Quinta-feira, 30 Julho, 2009

OPORTUNIDADE

Desconheço a autoria da imagem.

Uma das palavras que mais maltratadas têm sido, no entendimento que há delas, é a palavra oportunidade. Julgam muitos que por oportunidade se entende um presente ou favor do Destino, análogo a oferecerem-nos o bilhete que há-de ter a sorte grande. Algumas vezes assim é. Na realidade quotidiana, porém, oportunidade não quer dizer isto, nem o aproveitar-se dela significa o simplesmente aceitá-la. Oportunidade, para o homem consciente e prático, é aquele fenómeno exterior que pode ser transformado em consequências vantajosas por meio de um isolamento nele, pela inteligência, de certo elemento ou elementos, e a coordenação, pela vontade, da utilização desse ou desses. Tudo mais é herdar do tio brasileiro ou não estar onde caiu a granada.

Fernando Pessoa, in ‘Teoria e Prática do Comércio’

Publicado por Violeta Teixeira em 30/07 às 04:23 AM
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VAGABUNDA

As ventanias uivantes da vida,
Violaram-na. A vida evaporada,
Fê-la inavegável e, na voragem do tempo
Inexorável, olha e nada vê à sua volta.
Vagabunda, coloca a cabeça vazia
De uma única presença, nos joelhos
De um cais de pedra, na borda do Sena.
Mas, um dia, os olhos rubros de uma lanterna,
Ou, talvez, de um cigarro aceso na boca
Da vagabundagem, incendiou o rio,
E o frio, fugitivo, a agasalhou, na roupa
De uma ganga esfarrapada. Não se lembra
Se fora uma vertigem, embora efémera,
Ou se, faminta, teria sido, um delírio de febre
E de fome. Buscou, em vão, a força perdida.
Olhou à sua volta, mas nada viu, nem céu,
Nem rio. Cruzou, a custo, os braços,
E, ali, ficou. Ali, se anoiteceu,
Nos joelhos gélidos de um degrau de pedra.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 30/07 às 03:31 AM
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Quarta-feira, 29 Julho, 2009

HUMÍLIMA HOMENAGEM

« Apesar destes anos todos, ainda fico fascinado quando vejo um bailarino em movimento.»
In JORNAL I, 28 de Julho, 2009

Bailarino e coreógrafo Merce Cunningham morre aos 90 anos
27.07.2009 - 15h33 Sérgio C. Andrade
Merce Cunningham, o lendário coreógrafo que revolucionou a dança moderna, morreu ontem, em Nova Iorque, aos 90 anos. “É com grande pesar que anunciamos o desaparecimento de Merce Cunningham, que morreu tranquilamente em sua casa, de causas naturais”, dizia o comunicado emitido pela Cunningham Dance Foundation e pela Cunningham Dance Company, que o dançarino e coreógrafo nascido em Centralia, Washington, em 1919, tinha formado no Verão de 1953.
Com a sua companhia, Cunningham marcou a evolução da dança, estabelecendo uma relação muito particular com as artes plásticas e com a música contemporânea, nomeadamente com a obra de John Cage, com quem começou a trabalhar em meados da década de 40, numa parceria que só viria a terminar com a morte do compositor americano, em 1992.
“Merce revolucionou as artes visuais e performativas, não em busca da iconoclastia, mas da beleza e maravilhamento que decorrem da exploração de novas possibilidade”, acrescenta a nota.
Ainda que remetido a uma cadeira de rodas, Cunningham tinha feito, no início do mês de Junho – já depois de ter celebrado o seu 90º aniversário, a 16 de Abril –, o anúncio do programa que decidira preparar para a sua companhia no West Village de Nova Iorque, para quando ele não a pudesse dirigir pessoalmente, ao então para depois da sua morte: realizar uma última digressão mundial de dois anos e, depois, extinguir-se.
“Tenho tido sempre na minha cabeça o movimento físico do ser humano”, disse o coreógrafo no momento do anúncio dessa tournée, a que deu o título Herança Viva.
“A carreira de Merce caracteriza-se pelo seu desejo constante de ultrapassar fronteiras e de explorar novas ideias”, disse também nessa altura Trevor Carlson, director executivo da Fundação que tem o nome do coreógrafo que chegou a ser designado o “Nijinski americano”.
Notícia actualizada às 16h00

Publicado por Violeta Teixeira em 29/07 às 12:33 AM
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HERBERT MARCUSE

