Terça-feira, 31 Março, 2009

A VIDA!

Registo fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora, Olhares.com

A vida! Viagem escrita num caderno,
Sem signos de afecto! Vertigens!
Abismos de desencontros abruptos.
Sonhos decepados, sem rostos,
Numa página virgem. No dorso duro
De cavalos selvagens, sem sela,
Sem estribos, a galope por montanhas
Desertas. A vida! Um campo raso
De estevas e de papoilas. A vida!
Uma janela fechada contra as faces
Do absurdo. Uma portada nunca
Aberta, mas com vidros, por detrás,
Sem olhos, e muros de musgos
E bolores acídulos. A vida! O escuro
De uma caverna, sem flores de sexo.
Sem pupilas de estrelas! A vida!
Galhos esfacelados de um poema
Abortado. A vida! Árvore desnuda,
Nunca bafejada por Primavera
Alguma. Nunca beijada por um pássaro,
Ainda que num voo, ferido de engano.
A vida! Rio, em cujo curso não se não
Vêem bermas, nem crescem ervas,
Ou bancos de lazer, para o cansaço.
A vida! Nem um pastor de sombras
Se vislumbra! Agoniza-se só!
Na pensativa pose de um desespero
Emudecido. A vida! Um ruído ilusório
De passos nos becos de todos os medos.
Uma busca fracassada de uma metáfora
Florida de uma açucena de luar, sabendo
Às murmuras águas, na vulva do amor.
A vida! A vida! Ferida aberta, sempre
Aberta! Nem um dedo pronto a cerzi-la.

Digo-me? Escrevo-me? Ou serei
O fingimento sincero de quem
Ignora o que seja pudor?
Não sei nada. Nunca saberei nada,
Mas não sou o Campos do(s) Pessoa,
Com todos os sonhos do mundo.
Nem o Bernardo Soares,
Que não sendo nada, pode bem
Se imaginar ser tudo.

A vida! A vida! A vida!
Pulso fissurado! Sangra.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 31/03 às 11:14 AM
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Sábado, 28 Março, 2009

«O TEMPO REDUZ TUDO A NADA»

Registo fotográfico da autoria de rattus, Olhares.com

«O tempo é a forma graças à qual a vanidade das coisas aparece como a sua instabilidade, que reduz a nada todas as nossas satisfações e todas as nossas alegrias, enquanto nos perguntamos com surpresa para onde foram. Esse próprio nada é portanto o único elemento objectivo do tempo, ou seja, o que lhe responde na essência íntima das coisas, e assim a substância da qual ele é a expressão.»

Arthur Schopenhauer, in ‘O Mundo como Vontade e Representação’

Publicado por Violeta Teixeira em 28/03 às 04:47 PM
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HOMEM LIVRE

Registo fotográfico da autoria de Rodrigo Bela Vista, Olhares.com

«Um homem com fome não é um homem livre.»

Robert Louis Balfour Stevenson um ano antes de morrer.Robert Louis Balfour Stevenson (13 de novembro de 1850, Edimburgo – 3 de dezembro de 1894, Apia, Samoa), foi um novelista, poeta e escritor de roteiros de viagem. Escreveu clássicos como “A Ilha do Tesouro”, “O Médico e o Monstro” e “As Aventuras de David Balfour” também traduzido como “Raptado”.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por Violeta Teixeira em 28/03 às 04:36 PM
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SE AMAS…

Obra pictórica de Botticelli

Se amas a brancura das manhãs
Orvalhadas de lágrimas, nas pétalas
Das rosas; se amas bebê-las ou guardá-las
Na corola rósea das mãos, logo cálidas,
Porque o sangue te invade, palpitante,
Ao coração; se amas as aves noctívagas,
Esvoaçando agoiros, no silêncio do céu,
Mas não sentes que, a ti, te fadam, dado
Que descrês das vozes maledicentes,
Mas, sim, vês no rubor aceso dos astros,
A eternidade de uma flor ou de um morcego;
Se amas Baco e Vénus, no mesmo templo,
Onde prestas culto a ambos, levando vinha
E vinho, a um, e rosa e mirto à suprema
Diva; se cantas os seus hinos festivos,
E usas a mesma Lira de Apolo, fica sabendo
Que tens a alma coberta de um véu, tecido
No tear, nunca adormecido, de um poeta.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 28/03 às 04:09 PM
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Sexta-feira, 27 Março, 2009

