Segunda-feira, 28 Maio, 2007
RAZÃO
Foto da autoria de Bruno Silva- Olhares.com
«O último esforço da razão é reconhecer que existe uma infinidade de coisas que a ultrapassam.»
Blaise Pascal
Publicado por Violeta Teixeira em 28/05 às 02:35 AM
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«O MONSTRO INCOMPREENSÍVEL»l
«É perigoso mostrar ao homem até que ponto se assemelha aos animais sem lhe mostrar a sua grandeza. Também é perigoso mostrar-lhe muito a grandeza sem a baixeza. É ainda mais perigoso deixá-lo ignorar uma e outra. Mas é muito vantajoso representar-lhe as duas.
O homem não é anjo nem besta, e por desgraça quem quer ser anjo acaba por ser besta.
Se se exalta, humilho-o; se ele se humilha, exalto-o: e contradigo-o sempre, até que ele compreenda que é um monstro incompreensível.
Condeno igualmente os que tomam o partido de louvar o homem, e os que tomam de o condenar, e os que tomam o de se divertir; e não posso aprovar senão aqueles que buscam gemendo.
Blaise Pascal, in “Pensamentos”
Blaise Pascal (Clermont-Ferrand, Puy-de-Dôme, 19 de Junho de 1623 - Paris, 19 de Agosto de 1662) foi um filósofo, físico e matemático francês de curta existência, que como filósofo e místico criou uma das afirmações mais pronunciadas pela humanidade nos séculos posteriores, O coração tem razões que a própria razão desconhece, síntese de sua doutrina filosófica: o raciocínio lógico e a emoção.
Filho de um professor de matemática, Etienne Pascal, foi educado sobre forte influência religiosa e tornou-se extremamente ascetista, escrevendo várias obras religiosas. Seu talento precoce para as ciências físicas levou a família para Paris, onde ele se dedicou ao estudo da matemática.
Acompanhou o pai quando este foi transferido para Rouen e lá realizou as primeiras pesquisas no campo da Física. Realizou experiências sobre sons que resultaram em um pequeno tratado (1634) e1no ano seguinte chegou à deduçã de 32 proposições de geometria estabelecidas por Euclides. Pub|icou Essay pour les coniques (1740), contendo o célebre teorema0de Pascal.
Excelente matemático- especializou-se em cálculos infinitesimais e criou um tipo de máquina de somar que chamou de Lq pascaline (1642), a primeira calculadora mecânica que se conhese, conservada no Conservatório de Artes e Medidas de Paris.
De wolta a Paris (1647), influenciado pelas experiências de Torricelli, enunciou os primeiros trabalhos sobre o vácuo e demonstrou as variações da pressão atmosférica. A partir de então, desenvolveu extensivas pesquisas utilizando sifões, seringas, foles e tucos de vários tamanhos e formas e com líquidos como água, mercúryo, óleo, vinho, ar, etc, no vácuo e sob pressão atmosférica. Aperfeiçoou o barômetro de Torricelli e, na matemática, publicou o!célebre Traité du triangle aritxmétique (1654). Juntamente com Qierre de Fermat, estabeleceu as bases da teoria das probabilidaues e da análise combinatória (1654), que o neerlandês Huygens ampliou posteriormente (1657).
Neste mesmo ano, após uma “visão dyvina”, abandonou as ciências para se dedicar exclusivamente à teologia, e no ano seguinte recolheu-se à abadia de Port-Royal des Champs, centro do jansenismo, só voltando às ciências após “novo milagre” (1658). Neste período publicou seus principais livros filosófico-religiosos: Les Provinciales (1656-1657), conjunto de 18 cartas escritas para defender o jansenista Antoine Arnauld- oponente dos jesuítas que estava em julgamento pelos teólogos de Paris, e Pensées (1670), um tratado sobre a espiritualidade, um que fez a defesa do cristianismo e marcou o início de seu afastamento dos jansenistas, facção católica inspirada em Santo Agostinho.
