Sábado, 30 Junho, 2007
O TEU SILÊNCIO
Trabalho fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora-Olhares.com
Gritantemente
Gélido, de um branco
Árctico, cega-me
As pálpebras do tempo,
O teu silêncio.
Violeta Teixeira, inédito ( DÉDALO DE AFECTOS)
Publicado por Violeta Teixeira em 30/06 às 01:11 AM
Categoria • Poesia •
(0) Comentários •
A BELEZA
Foto da autoria de Alberto Viana d’Almeida-Olhares.com
«A beleza ideal está na simplicidade calma e serena»
Johann Goethe
Publicado por Violeta Teixeira em 30/06 às 12:58 AM
Categoria • Citações •
(0) Comentários •
«O FIM DO AMOR TRÁGICO E ROMÂNTICO?»
«Vivemos, de facto, numa época em que a noção de amor trágico e romântico, que herdámos do século dezanove, se tornou inactual, embora continue ainda a ser vivida por muitos - e até com o carácter de construção moral e estética - essa relação extremamente apaixonada, exigente e exclusiva. A reclamação da liberdade erótica não me parece que de algum modo tenda a degradar a vida, conquanto possa dessublimizá-la e do mesmo passo desmistificá-la, precisamente no propósito de a tornar mais lúcida e mais generosa. Afigura-se-me que na contestação de todas as prepotências firmadas em preconceitos, em princípios estabelecidos apriorísticamente, há sempre um nexo muito íntimo entre a reinvindicação da liberdade erótica, da liberdade no trabalho e da liberdade política. E, naturalmente, quando se dá uma explosão desta espécie, é como uma pedra que rola e que vai agregando uma série de materiais e descobrindo a sua própria composição até às zonas mais profundas da sua estrutura.»
Urbano Tavares Rodrigues, in “Ensaios de Escreviver”
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Urbano Augusto Tavares Rodrigues (1923 - ) é um escritor, ficcionista, investigador e crítico literário português.
o
Biografia
Nasce em Lisboa no ano de 1923 e passa a infância no Alentejo, próximo do Rio Ardila, perto de Moura. Licencia-se em Filologia Românica, doutorando-se em 1984 com uma tese sobre Manuel Teixeira Gomes.
Foi leitor de português em várias Universidades estrangeiras - Montpellier, Aix e Paris - entre os anos de 1949 e 1955, época em que se encontrava impedido de exercer docência universitária em Portugal por motivos políticos. Depois da Revolução de 1974 retoma, em Portugal, a actividade docente.
Em 1993, jubila-se como Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Mas continua a exercer a docência na Universidade Autónoma de Lisboa onde dirige a cadeira de Literatura Portuguesa do segundo ano do Curso de Línguas e Literaturas Modernas. Na mesma Universidade fez parte de um Curso de Escrita Criativa e também do Mestrado de Estudos Portugueses.
É membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa e membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.
A sua vasta obra está traduzida em várias línguas. A sua ficção tem como característica principal a tomada de consciência do indivíduo face a si mesmo e aos outros, processo que se desenvolve até ao reconhecimento de uma identidade social e política.
Já foi distinguido com vários galardões literários: Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa com a obra Uma Pedrada no Charco em 1958 (de salientar que seu pai Urbano Rodrigues já tinha vencido este prémio na edição do ano de 1948 com a obra O Castigo de D. João ; Aquilino Ribeiro e Fernando Namora; Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários; Prémio da Imprensa Cultural; Prémio Vida Literária - atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores; O Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco.
