Segunda-feira, 30 Abril, 2007

EGOÍSMO

Emile Delobre

«Dá-se a esmola para tirar da frente o miserável que a pede.»

Cesare Pavese , in “Il Mestiere di Vivere”


Publicado por Violeta Teixeira em 30/04 às 10:23 PM
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NÃO! NÃO DIGO MAIS NADA!

Manray

Não! Não digo mais nada!
Já disse tudo. Já me desnudei até
Aos ossos da alma, que tanto
Me doem, que parecem quebrados.
Que sejam falsas as verdades que
Desaguei no veludo do divã, nada
Importa. Tudo fica nos fundos, nos
Longes ocultos, inacessíveis. Basta!
Basta! Tenho as emoções que não tenho,
Onde quer que estejam. Não insistam!
Já disse! Não rastejo mais nesses
Túneis medonhos! Não me dissequem
Os sonhos! Basta! Estou cansada!
Cansada de tudo! De nada!

Adormeçam sobre a poltrona
Cómoda e convicta do vosso Ego pseudo
Cientifico! Eu fico à porta do desconhecido.
Fico sentada. Só. Nas escada da minha
Bisavó, contando os degraus, os vasos
De plantas, os cachos de insectos, e, se
Faz noite escura, interrogando os astros.

Como os recordo, meus deuses de fogo!
No tempo em que era bisneta, e os deuses
Já estavam mortos, embora me fascinassem
Essas rútilas metáforas. No agora, tenho os olhos
Cegos, ou, nos céus, cegos são os astros.

Faço silêncio. A sessão, não tarda, termina, mas
Como me ferem as pupilas do velho Freud!
Como me apetece arrancá-las! Desço, dois
A dois, descalça, os degraus da escada da minha
Bisavó, e vou, correndo, apanhar figos roxos, ameixas
Rainha-cláudia, mangas ainda verdes, uvas Moscatel.

Não! Não haverá próxima vez! Basta! «Merde»!
Grito-me para dentro. A Terra continuará a girar,
Sem que lhe interesse o porquê, e só acaba para
Quem se desiste. Nada se dará conta de nada. E o divã,
Que eu saiba, não se afeiçoa ao corpo de ninguém.

Violeta Teixeira, Inédito ( BOLORES DE AUSÊNCIAS)

Publicado por Violeta Teixeira em 30/04 às 05:48 PM
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Domingo, 29 Abril, 2007

SOLIDARIEDADE

Foto da autoria de Sebastião Salgado

“Espero que a pessoa que entre nas minhas exposições não seja a mesma ao sair” diz Sebastião Salgado. “Acredito que uma pessoa comum pode ajudar muito, não apenas doando bens materiais, mas participando, sendo parte das trocas de idéias, estando realmente preocupada sobre o que está acontecendo no mundo”.

Publicado por Violeta Teixeira em 29/04 às 05:26 PM
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SEBASTIÃO SALGADO

Foto da autoria de Sebastião Salgado

Sebastião Ribeiro Salgado (Aimorés, 8 de fevereiro de 1944) é um fotógrafo brasileiro reconhecido mundialmente por seu estilo único de fotografar.
Nascido em Minas Gerais, é um dos mais respeitados fotojornalistas da atualidade. Nomeado como representante especial do UNICEF em 3 de abril de 2001, dedicou-se a fazer crônicas sobre a vida das pessoas excluídas, trabalho que resultou na publicação de dez livros e realização de várias exposições, tendo recebido vários prêmios e homenagens na Europa e no continente americano.
“Espero que a pessoa que entre nas minhas exposições não seja a mesma ao sair” diz Sebastião Salgado. “Acredito que uma pessoa comum pode ajudar muito, não apenas doando bens materiais, mas participando, sendo parte das trocas de idéias, estando realmente preocupada sobre o que está acontecendo no mundo”.

