Quarta-feira, 31 Outubro, 2007
HUMÍLIMA HOMENAGEM
Faria hoje 105 anos
«A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca.»
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) é considerado um dos principais poetas da literatura brasileira devido à repercussão e alcance de suas obras. Nasceu em Minas Gerais, em uma cidade cuja memória viria a permear parte de sua obra. Formado em farmácia, durante a maior parte da vida foi funcionário público, embora tenha começado a escrever cedo e prosseguido até seu falecimento, que se deu em 1987 no Rio de Janeiro, doze dias após a morte de sua única filha, a escritora Maria Julieta Drummond de Andrade. Além de poesia, produziu livros infantis, contos e crônicas.
Drummond e o Modernismo brasileiro
Drummond, como os modernistas, proclama a liberdade das palavras, uma libertação do idioma que autoriza modelação poética à margem das convenções usuais. Segue a libertação proposta por Mário de Andrade; com a instituição do verso livre, acentua-se a libertação do ritmo, mostrando que este não depende de um metro fixo (impulso rítmico). Se dividirmos o Modernismo numa corrente mais lírica e subjetiva e outra mais objetiva e concreta, Drummond faria parte da primeira, ao lado do próprio Mário de Andrade.
A poesia de Drummond
Quando se diz que Drummond foi o primeiro grande poeta a se afirmar depois das estréias modernistas, não se está querendo dizer que Drummond seja um modernista. De fato herda a liberdade lingüística, o verso livre, o metro livre, as temáticas cotidianas. Mas vai além. “A obra de Drummond alcança — como Fernando Pessoa ou Jorge de Lima, Herberto Helder ou Murilo Mendes — um coeficiente de solidão, que o desprende do próprio solo da História, levando o leitor a uma atitude livre de referências, ou de marcas ideológicas, ou prospectivas”, afirma Alfredo Bosi (1994).
Affonso Romano de Sant’ana costuma estabelecer que a poesia de Carlos Drummond a partir da dialética “eu x mundo”, desdobrando-se em três atitudes:
• Eu maior que o mundo — marcada pela poesia irônica
• Eu menor que o mundo — marcada pela poesia social
• Eu igual ao mundo — abrange a poesia metafísica
Sobre a poesia política, algo incipiente até então, deve-se notar o contexto em que Drummond escreve. A civilização que se forma a partir da Guerra Fria está fortemente amarrada ao neocapitalismo, à tecnocracia, às ditaduras de toda sorte, e ressoou dura e secamente no eu artístico do último Drummond, que volta, com freqüência, à aridez desenganada dos primeiros versos: A poesia é incomunicável / Fique quieto no seu canto. / Não ame. No final da década de 1980, o erotismo ganha espaço na sua poesia até seu último livro.
Temas típicos da poesia de Drummond
• O Indivíduo: “um eu todo retorcido”. o indivíduo na poesia de Drummond é complicado, torturado, estilhaçado.
• A Terra Natal: a relação com o lugar de origem, que o indivíduo abandona.
• A Família: O indivíduo interroga, sem alegria, mas sem sentimentalismo, a estranha realidade familiar, a família que existe nele próprio.
• Os Amigos: “cantar de amigos”, (título que parafraseia com as Cantigas de Amigo). Homenagens a figuras que o poeta admira, próximas ou distantes, de Mário de Andrade a Manuel Bandeira, de Machado de Assis a Charles Chaplin.
• O Choque Social. O espaço social onde se expressa o indivíduo e as suas limitações face aos outros.
• O Amor: Nada romântico ou sentimental, o amor em Drummond é uma amarga forma de conhecimento dos outros e de si próprio
• A Poesia. O fazer poético aparece como reflexão ao longo da sua poesia.
• Exercícios lúdicos, ou poemas-piada. Jogos com palavras, por vezes de aparente inocência naïf.
