Quarta-feira, 25 Abril, 2007

O MITO DE SISÍFO

Na mitologia grega, Sísifo, filho do rei Éolo, da Tessália, e Enarete, era considerado o mais astuto de todos os mortais. Foi o fundador e primeiro rei de Ephyra, depois chamada Corinto, onde governou por diversos anos. Casou-se com Merope, filha de Atlas, sendo pai de Glauco e avô de Belerofonte.

A história de Sísifo
Mestre da malícia e dos truques, ele entrou para a tradição como um dos maiores ofensores dos deuses. Sísifo casou-se com Mérope, uma das sete Plêiades, tendo com ela um filho, Glauco.
Certa vez, uma grande águia sobrevoou sua cidade, levando nas garras uma bela jovem. Sísifo reconheceu a jovem Egina, filha de Asopo, um deus-rio, e viu, na águia, como sendo uma das metamorfoses de Zeus. Mais tarde, o velho Asopo veio perguntar-lhe se sabia do rapto de sua filha e qual seria seu destino. Sísifo logo fez um acordo: em troca de uma fonte de água para sua cidade ele contaria o paradeiro da filha. O acordo foi feito e a fonte presenteada recebeu o nome de Pirene e foi consagrada às Musas.
Assim, ele despertou a raiva do grande Zeus, que enviou o deus da morte, Tânatos para levá-lo ao mundo subterrâneo. Porém o esperto Sísifo conseguiu enganar o enviado de Zeus. Elogiou sua beleza pediu-lhe para deixa-lo enfeitar seu pescoço com um colar. O colar na verdade não passava de uma coleira, com a qual Sísifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu driblar seu destino.
Durante o tempo, não morreu mais ninguem. Sísifo soube enganar a Morte, mas arrumou novas encrencas. Desta vez com Hades, o deus dos mortos, e com Ares, o deus da guerra, que precisava dos préstimos da Morte para consumar as batalhas
Tão logo teve conhecimento Hades, libertou a Morte e ordenou-lhe que troxesse Sísifo imediatamente para os Infernos. Quando Sísifo se despediu de sua mulher, teve o cuidado de pedir secretamente que ela não o enterrasse seu corpo.
Já no inferno, Sísifo reclamou com Hades da falta de respeito de sua esposa em não o enterrar. Então suplicou por mais um dia de prazo, para se vingar da mulher ingrata e cumprir os rituais funebres. Hades lhe concedeu o pedido. Sísifo então retomou seu corpo e fugiu com a esposa. Havia enganado a morte pela segunda vez
Outra história a respeito de Sísifo trata do ocorrido quando Autólico, o mais esperto e bem-sucedido ladrão da Grécia (que era filho de Hermes e vizinho de Sísifo), tentou roubar-lhe o gado. Autólico mudava a cor dos animais. As reses desapareciam sistematicamente sem que se encontrasse o menor sinal do ladrão, porém Sísifo começou a desconfiar de algo, pois o rebanho de Autólico aumentava à medida que o seu diminuía. Sísifo, um homem letrado (teria sido um dos primeiros gregos a dominar a escrita), teve a idéia de marcar os cascos de seus animais com sinais de modo que, à medida que a res se afastava do curral, aparecia no chão a frase “Autólico me roubou”. Posteriormente, Sísifo e Autólico fizeram as pazes e se tornaram amigos.

Sísifo morreu de velhice e Zeus enviou Hermes para conduzir sua alma ao Hades. No Hades, Sísifo foi considerado um grande rebelde e teve um castigo, juntamente com Prometeu, Títio, Tântalo e Ixíon.
Por toda a eternidade Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível. Por esse motivo, a tarefa que envolve esforços inúteis passou a ser chamada “Trabalho de Sísifo”.
Trabalho de Sísifo Sísifo acabou sendo conhecido por executar um trabalho rotineiro e cansativo. Tratava-se de um castigo para mostrar-lhe que os mortais não têm a liberdade dos deuses. Os mortais têm a liberdade de escolha, devendo, pois, concentrar-se nos afazeres da vida quotidiana, vivendo-a em sua plenitude, tornando-se criativos na repetição e na monotonia.
Atualmente, o aumento da oferta de cursos de (re)qualificação profissional no mercado de trabalho, faz-nos pensar que a tarefa de Sísifo também pode simbolizar a preocupação com a contínua (e extenuante) renovação dos estudos e habilidades. Porém, o prazer do aprendizado não pode ser comparado com o rolar de uma pedra montanha acima…
(...).

In WIKIPÉDIA (versão brasileira)

Publicado por Violeta Teixeira em 25/04 às 02:47 AM
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«O TRIUNFO DOS IMBECIS»

Pablo Picasso

«Não nos deve surpreender que, a maior parte das vezes, os imbecis triunfem mais no mundo do que os grandes talentos. Enquanto estes têm por vezes de lutar contra si próprios e, como se isso não bastasse, contra todos os medíocres que detestam toda e qualquer forma de superioridade, o imbecil, onde quer que vá, encontra-se entre os seus pares, entre companheiros e irmãos e é, por espírito de corpo instintivo, ajudado e protegido. O estúpido só profere pensamentos vulgares de forma comum, pelo que é imediatamente entendido e aprovado por todos, ao passo que o génio tem o vício terível de se contrapor às opiniões dominantes e querer subverter, juntamente com o pensamento, a vida da maioria dos outros.
Isto explica por que as obras escritas e realizadas pelos imbecis são tão abundante e solicitamente louvadas - os juízes são, quase na totalidade, do mesmo nível e dos mesmos gostos, pelo que aprovam com entusiasmo as ideias e paixões medíocres, expressas por alguém um pouco menos medíocre do que eles.
Este favor quase universal que acolhe os frutos da imbecilidade instruída e temerária aumenta a sua já copiosa felicidade. A obra do grande, ao invés, só pode ser entendida e admirada pelos seus pares, que são, em todas as gerações, muito poucos, e apenas com o tempo esses poucos conseguem impô-la à apreciação idiota e ovina da maioria. A maior vitória dos néscios consiste em obrigar, com certa frequência, os sábios a actuar e falar deles, quer para levar uma vida mais calma, quer para a salvar nos dias da epidemia aguda da loucura universal.»

Giovanni Papini, in ‘Relatório Sobre os Homens’

Nota: já se publicou a sua bio bibliografia.

Publicado por Violeta Teixeira em 25/04 às 01:16 AM
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CANTO

Foto da autoria Claudio Macedo- Superunknown-Olhares.com

Canto deslumbramentos melancólicos:
O deleite da descoberta do sexo das pedras;
Os gemidos, os gritos, os ritos dos bichos da terra;
O murmúrio líquido das águas subterrâneas;
O fogo grávido das entranhas das rochas;
A queda espontânea das estrelas;
As querelas frívolas das fracturas dos continentes;
O humor volúvel dos rios, silente, dos sistemas solares;
A bravura dos mares e dos oceanos pacíficos;
As babas de seda das aranhas repelentes;
As pegadas fúnebres nos passeios dos poemas;
As frivolidades dos rendilhados
De mármore dos jazigos abandonados;
A beleza granítica ou basáltica das campas;
A degradação das fotos e das flores dos mortos;
As bebedeiras da Lua sobre os ciprestes
Dos cemitérios desafectos;
As folhas nimbadas de luz de cobre e de mistérios;
A ruína bolorenta dos sentimentos, nos corações
Gélidos dos solitários;
O ranger medonho de passos nos soalhos das
Sombras dos espectros humanos;
Os fenos oxidados de chuvas ácidas,
Na alma dos excluídos de um tecto de ternura
Ou de uma migalha de afecto;
As ilusões ingénuas e pérfidas das almas lavadas;
A amargura das injúrias;
Beleza sublime das traições, sem mácula;
O amarelo enxofre dos hipócritas;
As vias dos desvios conjugais, em nome da loucura
Fogosa e límpida, sem fissuras nos corações que não
Entregam a pureza de que se sustentam;
Os corpos sem Sol, que se entreguem a corpos - outros,
Por uma migalha de luz, por um leito belo de frases
Efémeras, por um punhado de inverdades, por um novelo
De calor, com uma lucidez de pedra, anunciando,
A breve trecho, a morte de um agasalho,
Que vale toda uma vida, sem amor, bebendo,
Com avidez feroz as mais ínfimas gotas de prazer,
Sofridamente, sem queixumes fúteis e inúteis;
Canto as mãos vazias de exilada, as gretas da geada
Nos dedos dos sentidos, os calos do pensamento
E dos sacrifícios altruístas; o alvoroço das esperas,
Sem frutos, sem colheitas de pão, de broa ou
De cápsulas de papoulas; os moinhos que moem nada,
Mas as águas os movem; canto as navegações à volta
Do mundo, feitas por aqueles que nunca se levantam de
Uma cadeira de braços, e são infelizes como as baleias
E os cachalotes que vêm dar, por vezes à costa,
Num rito de suicídio colectivo; canto a Solidão,
Pesando mais peso do que peso, carregando as palavras
Dos poemas, como se fossem pedras, se afundando,
Preciosas e indefesas, em poças de sangue, sem fundo.

