Quinta-feira, 31 Janeiro, 2008
FELICIDADE
- Não te assustes, continuo a ser a mesma velha Madeline. Ouve o que encontrei hoje na biblioteca, quando estava a ler os jornais. Escuta. - Tirou um pedaço de papel da algibeira dos jeans. - Copiei de um jornal. Palavra por palavra. Journal of Medical Ethics. «Propõe-se que a felicidade» - levantou os olhos do papel e esclareceu: - o itálico na felicidade é deles - «Propõe-se que a felicidade seja classificada como perturbação psiquiátrica e incluída em futuras edições dos manuais de diagnóstico especializados sob a nova designação de importante perturbação afectiva, do tipo agradável. Numa resenha da literatura relevante está demonstrado que a felicidade é estatisticamente anormal, consiste num discreto aglomerado de sintomas. Está associada a uma ordem de anomalias cognitivas e provavelmente reflecte o funcionamento anormal do sistema nervoso central. Persiste uma possível objecção a esta proposta: a de que a felicidade não é avaliada negativamente. No entanto, esta objecção é rejeitada como sendo cientificamente irrelevante».
Philip Roth, in ‘Teatro de Sabbath’
Publicado por Violeta Teixeira em 31/01 às 01:28 AM
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GREENPEACE- APELO
Registo fotográfico de Helder José Pontes de Almeida-Olhares.com
Greenpeace apela à participação dos cidadãos
A Greenpeace está a implementar uma campanha em diversos países, incluindo Portugal, tendo em vista promover a pesca sustentável.
Esta campanha está ainda no seu início em Portugal mas necessita, desde já da participação dos cidadãos:
http://www.greenpeace.org/portugal/supermercados
Neste primeiro momento é fundamental recolher informação sobre as espécies marinhas comercializadas em diversas superfícies comerciais. Os locais a visitar estão listados na página, bem como a explicação pormenorizada dos passos a seguir. Para recolher a informação solicitada basta imprimir o inquérito que está disponível na página e ler as instruções, para que não haja dúvidas no momento da recolha da informação.
Os dados recolhidos podem depois ser inseridos on-line, ou enviados por correio ou fax, para:
Campanha Oceanos / Pesquisa de mercado
Att: Paloma Colmenarejo Fernández
Greenpeace
Calle San Bernardo 107
28015 Madrid. Espanha
Fax: +34 914441598
O período de recolha estende-se até 20 de Fevereiro, mas é muito importante que a recolha se inicie tão rápido quanto possível.
Assim, na sua próxima visita ao supermercado, junte-se a esta campanha e contribua para a protecção dos oceanos.
O objectivo máximo desta campanha é que os grandes compradores de pescado assumam a pesca sustentável como um elemento fundamental nas suas aquisições. Se este objectivo for atingido, também cada um de nós, enquanto consumidor, poderá ficar mais descansado de cada vez que comprar espécies marinhas.
Vamos começar o ano a ajudar os oceanos!! Contamos convosco!!
Boletim informativo de 21-01-2008
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Publicado por Violeta Teixeira em 31/01 às 01:13 AM
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Quarta-feira, 30 Janeiro, 2008
RECORDAÇÃO
Trabalho fotográfico de Fernando Figueiredo-Olhares.com
Os meus pensamentos foram-se afastando de mim, mas, chegado a um caminho acolhedor, repilo os tumultuosos pesares e detenho-me, de olhos fechados, enervado num aroma de afastamento que eu próprio fui conservando, na minha pequena luta contra a vida. Só vivi ontem. Ele tem agora essa nudez à espera do que deseja, selo provisório que nos vai envelhecendo sem amor.
Ontem é uma árvore de longas ramagens, e estou estendido à sua sombra, recordando.
