e Erotismo», do Nobel
Argentino, Octavio Paz, na busca de uma
Cura lenitiva, que sempre me traz a poesia.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 26/10 às 11:30 PM
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Domingo, 25 Outubro, 2009

OS PENSAMENTOS

________________________________________
“Nunca chegamos aos pensamentos. São eles que vêm”.

Martin Heidegger (26 de setembro de 1889 – 26 de maio de 1976), filósofo alemão.

Publicado por Violeta Teixeira em 25/10 às 03:01 PM
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O SER E O NADA

•"Por que há simplesmente o ente e não antes o nada.”
•Martin Heidegger

«Martin Heidegger (Meßkirch, 26 de Setembro de 1889 — Friburgo, 26 de Maio de 1976) foi um filósofo alemão.
É seguramente um dos pensadores fundamentais século XX - ao lado de Bertrand Russell, Wittgenstein, Adorno e Foucault - quer pela recolocação do problema do ser e pela refundação da Ontologia, quer pela importância que atribui ao conhecimento da tradição filosófica e cultural. Influenciou muitos outros filósofos, dentre os quais Jean-Paul Sartre.

Biografia
Nascido na pequena vila de Meßkirch (Messkirch), era filho de um sacristão católico e inicialmente quis ser padre tendo chegado mesmo a estudar em um seminário. Depois, estudou na Universidade de Friburgo, com Edmund Husserl, o fundador da fenomenologia, e tornou-se professor ali em 1928.
Em 1916, como tese de habilitação ao ensino universitário, publicou A Doutrina das Categorias e do Significado em Duns Escoto. Mais tarde descobrir-se-ia que a obra de Escoto considerada por Heidegger, isto é, a Gramática Especulativa não era de Duns Escoto. Mas isso não tinha muita relevância no pensamento de Heidegger, já que o seu trabalho, com os interesses metafísicos e teológicos que dominam, é mais teórico do que histórico.
Nesse meio tempo, Husserl foi chamado a ensinar em Freiburg e Heidegger o seguiu como assistente. Professor por alguns anos na Universidade de Marburg, em 1929 Heidegger sucedeu Husserl na cátedra de filosofia em Freiburg, dando sua aula inaugural sobre O que é a Metafísica?. Desse mesmo ano é o ensaio Sobre a Essência do Fundamento, bem como o livro Kant e o Problema da Metafísica.
Em 1927, porém, saíra o trabalho fundamental de Heidegger, Ser e Tempo. A obra seria seguida de uma segunda parte, que, no entanto, não apareceu, já que os resultados alcançados na primeira parte impediam o seu desenvolvimento. Ser e Tempo é dedicado a Husserl, que posteriormente não aprovou a obra, o que ocasionou o rompimento entre ambos. Heidegger, no entanto, afirmava trabalhar com o método fenomenológico.
Heidegger inscreveu-se no partido Nazi (NazistaPB) (NSDAP) em 1 de Maio de 1933 (ano da chegada ao poder de Adolf Hitler), tendo posteriormente sido nomeado reitor da Universidade de Freiburg, pronunciando o discurso A Auto-afirmação da Universidade Alemã. Porém, pouco depois se demitiu do cargo de reitor, se colocando contra a perseguição, de cunho anti-semita, a professores da universidade.
Martin Heidegger teve como aluna a judia Hannah Arendt, com quem se envolveu amorosamente, cortando relações com esta posteriormente.
Filosofia
Heidegger considerava o seu método fenomenológico e hermenêutico. Ambos os conceitos referem a intenção de dirigir a atenção (a circunvisão) para o trazer à luz daquilo que na maior parte das vezes se oculta naquilo que na maior parte das vezes se mostra, mas que é precisamente o que se manifesta nisso que se mostra. Assim, o trabalho hermenêutico visa interpretar o que se mostra pondo a lume isso que se manifesta aí mas que, no início e na maioria das vezes, não se deixa ver.
O método vai directamente ao fenómeno, procedendo à sua análise, pondo a claro o modo como da sua manifestação. Heidegger afirma que esta metodologia corresponde a um modelo kantiano, ou coperniciano da colocação ou projecção da perspectiva. Neste sentido, a sua metodologia operava uma inflexão do ponto de vista, na medida em que o foco deveria ser desviado do dasein para o ser. Esta inflexão focaliza os modos de ser do ente, correspondendo a uma inversão da ontologia tradicional.
Além da sua relação com a fenomenologia, a influência de Heidegger foi igualmente importante para o existencialismo e desconstrutivismo.
Conceitos fundamentais
É habitual dividir a produção filosófica de Heidegger em duas partes, uma até ao final da década de vinte, outra a partir daí. Por vezes considera-se também uma terceira anterior à produção de O Conceito de Tempo (conferência proferida em 1924, mas publicada apenas em 1983, em Francês). Assim é comum falar-se do primeiro ou do segundo Heidegger, conforme se faz referência às suas produções anteriores ou posteriores ao seu livro Da essência da Verdade, escrito em 1930, embora a publicação seja de 1943. Gianni Vattimo fala de três momentos da filosofia de Heidegger (ver Introdução a Heidegger, Tradução João Gama, Instituto Piaget, 10ed., 1996).
A divisão da filosofia de Heidegger em momentos não é pacífica. Há quem recuse a divisão, defendendo a continuidade do seu pensamento.
O ponto de partida do pensamento de Heidegger, principal representante alemão da filosofia existencial, é o problema do sentido do ser. Heidegger aborda a questão tomando como exemplo o ser humano, que se caracteriza precisamente por se interrogar a esse respeito. O homem está especialmente mediado por seu passado: o ser do homem é um “ser que caminha para a morte” e sua relação com o mundo concretiza-se a partir dos conceitos de preocupação, angústia, conhecimento e complexo de culpa. O homem deve tentar “saltar”, fugindo de sua condição cotidiana para atingir seu verdadeiro “eu”.
As bases de sua filosofia existencial foram expostas em 1927, na obra inacabada O Ser e o Tempo, 1927, publicada em Marburgo, que o tornou célebre fora dos meios universitários. Oriundo de uma família humilde, Heidegger pôde completar sua formação primária graças a uma bolsa eclesiástica, que lhe permitiu também iniciar estudos de teologia e de filosofia. Profundamente influenciado pelo estudioso de fenomenologia Edmund Husserl, de quem foi assistente após a Primeira Guerra Mundial (até 1923), começou então seus estudos no seio da corrente existencialista.
Embora sempre tenha vivido em Friburgo, exceto nos cinco anos em que foi professor em Marburgo (recusou uma proposta para Berlim), cedo se tornou um dos filósofos mais conhecidos e influentes, influência essa que se estendeu mesmo à moderna teologia de Karl Rahner ou Rudolf K. Bultman. Sua disponibilidade para colaborar com o regime nazista, após a tomada de poder por Hitler, em 1933, aceitando o lugar de reitor em substituição a outro vetado pelos nazistas, abalou seu prestígio. Também contribuiu para isso o fato de equiparar o “serviço do saber” na escola superior ao serviço militar e funcional. Em 1946, as autoridades francesas de ocupação retiraram-lhe a docência, que lhe foi restituída em 1951. Outras importantes obras suas são Introdução à Metafísica, 1953, Que Significa Pensar?, 1964, e Fenomenologia e Teologia, 1970. A obra completa de Heidegger foi editada na Alemanha em 70 volumes.(…)»