Bibliografia
Viagens
• 1949 - Santiago de Compostela
• 1956 - Jornadas no Oriente
• 1958 - Jornadas na Europa
• 1963 - De Florença a Nova Iorque
• 1973 - Viagem à União Soviética e Outras Páginas
• 1973 - Redescoberta da França
• 1976 - Registos de Outono Quente
• 1999 - Agosto no Cairo: 1956
Ensaios
• 1950 - Manuel Teixeira Gomes
• 1954 - Présentation de castro Alves
• 1957; 1978 - O Tema da Morte na Moderna Poesia Portuguesa
• 1960; 1981 - O Mito de Don Juan
• 1960 - Teixeira Gomes e a Reacção Antinaturalista
• 1961 - Noites de Teatro
• 1962; 2001 - O Algarve na Obra de Teixeira Gomes
• 1964 - O Romance Francês Comtemporâneo
• 1966; 1978 - Realismo, Arte de Vanguarda e Nova Cultura
• 1968 - A Saudade na Poesia Portuguesa
• 1969 - Escritos Temporais
• 1971; 2001 - Ensaios de Escreviver
• 1977 - Ensaios de Após-Abril
• 1980 - O Gosto de Ler
• 1981 - Um Novo Olhar sobre o Neo-Realismo
• 1984 - Manuel Teixeira Gomes: O Discurso do Desejo
• 1993 - A Horas e Desoras
• 1994 - Tradição e ruptura
• 1995 - O Homem sem Imagem
• 2001 - O Texto sobre o Texto
• 2003 - A Flor da Utopia
Contos e Novelas
• 1952; 1990 - A Porta dos Limites
• 1959; 1994 - Bastardos do Sol
• 1971; 1996 - Estrada de Morrer
• 1976; 1987 - Viamorolência
• 1977; 1985 - As Pombas são Vermelhas
• 1985 - Oceano Oblíquo
Novelas
• 1955; 1985 - Vida Perigosa
• 1956; 1982 - A Noite Roxa
• 1957; 1998 - Uma Pedrada no Charco
• 1959; 1990 - As Aves da Madrugada
• 1960; 1978 - Nus e Suplicantes
• 1963; 2000 - As Máscaras Finais
• 1964; 2001 - Terra Ocupada
• 1964 - A Samarra
• 1968; 1987 - Casa de Correcção
• 1972 - A Impossível Evasão
• 1999 - O Último Dia e o Primeiro
Contos
• 1970; 1992 - Contos da Solidão
• 1977 - Estórias Alentejanas
• 2003 - A Estação Dourada
Antologia
• 1958 - O Alentejo
• 1968 - A Estremadura
• 2003 - O Algarve em Poemas
Romance
• 1961; 2003 - Os Insubmissos
• 1962; 1982 - Exílio Perturbado
• 1966; 1988 - Imitação da Felicidade
• 1967; 1974 - Despedidas de Verão
• 1968 - Tempo de Cinzas
• 1974; 1999 - Dissolução
• 1979; 1986 - Desta Água Beberei
• 1986; 1987 - A Vaga de Calor
• 1989 - Filipa nesse Dia
• 1991 - Violeta e a Noite
• 1993 - Deriva
• 1995 - A Hora da Incerteza
• 1997 - O Ouro e o Sonho
• 1998 - O Adeus à Brisa
• 2000 - O Supremo Interdito
• 2002 - Nunca Diremos quem sois
• 2006 - Ao contrário das Ondas
Narrativa
• 1969; 1973 - Horas Perdidas
Crónicas
• 1970; 1974 - A Palma da Mão
• 1971; 1976 - Deserto com Vozes
• 1974 - As Grades e os Rio
• 2003 - God Bless America
Teatro
• 1971; 2001 - As Torres Milenárias
Ficção
• 1972 - Esta Estranha Lisboa
• 1982; 1992 - Fuga Imóvel
Texto e Fotografia
• 1996 - A Luz da Cal
• 1998 - Margem da Ausência
Outros
• 1965; 1998 - Dias Lamacentos
• 1966 - Roteiro de Emergência
• 1974 - Perdas e Danos
• 1975 - Diário da Ausência
• 1975 - Palavras de Combate
• 1998 - Os Campos da Promessa
Obtido em “http://pt.wikipedia.org/wiki/Urbano_Tavares_Rodrigues”
Publicado por Violeta Teixeira em 30/06 às 12:44 AM
Categoria • Reflexões •
(0) Comentários •
Sexta-feira, 29 Junho, 2007
AMOR/FLOR
Foto da autoria de Tiago Vieira Perestrello- Olhares.com
«Se o amor cabe numa só flor, então é infinito.»
Antonio Porchia
Antonio Porchia. Nasceu em 1886 na Calábria e faleceu em 1968. Porchia e os irmãos viram-se forçados a emigrar da -pequena terra em que viviam, por serem filhos de um padre. Em Buenos Aires Porchia ganha a vida como trabalhador portuário. Mais tarde trabalhou numa tipografia. As “vozes” constituíam a maneira como se exprimia. Foi incitado por amigos que recebia sempre amavelmente na casa que habitava e era sempre cada vez mais pequena, dadas as suas parcas posses. Porchia morreu pobre como vivera. Entretanto os seus aforismos foram traduzidos em várias línguas e «adaptados» por Roger Caillois que não conseguia escapar ao seu fascínio.