Herbert Marcuse, em seu livro Eros e Civilização quer desmembrar os passos que se sucedem gradativamente acerca da civilização humana, desde o logos
e o Eros gregos até os termos mais modernos da psicanálise, a fim de demonstrar as conseqüências desta genealogia bissocial. O autor não refaz apenas os
passos freudianos, mas explica sob um novo aspecto a humanidade e os princípios de prazer e realidade que parecem ligar intrinsecamente a barbárie ao homem.
Marcuse ao retraçar a história metafísica, indica cada momento como frágil e precário, sempre em crise entre as exigências do Universal e do Particular,
da Razão e da Paixão, do Logos e do Eros, do Ser e do Desejo .
Ademais, o mecanismo individual humano da psiquê e a estrutura deste aparelho psíquico são definidos como resultado de um longo processo inegavelmente biológico e social,
onde a primeira se versa sobre os princípios de prazer e Nirvana, e a segunda sobre o princípio de realidade. Contudo, o princípio de realidade obscurece o
princípio de prazer, não apenas hoje quando os homens se submetem às horas diárias de uma tortura trabalhista, mas desde os primórdios se pode observar
tal evento implicando no aparecimento da civilização. Esta inibição do Nirvana cresce conforme o progresso, como se a civilização incutisse em cada
membro constituinte de seu todo que há uma esperança vindoura, seja na forma de finais de semana, ou folgas, ou gratificações, essas satisfações substitutivas,
tal como as oferecidas pela arte, são ilusões, em contraste com a realidade; nem por isso, contudo, se revelam menos eficazes psiquicamente, graças ao papel
que a fantasia assumiu na vida mental, não com o intuito de uma destruição da massa, mas sugerindo que o progresso permanece ligado a uma tendência
regressiva na estrutura instintiva.
Marcuse faz uma retomada histórico-filosófica deste ‘destino’ humano que, aliás, é trilhado continuamente, desde o conceito metafísico defendido por Platão, Aristóteles e
Hegel, até Freud, Nietzsche e Marx, que ultrapassaram esta linha metafísica mediante uma ótica filosófica, mostrando um processo constitutivo da
civilização como uma perfeição de um processo repressivo e destrutivo.
O autor sugere “certos pontos nodais no desenvolvimento da Filosofia ocidental” revelando os limites históricos de seu sistema da razão, e a incessante tentativa de ultrapassá-lo.
Neste contexto se observa a luta antagônica entre o progresso e o eterno retorno. A razão é tal qual um instrumento repressor da civilização, e que está na base para
regulamentar toda e qualquer tentativa humana de felicidade prazerosa. A hostilidade entre a razão e a supressão é tamanha que se referir ao prazer é estar contra a tudo
o que seja racional, ainda mais quando a linguagem permanece com este caráter semântico de profanação, a difamação do princípio de prazer provou seu irresistível poder,
acusar-lhe era mais desejoso do que entender-lhe. Desta forma, Marcuse revela em seu livro não apenas a razão como um instrumento propriamente humano desde os primórdios,
mas que além de capacitar a sociedade a progredir lhe aprisiona e cerceia qualquer tentativa de prazer.