Canto-me o descalabro compulsivo do álcool.
Canto - me a loucura. Canto-me os desvarios
Lúcidos da química do corpo, sem alma.
Canto-me o que me não canto, porque também sou,
Ainda que me não diga, a ternura que se recusa
A se sentar convosco na praça pública da leitura.

Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 25/04 às 12:44 AM
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Terça-feira, 24 Abril, 2007

«O CONCEITO E A IMAGEM»

O Conceito e a Imagem

«Entre a imagem e o conceito, nenhuma síntese. Tampouco essa filiação, sempre dita, jamais vivida, pela qual os psicólogos fazem o conceito emergir da pluralidade das imagens. Quem se entrega com todo o seu espírito aos conceitos, com toda a sua alma às imagens, sabe bem que os conceitos e as imagens se desenvolvem em linhas divergentes da vida espiritual.»

Gaston Bachelard, in ‘A Terra e os Devaneios do Repouso’

Gaston Bachelard nasceu em 27 de junho de 1884, em Bar-sur-Aube, França e faleceu aos 16 de outubro de 1962, em Paris, França. Foi um filósofo e poeta francês que estudou sucessivamente as ciências e a filosofia. Seu pensamento está focado principalmente em questões referentes à filosofia da ciência.
Gaston Bachelard nasceu em Champagne (Bar-sur –Aube), em 1884. De origem humilde, Bachelard sempre trabalhou enquanto estudava. Pretendia formar-se engenheiro até que a Primeira Guerra Mundial eclodiu e impossibilitou-lhe a conclusão deste projeto. Passa a lecionar no curso secundário as matérias de física e química. Aos 35 anos inicia os estudos de filosofia, a qual também passa a lecionar. Suas primeiras teses foram publicadas em 1928 (Ensaios sobre o conhecimento aproximado e Estudo sobre a evolução de um problema de Física: a propagação térmica dos sólidos). Seu nome passa a se projetar e é convidado, em 1930, a lecionar na Faculdade de Dijon. Mais tarde, em 1940, vai para a Sourbonne, onde passa a lecionar cursos que são muito disputados pelos alunos devido ao espírito livre, original e profundo deste filósofo que, antes de tudo, sempre foi um professor. Bachelard ingressa em 1955 na Academia das Ciências Morais e Políticas da França e, em 1961, é laureado com o Grande Prêmio Nacional de Letras. Bachelard morreu em 1962.
Bachelard e a construção do objeto científico
A obra bachelardiana pode ser dividida, ainda que de forma didática, em duas: a obra diurna e a obra noturna, como o próprio autor expressa no seguinte trecho da obra Poética do Espaço: “Demasiadamente tarde, conheci a boa consciência, no trabalho alternado das imagens e dos conceitos, duas boas consciências, que seria a do pleno dia e a que aceita o lado noturno da alma”. (JAPIASSÚ, 1976, p.47).
Levando-se em conta tal perspectiva do próprio autor, seus analistas passaram a dividir sua obra relativa à epistemologia e história das ciências como diurna e a sua outra faceta, que o remete ao estudo no âmbito da imaginação poética, dos devaneios, dos sonhos, deu-se o adjetivo de obra noturna. Dentre as obras diurnas destacam-se “O novo espírito científico”, de 1934; “A formação do espírito científico”, de 1938; “A filosofia do não”, de 1940; “O racionalismo aplicado”, de 1949 e “O Materialismo Racional”, de 1952. Dentre as obras noturnas destacam-se “A psicanálise do fogo”, de 1938; “A água e os Sonhos”, de 1942; “O ar e os sonhos”, de 1943; “A terra e os devaneios da vontade”, de 1948; “A poética do espaço”, de 1957. Pretendemos nos deter na obra diurna de Gaston Bachelard, analisando o potencial metodológico implícito na sua epistemologia e filosofia das ciências, resumida na noção de “construção do objeto científico” e/ou “construção da alma científica (espírito científico)”.
A obra bachelardiana encontra-se no contexto da revolução científica promovida no início do século XX (1905) pela Teoria da Relatividade, formulada por Albert Einstein. Todo seu trabalho acadêmico objetivou o estudo do significado epistemológico desta ciência então nascente, procurando dar a esta ciência uma filosofia compatível com a sua novidade. E é partindo deste objetivo que Bachelard formula suas principais proposições para a filosofia das ciências: a historicidade da epistemologia e a relatividade do objeto. Em resumo, a nova ciência relativista rompe com as ciências anteriores em termos epistemológicos e a sua metodologia já não pode ser empirista, pois seu objeto encontra-se em relação, e não é mais absoluto. Nas palavras de Bachelard (1972):
Várias vezes, nos diferentes trabalhos consagrados ao espírito científico, nós tentamos chamar a atenção dos filósofos para o caráter decididamente específico do pensamento e do trabalho da ciência moderna. Pareceu-nos cada vez mais evidente, no decorrer dos nossos estudos, que o espírito científico contemporâneo não podia ser colocado em continuidade com o simples bom senso. (BACHELARD, 1972, p.27)
O “novo espírito científico”, portanto, encontra-se em descontinuidade, em ruptura, com o senso comum, o que significa uma distinção, nesta nova ciência, entre o universo em que se localizam as opiniões, os preconceitos, enfim, o senso comum e o universo das ciências, algo imperceptível nas ciências anteriores, baseadas em boa medida nos limites do empirismo, em que a ciência representava uma continuidade, em termos epistemológicos, com o senso comum. A “ruptura epistemológica” entre a ciência contemporânea e o senso comum é uma das marcas da teoria bachelardiana.
Do mesmo modo, segundo Bachelard, dá-se no âmbito da história das ciências. Para ele o conhecimento ao longo da história não pode ser avaliado em termos de acúmulos, mas de rupturas, de retificações, num processo dialético em que o conhecimento científico é construído através da constante análise dos erros anteriores. Nas suas palavras:
O espírito científico é essencialmente uma rectificação do saber, um alargamento dos quadros do conhecimento. Julga o seu passado condenando-o. A sua estrutura é a consciência dos seus erros históricos. Cientificamente, pensa-se o verdadeiro como rectificação histórica de um longo erro, pensa-se a experiência como rectificação da ilusão comum e primeira. (BACHELARD, 1996a, P.120)
Um dos maiores embates de Bachelard foi justamente com aqueles que defendiam o continuísmo, ou seja, que defendiam a idéia de que entre a ciência e o senso comum não existe mais que uma diferença de profundidade, portanto, continuidade epistemológica. Um defensor desta idéia era o filósofo francês Émile Meyerson (1859-1933), para quem a física relativista “é conforme aos cânones eternos do intelecto humano, que constitui não somente a ciência, mas, antes dela, o mundo do senso comum”. (JAPIASSÚ, 1976, p.52). Eis resumido neste trecho as proposições contra as quais lutou Bachelard: a perenidade das idéias científicas e a continuidade destas com o senso comum . Para Bachelard, a filosofia das ciências deve progredir conforme os avanços das ciências, realizando constantemente revisões e ajustes em suas concepções. “Todo conhecimento é polêmico. Antes de constituir-se, deve destruir as construções passadas e abrir lugar a novas construções. É este movimento dialético que constitui a tarefa da nova epistemologia”. (JAPIASSÚ, 1976, p.53).
A superação do empirismo, para Bachelard, se dá através do racionalismo. A postura epistemológica do novo cientista não se satisfaz com aproximações empiristas sobre os objetos, ao contrário, proclama-se no “novo espírito científico” o primado da realização sobre a realidade. As experiências já não são feitas no vazio teórico, mas são, ao invés disso, a realização teórica por excelência. O cientista aproxima-se do objeto, na nova ciência, não mais por métodos baseados nos sentidos, na experiência comum, mas aproxima-se através da teoria. Isso significa que o método científico já não é direto, imediato, mas indireto, mediado pela razão. O vetor epistemológico, segundo Bachelard, segue o percurso do “racional para o real”, o que é contrário à epistemologia até então predominante na história das ciências. Uma das distinções mais importantes, pois, entre as ciências anteriores ao século XX é a superação do empirismo pelo racionalismo. Segundo Bachelard (1972):