• A Existência: a questão de estar-no-mundo…
Obra Literária
Poesia
• Alguma Poesia (1930)
• Brejo das Almas (1934)
• Sentimento do Mundo (1940)
• José (1942)
• A Rosa do Povo (1945)
• Claro Enigma (1951)
• Fazendeiro do ar (1954)
• Quadrilha (1954)
• Viola de Bolso (1955)
• Lição de Coisas (1964)
• Boitempo (1968)
• A falta que ama (1968)
• Nudez (1968)
• As Impurezas do Branco (1973)
• Menino Antigo (Boitempo II) (1973)
• A Visita (1977)
• Discurso de Primavera (1977)
• Algumas Sombras (1977)
• O marginal clorindo gato (1978)
• Esquecer para Lembrar (Boitempo III) (1979)
• A Paixão Medida (1980)
• Caso do Vestido (1983)
• Corpo (1984)
• Amar se aprende amando (1985)
• Poesia Errante (1988)
• O Amor Natural (1992)
• Farewell (1996)
• Os ombros suportam o mundo
• Futebol a arte (1970)
Antologia poética
• 50 poemas escolhidos pelo autor (1956)
• Antologia Poética (1962)
• Antologia Poética (1965)
• Seleta em Prosa e Verso (1971)
• Amor, Amores (1975)
• Carmina drummondiana (1982)
• Boitempo I e Boitempo II (1987)
• A última pedra no meu caminho ( 1950)
• Minha morte(1987)ligação externa
Infantis
• O Elefante (1983)
• História de dois amores (1985)
• O pintinho (1988)
Prosa
• Confissões de Minas (1944)
• Contos de Aprendiz (1951)
• Passeios na Ilha (1952)
• Fala, amendoeira (1957)
• A bolsa & a vida (1962)
• Cadeira de balanço (1966)
• Caminhos de João Brandão (1970)
• O poder ultrajovem e mais 79 textos em prosa e verso (1972)
• De notícias & não-notícias faz-se a crônica (1974)
• Os dias lindos (1977)
• 70 historinhas (1978)
• Contos plausíveis (1981)
• Boca de luar (1984)
• O observador no escritório (1985)
• Tempo vida poesia (1986)
• Moça deitada na grama (1987)
• O avesso das coisas (1988)
• Auto-retrato e outras crônicas (1989)
• As histórias das muralhas (1989)
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Publicado por Violeta Teixeira em 31/10 às 12:17 PM
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FIDELIDADE
«Fidelidade: virtude peculiar daqueles que vão ser atraiçoados»
Ambrose Bierce, in “Dicionário do Diabo”
«Ambrose Gwinnett Bierce (Meigs County, Ohio, 24 de junho de 1842 — data de falecimento desconhecida) foi um crítico satírico, escritor e jornalista estadunidense, particularmente conhecido pela sua obra O Dicionário do Diabo.
Definia que “sozinho” era estar em “má companhia”. Bierce fez do cinismo, misturado ao humor negro, sua marca registrada. Família, nação, raça humana: nada escapava de suas estocadas, até hoje repetidas nos Estados Unidos.
Contista excelente, suas obras são constantes em qualquer antologia de contos americanos. Aos 71 anos, Bierce seguiu em viagem para o México e desapareceu sem deixar rastros. A teoria mais popular diz que ele foi fuzilado pelos revolucionários do exército de Pancho Villa.
O local e a data de sua morte são incertos, sendo que teria falecido provavelmente dezembro de 1913 ou 1914, presumidamente no México.