Autor : Rodrigo Pedro Casteleira

Herbert Marcuse (Berlim, 19 de Julho de 1898 — Starnberg, 29 de Julho de 1979) foi um influente sociólogo e filósofo alemão naturalizado norte-americano, pertencente à Escola de Frankfurt.
Biografia filosófica
Os anos de formação
Herbert Marcuse nasceu em Berlim numa família de judeus assimilados. Foi membro do Partido Social-Democrata Alemão entre 1917 e 1918, tendo participado de um Conselho de Soldados durante a revolução berlinense de 1919, na seqüência da qual deixou o partido. Estudou filosofia primeiro em Berlim e depois em Freiburg, onde estudou literatura alemã contemporânea e complementarmente filosofia e economia política. Em 1922 defendeu sua tese O Romance de Arte alemão. Tese esta claramente inspirada na obra do Lukács pré-marxista e na de Hegel. Casou-se em 1924 com Sophie Wertheim e descobriu Ser e Tempode Heidegger. Depois disso, em 1928 voltou a Freiburg para estudar com Heidegger que acabara de suceder a cadeira de Husserl, tendo se tornado seu assistente de cátedra. Em 1933, já no seu exílio ocasionado pela ascensão nazista, escreve seu último trabalho na Alemanha sobre a Filosofia do Fracasso de Karl Jaspers. Mas Marcuse era um crítico de Heidegger desde o início de seu contato com ele, pois considerava que a analítica do ‘Dasein’ deixava constantemente de enfrentar suas próprias conseqüências práticas. Assim Marcuse parte para o estudo de filósofos que poderiam fornecer uma maior concretude aos conteúdos e conceitos filosóficos, como Dilthey e Hegel.
O contato com o jovem Marx
Todos os filósofos que participaram até então da formação de Marcuse tiveram sua importância grandemente diminuídas quando são editadas as obras da juventude de Karl Marx em 1932. Marcuse foi um dos primeiros a interpretar críticamente os Manuscritos Economico-filosóficos de Marx e “pensava encontrar neles um fundamento filosófico da economia política no sentido de uma teoria da revolução” (Wiggershaus 2003:134). Para ele, não era mais necessário recorrer a Heidegger para fundamentar filosoficamente o marxismo, já que viu no próprio Marx a possibilidade desta fundamentação.
O contato com a Escola de Frankfurt
Em 1933, por intermédio da intervenção de Leo Lowenthal e de Kurt Riezler, Herbert Marcuse foi admitido no Instituto de Pesquisas Sociais que seria mais tarde associado à Escola de Frankfurt, que neste momento estava exilado em Genebra. Ele tentara, sem sucesso, desde 1931 entrar em uma relação mais estreita com o Instituto. Em 1934, junto com Theodor Adorno e Max Horkheimer mantém suas atividades nos EUA. Em 1950 os colaboradores do Instituto retornam à Alemanha, Marcuse decide permanecer nos EUA onde pensa, escreve e leciona até sua morte em 1979.
Suas idéias
Marcuse se preocupava com o desenvolvimento descontrolado da tecnologia, o racionalismo dominante nas sociedades modernas, os movimentos repressivos das liberdades individuais, o aniquilamento da Razão . Para os membros do grupo de Frankfurt, o proletariado se perdeu ao permitir o surgimento de sistemas totalitário como o nazismo e o stalinismo por um lado, e a “indústria cultural” dos países capitalistas pelo outro lado. Quem substitui os proletários? Aqueles cuja ascensão a sociedade moderna de modo algum permite, os miseráveis que o bem-estar geral não conseguiu incorporar, as minorias raciais, os outsiders.
Marcuse retoma de Hegel duas noções capitais, a idéia de “Razão” e a idéia de “Negatividade”. A Razão é a faculdade humana que se manifesta no uso completo feito pelo homem de suas possibilidades. Não se pode compreender a “possibilidade” longe do conceito de “necessidade”. O que necessitamos? A necessidade nos dirige a certos objetos cuja falta sentimos. A possibilidade mede o raio de nosso alcance face a tais objetos. Se quero um apartamento mas não tenho dinheiro para comprá-lo, o objeto de minha necessidade é o apartamento, e a medida de minha possibilidade é o dinheiro que me falta. É muito fácil compreender como a falta de dinheiro representa um bloqueio falso, fictício, á satisfação de meu desejo. Na realidade posso ter o apartamento, mas certas convenções sociais, que respeito de modo mais ou menos acrítico, me impedem de possuí-lo. Ao mesmo tempo, se me interrogo a respeito da minha necessidade face ao apartamento, essa também se dissolve. O apartamento é um símbolo de status social, ou resultado de certas convenções visando ao gosto que seriam, em outras condições, muito discutíveis, e que nem sempre me possibilitam morar satisfatoriamente. A minha necessidade se revela, portanto, como uma falsa necessidade, assim como o bloqueio pela falta de dinheiro das minhas possibilidades era um bloqueio falso. Onde se encontram, então, minhas necessidades e minhas possibilidades? Como compreenderemos o que e Razão? Marcuse muito se preocupa com este problema ao longo de toda a sua obra, sempre polêmica.
No livro Ideologia da Sociedade Industrial, Marcuse repete a crítica ao racionalismo (irracional, pois não fundado na verdadeira Razão) da sociedade moderna, e tenta ao mesmo tempo esboçar o caminho que poderá nos afastar dele. O caminho será, por um aspecto, a contestação da sociedade pelos marginais que a sociedade desprezou ou não conseguiu beneficiar. Será por outro aspecto o desenvolvimento extremo da tecnologia, que deverá ter, segundo Marx e Marcuse, efeitos revolucionários. Quais são estes efeitos? O problema da sociedade moderna é a invasão da mentalidade mercantilista e quantificadora a todos os domínios do pensamento. Essa mentalidade se representa economicamente pelo valor de troca, ligado de modo íntimo aos processos de alienação do homem. E, segundo Marx, com o desenvolvimento extremo da tecnologia “a forma de produção assente no valor de troca sucumbirá”. A sociedade moderna, sentindo, que sua base a tecnologia - contém seu rompimento, age repressivamente para evitar este avanço extremo. Marcuse tinha esperança de que não.