Entre o conhecimento comum e o conhecimento científico a ruptura nos parece tão nítida que estes dois tipos de conhecimento não poderiam ter a mesma filosofia. O empirismo é a filosofia que convém ao conhecimento comum. O empirismo encontra aí sua raiz, suas provas, seu desenvolvimento. Ao contrário, o conhecimento científico é solidário com o racionalismo e, quer se queira ou não, o racionalismo está ligado à ciência, o racionalismo reclama fins científicos. Pela atividade científica, o racionalismo conhece uma atividade dialética que prescreve uma extensão constante dos métodos (BACHELARD, 1972, p. 45).
O racionalismo bachelardiano tem um sentido muito próprio que é a preocupação constante com a aplicação. O “racionalismo aplicado”, que é uma marca fundamental do “novo espírito científico”, atua na dialética entre a experiência e a teoria, o que significa a dupla determinação do espírito sobre o objeto e deste sobre a experiência do cientista. “Impõe-se hoje situar-se no centro em que o espírito cognoscente é determinado pelo objeto preciso do seu conhecimento e onde, em contrapartida, ele determina com mais rigor sua experiência”. (BACHELARD, 1977, p.109).
Um outro ponto importante para a compreensão do que chamamos “metodologia bachelardiana”, é a sua noção de “obstáculos epistemológicos”, tratado, sobretudo, na obra “A formação do espírito científico”, de 1938. Bachelard propõe uma psicanálise do conhecimento, em que o seu progresso é analisado através de suas condições internas, psicológicas. Na sua avaliação histórica da ciência, o filósofo francês se vale do que chama de “via psicológica normal do pensamento científico”, ou seja, uma análise que perfaz o caminho “da imagem para a forma geométrica e, depois, da forma geométrica para a forma abstrata” (BACHELARD, 1996, p.10-11). A própria concepção de espírito científico nos remete ao universo psicanalítico.
Quanto aos “obstáculos epistemológicos”, afirma Bachelard, é através deles que se analisam as condições psicológicas do progresso científico. Nas suas palavras:
É aí que mostraremos causas de estagnação e até de regressão, detectaremos causas da inércia às quais daremos o nome de obstáculos epistemológicos (...) o ato de conhecer dá-se contra um conhecimento anterior, destruindo conhecimentos mal estabelecidos, superando o que, no próprio espírito, é obstáculo à espiritualização. (BACHELARD, 1996, p.17)
A noção de obstáculo epistemológico é de fundamental importância para o desenvolvimento do conhecimento no âmbito das pesquisas. É na superação destes obstáculos que reside o sucesso de uma pesquisa científica. Porém, condição essencial para a superação dos obstáculos é a consciência por parte dos cientistas de que eles existem e que, se não neutralizados, podem comprometer o processo da pesquisa, desde seus fundamentos até os seus resultados. Dentre tantos exemplos citados por Bachelard na obra A formação do Espírito Científico, irei deter-me em dois apenas, que penso serem constantes nas pesquisas: o obstáculo da realidade e o obstáculo do senso comum, da opinião. Para analisar estes obstáculos, pode-se utilizar o sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), que construiu na sua obra “A profissão de sociólogo” (1999), uma metodologia para a Sociologia baseada nos princípios da “construção do objeto científico”, de Bachelard.
O primeiro obstáculo, a realidade, está inserido na crítica já citada anteriormente a respeito do empirismo. O pesquisador, ao olhar seu objeto de estudo, especialmente quando este faz parte do universo social, como é o caso da educação, pode incorrer no perigo de se deixar levar pelo que lhe é visível, dando a este um estatuto de verdade que ele não tem. Para Bachelard, “diante do mistério do real, a alma não pode, por decreto, tornar-se ingênua. É impossível anular, de um só golpe, todos os conhecimentos habituais. Diante do real, aquilo que cremos saber com clareza ofusca o que deveríamos saber”. (BACHELARD, 1996, p.18). A proposta de Bourdieu é que, para tornar-se objeto científico, a realidade a ser estudada deve passar pelo crivo de uma teoria rigorosamente construída. A realidade nada responde por si mesma. Somente o faz através de questões levantadas teoricamente. Estas observações ganham razão de ser quando nos deparamos muitas vezes com pesquisas da área educacional que se resumem ao relato narrativo de uma determinada situação, geralmente denominado “estudo de caso”, sem que este tenha qualquer relação com uma questão geral, teórica. Estas pesquisas, geralmente, constituem-se de um apanhado teórico somado mecanicamente à descrição de uma situação e, por fim, uma consideração final que tenta sintetizar o estudo. Tal método, segundo pensamos, é falho e não consegue revelar o que se pode chamar das “múltiplas relações” inerentes à realidade, contentando-se em descrever tal situação que, por isso, perde muito do seu valor acadêmico, nada acrescentando ao conhecimento acumulado.
O segundo obstáculo epistemológico, o senso comum, semelhante ao primeiro, relaciona-se especificamente com a dificuldade com a qual se depara o cientista social em separar o seu conhecimento comum, suas opiniões, seus preconceitos, as avaliações relacionadas à sua posição social e econômica, etc., do conhecimento teórico, científico, que deve estar comprometido com a busca da verdade, baseada em leis gerais, em conceitos e não em preconceitos. Muitas pesquisas travestem-se de científicas para legitimarem determinados preconceitos, dando a eles credibilidade. Não que se pretenda preconizar a neutralidade científica, como queria o sociólogo alemão Max Weber (1864-1920). A utilização consciente de um método de pesquisa, como a “construção do objeto científico”, leva o cientista a chegar mais próximo possível da verdade do seu objeto, sem com isso entender o esgotamento do seu estudo, dada a característica dialética da sociedade e do conhecimento. A realidade social, e a educacional mais especificamente, é objeto de avaliação por todos aqueles que vivem na sociedade, o que torna a tarefa do cientista social ainda mais difícil, pois deve construir seu conhecimento apesar e contra o senso comum; apesar e contra a realidade.(...)»

In WIKIPÉDIA (versão brasileira)

Publicado por Violeta Teixeira em 24/04 às 02:21 AM
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«EQUUS ASINUS»

Burro, jumento, asno ou jegue são nomes vulgares de Equus asinus, um mamífero perissodátilo de tamanho médio, focinho e orelhas compridas, utilizado desde tempos pré-históricos como animal de carga.
A sua origem está ligada a Abissínia, onde era conhecido como onagro ou burro selvagem.
Desde há séculos que é feito o cruzamento entre burro e cavalo, de que resulta um híbrido denominado muar ou mu, com caraterísticas de ambas as raças: robustez, capacidade de adaptação a caminhos acidentados e a meio ambiente adverso, docilidade; pernas mais longas e, portanto, maior velocidade, maior facilidade de treino.
O macho (ou mulo) é o indivíduo do sexo masculino resultante do cruzamento de um burro com uma égua, Equus caballus. O animal fêmea resultante do mesmo cruzamento é chamado mula. Entretanto, o cruzamento das mesmas espécies porém invertidos os sexos (portanto cavalo e jumenta), dá origem a um animal diferente, o bardoto. Estes híbridos são quase sempre estéreis devido ao fato do cavalo possuir 64 cromossomos, enquanto que o jumento possui 62, resultando em 63 cromossomos.
O burro é, desde tempos remotos, simultaneamente utilizado no meio rural para auxiliar nas tarefas agrícolas e para transporte.
Origens
Seu nome veio do latim burrus, que quer dizer vermelho. Acredita-se que foi daí que surgiu a crença de que burros são pouco inteligentes, pois, antigamente, os dicionário tinham capas vermelhas, dando a idéia de que os burros eram sedentos de saber. Outra história diz que numa moeda antiga tinha a imagem de um rei com uma cabeça enorme que não era esperto, que se associou com a cabeça resistente do burro. Porém, também pode ter surgido da lenda grega do rei Midas, que foi tolo ao ponto de contradizer a irrevogável palavra do deus Apolo, que foi castigado pelo deus, recebendo orelhas de burro.
Ofensa
Em Portugal, tal como no Brasil, chamar burro a alguém é uma ofensa. Um indivíduo burro é um indivíduo pouco inteligente, estúpido, teimoso, ignorante, com pouco entendimento, sem conhecimento geral/criatividade.(…).

