Domingo, 30 Novembro, 2008

ARQUITECTURA

Registo fotográfico da autoria de Violeta Teixeira/Pandora-Olhares.com

«Ninguém que não seja um grande escultor ou pintor pode ser um arquitecto. Se não é um escultor ou pintor, apenas pode ser um construtor.»

Ruskin, John,in “Lectures on Architecture and Painting”

Publicado por Violeta Teixeira em 30/11 às 02:18 AM
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«A MEMÓRIA»

Trabalho fotográfico da autoria de JET… Olhares.com

«A memória é essa claridade fictícia das sobreposições que se anulam. O significado é essa espécie de mapa das interpretações que se cruzam como cicatrizes de sucessivas pancadas. Os nossos sentimentos. A intensidade do sentir é intolerável. Do sentir ao sentido do sentido ao significado: o que resta é impacto que substitui impacto — eis a invenção.»

Ana Hatherly, in ‘Tisanas’

Publicado por Violeta Teixeira em 30/11 às 02:07 AM
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ENLOUQUEÇO-ME

Trabalho fotográfico da autoria de MARIAH- Olhares.com

Enlouqueço-me.

Quebre-se-me
O fio do pensamento.

Fechem-se-me
As pálpebras do eu.
Que me não veja,
A não ser
Não me vendo.

Ficcione-me a vida,
A linguagem,

Que me não sei
Viver.

Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições,Leiria, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 30/11 às 01:33 AM
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Sábado, 29 Novembro, 2008

BEIJO

Imagem ilustrativa da autoria de Guthier

«Um beijo é um segredo que se diz na boca e não no ouvido.»

Rostand, Jean

Publicado por Violeta Teixeira em 29/11 às 01:34 AM
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PENSO-TE

Registo fotográfico da autoria de Paulo Pinheiro Vieira-Olhares.com

Penso-te.

Dedos doces,
Límpidos,
Macios.

Carícias rútilas
Nos
Lábios.

Testículos túmidos,
Salivas,
Fluidos líricos.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 29/11 às 01:12 AM
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«OS HOMENS NÃO SABEM O QUE É O AMOR»

Imagem ilustrativa de Maurice Tabard

«De forma geral, os homens não sabem o que é amor, é um sentimento que lhes é totalmente estranho. Conhecem o desejo, o desejo sexual em estado bruto e a competição entre machos; e depois, muito mais tarde, já casados, chegam, chegavam antigamente, a sentir um certo reconhecimento pela companheira quando ela lhes tinha dado filhos, tinha mantido bem a casa e era boa cozinheira e boa amante - então chegavam a ter prazer por dormirem na mesma cama. Não era talvez o que as mulheres desejavam, talvez houvesse aí um mal-entendido, mas era um sentimento que podia ser muito forte - e mesmo quando eles sentiam uma excitação, aliás cada vez mais fraca, por esta ou aquela mulher, já não conseguiam literalmente viver sem a mulher e, se acontecia ela morrer, eles desatavam a beber e acabavam rapidamente, em geral uns meses bastavam. Os filhos, esses, representavam a transmissão de uma condição, de regras e de um património. Era evidentemente o que acontecia nas classes feudais, mas igualmente com os comerciantes, camponeses, artesãos, de forma geral com todos os grupos da sociedade. Hoje, nada disso existe.
As pessoas são assalariadas, locatárias, não têm nada para deixar aos filhos. Não têm nada para lhes ensinar, nem sequer sabem o que eles poderão vir a fazer; as regras que conheceram não serão de todo aplicáveis a eles, porque eles viverão num mundo completamente diferente. Aceitar a ideologia da mudança permanente significa aceitar que a vida de um homem está reduzida estritamente à sua existência individual e que as gerações passadas e futuras não têm, aos seus olhos, nenhuma importância.
É assim que nós vivemos, e ter um filho, hoje, para um homem, já não faz qualquer sentido. O caso das mulheres é diferente, porque elas continuam a sentir a necessidade de terem um ser que amem – o que não é, nem nunca foi, o caso dos homens. É um disparate acreditar que os homens também têm necessidade de acarinhar e de brincar com os filhos, de lhes fazer festinhas. Por mais que no-lo digam, é um disparate. Depois de nos termos divorciado e de o quadro familiar se ter desfeito, as relações com os filhos perdem o sentido. Um filho é uma armadilha que se fechou, é o inimigo que temos de continuar a manter e que vai acabar por nos enterrar.»