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Publicado por Violeta Teixeira em 29/07 às 12:03 AM
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Terça-feira, 28 Julho, 2009

TEMPO

«A pressa, o nervosismo, a instabilidade, observados desde o surgimento das grandes cidades, alastram-se nos dias de hoje de uma forma tão epidémica quanto outrora a peste e a cólera. Nesse processo manifestam-se forças das quais os passantes apressados do século XIX não eram capazes de fazer a menor ideia. Todas as pessoas têm necessariamente algum projecto. O tempo de lazer exige que se o esgote. Ele é planeado, utilizado para que se empreenda alguma coisa, preenchido com vistas a toda espécie de espectáculo, ou ainda apenas com locomoções tão rápidas quanto possível. A sombra de tudo isso cai sobre o trabalho intelectual. Este é realizado com má consciência, como se tivesse sido roubado a alguma ocupação urgente, ainda que meramente imaginária. A fim de se justificar perante si mesmo, ele dá-se ares de uma agitação febril, de um grande afã, de uma empresa que opera a todo vapor devido à urgência do tempo e para a qual toda a reflexão — isto é, ele mesmo — é um estorvo. Com frequência tudo se passa como se os intelectuais reservassem para a sua própria produção precisamente apenas aquelas horas que sobram das suas obrigações, saídas, compromissos, e divertimentos inevitáveis.»

Theodore Adorno, in “Minima Moralia”

Theodor Adorno
1903, Frankfurt, Alemanha
1969, Visp, Suíça
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Theordor Adorno foi um dos expoentes da Escola de Frankfurt
“Nenhuma correção é demasiado pequena ou insignificante para que não se deva realizá-la”, afirma Adorno sobre o ato de escrever em “Atrás do espelho” (fragmento de número 51).
De origem judaica, Theodor Wiesengrund Adorno foi um dos expoentes da chamada Escola de Frankfurt, que contribuiu para o renascimento intelectual da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. Estudou filosofia, sociologia, psicologia e música na Universidade de Frankfurt e, aos 22 anos, foi para Viena, Áustria, onde aprendeu a arte da composição com Alban Berg.

De volta à Alemanha, trabalhou no Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt, então dirigido por Max Horkheimer, onde passou a elaborar a teoria de como o desenvolvimento estético é importante para a evolução histórica. Em 1934 foi obrigado a imigrar para a Inglaterra para fugir da perseguição nazista aos judeus e durante três anos ensinou filosofia em Oxford.
Mudou-se para os Estados Unidos e, entre 1938 e 1941, ocupou o cargo de diretor musical do setor de pesquisa da Rádio Princeton e, depois, o de vice-diretor do Projeto de Pesquisas sobre Discriminação Social da Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Em 1953 retornou ao seu país natal, onde reassumiu seu posto no Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt. Escreveu, entre outros, Filosofia da Música Moderna (1949) e Filosofia Estética (publicado postumamente, em 1970).
Seus textos têm o poder do esclarecimento, de tornar compreensível a realidade, e permanecem atemporais. Theodor W. Adorno alcançou em seus escritos a rara qualidade de conceder à razão uma força crítica, procurando mostrar diferentes aspectos do real para conduzir o leitor a um novo patamar de análise e, portanto, de consciência.
De acordo com o filósofo, não há nada melhor no exercício da escrita do que manter, a cada idéia, a cada vocábulo, uma “insistência desconfiada”. A atenção de quem escreve deveria voltar-se aos objetivos que pretende alcançar e, simultaneamente, à sua própria maneira de ver o real, tendo a humildade de reconhecer que “não é fácil distinguir sem maiores considerações entre a vontade de escrever de maneira densa e adequada à profundidade do objeto, a tentação de ser incomum e o desmazelo pretensioso”. Para Adorno, a “força” e a “plenitude” da técnica de escrever “beneficiam-se precisamente dos pensamentos reprimidos”.

