Domingo, 31 Maio, 2009

A HISTÓRIA DA HUMANIDADE

«Felipe lembrou-se da história do Rei do Oriente que, desejando conhecer a história da humanidade, recebeu de um sábio quinhentos volumes; ocupado com negócios de Estado, pediu-lhe que a condensasse. Ao cabo de vinte anos, o sábio voltou e a sua história ocupava agora apenas cinquenta volumes; mas o rei, já velho demais para ler tantos livros volumosos, pediu-lhe que a fosse abreviar mais uma vez. Passaram-se de novo vinte anos, e o sábio, velho e encanecido, trouxe um único volume com os conhecimentos que o rei procurara; este, porém, estava deitado no seu leito de morte, nem tinha mais tempo de ler sequer aquilo. Aí o sábio deu-lhe a história da humanidade numa única linha: “Nasceram, sofreram, morreram”.

Somerset Maugham, in “A Servidão Humana”

«Escritor e dramaturgo inglês, de nome completo William Somerset Maugham, nascido em 1874, em Paris, na França, filho de pais ingleses, e falecido em 1965, em Inglaterra.
O pai trabalhava na embaixada inglesa em Paris e até aos dez anos William Somerset Maugham viveu em França, tendo o francês como primeira língua. Aos dez anos ficou órfão e foi enviado para Inglaterra para viver com um tio.
Estudou Medicina em Londres e tornou-se médico aos 23 anos, embora tenha abandonado esta actividade quando começou a fazer sucesso como escritor.
No mesmo ano em que se licenciou, lançou também o seu primeiro romance, Liza of Lambeth, sobre mulheres grávidas. A Man of Honour, em 1903, foi a sua primeira peça de teatro a chegar aos palcos.
Em 1907, obteve o primeiro sucesso como autor de peças de teatro com Lady Frederick e, logo no ano seguinte, quatro das suas peças estiveram em cena simultaneamente na zona do West End, em Londres. Nessa década e na seguinte escreveu mais algumas peças, algumas delas comédias, que se tornaram bastante populares, permitindo ao autor viver da escrita.
Em 1915, editou o romance Of Human Bondage, um dos poucos que ao longo da sua carreira conseguiu convencer os críticos, tal como viria a acontecer, em 1944, com The Razor’s Edge (O Fio da Navalha).
Somerset Maugham lançou, em 1919, o romance The Moon and Sixpence, onde conta a história do pintor Paul Gauguin, que fez bastante sucesso junto do público, embora não tivesse convencido a crítica literária da época. O mesmo se passou em 1930 comCakes and Ale. Entretanto, em 1921, havia lançado o livro de contos Treambling of a Leaf, onde constava Rain, que viria a ser uma das suas histórias mais apreciadas. Aliás, William Somerset Maugham viria a destacar-se também como contista.
Na autobiografia que lançou em 1938, The Summing Up, referiu que a crítica o via sempre como um escritor de segundo plano. Mais tarde, referiu que só pretendia contar histórias de uma forma simples e acessível e lamentou que isso não fosse considerado positivo pelos meios intelectuais.
Somerset Maugham trabalhou também como espião para os serviços secretos britânicos quando, em 1917, disfarçado de jornalista, acompanhou a Revolução Russa. Contudo, devido à sua saúde débil, depressa regressou a Inglaterra. Desta experiência resultou o romance de espionagem Ashenden; Or The British Agent.»