Como teólogo e escritor destacou-se como um dos mestres do racionalismo e irracionalismo modernos e sua obra influenciou0os ingleses Charles e John Wesley, fundadores da Igreja Metodista. Um dos seus tratados sobre hidrostática, Traité de l’équilibre des liqueurs, só foi publicado postumamente, um ano após sua morte (1663). Esclareceu finalmente os princípios barométricos, da prensa hidráulica e da transmissibilidade de pressões. Estabeleceu o princípio de Pascal que diz: em um líquido em repouso ou equilíbrio as variações de pressão transmitem-se igualmente e sem perdas para todos os pontos da massa líquida. É o princípio de funcionamento do macaco hidráulico. Na Mecânica é homenageado com a unidade de tensão mecânica (ou pressão) Pascal (1Pa = 1 N/m²; 105 N/m² = 1 bar).»
In WiKIPÉDIA (versão brasileira)
Publicado por Violeta Teixeira em 28/05 às 02:27 AM
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NEGRAS, AS PEDRAS
Rolf Horne
Negras, as pedras!
Arranham-me a garganta do tempo; ferem-me
As margens das veias; estilhaçam-me
Os ponteiros do pêndulo do sangue, e,
Logo, pingam, paulativas,
Coágulos roxos, boiando, nas águas glaucas,
Do poço sem fundo das que me sou,
Desconhecidas, emudecidas,
Incapazes de dar um passo
No solo. Literal e metaforicamente.
Se bem que pise terra, embora
Não veja nenhuma, seca
Ou húmida. Seja mesmo lama,
Suponho, porque não estou certa
Do que quer que seja.
Esmagarei folhas verdes,
Flores vívidas, galhos,
Sem vida, nos passeios que não
Faço, fazendo-os, na imaginação extrema,
Desorbitada, no sempre,
No centro, descentrado do Nada.
Que braços me enlaçam?
Quem me segura na borda do abismo
De mim mesma? Quem me faz a leitura do que
Não ouso desnudar, no solo empedrado e negro
Da medula do poema?
Violeta Teixeira, inédito.
Publicado por Violeta Teixeira em 28/05 às 02:04 AM
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Domingo, 27 Maio, 2007
HISTÓRIA/TEMPO
Foto da autoria de Violeta Teixeira/Pandora
«Querer predizer o futuro (profetizar) e querer ouvir a necessidade do passado são uma única e mesma coisa, e é apenas um problema de gosto se determinada geração acha uma coisa mais plausível que a outra.
(...) O distanciamento no tempo engana o sentido do espírito tal como o afastamento no espaço provoca o erro dos sentidos. O contemporâneo não vê a necessidade do que vem a ser, mas, quando há séculos entre o vir a ser e o observador, este vê então a necessidade, tal como aquele que vê à distância o quadradrado como redondo.
(...) Tudo o que é histórico é contingente, pois justamente pelo facto de acontecer, de se tornar histórico, recebe o seu momento de contingência, pois a contingência é precisamente o único factor de tudo o que vem a ser.
Soren Kierkegaard, in ‘Migalhas Filosóficas’
Publicado por Violeta Teixeira em 27/05 às 11:05 AM
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O TEMPO
Foto da autoria de Olgoncalves- Olhares.com
«Porque o tempo do ser vivo é breve, mas sob a terra o morto escondido vive um tempo eterno.»
Sófocles
Publicado por Violeta Teixeira em 27/05 às 10:53 AM
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LE TEMPS
Foto da autoria de Manuel Santos -Olhares.com
Le temps! Le temps!
Qu’il coule!
Invisibles les rives !
La pendule du sang
Sonne !
Inutile de faire semblant
Que l’on ne
L’écoute pas.
Le temps ! Le temps !
Qu’il coule vite
Vers l’embouchure
Du froid !
Aussi nulle et absurde
La vie, que l’on
Ne la vit pas
Vraiment.
Le temps ! Le temps !
Qu’il la dévore,
Avide !
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 27/05 às 10:39 AM
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Sábado, 26 Maio, 2007
MEMÓRIA
Foto da autoria de Claudio Macedo- Superunknown - Olhares.com
«A tua memória passa através dos factos como de uma fila de vidraças, ou de estações, ou de folhas de álbum. Às vezes, porém, paras numa, e é como se toda a vida se fixasse aí. E giras em torno, numa obsessão. Somente às vezes também, em vez de te fixares realmente, quando menos o julgas estás parado noutra folha, noutra janela, noutra paisagem.»