In WIKIPÉDIA (versão brasileira)

Publicado por Violeta Teixeira em 24/04 às 02:16 AM
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AURORA ÉBRIA E EFÉMERA

Bow River

Um astro
Aninhou-se, ardente
E clandestino,
No forro do imprevisível.

Deixá-lo cintilante,
Febril e fascinado
Pelo impossível.

Deixá-lo ser a voz
Do sangue, risco e perigo.

Deixá-lo ser subtil
E obstinado,
Na epiderme das palavras
Que não digo.

Deixá-lo abrasar-me:
Lenha, vinho, odor sacrílego
E límpido, fluindo
Nas veias do gozo e do gemido.

Deixá-lo pulsar-me,
No seu nicho rosáceo:
Aurora ébria e efémera.

Deixá-lo…
Deixará de ser
Chuva de luz,
Chuva de sémen,
Quando deixar
Um travo feliz e acídulo na boca.

Falará, então, o corpo da poesia,
De um cálice pleno
De uma memória louca,
De um astro ou de um coração,
Que já não luzia.

Deixá-lo ser-me o amor da vida.
Deixá-lo ser-me o amor da morte.

Violeta Teixeira, inédito (ROSAS DE JERICHÓ)

Publicado por Violeta Teixeira em 24/04 às 01:48 AM
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Segunda-feira, 23 Abril, 2007

DIA MUNDIAL DO LIVRO

Publicado por Violeta Teixeira em 23/04 às 10:40 AM
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«LIMIAR DA MALDADE»

Roger Ballen

«São conhecidos da física fenómenos que ocorrem apenas a magnitudes limiares, que de modo algum existem até determinado limiar codificado e conhecido da natureza ter sido ultrapassado… É evidente que a malvadez também tem o seu limiar. Sim, um ser humano hesita e oscila entre o bem e o mal toda a sua vida… Mas enquanto o limiar de maldade não for ultrapassado, a possibilidade de retorno mantém-se e o indivíduo mantém-se dentro dos limites da nossa esperança.»

Martin Amis, in ‘Koba o Terrível’

Nota: já se publicou a sua bio bibliografia.

Publicado por Violeta Teixeira em 23/04 às 01:26 AM
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ALQUIMIA

Alquimia é uma tradição antiga que combina elementos de química, física, astrologia, arte, metalurgia, medicina, misticismo, e religião. Existem três objetivos principais na sua prática. Um deles é a transmutação dos metais inferiores em ouro, o outro a obtenção do Elixir da Longa Vida, uma panacéia universal, um remédio que curaria todas as doenças e daria vida eterna àqueles que o ingerissem. Ambos estes objetivos poderiam ser atingidos ao obter a pedra filosofal, uma substância mítica que amplifica os poderes de um alquimista. Finalmente, o terceiro objetivo era criar vida humana artificial, o homunculus. É reconhecido que, apesar de não ter carácter científico, a alquimia foi uma fase importante na qual se desenvolveram muitos dos procedimentos e conhecimentos que mais tarde foram utilizados pela química.
Alguns estudiosos da alquimia admitem que o Elixir da Longa Vida e a pedra filosofal são temas simbólicos, que provêm de práticas de purificação espiritual, e dessa forma, não poderiam ser considerados substâncias reais. Há pesquisadores que identificam o Elixir da Longa Vida como um líquido produzido pelo próprio corpo humano, que teria a propriedade de prolongar indefinidamente a vida daqueles que conseguissem realizar a chamada “Grande Obra”, tornando-se assim verdadeiros alquimistas. Existem referências dessa substância desconhecida também na tradição da Yoga.

Introdução
Embora alguns, influenciados pelo conhecimento científico moderno, atribuam à alquimia um caráter de “proto-ciência”, devemos nos lembrar que ela tem mais de religião que de ciência. Assim, ao contrário da ciência moderna que busca descobrir o novo, a alquimia preocupava-se com os segredos do passado, e em preservar um suposto conhecimento antigo.
Parte desta confusão de tratar a alquimia como proto-ciência é conseqüência da importância que, nos dias de hoje, se dá à alquimia física (que manipulava substâncias químicas para obter novas substâncias), particularmente como precursora da química.
‘No entanto, muito do trabalho alquímico relacionado com os metais era apenas uma metáfora para um trabalho espiritual. Torna-se mais clara a razão para ocultar toda e qualquer conotação espiritual deste trabalho, na forma de manipulação de “metais”,’ se nos lembrarmos que na Idade Média qualquer um poderia ser acusado de heresia, satanismo e outras coisas, acabando por ser perseguido pela Inquisição da Igreja Católica.
Como ciência oculta, a alquimia reveste-se de um aspecto desconhecido, oculto, místico e mítico. Muitos dos textos alquímicos, rebuscados e contraditórios, devem ser entendidos sob esta perspectiva, mais interessados em esconder que em revelar.
A própria transmutação dos metais é um exemplo deste aspecto místico da alquimia. Para o alquimista, o universo todo tendia a um estado de perfeição. Como, tradicionalmente, o ouro era considerado o metal mais nobre, ele representava esta perfeição. Assim, a transmutação dos metais inferiores em ouro representa o desejo do alquimista de auxiliar a natureza em sua obra, levando-a a um estado de maior perfeição.A alquimia vem se desenvolvendo nos tempos modernos.
Portanto, a alquimia é uma arte filosófica, que busca ver o universo de uma outra forma, encontrando nele seu aspecto espiritual e superior!
A alquimia se baseia na “Troca Equivalente”, para se criar algo era preciso dar algo de igual valor. O mesmo principio é usado hoje em dia, “Na natureza nada se cria nada se destroi, tudo se transforma”.
História
Alguns opinam que a palavra “alquimia” vem da expressão árabe “al Khen” (الكيمياء ou الخيمياء de raiz grega, “alkimya"), que significa “o país negro”, nome dado ao Egito na antiguidade, e que é uma referência ao hermetismo, com o qual a alquimia tem relação. Outros acham que está relacionado com o vocábulo grego “chyma”, que se relaciona com a fundição de metais.
Podemos dividir a história da alquimia em dois movimentos independentes: a alquimia chinesa e a alquimia ocidental, esta última desenvolvendo-se ao longo do tempo no Egito, Babilónia, Grécia, Roma, Índia, mundo islâmico, e finalmente de volta para a Europa. Na China a alquimia estaria associada ao Taoísmo. Também a filosofia védica na Índia ao redor do ano 1000 a.C. apresenta semelhança com as idéias dos alquimistas.
No Egito antigo ela era considerada obra do deus Thoth, também conhecido por Hermes Trismegistus, por isto o termo hermetismo esta associado à alquimia. Na cidade de Alexandria, no Egito, onde floresceu nos primeiros séculos da era cristã, a alquimia recebeu influência do neoplatonismo, que diz que a matéria, apesar de múltiplas aparências, é formada por uma substância única, sendo esta a justificativa para a possibilidade da transmutação. Assim, o processo alquímico é obtido pela fusão dos quatro elementos fundamentais da antigüidade: fogo, ar, água e terra.
Foi graças às campanhas de Alexandre, o Grande que a alquimia se disseminou em todo o oriente. E foram os muçulmanos que a levaram novamente para a Europa, particularmente para Al-Andaluz ao redor do ano de 950. Assim, este florescimento da alquimia na península Ibérica durante a Idade Média está relacionado com a forte presença da cultura oriental, muçulmana, mas também com a cabala judaica, com a qual a alquimia tem relação. Durante a Idade Média muitos alquimistas foram julgados pela Inquisição, e condenados à fogueira por alegado pacto com o diabo. Por isto, até os dias de hoje o enxofre, material usado pelos alquimistas, é associado ao demônio. A história mais recente da alquimia confunde-se com a de ordens herméticas e religiosas, como a Ordem do Templo e os rosacruzes.
A pedra filosofal
Os alquimistas tentavam produzir em laboratório a pedra filosofal (ou mercúrio dos filósofos, entre muitos outros nomes) a partir de matéria-prima mais grosseira. Com esta pedra seria possível obter a transmutação dos metais e o Elixir da Longa Vida, que é capaz de prolongar a vida indefinidamente. O trabalho relacionado com a pedra filosofal era chamado por eles de “A Grande Obra”.
Considera-se que o trabalho de laboratório dos alquimistas medievais com os “metais” era, na verdade, uma metáfora para a verdadeira natureza espiritual da alquimia. Assim, a transformação dos metais em ouro pode ser interpretada como uma transformação de si próprio, de um estado inferior para um estado espiritual superior.
A pedra filosofal poderia não só efetuar a transmutação, mas também elaborar o Elixir da Longa Vida, uma panacéia universal, que prolongaria a vida indefinidamente. Isto demonstra as preocupações dos alquimistas com a saúde e a medicina. Vários alquimistas são considerados precursores da moderna medicina, e entre eles destaca-se Paracelso.
A busca pela pedra filosofal é, em certo sentido, semelhante a busca pelo Santo Graal das lendas arturianas. Em seu romance “Parsifal”, escrito entre os anos de 1210 e 1220, Wolfram von Eschenbach associa o Santo Graal não a um cálice, mas a uma pedra que teria sido enviada dos céus por seres celestiais e teria poderes inimagináveis. Também na cultura islâmica desempenha papel importante uma pedra, chamada Hajar el Aswad, que é guardada dentro de uma construção chamada de Kaaba, considerada sagrada, tornou-se em objecto de culto em Meca.
O processo alquímico