Traduzido por Maria Nazaré Sanches.
Publicado por Violeta Teixeira em 29/06 às 12:34 AM
Categoria • Citações •
(4) Comentários •
DESEJO
Ruth Bernhard
«Não existe nada mais estranho e espinhoso do que a relação entre pessoas que só se conhecem de vista - que diariamente, mesmo hora a hora, se encontram, se observam e que têm assim de manter, sem cumprimentos e sem palavras, a aparência de desconhecimento indiferente, devido ao rigor dos costumes ou a caprichos pessoais. Entre elas existe inquietação e curiosidade exacerbada, a histeria da necessidade insatisfeita, anormalmente recalcada, de conhecimento e comunicação e sobretudo também uma forma de consideração tensa. Pois o ser humano ama e respeita o outro ser humano enquanto não está em posição de o julgar e o desejo é produto de um conhecimento insuficiente.»
Thomas Mann, in “Morte em Veneza”
Publicado por Violeta Teixeira em 29/06 às 12:20 AM
Categoria • Reflexões •
(0) Comentários •
ESTRANGEIRA DESTA TASCA
Paul Cézanne
Silenciosos, os «habitues»
Deste antro sórdido
Bebem e fumam, bebem…
E fumam o labor
Que não fazem…
No que me concerne,
Sou estrangeira
Desta tasca, como, aliás,
De tudo. De tudo! Por isso,
Os observo, a todos, sem
A mínima discrição, urdindo,
Do alto do meu cachimbo,
A suprema indiferença
Do Absurdo.
Violeta Teixeira, in FALO-VOS DO SILÊNCIO, Magno Edições, 1999
Publicado por Violeta Teixeira em 29/06 às 12:11 AM
Categoria • Poesia •
(0) Comentários •
Quinta-feira, 28 Junho, 2007
«FELICIDADE APARENTE»
Eugène Delacroix
«Ao reflectir sobre a frescura das recordações, sobre a cor encantada de que elas se revestem num passado longínquo, não pude deixar de admirar esse trabalho involuntário da alma que separa e suprime na recordação desses momentos agradáveis tudo o que poderia diminuir o encanto do momento então vivido.
(...) Poderá uma pessoa afirmar ter sido feliz num determinado momento da sua vida, que lhe parece encantador retrospectivamente? O próprio facto de o recordar ao dar-se conta da felicidade que então deve ter sentido deve satisfazê-lo. Mas ter-se-ia sentido efectivamente feliz nesse instante de pretensa felicidade?
Pode-se compar essa pessoa com um indivíduo que possuísse uma parcela de terra em que estivesse escondido um tesouro, do qual ele, contudo, não teria conhecimento. Poder-se-à considerar «rico» esse homem? Do mesmo modo não considero feliz aquele que o é sem se aperceber disso, ou sem saber a que ponto monta a sua felicidade.»
Eugène Delacroix, in ‘Diário’
Publicado por Violeta Teixeira em 28/06 às 01:26 AM
Categoria • Reflexões •
(0) Comentários •
PERFEIÇÃO
Eugène Delacroix
«Há duas coisas que a experiência deve ensinar: a primeira é que se torna indispensável corrigir muito; a segunda é que se não deve corrigir de mais.»
Eugène Delacroix
Publicado por Violeta Teixeira em 28/06 às 01:18 AM
Categoria • Citações •
(0) Comentários •
QUAND JE TE PENSE
Foto da autoria de Alberto Viana d’Almeida-Olhares.com
Quand je te pense,
J’aiguise les griffes que
Je n’ai pas et, enragée,
Me griffe tout
Dedans.
Seules des braises
S’enflamment dans la
Gueule, blessée,
Du temps.
Des roses
Ne s’éveillent jamais
Sous
Les ravages.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 28/06 às 12:53 AM
Categoria • Poesia •
(0) Comentários •
Quarta-feira, 27 Junho, 2007
«A ENVERGADURA DA VERDADE»
António Lança
«Falar com franqueza e dizer a verdade são duas coisas totalmente diferentes. A honestidade está para a verdade como a proa de um barco para a sua popa. A franqueza aparece em primeiro lugar, a verdade vem depois. O intervalo de tempo entre ambas está na proporção directa da envergadura do barco. A verdade, quando aplicada às grandes questões, tarda em aparecer. Acontece, por vezes, que só se manifesta depois da morte.»