«O VALOR DO SER HUMANO…»

“O valor de um ser humano não reside nos aplausos que recebe, nas copas das árvores, mas nas raízes enterradas nos solos da sua personalidade que ninguém que consegue ver” (Augusto Cury)

Augusto Jorge Cury (Colina, 2 de outubro de 1958) é médico, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor brasileiro. Desenvolveu a teoria da inteligência multifocal, sobre o funcionamento da mente e o processo de construção do pensamento. Seus livros já venderam mais de 5 milhões de exemplares no Brasil.[1][2]
É pesquisador na área de qualidade de vida e desenvolvimento da inteligência, abordando a natureza, a construção e a dinâmica da emoção e dos pensamentos. Desenvolve na Espanha pesquisa em Ciências da Educação na área de qualidade de vida. Publicado em mais de 40 países, Cury foi conferencista no 13° Congresso Internacional sobre Intolerância e Discriminação da Universidade BYU, nos Estados Unidos. É doutor honoris causa pela UNIFIL (Centro Universitário Filadélfia, em Londrina) e membro de honra da Academia de Sobredotados do Instituto da Inteligência, da cidade do Porto, Portugal. Além disso, ele é diretor da Academia de Inteligência, instituto que promove o treinamento de educólogos, educadores e do público em geral.
Em Março de 2008, foi criado o Centro de Estudos Augusto Cury, em Portugal, estando o mesmo integrado no Instituto da Inteligência daquele país.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por Violeta Teixeira em 27/03 às 04:03 PM
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SORTE-AZAR

lacosqperduram.blogspot.com/2009/01/destino.html

Para a neurolinguística, a sorte é consequência da conduta gerada por um comportamento continuado e insistente, marcante ou não. Falar sempre a palavra “azar” ao invés de “sorte” podem, conforme a teoria, levar ao sucesso ou ao azar por criar toda uma malha de comportamentos derivados da essência neurolinguística da palavra, que contaminaria todo o restante do comportamento. Assim, ela torna-se também uma hipótese de didática, e também uma possibilidade comportamental relacionada ao sucesso.
(…)
Neurolingüística é a ciência que estuda a elaboração cerebral da linguagem. Ocupa-se com o estudo dos mecanismos do cérebro humano que suportam a compreensão, produção e conhecimento abstracto da língua, seja ela falada, escrita, ou assinalada. Trata tanto da elaboração da linguagem normal, como dos distúrbios clínicos que geram suas alterações.
Origem
Foi originada em meados do século XIX pelo francês Paul Broca e com o alemão Karl Wernicke. O que eles fizeram foi estudar e caracterizar a afasia (nome dado a um distúrbio de linguagem provocado por uma lesão cerebral oriunda ora por traumatismo, ora por acidentes vasculares cerebrais) de pessoas que tinham sofrido alguma lesão no cérebro, e então, depois da morte dos pacientes, a fazer exames post-mortem para determinar que áreas do cérebro haviam sido danificadas.Estudo do processamento normal e patológico da linguagem a partir de construtos e modelos elaborados no campo da Lingüística, da Neuropsicologia, da Psicolingüística, da Psicologia Cognitiva. A este item vincula-se ainda o interesse por temas neurolingüísticos tradicionais como neuro-psicofisiologia da linguagem, semiologia das chamadas patologias da língua.

Publicado por Violeta Teixeira em 27/03 às 03:56 PM
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SINA