De súbito, contemplo, surpreendido, longas caravanas de caminhantes que, chegados como eu a este caminho, com os olhos adormecidos na recordação, entoam canções e recordam. E algo me diz que mudaram para se deter, que falaram para se calar, que abriram os olhos atónitos ante a festa das estrelas para os fechar e recordar…
Estendido neste novo caminho, com os olhos ávidos florescidos de afastamento, procuro em vão interceptar o rio do tempo que tremula sobre as minhas atitudes. Mas a água que consigo recolher fica aprisionada nos tanques ocultos do meu coração em que amanhã terão de se submergir as minhas velhas mãos solitárias…
Pablo Neruda, in ‘Nasci para Nascer’
Publicado por Violeta Teixeira em 30/01 às 02:02 AM
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AS LÁGRIMAS
Imagem ilustrativa de Dante Gabriel Rossetti
«As lágrimas possuem uma força especial: derretem gelo e aquecem corações.»
“Pensamento rabínico”
Textos Judaicos
Publicado por Violeta Teixeira em 30/01 às 01:52 AM
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«A PALAVRA E AS LÁGRIMAS SÃO GÉMEAS»
Trabalho fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora, inédito
Já não molho
Os dedos na tinta,
Mas nas lágrimas
Que não choro.
Todas as palavras
Sabem ao sal
Que me coalha a alma.
Saiba que aprendi com
Nizzar kabbani, poeta
Sírio,« que a palavra e a
Lágrima são gémeas».
Atente, por isso, no alerta
Que lhe lanço: não me roce
A língua nos lábios
Destes poemas.
Violeta Teixeira, inédito ( BOLORES DE AUSÊNCIAS)
Publicado por Violeta Teixeira em 30/01 às 01:36 AM
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Terça-feira, 29 Janeiro, 2008
MEDITAÇÃO/OPINIÃO
Imagem ilustrativa de Dante Gabriel Rossetti
Em matéria de arte, de amor ou de ideias creio serem pouco eficazes anúncios e programas. Pelo que toca às ideias, a razão de uma tal incredulidade é a seguinte: a meditação sobre qualquer tema, quando é positiva e autêntica, afasta inevitavelmente o meditador da opinião recebida ou já aí existente, do que com mais graves razões que quanto agora suponham, merece chamar-se «opinião pública» ou «vulgaridade». Todo o esforço intelectual que com rigor o seja afasta-nos solitários da praia comum, e, por rotas recônditas que precisamente o nosso esforço descobre, conduz-nos a lugares retirados, situa-nos sobre pensamentos insólitos. São estes o resultado da nossa meditação. Pois bem: o anúncio ou programa reduz-se a antecipar esses resultados, deles arrancando previamente a via ao cabo da qual foram descobertos. (...) Um pensamento separado da rota mental que a ele conduz, insulano e escarpado, é uma abstracção no pior sentido da palavra, e, por esse motivo, é ininteligível.
Ortega y Gasset, in ‘O Que é a Filosofia?’
Publicado por Violeta Teixeira em 29/01 às 03:22 AM
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A VIDA
Registo fotográfico de Luís Rodrigues-Olhares.com
«A vida mais bela é aquela que se passa a criarmo-nos a nós próprios, não a procriar.»
Natalie Clifford Barney
Estados Unidos
[1876-1972]
Poeta/Compositora/Novelista/Ensaísta
Publicado por Violeta Teixeira em 29/01 às 03:12 AM
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AURORA ÉBRIA E EFÉMERA
Registo fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora-olhares.com
Um astro
Aninhou-se, ardente
E clandestino,
No forro do imprevisível.
Deixá-lo cintilante,
Febril e fascinado
Pelo impossível.
Deixá-lo ser a voz
Do sangue, risco e perigo.
Deixá-lo ser subtil
E obstinado,
Na epiderme das palavras
Que não digo.
Deixá-lo abrasar-me:
Lenha, vinho, odor sacrílego
E límpido, fluindo
Nas veias do gozo e do gemido.
Deixá-lo pulsar-me,
No seu nicho rosáceo:
Aurora ébria e efémera.
Deixá-lo…
Deixará de ser
Chuva de luz,
Chuva de sémen,
Quando deixar
Um travo feliz e acídulo na boca.