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por Violeta Teixeira em 25/10 às 02:41 PM
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O QUE É O SER? O QUE É O REAL?

Obra pictórica de Pablo Picasso

O que é o Ser? O que é o Real?
Sei que só o Nada se é, antes do Ser.
Mas o que é o Real? Filósofa, eu?
Ao nascer de uma madrugada insone?
Estarei recordada de Jaspers?
Ou naufragada? Ou insana? Nunca
Encontrei o me ser, é certo. Sim!
Caí, sempre, obcecada pelo Nada,
Num deserto de desafecto.
Na busca, sem êxito, do que
Possa ser a realidade. Estranha
De mim mesma, tudo, à minha volta,
Passou por ser irreal, mas ínsisto
Na pergunta: o que é real?
A madrugada enovela-se na neblina,
E o cérebro torna-se um labirinto.
Cinzento-antracite. A pergunta, acima,
Fica suspensa. Adiada para próxima
Madrugada, se madrugada houver.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 25/10 às 02:20 PM
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Sexta-feira, 23 Outubro, 2009

MEDITAÇÃO

Meditação budista

«Quanto mais meditamos mais aprendemos a aceitar as nossas emoções, sem nos escondermos delas, e a constatar que os nossos pensamentos mudam, tal como os seus efeitos em nós.»
Autor: Vieira de Castro , Ana
Fonte Xis (Público)