INFOPÉDIA

Principais obras
«Considera-se que Servidão Humana, obra magna de Maugham, venha a ser uma novela autobiográfica, pois seu protagonista, Philip Carey, é órfão e criado por um tio impiedoso, como no caso do autor. A deformação dos pés de Philip provoca-lhe tormentos e vergonha, que evocam os problemas de Maugham com sua disfemia. As últimas novelas de êxito também foram baseadas em personagens reais: The Moon and Sixpence narra a vida do pintor Paul Gauguin e Cakes and Ale contém sutis caracterizações dos escritores Thomas Hardy e Hugh Walpole. Outra obra francamente inspirada em um personagem real é The Magician (O Mago), na qual o personagem Oliver Haddo é uma caracterização segundo algumas interpretações do místico e satanista Aleister Crowley que usava um acrônimo Maskmelin[1],codename 777(inspirado no antigo Abramelin,o Mago,de sua obra cabalista que foi editada e introduzida pelo Dr. Israel Regardie) um controvertido mágico e agente duplo, infiltrado pela oculta organização “The Seven Circle” nos serviços secretos de alguns paises da Europa .
Uma das obras mais importantes de Maugham, The Razor’s Edge (No Fio da Navalha), publicada em 1944, foi um caso atípico de sua produção. A maior parte da história se desenvolve na Europa, seus principais personagens são norte-americanos e não britânicos. O protagonista é um decepcionado veterano da primeira guerra mundial que abandona seus amigos ricos e seu estilo de vida e viaja para a Índia em busca da iluminação. Os temas do misticismo oriental e o asco provocado pela guerra chocaram os leitores num momento em que a segunda guerra mundial terminava. Logo após o aparecimento do livro, uma adaptação cinematográfica dele foi realizada.
Dentre as suas narrações curtas, destacam-se aquelas sobre a vida dos colonos, muitos deles britânicos, e o preço que se paga pelo isolamento. Alguns dos mais destacados contos de Maugham são Rain,Footprints in the Jungle e Outstaions. Rain (Chuva), em especial, narra a desintegração moral de um missionário que tinha a intenção de converter Sadie Thompson, uma prostituta de uma ilha do Pacífico. O conto adquiriu uma grande fama e foi adaptado para o cinema. Maugham disse que muitos de seus contos eram baseados em histórias reais que viu durante suas viagens aos confins do Império Britânico. Deixou para trás uma grande coleção de anfitriões enojados e um escritor “anti-Maugham” contemporâneo escreveu uma memória de suas viagens intitulada Gin and Bitters.
Maugham foi um dos “escritores de viagem” que mais se destacaram nos anos de entreguerras e pode equipar-se com contemporâneos como Evelyn Waugh e Freya Stark. Entre suas melhores obras desse estilo vale destacar The Gentleman in the Parlour, sobre uma viagem através da Birmânia, Tailândia, Camboja e Vietnã, e On a Chinese Screen, uma séria de breves notas que podem ser considerados, inclusive, esboços de contos jamais desenvolvidos.
Influenciado pelos diários que publicou o escritor francês Jules Renard, Maugham publicou em 1949 uma seleção de seus próprios diários, com o título A Writer’s Notebook. Os textos selecionados são, por natureza, episódicos e de qualidade variável, cobrindo mais de 50 anos de vida do escritor, e contendo muito material interessante para pesquisadores e admiradores da obra maughaniana.»

WIKIPÉDIA

Publicado por Violeta Teixeira em 31/05 às 02:50 PM
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O ACASO

«O acaso encontra sempre quem saiba aproveitar-se dele.»

Rolland , Romain , in “Jean-Cristophe”

Publicado por Violeta Teixeira em 31/05 às 02:31 PM
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NÃO! NÃO DIGO MAIS NADA|!

Não! Não digo mais nada!
Já disse tudo. Já me desnudei até
Aos ossos da alma, que tanto
Me doem, que parecem quebrados.
Que sejam falsas as verdades que
Desaguei no veludo do divã, nada
Importa. Tudo fica nos fundos, nos
Longes ocultos, inacessíveis. Basta!
Basta! Tenho as emoções que não tenho,
Onde quer que estejam. Não insistam!
Já disse! Não rastejo mais nesses
Túneis medonhos! Não me dessequem
Os sonhos! Basta! Estou cansada!
Cansada de tudo! De nada!

Adormeçam sobre a poltrona
Cómoda e convicta do vosso Ego pseudo
Cientifico! Eu fico à porta do desconhecido.
Fico sentada. Só. Nas escada da minha
Bisavó, contando os degraus, os vasos
De plantas, os cachos de insectos, e, se
Faz noite escura, interrogando os astros.

Como os recordo, meus deuses de fogo!
No tempo em que era bisneta, e os deuses
Já estavam mortos, embora me fascinassem
Essas rútilas metáforas. No agora, tenho os olhos
Cegos, ou, nos céus, cegos são os astros.