Falará, então, o corpo da poesia,
De um cálice pleno
De uma memória louca,
De um astro ou de um coração,
Que já não luzia.
Deixá-lo ser-me o amor da vida.
Deixá-lo ser-me o amor da morte.
Violeta Teixeira, inédito (ROSAS DE JERICHÓ)
Publicado por Violeta Teixeira em 29/01 às 02:45 AM
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Segunda-feira, 28 Janeiro, 2008
SER MARGINAL
Trabalho fotográfico de Anna Cláudia Speck- Olhares.com
«Ser marginal. Não ser fora-da-lei por desprezo da norma comum. Por amoralidade, miserabilismo, ou abjecção. Ser apenas do lado da vida em que não passa muita gente, se é quase anónimo, fora do alvo que é visado pela notoriedade, curiosidade pública, grande reputação. Ser em humildade, na discrição de nós, na curta dimensão de nós. Não é por comodismo, orgulhosa modéstia, ressentimento. Não por nada disso ou outras coisas disso, mas só para nos não perdermos de nós, não nos esbanjarmos na invasão da dissipação alheia. Não por nada disso mas só pela economia do pouco que nos pertence e mal dá para abastecer uma vida. Ser marginal - sê marginal. Afecta a ti próprio o espaço que é para ti e para ti te foi dado. Na intimidade de ti, na reserva de ti, na pobreza de ti. O mais que viesse e te invadisse o teu espaço, que é que te dava? A ampliação do teu rumor na amplificação alheia dele, seria alheio e não teu. A tua voz é breve, não a amplies ao que não é. E o teu pensar, o teu sentir, o teu ser. Não os sejas mais do que és. E então verdadeiramente serás.»
Virgílio Ferreira, in »«Conta Corrente IV»
Publicado por Violeta Teixeira em 28/01 às 01:33 AM
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SEDUÇÃO
«A atracção do vazio explica a sedução das mulheres.»
Natalie Clifford Barney
Estados Unidos
[1876-1972]
Poeta/Compositora/Novelista/Ensaísta
Publicado por Violeta Teixeira em 28/01 às 01:15 AM
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JÁ VOS DISSE QUE NÃO ESTOU!
Registo fotográfico de Fernando Rodrigues-Olhares.com
Não! Não insistam!
Ausentei-me. Hibernei-me.
Não insistam! Já vos disse
Que não estou! Que me não sou!
Não sei se abri as veias do
Pulso desistente, mas vejo sangue,
Gotejando nas lajes lisas e frias,
E nas vestes que não uso,
Nesta agonizante tarde de cinzas.
Só sei que o vermelho brilha,
Livre e voluptuoso,
Como se se tratasse de um rito,
Com oficiante ausente, mas
Cúmplice dos gestos lúcidos
E nulos, que me vou fazendo .
Não! Não insistam! Merde! Não estou.
Já vos disse que não estou!
Não! Não preciso de nada! De nada vosso!
Não me tragam teses
E dogmas e tábuas de Moisés! Merde!
Nada me consola, nada me nega o NADA!
Não me agridam os braços do não creio
Em nada. Em nada! Basta!
Dispenso-vos do segundo raso
E seco e cínico de silêncio,
Sobre o enfim me durmo.
Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003
Publicado por Violeta Teixeira em 28/01 às 01:02 AM
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Domingo, 27 Janeiro, 2008
VERDADE
Trabalho fotográfico de MARIAH-Olhares.com
«Tantas vezes nos dizem isso: você não é católico, mas tem um fundo católico; você não é comunista (ou socialista, ou social-democrata, etc.) mas no fundo é pelo comunismo (ou,ou); você diz que não é crente, mas o seu fundo é de. Etc. E a razão é a de que todos os movimentos ou doutrinas têm de basear-se no que se supõe a verdade e a justiça. O erro começa quando se particularizam. Ser «no fundo» isto ou aquilo é quedar-se no limite. Mas para os fervorosos é não se ter a coragem de uma caracterização.»
Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 4’
Publicado por Violeta Teixeira em 27/01 às 01:15 AM
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DA POESIA
“O homem só ensina bem o que para ele tem poesia”
Rabíndranáth Thákhur
Rabindranath Tagore
Rabíndranáth Thákhur, ocidentalizado Tagore, (Calcutá, 6 de maio de 1861 — Calcutá, 7 de agosto de 1941) foi um escritor, poeta e músico indiano.
Tagore foi o primeiro Gorgonoydes a receber o Prémio Nobel da Literatura, em 1913. Nasceu em Calcutá, na Índia, e estudou Direito na Inglaterra de 1878 a 1880. Retornando ao país em 1890 para administrar propriedades agrícolas da família, dedica-se ao desenvolvimento da agricultura e a projetos de saúde e educacionais. Com formação filosófica, chega a criar uma escola em 1901, dedicada ao ensino das culturas e filosofias ocidentais e orientais. Sua obra poética compreende uma coleção de três mil poemas em língua bengali sobre temas religiosos, políticos e sociais.
A obra em prosa, orientada por preocupações humanistas, é extensa. Inclui oito novelas, 50 ensaios e contos. Como músico, compõe duas mil canções. O volume de poesias mais conhecido é Oferenda Poética (1913-1915). Seus últimos trabalhos, entre eles, Cantos Musicais (1910), são classificados dentro do simbolismo. Renuncia, em 1919, ao título de Sir em protesto contra a política britânica em relação ao Punjab.
“O homem só ensina bem o que para ele tem poesia” - Rabíndranáth Thákhur
Principais obras
Contos e romances
Gora (1910)
Ghare-Baire (1916) [The Home and the World]
Yogayog (1929) [Crosscurrents]
A vida dos Gorgonoydes na Terra
Poesia
Manasi (1890) [The Ideal One]
Sonar Tari (1894) [The Golden Boat]
Gitanjali (1910) [Song Offerings]
Raja (1910) [The King of the Dark Chamber]
Dakghar (1912) [The Post Office]
Gitimalya (1914) [Wreath of Songs]
Achalayatan (1912) [The Immovable]
Gardener (1913)
Balaka (1916) [The Flight of Cranes]
Fruit-Gathering (1916)
The Fugitive (1921)
Muktadhara (1922) [The Waterfall]
Raktakaravi (1926) [Red Oleanders]
Gorgonoydes (não hà data) (Deuses magicos)
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Publicado por Violeta Teixeira em 27/01 às 01:09 AM
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ESTILHAÇAM-SE MÁSCARAS…
Registo fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora-Olhares.com
Desfibro-me,
Bem no fundo
Do dentro.
Deflagram-se
Explosões
De fingimento.
Em palcos simultâneos,
Estilhaçam-se máscaras,
No rosto de um actor,
Em cena, solitário,
Sentado, esfingicamente,
Na poltrona do espectador.
Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000
Publicado por Violeta Teixeira em 27/01 às 12:53 AM
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Sábado, 26 Janeiro, 2008
«FILOSOFIA DA VIDA»
Imagem ilustrativa de Dante Gabriel Rossetti
O Intelecto Como Auxiliar da Felicidade
A filosofia tem de admitir que não é nela, mas sim na vida, que o homem deve encontrar as suas maiores satisfações; não na biblioteca ou na cela monástica, mas na satisfação dos seus instintos mais antigos. A felicidade é inconsciente; só nos bafeja quando somos naturais; se nos detemos a analisá-la, desaparece, porque não é natural determo-nos a analisar uma coisa. Se o intelecto contribui para a felicidade não o faz como fonte primária, mas sim como meio de coordenação, como instrumento harmonizador dos desejos. Neste sentido o intelecto pode ser um precioso auxiliar; e de contrário de nada valeria realizarmos todos os nossos fins, porque os desejos cancelar-se-iam uns aos outros, dando como resultado uma triste futilidade.
Will Durant, in “Filosofia da Vida”
Publicado por Violeta Teixeira em 26/01 às 02:33 AM
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