Michel Houellebecq, in ‘As Partículas Elementares’

Publicado por Violeta Teixeira em 29/11 às 01:01 AM
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Sexta-feira, 28 Novembro, 2008

DEL NADA HIZO MIA MORADA

Registo fotográfico da autoria de Violeta Teixera/Pandora-Olhares.com

Cerradas todas las puertas,
Prohibidas todas las vías, mi sobran
Piedras, alambres, aristas, en la sola
Salida de la vida, sen vida.
La bóveda de la «anima» derrumbada
Mi estrangula la garganta de la esperanza.
La angustia es sólida. Gélida. Infinita.
Circula en las veías de la ventanera,
Que sopla en la escalera de ninguna
Salida, moléculas malignas. Lánguida.
Herida. Del Nada hizo mía morada.

Violeta Teixeira, in Antologia Internacional IMPREMSIONES Y RECUERDOS, Madrid, 2008

Publicado por Violeta Teixeira em 28/11 às 01:06 AM
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Quinta-feira, 27 Novembro, 2008

ESGARÇO-ME AS VESTES

Imagem ilustrativa de Lucien Clergue

Esgarço-me
As vestes
Que se não ajustam
À fórmula
De combustão
Do corpo.

Trago-o,
De asas viciosas,
Fora da rota
Da conjunção
Dos astros.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 27/11 às 12:49 AM
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O BEM E O MAL

«Quando os acontecimentos nos colocam em oposição ao meio envolvente, todos desenvolvemos as forças de que dispomos, ao passo que nas situações em que apenas fazemos o nosso dever nos comportamos, compreensivelmente, como quem paga os seus impostos. Daqui se conclui que tudo o que é mau se pratica com mais ou menos imaginação e paixão, enquanto o bem se caracteriza por uma inconfundível pobreza de afecto e mesquinhez.
(...) Se abstrairmos daquela grande fatia central do mundo e da vida ocupada por pessoas em cujo pensamento as palavras bem e mal deixaram de ter lugar desde que largaram as saias da mãe, então as margens, onde ainda há propósitos morais deliberados, ficam hoje reservadas àquelas pessoas boas-más ou más-boas, das quais algumas nunca viram o bem voar nem o ouviram cantar e por isso exigem de todas as outras que se extasiem com elas diante de uma natureza da moral com pássaros empalhados pousados em árvores mortas; o segundo grupo, por seu lado, os mortais maus-bons, espicaçados pelos seus rivais, manifestam, pelo menos em pensamento, uma tendência para o mal, como se estivessem convencidos de que é apenas nas más acções, menos desgastadas do que as boas, que ainda pulsa alguma vida moral.
(...) De facto, tanto antes como hoje, não existem os maus-maus, facilmente responsabilizáveis por tudo; e os bons-bons são um ideal tão distante como a mais remota nebulosa.»

Robert Musil, in ‘O Homem sem Qualidades’

Publicado por Violeta Teixeira em 27/11 às 12:42 AM
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Quarta-feira, 26 Novembro, 2008

ARTE

Imagem ilustrativa de Georges Braque

«A igualdade é a escravatura. É por isso que amo a arte. Aí, pelo menos, tudo é liberdade neste mundo de ficções.»

Flaubert, Gustave, in “Correspondência”

Publicado por Violeta Teixeira em 26/11 às 11:55 PM
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Terça-feira, 25 Novembro, 2008

O FOGO

Registo fotográfico da autoria de Augusto Pinho- Olhares.com

«Durante milhares de anos o fogo foi assunto de mistério, medo, superstição e adoração. Os homens primitivos associavam fogo a catástrofe. Muitas vezes eles apavoravam-se ao ver raios a incendiarem florestas e vulcões em erupção, transformando as paisagens num inferno de lava incandescente. Ainda hoje, quando sentamos perto de uma fogueira, a nossa imaginação cria estranhas visões nas chamas ardentes.
Em certa época da evolução, o homem aprendeu a dominar o fogo. Nas cavernas foram encontrados vestígios do uso do fogo pelo homem de Neanderthal há 50.000 anos e pelo homem de Pequim há 250.000 anos atrás. Esses e outros homens primitivos descobriram como usar o fogo para aquecimento, para cozinhar o alimento, para proteger-se contra animais selvagens e como tocha flamejante na escuridão da noite.
O fogo, grande auxiliar do homem, é também um de seus maiores inimigos em potencial.»

