Quinta-feira, 31 Julho, 2008

LIVRO

«Algumas obras morrem porque nada valem; estas, por morrerem logo, são natimortas. Outras têm o dia breve que lhes confere a sua expressão de um estado de espírito passageiro ou de uma moda da sociedade; morrem na infância. Outras, de maior escopo, coexistem com uma época inteira do país, em cuja língua foram escritas, e, passada essa época, elas também passam; morrem na puberdade da fama e não alcançam mais do que a adolescência na vida perene da glória. Outras ainda, como exprimem coisas fundamentais da mentalidade do seu país, ou da civilização, a que ele pertence, duram tanto quanto dura aquela civilização; essas alcançam a idade adulta da glória universal. Mas outras duram além da civilização, cujos sentimentos expressam. Essas atingem aquela maturidade de vida que é tão mortal como os Deuses, que começam mas não acabam, como acontece com o Tempo; e estão sujeitas apenas ao mistério final que o Destino encobre para todo o sempre (...)»

Fernando Pessoa, in ‘Heróstrato’

Publicado por Violeta Teixeira em 31/07 às 03:03 PM
Categoria • Reflexões • (0) Comentários

PRIMO LEVI FARIA HOJE ANOS

“Tornei-me judeu em Auschwitz. A consciência da minha diferença me foi imposta”.
“É provável que aquele sábio francês, cujo nome eu esqueço e que afirmava estar certo de existir por estar seguro de pensar, não tenha sofrido muito na vida, porque de outro modo teria construído o seu edifício de certezas sobre uma base distinta. Com efeito, muitas vezes quem pensa não está seguro de pensar, seu pensamento ondula entre a vigília e o sonho, foge-lhe das mãos, nega-se a se deixar aprisionar e fixar no papel em forma de palavras. Entretanto quem sofre, sim, quem sofre jamais tem dúvida, quem sofre está sempre seguro, seguro de sofrer e, logo, de existir.”

Primo Levi, 31 de Julho de 1919-1987, judeu italiano foi um dos poucos sobreviventes de Auschwitz, o campo de concentração onde milhões de prisioneiros, judeus como ele, foram assassinados pelos nazistas. Sobreviveu para regressar a Turim, sua cidade-natal, e escrever um dos mais extraordinários e comoventes testemunhos dos campos de extermínio nazista.
Dedicou o resto da sua vida à procura incessante da resposta para a pergunta essencial de Auschwitz: “O que é um homem?”Químico por formação, mas escritor por força do destino, Levi escreveu dezena de títulos, entre memórias, ensaios, ficção e poesia. Sua obra é freqüentemente vista como uma ponte entre dois mundos: antes e após Auschwitz. Primo Levi é, às vezes, lembrado por ter dito que quem passou por campos de concentração nazistas se divide em duas categorias “os que calam e os que falam”. Foi justamente a necessidade de falar, de curar suas feridas espirituais, que levou Primo Levi a construir uma das obras fundamentais sobre os horrores criados pelo regime nazista. Sua obra é uma penosa interrogação sobre a natureza humana. Um testemunho sobre o “mal absoluto” e de como seres humanos conseguiram preservar sua humanidade intacta em face deste mal.

