Segunda-feira, 31 Agosto, 2009
SE AS PALAVRAS…
Obra de Mary Zarbano
Se as palavras me pudessem falar das feridas,
Sem gritos, explodindo do olhar, o caminho
Que sigo, emudecida, seria um diálogo de água,
Um diálogo de pedra, de terra. Talvez um encontro
De uma árvore verde florida ou com frutos,
Ao alcance dos meus braços atados ao silêncio,
Ainda que fervam nas veias fúrias contidas,
E a voz feroz do vento faça fissuras nos muros
Secretos da vivência apunhalada, com violência
Sádica. E se gritasse? Se exibisse as feridas,
Na praça pública da escrita? Mas as palavras
Apagam-me a chama do sangue, e ostentam
A fronte exangue da morte, na página gélida.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 31/08 às 03:01 AM
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ARTE
Obra de Phil Daves
O único modo de exprimir uma emoção de forma artística é encontrando um ‘correlativo objectivo’; por outras palavras, uma série de objectos, uma situação, uma cadeia de acontecimentos que representem a fórmula daquela emoção particular
George Eliot, in “Tradição e Talento Individual”
Publicado por Violeta Teixeira em 31/08 às 01:15 AM
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DESPEDIDA
Obra de Ivan Koulakov
Em cada despedida existe a imagem da morte.
George Eliot
Publicado por Violeta Teixeira em 31/08 às 12:55 AM
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Sábado, 29 Agosto, 2009
É ESTE O MEU ÚLTIMO LUGAR
Obra da autoria de Kandinsky
É este o meu último lugar. O meu último olhar.
O meu último olhar! Despido. Líquido.
Silencio-me. Mutilo-me. Como respirar,
No exílio? Como evitar o delírio do navegar,
Sem enjoos do mar? Os voos das aves!
Tenho as asas quebradas! Lâmpadas apagadas.
Só sobrevivo nas palavras. O último lugar,
Onde a aurora ainda me traz um aroma indeciso
De vinho, a transbordar num copo insóbrio,
Tinto, sabendo a compotas de frutos encarnados,
Com notas de carvalho. Mas um grito rasga-me
O canto. Rasga-me o ventre do recomeçar…
O meu último lugar é este. O meu último olhar.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 29/08 às 03:52 AM
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PINTURA DE ARTUR LUIZ PIZA
Obra de Artur Luiz Piza
As mostras na Pinacoteca refletem sobre os destinos recentes da pintura. Colagem, mosaico, óleo, tela e canudos estruturam o debate.
Destaca-se a retrospectiva de Artur Luiz Piza, que acompanha seu diálogo com a colagem. A técnica foi celebrizada como passo intermediário entre duas fases de Braque e Picasso, a analítica e a sintética. A superposição de planos recortados indicaria uma passagem do cubismo à abstração e ao construtivismo: a representação ilusionista do espaço cedia lugar a uma pintura escultórica.
FELIPE CHAIMOVICH
Crítico da Folha de S.Paulo
«Nasceu em São Paulo, Brasil em 1928
Vive e trabalha em Paris desde 1951
Arthur Luiz Piza nasceu em 1928 em São Paulo, onde teve seu primeiro contato com as artes. Nos anos 40, estudou pintura e afresco com Antonio Gomide. Mudou-se em 1951 para Paris, onde passou a trabalhar no estúdio do mestre da gravura Johnny Friedlaender. Piza logo se tornou um especialista em todas as suas técnicas. Abandonou as mais tradicionais e desenvolveu uma técnica exclusiva de gravar nas placas com martelos e cinzéis de diferentes formatos. Entre 1951 e 1963, participou das Bienais de São Paulo; em 1959, da Documenta de Kassel, e em 1966, da Bienal de Veneza, ganhando o prêmio de gravura. Seu trabalho encontra-se nos acervos dos principais museus do mundo, como o Museum of Modern Art (MoMA) e o Guggenheim Museum, em Nova York, a Bibliothèque Nationale de France e o Musée National d’Art Moderne Centre Georges Pompidou, em Paris. No Brasil, seus trabalhos estão, por exemplo, no Museu de Arte Contemporânea e no Museu de Arte Moderna, ambos em São Paulo. Em 2002, a Pinacoteca do Estado organizou uma importante retrospectiva e a editora Cosac Naify lançou um catálogo de seus relevos desde 1958. Em outubro de 2008 realiza uma exposição individual no Gabinete. O Gabinete de Arte Raquel Arnaud representa o artista desde 1973.(…)»
Raquel Arnaud
Publicado por Violeta Teixeira em 29/08 às 01:35 AM
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JOSEFINA PLÁ
ESCRITO COM LUZ NEGRA: A POESIA DE JOSEFINA PLÁ (1909-1999)
Alfredo Fressia
“Criar mais intensamente é só uma forma de mais
intensamente morrer: a poesia é a forma mais
agudamente visível da morte”
Josefina Plá
A espanhola Josefina Plá chegou ao Paraguai em 1927, aos 18 anos, já casada por procuração com o ceramista local Andrés Campos Cervera, que ela conhecera em Alicante (Espanha), para viver o que seria seu grande amor. Não contava com o apoio da família, já que Andrés era 21 anos mais velho, e isso era imperdoável. Viúva desde 1937, viveu esse amor durante o resto da sua vida, porém transfigurado num outro “casamento”, esse definitivo, com o país do coração da América. Hoje se pode afirmar que a poesia, o teatro, as artes plásticas, a vida acadêmica do Paraguai no século XX não se explicam sem Plá, e grande parte da obra de Plá resulta inimaginável fora do Paraguai.