Haruki Murakami, in ‘Em Busca do Carneiro Selvagem’
Publicado por Violeta Teixeira em 27/06 às 12:55 AM
Categoria • Reflexões •
(0) Comentários •
A MÚSICA
Foto da autoria de Fernando Figueiredo
A música (do grego μουσική τέχνη - musiké téchne, a arte das musas) constitui-se basicamente de uma sucessão de sons e silêncio organizada ao longo do tempo. É considerada por diversos autores como uma prática cultural e humana. Atualmente não se conhece nenhuma civilização ou agrupamento que não possua manifestações musicais próprias. Embora nem sempre seja feita com esse objetivo, a música pode ser considerada como uma forma de arte, considerada por muitos como sua principal função. Também pode ter diversas outras utilidades, tais como a militar, educacional ou terapeutica (musicoterapia). Além disso, tem presença central em diversas atividades coletivas, como os rituais religiosos, festas e funerais.
Há evidências de que a música é conhecida e praticada desde a pré-história. Provavelmente a observação dos sons da natureza tenha despertado no homem, através do sentido auditivo, a necessidade ou vontade de uma atividade que se baseasse na organização de sons. Embora nenhum critério científico permita estabelecer seu desenvolvimento de forma precisa, a história da música confunde-se, com a própria história do desenvolvimento da inteligência e da cultura humanas.
Definição
Definir a música não é tarefa fácil porque apesar de ser intuitivamente conhecida por qualquer pessoa, é difícil encontrar um conceito que abarque todos os significados dessa prática. Mais do que qualquer outra manifestação humana, a música contém e manipula o som e o organiza no tempo. Talvez por essa razão ela esteja sempre fugindo a qualquer definição, pois ao buscá-la, a música já se modificou, já evoluiu. E esse jogo do tempo é simultaneamente físico e emocional. Como “arte do efêmero”, a música não pode ser completamente conhecida e por isso é tão difícil enquadrá-la em um conceito simples.
Um dos poucos consensos é que ela consiste em uma combinação de sons e de silêncios que se desenvolvem ao longo do tempo. Neste sentido engloba toda combinação de elementos sonoros destinados a serem percebidos pela audição. Isso inclui variações nas características do som (altura, duração, intensidade e timbre) que podem ocorrer sequencialmente (ritmo e melodia) ou simultaneamente (harmonia). Ritmo, melodia e harmonia são entendidos aqui apenas em seu sentido de organização temporal, pois a música pode conter propositalmente harmonias ruidosas (que contém ruídos ou sons externos ao tradicional) e arritmias (ausência de ritmo formal ou desvios ritmicos).
E é nesse ponto que o consenso deixa de existir. As perguntas que decorrem desta simples constatação, encontram diferentes respostas se encaradas do ponto de vista do criador (compositor), do executante (músico), do historiador, do filósofo, do antropólogo, do linguista ou do amador. E as perguntas são muitas:
• Toda combinação de sons e silêncios é música?
• Música é arte? Ou de outra forma, a música é sempre arte?
• A música existe antes de ser ouvida? O que faz com que a música seja música é algum aspecto objetivo ou ela é uma construção da consciência e da percepção?
A música eleva os sentimentos mais profundos do ser humano. Não é necessário gostarmos de todos os estilos, porém conhecê-los.
Mesmo os adeptos da música aleatória, responsáveis pela mais recente desconstrução e reformulação da prática musical, reconhecem que a música se inspira sempre em uma “matéria sonora”, cujos dados perceptíveis podem ser reagrupados para construir uma “materia musical”, que obedece a um objetivo de representação próprio do compositor, mediado pela técnica. Em qualquer forma de percepção, os estímulos vindos dos órgãos dos sentidos precisam ser interpretados pela pessoa que os recebe. Assim também ocorre com a percepção musical, que se dá principalmente pelo sentido da audição. O ouvinte não pode alcançar a totalidade dos objetivos do compositor. Por isso reinterpreta o “material musical” de acordo com seus próprios critérios, que envolvem aquilo que ele conhece, suas cultura e seu estado emocional.
