Terça-feira, 30 Dezembro, 2008

«UM RESTO DE MISTICISMO»

Obra pictórica de Ernst Haas

«Existe no fundo de cada um de nós, é certo - tão friamente educados que sejamos - um resto de misticismo; e basta às vezes uma paisagem soturna, o velho muro de um cemitério, um ermo ascético, as emolientes brancuras de um luar, para que esse fundo místico suba, se alargue como um nevoeiro, encha a alma, a sensação e a ideia, e fique assim o mais matemático ou o mais crítico, tão triste, tão visionário, tão idealista - como um velho monge poeta.»

Eça de Queirós, in ‘Contos’

Publicado por Violeta Teixeira em 30/12 às 07:59 PM
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GENEROSIDADE

Registo fotográfico da Edson Alvino Hardt

«A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente.»

Camus, Albert

Publicado por Violeta Teixeira em 30/12 às 07:48 PM
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TANTO TEMPO!

Registo fotográfico da autoria de António Louro- Olhares.com

Tanto tempo!
Não sei se tenho o tempo
Que me separa do longe
Do hoje.

Sei que a água corre.
Ouço as vagas do mar…
Parecem-me próximas
Do respirar do corpo. 

Aliso as rugas do rosto.
E não ouso regar demasiado
O sonho que cultivo na terra
Vermelha do desejo desmedido. 

Tão longe te vejo! 
Não te desalongues
Dos braços
Do poema.

Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, Leiria, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 30/12 às 07:31 PM
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Domingo, 28 Dezembro, 2008

AUTO-CONHECIMENTO

«Vergo-me à insensatez.
Será possível plantar uma faia num jardim assim tão pequeno? Portas e janelas dos sete «ateliers» contíguos ligam umas com as outras, no pequeno pátio onde eu e o meu irmão vivemos. A semente da faia é uma banana um tanto podre ou uma batata. Há umas velhas que não andam nada contentes connosco. Mas se a faia crescer, nunca será demasiado grande, e se não cresce, de que servirá plantá-la? Ora, ao plantá-la, os meus amigos foram dar com as pedras preciosas que eu tinha perdido.»

Max Jacob, in ‘O Copo dos Dados’

Max Jacob (12 de julho de 1876, Quimper, Brittany, França – 5 de março de 1944, Drancy, França) foi um poeta, pintor, escritor e crítico judeu-francês. É autor de Cornet à dés (1917), influente no período surrealista, de La Défense de Tartufe (1919), de Laboratoire central (1921), do conjunto de cartas ficcionais Le Cabinet noir (1922), dentre vários outros livros de poemas, poemas em prosa (gênero que afirma ter criado) e de romances. Convertido ao catolicismo, no dia 24 de fevereiro de 1944, ao sair da missa pela manhã, foi preso pela Gestapo, morrendo no mês seguinte de uma congestão pulmonar no campo de Drancy.
Bibliografia
Jacob, poète et romancier, Actes du colloque du CRPC, Université de Pau, mai 1994, avec des lettres inédites de Max Jacob, Valéry Larbaud et Jean Cocteau, textes réunis par Christine V. R. Andreucci. Max Jacob, Jean Cocteau: correspondance 1917-1944, texte établi et présenté par Anne Kimball, Éditions Paris-Méditerranée, 2000. Spiritualité de Max Jacob, sous la direction de Jean de Palacio, La Revue des lettres modernes, 1981. Rousselot, Jean. Max Jacob au sérieux, essai, Éditions Subervie, Rodez, 1958. Van Rogger-Andreucci, Christine. Poésie et religion dans l’œuvre de Max Jacob, Honoré Champion, 1994.»

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por Violeta Teixeira em 28/12 às 12:41 AM
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OS ERROS

«Os erros são os portais da descoberta.»

Joyce, James

Publicado por Violeta Teixeira em 28/12 às 12:26 AM
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Terça-feira, 23 Dezembro, 2008

LIBERDADE

«Diógenes disse nalgum lugar: «O único meio de ser livre é estar disposto a morrer»; e escreveu ao rei da Pérsia: «Não podes reduzir à escravidão a cidade de Atenas, não mais do que os peixes do mar». «Como? Não a tomarei?» «Se a tomares, os atenienses farão como os peixes, abandonar-te-ão e irão embora. E, de facto, o peixe que pegas morre; e, se morrem assim que pegas neles, de que te servem todos os teus preparativos?» Estas são as palavras de um homem livre que examinou a questão com cuidado e que provavelmente encontrou a resposta.»