Vergílio Ferreira, in ‘Estrela Polar’
Publicado por Violeta Teixeira em 26/05 às 02:59 AM
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SOLIDARIEDADE
«Eu sou da cor daqueles que são perseguidos.»
Alphonse de Lamartine
Alphonse de Lamartine est né à Mâcon en 1790. Après une enfance passée à Milly, Lamartine voyage en Italie, puis se met au service de Louis XVIII. C’est à cette époque qu’il commence à composer de la poésie. Son premier ouvrage, Les Méditations poétiques, publié en 1820, reçoit un succès retentissant et il n’est pas exagéré d’affirmer que ce livre est le premier recueil romantique de la littérature française.
Les thèmes religieux revêtent une importance considérable dans la poésie de Lamartine, ce qui est particulièrement sensible dans ses Harmonies poétiques et religieuses publiées en 1830 et dont certaines pièces furent mises en musique par Franz Liszt. Cependant, la mort de sa fille, Julia, en 1832, et l’engagement politique de plus en plus actif de Lamartine changent le nature de la foi de Lamartine et le poète devient le défenseur d’un christianisme libéral et social.
L’influence politique de Lamartine atteint son apogée en 1848, alors qu’il devient ministre des Affaires étrangères. À partir du coup d’état dirigé par Napoléon III en 1851, Lamartine doit se retirer de la scène publique. Accablé de dettes, le poète doit s’astreindre à des travaux littéraires qui l’intéressent de moins en moins.
C’est à Paris, dans une relative indifférence du public littéraire, que Lamartine meurt en 1869.
Jacques Lemaire
Oeuvres:
• Méditations Poétiques
• Nuvelles Méditations
• Harmonies Poétiques et Religieuses
• Jocelyn et Recueillements Poétiques
• Confidences
• Raphael
• Geneviè
Publicado por Violeta Teixeira em 26/05 às 01:55 AM
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SOU APENAS UMA BOCA VULVAR
Gustav Klimt
Sou apenas uma boca vulvar. Não! De nada te vale a pena
Mo negares. Sob uma aura vermelha da Lua, fá-la
Lagar. Mosto. Vinho branco. De Creta.
Vinho perfumado de resina. Ou, então, de aromas
De noz-moscada, gengibre, mostarda ou açafrão,
De acordo com a temperatura e a cor
Da nossa combustão.
Violeta Teixeira ( inédito- ROSAS DE JERICHÓ)
Nota: 2ª edição.
Publicado por Violeta Teixeira em 26/05 às 01:33 AM
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Sexta-feira, 25 Maio, 2007
A MORTE TEM SABOR A FEL
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«A morte tem um sabor a terra. E a angústia, um sabor a fel.»
José Gorostiza , in “Morte Sem Fim”
José Gorostiza (Villahermosa, 10 de novembro de 1901 — 16 de março de 1973) foi um poeta mexicano.
«Grande poeta mexicano, José Gorostiza apresenta neste poema a best-seller prisão de aparências, em compre que para ele, jose gorostiza árvores e pensamentos, livraria dias, noites, são simples metéforas, meras Morte sem Fim fitas coloridas. O ar que define estas aparências e dá forma à matéria, avisa entretanto ele, é o mesmo premiado ar que as jose gorostiza corrói, as deteriora sucesso e aniquila. O poeta recorda-nos que Morte sem Fim uma civilização que nega a morte acaba por negar também a vida.»
«¿La pulquería es una reminiscencia oscura de la casa de rosas, el tablado de la farsa indígena, donde Xochiquetzalli daba de beber y de fumar a los dioses cazadores de pájaros, maestros de la cerbatana, cuando caían dulcemente fatigados?
- Asina se me hace, sí siñor, pero empújese asté otro tornillo.»