Sua obra, um testemunho

Primo Levi é a testemunha que precisa e quer narrar sua experiência – sabendo não ser esta somente sua, mas de todo o povo judeu – com a máxima transparência e precisão possíveis. A precisão que lhe advém de sua formação de químico, com que ele dosa de forma adequada suas palavras, que são pesadas e repesadas, repensadas e lapidadas. A linguagem é breve para tornar claro e visual tudo o que acontecia em Auschwitz para um judeu que como Levi fora selecionado para viver “por mais algum tempo”.
Levi é a testemunha que precisa fazer justiça às vítimas contando o processo de desumanização e degradação que sofreram e todas as aberrações cometidas pela espécie humana nos campos de aniquilamento nazistas. Em seu primeiro e mais impressionante livro, “Se questo è un uomo” (Se isto é um homem), escrito em 1947, Levi relata o ano que passou em Auschwitz. Os capítulos não obedecem a uma sucessão lógica, mas são escritos segundo a ordem de urgência que o autor sente em narrar o que vivera.
O livro inicia-se (assim como seus outros livros) com uma poesia, com versos duros e amargos. O poema escrito por Levi em janeiro de 1946, que leva o título “Shemá”, quando é publicado separadamente do livro faz eco à oração primor-dial do judaísmo o “Shemá Israel”, oração que Levi aprendeu com 12 anos por ocasião de seus estudos de seu bar-mitzvá. A poesia é um alerta endereçado a todos que vivem em segurança para que meditem sobre os sofrimentos de nosso povo, gravando-os em pedra no coração e os contando a seus filhos para que nunca sejam esquecidos.
Mas, nos anos após a Segunda Guerra Mundial, poucos no mundo queriam saber a verdade sobre a Shoá e os campos de morte nazistas e o livro é recusado por vários editores que o consideraram muito triste. Quando é, finalmente, publicado, apesar de ser bem recebido pelos críticos, vende muito pouco. Reeditado em 1958, ‘Se isto é um homem’ se torna um sucesso de público.
Em 1963, Primo Levi publica seu segundo livro ‘A Trégua’, em que narra os últimos dias em Auschwitz, após os nazistas terem abandonado o campo, e sua viagem de volta para casa, na Itália. O livro é muito bem acolhido pela crítica e pelo publico. Levi passa a ser reconhecido como um grande escritor.
Recordar, contar, refletir e testemunhar continua-rão a ser o tema de todos os seus livros. Em 1963, logo depois de publicar ‘A Trégua’, Levi declara que considerava encerrado seu trabalho testemunhal. Mas nunca lhe foi possível manter esse propósito. Já que ele afirmava… “Com o passar dos anos, essas recordações não empalidecem nem se dissipam, ao contrário, se enriquecem com detalhes que eu acreditava esquecidos e que, às vezes, adquirem sentido à luz das recordações de outras pessoas, de cartas que recebo ou de livros que leio”. Seu último livro, ‘Os afogados e os sobreviventes’ é publicado em 1986. No ano seguinte é indicado para o Prémio Nobel.

Sua morte:
suicídio ou acidente?

Em abril de 1987, aos 68 anos, Primo Levi é encontrado morto no poço da escadaria do apartamento no qual vivera toda a vida. Deixou Lucia, sua esposa, e dois filhos, além de sua mãe. Na época, sua morte foi atribuída a suicídio. Acreditou-se que o grande escritor havia posto um fim à vida, pois esta se tornara pesada demais. Mas, nos últimos anos, três importantes biografias (duas na Inglaterra e uma na França) colocam em dúvida esse suposto suicídio. Afirmam que, provavelmente, foi um acidente provocado pelos remédios que Primo Levi tomava na época.

Uma das mais completas biografias é da escritora e pesquisadora Myriam Anissimov, publicada na França em 1996. Primo Levi é retratado como um homem gentil, um tanto reservado. Em sua essência, era um otimista. Enfrentou a crueldade em sua forma mais irracional. Foi forçado a testar suas certezas racionais e humanas contra a máquina nazista, determinada a transformar suas vítimas em seres desprezíveis antes de exterminá-los. Mas, mesmo assim, não perdeu a lucidez, nem sua fé na racionalidade, sua curiosidade em observar e analisar, mesmo nas horas mais desesperadoras. Por que um homem assim escolheria o suicídio, pergunta Myriam Anissimov em seu livro. E se ele realmente queria acabar com sua vida, por que, sendo químico, não usou uma forma menos traumática? Por que não deixou algo escrito, uma última mensagem? Acreditar que um homem assim se suicidou é difícil, porém a verdade sobre os últimos instantes do grande escritor nunca será descoberta. Talvez, no fim, Auschwitz tenha atingido seu objetivo, cobrando-lhe a vida tantos anos depois. Mas não resta dúvida que a vida de Primo Levi pode ser dividida em dois períodos distintos: antes e depois de Auschwitz.