Obras
• O Dicionário do Diabo
• Cruzando o Umbral
• Visões da Noite
• Luar sobre a Estrada
• Um Incidente na Ponte de Owl Creek
• No Limiar do Irreal
• A Morte de Halpin Frayser
• O Ambiente Adequado
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Publicado por Violeta Teixeira em 31/10 às 03:54 AM
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«VENDA DA ALMA E VENDA DO CORPO»
Matisse
«Não só as mulheres que casam sem amor, mas apenas por conveniência; não só as esposas que continuam a comer o pão daquele que já não amam e enganam; não só as mulheres se prostituem. É prostituto o escritor que coloca a pena ao serviço das ideias em que não crê; o advogado que defende causas que reconhece injustas; quem finge a adesão aos mitos e interesses dos poderosos para obter recompensas materiais e morais; o actor e o bobo que se expõem diante dos idiotas pagantes para arrecadar aplausos e dinheiro; o poeta que abre aos estranhos os segredos da sua alma, amores e melancolias, para obter em compensação um pouco de fama, de dinheiro ou de compaixão; e, acima de tudo, é prostituto o político, o demagogo, o tribuno que todos devem acariciar, seduzir, a todos promete favores e felicidade e a todos se entrega por amor à popularidade - justamente chamado homem público, quase irmão de toda a mulher pública.
Mas quem de entre nós, pelo menos um dia da sua vida, não simulou um sentimento que não tinha e um entusiasmo que não sentia e repetiu uma opinião falsa para obter compensações, cumplicidades, sorrisos ou benefícios? Quem dá uma parte de si por vantagens pessoais prostitui-se como a mulher que atribui um preço à sua docilidade. Mas a prostituição da alma praticada pelos homens é mais ignominiosa do que a do corpo, e mais irremissível.»
Giovanni Papini, in ‘Relatório Sobre os Homens’
Publicado por Violeta Teixeira em 31/10 às 03:44 AM
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SÓ O NADA SE É ANTES DO SER
Joan Miró
Não sei saber
Quem me fui.
Não sei saber
Quem me sou
Enlouqueço?
«Só o Nada se é
Antes do Ser.
De que te serve o me?
De que te serve o se saber?
Esquece o quem
Me sou.
Somos múltiplos
E ninguém o sabe.
Vive-se ou não se vive.»
Em que consiste?
«Faz silêncio.
E finge. Finge que
Sabes, finge que vives.
A vida
É um sério e sincero
Fingimento.
Ou, talvez,
Sono, loucura, sonho,
Esquecimento.»
Violeta Teixeira, in AFLUENTES LUNARES, 1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira, 1ªedição, 2000, co-edição
De Magno Editores/Câmara Municipal de Leiria, 2001
Publicado por Violeta Teixeira em 31/10 às 03:22 AM
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Terça-feira, 30 Outubro, 2007
O TEU SILÊNCIO
Obra escultórica de Abílio Febra
Gritantemente
Gélido, de um branco
Árctico, cega-me
As pálpebras do tempo,
O teu silêncio.
Violeta Teixeira, inédito ( DÉDALOS DE AFECTO)
Publicado por Violeta Teixeira em 30/10 às 03:21 PM
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O PERIGO DO FUTURO
Registo fotográfico de Pedro GoniO-Olhares.com
«O perigo do passado era que os homens se tornassem escravos. O perigo do futuro é que os homens se tornem autómatos.»
Erich Fromm
«Erich Fromm (Frankfurt am Main, 23 de março de 1900 — Muralto, 18 de março de 1980) foi um psicólogo alemão.
Estudou na Universidade de Heidelberg, onde obteve o seu doutoramento em 1922, e se especializou em Psicanálise, tendo feito a sua formação na Universidade de Munique e no Instituto Psicanalítico de Berlim. Após a ascensão de Hitler ao poder, Fromm deixou a Alemanha nazista e emigrou para os Estados Unidos da América. Lá construiu uma notável carreira, ainda que muito controversa e polémica, como psicanalista, investigador e professor de psicanálise e psiquiatria.
Para Fromm, a personalidade de um indivíduo era o resultado de factores culturais e biológicos. Neste aspecto estava em desacordo com Freud, que privilegiava sobretudo os aspectos inconscientes do psiquismo. Fromm integrou os aspectos socio-económicos na explicação das neuroses e estabeleceu um relacionamento entre o Marxismo e a Psicanálise. A sua obra é um enorme protesto contra as diversas formas de totalitarismo e alienação social. Nos últimos anos da sua vida dedicou-se ao estudo da agressão.