reticenciaspoeticas.blogspot.com/2008/05/dest…

Desista-se da ideia do que tem de ser!
Nada é certo. O que houve,
Foi mero imprevisto, teia de enganos,
Abraço adiado nos degraus de um cais,
Que, logo, removeu o lodo soletrado,
Com o som das vagas. E uma luz desfez
A maré das sombras inquietas.
Desista-se da ideia do que tem que ser!
Nada é certo. Nada acontece predestinado!
Acendo um cigarro e fumo o não havido,
Mas não creio em destino ou em sina,
Ou em sorte. A arte sublima a obscura
Inquietação do não haver resposta,
Para o incêndio da pedra, para o brasido
Da emoção. Digo que o poema se encontra
Nesse espaço límpido, e a labareda se ateia,
Quando entra, sem me ver, na berma verde
Da espera, e pergunta o caminho à fêmea,
Que bebe na taberna o vinho tinto
Entornado na mesa do desencanto.
Desista-se da ideia do que tem que ser!
Nada é certo, a não ser, este desejo incontido
De uma fatia de afecto, barrada de ternura.
De um abraço, que todo o Universo abrace
E estilhace a rotina dorida do porto
Desabrigado de uma pedinte, a rendilhar
Um xaile de perdas e de ausências.
Desista-se da ideia do que tem que ser!
Não há sina! Não há sorte! Não há azar!
Espero-o na esquina de um enlace singular?
Sim! Mas terá modo de me perder na desculpa
Conformada de uma sina? Abraço-o? Sou sua?

O planeta continua a girar. Impávido.
Sento-me no cais da perpétua perda?
Ou amortalho-me no lençol lívido do poema?

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 27/03 às 03:38 PM
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Terça-feira, 24 Março, 2009

METAMORFOSES DA LUZ E DA SOMBRA

Registo fotográfico da autoria de João Coelho, Olhares.com

O tempo escoa-se. Escoa-se
O espaço. A incoerência
Das imagens propicia-lhe
A dissolução
Dos ciclos naturais.
Reabrem-se-lhe os olhos.
Reabrem-se o reinado
Do tempo e a exiguidade
Do espaço. A luz tudo
Fracciona, separa,
Delimita, oprime!
Repete-se, incansavelmente,
O seu destino: tece
E destece a trama
Das metamorfoses
Da luz e da sombra!

Violeta Teixeira, in FALO-VOS DO SILÊNCIO, Magno Edições, Leiria, 1999

Publicado por Violeta Teixeira em 24/03 às 04:32 PM
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Sábado, 21 Março, 2009

HISTÓRIA E PROGRESSO

Registo fotográfico de Man Ray

Na sua maior parte a história faz-se sem autores. Não acontece a partir de um centro, mas da periferia. De pequenas causas. Talvez não seja tão difícil como se pensa fazer do homem gótico ou do grego antigo o homem da civilização moderna. Porque a natureza humana é tão capaz do canibalismo como da crítica da razão pura; é capaz de realizar as duas coisas com as mesmas convicções e as mesmas qualidades, se as circunstâncias forem propícias, e nesses processos a grandes diferenças externas correspondem diferenças internas mínimas.
(...) O caminho da história não é o de uma bola de bilhar que, uma vez jogada, percorre uma determinada trajectória; assemelha-se antes ao caminho das nuvens, ou ao de um vagabundo a deambular pelas vielas, que se distrai a observar, aqui uma sombra, ali um magote de gente, mais adiante o recorte curioso das fachadas, até que por fim chega a um ponto que não conhece e por onde nem tencionava passar. Há no decurso da história universal um certo erro de percurso. O presente é sempre como a última casa de uma cidade, que de certo modo já não faz bem parte do casario dessa cidade. Cada geração pergunta, com espanto: Quem sou eu, e quem foram os meus antepassados? Devia antes perguntar: Onde estou? e partir do princípio de que os seus antepassados não eram diferentes, apenas estavam num lugar diferente. Se assim fosse, já teríamos feito alguns progressos.

Robert Musil, in ‘O Homem sem Qualidades’

Publicado por Violeta Teixeira em 21/03 às 11:05 PM
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A FELICIDADE

Registo fotográfico de Marques Tavares Carlos, Olhares.com

«A felicidade é uma flor que não se deve colher.»

Maurois, André

Publicado por Violeta Teixeira em 21/03 às 10:48 PM
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DIA MUNDIAL DA POESIA

Trabalho fotográfico da autoria de MANUEL FERREIRA, Olhares.com

Não me sei ser,
Salvo a gestante.

Que, sem
Conhecer os rebentos,

Se abre em partos,
Tocados
De um pasmo
Que me assusta,

Quando se me caem
Os frutos feitos,
Sobre os lençóis,
Com sangue
De placenta,
Suados
De sofrimento.