O processo alquímico é o principal trabalho dos alquimistas (frequentemente chamado de “A Grande Obra"). Trata-se da manipulação dos metais, e da fabricação da pedra filosofal. As matérias-primas do processo alquímico são, entre outros, o orvalho, o sal, o mercúrio e o enxofre. De um modo geral, o processo alquímico é descrito de forma velada usando-se uma complicada simbologia que inclui símbolos astrológicos, animais e figuras enigmáticas.
O orvalho é utilizado para umedecer ou banhar a matéria-prima. O sal é o dissolvente universal. Os outros dois elementos, mercúrio e enxofre são as principais matérias-primas da alquimia. O enxofre é o princípio fixo, ativo, masculino, que representa as propriedades de combustão e corrosão dos metais. O mercúrio é o princípio volátil, passivo, feminino, inerte. Ambos, combinados, formam o que os alquimistas descrevem como o “coito do Rei e da Rainha”.
O sal, também conhecido por arsénico, é o meio de ligação entre o mercúrio e o enxofre, muitas vezes associado à energia vital, que une corpo e alma.
A linguagem dos textos alquímicos com frequência faz uso de imagens sexuais. E não é muito incomum que a ligação de elementos seja comparada a um “coito”. Normalmente este casamento é associado à morte, e é representado, com frequência, ocorrendo dentro de um sarcófago.
Enquanto a união de ambos os elementos é representada por um “casamento” ou “coito”, o combate entre o enxofre e o mercúrio, entre o fixo e o volátil, entre o masculino e o feminino é comumente representado pela luta entre o dragão alado e o dragão áptero.
Também é muito frequente o uso de símbolos da astrologia na linguagem alquímica. Associam-se os planetas da astrologia com os elementos da seguinte forma:
• O Sol com o ouro
• A Lua com a prata
• Mercúrio com mercúrio
• Vênus com o cobre
• Marte com o ferro
• Júpiter com estanho
• Saturno com chumbo
Animais são usados pelos alquimistas para descrever o processo alquímico e os elementos envolvidos nele. Os antigos tinham como quatro os principais elementos, terra, água, ar e fogo, de forma que todos os outros poderiam ser obtidos pela combinação destes, em diferentes proporções. Normalmente, o unicórnio ou o veado é usado para representar o elemento terra, o peixe para representar a água, pássaros para o ar, e a salamandra o fogo. O sal é normalmente representado pelo leão verde. O corvo simboliza a fase de putrefação do processo (associada ao calor e ao fogo), que assume uma cor escura. Enquanto que um tonel de vinho representa a fermentação, fase muito freqüentemente citada pelos alquimistas no processo alquímico.
O trabalho alquímico está fundamentado em certos caminhos que devem ser seguidos. Na alquimia existem dois caminhos principais: a via úmida (pois trabalha com o orvalho) e a via seca. A via úmida é considerada um processo lento, mas que oferece menos riscos.
O Homunculus
Talvez uma das mais interessantes idéias dos alquimistas seja a criação de vida humana a partir de materiais inanimados. Não se pode duvidar da influência que a tradição judaica teve neste aspecto, pois na cabala existe a possibilidade de dar vida a um ser artificial, o Golem. O conceito do homúnculo (do latim, homunculus, pequeno homem) parece ter sido usado pela primeira vez pelo alquimista Paracelsus para designar uma criatura que tinha cerca de 12 polegadas de altura e que, segundo ele, poderia ser criada por meio de sémen humano posto em uma retorta hermeticamente fechada e aquecida em esterco de cavalo durante 40 dias. Então, segundo ele, se formaria o embrião. Podemos observar que esta idéia dos alquimistas ficou profundamente marcada na consciência da humanidade, e tem aparecido regularmente no imaginário popular, na forma de monstros artificiais, como em Fullmetal Alchemist, e no mais famoso deles, Frankenstein (obra literária de Mary Shelley). Outro nome a um ser criado artificialmente é Quimera, resultado da fusão de um ser humano com um animal.
Ligado aos nossos dias
A alquimia medieval acabou fundando, com seus estudos sobre os metais, as bases da química moderna. Diversas novas substâncias foram descobertas pelos alquimistas, como o arsênico. Eles também deixaram como legado alguns procedimentos que usamos até hoje, como o famoso “banho-maria”, devido a uma alquimista chamada Maria, a Judia. Ironia do destino, o desejo dos alquimistas de transmutar os metais tornou-se realidade nos nossos dias com a fissão e fusão nuclear.

A psicologia moderna também incorporou muito da simbologia da alquimia. Carl Jung reexaminou a simbologia alquímica procurando mostrar o significado oculto destes símbolos e sua importância como um caminho espiritual. Mas com certeza a maior influência da alquimia foi nas chamadas ciências ocultas. Não há ramo do ocultismo ocidental que não tenha recebido alguma idéia da alquimia, e que não a referencie.
Acima de tudo, a alquimia deixou uma mensagem poderosa de busca pela perfeição. Em um mundo tomado pelo culto ao dinheiro a à aparência exterior, em que pouco o homem busca a si próprio e ao seu íntimo, as vozes dos antigos alquimistas aparecem como um chamado para que o homem reencontre seu lado espiritual e superior.
Algumas das principais obras de alquimia
• O Arcano Hermético (de Jean d’Espagnet)
• Anfiteatro da Sabedoria Eterna (de Heinrich Khunrath)
• Atalanta Fugiens (de Michael Maier)
• Aurora Consurgens (de São Tomás de Aquino)
• A Aurora dos Filósofos (de Paracelso)
• A Carruagem Triunfal do Antimônio (de Basilio Valentim)
• As Seis Chaves (de Eudoxus)
• Coelum Philosophorum (de Paracelso)
• A fabricação de Ouro (de Francis Bacon)
• Histoire de I’Alchimie au moyen - âge: Nicolas Flamel (de Albert Poisson)
• Museu Hermético
• Rosarium Philosophorum
• Tabela Esmeralda (de Hermes Trismegistus)
• Teorias e símbolos dos Alquimistas (de Albert Poisson)
• O Tratado Dourado (de Hermes Trismegistus)
• Mutus Liber (editado por Eugene Canseliet)
• As Moradas dos Filósofos (de Fulcanelli)
Alquimistas famosos
• Alberto, O Grande
• Albert Poisson
• Basilio Valentim
• Francis Bacon
• Raimundo Llulio
• Isaac Newton
• John Dee
• Maria, a Judia
• Michael Maier
• Nicolas Flamel
• Nostradamus
• Paracelso
• Roger Bacon
• Tomás de Aquino
• Fulcanelli
• Eugene Canseliet
• Geber
• Michael Sendivogius
• Samael Aun Weor

In WIKIPÉDIA (versão brasileira)

Publicado por Violeta Teixeira em 23/04 às 01:01 AM
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ALQUIMISTA

És um alvoroço rubro de enxofre,
Um alquimista, sem mercúrio,
Mergulhado numa claridade acinzentada,
A «sniffar cannabis», à porta da oficina.