Nascera em 9 de novembro de 1909, em Fuerteventura, Ilhas Canárias, para uma vida infatigável de criação e de aventuras desafiantes. Falecida em 11 de janeiro de 1999, Plá deixou atrás de si uma obra gigantesca. Desde jovem, e com seu marido, conhecido internacionalmente sob o pseudônimo de Julián de la Herrería, renovaram, segundo a crítica paraguaia, as artes plásticas daquele país. Foi jornalista na imprensa escrita e radiofônica de Assunção, organizou exposições de arte, inclusive durante a Guerra do Chaco, entre o Paraguai e a Bolívia (1932-1935), em Assunção, mas também em Buenos Aires. O casal continuou o trabalho de ceramistas na Espanha, de 1929 a 1932. Uma segunda temporada espanhola de trabalho e estudos, a partir de 1934, será interrompida pela Guerra Civil e pela morte de Andrés. Plá vende então obras de arte, livros e até selos raros do Paraguai para financiar seu regresso, pelo porto de Marselha. Sofre então a desconfiança local, o que lhe valeu um breve mas significativo exílio na cidade argentina de Clorinda (1938). Com Hérib Campos Cervera, o elegíaco poeta do exílio paraguaio, e Augusto Roa Bastos, que sempre se declarou “discípulo” de Plá, formaram a tríade célebre da chamada “Geração dos ‘40”. Ela não se exilou, como seus co-geracionais. Conhecerá, ao contrário, o “insílio” e a relação sempre tensa com a ditadura de Alfredo Stroessner (1955-1989). Em 1940 nasce seu filho Ariel, que ela registra com o sobrenome materno. Leciona na Universidade Católica onde também organiza as pesquisas em literatura e história do teatro. A obra historiográfica realizada por Plá é de fato monumental, incluindo a história da arte, da literatura e do teatro paraguaios. O trabalho de difusão incluiu suas palestras no exterior (Buenos Aires, São Paulo, onde aliás representou seu país adotivo na Bienal de 1957, Seattle, Nova York, Madri), e os artigos para revistas internacionais (Cuadernos Hispanoamericanos de Madri, Humboldt da Alemanha, Cahiers des Amériques Latines de Paris, entre muitas outras). No fim da sua vida, Doña Josefina Plá, como é chamada respeitosamente pelos paraguaios, era Doutora Honoris Causa da Universidade Nacional de Assunção, detinha prêmios em artes no Rio de Janeiro (1952), São Paulo (1957, 1979), Madri (1995), era membro “de honra” da Sociedade de Autores Argentinos, e fora indicada em 1989 e em 1994 para o Prêmio Cervantes.
A UNIDADE DE UMA OBRA
Nessa obra legada por Plá, a poesia ocupa o lugar privilegiado de sua criação estética, a face íntima de uma reflexão existencial que a crítica paraguaia (Roa Bastos, Francisco Pérez-Maricevich, entre outros) concorda em qualificar como “devastadoramente elegíaca”, “monotemática e monocorde” (Maricevich), “monotonal” (Roa Bastos). E o adjetivo “devastador” volta na obra do crítico uruguaio Ramón Bordoli Dolci. Efetivamente, Plá, protagonista de uma vida de atividade incansável, de um trabalho intelectual fáustico, entusiasta, multifacético, construiu uma obra poética que quase não ultrapassa uma centena e meia de poemas, e que se destina, uma e outra vez, a dizer uma única coisa: a dor de estar vivo, a tragédia de ser. “Devastadora”, certamente arrebatadora, essa poesia estremece sempre, com esse único tema surdo, repetido como sinos fúnebres. O abismo que se cria assim entre a lírica e a obra inesgotável da Plá intelectual configura um mistério que sua narrativa e seu teatro também não conseguem explicar. E aquelas plaquettes cuidadíssimas, cujas capas eram litografias especialmente realizadas, que continham às vezes dez ou quinze poemas, poderiam ferir o leitor se não contivessem a estética justa, a mestria do ourives que trabalhou o barro e as palavras. Um possível trâmite de leitura poderia colocar no centro da poesia de Plá o poema VI de O pó enamorado, a excelente plaquette de 1968. Esse poema, que aliás comparece entre parênteses, se inicia com estes versos: “Mas te são porventura consultados teus desejos?/ Alguém escreve com letras de piedade teu memorial de súplicas?”. A resposta é um Não definitivo, e essa negação, além de conter em si toda a lírica de Plá, coloca mais uma vez o enigma da arte como transfiguração da dor em beleza. E é por isso que ler essa obra é uma experiência limite: porque o leitor intui que qualquer caída na prosa converteria o texto num diário íntimo da angústia.