Faço silêncio. A sessão, não tarda, termina, mas
Como me ferem as lentes do velho Freud!
Como me apetece estilhaçá-las! Desço, dois
A dois, descalça, os degraus da escada da minha
Bisavó, e vou, correndo, apanhar figos roxos, ameixas
Rainha-cláudia, mangas ainda verdes, uvas malvasia.

Não! Não haverá próxima vez! Basta! Merde!
Grito-me para dentro. A Terra continuará a girar,
Sem que lhe interesse o porquê, e só acaba para
Quem se desiste. Nada se dará conta de nada. E o divã,
Que eu saiba, não se afeiçoa ao corpo de ninguém.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 31/05 às 02:15 PM
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Quinta-feira, 28 Maio, 2009

SEM TÍTULO

Registo fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora, Olhares.com

Frémito imprevisível nos pulsos espicaçados,
Picotados pelo meu absoluto mecanicismo céptico;
Itenerância híbrida dos nervos e da linfa do corpo dos dias;
Fundura conturbada dos poros das palavras, desaguando
Sumos ácidos nos estuários ou nos deltas, de múltiplos
Braços, dos poemas e das narrativas, na loucura das
Personagens, inelutavelmente, mortas nas margens
Ou na fundura fecunda das águas da esquizofrenia,
Personagens, cujas raízes imortais mergulham no lodo,
E, obviamente, ressuscitam à superfície, feitas luas- d’água.
De uma alvura resplandecente e triste; heresias semânticas
E morfossintácticas no leito da gramática do texto,
E bactérias letais nas veias ígneas das esculturas de pedras
Magmáticas, que ilustram cenários pálidos de pânico,
Em encostas devoradas por ocasos oclusos, ou por poentes,
Com bocas de monstros míticos, e garras afiadíssimas de linces;
Continentes de álcool e de ópio, cobertos de bosques marinhos,
Com cardumes de escamas argênteas, florindo em galhos roxos,
Parindo frutos putrefactos, framboesas, amoras e medronhos,
Num solo profícuo, de seixos pretos, enchendo, com púrpura
Volúpia, lagoas de sangue de ofídios partenogenésicos.

Saga de uma narradora neurótica, debitando uma escrita
Compulsiva, dorida e lúcida, como a lâmina rutila de sabres éticos,
Com a cumplicidade da frieza árctica de um disco rígido.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 28/05 às 01:01 AM
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Quarta-feira, 27 Maio, 2009

NESTA CIDADE

Registo fotográfico de Violeta Teixeira/PANDORA, Olhares.com

Nesta cidade, sobrevive-se ou morre-se
Em supostas avenidas, sem árvores, sem aves,
Nos becos grafitados de «gros mots»,
Muitos, sem saída, salvo para silvados;
Nas esquinas escamadas, com as entranhas
À vista, despudoradas; em ruelas
Ornamentadas de casas, janelas, portas,
Paredes degradadas, em vias de ruína,
Cortinas de renda agitadas pela brisa,
Fora de vidraças quebradas, ou mesmo
Sem vidraças. As aranhas tecem belas teias,
Vestem orifícios, tijolos, pregos, aldravas.
Nas calçadas rotas, com pedras enceradas
Por tantas gerações passadas, o perigo
De quedas ergue-se, vingativo, logo
Que um sapato incauto pisa a lasca
De uma pedra velha e feia, oculta, parece-me,
Por musgos ou ervas verdes, ou alguma flor
Desabrochada por engano, com certeza,
Na quase ausência de terra, como algumas
Se debruçam nos telhados estilhaçados.
Vivem, passam, passeiam-se os cegos,
Com olhos abertos, mas ausentes,
Habituados, conformados, o que não entende
Quem cultiva a beleza e pega na objectiva,
Vendo o que ninguém vê. Em seguida,
Pinta, com cores-outras, todas as ruínas.
Sou uma dessas loucas lúcidas, poeta, pintora,
Fotógrafa compulsiva. Exibe a cidade,
Onde sobrevive e, morre, mas ressuscita,
Para satisfazer, sádica, a exímia objectiva.
Ou, para a prática exaustiva da denúncia?