.A meditação consiste na prática de focar a atenção, freqüentemente formalizada em uma rotina específica. É comumente associada a religiões orientais. Há dados históricos comprovando que ela é tão antiga quanto a humanidade. Não sendo exatamente originária de um povo ou região, desenvolveu-se em várias culturas diferentes e recebeu vários nomes, floresceu no Egito (o mais antigo relato), Índia, entre o povo Maia, etc. Apesar da associação entre as questões tradicionalmente relacionadas à espiritualidade e essa prática, a meditação pode também ser praticada como um instrumento para o desenvolvimento pessoal em um contexto não religioso.
Etimologia
A palavra meditação vem do Latim, meditare, que significa Voltar-se para o centro no sentido de desligar-se do mundo exterior e voltar a atenção para dentro de si. Em sânscrito, é chamada dhyana, obtida pelas técnicas de dharana (concentração), no chinês dhyana torna-se ch’anna e sofre uma contração tornando-se Ch’an e Zen em japonês,

Definição
A meditação costuma ser definida da seguinte maneira:
1.um estado que é vivenciado quando a mente se torna vazia e sem pensamentos;
2.prática de focar a mente em um único objeto (por exemplo: em uma estátua religiosa, na própria respiração, em um mantra);
3.uma abertura mental para o divino, invocando a orientação de um poder mais alto;
4.análise racional de ensinamentos religiosos (como a impermanência, para os Budistas)
(...)»
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por Violeta Teixeira em 23/10 às 01:52 PM
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ANJO

Trabalho fotográfico da autoria de Fernando Alves («ANJO DA GUARDA»), Olhares.com

Anjo (do latim angelus e do grego ággelos mensageiro), segundo a tradição judaico-cristã, a mais divulgada no ocidente, é uma criatura celestial, acreditada como sendo superior aos homens, que serve como ajudante ou mensageiro de Deus. Na iconografia comum, os anjos geralmente têm asas de pássaro e uma auréola. São donos de uma beleza delicada e de um forte brilho, por serem constituídos de energia, e por vezes são representados como uma criança, por terem inocência e virtude. Os relatos bíblicos e a hagiografia cristã contam que os anjos muitas vezes foram autores de fenômenos miraculosos, e a crença corrente nesta tradição é que uma de suas missões é ajudar a humanidade em seu processo de evolução.

Os anjos são ainda figuras importantes em muitas outras tradições religiosas do passado e do presente, e o nome de “anjo” é dado amiúde indistintamente a todas as classes de seres celestes. Os muçulmanos, zoroastrianos, espíritas, hindus e budistas, todos aceitam como fato sua existência, dando-lhes variados nomes, mas às vezes são descritos como tendo características e funções bem diferentes daquelas apontadas pela tradição judaico-cristã, esta mesma apresentando contradições e inconsistências, de acordo com os vários autores que se ocuparam deste tema. O Espiritismo faz uma descrição em muito semelhante à judaico-cristã, considerando-os seres perfeitos que atuam como mensageiros dos planos superiores. Dentro do Cristianismo Esotérico e da Cabala, são chamados de anjos os espíritos num grau de evolução imediatamente superior ao do homem e imediatamente inferior ao dos arcanjos. Para os muçulmanos alguns anjos são bons, outros maus, e outras classes possuem traços ambíguos. No Hinduísmo e no Budismo são descritos como seres autoluminosos, donos de vários poderes, sendo que alguns são dotados de corpos densos e capazes de comer e beber. Já os teosofistas afirmam que existem inumeráveis classes de anjos, com variadas funções, aspectos e atributos, desde diminutas criaturas microscópicas até colossos de dimensões planetárias, responsáveis pela manutenção de uma infinidade de processos naturais. Além disso a cultura popular em vários países do mundo deu origem a um copioso folclore sobre os anjos, que muitas vezes se afasta bastante da descrição mantida pelos credos institucionalizados dessas regiões.
(…)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por Violeta Teixeira em 23/10 às 01:24 PM
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FAÇO DO SILÊNCIO…

Imagem ilustrativa da autoria de Eduardo Arranz Bravo

Faço do silêncio o sítio seguro,
Onde me abrigo dos desencontros
Dos astros. Onde teço e desteço
O casulo. Onde oiço o murmuro rumor
Do regato pleno de sentido. Escrevo,
Por isso, o silêncio, no rebordo do vazio.
Renasço no sumo lúcido do Verbo,
Digo do corpo, mas ignoro os gostos
De Epicuro, junto do meu gato,
Lambendo o pêlo ralo e sem brilho,
Com um carinho comovente. Afago-o,
Como aos versos, que fluem do silêncio,
E em nada obedecem a ensinamentos
Resignados, estóicos ou outros do mesmo
Género. Digo do corpo erótico. Digo da boca,
Do beijo ávido, do abraço em chamas.
Prolongo, perversa, o gozo do poema.

Violeta Teixeira, inédito.

Publicado por Violeta Teixeira em 23/10 às 12:54 AM
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