In Título da matéria - ed.41 - Página1

Publicado por Violeta Teixeira em 31/07 às 02:51 PM
Categoria • Citações • (8) Comentários

Terça-feira, 29 Julho, 2008

«TODO O PRESENTE ESPERA PELO PASSADO PARA NOS COVOVER»

Registo fotográfico da autoria de Hugo Tinoco-Olhares.com

«Há vária gente que não gosta de evocar o passado. Uns por energia, disciplina prática e arremesso. Outros por ideologia progressista, visto que todo o passado é reaccionário. Outros por superficialidade ou secura de pau. Outros por falta de tempo, que todo ele é preciso para acudir ao presente e o que sobra, ao futuro. Como eu tenho pena deles todos. Porque o passado é a ternura e a legenda, o absoluto e a música, a irrealidade sem nada a acotovelar-nos. E um aceno doce de melancolia a fazer-nos sinais por sobre tudo. Tanta hora tenho gasto na simples evocação. Todo o presente espera pelo passado para nos comover. Há a filtragem do tempo para purificar esse presente até à fluidez impossível, à sublimação do encantamento, à incorruptível verdade que nele se oculta e é a sua única razão de ser. O presente é cheio de urgências mas ele que espere. Ha tanto que ser feliz na impossibilidade de ser feliz. Sobretudo quando ao futuro já se lhe toca com a mão. Há tanto que ter vida ainda, quando já se a não tem… »

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 5’

Publicado por Violeta Teixeira em 29/07 às 03:57 PM
Categoria • Reflexões • (0) Comentários

Fracasso

ausencia.wordpress.com/2007/05/

«Fracasso é a desistência, seja de uma meta, de um “lugar de chegada, ou qalquer questão a que gostaríamos de chegar a um determinado ponto.Também não acredito que seja através “desses momentos” que aprendemos “a vencer” e sim nos entristecemos muito pelo esforço dispendido, no máximo, se e somente se o equilíbrio pessoal estiver em ordem, conseguiremos localizar os pontos fracos onde devemos “trabalhar” para o futuro.
Não confundamos isso com Intelig~encia Emocional, que é um termo usado para “controle e uso próprio” das emoções.

Na verdade, o fracasso pode estar dentro e fora da mente simultâneamente,ás vezes independente do interior de cada um.O importante é ter a clareza de idéias a ponto de perceber o que ocasionou o resultado não desejado.
Fala-se muito em inteligência emocional e faz-se muito pouco uso dela, para perceber isso basta refletir sobre as reações das pessoas no dia a dia, com certeza verá a forma radical e egocêntrica da maioria despreparada para um novo tipo de relacionamento interpessoal.»

In Via6

Publicado por Violeta Teixeira em 29/07 às 03:49 PM
Categoria • Citações • (0) Comentários

CACOS

CACOS

Estejam abertos ou fechados,
Os meus olhos só vêem cacos
Em todos os meus domínios
Privados. Tudo são cacos.

Os objectos que estão a ver
Intactos, são, para mim, cacos,
Pela razão óbvia de que serão
Cacos, hoje ou amanhã. Não me
Queiram provar que o não são.

Gostariam de ver como se fazem
Cacos? Olhem para estes pratos.
Oiçam ,primeiro, a música estilhaçada,
E, atentem ,em seguida, nesta espécie
De milagre da multiplicação dos cacos.

Vejam em quantos cacos se transforma
A minha baixela. E não vale a pena
Pensar-se que, encaixados, os cacos
Serão, alguma vez, pratos ou jarros,
Chávenas ou copos. Desenganem-se!
Sobrarão sempre cacos, e nunca se restituirá
A velha baixela da Bavária. Nunca mais.

Espero que não me peçam para
Fazer, neste espaço, trabalhos de
Campo, com arqueólogos do fracasso.

Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 29/07 às 03:27 PM
Categoria • Poesia • (0) Comentários

Segunda-feira, 28 Julho, 2008

A LEITURA

Imagem ilustrativa de William Morris

«Se o gosto pelos livros aumenta com a inteligência, os perigos, como vimos, diminuem com ela. Um espírito original sabe subordinar a leitura à actividade pessoal. Ela é para ele apenas a mais nobre das distrações, sobretudo a mais enobrecedora, pois, só a leitura e o saber conferem «as boas maneiras» do espírito. O poder da nossa sensibilidade e da nossa inteligência, só o podemos desenvolver dentro de nós próprios, nas profundezas da nossa vida espiritual. Mas é nesse contacto com os outros espíritos que a leitura é, que se faz a educação das “maneiras” do espírito. Os letrados permanecem, apesar de tudo, como as pessoas notáveis da inteligência, e ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ciência literária, será sempre, mesmo num homem de génio, uma marca de grosseria intelectual. A distinção e a nobreza consistem na ordem do pensamento também, numa espécie de franco-maçonaria de costumes, e numa herança de tradições.