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 27/05 às 12:49 AM
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Segunda-feira, 25 Maio, 2009

PALAVRA

«Diz-me se essa palavra aí não está singularmente vestida e poderás ver todas as minhas nuas antes das coisas que medito as terem coberto com uma libré. É uma vergonha que a maior parte das nossas palavras sejam instrumentos de que se fez, outrora, mau uso e que, muitas vezes, conservem o cheiro da imundície em que as emporcalharam os anteriores proprietários. Quero trabalhar com palavras novas ou então - tenho necessidade para isso de menor ar do que uma ave exala nos seus cantos - nunca mais falar, a não ser de mim para mim, por toda a eternidade.»

Georg Lichtenberg, in ‘Aforismos’

«Georg Christoph Lichtenberg (1 de julho de 1742, em Ober-Ramstadt, Alemanha - 24 de fevereiro de 1799, em Göttingen, Alemanha), filósofo e escritor alemão.»

Publicado por Violeta Teixeira em 25/05 às 01:33 AM
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ABANDONO

«Se os outros me abandonam é porque devo estar a aproximar-me do essencial.»

Brito, Casimiro, in “Arte da Respiração”

Casimiro de Brito (Loulé - Algarve, 1938) é um poeta, ensaísta e ficcionista português.
Viveu a sua infância na região algarvia e frequentou a Escola Comercial de Faro. Em 1956 criou no jornal A Voz de Loulé uma página literária designada Prisma de Cristal, que se publicou até 1959, durante 26 números. Nela colaboraram, entre outros, Ramos Rosa, Gastão Cruz e Maria Rosa Colaço. De 1958 a 1964 dirigiu, em Faro, a colecção de poesia A Palavra na qual publicaram, entre outros, Fiama Hasse Pais Brandão, Luiza Neto Jorge e Candeias Nunes. Depois de uma passagem por Londres, em 1958, fundou e dirigiu com António Ramos Rosa os Cadernos do Meio-Dia (1958-60), onde se revelaram os poetas do movimento literário Poesia 61.
Fixou-se em Lisboa em 1971, desempenhando funções no sector bancário, depois de ter vivido três anos na Alemanha. Poeta, romancista e ensaísta, tem cerca de 56 livros publicados, traduzidos em 26 idiomas. Foi Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, Presidente do P.E.N. Clube Português e é actualmente Presidente da respectiva Assembleia Geral. Dedica-se hoje exclusivamente à escrita e continua a desenvolver uma intensa actividade como divulgador da poesia nacional e internacional. Foi nomeado consultor prara a Europa da World Haiku Association, sediada em Tóquio. É responsável pela colaboração portuguesa na revista internacional Serta, e editor-in-chief da Antologia de Literatura Mundial Diversity do P.E.N. Club Internacional.
Entre outros, Casimiro de Brito recebeu o Grande Prémio de Poesia Associação Portuguesa de Escritores pelo livro Labyrinthus (1981), o Prémio Versília, de Viareggio, para a “Melhor Obra Completa Estrangeira”, pela obra Ode & Ceia (1985), o Prémio de Poesia do P.E.N. Clube, pelo livro Opus Affettuoso seguido de Última Núpcia (1997), o Prémio Internacional de Poesia Léopold Senghor (2002), o Prémio de Poesia Aleramo-Luzi, para o Melhor Livro de Poesia Estrangeiro, com o Livro das Quedas (2004), e ainda o Prémio de melhor poeta do Festival Internacional “Poeteka” (anel de platina), na Albânia (2008).
Casimiro de Brito foi ainda nomeado Embaixador Mundial da Paz (ONG, Zurique) e, em 2008, foi agraciado pelo Presidente da República Portuguesa com a Ordem do Infante Dom Henrique.
O seu último livro editado foi 69 Poemas de Amor (2008) e tem em vias de publicação Amar a Vida Inteira (terceiro volume do Livro das Quedas – poesia) e o primeiro volume do romance Livro do Desejo.