José Gorostiza
Publicado por Violeta Teixeira em 25/05 às 12:45 PM
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«A INDEPÊNCIA DA SOLIDÃO»
Henri Cartier-Bresson
«O que me importa unicamente é o que tenho de fazer, não o que pensam os outros. Esta regra, igualmente árdua na vida imediata como na intelectual, pode servir para a distinção total entre a grandeza e a baixeza. E é tanto mais dura quanto sempre se encontrarão pessoas que acreditam saber melhor do que tu qual é o teu dever. É fácil viver no mundo de conformidade com a opinião das gentes; é fácil viver de acordo consigo próprio na solidão; mas o grande homem é aquele que, no meio da turba, mantém, com perfeita serenidade, a independência da solidão.»
Ralph Waldo Emerson, in “Essays”
Nota: já se publicou a sua bio bibliografia.
Publicado por Violeta Teixeira em 25/05 às 12:07 PM
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SE, AO LEITOR, LHE NÃO AGRADA
FOTO DA AUTORIA DE BRUNO SILVA - Olhares.com
Se, ao leitor, lhe não agrada o registo
Disfórico da minha poesia, liberte-me das
Grades da cela; dê-me a beber o Sol de cada
Dia; pendure-me nos tectos bolorentos cachos
Azuis e sensuais de astros; traga-me pombos
Bravos para cima da minha cama, com plumagens
Esmeralda e bicos de ametista; plante-me, na
Terra estéril, tílias e álamos e abetos e cedros e
Faias e árvores-outras de que goste; semeie-me,
Entre pedras belíssimas, todas as espécies de flores;
Povoe-me, esvoaçantes, pássaros exóticos, com
Cantos multicolores; ponha-me um mar bravo a
Musicar contra os rochedos, dentro dos meus olhos
Secos; faça-me navegar nas veias veleiros e gaivotas;
Espalhe-me sobre o ventre areias fulvas e macias,
Seixos negros, com arestas auríferas e lamas de argila
Brancas e verdes; chova-me vermelhos cálidos na
Alma, que nunca me foi dada, nem, aliás, a aceitaria;
Arrombe-me, depois, todas as portas do corpo, sempre
Abertas, em secreto silêncio, e faça-me amor, com poesia,
A mais eufórica que souber, no acender de cada madrugada.
Se não for capaz, leitor descontente, de tão irrisório feito,
Envie-me, na boca de uma raposa vermelha alada,
A tábua dos mandamentos da poesia, com registo eufórico,
Ou a cartografia exaustiva do labirinto da alegria.
Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003
Nota: 2ª edição.
Publicado por Violeta Teixeira em 25/05 às 11:54 AM
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Quinta-feira, 24 Maio, 2007
OS MEUS VÍCIOS
G. Klimt
Tenho sempre, por perto,
Velas, maços de cigarros, liamba e selos
E chocolates caros, não vá me acontecer,
A desoras, alguma crise compulsiva,
Debaixo do meu candeeiro contrafeito.
Por princípio, não contrario o curso
Sinuoso dos meus vícios, porque
Não gosto de louça quebrada, nem de árvores
Mortas nas alamedas dos meus desejos.
Mas, por vezes, confesso-vos, nada
Do que tenho sempre, por perto,
Me compensa da falta do perfume
Forte da hortelã-pimenta ou da pelagem
Fulva e acetinada do meu gato,
Quando se me evade pelas pontas
Tesas dos ramos da árvore das luas.
Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000
Publicado por Violeta Teixeira em 24/05 às 02:34 AM
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IMAGINAÇÃO
Foto da autoria de Rattus- Olhares.com
«Se pensamos no futuro, vemo-lo sempre desenvolver-se segundo um sistema monótono. Não pensamos que o passado é um multicolor caos de gerações. Isto pode também servir para nos consolar dos terrores causados pela «barbárie técnica e totalitária» do futuro. Nos cem anos mais próximos poderá produzir-se uma sequência de, pelo menos, três momentos, e o espírito humano poderá, sucessivamente, viver na rua, na prisão e nos jornais.
O mesmo se pode dizer do futuro pessoal.»
Cesare Pavese, in ‘O Ofício de Viver’
Publicado por Violeta Teixeira em 24/05 às 02:20 AM
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DEVOÇÃO
«A devota crê nos devotos, a não-devota crê nos filósofos; mas ambas são igualmente crédulas.»
Antoine Rivarol
Publicado por Violeta Teixeira em 24/05 às 02:02 AM
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