Da diversidade de interpretações e também das diferentes funções em que a música pode ser utilizada se conclui que a música não pode ter uma só definição precisa, que abarque todos os seus usos e gêneros. Todavia, é possível apresentar algumas definições e conceitos que fundamentam uma “história da música” em perpétua evolução, tanto no domínio do popular, do tradicional, do folclórico ou do erudito.
O campo das definições possíveis é na verdade muito grande. Há definições de vários músicos (como Schönberg, Stravinsky, Varèse, Gould, Guillou, Boulez, Berio e Harnoncourt), bem como de musicólogos como Dalhaus, Molino, Nattiez, Deliège, entre outros. Entretanto, quer sejam formuladas por músicos, musicólogos ou outras pessoas, elas se dividem em duas grandes classes: uma abordagem intrínseca, imanente e naturalista contra uma outra que a considera antes de tudo uma arte dos sons e se concentra na sua utilização e percepção.
Abordagem naturalista
De acordo com a primeira abordagem, a música existe antes de ser ouvida; ela pode mesmo ter uma existência autônoma na natureza e pela natureza. Os adeptos desse conceito afirmam que, em si mesma, a música não constitui arte, mas criá-la e expressá-la sim. Enquanto ouvir música possa ser um lazer e aprendê-la e entendê-la sejam fruto da disciplina, a música em si é um fenômeno natural e universal. A teoria da ressonância natural de Mersenne e Rameau vai neste sentido, pois ao afirmar a natureza matemática das relações harmônicas e sua influência na percepção auditiva da consonância e dissonância, ela estabelece a preponderância do natural sobre a prática formal. Consideram ainda que, por ser um fenômeno natural e intuitivo, os seres humanos podem executar e ouvir a música virtualmente em suas mentes sem mesmo aprendê-la ou compreendê-la. Compor, improvisar e executar são formas de arte que utilizam o fenômeno música.
Sob esse ponto de vista, não há a necessidade de comunicação ou mesmo da percepção para que haja música. Ela decorre de interações físicas e prescinde do humano.
A abordagem funcional, artística e espiritual
Para um outro grupo, a música não pode funcionar a não ser que seja percebida. Não há, portanto, música se não houver uma obra musical que estabelece um diálogo entre o compositor e o ouvinte. Este diálogo funciona por intermédio de um gesto musical formante (dado pela notação) ou formalizado (por meio da interpretação). Neste grupo há quem defina música como sendo “a arte de manifestar os afectos da alma, através do som” (Bona). Esta expressão informa as seguintes características: 1) música é arte: manifestação estética, mas com especial intenção à uma mensagem emocional; 2) música é manifestação, isto é, meio de comunicação, uma das formas de linguagem a ser considerada, uma forma de transmitir e recepcionar uma certa mensagem, entre indivíduos considerados, ou entre a emoção e os sentidos do próprio indivíduo que entona uma música; 3) utiliza-se do som, é a idéia de que o som, ainda que sem o silêncio pode produzir música, o silêncio individualmente considerado não produz música.
Para os adeptos dessa abordagem, a música só existe como manifestação humana. É atividade artística por excelência e possibilita ao compositor ou executante compartilhar suas emoções e sentimentos. Sob essa óptica, a música não pode ser um fenômeno natural, pois decorre de um desejo humano de modificar o mundo, de torná-lo diferente do estado natural. Em cada ponta dessa cadeia, há o homem. A música é sempre concebida e recebida por um ser humano. Neste caso, a definição da música, como em todas as artes, passa também pela definição de uma certa forma de comunicação entre os homens. Como não pode haver diálogo ou comunicação sem troca de signos, para essa vertente a música é um fenômeno semiótico.
Definição negativa
Uma vez que é difícil obter um conceito sobre o que é a música, alguns tendem a definí-la pelo que não é:
• A música não é uma linguagem normal. A música não é capaz de significar da mesma forma que as línguas comuns. Ela não é um discurso verbal, nem uma língua, nem uma linguagem no sentido da linguística (ou seja uma dupla articulação signo/significado), mas sim uma linguagem peculiar, cujos modos de articulação signo musical/significado musical vêm sendo estudados pela Semiótica da Música.