Poesia
 Poemas da Solidão Imperfeita (1958)
 Sete Poemas Rebeldes e Carta a Pablo Picasso (1958)
 Telegramas (1959)
 Canto Adolescente (1961)
 Poemas Orientais (1963)
 Jardins de Guerra (1966)
 Vietname - Em Nome da Liberdade (1967)
 Mesa do Amor (1970)
 Negação da Morte (1974)
 Corpo Sitiado (1976)
 Labyrinthus (1981)
 Ode & Ceia - Poesia 1955-1984 (1985)
 Subitamente o Silêncio (1991)
 Intensidades (1995)
 Opus Affettuoso seguido de Última Núpcia (1997)
 À Sombra de Bashô (2001)
 Animal Volátil - em colaboração com Rosa Alice Branco (2002)
 Antologia Pessoal - com ensaio de Annabela Rita (2003)
 Livro dos Haiku, uma Antologia (2003)
 Livro das Quedas (2005)
Ficção
 Um Certo País ao Sul - contos (1975)
 Imitação do Prazer - romance (1977 e 1991)
 Nós, Outros - romance em colaboração com Teresa Salema (1979 e 1980)
 Pátria Sensível - romance (1983)
 Contos da Morte Eufórica (1984)
 Ensaio
 Prática da Escrita em Tempos de Revolução (1977)
 Vagabundagem na poesia de António Ramos Rosa (2001)
Aforismos
 Onde se acumula o Pó? (1987)
 Arte da Respiração (1988)
 Da Frágil Sabedoria (2001)
 Diário
 Na Barca do Coração, Diário do Ano 2000 (2001).

Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por Violeta Teixeira em 25/05 às 01:17 AM
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CONVOCO…

Imagem ilustrativa de Alain Dussin

Convoco, sonhando o ontem,
O silêncio molhado
E quente do teu corpo.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 25/05 às 12:56 AM
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Quarta-feira, 20 Maio, 2009

«O ENGANO DA BONDADE»

Registo fotográfico de K&p, Olhares.com

Endureçamos a bondade, amigos. Ela também é bondosa, a cutilada que faz saltar a roedura e os bichos: também é bondosa a chama nas selvas incendiadas para que os arados bondosos fendam a terra.
Endureçamos a nossa bondade, amigos. Já não há pusilânime de olhos aguados e palavras brandas, já não há cretino de intenção subterrânea e gesto condescendente que não leve a bondade, por vós outorgada, como uma porta fechada a toda a penetração do nosso exame. Reparai que necessitamos que se chamem bons aos de coração recto, e aos não flexíveis e submissos.
Reparai que a palavra se vai tornando acolhedora das mais vis cumplicidades, e confessai que a bondade das vossas palavras foi sempre - ou quase sempre - mentirosa. Alguma vez temos de deixar de mentir, porque, no fim de contas, só de nós dependemos, e mortificamo-nos constantemente a sós com a nossa falsidade, vivendo assim encerrados em nós próprios entre as paredes da nossa estuta estupidez.
Os bons serão os que mais depressa se libertarem desta mentira pavorosa e souberem dizer a sua bondade endurecida contra todo aquele que a merecer. Bondade que se move, não com alguém, mas contra alguém. Bondade que não agride nem lambe, mas que desentranha e luta porque é a própria arma da vida.
E, assim, só se chamarão bons os de coração recto, os não flexíveis, os insubmissos, os melhores. Reinvindicarão a bondade apodrecida por tanta baixeza, serão o braço da vida e os ricos de espírito. E deles, só deles, será o reino da terra.

Pablo Neruda, in “Nasci para Nascer”

Publicado por Violeta Teixeira em 20/05 às 01:41 PM
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CALAR

«Contra o calar não há castigo nem resposta»

Cervantes , Miguel, in “Persiles e Sigismunda”

Publicado por Violeta Teixeira em 20/05 às 01:30 PM
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Terça-feira, 19 Maio, 2009

TODAS AS SOMBRAS SE ABRAÇAM

jugioli.blogspot.com/2007_09_01_archive.htm.

Todas as sombras se abraçam. Todas!
Todos os animais se tocam, se beijam,
Fora das fases de cio, mas não por acaso.
Porque, se o não fizerem não sobrevivem.
O ser humano, porém, pensa logo em sexo.
Engana-se! Não se vive, sem isso, é certo,
Os meus dedos, todavia, não seguem,
Neste momento, o rumo erótico. Sofrem!
Estão frios. Gélidos. Quem me estende
Um braço! Quem me aperta os dedos?
Quem dá um passo, para um encontro?
Quem me oferece o peito, para me aquecer,
Durante uns minutos de silêncio. Quem
Me toca, terno, um ombro? Me acaricia
O rosto? Me beija nas faces. Apenas!
Adio, a custo, concedo, os beijos na boca.
Contudo, o urgente é um gesto de afecto,
O toque idêntico ao dos gatos, dos pássaros,
De todos os bichos da terra. Mesmo as pedras
Se juntam umas às outras, como as sombras.
E já se deram conta do como as abelhas beijam
As flores e bebem o pólen, com ternura?
Que predadores dóceis! O ser humano, esse,
É o mais crudelíssimo predador. E julga que
Faz amor, o analfabeto da gramática erótica!