Obras principais
• Escape from Freedom (também conhecido como The Fear of Freedom), 1941
• Man for Himself: An Inquiry into the Psychology of Ethics, 1947
• Psychoanalysis and Religion, 1950
• The Forgotten Language: the Understanding of Dreams, Fairy Tales and Myths, 1951
• The Sane Society, 1955
• The Art of Loving (A arte de amar), 1956
• Sigmund Freud’s Mission: an analysis of his personality and influence, 1959
• Let Man Prevail: a Socialist Manifest and Program, 1960
• Zen Buddhism and Psychoanalysis with D.T. Suzuki and Richard de Martino, 1960
• May Man Prevail? An inquiry to the Facts and Fictions of Foreign Policy, 1961
• Marx’s Concept of Man, 1961
• Beyond the Chains of Illusion: my Encounter with Marx and Freud, 1962
• The Dogma of Christ and Other Essays on Religion, Psychology, and Culture (O dogma de Cristo), 1963
• The Heart of Man: its Genius for Good and Evil, 1964
• You Shall Be as Gods, 1966
• The Revolution of Hope: Toward a Humanized Technology, 1968
• The Crisis of Psychoanalysis: Essays on Freud, Marx, and Social Psychology, 1970
• Social Character in a Mexican Village (com Michael Maccoby), 1970
• The Anatomy of Human Destructiveness, 1973
• To Have or to Be, 1976
• The Working Class in Weimar Germany (análise psicossocial feita na década de 1930), 1984
• For the Love of Life, 1986
• The Art of Being, editado por Rainer Funk, 1989 »
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Publicado por Violeta Teixeira em 30/10 às 03:11 PM
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«A CLAREZA DO PENSAMENTO»
Hopper
«É altura de os escritores admitirem que nada neste mundo faz sentido. Só os idiotas e os charlatães pensam que conhecem e compreendem tudo. Quanto mais estúpidos são, mais amplos concebem ser os seus horizontes. E se um artista decide declarar que não entende nada do que vê - isso constitui em si uma considerável clareza de pensamento e um enorme passo em frente.»
Anton Tchekhov, in “Cartas”
Publicado por Violeta Teixeira em 30/10 às 02:54 PM
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Segunda-feira, 29 Outubro, 2007
A VIDA…
Vânia Lúcia Ciarino Rangel
Em mim?
O pêndulo do sangue
Já não pulsa.
Que fiz?
Um bisturi exímio,
Deixou-o, em
Segundos
Dulcíssimos,
Exangue.
Fumou-se, enfim,
A vida!
Violeta Teixeira, inédito ( DÉDALOS DE AFECTO)
Publicado por Violeta Teixeira em 29/10 às 05:13 PM
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OS LIVROS
“Os livros são os mais serenos e constantes dos amigos; são os mais acessíveis e sábios dos conselheiros, e os mais pacientes dos professores.”
Charles Eliot
Publicado por Violeta Teixeira em 29/10 às 04:49 PM
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Domingo, 28 Outubro, 2007
«A PERENIDADE DO NOSSO FUNDAMENTO»
Henry Moore
O ser-nos evidente o nosso fundamento e o ser evidente outro para outros significa que para nós e para eles há uma harmonia totalizadora de ser, de pensar, que em si mesma integra cada elemento que escolhamos cada forma de organizar um modo de explicarmos e de nos explicarmos em face do todo harmónico do nosso tempo, cuja harmonia se nos não esclarece porque a não podemos objectivar e apenas a podemos viver.
Que se explique o acontecer humano pela Providência divina ou pela História, que se determine o modo de ser dessa Providência ou o tipo de forças que actuam na História e a realizam como História que é, que se entenda a Justiça e a Moral e a Arte em função dos mais variados tipos de ser, que se abordem todas essas determinações pelos modos mais diversos de os abordar, que nos entendamos adentro delas pelas mais diversas formas de exercer o entendimento - a realidade última que nos reabsorve e orienta todos esses modos de compreender e de ser é a explicação derradeira porque já não explica nada.