Biografia

Formado em economia pela Universidade de São Paulo, trabalhou na Organização Internacional do Café em 1973,e trocou a economia pela fotografia após viajar para a Africa levando emprestada a camêra fotográfica de sua mulher, Lélia Wanick Salgado. Seu primeiro livro, Outras Américas, sobre os pobres na América Latina, foi publicado em 1986. Na seqüência, publicou Sahel: O Homem em Pânico (também publicado em 1986), resultado de uma longa colaboração de quinze meses com a ONG Médicos sem Fronteiras cobrindo a seca no Norte da África. Entre 1986 e 1992, ele concentrou-se na documentação do trabalho manual em todo o mundo, publicada e exibida sob o nome Trabalhadores, um feito monumental que confirmou sua reputação como fotodocumentarista de primeira linha. De 1993 a 1999, ele voltou sua atenção para o fenômeno global de desalojamento em massa de pessoas, que resultou em Êxodos e Retratos de Crianças do Êxodo, publicados em 2000 e aclamados internacionalmente.
Na introdução de Êxodos, escreveu: “Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constróem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…” Trabalhando inteiramente com fotos em preto e branco, o respeito de Sebastião Salgado pelo seu objeto de trabalho e sua determinação em mostrar o significado mais amplo do que está acontecendo com essas pessoas criou um conjunto de imagens que testemunham a dignidade fundamental de toda a humanidade ao mesmo tempo que protestam contra a violação dessa dignidade por meio da guerra, pobreza e outras injustiças.
Ao longo dos anos, Sebastião Salgado tem contribuído generosamente com organizações humanitárias incluindo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, (ACNUR), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ONG Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional.Com sua mulher, Lélia Wanick Salgado, apóia atualmente um projeto de reflorestamento e revitalização comunitária em Minas Gerais.
Em setembro de 2000, com o apoio das Nações Unidas e do UNICEF, Sebastião Salgado montou uma exposição no Escritório das Nações Unidas em Nova Iorque, com 90 retratos de crianças desalojadas extraídos de sua obra Retratos de Crianças do Êxodo. Essas impressionantes fotografias prestam solene testemunho a 30 milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria delas crianças e mulheres, que não têm uma residência fixa. Em outras colaborações com o UNICEF, Sebastião Salgado doou os direitos de reprodução de várias fotografias suas para o Movimento Global pela Criança e para ilustrar um livro da moçambicana Graça Machel, atualizando um relatório dela de 1996, como Representante Especial das Nações Unidas sobre o Impacto dos Conflitos Armados sobre as Crianças. Atualmente, em um projeto conjunto do UNICEF e da OMS, ele está documentando uma campanha mundial para a erradicação da poliomielite.
Sebastião Salgado foi internacionalmente reconhecido e recebeu praticamente todos os principais prémios de fotografia do mundo como reconhecimento por seu trabalho. Fundou em 1994 a sua própria agência de notícias, “a Imagens da Amazónia” , que representa o fotógrafo e seu trabalho. Salgado e sua esposa Lélia Wanick Salgado vivem atualmente em Paris, autora do projecto gráfico da maioria de seus livros. O casal tem dois filhos.

Prêmios
• Prêmio Príncipe de Asturias das Artes, 1998.
• Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária.
• Prêmio World Press Photo
• The Maine Photographic Workshop ao melhor livro foto-documental.
• Eleito membro honorário da Academia Americana de Artes e Ciência’ nos Estados Unidos.
• Prêmio pela publicação do livro Trabalhadores.
• Medalha de prata Art Directors Oub nos Estados Unidos.
• Prêmio Overseas Press Oub oí America.
• Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography.
• Prêmio Unesco categoria cultural no Brasil.

In WIKIPÉDIA (versão brasileira)

Publicado por Violeta Teixeira em 29/04 às 05:18 PM
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CANTO O BICHO COGITANTE

Osmund Caine («Clochards de Paris»)

Canto a queda pela escada abaixo
Do álcool e do ópio; canto a sub-cave onde
Os fumos dos infortúnios não facultam a subida
Das escadas; canto os olhos esmagados do Sol
Contra as grades da vida: canto o buraco do tecto
Onde não cabe a Lua, nem o mais exíguo dos astros,
Nem o corpo de um rato que, de quando em quando,
Espreita, esfomeado, o lixo do quarto onde me
Embebedo e me hiberno, sobre os retalhos sujos
Da colcha de todos os abandonos; canto a cigarra
Que, se tendo afastado do corpo da orquestra, cai
Dentro do copo da mágoa extrema; canto os
Belíssimos insectos que me infestam muros, objectos,
Restos de nada, e me tingem de negro os cortinados
Espessos dos olhos, olhos com vastas varandas
Que dão para os infernos; canto os visitantes que me
Não visitam, mas que zumbem insultos e gargalhadas;
Canto o amarelo flamejante dos lobos, cujos uivos
Me enraiveçam, em noites de histeria degradante, de
Delírios, de gritos, de vómitos; canto, em suma, a miséria
Do vil e miserando bicho cogitante, na borda de um rio
Que não consta no mapa hidrográfico deste canto.

Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000

Publicado por Violeta Teixeira em 29/04 às 04:45 PM
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Sábado, 28 Abril, 2007

«O CARÁCTER É INALTERÁVEL»

Henry Moore

«O que é que se pode perguntar das pessoas com palavras? O que vale a resposta que uma pessoa dá com palavras e não com a realidade da sua vida?… Vale pouco (...) São poucas as pessoas cujas palavras correspondem por completo à realidade das suas vidas. Talvez seja esse o fenómeno mais raro da vida. Na altura, ainda não o sabia. Agora não me refiro aos mentirosos, aos safados. Só penso que conhecer a verdade, adquirir experiências, de nada serve, porque ninguém consegue mudar o seu carácter. Talvez não se possa fazer mais nada na vida que adaptar à realidade com inteligência e cautela essa outra realidade inalterável, o carácter pessoal. É a única coisa que podemos fazer. E mesmo assim, não seríamos mais sábios, nem mais protegidos… »

Sándor Márai, in ‘As Velas Ardem Até ao Fim’

Publicado por Violeta Teixeira em 28/04 às 02:30 PM
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PUNIÇÃO

«Quanto mais a pena for rápida e próxima do delito, tanto mais justa e útil ela será.»

Cesare Beccaria, in “Dos Delitos e das Penas”

Cesare Beccaria (Milano, 15 marzo 1738 - 28 novembre 1794) fu un letterato ed un filosofo, un giurista ed un economista italiano, legato agli ambienti illuministi milanesi.
Fece parte del cenacolo dei fratelli Pietro ed Alessandro Verri, collaborò alla rivista Il Caffè e contribuì a fondare l’Accademia dei Pugni. Fu stimolato in particolare da Alessandro Verri, protettore dei carcerati, ad interessarsi alla situazione della giustizia.
Subì gli influssi di Locke, Helvetius, Condillac.
Dopo la pubblicazione di alcuni saggi di economia, pubblicò nel 1764 Dei delitti e delle pene, breve scritto che ebbe enorme fortuna in tutta Europa ed in particolare in Francia, dove incontrò l’apprezzamento entusiastico dei filosofi dell’Enciclopedia e di Voltaire e dei philosophes più prestigiosi che lo tradussero e lo considerarono come un vero e proprio capolavoro.
Partendo dalla teoria contrattualistica, che sostanzialmente fonda la società su un contratto teso a salvaguardare i diritti degli individui, garantendo l’ordine, Beccaria definì il delitto come una violazione del contratto. La società nel suo complesso godeva pertanto di un diritto di autodifesa, da esercitare in misura proporzionata al delitto commesso (principio del proporzionalismo della pena) e secondo il principio contrattualistico per cui nessun uomo può disporre della vita di un altro.
Beccaria sosteneva quindi l’abolizione della pena di morte, che non impedisce i crimini e non è efficace come deterrente; si occupò della prevenzione dei delitti, favorita a suo avviso dalla certezza più che dalla severità della pena (principio elaborato per la prima volta dall’inglese Robert Peel). Beccaria sosteneva che per un qualunque criminale una vita da trascorrere in carcere con l’ergastolo privati della libertà è peggiore di una condanna a morte, mentre l’esecuzione non vale come monito e deterrente al crimine in quanto le persone tendono a dimenticare e rimuovere completamente un fatto traumatico e pieno di sangue, anche perché nella memoria collettiva l’esecuzione non è collegata ad un ricordo di colpevolezza (non essendo stato seguito il processo).
Anche Ugo Foscolo rileverà nelle “Ultime Lettere di Jacopo Ortis” che “le pene crescono coi supplizi”.
Nel trattato si riprende il principio del valore rieducativo della pena, secondo un filone tipicamente italiano iniziato da Tommaso Campanella, che del carcere aveva avuto eperienza personale: viene rilevato come la piccola delinquenza trovi in questa realtà vitto e alloggio assicurati e abbia un “interesse” a commettere crimini pur di entrarvi. Comunque è “l’estensione e non l’intensione della pena” che spinge a non commettere crimini: dunque occorrerebbero pene certe ed estese nel tempo. Invece, la pena di morte resta ammissibile soltanto nei casi in cui una fuga dal carcere del condannato potesse mettere in pericolo la sicurezza della società.
La figlia Giulia fu la madre di Alessandro Manzoni.
Le opere sono state fonte d’ispirazione per saggi di sociologia e di filosofia contemporanea in tutto il mondo.
Il punto di vista illuministico del Beccaria si concentra nella seguente frase: “Non vi è libertà ogni qual volta le leggi permettono che in alcuni eventi l’uomo cessi di essere persona e diventi cosa”.
Opere
• Del disordine e de’ rimedi delle monete nello Stato di Milano nell’anno 1762;
• Dei delitti e delle pene (1764), (versioni on line [1] ; 1781, PDF)
• Ricerche intorno alla natura dello stile (1770);
• Elementi di Economia pubblica (postumi, 1804).