Faltar-me-á sedução para descascar
As tuas cascas de cacau seco, condição para
Penetrar, degrau a degrau, no teu espaço
Alquímico, onde o estar, a sós, te basta?

Onde ocultas o sol do ouro que não achas?
Como arrefeces o sangue, que não bebes,
Mas ferve nas veias que estrangulas?

Trago-te, nas mãos, uma poção mágica:
Uma infusão de malvas, um cacho
De dedos macios, e uma luz musical, para
Entrar no palco de um ser que se crê trágico.

Que esperas para acolheres a lua, que me sou,
Na atmosfera dos teus fumos de ervas?
Estou à porta da tua oficina. Também fumo
A vida. E tudo, em ti, é veneno que me fascina.

Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 23/04 às 12:49 AM
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Domingo, 22 Abril, 2007

A HEROÍNA QUE ME INJECTO

http://www.canalfoto.org/galeria/ver_foto/foto_id/18...

Mergulho nas tintas
Cínzeas do crepúsculo.

Não ouço a batida
Uníssona do meu pêndulo,
E, em vão, me esforço
Por limpar insólitas sombras,
Salpicadas de sangue, sobre
A peça recém concluída.

Seguro-me às traves
Do «atelier», não vá tombar,
Esvaída, sob o peso
Vermelho do tecto.

Mas nada me acontece,
Salvo a amargura trémula dos
Dedos, que me mina,
Como a heroína que me injecto,
No derradeiro degrau
Do desespero.

Violeta Teixeira, in AFLUENTES LUNARES (1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira – 1ª edição, 2000, co-edição Magno Edições/Câmara Municipal de Leiria, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 22/04 às 06:44 PM
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«QUEM VENCE NÃO PRECISA DE DAR SATISFAÇÕES»

«Atenção para que as coisas lhe saiam bem. Alguns têm mais em mira o rigor da direcção que a felicidade de conseguir o intento, porém sempre prepondera mais o descrédito da infelicidade que o abono da diligência. Quem vence não precisa de dar satisfações. A maioria não percebe a exactidão das circunstâncias, mas apenas os bons ou maus sucessos; e, assim, nunca se perde reputação quando se consegue o intento. O bom fim tudo doura, mesmo que o desmintam os desacertos dos meios. Pois é arte ir contra a arte quando não se pode conseguir de outro modo a felicidade de sair-se bem.»
Baltasar Gracián y Morales, in ‘A Arte da Prudência’

De Wikipedia, la enciclopedia libre
Baltasar Gracián y Morales (Belmonte de Gracián (Calatayud), 8 de enero de 1601 - Tarazona (Zaragoza), 6 de diciembre de 1658) fue un escritor español del Siglo de Oro que cultivó la prosa didáctica y filosófica. Entre sus obras destaca El Criticón —alegoría de la vida humana— que constituye una de las novelas más importantes de la literatura española, comparable por su calidad al Quijote o La Celestina.[1]
Su producción se adscribe a la corriente literaria del conceptismo. Forjó un estilo construido a partir de sentencias breves muy personal, denso, concentrado y polisémico, en el que domina el juego de palabras y las asociaciones ingeniosas entre estas y las ideas. El resultado es un lenguaje lacónico, lleno de aforismos y capaz de expresar una gran riqueza de significados.
El pensamiento de Gracián es pesimista, como corresponde al periodo barroco. El mundo es un espacio hostil y engañoso, donde prevalecen las apariencias frente a la virtud y la verdad. El hombre es un ser débil, interesado y malicioso. Buena parte de sus obras se ocupan de dotar al lector de habilidades y recursos que le permitan desenvolverse entre las trampas de la vida. Para ello debe saber hacerse valer, ser prudente y aprovecharse de la sabiduría basada en la experiencia. Incluso disimular y comportarse según la ocasión.
Todo ello le ha valido a Gracián ser considerado un precursor del existencialismo y de la postmodernidad. Influyó en librepensadores franceses como La Rochefoucauld y más tarde en la filosofía de Schopenhauer. Sin embargo, su pensamiento vital es inseparable de la conciencia de una España en decadencia, como se advierte en su máxima «floreció en el siglo de oro la llaneza,
Biografía
Nacido muy cerca de Calatayud, en 1601, las noticias sobre su infancia son muy escasas. Todo indica que estudió letras desde los diez o doce años en su ciudad natal, quizá en el colegio de jesuitas de esta localidad. Hacia 1617 debió residir uno o dos años en Toledo con su tío Antonio Gracián, capellán de San Juan de los Reyes, donde aprendería lógica y profundizaría en el latín.
En 1619 ingresó en el noviciado de la provincia jesuítica de Aragón, situado en Tarragona, en el que se le dispensó de los dos años preceptivos de estudio de humanidades debido a su excelente formación anterior. En 1621 volvió a Calatayud, donde cursó dos años de Filosofía. De esta etapa data su aprecio por la ética, que influyó en toda su producción literaria. Otros cuatro cursos de Teología en la Universidad de Zaragoza completaron su formación religiosa.
Ordenado sacerdote en 1627, comenzó a impartir Humanidades en el Colegio de Calatayud. Parece ser que fue un periodo grato, pero pocos años más tarde tuvo graves enfrentamientos con los jesuitas de Valencia, adonde fue trasladado en 1630. De allí pasó a Lérida en 1631 para encargarse de las clases de Teología Moral. En 1633 viajó a Gandía para enseñar Filosofía en el colegio jesuita de la villa y se renovaron las enemistades con sus antiguos correligionarios valencianos.
En el verano de 1636 volvió a tierras aragonesas, a Huesca, como confesor y predicador. Esta ciudad tuvo una importancia capital en la vida del jesuita, puesto que con el apoyo del erudito mecenas Vincencio Juan de Lastanosa pudo publicar su primer libro: El Héroe (1637).