Publicado por Violeta Teixeira em 25/11 às 01:11 AM
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Segunda-feira, 24 Novembro, 2008

ARTISTA

«Embora o artista em todos os períodos da sua vida permaneça mais próximo da infância, para não dizer mais fiel do que o homem especializado na realidade prática, muito embora se possa afirmar que ele, ao contrário deste último se mantém continuamente no estado sonhador e puramente humano da criança brincalhona, o caminho que transpõe a partir dos primórdios intactos até às fases tardias, jamais imaginadas do seu devir, é infinitamente mais longo, mais aventuroso, mais emocionante para o espectador, do que o do homem burguês, para o qual a reminiscência de também ter sido criança em outros tempos nunca fica tão prenhe de lágrimas.»

Thomas Mann, in ‘Doutor Fausto’
Thomas Mann
Thomas Mann (Lübeck, 6 de Junho de 1875 — Zurique, 12 de Agosto de 1955) foi um romancista alemão, considerado por alguns como um dos maiores romancistas do século XX, tendo recebido o Prémio Nobel da Literatura em 1929. Foi o irmão mais novo do romancista Heinrich Mann e o pai de Klaus, Erika, Golo (aliás Angelus Gottfried Thomas), Monika, Elisabeth e Michael Thomas Mann.

Notas Biográficas
Filho do comerciante Johann Heinrich Mann e da brasileira Júlia da Silva Bruhns, nasceu no estado de Schleswig-Holstein, norte da Alemanha, onde mais de 90% da população é protestante. A família de Thomas Mann detinha ali um negócio há várias gerações.
Em 1892 (quando tinha dezessete anos) morre o seu pai, com o que os negócios da família são abandonados. No ano seguinte, ele escreve alguns textos em prosa e artigos para a revista “Der Frühlingssturm” (a tempestade de Primavera) que ele co-edita. Na mesma época, apaixona-se por Wilri Timppe, filho de um de seus professores. Anos mais tarde, inspirar-se-ia em Timppe para criar Pribslav Hippe, personagem de “A Montanha Mágica”.
Em 1894 (com dezenove anos), junta-se à mãe em Munique, cidade católica do sul da Alemanha. Júlia tinha mudado para Munique com o resto da família um ano antes e se instalado no bairro boêmio de Schwabing. Rapidamente, a Senhora Mann tornou-se uma agitadora cultural e oferecia saraus literários e festas em sua casa.
Em Munique, Mann fez um estágio não remunerado numa sociedade de seguros, mas acabou por abandonar esta atividade em 1895, tornando-se escritor livre.
Entre 1896 e 1898, Thomas Mann tem uma longa visita a Palestrina (Itália), de visita ao seu irmão mais velho Heinrich Mann, também ele um romancista e que se tornou famoso mais cedo do que Thomas. Thomas acompanha o irmão nos seus passeios a Roma e por outros lugares da Itália. Thomas Mann começou a trabalhar no manuscrito de “Buddenbrooks” em Itália. De volta a Munique, tornou-se um dos editores do jornal satírico/humorístico “Simplicissimus”.
Por essa época, apaixonou-se por Paul Ehrenberg, um amor conturbado e não correspondido, mas que definiria mais tarde como a “experiência central de seu coração”. Resolve servir o exército, mas se arrepende. A família intervém e corrompe um médico para conseguir afastá-lo por falsos problemas de saúde.
Em 1901 é editado “Buddenbrooks”. Thomas Mann torna-se famoso. Curiosamente, o editor (Fischer Verlag) tentou convencer Thomas Mann a encurtar o livro. Thomas Mann não assentiu e o livro foi publicado na íntegra. Em jeito de retrospectiva, Thomas Mann disse que julgava que o livro iria passar despercebido e seria possivelmente o fim da sua carreira literária. A realidade foi bem diferente, como ele conclui com ironia.
A 11 de Fevereiro de 1905, casou-se com Katia Pringsheim, pertencente a uma proeminente e secular família judia de intelectuais. Katia era neta da activista pelos direitos da mulher Hedwig Dohm. Nos anos seguintes nascem seus filhos Erika, Klaus, Golo (na verdade Angelus Gottfried Thomas), Monika, Elisabeth e Michael.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Thomas Mann entra em conflito com o irmão Heinrich Mann. Não se irão encontrar por alguns anos. Thomas acolheu com agrado a entrada da Alemanha na guerra. Tomava-se por patriota. Defendeu a política do Kaiser Guilherme II, em oposição directa a Heinrich Mann, que se via do lado da França e da “Civilization” (termo de Thomas). Thomas Mann chegou mesmo a penhorar a casa que possuía em Bad Tölz em 1917 a favor do esforço de guerra. A mãe, Júlia da Silva Bruhns, escreveu aos irmãos tentando amenizar o conflito. A perspectiva de Thomas Mann ao longo deste período encontra-se sumariada no romance “A montanha mágica”, escrito entre 1912 e 1924.
Em 1929, Thomas Mann torna-se ainda mais famoso, ganhando o prémio Nobel da Literatura. O júri justifica-se aludindo a Buddenbrooks. Nenhuma menção a “A montanha mágica”, romance em que o escritor revela simpatias democráticas.
Emigrou da Alemanha Nazista para Küsnacht, próximo a Zurique, Suíça, em 1933, o ano da chegada ao poder de Hitler. Durante o regime nazista, o jornal Völkischer Beobachter (Observador Popular) publicava as chamadas listas de expatriados. Os nomes de Thomas Mann, sua mulher e seus filhos mais novos constavam da lista número 7. Dos mais velhos – Erika e Klaus – já havia sido retirada a cidadania alemã.
Após ter perdido a nacionalidade alemã a 2 de dezembro de 1936, Thomas Mann permaneceu na Suíça até 1938, mudando-se então para os Estados Unidos. Inicialmente, trabalha como convidado em Princeton, mas o ambiente acadêmico o entediava. Assim, decide mudar para Pacific Palisades, EUA, em 1941. Em 1944, obteve a cidadania americana. Tornou-se uma figura política reconhecida e consta que Roosevelt chegou a cotar seu nome para assumir o governo alemão na pós-Guerra.
Diante da perseguição aos intelectuais emigrados impetrada em meio ao MacCarthismo, Mann retornou à Europa em 1952. Viveu em Kilchberg, próximo a Zurique, na Suíça, até à sua morte, em 1955.
Sua obra