«Todo esse esforço não tem por finalidade apenas construir algo agradável, mas um conjunto de idéias relevantes e profundas: “(...) Quem não quer fazer concessão alguma à estupidez do senso comum, tem que se precaver para não enfeitar estilisticamente pensamentos em si mesmo banais.”
Recomenda que o escritor deve ser tímido e deve aventurar-se, buscar a originalidade de seus pensamentos e da forma de expressá-los. Em um mundo degradado pelo poder econômico, no qual as ideologias exercem uma força sobre os homens e “a mentira soa como verdade e a verdade como mentira” (fragmento 71), o escritor não deve temer a constatação de que ele é um sobrevivente encurralado por forças que mercantilizam a cultura e todas as relações sociais.
Pelo fato de a inocência ter sido banida de todas as relações é que o bom texto deve preservar as qualidades de um mundo marcado pela lucidez e pela beleza. O gesto de escrever, de olharmos nossa própria imagem refletida nas palavras, não deve admitir qualquer concessão à facilidade, mesmo correndo o risco de nos tornarmos incompreendidos.
Para Adorno “o talento talvez nada mais seja do que a fúria sublimada de um modo feliz” (fragmento 72).»

educacao.uol.com.br/.../ult1789u266.jhtm

Publicado por Violeta Teixeira em 28/07 às 01:33 AM
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L’ARBRE VERT

Produtos Ecológicos

Projecto EcoCasa estabelece parceria com as insígnias L`Arbre Vert e WcPato ecológicoA Quercus e a F.Lima, empresa portuguesa que comercializa as marcas WcPato Ecológico e a insígnia de produtos ecológicos L’Arbre Vert, acordaram promover uma parceria no âmbito do projecto Ecocasa. Esta linha de produtos ecológicos é a única, a nível nacional, que se encontra certificada com o Rótulo Ecológico Europeu, a iniciativa da União Europeia que pretende distinguir os produtos que satisfazem um conjunto de requisitos específicos sobre padrões de desempenho e qualidade ambiental.
Os produtos ecológicos L’Arbre Vert destinam-se aos segmentos roupa, loiça e de limpeza e apresentam ingredientes biodegradáveis, eco-recargas e fórmulas concentradas em embalagens 100% recicláveis, podendo assim ajudar a reduzir os impactos negativos no ambiente.
Segundo a coordenadora do projecto Ecocasa, Ana Rita Antunes, “o projecto Ecocasa é já uma iniciativa com grande expressão na área da educação e formação ambiental pelo que, através desta colaboração com a F. Lima, a Quercus pretende, antes de mais, aumentar a dinamização das suas iniciativas em torno da sensibilização dos cidadãos para uma melhor gestão do consumo de água e de energia no sector doméstico. Conhecer os problemas, ponderar alternativas e ajustar hábitos no quotidiano é o caminho certo para uma utilização mais racional dos recursos.”
In Boletim de QUERCUS

Publicado por Violeta Teixeira em 28/07 às 12:42 AM
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FALTA-ME

Registo fotográfico da autoria de António Martins, Olhares.com

Faltam-me seiva e Sol, e raízes,
De pertença a algum lugar; faltam-me
O lume de um olhar, brasas acesas,
Por dedos amantes, uma lanterna
Que me ilumine a solidão, um abraço
De imensas perdas e ausências, um bálsamo,
Que me sare feridas, que nunca cessam
De brotar sangue; faltam-me pássaros,
Libélulas, beija-flores, pombos na praça
Pública da escrita; falta-me o mundo,
Entrando na porta de todas as esperas,
Sempre levadas pelo vento da inverdade;
Falta-me, urgentemente, um gato de escritor,
Passeando-se, com ternura, no rosto dos livros,
E me lambendo as pernas desnudas de afecto.
Falta-me, em suma, o amor. Não me peçam,
Por tudo quanto acabo de dizer, cantos de alegria!
Não me digam que só navego no barco da tristeza,
Embora seja verdade. Embora seja filha do mar
E das tempestades. Digo, apenas, o que me vem,
Sem qualquer apelo, dos infernos das trevas.
E silencio, neste agreste agora, o poema da mulher
Nunca amada: segredo este, conservado, no leito
Do frio, e, sem o querer, revelado.