Epicteto, in ‘Dissertações’

Diógenes de Sínope, em grego antigo, “Διογένης ὁ Σινωπεύς” (c. 413 a.C., Sinop, hoje na Turquia – c. 323 a.C., Corinto), foi um filósofo grego e talvez o maior representante do Cinismo. Essa escola filosófica foi fundada por Antístenes de Atenas, que fora discípulo de Sócrates e mestre de Diógenes.
Segundo Diógenes Laércio, a morte de Diógenes ocorreu no mesmo dia em que Alexandre, o Grande, morreu na Babilônia. Outra lenda conta que Sócrates morreu no dia em que Diógenes nasceu.
Segundo a tradição, Diógenes vivia a perambular pelas ruas na mais completa miséria até que um dia foi aprisionado por piratas para, posteriormente, ser vendido como escravo. Um homem com boa educação chamado Xeníades o comprou. Logo ele pôde constatar a inteligência de seu novo escravo e lhe confiou tanto a gerência de seus bens quanto a educação de seus filhos.
Diógenes levou ao extremo os preceitos cínicos de seu mestre Antístenes. Foi o exemplo vivo que perpetuou a indiferença cínica perante o mundo. Desprezava a opinião pública e parece ter vivido em uma pipa ou barril. Seus únicos bens eram um alforje, um bastão e uma tigela (que simbolizavam o desapego e auto-suficiência perante o mundo), sendo ele conhecido como o filósofo que vivia como um cão.
A felicidade - entendida como autodomínio e liberdade - era a verdadeira realização de uma vida. Sua filosofia combatia o prazer, o desejo e a luxúria pois isto impedia a auto-suficiência. A virtude - como em Aristóteles - deveria ser praticada e isto era mais importante que teorias sobre a virtude.
Diógenes é tido como o primeiro homem a afirmar, “Sou uma criatura do mundo (cosmos), e não de um estado ou uma cidade (polis) particular”, manifestando assim um cosmopolitismo relativamente raro em seu tempo.
Diógenes parece ter escrito tragédias ilustrativas da condição humana e também uma República que teria influenciado Zenão de Cítio, fundador do estoicismo. De fato, a influência cínica sobre o estoicismo é bastante saliente. (…)»

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por Violeta Teixeira em 23/12 às 05:46 PM
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REALIDADE

«Há pessoas que vêem as coisas como elas são e que perguntam a si mesmas: ‘’Porquê?’’ e há pessoas que sonham as coisas como elas jamais foram e que perguntam a si mesmas: ‘’Por que não?’’»

Shaw,Bernard

Publicado por Violeta Teixeira em 23/12 às 05:21 PM
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IN MEMORIAM

Obra escultórica de Constantin Brancusi

IN MEMORIAM

Sereno e sábio,
Encostou a cabeça
Ao ombro do abismo.

Encheu, de lodo e de água,
Os olhos da morte,

E, de pé, ali,
Se anoiteceu,
Pela última manhã.

Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 23/12 às 05:06 PM
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Domingo, 21 Dezembro, 2008