Em vão? Talvez…
Não os sei sentir,
Só os sei tocar e lamber,
Sem o mínimo
Acento de emoção.

Violeta Teixeira, in AFLUENTES LUNARES, 1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira, 1ª edição, 2000, co-edição Magno Edições/Câmara Municipal de Leiria, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 21/03 às 04:08 PM
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Quarta-feira, 18 Março, 2009

ORGULHO

Registo fotográfico de rattus, Olhares.com

Todos querem a paz, mas há muita gente que não se dispõe a fazer as pazes. Parece que não acreditam que duas pessoas zangadas ou um casal desavindo se possam reconciliar. Preferem afirmar posições. De facto, o orgulhoso não é inteligente! Se fosse inteligente, já teria percebido que a coisa mais humana é levantar-se dos seus erros e recomeçar cada dia. Não o tentar e agarrar-se aos seus direitos parece força, mas é fraqueza infantil.

(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in ‘Não Há Soluções, Há Caminhos’

Publicado por Violeta Teixeira em 18/03 às 01:30 AM
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ARTE

Imagem ilustrativa de Charles Narloch

«Conferir à produção de arte um carácter socialmente meritório, fazer dela uma função social honrada, falsifica-se gravemente o seu sentido, porque a produção de arte é uma função propriamente e fortemente individual, e por conseguinte em completo antagonismo a toda a função social. Só pode ser uma função anti-social, ou, pelo menos, associal.(…)»

Jean Dubuffet, in ASFIXIANTE CULTURA, LES ÉDITIONS DE
MINUIT,1986, EDITORA FIM DE SÉCULO – EDIÇÕES, SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA. , Lisboa, 2005

Publicado por Violeta Teixeira em 18/03 às 01:19 AM
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FUMA-SE, VICIADAMENTE, A VIDA

Registo fotográfico da autoria de Lucano Malanski, Olhares.com

Nada há,
Entre nós,
Que tenha começado.

Nada se diga
Do quando terminado.

Há, tão só,
Algo que
Nos vem acontecendo:

Fuma-se,
Viciadamente,
A vida.

Não viremos, pois,
No tempo,
Página
Nenhuma.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 18/03 às 01:03 AM
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Domingo, 15 Março, 2009

AMOR

Trabalho fotográfico da autoria de Gleidiçon Rodrigues, Olhares.com

Se é ridículo beijar uma mulher feia, também é ridículo dar um beijo a uma beleza. A presunção de que amando de uma certa maneira se tem o direito de rir do vizinho que tem outra maneira de amar, não vale mais do que a arrogância de certo meio social. Tal soberba não põe ninguém ao abrigo do cómico universal, porque todos os homens se encontram na impossibilidade de explicar a praxe a que se submetem, a qual pretende ter um alcance universal, pretende significar que os amantes querem pertencer um ao outro por toda a eternidade, e, o que mais divertido é, pretende também convencê-los de que hão-de cumprir fielmente o juramento.
Que um homem rico, muito bem sentado na sua poltrona, acene com a cabeça, ou volte a cara para a direita e para a esquerda, ou bata fortemente com um pé no chão, e que, uma vez perguntado pela razão de tais actos, me responda: «não sei; apeteceu-me de repente; foi um movimento involuntário», compreendo isso muito bem. Mas se ele me respondesse o que costumam responder os amantes, quando lhes pedem que expliquem os seus gestos e as suas atitudes, se me dissesse que em tais actos consistia a sua maior felicidade, como é que eu poderia impedir-me de ver o ridículo de tal explicação - tal como o exemplo que há pouco dei; se bem que diferente, é certo -, enquanto tal homem não se resolvesse a pôr termo à minha hilaridade, confessando que esses gestos não tinham significação alguma. Num repente, com efeito, a contradição, que é a base do cómico, desaparece; porque não há nada ridículo em que uma coisa destituída de sentido seja reconhecida como tal, mas é grotesco atribuir-lhe um alcance universal. Em relação ao involuntário, a contradição reaparece: não é possível admitir o involuntário num ente racional e livre.

Soren Kierkegaard, in “O Banquete” (Discurso do Mancebo, sem experiência no amor)

Publicado por Violeta Teixeira em 15/03 às 08:44 PM
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