Violeta Teixeira, inédito

Nota: dedicado a uma «olheira», a qual me pediu poemas, sem tristeza.
Jamais pensei que publicaria este poema, mas…

Publicado por Violeta Teixeira em 28/07 às 12:04 AM
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Segunda-feira, 27 Julho, 2009

VAZIO ESTÉICO

Trabalho fotográfico de MARIAH, Olhares.com.

Desmoronou-se-me,
De súbito, a morada.

Soterradas as palavras,
Sou, no agora,
Uma sem-abrigo.

Sem êxito, pelas ruas
Enlameadas de mágoas,
Mendigo uma migalha
De afecto. Uma gota
De néctar poético.

Pleno, o vazio estético.

Violeta Teixeira, inédito (VASO DE VAZIOS)

Publicado por Violeta Teixeira em 27/07 às 04:10 AM
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POETA

Registo fotográfico de Danilo Rolim

«É possível que só as árvores tenham raízes, mas o poeta sempre se alimentou de utopias. Deixe-me pois pensar que o homem ainda tem possibilidades de se tornar humano.»

Andrade, Eugénio, in “Rosto Precário”

Publicado por Violeta Teixeira em 27/07 às 04:01 AM
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POETA

Desconheço a autoria.

Sim, o que é o próprio homem senão um cego insecto inane a zumbir (?) contra uma janela fechada; instintivamente sente para além do vidro uma grande luz e calor. Mas é cego e não pode vê-la; nem pode ver que algo se interpõe entre ele e a luz. De modo que preguiçosamente (?) se esforça por se aproximar dela. Pode afastar-se da luz, mas não pode ir além do vidro. Como o ajudará a Ciência? Pode descobrir a aspereza e nodosidade próprias do vidro, pode chegar a conhecer que aqui é mais espesso, ali mais fino, aqui mais grosseiro, ali mais delicado: com tudo isto, amável filósofo, quão mais perto está da luz? Quão mais perto alcança ver? E contudo, acredito que o homem de génio, o poeta, de algum modo consegue atravessar o vidro para a luz do outro lado; sente calor e alegria por estar tão mais além de todos os homens (?), mus mesmo assim não continuará ele cego? Está ele um pouco mais perto de conhecer a Verdade eterna?

Fernando Pessoa, in ‘Ideias Estéticas - Da Literatura’

Publicado por Violeta Teixeira em 27/07 às 03:51 AM
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Domingo, 26 Julho, 2009

DESFIBRO, COM PURO SADISMO

Registo fotográfico de Edujazzz, Olhares.com.

Desfibro, com puro sadismo,
Os nervos do crime.

São segundos lúcidos.
Velozes.

Toco no corpo degolado.
Os dedos, coágulos
De sangue.
O rosto, um destroço
Desamado.

Gozo o instante. Sublime
E justo, o gesto!

Descodifique-se
O que vos não digo
Neste escrito!

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 26/07 às 03:16 AM
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CRIATIVIDADE

Trabalho fotográfico de Maria José Amorim, Olhares.com

«Os povos primitivos não conheciam a necessidade de dividir o tempo em filigranas. Para os antigos não existiam minutos ou segundos. Artistas como Stevenson ou Gauguin fugiram da Europa e aportaram em ilhas onde não havia relógios. Nem o carteiro nem o telefone apoquentavam Platão. Virgílio nunca precisou de correr para apanhar um comboio. Descartes perdeu-se em pensamentos nos canais de Amsterdão. Hoje, porém, os nossos movimentos são regidos por frações exactas de tempo. Até mesmo a vigésima parte de um segundo começa a não mais ser irrelevante em certas áreas técnicas.»

Paul Valéry, in ‘A Busca da Inteligência’

Publicado por Violeta Teixeira em 26/07 às 03:08 AM
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«O ESTUDO DO BELO»

Registo fotográfico da autoria de Paulo. A, Olhares.com

«O estudo do belo é um combate em que o artista grita de pavor antes de ser vencido.»