LOGOTERAPIA

Trabalho fotográfico da autoria de rattus-Olhares.com

«(…)
Esta ciência humanista, chama-se logoterapia, vejam maiores detalhes abaixo:
A obra de Frankl é relativamente pouco conhecida nos países de língua portuguesa e é comumente ignorada pelas principais correntes da psicanálise (como Freud, Jung, Adler e Lacan).
De uma forma prática e simples assim diferenciava a Psicanálise da Logoterapia: Na psicanálise, o paciente tem de deitar-se num divã e contar coisas que, às vezes, são muito desgradáveis de serem contadas. Pois na logoterapia o paciente pode ficar sentado normalmente, mas tem de ouvir coisas que, às vezes, são muito desagrdáveis de serem ouvidas.(in Sede Sentido, São Paulo: Quadrante, 1999).
O fundador da Logoterapia (também chamada de “Terceira Escola Vienense da Psiquiatria"), adotou um certo distanciamento de Freud no que se refere à etiologia sexual das neuroses e também no que se refere à religião. Frankl considera que a neurose individual poderia ser, em alguns casos, a expressão da recusa da religião.
Segundo Frankl, existiria no ser humano um desejo e uma vontade de “sentido”. Ele percebe que seus pacientes não sofrem exclusivamente de frustrações sexuais (Freud) ou de complexos como o de inferioridade (Adler), mas também do que reputa ser o vazio existencial.
Para o analista, a neurose revelaria antes de mais nada um ser frustrado de sentido, o que o levou a concluir que a exigência fundamental do homem não é nem a emancipação sexual, nem a valorização do self, mas a “plenitude de sentido”. Segundo Frankl, a compensação sexual não seria nada além de um Ersatz para com a falta de sentido existencial. Por isso, conclui, o terapeuta não pode negligenciar a espiritualidade do analisado e a logoterapia passa a estar centrada no inconsciente espiritual, mais do que nas pulsões.
Em “O Deus inconsciente”, Frankl repudia a psicanálise tradicional, declarando que “Degradando o ‘eu’ em simples epifenômeno, Freud, por assim dizer, traiu o ‘eu’ em favor do ‘isso’; mas ao mesmo tempo ele, por assim dizer, insultou o inconsciente, vendo nele nada além do que é do ‘isso’ - o instintivo - deixando escapar aquilo que é do ‘eu’ - o espiritual”.
Para o autor, haveria um hiato ontológico entre o instinto e o espírito. Ele considera o homem uma totalidade trinária e tridimensional, a saber: físico-físico-espiritual. Segundo Frankl, Freud teria negligenciado a terceira dimensão.
No seu livro A Busca do Homem por Sentido (publicado pela primeira vez em 1946), Frankl relata suas experiências como interno de campo de concentração, descrevendo seu método psicoterapêutico para encontrar sentido em todas as formas de existência (mesmo as mais sórdidas) e, daí, uma razão para continuar vivendo. Em suas próprias palavras “O homem, por força de sua dimensão espiritual, pode encontrar sentido em cada situação da vida e dar-lhe uma resposta adequada.
Em Viena, em 1983, no Prefácio que faz da sua obra Em Busca de Sentido, à edição de 1984, Frankl, afirma: ...o Pós-escrito de 1984 a este livro é intitulado “A Tese do Otimismo Trágico”. O capítulo se refere a preocupações dos dias de hoje e como é possivel dizer sim à vida apesar de todos os aspectos trágicos da existência humana. Espera-se que um certo “otimismo” com relação ao nosso futuro possa fluir das lições retiradas do nosso “trágico” passado..
Sua filosofia é fundamentalmente otimista e baseada na crença - fruto de sua experiência pessoal - de que o fim último da existência humana tem uma meta fora do próprio indivíduo, fim este que lhe dá o sentido da própria existência.
Visão do campo de concentração de Auschwitz no inverno, onde Viktor Frankl foi aprisionado pelos nazistasOutras citações úteis para a compreensão de seu pensamento podem ser invocadas, como no Prefácio que faz da Edição de 1984 à sua obra Em Busca de Sentido: Não procurem o sucesso. Quanto mais o procurarem e o transfomarem num alvo, mais vocês vão errar. Porque o sucesso, como a felcidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.(…)

In RADARCULTURA

Publicado por Violeta Teixeira em 21/12 às 12:10 PM
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OPINIÃO

«Quem nunca altera a sua opinião é como a água parada e começa a criar répteis no espírito.»

William Blake
Inglaterra
[1757-1827]
Poeta/Pintor

Publicado por Violeta Teixeira em 21/12 às 11:48 AM
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CANTO-ME

Trabalho fotográfico da autoria de Mariac-Olhares.com

Canto-me filha do mar, da tempestade,
Da fúria do vento, do tempo enraivecido,
Dos gritos de dores, feridas de inutilidade.
Canto-me a fêmea, plena de medo e frio,
Na estrebaria, onde nem o luar iluminou
O parto, nem uma flor floriu, com lágrimas
De orvalho, naquela alvorada, sem sentido.
Canto-me o que me não canto, não por pudor,
Mas, porque a palavra se recusa a obedecer
Aos meus dedos doridos de tanto molhar na
Tinta. Canto-me? Choro-me? Não distingo
Os signos. Exilo-me no cimo de um rochedo,
E regresso-me, ao ventre quente do dorso
Das vagas, ávidas de detritos e de destroços.
Oiço o eco da queda e a música sereníssima
De uma orquestra, num palco de um teatro
Mágico, sem plateia. Logo, sem algum aplauso.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 21/12 às 11:19 AM
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Sexta-feira, 19 Dezembro, 2008

RELIGIÃO

«- Bem, o que até agora me pareceu mais interessante foi verificar que a grande maioria de todas essas crenças parte de um facto ou de uma personagem de relativa probabilidade histórica, mas todas evoluem rapidamente para movimentos sociais subordinados e enformados pelas circunstâncias políticas, económicas e sociais do grupo que as aceita. Ainda está acordada?
Eulalia assentiu.
- Uma boa parte da mitologia que se desenvolve à volta de cada uma destas doutrinas, desde a liturgia até às normas e tabus, provém da burocracia que é gerada à medida que evoluem e não do suposto facto sobrenatural que lhes deu origem. A maior parte das anedotas simples e bonançosas, um misto de senso comum e folclore, e toda a carga beligerante que conseguem desenvolver provém da interpretação posterior daqueles princípios, quando não tendem a desvirtuar-se, nas mãos dos seus administradores. A questão administrativa e hierárquica parece ser a chave da sua evolução. A verdade é revelada em princípio a todos os homens, mas depressa aparecem indivíduos que se atribuem o poder e o dever de interpretar, administrar e, nalguns casos, alterar essa verdade em nome do bem comum, estabelecendo para isso uma organização poderosa e potencialmente repressiva. Este fenómeno, que a biologia nos mostra ser próprio de qualquer grupo animal social, não tarda a transformar a doutrina num elemento de controlo e de luta política. Divisões, guerras e cisões tornam-se inevitáveis. Mais tarde ou mais cedo, a palavra faz-se carne e a carne sangra.»