Por outro lado, esta obra breve, e autônoma frente à escritura narrativa (ficcional ou não) de Plá, que, essa sim, ocupa vários tomos, apresenta-se como uma profunda, procurada unidade. Obviamente, desde O preço dos sonhos, de 1934, até Os trinta mil ausentes, de 1985, podem-se detectar etapas, variações diversas de um tema e uma estética. Para começar, e com exceção de um texto impresso em 1949 (Rapsódia de Eurídice e Orfeu), à primeira publicação seguiram-se 26 anos de silêncio editorial: a segunda plaquette, A raiz e a aurora, só aparecerá em 1960. Bordoli Dolci invoca dois motivos para explicar esse silêncio, a saber, o fecundo trabalho da autora em outros campos, durante esse período, e as dificuldades financeiras. Podem-se aceitar esses argumentos, mas continuam parecendo insuficientes. Em 1977 Plá publicou uma Antologia poética (1927-1977) e incluiu nela só três poemas de seu primeiro livro. Quando em 1989 Bordoli Dolci publica seu primeiro trabalho crítico sobre a poeta (Poesía paraguaya. Josefina Plá, Casa del Estudiante, Montevideo), que inclui também uma seleção de sua poesia, admite que O preço… “é inencontrável; eu trabalho com uma seleção abundante de poemas enviados pela Sra. Plá”. Isto é, a poeta exerceu então outra “seleção” daqueles textos (ainda que “abundante"). São muitas as pistas que apontam a outra conclusão. A autora era consciente de que sua estética só estava realmente criada a partir dos anos ‘60, essa década riquíssima na sua obra, que inclui, além de A raiz e a aurora, as plaquettes Rostos na água, 1963, Invenção da morte, 1965, Satélites obscuros, 1966, O pó enamorado e Desnudo dia, ambas de 1968. Ela exerceu assim o direito de reler seu livro de juventude em nome, já não de um princípio abstrato de “qualidade”, mas da unidade da obra.
Costuma-se afirmar que O preço… marcou um antes e um depois na lírica paraguaia, que era até então tributária de uma manière “modernista”, incapaz de renovar seu idioma. É uma verdade, sem dúvida, como também é uma verdade que aquela linguagem nova, com seu reiterado “florescer”, tem muitos pontos de contato com a obra da uruguaia Juana de Ibarbourou, que “fez escola” desde os anos ‘20. (Aliás, Plá consagrou um ensaio a Ibarbourou e manteve com ela relações cordiais). Na poesia que “fica” daquele primeiro livro (para a estética da poeta, não para a crítica paraguaia como referência) comparecem tópicos que serão centrais no conjunto da sua obra, como o tema do tempo, em versos à la Ibarbourou, cuja forma, porém, ainda ingênua, está muito longe da futura, definitiva Plá.
É seguro também que a poeta não suspendeu sua escritura lírica durante os 26 anos de silêncio editorial anteriores aos ‘60. Deles ficou o livro Desnudo dia, de 1968, onde Plá reuniu poemas escritos entre 1935 e 1939, e também as duas dezenas de textos anteriores aos ‘60 que ela incorporou a sua Antologia, organizados em “poemas de 1935-1940”, “de 1941-1952”, e “de 1952-1960”. Essa vigilância autoral sobre o conjunto diacronicamente criado autoriza a poeta a incluir na Antologia versos como os que inauguram o poema “Amar”, do período 1935-1940: “Amar,/ Afundar raízes a golpe de batidas/ na terra negra e amarga/ onde sofrem os olhos dos que ainda não nasceram”. O erotismo trágico ("metafísico", diz Maricevich), a identificação da vida e o amor com o sofrimento, contemplada nessa terra onde sofrem os olhos não nascidos não prefigura: já é a estética que atingirá sua plenitude nos ‘60.
A POESIA TRÁGICA
A melhor leitura dessa obra e dessa estética será a da Tragédia. Os poemas adotam quase sempre a forma breve, como para recuperar melhor o essencial, o quase arquetípico, e ressoar assim no silêncio assombrado que os cerca. Trágica, além de “moderna”, Plá não faz autobiografia na sua obra. Sem dúvida, a morte do marido subjaz nos poemas ulteriores a O preço…, porém a primeira pessoa nunca pretende coincidir com uma biografia. Plá sabe que a tragédia está sempre na antípoda da crônica. O primeiro e mais implacável círculo desse sentimento trágico será a perfeita falta de liberdade: “Livre para nascer sem eleger o dia/ livre para beijar sem saber por que esta boca e não outra/ livre para engendrar e conceber o que vai te trair/ livre para pedir o que depois te será inútil/ livre para buscar o que amanhã já não terá significado” ("Livre", de Satélites obscuros, 1966). O “herdeiro”, que é o da espécie, que subentende e ultrapassa o filho biográfico, receberá o legado inevitável: “Da esperança nunca esgotada/ da tristeza nunca satisfeita/ do sonho sempre em dívida/ do amor como um traje em série/ da dor de morrer da dor de estar vivo/ de não poder morrer com a medida/ de um viver suficiente/ através do meu sangue/ serás o herdeiro” ("Herdeiro", de Satélites…). E esse círculo claustrofóbico fecha-se na própria destruição: “…E esta foi a tarefa. E foi a empresa esta/ Criar teus próprios amos teus tiranos ocultos/ Com tua mais delicada substância esvaziar os duros lábios/ os que hão de sentenciar-te” ("E esta foi a tarefa”, Satélites…).