Thomas Mann ganhou repercussão internacional, aos 26 anos, com sua primeira obra, Os Buddenbrooks (Buddenbrooks), um romance que conta a história de uma família protestante de comerciantes de cereais de Lübeck ao longo de três gerações. Fortemente inspirado na história de sua própria família, o romance foi lido com especial interesse pelos leitores de Lübeck que descobriram ali muitos traços de personalidades conhecidas. A publicação deste livro valeu a Thomas Mann uma reprimenda de um tio, que o acusou de ser um “pássaro que emporcalhou o próprio ninho”.
Thomas Mann é também um romancista analítico, que descreve como poucos a tensão entre o carácter nórdico, protestante, frio e ascético (características típicas da sua Lübeck natal) e os personagens mais rústicos, simples, bonacheirões, das zonas católicas, de onde se destaca o senhor “Permaneder”, o paradigma do Bávaro de Munique, em “Os Buddenbrooks”. Esta tensão interior tornou-se patente durante a sua estadia em Palestrina, Itália, onde visitava o irmão, e onde começou a escrever os “Buddenbrooks”. Thomas Mann viveu entre estes dois mundos, tal como o irmão. Por um lado a origem familiar e o ambiente da ética protestante de Lübeck, por outro lado a voz interior e a influência de sua mãe brasileira, que o faziam interessar-se menos pelos negócios e mais pela literatura. A influência da mãe acabou por levar a melhor. Thomas Mann via na família Buddenbrook um exemplo de uma família em decadência, onde os descendentes não saberiam levar avante o negócio que herdaram. Não sabia, no entanto, que, ao publicar “Os Buddenbrooks” estava, não só a enterrar definitivamente a linha “comerciante” da sua família mas, também, a estabelecer-se como um escritor de renome. Ironicamente, os seus filhos iriam manter esta nova tradição (literária) da família, em especial Klaus e Erika.
No romance A Montanha Mágica ("Der Zauberberg"), publicado pela primeira vez em 1924, Thomas Mann faz um retrato de uma Europa em ebulição, no eclodir da Primeira Guerra Mundial.
Escreveu romances, ensaios e contos. Psicólogo penetrante e estilista consumado, sua extensa obra abrange desde contos até escritos políticos, passando por novelas e ensaios. Nobel de Literatura (atribuído pel’ Os Buddenbrooks), em 1929, Thomas Mann é autor de clássicos da literatura como Morte em Veneza & Tonio Kröger, Confissões do impostor Felix Krull, As cabeças trocadas e José e seus irmãos.
Muitos dos seus romances lidam com a tensão entre a veia artística, rebelde e funesta por um lado, e a boa cidadania, cumpridora da lei, das tradições e bons costumes.Mann e a homossexualidade