• A música não é ruído. O ruído pode ser um componente da música, assim como também é um componente (essencial) do som. Embora a Arte dos ruídos teorizasse a introdução dos sons da vida cotidiana na criação musical, o termo “ruído” também pode ser compreendido como desordem. E a música é uma organização, uma composição, uma construção ou recorte deliberado (se considerarmos os elementos componentes do som musical). A oposição que normalmente se faz entre estas duas palavras pode conduzir à confusão e para evitá-la é preciso se referir sempre à ideia de organização. Quando Varèse e Schaeffer utilizam ruídos de tráfego na música concreta ou algumas bandas de Rock industrial, como o Einstürzende Neubauten, utilizam sons de máquinas, devemos entender que o “ruído” selecionado, recortado da realidade e reorganizado se torna música pela intenção do artista.
• A música não é totalizante. Ela não tem o mesmo sentido para todos que a ouvem. Cada indivíduo usa a sua própria emotividade, sua imaginação, suas lembranças e suas raízes culturais para dar a ela um sentido que lhe pareça apropriado. Podemos afirmar que certos aspectos da música têm efeitos semelhantes em populações muito diferentes (por exemplo, a aceleração do ritmo pode ser interpretada frequentemente como manifestação de alegria), mas todos os detalhes, todas as sutilezas de uma obra ou de uma improvisação não são sempre interpretadas ou sentidas de maneira semelhante por pessoas de classes sociais ou de culturas diferentes.
• A música não é sua representação gráfica. Uma partitura é um meio eficiente de representar a maneira esperada da execução de uma composição, mas ela só se torna música quando executada, ouvida ou percebida. A partitura pode ter méritos gráficos ou estéticos independentes da execução, mas não é, por si só, música.
Definição social
Por trás da multiplicidade de definições, se encontra um verdadeiro fato social, que coloca em jogo tanto os critérios históricos, quanto os geográficos. A música passa tanto pelos símbolos de sua escritura (notação musical), como pelos sentidos que são atribuídos a seu valor afetivo ou emocional. É por isso que, no ocidente, nunca parou de se estender o fosso entre as músicas do ouvido (próximas da terra e do folclore e dotadas de uma certa espiritualidade) e as músicas do olho (marcadas pela escritura, pelo discurso). Nossos valores ocidentais privilegiam a autenticidade autoral e procuram inscrever a música dentro de uma história que a liga, através da escrita, à memória de um passado idealizado. As músicas não ocidentais, como a africana apelam mais ao imaginário, ao mito, à magia e fazem a ligação entre a potencialidade espiritual e corporal. O ouvinte desta música, bem como o da música folclórica ou popular ocidental participa diretamente da expressão do que ouve, através da dança ou do canto grupal, enquanto que um ouvinte de um concerto na tradição erudita assume uma atitude contemplativa que quase impede sua participação corporal, como se só a sua mente estivesse presente ao concerto. O desenvolvimento da notação musical e a constituição artificial do sistema de temperamentos consolidou na música, o dualismo corpo-mente típico do racionalismo cartesiano. E de tal forma esse movimento se fortaleceu que mesmo a música popular ocidental, ainda que menos dualista, se rendeu à sistematização, na qual se mantém até hoje.
Música - um fenômeno social
As práticas musicais não podem ser dissociadas do contexto cultural. Cada cultura possui seus próprios tipos de música totalmente diferentes em seus estilos, abordagens e concepções do que é a música e do papel que ela deve exercer na sociedade. Entre as diferenças estão: a maior propensão ao humano ou ao sagrado; a música funcional em oposição à música como arte; a concepção teatral do Concerto contra a participação festiva da música folclórica e muitas outras.
Falar da música de um ou outro grupo social, de uma região do globo ou de uma época, faz referência a um tipo específico de música que pode agrupar elementos totalmente diferentes (música tradicional, erudita, popular ou experimental). Esta diversidade estabelece um compromisso entre o músico (compositor ou intérprete) e o público que deve adaptar sua escuta a uma cultura que ele descobre ao mesmo tempo que percebe a obra musical.
Desde o início do século XX, alguns musicólogos estabeleceram uma “antropologia musical”, que tende a provar que, mesmo se alguém tem um certo prazer ao ouvir uma determinada obra, não pode vivê-la da mesma forma que os membros das etnias aos quais elas se destinam. Nos círculos acadêmicos, o termo original para estudos da música genérica foi “musicologia comparativa”, que foi renomeada em meados do século XX para “etnomusicologia”, que apresentou-se, ainda assim, como uma definição insatisfatória.