O poema “As portas”, de Rostos na água, 1963, introduz o tema dessas “portas” que, na obra de Plá, e como num labirinto, fecham-se ardilosamente, todas, exceto uma: “…Um fechar-se de portas,/ a direita e esquerda;/ um fechar-se de portas silenciosas,/ sempre a destempo,/ sempre um pouco antes/ ou um momento demasiado tarde;/ até que resta uma só aberta,/ a única pontual,/ a única sem passagem e sem olhar”. E a plaquette seguinte, Invenção da morte, 1965, cuja poesia “inventa” mas também se quer inventada pela morte, aborda o tema sem piedade. Comparecem ali o fim inevitável, sua dor, a solidão do morto, os balanços que cada morto faz, os mortos presentes entre os vivos. Com esse poemário, a poesia de Plá atinge o domínio seguro, dir-se-ia “inexorável”, de sua própria estética: as sonoridades, as aliterações, o ritmo surdo que já não obedece ao soneto, que evita a rima prefixada e prefere a assonância inesperada, as controladas rupturas do ritmo que fraturam a idéia para criar a verdadeira dimensão da dor. Plá apela a uma linguagem de estirpe tradicional espanhola, universal, sem “localismos”, para nomear os elementos primários. O Paraguai poderia estar presente em algumas imagens ("Porque isto é o amor que te secava/ as carnes como seca o sol os ervais em janeiro"), mas aqui, e diferentemente da sua narrativa e de seu teatro, o sol, a água, o vento, a terra são universais e configuram o círculo trágico onde gira o discurso. O bestiário não existe, ou é meramente alegórico. Mas está presente o feto, a vida pronta a nascer sob o signo do fim. A morte se situa “Ali onde as lágrimas se juntam para lavar o rosto/ daquele que está por nascer” ("Ali onde as lágrimas"), e ao morto “somente o cego no ventre materno/ poderia acompanhar sem opróbrio nem escárnio até a beira/ do último abandono” ("Ninguém o beije").
Freqüentemente em Plá, o discurso se dirige a uma segunda pessoa, que pode ser seu próprio “satélite obscuro”, a mãe, o filho, ou simplesmente o pó. É o que dá a esta poesia essa ressonância de oráculo, que também impede o mero patético. E pode incluir certos talismãs cuja menção assinala mais o desamparo humano que qualquer idéia de proteção: “Vamos. Vamos. Vamos. O sonho era um engano,/ a rede uma miragem/ e o descanso uma fraude (…)/ Levanta e ingressa ao coro sem noite e sem descanso/ e pede a Deus um trevo de quatro folhas, uma semente curativa;/ uma sombra aconchegante,/ e até uma pedra que refugie o verme/ ou sonhe no montão que atesouram os mortos” (O pó enamorado, Poema V).
ÚLTIMAS NOTÍCIAS DA MORTE
A poesia publicada pela autora nos ‘60 é seguramente a que melhor exibe o “selo” de Plá, esse “acento” que permite reconhecer imediatamente sua obra, sem hesitar. A obra dos últimos anos, que não perdeu na qualidade dessa estética “única”, dialoga com uma possível biografia que inclui o pai, a mãe, o irmão morto, ou com o fim dela mesma, não porque a poeta abandone as unidades universais da tragédia, mas porque o obsessivo tema da morte torna-se mais pessoal, e, se for possível, mais urgente. É o tempo de se perguntar “A quem deixar”: “A quem deixar meu guarda-roupa oculto/ o guarda-roupa fantasma/ de todos os vestidos/ que tive e que me abandonaram/ os vestidos/ que nunca tive e que vesti em segredo/ O vestido que veio demasiado cedo/ que jamais me caiu bem/ o vestido/ que chegou já tarde/ para ir à festa/ quando já tinha adormecido” (de Tempo e treva, 1982). O tempo torna-se então um “ignóbil agiota”, “E digo tempo porque de alguma maneira/ devo chamar aquilo que me trouxe até aqui” ("Digo tempo”, em Trocar sonhos por sombras, 1984). Esse tempo, aliás, é um ladrão. Como num memorial anti-hedonista, o conjunto dos “Atos mínimos” “roubam à vida/ uma percentagem criminosa de tempo”. São atos quotidianos, domésticos, que certamente outra poesia teria celebrado, como “abrir uma carta ou correr a cortina/ aparar as páginas de um livro/ procurar a carta extraviada/ varrer as folhas mortas/ lavar a roupa remendada/ retirar do vaso a margarida seca/ ou fritar o planeta submergido num ovo” (em Tempo e treva).
Arrebatador, “O filho pródigo” (em Folhas do tempo, 1981) não consegue jamais o regresso: “Não se aproxima do presente afasta-se do futuro”, e já não encontrará o “quase imemorial patriarca órfão/ moendo infatigável a farinha da insônia”. E o tempo, esse ladrão, destrói até a própria biografia: “…O arroio atrasa/ agora seu curso atrás da colina/ e num canto da horta abandonada/ alguém varre os ossos de todos os destinos/ que puderam ser dele”.
A poesia de Plá, uma “insilada” no seu também trágico e “insilado” Paraguai, sempre atrás dessa “Luz negra”, título de uma das suas plaquettes (1975), conseguiu transcender algumas fronteiras. Certamente, espera ainda a edição continental das Poesias completas, já editadas em Assunção em 1996, mas de circulação restrita. Sem traduções ao português, a crítica e os leitores brasileiros continuamos em dívida com o brilho sombrio dessa obra nascida nas próprias entranhas da elegia e do Continente.
Agulha
Revista de Cultura nº 8
Fortaleza/ São Paulo, janeiro de 2001
Publicado por Violeta Teixeira em 29/08 às 01:02 AM
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Sexta-feira, 28 Agosto, 2009
DEL TEMPLE MUSULMÁN
myrtilis.blogs.sapo.pt/2008/01/
Del temple musulmán
Solo los muros
Son allá,
Pero los ojos son hoyos
Indignados.
E lo escalón,
Que yo subo,
Deletreando, con
Pesar, las lágrimas
Del « Saint Coran»,
En todas las piedras,
Pisadas por les cristianos.