Marcel Proust, in ‘O Prazer da Leitura’

Publicado por Violeta Teixeira em 28/07 às 11:01 AM
Categoria • Reflexões • (0) Comentários

A AMIZADE

Paul Gauguin

«(A amizade) esse uníssono no peito, quando uma mesma corda estendida entre dois corações vibra em ambos ao mesmo tempo.»

Jean Paul

Publicado por Violeta Teixeira em 28/07 às 10:52 AM
Categoria • Citações • (0) Comentários

Domingo, 27 Julho, 2008

SAGA DO SER?

Trabalho fotográfico de Guilherme Santos-Olhares.com

Neste iniciando alvorecer,
De desperdício de sol,
Sou a nula expectativa,

Que vou morfinizando
Com a seringa da escrita: saga
Do ser?

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 27/07 às 11:34 PM
Categoria • Poesia • (0) Comentários

Sábado, 26 Julho, 2008

PENSAR

Obra escultórica de Constantin Brancusi

«Se grandes invenções ou descobertas, como o fogo, a roda ou a alavanca, se fizeram antes que o homem fosse, historicamente, capaz de escrever, também se põe como fora de dúvida que mais rapidamente se avançou quando foi possível fixar inteligência em escrita, quando o saber se pôde transmitir com maior fidelidade do que oralmente, quando biblioteca, em qualquer forma, foi testamento do passado e base de arranque para o futuro. A livro se veio juntar arquivo, para o que mais ligeiro se afigurava; e fora de bibliotecas ou arquivos ficaram os milhões de páginas de discorrer ou emoção humana que mais ligeiras pareceram ainda, ou menos duradouras. Escrevendo ou lendo nos unimos para além do tempo e do espaço, e os limitados braços se põem a abraçar o mundo; a riqueza de outros nos enriquece a nós. Leia.

Milhões de homens, porém, no mundo actual estão incapacitados de escrever e de ler, muito menos porque faltam métodos e meios do que incitamento que os levante acima do seu tão difícil quotidiano e vontade de quem mais pode de que seus reais irmãos mais dependam de si próprios do que de exteriores e quase sempre enganadoras salvações. Mais se comunica falando do que de qualquer outra forma; o que nos dizem muitas vezes nos parece de nenhuma importância, mas talvez tenha havido uma falha na atitude de escutar do que no conteúdo do que se disse; porventura a palavra-chave estava aí, mas estávamos distraídos, ou ansiosos por nós próprios falarmos; e no vento fugiu, a outros ouvidos ou a nenhuns. Ouça.
No tempo em que a antropologia ainda julgava que o homem descendia do macaco notou-se, para os distinguir, que um, mesmo no estádio mais primitivo, desenhava; o outro, mesmo que antropóide superior, nem olhava o desenho. Imagem nos veio acompanhando pela História fora, desde as pinturas ou gravuras rupestres, cujo verdadeiro significado ainda está por encontrar, até cinema ou televisão, sobre cujo significado igualmente muitas vezes nos podemos interrogar e que se tem de arrancar o mais depressa possível ao domínio do lucro, da publicidade ou das propagandas ideológicas para que possam cumprir, como nas formas mais antigas, a sua missão de iluminar, inspirar e consagrar o mundo. Imagem o cerca. Veja.
Mas o que vê e ouve ou lê nada mais lhe traz senão matéria-prima de pensamento, já livre de muita impureza de minério bruto, porquanto antes do seu outros pensamentos o pensaram; mas, por o pensarem, alguma outra impureza lhe terão juntado. Nunca se precipite, pois, a aderir; não se deixe levar por nenhum sentimento, excepto o do amor de entender, de ver o mais possível claro dentro e fora de si; critique tudo o que receba e não deixe que nada se deposite no seu espírito senão pela peneira da crítica, pelo critério da coerência, pela concordância dos factos; acredite fundamentalmente na dúvida construtiva e daí parta para certezas que nunca deixe de ver como provisórias, excepto uma, a de que é capaz de compreender tudo o que for compreensível; ao resto porá de lado até que o seja, até que possa pôr nos pratos da sua balancinha de razão. A tudo pese. Pense.»