Autor: Charles Baudelaire

Publicado por Violeta Teixeira em 26/07 às 03:00 AM
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Quinta-feira, 23 Julho, 2009

NADA DESABROCHOU…

Trabalho fotográfico da autoria de António Costa, Olhares.com

Nada desabrochou dos meus dedos,
Sentada, na cafetaria que vedes,
Tendo caneta, e guardanapo verde,
Impacientes de uma palavra acesa.
Chovia! Atenta à música das pedras
E às pérolas cristalinas de três tílias,
A escrita fez-se cinza. Não se diga
Que alguma musa emudecida,
Pelo musicar da chuva, me fez falta,
Porque descreio de inspiração
Ou de musas, para a saga da escrita.
Em suma, direi, para concluir
O nada grafado, dado que nenhum
Incêndio se ateou, que a minha escrita,
Nasce, sem mim, num quando súbito.
Enfim, pertence a um fenómeno estranho,
Para mim - mesma, a um automatismo
Febril ébrio, alucinado, incontido.
Sim! Não se me fale de inspiração
Ou de musas! Nem mesmo em coração,
Que não uso. Viajo, mas nada sinto.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 23/07 às 03:08 AM
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Quarta-feira, 22 Julho, 2009

REALIDADE

A verdade acerca do mundo, disse ele, é que tudo é possível. Não fosse o caso de vocês se terem habituado desde a nascença a ver tudo aquilo que vos rodeia, esvaziando assim as coisas da sua estranheza, e a realidade surgiria aos vossos olhos tal como é, um truque de magia num número de ilusionismo, um sonho febril, um transe povoado de quimeras sem analogia nem precedente imaginável, um carnaval itinerante, um espectáculo de feira migratório cujo derradeiro destino, depois de montar a tenda tantas e tantas vezes em tantos baldios enlameados, é tão indescritível e calamitoso que o espírito humano não consegue sequer concebê-lo.
O universo não é uma coisa limitada e a ordem que o rege não tem peias que, tolhendo-lhe os desígnios, a forcem a repetir noutro lugar qualquer o que já existe num dado lugar. Mesmo neste mundo, existem mais coisas que escapam ao nosso conhecimento do que aquelas que conhecemos e a ordem que os nossos olhos vêem na criação é a ordem que nós lá pusemos, qual fio num labirinto, para não nos perdermos. É que a existência tem a sua própria ordem e essa nenhum espírito humano consegue abarcar, sendo esse espírito apenas mais um facto entre tantos outros.

Cormac McCarthy, in ‘Meridiano de Sangue’
Cormac McCarthy

Cormac McCarthy (Rhode Island, 20 de julho de 1933) é um escritor norte-americano.
Na juventude serviu à Força Aérea dos Estados Unidos durante quatro anos, e estudou Artes na Universidade do Tennessee. É vencedor do National Book Award, do National Book Critics Circle Award e do Pulitzer2007.
Em 40 anos de carreira literária, produziu nove romances, entre eles Todos os Belos Cavalos, A Travessia e Cidade das Planícies, que o autor batizou de Trilogia da Fronteira. Onde os Velhos Não Têm Vez, lançado nos Estados Unidos em 2005, foi adaptado para o cinema pelos irmãos Joel e Ethan Coen, em seu filme No Country for Old Men, lançado em 2007 e vencedor do prêmio Oscar de melhor filme, em 2008. Avesso a entrevistas, Cormac McCarthy gosta de manter sua privacidade.
O escritor tem sido comparado nos últimos anos a outros grandes nomes do romance contemporâneo norte-americano, como Don Delillo, Philip Roth ou Thomas Pynchon.
No Brasil, McCarthy é publicado pela Editora Objetiva, que já lançou os títulos Onde os Velhos Não Tem Vez (2006) e A Estrada (2007).
Bibliografia
(em inglês)
 The Orchard Keeper (1965) Pre-ISBN assignment
 Outer Dark (1968) Pre-ISBN assignment
 Child of God (1974) ISBN 0-394-48771-0
 Suttree (1979) ISBN 0-374-48213-1
 Blood Meridian, or the Evening Redness in the West (1985) ISBN 0-394-40027-5
 All the Pretty Horses (1992) ISBN 0-379-74439-4
 The Crossing (1994) ISBN 0-394-57475-3
 Cities of the Plain (1998) ISBN 0-649-42390-7
 No Country for Old Men (2005) ISBN 0-375-40677-8
 The Road (2006) ISBN 978-0-367-26543-2
 Sunset Limited (peça teatral)
 The Stonemason (peça teatral) (1995)
 The Gardener’s Son (roteiro) (1976) ISBN 0-88001-481-4

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por Violeta Teixeira em 22/07 às 01:25 AM
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