Violeta Teixeira, in Antologia Internacional Palabras al Viento, Madrid, 2009
Publicado por Violeta Teixeira em 28/08 às 01:46 AM
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BIODIVERSIDADE
Biodiversidade
«Pode ser definida como a variedade e a variabilidade existente entre os organismos vivos e as complexidades ecológicas nas quais elas ocorrem. Ela pode ser entendida como uma associação de vários componentes hierárquicos: ecossistema, comunidade, espécies, populações e genes em uma área definida. A biodiversidade varia com as diferentes regiões ecológicas, sendo maior nas regiões tropicais do que nos climas temperados.
Refere-se à variedade de vida no planeta Terra, incluindo a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna, de fungos macroscópicos e de microrganismos, a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos ecossistemas; e a variedade de comunidades, hábitats e ecossistemas formados pelos organismos.
A Biodiversidade refere-se tanto ao número (riqueza) de diferentes categorias biológicas quanto à abundância relativa (equitatividade) dessas categorias. E inclui variabilidade ao nível local (alfa diversidade), complementaridade biológica entre habitats (beta diversidade) e variabilidade entre paisagens (gama diversidade). Ela inclui, assim, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e dos recursos genéticos, e seus componentes.
A espécie humana depende da Biodiversidade para a sua sobrevivência.
Não há uma definição consensual de Biodiversidade. Uma definição é: “medida da diversidade relativa entre organismos presentes em diferentes ecossistemas”. Esta definição inclui diversidade dentro da espécie, entre espécies e diversidade comparativa entre ecossistemas.
Outra definição, mais desafiante, é “totalidade dos genes, espécies e ecossistemas de uma região”. Esta definição unifica os três níveis tradicionais de diversidade entre seres vivos:
diversidade genética - diversidade dos genes em uma espécie.
diversidade de espécies - diversidade entre espécies.
diversidade de ecossistemas - diversidade em um nível mais alto de organização, incluindo todos os níveis de variação desde o genético.
A diversidade de espécies é a mais fácil de estudar, mas há uma tendência da ciência oficial em reduzir toda a diversidade ao estudo dos genes. Isto leva ao próximo tópico.
É imensa a variedade de espécies na Terra.Para os biólogos geneticistas, a Biodiversidade é a diversidade de genes e organismos. Eles estudam processos como mutação, troca de genes e a dinâmica do genoma, que ocorrem ao nível do DNA e constituem, talvez, a evolução.
Para os biólogos zoólogos ou botânicos, a Biodiversidade não é só apenas a diversidade de populações de organismos e espécies, mas também a forma como estes organismos funcionam. Organismos surgem e desaparecem. Locais são colonizados por organismos da mesma espécie ou de outra. Algumas espécies desenvolvem organização social ou outras adaptações com vantagem evolutiva. As estratégias de reprodução dos organismos dependem do ambiente.
Para os ecólogos, a Biodiversidade é também a diversidade de interações duradouras entre espécies. Isto se aplica também ao biótopo, seu ambiente imediato, e à ecorregião em que os organismos vivem. Em cada ecossistema os organismos são parte de um todo, interagem uns com os outros mas também com o ar, a água e o solo que os envolvem.
A cultura humana tem sido determinada pela Biodiversidade, e ao mesmo tempo as comunidades humanas têm dado forma à diversidade da natureza nos níveis genético, das espécies e ecológico.
É fonte primária de recursos para a vida diária, fornecendo comida (colheitas, animais domésticos, recursos florestais e peixes), fibras para roupas, madeira para construções, remédios e energia. Esta “diversidade de colheitas” é também chamada agrobiodiversidade.
Os ecossistemas também nos fornecem “suportes de produção” (fertilidade do solo, polinizadores, decompositores de resíduos, etc.) e “serviços” como purificação do ar e da água, moderação do clima, controle de inundações, secas e outros desastres ambientais.
Se os recursos naturais são de interesse econômico para a comunidade, sua importância econômica é também crescente. Novos produtos são desenvolvidos graças a biotecnologias, criando novos mercados. Para a sociedade, a biodiversidade é também um campo de trabalho e lucro. É necessário estabelecer um manejo sustentável destes recursos.
Finalmente, o papel da Biodiversidade é “ser um espelho das nossas relações com as outras espécies de seres vivos”, uma visão ética dos direitos, deveres, e educação.(…)»
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Publicado por Violeta Teixeira em 28/08 às 12:45 AM
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13ª TERCEIRA NOITE EUROPEIA DOS MORCEGOS
Evento: ‘13.ª Noite Europeia Dos Morcegos’
Cartaz
Cartaz
Data: Saturday, August 29, 2009 At 22:00
Este ano o Grupo Protecção Sicó, com o apoio do Município de Pombal, decidiu uma vez mais associar-se à 13.ª Noite Europeia dos Morcegos, organizando a 2.ª Noite dos Morcegos de Pombal no próximo dia 29 de Agosto, sábado.
Desta vez a saída será efectuada no Vale do Poio Novo, Redinha, canhão fluviocársico utilizado como abrigo por algumas espécies de morcegos, como por exemplo o Morcego-anão e o Morcego-rabudo. Nesta saída poderão ser vistas e ouvidas estas e outras espécies que utilizam este vale como abrigo e como zona de alimentação, tentando ao mesmo tempo identificá-las através das suas vocalizações, utilizando para o efeito um detector de ultra-sons.