Publicado por Violeta Teixeira em 26/07 às 03:36 PM
Categoria • Reflexões • (0) Comentários

EUGÈNE-HENRI-PAUL GAUGUIN

Obra pictórica de Paul Gauguin

Eugène-Henri-Paul Gauguin (Paris, 7 de Junho de 1848 - Ilhas Marquesas, 8 de Maio de 1903) foi um pintor francês do pós-impressionismo.
Apesar de nascido em Paris, Gauguin viveu os primeiros sete anos de sua vida em Lima, no Peru, para onde seus pais se mudaram após a chegada de Napoleão III ao poder. Seu pai pretendia trabalhar em um jornal da capital peruana e foi o idealizador da viagem. Porém, durante a longa e terrível viagem de navio acabou por ter complicações de saúde e faleceu. Assim, o futuro pintor desembarcou em Lima apenas com sua a mãe e irmã.
Quando voltou para sua cidade natal, França, em 1855, Gauguin estudou em Orléans e, aos 17 anos, ingressou na marinha mercante e correu o mundo. Trabalhou em seguida numa corretora de valores parisiense e, em 1873, casou-se com a dinamarquesa Mette Sophie Gad, com quem teve cinco filhos.
Aos 35 anos, após a quebra da Bolsa de Paris, tomou a decisão mais importante de sua vida: dedicar-se totalmente à pintura. Começou assim uma vida de viagens e boémia, que resultou numa produção artística singular e determinante das vanguardas do século XX. Ao contrário de muitos pintores, não se incorporou ao movimento impressionista da época. Expôs pela primeira vez em 1876. Mas não seria uma vida fácil, tendo atravessado dificuldades econômicas, problemas conjugais, privações e doenças.
Foi então para Copenhagen, onde acabou ocorrendo o rompimento de seu casamento.
Sua obra, longe de poder ser enquadrada em algum movimento, foi tão singular como a de seus amigos Van Gogh ou Paul Cézanne. Apesar disso, é verdade que teve seguidores e que pode ser considerado o fundador do grupo Les Nabis, que, mais do que um conceito artístico, representava uma forma de pensar a pintura como filosofia de vida.
Suas primeiras obras tentavam captar a simplicidade da vida no campo, algo que ele consegue com a aplicação arbitrária das cores, em oposição a qualquer naturalismo, como demonstra o seu famoso Cristo Amarelo. As cores se estendem planas e puras sobre a superfície, quase decorativamente.
O pintor parte para o Taiti, em busca de novos temas, para se libertar dos condicionamentos da Europa. Suas telas surgem carregadas da iconografia exótica do lugar, e não faltam cenas que mostram um erotismo natural, fruto, segundo conhecidos do pintor, de sua paixão pelas nativas. A cor adquire mais preponderância representada pelos vermelhos intensos, amarelos, verdes e violetas.
Morou durante algum tempo em Pont-Aven, na Bretanha, onde sua arte amadureceu. Posteriormente, morou no sul da França, onde conviveu com Vincent van Gogh. Numa viagem à Martinica, em 1887, Gauguin passou a renegar o impressionismo e a empreender o “retorno ao princípio”, ou seja, à arte primitivista.
Tinha idéia de voltar ao Taiti, porém não dispunha de recursos financeiros. Com o auxílio de amigos, também artistas, organizou um grande leilão de suas obras. Colocou à venda cerca de 40 peças. A maioria foi comprada pelos próprios amigos de Gauguin, como por exemplo Theo Van Gogh, irmão de Vincent van Gogh, que trabalhava para a Casa Goupil (importante estabelecimento que trabalhava com obras de arte).
Mesmo conseguindo menos de 3 mil francos, em meados de 1891 regressou ao Taiti, onde pintou cerca de uma centena de quadros sobre tipos indígenas, como “Vahiné no te tiare” ("A moça com a flor") e “Mulheres de Taiti”, além de executar inúmeras esculturas e escrever um livro, Noa noa.
Quando voltou a Paris, realizou uma exposição individual na galeria de Durand-Ruel, voltou ao Taiti, mas fixou-se definitivamente na ilha Dominique. Nessa fase, criou algumas de suas obras mais importantes, como “De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?”, uma tela enorme que sintetiza toda sua pintura, realizada antes de uma frustrada tentativa de suicídio utilizando arsénio.
Em setembro de 1901, transferiu-se para a ilha Hiva Oa, uma das Ilhas Marquesas, onde veio a falecer de sífilis.
Características de sua obra
Gauguin desenvolveu as técnicas do “sintetismo” e “cloisonnisme” (alveolismo), estilos de representação simbólica da natureza onde são utilizadas formas simplificadas e grandes campos de cores vivas chapadas, que ele fechava com uma linha negra, e que mostravam uma forte influência das gravuras japonesas.
A sua pintura é caracterizada por:
Natureza alegórica, decorativa e sugestiva;
Formas dimensionais, estilizadas, sintéticas e estáticas.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por Violeta Teixeira em 26/07 às 03:28 PM
Categoria • Citações • (1) Comentários