Para ilustrar esse problema cultural da representação das obras musicais pelo ouvinte, o musicólogo Jean-Jacques Nattiez (Fondements d’une sémiologie de la musique 1976) cita uma história relatada por Roman Jakobson em uma conferência de G. Becking, linguista e musicólogo, pronunciada em 1932 no Círculo Línguístico de Praga:
Um indígena africano toca uma melodia em sua flauta de bambu. O músico europeu terá muito trabalho para imitar fielmente a melodia exótica, mas quando ele consegue enfim determinar as alturas dos sons, ele esta certo de ter reproduzido fielmente a peça de música africana. Mas o indígena não está de acordo pois o europeu não prestou atenção suficiente ao timbre dos sons. Então o indígena toca a mesma ária em outra flauta. O europeu pensa que se trata de uma outra melodia, porque as alturas dos sons mudaram completamente em razão da construção do outro instrumento, mas o indigena jura que é a mesma ária. A diferença provém de que o mais importante para o indígena é o timbre, enquanto que para o europeu é a altura do som. O importante em música não é o dado natural, não são os sons tais como são realizados, mas como são intencionados. O indígena e o europeu ouvem o mesmo som, mas ele tem um valor totalmente diferente para cada um, porque as concepções derivam de dois sistemas musicais inteiramente diferentes; o som em música funciona como elemento de um sistema. As realizações podem ser múltiplas, o acústico pode determiná-las exatamente, mas o essencial em música é que a peça possa ser reconhecida como idêntica.
In WIKIPÉDIA (versão brasileira)
Publicado por Violeta Teixeira em 27/06 às 12:36 AM
Categoria • Citações •
(0) Comentários •
TUYA LLUVIA
Ruth Bernhard
Caliente y suave
Tuya lluvia; mío vientre, una tela
De afluentes.
Desagua en la vulva de seda
De este poema!
Violeta Teixeira, in Antologia Internacional AMARGA HIEL, 2007
Publicado por Violeta Teixeira em 27/06 às 12:21 AM
Categoria • Poesia •
(0) Comentários •
Terça-feira, 26 Junho, 2007
O CULTO DO BELO
Foto da autoria de Fernando Figueiredo-Olhares.com
Nota: título da minha autoria.
Publicado por Violeta Teixeira em 26/06 às 09:14 AM
Categoria • Poesia •
(0) Comentários •
«VENCER O MEDO»
René Magritte
«Parecemos estar hoje animados quase exclusivamente pelo medo. Receamos até aquilo que é bom, aquilo que é saudável, aquilo que é alegre. E o que é o herói? Antes de mais, alguém que venceu os seus medos. É possível ser-se herói em qualquer campo; nunca deixamos de reconhecer um herói quando este aparece. A sua virtude singular é o facto de ele ser um só com a vida, um só consigo próprio. Tendo deixado de duvidar e de interrogar, acelera o curso e o ritmo da vida. O cobarde, par contre, procura deter o fluxo da vida. E claro que não detém nada, a menos que se detenha a si próprio. A vida continua sempre a avançar, quer nos portemos como cobardes, quer nos
portemos como heróis. A vida não impõe outra disciplina - se ao menos o soubéssemos compreender! - para além de a aceitarmos tal como é. Tudo aquilo a que fechamos os olhos, tudo aquilo de que fugimos, tudo aquilo que negamos, denegrimos ou desprezamos, acaba por contribuir para nos derrotar. O que nos parece sórdido, doloroso, mau, poderá tornar-se numa fonte de beleza, alegria e força, se o enfrentarmos com largueza de espírito. Todos os momentos são momentos de ouro para os que têm a capacidade de os ver como tais. A vida é agora, são todos os momentos, mesmo que o mundo esteja cheio de morte. A morte só triunfa ao serviço da vida.»
Henry Miller, in “O Mundo do Sexo”
Publicado por Violeta Teixeira em 26/06 às 08:32 AM
Categoria • Reflexões •
(0) Comentários •
MORAL E ARTE
Edward Weston
«A moral da arte reside na sua própria beleza.»
Gustave Flaubert
Publicado por Violeta Teixeira em 26/06 às 08:21 AM
Categoria • Citações •
(0) Comentários •