A concentração será em Pombal, junto à Biblioteca Municipal, estando disponível transporte para levar os participantes até próximo do local onde será efectuada a actividade. Será ainda necessário percorrer um trajecto a pé, percurso esse não adequado a pessoas com dificuldades de locomoção.
Inscrições até 28 de Agosto (inscrições limitadas), através do telefone 236212054 ou do email . Só serão admitidas crianças se acompanhadas por adulto. Será disponibilizada iluminação. Os participantes devem levar calçado de campo, merenda e água.
Seguro e logística: 5€
Data: 29 de Agosto
Local: Vale do Poio (Redinha/Pombal)
Horários: 18h45 - concentração junto à Biblioteca Municipal de Pombal; 20h00 às 22h00 - identificação e audição de morcegos com recurso a detector de ultra-sons
Mais informações:
GPS - Grupo Protecção Sicó
http://www.gps-sico.org
http://gps-sico.blogspot.com
In orelhas.pt
Portal da região de Leiria
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«(…)Esta iniciativa, que resulta do Acordo Europeu para a Conservação dos Morcegos a que Portugal aderiu, tem por objectivo alertar a comunidade, em geral, e a população escolar, em particular, para a importância da conservação dos morcegos e desmistificar preconceitos e superstições sobre estes animais, assim como dar a conhecer o trabalho de salvaguarda, estudo e conservação já realizado em Portugal(…)
Em Portugal, encontram-se ameaçadas de extinção várias espécies de morcegos. Este grupo de mamíferos é muito importante para o Homem. Contribui para o controlo das populações de insectos, que constituem pragas agrícolas e são transmissores de doenças.(…)»
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«Os morcego são os únicos animais mamíferos (ordem Chiroptera) capazes de voar. Representam um quarto de toda a fauna de mamíferos do mundo: são cerca de mil espécies, que possuem uma enorme variedade de formas e tamanhos, podem ter uma envergadura de cinco centímetros até dois metros; enorme capacidade de adaptação a qualquer ambiente e ampla variedade de hábitos alimentares, nunca vista em nenhuma outra ordem animal, pois podem se alimentar de frutas, néctar, pólen, artrópodes, pequenos vertebrados e peixes. Somente três espécies se alimentam de sangue, ou seja, são morcegos hematófagos, encontrados apenas na América Latina e no Sul do México. Dessa maneira contribuem substancialmente para o equilíbrio dos ecossistemas, pois atuam como polinizadores, dispersores de sementes e controladores das populações de insetos. Possuem o extraordinário sentido de ecolocalização ou biosonar ou ainda orientação por ecos, que utilizam para voar por entre obstáculos ou para caçar suas presas.(…)»
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Publicado por Violeta Teixeira em 28/08 às 12:27 AM
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Quarta-feira, 26 Agosto, 2009
ARTE
Obra da autoria de Galina NiKolova
«A arte de desenvolver os pequenos motivos para nos decidirmos a realizar as grandes acções que nos são necessárias. A arte de nunca nos deixarmos desencorajar pelas reacções dos outros, recordando que o valor de um sentimento é juízo nosso, pois seremos nós a senti-lo e não os que assistem. A arte de mentir a nós próprios, sabendo que estamos a mentir. A arte de encarar as pessoas de frente, incluindo nós próprios, como se fossem personagens de uma novela nossa. A arte de recordar sempre que, não tendo nós qualquer importância e não tendo também os outros qualquer espécie de importância, nós temos mais importância que qualquer outro, simplesmente porque somos nós.
A arte de considerar a mulher como um pedaço de pão: problema de astúcia. A arte de mergulhar fulminante e profundamente na dor, para vir novamente à tona graças a um golpe de rins. A arte de nos substituirmos a qualquer um, e de saber, portanto, que cada pessoa se interessa apenas por si própria. A arte de atribuir qualquer dos nossos gestos a outrem, para verificarmos imediatamente se é sensato.
A arte de viver sem a arte.
A arte de estar só.»
Pavese
Publicado por Violeta Teixeira em 26/08 às 03:24 AM
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FRIDA KAHLO
Auto-retrato de Frida Kahlo
Frida Kahlo e Diego Rivera em 1932Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón (Coyoacán, México, em 6 de julho de 1907 - Coyoacán, 13 de julho de 1954) foi uma pintora mexicana.
Filha do fotógrafo judeu-alemão Guillermo Kahlo e de Matilde Calderón e Gonzalez, uma mestiça mexicana. Em 1913, com seis anos, Frida contrai poliomielite, sendo esta a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofre ao longo de sua vida. A poliomielite deixa uma lesão no seu pé direito e, graças a isso, ganha o apelido Frida pata de palo (ou seja, Frida perna de pau). A partir disso ela começou a usar calças e depois, longas e exóticas saias, que vieram a ser uma de suas marcas pessoais. Ao contrário de muitos artistas, Kahlo não começou a pintar cedo. Embora o seu pai tivesse a pintura como um passatempo, Frida não estava particularmente interessada na arte como uma carreira. Entre 1922 e 1925 frequenta a Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México e assiste a aulas de desenho e modelagem.
Em 1925, aos 18 anos aprende a técnica da gravura com Fernando Fernandez. Porém sofreu um grave acidente. Um ônibus no qual viajava chocou-se com um trem, acidente que fez a artista ter de usar vários coletes ortopédicos de materiais diferentes, chegando inclusive a pintar alguns deles (por exemplo o colete de gesso na tela intitulada “A Coluna Partida"). Por causa desta última tragédia fez várias cirurgias e ficou muito tempo acamada. Durante a sua longa convalescência começou a pintar com uma caixa de tintas que pertenciam ao seu pai, e com um cavalete adaptado à cama.