Carlos Ruiz Zafón, in ‘O Jogo do Anjo’

Publicado por Violeta Teixeira em 19/12 às 05:17 PM
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«BUSCA DO SENTIDO»

http://www.caivarallo.it/.../segnaletica/fizzotti.jpg

«(…)»

–Quais foram suas contribuições ao conhecimento humano e que atualidade elas têm?
–Professor Fizzotti: Concentrando sua atenção como psiquiatra e como estudioso na construção psicológica da «busca do sentido», Frankl favoreceu no horizonte cultural e formativo atual o reconhecimento de um dinamismo central da estrutura da pessoa, na maior parte das vezes lamentavelmente descuidado, ou até negado por outros especialistas da psique humana. É muito mais simples, de fato, atribuir a responsabilidade do que se é à influência familiar, a condicionamentos ambientais, a fracassos escolares ou profissionais. Assim, a pessoa quase é «justificada» em seus comportamentos (pensemos em formas de agressividade, de criminalidade, de consumo de substâncias entorpecentes, de tentativas de suicídio), dizendo-lhe: «No fundo não é culpa sua, mas da sociedade, da escola, da família».

Em um itinerário educativo e de crescimento global é muito necessário, no entanto, favorecer na pessoa o amadurecimento de sua responsabilidade frente às tarefas que a vida, a sociedade, o contexto cultural lhe apresentam. Dessa forma, também é estimulada a reconhecer os próprios recursos interiores e apelar a eles sempre, além de fazê-lo nas situações de particular gravidade. Ao mesmo tempo, a responsabilidade favorece na pessoa um clima de enfrentamentos dialéticos, rompendo o círculo da solidão e do egocentrismo.»

Nota 1: Entrevista ao professor Eugenio Fizzotti, sacerdote salesiano, professor de Psicologia.
O professor Fizzotti se dedica especialmente à logoterapia frankliana, e é o editor em italiano de quase todas as obras de Viktor E. Frankl. É sócio honorário da Sociedade Médica Austríaca de Psicoterapia.

http://www.zenit.org/article-16442?l=portuguese

Nota 2: leia-se, em REFLEXÕES, LOGOTERAPIA DE VIKTOR E. FRANKL

Publicado por Violeta Teixeira em 19/12 às 05:01 PM
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ORGIAS DE ESQUECIMENTO

Registo fotográfico de Catarina-Olhares.com

Percorro, de mãos armadas,
As fronteiras fluidas
Do meu desencanto
Sublevado.

Estreito nos braços
Corpos que a noite
Projecta no meu espaço,
Estrangulo vultos colados
Às paredes do meu medo.

Invento braços
E mãos de aço, para
Saciarem a minha sede,
Com taças de cansaço
E orgias de esquecimento.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 19/12 às 04:00 PM
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Quinta-feira, 18 Dezembro, 2008

O MEDO

«Nada nos faz acreditar mais do que o medo, a certeza de estarmos ameaçados. Quando nos sentimos vítimas, todas as nossas acções e crenças são legitimadas, por mais questionáveis que sejam. Os nossos opositores, ou simplesmente os nossos vizinhos, deixam de estar ao nosso nível e transformam-se em inimigos. Deixamos de ser agressores para nos convertermos em defensores. A inveja, a cobiça ou o ressentimento que nos movem ficam santificados, porque pensamos que agimos em defesa própria. O mal, a ameaça, está sempre no outro. O primeiro passo para acreditar apaixonadamente é o medo. O medo de perdermos a nossa identidade, a nossa vida, a nossa condição ou as nossas crenças. O medo é a pólvora e o ódio o rastilho. O dogma, em última instância, é apenas um fósforo aceso.»

Carlos Ruiz Zafón, in ‘O Jogo do Anjo’

«Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona em 1964. Com a sua primeira obra, El Príncipe de la Niebla, obteve o Prémio Edebé em 1993. Desde então publicou quatro romances e converteu-se numa das revelações literárias dos últimos tempos. Com LA Sombra DEL VIENTO, finalista do Prémio de Romance Fernando Lara 2001 e do Prémio Llibreter 2002, eleito o Melhor Livro de 2002 pelos leitores de La Vanguardia, e publicado em mais de vinte línguas, está a obter um dos maiores êxitos internacionais da literatura espanhola.»

Publicado por Violeta Teixeira em 18/12 às 02:50 AM
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