Quando Thomas Mann tinha quinze anos, o irmão Heinrich tomou conhecimento da sua orientação sexual. Surpreendido, achando esta história algo de divertido mas sem fazer grande ruído sobre o assunto, Heinrich sugere a Thomas Mann que tente tratar o “problema” com uma “cura de sono”.
Os diários de Thomas Mann, que foram mantidos em sigilo até 1975, revelam um Thomas Mann em luta interior com os seus desejos homossexuais, que se tinham tornado patentes em várias de suas obras. Mann descreve no seu Diário os seus sentimentos pelo jovem violinista e pintor Paul Ehrenberg, que ele descreve como uma “experiência central do meu coração”.
A maioria dos comentadores é da opinião que a homossexualidade de Thomas Mann foi reprimida e que a escrita era para ele uma forma de compensar esse constrangimento. É preciso lembrar que até a primeira metade do século XX, a homossexualidade era vista como um desvio sexual e motivo para tratamento psiquiátrico. Assim, a repressão de seus sentimentos não se devia por uma incapacidade pessoal, antes por um contexto social e histórico homofóbico. Não existia ainda a idéia do “assumir-se”, pois a identidade homossexual não era socialmente aceita e implicava exposição a insultos, abjeção pública e perseguição de todo tipo.
Segundo Richard Miskolci, em seu livro “Thomas Mann, o Artista Mestiço” (2003), a questão de uma sexualidade inaceitável para a época é um dos componentes mais importantes nas obras do autor alemão. O homoerotismo emerge como problemática intrínseca ao artista desde suas primeiras histórias (O Pequeno Sr. Friedmann, Os Buddenbrooks, Tonio Krôger) até nas obras mais reconhecidas (A Morte em Veneza, A Montanha Mágica e Doutor FaustoCronologia
• 6 de Junho de 1875 - Nascimento de Thomas Mann
• 1900 (com 25 anos) - Publicação do “Buddenbrooks” -TM torna-se famoso
• 1915 (com 40 anos) - Publicação de ensaio sobre Friedrich, o Grande da Prússia. Mann justifica a entrada da Alemanha na Primeira Guerra Mundial. Corta relações com o seu irmão Heinrich, do lado da “civilização”.
• 1918 (43 anos) - Publicação de “Observações de um apolítico” - Mann demonstra aqui estar ainda na sua fase nacionalista conservadora. Mantém a sua defesa da política da Alemanha. Ainda um monarquista.
• 1922 (47 anos) - Famoso discurso de Thomas Mann em Berlim - “Von deutscher Republik” - Defende a República de Weimar. Thomas Mann é um “Vernunftrepublikaner” (Republicano por motivos racionais - e não emocionais). Neste mesmo ano teve lugar um acontecimento apontado por alguns historiadores (como Manfred Görtemaker) que terão levado Thomas Mann a transformar-se politicamente (favoravelmente à democracia): o assassínio do ministro dos negócios estrangeiros, o judeu Walter Rathenau por elementos da extrema direita próximos de Hitler.
• 1930 (55 anos) - Novo discurso famoso em Berlim, no Beethoven-Saal - Deutesche Ansprache, ein Appel an die Vernunft” - Um apelo à razão, tentativa de aviso aos alemães perante o perigo do Nazismo.
• 1933 (58 anos) - Chegada ao poder de Adolf Hitler. Thomas Mann passa a viver no exílio, na Suíça.
• 1938 (63 anos) - Exílio de Thomas Mann nos Estados Unidos
• 1 de Setembro de 1939 (64 anos) - Tem início a Segunda Guerra Mundial
• 1940-1945 Thomas Mann grava para a BBC um programa de rádio regular ("Deutsche Hörer!"), retransmitido pela BBC na Alemanha, apelando aos alemães à razão. Os ouvintes alemães arriscavam a vida ao sintonizar estas emissões de rádio dos ingleses.
• 1949 (74 anos) - Viagem à Alemanha. Mann discursa em Frankfurt e em Weimar, na comemoração dos 200 anos de Goethe
• 1950 (75 anos) - Publicação de Dr. Faustus
• 1952 (77 anos) - Thomas Mann vai viver para a Suíça
• 12 de Agosto de 1955 (80 anos) - Falecimento de Thomas Mann Lista de obras
• Der kleine Herr Friedemann (1898)
• Os Buddenbrooks (1901) = Buddenbrooks - Verfall einer Familie
• Tonio Kröger (1903)
• Sua Alteza Real (1909) = Königliche Hoheit
• Morte em Veneza (1912) = Der Tod in Venedig
• Betrachtungen eines Unpolitischen (1918)
• The German Republic (1922) = Von deutscher Republik
• A Montanha Mágica (1924) = Der Zauberberg
• Disorder and Early Sorrow (1926) = Unordnung und frühes Leid
• Mario und der Zauberer (1930)
• José e seus Irmãos (1933-43) = Joseph und seine Brüder
o As Histórias de Jacó (1933)
o O Jovem José (1934)
o José no Egito (1936)
o José, o Provedor (1943)
• Das Problem der Freiheit (1937)
• Lotte in Weimar or The Beloved Returns (1939)
• As Cabeças Trocadas (1940) = Die vertauschten Köpfe - Eine indische Legende
• Doutor Fausto (1947) = Doktor Faustus
• Der Erwählte (1951)
• Confissões do Impostor Félix Krull (1922/1954) = Bekenntnisse des Hochstaplers Felix Krull. Der Memoiren erster Teil (não terminado)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por Violeta Teixeira em 24/11 às 04:06 PM
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OUTONO ABSURDO