Em 1928 quando Frida Kahlo entra no Partido comunista mexicano, ela conhece o muralista Diego Rivera, com quem se casa no ano seguinte. Sob a influência da obra do marido, adotou o emprego de zonas de cor amplas e simples num estilo propositadamente reconhecido como ingênuo. Procurou na sua arte afirmar a identidade nacional mexicana, por isso adotava com muita freqüencia temas do folclore e da arte popular do México.
Entre 1930 e 1933 passa a maior parte do tempo em Nova Iorque e Detroit com Rivera. Entre 1937 e 1939 Leon Trotski vive em sua casa de Coyoacan. Em 1938 André Breton qualifica sua obra de surrealista em um ensaio que escreve para a exposição de Kahlo na galeria Julien Levy de Nova Iorque. Não obstante, ela mesma declara mais tarde: “pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade”.
Em 1939 expõe em Paris na galeria Renón et Colle. A partir de 1943 dá aulas na escola La Esmeralda, no D.F. (México).
Em 1953 a Galeria de Arte Contemporânea desta mesma cidade organiza uma importante exposição em sua honra.
Alguns de seus primeiros trabalhos incluem o “Auto-retrato em um vestido de veludo” (1926), “retrato de Miguel N. Lira” (1927), “retrato de Alicia Galant” (1927) e “retrato de minha irmã Christina” (1928).
Vida Íntima
Casa-se aos 21 anos com Diego Rivera, um casamento tumultuado, ambos tinham temperamentos fortes e casos extraconjugais. Kahlo que era bissexual esteve relacionada com Leon Trotski enquanto casada. Rivera aceitava abertamente os relacionamentos de Kahlo com mulheres, embora não aceitasse seus casos com homens. Frida descobre que Rivera mantinha um relacionamento com sua irmã mais nova, Cristina. Separam-se, mas em 1940 unem-se novamente, o segundo casamento foi tão tempestuoso quanto o primeiro. Durante o casamento, embora tenha engravidado mais de uma vez, nunca teve filhos, pois as seqüelas do acidente a impossibilitaram de levar uma gestação até o final.
Depois de algumas tentativas de suicídio, em 13 de julho de 1954, Frida Kahlo, que havia contraido uma forte pneumonia, foi encontrada morta. Seu atestado de óbito registra embolia pulmonar como a causa da morte. Mas não se descarta que ela tenha morrido de overdose, que pode ter sido acidental ou não. A última anotação em seu diário que diz “Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar - Frida” permite aventar-se a hipótese de suicídio. Pesquisadores com base na autópsia de Frida acreditam ter sido envenenada por uma das amantes de seu então marido. Diego Rivera descreveu em sua auto-biografia que o dia da morte de Frida foi o mais trágico de sua vida.
Casa Azul, o museu
Quatro anos após a sua morte, sua casa familiar conhecida como “Casa Azul” transforma-se no Museu Frida Kahlo. Frida Kahlo, reconhecida tanto por sua obra quanto por sua vida pessoal, ganha retrospectiva de suas obras, com objetos e documentos inéditos, além de fotografias, desenhos, vestidos e livros.
No ano de 2002, sob a direção de Julie Taymor, é lançado o filme que narra a história da pintora, interpretada pela atriz Salma Hayek. O longa metragem conta ainda com a presença de Alfred Molina, interpretando Diego Rivera.
Curiosidades
No ano de 2008, a banda inglesa ‘Coldplay’ lançou um CD intitulado “Viva La Vida or Death and All his friends” inspirado no quadro da artista Frida Kahlo, também chamado de Viva La Vida. Chris Martin (vocalista) ficou encantado ao saber que mesmo depois de tantos percalços na vida da artista ela conseguira manter o otimismo, sobretudo, exaltando a vida nesse quadro.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Publicado por Violeta Teixeira em 26/08 às 03:10 AM
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NESTE AGOSTO, TRAGO, NAS VEIAS, A MORTE
Obra de Edward Munch
Neste Agosto, trago, nas veias, a morte,
Mas canto um rosto inexplorado, porque
Não ouso dizer do sono ou do sonho abortados,
Do abraço rasgado, por braços falsos. Canto!
Canto este Agosto, sem tecer lamentos.
Se lágrimas vedes, são afluentes do tempo,
Que não controlo. São teias verdes, no rebordo
Da contenção do logos. Algo me rasga o ventre,
Algo se apaga na aproximação de um corpo,
O que não suporto, porque trago, nas veias,
A morte anunciada, pelo aroma das nuvens,
Neste mês de Agosto asfixiado de sombras.
Reconheço os signos destes versos, nas faces
Disfarçadas de um te amo desabrigado,
No quarto, onde não durmo, nem busco
Um gesto no silêncio de um hipotético afecto.
A morte, trago-a, nas veias deste Agosto.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 26/08 às 02:50 AM
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Domingo, 23 Agosto, 2009
VIDA-FUTURO
Obra de Edward Munch
«A ânsia de matar tempo, de liquidar o espaço de dias entre um acontecimento e o que lhe sucede, transmite, tanto em casos de amor como em outros, fins importantes, um estado de alma que se preocupa exclusivamente em atingir esse alvo previamente estabelecido. Não se pensa em mais nada. Semelhante à situação criada quando se sabe de antemão que se vai encontrar determinada pessoa que nos interessa muito. Fica-se incapaz de articular palavra, de estreitar vínculo com quem quer que seja que se nos atravesse no caminho. Está-se a viver em outrem, num estado fora da relação humana do dia a dia. Nem sequer ouvimos os sons, arrepiamos a pele ao tomar conhecimento consciente de notícias que já sabíamos de antemão pertencerem ao domínio público. Esta é também a ânsia do suicida que nada mais faz entre a decisão de cometer o homicídio e a prática do acto extremo.»