Porque se explicasse, se fosse algo determinável pelo que é e pelo modo como actua, exigir-nos-ia ainda uma outra dimensão, um outro limite, um outro horizonte a partir dos quais regressássemos para explicar o que lhes estivesse aquém.
Esse horizonte-limite identifica-se com o que nos estrutura como destino que nos coube e que não tem explicação; esse horizonte-limite que o é em cada época, é a forma diversificada e actuante do que globalmente nós somos e em cada período se particulariza e hierarquiza para a indizível escolha e hierarquização do que em globo nós somos e em cada época se nos harmoniza na totalidade de nós.»
Vergílio Ferreira, in ‘Invocação ao Meu Corpo’
Publicado por Violeta Teixeira em 28/10 às 01:50 AM
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CONHECIMENTO
«Todo o conhecimento é uma resposta a uma pergunta.»
Gaston Bachelard
Gaston Bachelard
(1884-1962)
«Bachelard, filósofo e ensaista francês. Bachelard nasceu em Bar-sur-Aube no seio de uma modesta família,o seu pai era sapateiro. Após acabar os estudos secundários trabalha nos correios de Remiremont até 1906 e mais tarde em Paris entre 1907 e 1913. Embora trabalhe cerca de 60 horas por semana em Paris, reinicia os seus estudo e licencia-se em matemáticas em 1912. Pretende então vir a ser engenheiro de telegrafia. Quando rebentou a I Guerra Mundial foi alistado no exército. Depois da desmobilização, foi nomeado professor de física e química em Bar-sur-Aube. A teoria da relatividade deita por terra as suas ideias sobre física, o que o terá levado a estudar a filosofia, obtendo uma segunda licenciatura em letras em 1920. Tendo-se doutorado em 1927,com a tese Ensaio sobre o Conhecimento aproximado e Estudo sobre a Evolução de um problema da física, a propagação térmica nos sólidos (a tese é premiada). Em 1930 iniciou uma carreira regular de professor universitário. Primeiro deu aulas na Universidade de Dijon (1930-1940) e depois na Sorbonne (Paris) em história e filosofia das ciências, onde permaneceu até 1954. Entra para a Academia das Ciências Morais e Políticas em 1955. Recebe a Legião de Honra em 1951 e o Grande Prémio Nacional das Letras (1961).
Obras
O Novo Espírito Científico (1934), A Formação do Espírito Científico (1938),Psicanálise do fogo (1938), A Água e os Sonhos (1942), O Ar e os Sonhos (1943), A Terra e os Devaneios da Vontade (1948), O Materialismo Racional (1953),A Poética do Espaço (1957) e A Poética dos Devaneios (1960), etc.
Filosofia
Bachelard desenvolve uma reflexão muito diversificada sobre a ciência. Para além de filósofo, crítico e epistemólogo, era cientista e poeta. A publicação das obras revela esta oscilação de interesses a filosofia das ciências, a lógica, a psicologia e a poesia.Os seus trabalhos no domínio da epistemologia continuam a ser de grande relevância para a compreensão dos problemas científicos contemporâneos. A sua ideia principal é que no futuro o conhecimento se baseará na negação do conhecimento actual. Alguns conceitos inovadores:
1. Desfasamento.A filosofia dos filósofos está sempre desfasada em relação à ciência que se pratica. Os próprios cientistas professam uma “filosofia espontânea” que também não correspondência com a sua prática científica.
2. Novo espírito científico. Proposto por Bachelard, tem como objectivo ultrapassar os obstáculos epistemológicos que impedem a ciência de progredir ( o senso comum, os pressupostos das filosofias tradicionais).