Lastanosa reunía en su casa-museo un importante cenáculo literario y artístico. El palacio del prócer oscense, que fue visitado por Felipe IV, era conocido por sus exquisitos jardines, por una estupenda armería, por la colección de medallas y por una magnífica biblioteca de cerca de siete mil volúmenes, una cantidad extraordinaria en esa época. En este propicio ambiente Gracián traba contacto con la intelectualidad cultural aragonesa, entre la que se cuenta el poeta Manuel de Salinas o el historiador Juan Francisco Andrés de Uztarroz.
En 1639 llegó a Zaragoza, nombrado confesor del virrey de Aragón Francisco María Carrafa, duque de Nochera, con quien viaja a Madrid, donde predicó. No obstante, su estadía en la Corte fue desalentadora, pues, aunque aspiró a medrar entre la república literaria de la capital, sus ambiciones se saldaron con un franco desengaño. Con todo, publicó allí su segunda obra, El Político (1640) y ultimó la primera versión de su tratado teórico sobre estética literaria barroca, titulado Arte de ingenio, tratado de la agudeza (1642).
De 1642 a 1644 ejerció el cargo de vicerrector del Colegio de Tarragona, donde auxilió espiritualmente a los soldados que tomarían Lérida en la Sublevación de Cataluña (1640). De resultas de esta campaña, cayó enfermo, y fue enviado a Valencia para reponerse. Al calor de la magnífica biblioteca del hospital, preparó una nueva obra, El Discreto (1646), que verá la luz en Huesca. De nuevo en su refugio oscense, impartió clases de Teología Moral hasta 1650. Es en esta época cuando más activamente pudo dedicarse a la literatura. Aparecieron entonces el Oráculo manual y arte de prudencia (1647) y la segunda versión del tratado sobre el ingenio y el concepto Agudeza y arte de ingenio (1648).
En el verano de 1650 fue destinado a Zaragoza con el cargo de Maestro de Escritura, y al año siguiente publica la primera parte de su obra cumbre: El Criticón. A excepción de El Comulgatorio, Gracián publicó toda su obra sin el preceptivo permiso de la Compañía, lo que provocó protestas formales que fueron elevadas a las instancias rectoras de los jesuitas. Tales quejas no le disuadieron al punto de que apareciera en Huesca la segunda parte de esta obra. Algunos jesuitas valencianos, a consecuencia de viejas enemistades, interpretaron uno de sus pasajes como una ofensa a sus personas, lo que le granjeó nuevos ataques ante los superiores de la Compañía que apuntaban al contenido escasamente doctrinal de sus obras, impropias de un jesuita profeso, ya que, ocupándose todas ellas de la Filosofía Moral, esta se aborda desde una óptica profana. Quizá para contribuir a su descargo publicó, por primera vez con su auténtico nombre, El Comulgatorio (1655), un libro acerca de la preparación para la Eucaristía.
Pero la aparición en 1657 de la tercera parte de El Criticón determinó su caída en desgracia. El nuevo provincial de Aragón, el catalán Jacinto Piquer, recriminó públicamente a Gracián en el refectorio, le impuso como penitencia ayuno a pan y agua —prohibiéndole incluso disponer de tinta, pluma y papel—, y le privó de su cátedra de Escritura del Colegio Jesuita de Zaragoza. A comienzos de 1658 Gracián es enviado a Graus, un pueblo del prepirineo oscense.
Al poco tiempo, Gracián escribió al General de la Compañía para solicitar el ingreso en otra orden religiosa. Su demanda no fue atendida, pero se le atenuó la pena: en abril de 1658 ya fue enviado a desempeñar varios cargos menores al Colegio de Tarazona. Los últimos contratiempos debieron acelerar su decadencia física, pues en junio no pudo asistir a la congregación provincial de Calatayud, falleciendo, poco más tarde, en Tarazona, el 6 de diciembre de 1658.[3]
Obra
Vista en conjunto la producción de Baltasar Gracián, podemos observar una estrecha relación con su biografía. Desde el juvenil entusiasmo por el triunfo y la gloria del hombre ejemplar, configurado en El Héroe, se llegará al desengaño de la vejez y la muerte en los últimos capítulos de El Criticón. Así se presenta como escritor en 1637 en el prólogo «Al lector» de El Héroe:
¡Qué singular te deseo! Emprendo formar con un libro enano un varón gigante y, con breves períodos, inmortales hechos. Sacar un varón máximo; esto es milagro en perfección (...)
El Héroe, prólogo «Al lector»
Dos tratados más continuarían esta línea de delinear el hombre perfecto: El Político, que extrae tales cualidades del rey Fernando el Católico, y El Discreto, un manual de conducta para el hombre en sociedad, sea cual sea su posición en ella.
Por otro lado, Gracián dedicó grandes esfuerzos a elaborar un tratado de estética literaria barroca: la Agudeza y arte de ingenio, que refunde una versión anterior titulada Arte de ingenio, tratado de la agudeza. Allí teoriza sobre el «concepto» y propone una nueva retórica basada en la praxis barroca que se distancia, en parte, de la tradición aristotélica de la Poética, pues su análisis está fundamentado en textos, que a su vez ejemplifican una clasificación de los distintos tipos de agudeza de su propia invención.
Toda la obra de Gracián, ocupada siempre de su aplicación práctica a la vida del hombre, tiene por objeto la filosofía moral. Las ideas acumuladas en tratados anteriores sobre el modo de conducirse en el mundo son sintetizadas y reunidas en el libro más lacónico y sentencioso de su producción, el Oráculo manual y arte de prudencia. Con él culmina el proyecto de «manuales del vivir» para la persona cabal, y en él también se subsumen, probablemente, libros proyectados —en El Discreto se habla de los “doce gracianes”, que se titularían «El Atento», «El Galante»— que no llegaron a ver la luz.
Fue admirado por moralistas franceses de los siglos XVII y XVIII, y en el XIX por Schopenhauer,[4] quien recibió la influencia del pensamiento graciano y tradujo al alemán el Oráculo manual y arte de prudencia. Esta versión, muy fiel al espíritu del aragonés,[5] fue conocida por Nietzsche, que dijo en una de sus cartas: “Europa no ha producido nada más fino ni más complicado en materia de sutileza moral”.[6] Gracias a ellos la obra del filósofo español fue objeto de estudio en la universidad alemana.
Solo le quedaba ensayar la fabulación. Poner todo su trabajo de investigación retórica al servicio de una novela, que fuera a la vez tratado de filosofía moral, bajo el género que él mismo denominó «agudeza compuesta fingida», lo que viene a significar “alegoría novelada”. Se concretó en las tres partes de El Criticón, que recorre todo el ciclo de la vida de un hombre, que debe, además, vencer a las circunstancias del mundo en crisis de la sociedad del barroco.
El último libro que publicaría, quizá por hacer una concesión a los oficios propios de la orden jesuita, que no veía con buenos ojos su abordar la lucha por la vida siempre al margen de auxilio cristiano, fue El Comulgatorio. Es el único que publicó con su auténtico nombre y cumplió con la preceptiva revisión por parte de los censores de su orden. Sin embargo, tras la aparición en 1657 de la tercera parte de El Criticón —de nuevo sin consentimiento de la Compañía y con su conocido (a estas alturas) seudónimo de Lorenzo Gracián—, el aragonés fue confinado a una celda y castigado a ayuno riguroso. Los tintes pesimistas que destila El Criticón corren parejas con su última peripecia vital (…)»

Publicado por Violeta Teixeira em 22/04 às 12:12 AM
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Sábado, 21 Abril, 2007

«whisky»

Uísque (whisky ou whiskey) é uma bebida alcoólica destilada de grãos, muitas vezes incluindo malte, que foi envelhecida em barris.
Características