Ruben A., in “O Mundo À Minha Procura I”
Publicado por Violeta Teixeira em 23/08 às 10:44 PM
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OS GRANDES
«Os grandes são como o fogo, do qual convém não nos aproximarmos muito nem afastarmo-nos demasiado.»
Diógenes
Diógenes Laércio (em grego Διογένης Λαέρτιος, transl. Dioguénes Laértios, 200 - 250), historiador e biógrafo dos antigos filósofos gregos. A sua maior obra é Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres, composta por dez livros, que contêm relevantes fontes de informações sobre o desenvolvimento da filosofia grega. O exato período em que Diógenes Laércio viveu é desconhecido, mas supostamente foi durante o reino de Septímio Severo e Caracala.Não teve pensamento filosófico próprio. Seu objetivo foi realizar um trabalho de fácil compreensão e de divulgação para levar ao conhecimento do grande público as diversas escolas filosóficas gregas.
A parte mais importante de sua obra é o livro X, que é dedicado a Epicuro. Além da exposição de sua filosofia, o livro ainda apresenta três cartas deste filósofo. Devido o grau de detalhamento com que Diógenes expõe a filosofia de Epicuro, muitos acreditam que ele fosse adepto das doutrinas epicuristas. Tal fato, contudo, não é reconhecido oficialmente no mundo acadêmico, uma vez que ele expressa admiração por muitos filósofos e não menciona suas preferências pessoais de maneira explícita.
Diógenes divide os filósofos gregos em duas escolas, a escola jônica e escola italiana. Ele considera que a escola jônica provém de Anaximandro de Mileto, e a escola italiana de Pitágoras.
Depois de Sócrates, ele divide os filósofos jônicos em três ramos:
Platão e os Acadêmicos, finalizando em Clitomachus;
Os cínicos, finalizando em Chrysippus;
Aristóteles e Theophrastus.
A série de filósofos italianos depois de Pitágoras consiste dos seguintes filósofos:
Telanges, Xenofonte, Parmênides de Eléia, Zenão de Eléia, Leucipo de Mileto, Demócrito de Abdera, e outros até Epicuro de Samos.
Seus primeiros sete livros são dedicados aos filósofos da escola jônica; os últimos três livros aos filósofos da escola italiana.
A obra de Diógenes é uma grande contribuição à história da filosofia, contendo uma breve introdução sobre a vida e doutrinas da maioria dos filósofos gregos.
Tradução da obra
Há uma tradução da obra de Diógenes Laércio, Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres, do grego para o português efetuada por Mário da Gama Kury (editora UnB).
Obtido em “http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%B3genes_La%C3%A9rcio”
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Publicado por Violeta Teixeira em 23/08 às 10:18 PM
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COM MÃOS SE FAZ O DESTINO…
Trabalho fotográfico da autoria de António J. S., Olhares.com
Com mãos se faz o destino.
Lavra-se, semeia-se, colhe-se.
Com mãos se faz o pão. Se faz o vinho.
Com mãos se afasta, com firmeza, a pedra do caminho,
E brilhos, ao nível de muros, subitamente, se acendem.
Com mãos se escala as muralhas da vida, farpadas de arames.
Com mãos se borda ou se faz rendas, de costas viradas
Para o tempo, que segue, célere, o curso, sempre na mesma
Direcção. Não se diga que se deve à força do destino!
Com mãos tecem-se linhas, sem sentido,
Como a ilusão da sina, ou a da fortuna.
Nas mãos, se lê feridas e tardes e noites
De cinza fria, quando a solidão arromba
A porta, e, do coração, faz morada eterna.
Com mãos se fere ou se acaricia
O corpo de um pássaro, após um voo
Frustrado, porque as asas se perderam
Do bando. Ou, talvez, o bando as tivesse
Excluído do rumo traçado. Com mãos
Se entrega o corpo, com os ritos eróticos
De quem faz amor. Nas mãos crescem raízes
De ódio e rebentos homicidas, sem nexo
Aparente. Nas mãos mora a morte, desde
O ventre matricial, embora quente e protector.
Nas mãos sopra o vendaval da vida,
E doem os calos do trabalho e da mente
Activa, salvo, se em nada se pensa,
E se brinca, na rua, como o gato do Pessoa,
Ou se, se somos a garota que come,
Insciente, chocolates, ou o Esteves
Sem metafísica, da «Tabacaria»
Do Álvaro de Campos. «Com mãos tudo
Se faz e se desfaz. Com mãos se faz
A paz. Com mãos se faz a guerra.»,
Diz o poeta da «Praça Da Canção», exilado da pátria.
Dá-me a tua mão! Não leio sina alguma.
Sei que és o soberano do teu destino,
No sentido grafado no poema, que lês,
E ignoras o da escrevente, guardado secreto.
Esquece a sina lida nas linhas da mão!
Ensina-me o como se faz o pão e o vinho!
Com mãos. Sei-o bem. Mas crê que de nada
Me vale! As minhas mãos navegam, apenas,
Na embriaguez insana, talvez, das palavras.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 23/08 às 09:52 PM
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