3. Rupturas. Bachelard crítica as concepções continuistas da história da ciências, introduzindo a categoria de ruptura para assinalar a dupla descontinuidade histórica e epistemológica que na mesma se verifica. A continua rectificação dos conhecimentos anteriores é a chave de todo o progresso científico. A ciência não é pois um conhecimento absoluto, nem rigoroso, mas apenas cada vez mais aproximado do sentido profundo da natureza. O progresso científico faz-se através de sucessivas rupturas.
“Nós acreditamos, com efeito, que o progresso científico manifesta sempre uma ruptura , perpétuas rupturas, entre conhecimento comum (senso comum) e conhecimento científico, desde que se aborde uma ciência evoluída, uma ciência que, pelo próprio facto das suas rupturas, traga a marca da modernidade. (...) Podemos pois colocar a descontinuidade epistemológica em plena luz. (...) A própria linguagem da ciência está em estado de revolução semântica permanente”.
afilosofia.no.sapo.pt/10bachelard.htm - 10k
Publicado por Violeta Teixeira em 28/10 às 01:23 AM
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LE SOLEIL ACCOUCHE
Registo fotográfico de Toscano-Olhares.com
Le Soleil accouche
Sur les eaux de
L’océan.
Quelle merveille,
Le sang !
Les rouges foncés,
Les vagues les
Boivent.
Avides !
Ivre et muette,
Je recueille des gouttes
Sanglantes, dans le
Ventre vide du
Poème.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 28/10 às 01:10 AM
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Sábado, 27 Outubro, 2007
CÉPTICA
Charles Bicalho
Demasiado maduro, o fruto. Desfez-se,
Num charco, apodrecido de cepticismo.
Espaço, esse, propício ao gosto dos mosquitos
Do absurdo. Lanço-me um desafio que não
Lanço. Faltam-me os fios da crença num algo,
Num algo qualquer, num algo que cresça,
Que floresça, que frutifique, de modo a puder
Saboreá-lo, antes da fatídica queda, no solo
Do desafecto. Céptica, não faço um passo.
Nem um gesto, salvo na saga dorida da escrita.
Violeta Teixeira, inédito (DÉDALO DE AFECTOS)
Publicado por Violeta Teixeira em 27/10 às 01:44 AM
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«A CEGUEIRA DO AMOR»
Registo Fotográfico de Guilherme Santos-Olhares.com
«Desde que se ame, o mais sensato dos homens não vê nenhum objecto tal como é. Exagera para menos as suas próprias vantagens e para mais os menores favores do objecto amado. Os temores e as esperanças transformam-se imediatamente em algo de romanesco. Deixa de atribuir seja o que for ao acaso; perde o sentido das probabilidades; uma coisa imaginada é uma coisa existente que influi na sua felicidade.
Um signo aterrador de que se está a perder a cabeça é que, ao pensar em qualquer facto, por minúsculo e difícil de observar que seja, o vejamos branco e o interpretemos em favor do nosso amor; um instante depois, verificamos que na realidade era negro, e mesmo assim ainda o achamos favorável ao nosso amor.
É nessa altura que uma alma presa de mortais incertezas sente vivamente a necessidade de um amigo; mas para um amante já não há amigos, como muito bem se sabia nas cortes. Eis a fonte da única espécie de indiscrição que uma mulher é capaz de perdoar.»
Stendhal, in “Do Amor”
Publicado por Violeta Teixeira em 27/10 às 01:05 AM
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DESENHO/PINTURA
Georges Braque
« Dessiner, c’est préciser une idée. Le dessin est la précision de la pensée. Par le dessin les sentiments et l’âme du peintre passent sans difficulté dans l’esprit du spectateur. Une œuvre sans dessin est une maison sans charpente. »
« Quand je mets un vert, ça ne veut pas dire de l’herbe; quand je mets un bleu, ça ne veut pas dire le ciel. »
Georges Braque
Publicado por Violeta Teixeira em 27/10 às 12:52 AM
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