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 19/05 às 02:28 AM
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Sexta-feira, 15 Maio, 2009

ESTILHAÇA O SILÊNCIO!

Registo fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora, Olhares.com

Estilhaça esse silêncio, que me amordaça
As palavras! É urgente! Nada amadurece,
Nas árvores do momento do equilíbrio
Da balança da justiça. Tudo se consome
Na praça deserta do nada! Fala-me! Faz
O que desfizeste, no palco da arte circense!
Sei-o! Penso no Inverno! Mas não chove!
Receio que se tivesse escondido no vácuo
O rosto que esboçaste nos lábios dos livros,
Que nunca leste, mas exibes, no que escreves,
Para simulares o impossível de mudares
A imagem que forjaste, sem que o vento
Se tivesse desviado do rumo, que renasce,
Quando uma luz se desprende dos olhos
Dos cegos de sentimentos. Não penses
Que se volta atrás no tempo! Que se joga
Ao arco pelo passeio público da raiz morta,
E que, no agora, o pássaro ferido, levantará
Voo, para novo encontro! Não digo o que sinto!
Abateste, cerce, os cedros das sombras do estio.
Penso no Inverno, mas não creio no equilíbrio
Nos pratos da balança da justiça. Por esse motivo,
Jamais te peço que estilhaces o silêncio. 
Que incoerência, a minha! Fi-lo no começo
Deste escrito, é certo, mas reconheço que foi
Ilógico o cigarro aceso, pois o fogo não aquece
Os cegos do sentimento. Cegaste! Sim!
E o vinho verde, que transbordou, no copo
Da esperança, evaporou-se das veias do finito.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 15/05 às 12:35 PM
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Quinta-feira, 14 Maio, 2009

PERSONAGEM CIRCENSE (PALHAÇO)

Palhaço como termo pejorativo

«O termo Palhaço também é bastante utilizado para denegrir a imagem de alguma pessoa. É utilizado em situações onde este(a) faz injustiças, agressões, brincadeiras de mau gosto, deboches demasiados e/ou traumáticos e qualquer outra situação que cause Raiva (sentimento) na pessoa receptora.»

Publicado por Violeta Teixeira em 14/05 às 07:00 PM
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POESIA

«Fazer poesia é confessar-se.»

Klopstock, Friedrich

«Poeta alemão, nascido em 1724 e falecido em 1803, autor do poema épico acerca da vida de Cristo, intitulado Der Messias , a cuja composição dedicou cerca de trinta anos. São, igualmente, da sua autoria a obra Oden , com a qual alcançou um extraordinário sucesso e a trilogia dramática baseada no herói lendário Arminio, que representou uma tentativa de criação de um novo teatro alemão.
É considerado como um precursor do Romantismo, antecipando-se na escolha de temas patrióticos para as suas odes.»

Publicado por Violeta Teixeira em 14/05 às 06:42 PM
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TREMOLAN…

Registo fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora, Olhares.com.

Tremolan, suspensas,
Sonámbulas, esculturas
Espectrales, «en papier mâché».

Una revolada de aves nocturnas
Astillan las vidrieras duplas,
Y si lanza en la caza de los insectos,
Que defecan en las bocas absortas
De les seis piezas excéntricas.

Artista maníaca, cruzo mías piernas
Bellas, extendidas en lo marmóreo
Bermejo de la vieja galería de arte.

Enciendo, con «charme», uno cigarrillo
De «cannabis», y fumo, con furores
Sádicos, las delicias encolerizadas
De les eximias aves «ravisseuses».

Violeta Teixeira, in Antologia Internacional, REGALOS DEL ALMA, Madrid, 2005

Publicado por Violeta Teixeira em 14/05 às 12:27 AM
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