Registo fotográfico da autoria de Violeta Teixeira/Pandora-Olhares.com

Sucumbo ao sono.

Somos três corpos,
Tatuados de acentos
Conturbados.

Acordo-me. Devaneio?
Deliro?

Levantam-se e partem,
Envoltos num silêncio
Gélido.

Agasalho-me no fogo
De um cigarro:
Frémito de um pulso
Fissurado.

Não se conhecem.
Não se vêem um ao outro.

Enlouqueço?
Sorvo o sabor de
Cinzas, no rebordo
Íngreme de um reaceso
Malogro.

A um entrego o corpo
«Tout cout». Ao outro
Desaguo, debalde, o coração,

Fantasmando
O navegado no gozo
Efémero, e sem retorno.

Fumo. Fumo. E sofro.

Olhos amornados
Por um Outono absurdo.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 24/11 às 02:32 PM
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Sábado, 22 Novembro, 2008

«NADA PIOR QUE O MAL-ENTENDIDO»

Registo fotográfico de Xanadu-Olhares.com

«Uma bagatela, como se sabe, leva uma vida depreciada e desprezada - depois, vinga-se; porque o mal-entendido, sobretudo quando toma uma forma violenta e má, radica naturalmente numa bagatela; senão, não haveria mal-entendido, mas essencialmente discórdia.
O que caracteriza o mal-entendido é o seguinte: aquilo que para um é importante, é insignificante para o outro, mas no sentido de que, no fundo, as duas pessoas estão separadas por uma bagatela; estão desunidas no seu mal-entendido porque não arranjaram tempo para começarem a entender-se.
Pois, no fundo de todo o «desacordo real», há um acordo: «o mal-entendido» sem fundamento reside na falta de compreensão prévia sem a qual acordo e desacordo são, um e outro, um mal-entendido. Este pode, pois, desaparecer e transformar-se em desacordo real; porque se duas pessoas estão em desacordo real não há aí um mal-entendido, estão precisamente em desacordo real porque se compreendem mutuamente.»

Soren Kierkegaard, in ‘Ponto de Vista Explicativo da Minha Obra de Escritor’

Publicado por Violeta Teixeira em 22/11 às 04:51 PM
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AMOR

Trabalho fotográfico da autoria de .kp-Olhares.com

«A vida é um sono de que o amor é o sonho, e vós tereis vivido se houverdes amado.»

Musset , Alfred de

Publicado por Violeta Teixeira em 22/11 às 04:33 PM
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