Das alquimias perpetradas nos mosteiros da Idade Média às fórmulas secretas dos atuais blendeds, uma história de mais 500 anos de prazeres contidos em um copo de um legítimo scotch whisky. Mais ou menos na época em que o Brasil foi descoberto pelos navegantes portugueses, alguns dos seus vizinhos continentais do Norte davam indícios de dominarem a arte de destilar o uísque beatha ou a acqua vitae que, em gaélico, o idioma dos celtas da Grã-Bretanha e da Irlanda, quer dizer água da vida. Um certo frei John teria elaborado, a partir do suprimento da “eight bolls of malt”, a tal bebida aparentada do uísque no dia 8 de agosto de 1494 – portanto há exatos 512 anos, neste 2006. Graças a esse registro histórico, acredita-se que a bebida, a exemplo do champanhe e de alguns licores, também tenha surgido em algum monastério, com a justificável desculpa de ser usada em tratamentos medicinais ou como “ elixir da vida eterna”. Sabe-se, porém, que a técnica de destilação já era praticada há muito mais tempo pelos celtas. Ao lado dos bravos escoceses, os irlandeses, por sua vez, também reivindicam para si a primazia da invenção do scotch whisky. A história mais difundida é a de que a arte de destilar teria surgido na Irlanda do século V e, depois, emigrado junto com os missionários cristãos para os mosteiros escoceses através do litoral oeste, até alcançar as Highlands, as Terras Altas, e dali, se espalhado por todo o país. O fato, de todo modo, é que, ao longo desses cinco séculos, a Escócia se tornou a pátria do melhor uísque do planeta. Centenas de chaminés de suas destilarias povoam o seu bucólico terrítório, pontuado de castelos seculares, lagos e rios de águas cristalinas. Uma água puríssima, aliás, crucial para a produção do scotch e que escoa sobre a turfa, o solo esponjoso que serve como combustível para defumar a cevada, a preciosa matéria-prima dos maltes
A bebida é vendida em variados estilos:
• Puro malte (ou Pure Malt) são feitos 100% com cereais maltados provenientes de uma única destilação e, por isso mesmo, pode apresentar sabores diversos de acordo com cada processo. Os grãos usados para obter “Puro Malte” incluem cevada na Irlanda, Escócia, Canadá e Estados Unidos, centeio no Canadá e Estados Unidos. Pure pot still whiskey é feito na Irlanda a partir de uma combinação de cevada maltada e não-maltada. Vários tipos de straight whiskey, que é envelhecido em barris de carvalho novos, como Ray Whiskey, Tennessee whiskey e Bourbon whiskey são produzidos nos Estados Unidos.
Os “Puro Malte” podem ser engarrafados como “Single Malt” no qual apenas uma destilação é utilizada ou como “Vated” no qual várias destilações “single malt” são misturadas para se conseguir o produto final. Entre os apreciadores é comum afirmar que o “single malt” é um músico solista se apresentando, enquanto o “vated” é toda a orquestra tocando junta.
• Blended é feito com uma mistura de destilações diversas calibradas de forma a se chegar sempre a um mesmo sabor para aquele uísque, sendo muito mais barato do que os acima mencionados. Nestes uísques ocorre uma mistura de maltes puros com destilações feitas a partir de outros cereais não maltados como o milho e o arroz.
Os Blends identificam quase sempre o tipo de uísque que está na base da sua produção, por exemplo, Escocês blendado, Canadense blendado ou Bourbon blendado. Whiskey leve é um tipo de whiskey americano feito quase inteiramente de destilações neutras, com pequenas quantidades (normalmente menos de 5-10% do volume total) de straight whiskey e com ginja adicionada para dar cor e sabor.
No caso do ‘whisky’, o tempo mínimo de envelhecimeto em barris de carvalho é de oito anos. Uma vez a bebida engarrafada o processo de envelhecimento é interrompido.
Anteriormente a maior parte do whiskey produzido nos Estados Unidos era engarrafado “in Bond”, de acordo com os termos de um Acto do Congresso de 1898; esta prática foi largamente abandonada, visto que um dos requisitos do Acto era que o dito whiskey fosse produzido com 50% de álcool por volume. Pouco whiskey tão forte é produzido actualmente nos Estados Unidos, em parte porque o gosto dos consumidores mudou mas também porque um conteúdo alcoólico tão elevado é ilegal em muitos países, o que limitaria a exportação do produto.
Consumo
Os uísques Single Malt e Vated devem ser bebidos puros, gelados ou não. Já os do tipo Blend podem ser bebidos puros, com água ou gelo, ou ainda misturados a outras bebidas tais como soda, “Rye & Coke” ou “Rye & Ginger Ale”.

In WIKIPÉDIA (versão brasileira)

Publicado por Violeta Teixeira em 21/04 às 11:52 PM
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«A ARTE E A FILOSOFIA»

Vítor Correia- vmdcc-Olhares.com

«Nunca será de mais insistir no carácter arbitrário da antiga oposição entre arte e a filosofia. Se quisermos interpretá-la num sentido muito preciso, é certamente falsa. Se quisermos simplesmente significar que essas duas disciplinas têm, cada uma delas, o seu clima particular, isso é verdade sem dúvida, mas muito vago. A única argumentação aceitável residia na contradição levantada entre o filósofo fechado no meio do seu sistema e o artista colocado diante da sua obra. Mas isto era válido para uma certa forma de arte e de filosofia, que aqui consideramos secundária. A ideia de uma arte separada do seu criador não está somente fora de moda. É falsa. Por oposição ao artista, dizem-nos que nunca nenhum filósofo fez vários sistemas.
Mas isto é verdade, na própria medida em que nunca nenhum artista exprimiu mais de uma só coisa sob rostos diferentes. A perfeição instantânea da arte, a necessidade da sua renovação, só é verdade por preconceito. Porque a obra de arte também é uma construção, e todos sabem como os grandes criadores podem ser monótonos. O artista, tal como o pensador, empenha-se e faz-se na sua obra. Essa osmose levanta o mais importante dos problemas estéticos. Além disso, nada é mais vão que essas distinções, segundo os métodos e os objectos, para quem se persuade da unidade de finalidade do espírito. Não há fronteiras entre as disciplinas que o homem se propõe, para compreender e amar. Interpenetram-se e confunde-as a mesma angustia.»

Albert Camus, in “O Mito de Sísifo”

Publicado por Violeta Teixeira em 21/04 às 03:40 PM
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ECHO

Poussin

Eco (mitologia)
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Eco (em grego Ηχώwink era uma bela ninfa da Mitologia grega. Eco amava os bosques e os montes onde muito se distraía. Era querida por Diana a quem acompanhava em suas caçadas. Tinha, no entanto, um defeito: falava demais e sempre queria dar a última palavra em qualquer conversa ou discussão. Em certa ocasião, a deusa Hera desconfiou, com razão, que seu marido Zeus se divertia com as ninfas. Enquanto as ninfas se escondiam de Hera, Eco tentou distraí-la com uma conversa e, no entanto, foi castigada: só seria capaz de falar repetindo o que os outros dissessem.
Mitos
Eco era uma das Oréades, as ninfas das montanhas, e adorava sua própria voz. Como Zeus adorava estar entre as belas ninfas, visitava-as com grande freqüência. Suspeitando dessas ausências do esposo, Hera veio à terra a fim de flagrá-lo com suas amantes.
Eco intentou salvar suas amigas, falando com Hera ininterruptamente, de forma a possibilitar que o deus e as ninfas escapassem. Finalmente a deusa conseguiu livrar-se dela e, chegando ao campo onde os amantes estavam, encontrou-o deserto. Percebendo que tinha sido lograda, resolveu castigá-la.
Versão de Ovídio
Segundo Ovídio, Zeus havia usado do dom da fala de Eco para distrair a esposa, a fim de continuar seu adultério. Hera logo descobriu o ardil e condenou-a a para sempre repetir apenas as últimas palavras das frases que os outros diziam (ecolalia). A ninfa perdia assim seu mais precioso dom, aquilo que mais amava.

Enquanto vagava em seu sofrimento, noutra parte havia um homem chamado Narciso. Era ele tão belo que mulheres e homens ao verem-no logo se apaixonavam. Mas Narciso, que parecia não ter coração, não correspondia a ninguém.
Certo dia, vagando Eco pelos bosques, encontrou o belo mancebo por quem, clarou, caiu de amores. Como não podia falar-lhe, limitou-se a segui-lo, sem ser vista.
O jovem, porém, estando perdido no caminho, perguntou: “Tem alguém aqui?”
Ao que obteve apenas a resposta: “Aqui, aqui, aqui...”.
Narciso intimou a quem respondia para sair do esconderijo. Eco apareceu-lhe e, como não podia falar, usou as mãos para em gestos dizer do grande amor que lhe devotava. Narciso, chateado com a quantidade de pessoas a amarem-no, rejeitou também à bela ninfa.
A pobre Eco, tomada de desgosto, rezou para que Afrodite lhe tirasse a vida. A deusa, entretanto, tanto gostou daquela voz, que deixou-a viver.
Segundo Ovídio narra, um rapaz apaixonou-se depois por Narciso e, desprezado, orou aos deuses por vingança, sendo atendido por Nêmesis - a deusa que arruina os orgulhosos - que decidiu fazer com que o belo moço sofresse daquele mesmo desprezo com que aos outros tratava: fê-lo cair de amores por seu próprio reflexo. Sem poder jamais ser correspondido pela imagem, morre de desgosto, indo para o País de Hades, a terra dos criminosos, onde passa a eternidade atormentado pela visão do próprio reflexo nas águas do rio Estige.
Outras versões
Segundo outras fontes, Eco era uma ninfa que tinha maravilhosos dons de canto e dança, que desprezava os amores de qualquer homem. O deus Pan dela se enamora, mas obtém-lhe apenas o desdém. Tolhido em sua lascívia, Pan se enfurece, ordenando aos seus seguidores que a matem. Eco foi então estripada, e seus pedaços espalhados por toda a Terra.
A deusa da Terra, Gaia, incorporou os pedaços da ninfa, com os restos de sua voz, que repetem as últimas palavras que os outros dizem.
Nalgumas variantes dessa versão, Eco e Pan chegaram a ter um filho, chamado Iambe.

Publicado por Violeta Teixeira em 21/04 às 03:18 PM
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