CONVOCO, SONHANDO O ONTEM

Trabalho fotográfico da autoria de Paulo César-Olhares.com

Convoco, sonhando o ontem,
O silêncio molhado
E quente do teu corpo.

Violeta Teixeira, inédito ( ROSAS DE JERICHÓ)

Publicado por Violeta Teixeira em 26/07 às 09:49 AM
Categoria • Poesia • (0) Comentários

Quinta-feira, 24 Julho, 2008

AS TUAS MÃOS

AS TUAS MÃOS

Recordo-as.
São folhas de álamos.
Tremulam-me
No silêncio azul
Do sangue.

Violeta Teixeira, inédito ( ROSAS DE JERICHÓ)

Publicado por Violeta Teixeira em 24/07 às 10:45 AM
Categoria • Poesia • (0) Comentários

Terça-feira, 22 Julho, 2008

DESESPERO

Trabalho fotográfico de Xanadu-Olhares.com

Desespero de me não
Saber ser

Laje de pedra.

Apenas!

Serena e sóbria.

Violeta Teixeira, in AFLUENTES LUNARES, 1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira, 1ª edição, 2000, co-edição Magno Edições /Câmara Municipal de Leiria, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 22/07 às 02:08 PM
Categoria • Poesia • (0) Comentários

SENTIMENTO

Trabalho fotográfico de Johanes-Olhares.com

«Creio que a intensidade de um sentimento tem que ver com o número de elementos a que se aplica. Penso assim que ele varia na razão inversa do número desses elementos. Quanto maior for o número de filhos, menor é a alegria ou o desgosto que cada um provoca ao pai. O máximo de sentir diz respeito a todos e divide-se portanto por cada um. Se um indivíduo é o chefe de um povo, transfere para a colectividade a sua capacidade de sentir. Assim ele é praticamente insensível perante a sorte de cada um. A famosa insensibilidade de um chefe tem que ver com isso. O mesmo para o autodomínio que se refere a um indivíduo particular. Julgo que na realidade se trata de uma distribuição do seu sentir por vários elementos dos quais por exemplo os filhos (ou ele próprio) são apenas uma fracção. O resto dessa fracção pode ir para os seus negócios, o seu partido político, os seus amigos ou amantes, o seu clube. E então o admitável autodomínio tem apenas que ver com uma parcela do sentir. E com essa parcela já se pode ser forte e aguentar. Isto, se se não trata apenas, como julgo já ter dito, de uma alienação da emotividade e seu motivo, ou seja de um apartá-los de si, de um torná-los estranhos, ou alheios, como na situação vulgar de uma dor que é dos outros e nos não diz portanto respeito. É, de resto, o que até certo ponto eu tento aqui com o caso do Lúcio, reduzindo-o à escrita, ou seja objectivando-o, ou seja, separando-o de mim.»

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 5’

Publicado por Violeta Teixeira em 22/07 às 01:54 PM
Categoria • Reflexões • (0) Comentários

CRÍTICA/INVEJA

Trabalho fotográfico de Guilherme Santos-Olhares.com

«A crítica é o imposto que a inveja cobra do mérito»

Lévis, (Duque de)

(Duque de) Lévis
França, [1764-1830], Escritor/Militar

Publicado por Violeta Teixeira em 22/07 às 01:42 PM
Categoria • Citações • (0) Comentários

Página 1 de 5 páginas  1 2 3 >  Último »