In WIKIPÉDIA

Publicado por Violeta Teixeira em 28/04 às 02:23 PM
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PARTO POÉTICO

Foto da autoria de Pedro-Beil- Olhares.com («Parto»)

Falta-me a tinta
Para o escrevo.

Faço-o, com seringas,
De soro e de sangue.

Escoo-me os pulsos,
E, exangue,
Morro-me, em cada
Parto poético.

Violeta Teixeira, inédito (BOLORES DE AUSÊNCIAS)

Publicado por Violeta Teixeira em 28/04 às 01:27 PM
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Sexta-feira, 27 Abril, 2007

«AMBIGUIDADE E ACÇÃO»

«A Mentira é a recriação de uma Verdade. O mentidor cria ou recria. Ou recreia. A fronteira entre estas duas palavras é ténue e delicada. Mas as fronteiras entre as palavras são todas ténues e delicadas.
Entre a recriação e o recreio assenta todo o jogo. O que não quer dizer que o jogo resulta sempre. Resulte seja o que for ou do que for.
A Ambiguidade é a Arte do Suspenso. Tudo o que está suspenso suspende ou equilibra. Ou instabiliza. Mas tudo é instável ou está suspenso.
Pelo menos ainda.
Ainda é uma questão de tempo. Tudo depende da noção de tempo ou duração ou extensão. A aceleração do tempo pode traduzir-se pela imobilidade pois que a imobilidade pode traduzir-se por um máximo de aceleração ou um mínimo de extensão: aceleração tão grande que já não se veja o movimento ou o espaço ou a duração.
Tudo está sempre a destruir tudo. Ou qualquer coisa. Ou alguém. Mas estamos sempre a destruir tudo ou qualquer coisa. Ou alguém.
Os construtores demolem. No lugar onde estava o sopro, pormos pedras ou palavras: sinónimo de construção. Ou destruição. Ou acção. »

Ana Hatherly, in ‘O Mestre’

Ana HATHERLY (1929)
Poeta, romancista, ensaísta, tradutora e artista plástica, Ana Hatherly nasceu no Porto em 1929, mas mudou-se para Lisboa desde muito cedo, onde ainda vive e trabalha. Licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, diplomada em estudos cinematográficos na London Film School e doutorada em Literaturas Hispânicas na Universidade de Berkeley, foi professora no Ar.Co em 1975 e 1976, e na Escola Superior de Cinema do Conservatório de Lisboa, de 1976 a 1978.
É professora catedrática de Literatura Portuguesa na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, desde 1984, e presidente do Instituto de Estudos Portugueses, por ela fundado na mesma universidade.
Hatherly inicia a sua carreira literária em 1958 com o livro Um Ritmo Perdido e, um ano depois, faz as suas primeiras pesquisas no campo da poesia concreta. Em 1965, liga-se à poesia experimental e, em 1969, a exposição Anagramas, na Galeria Quadrante, marca o início do seu percurso no domínio das artes plásticas. O título da exposição remete para uma série de outras obras em que o nome da artista surge inserido. Tal será o caso de Tisanas, Anagramático, Anacrusa, Leonorama…

Desde muito cedo, toda a sua obra manifesta o interesse por questões que se desenvolvem na ambiguidade entre a escrita e o domínio mais puramente visual, sendo por vezes muito difícil estabelecer as fronteiras entre estes territórios e definir onde termina a poesia e começa o desenho ou a pintura. Estas questões são sobretudo evidentes quando a artista trabalha em pequenos formatos e com tintas de escrever, algo que é muito frequente em toda a sua produção, desde meados dos anos 60 até aos dias de hoje.

O interesse pela poesia visual portuguesa da época barroca (à qual dedicou uma série de estudos e ensaios), assim como pelas escritas orientais (durante os anos 60 foram muito importantes os seus estudos da escrita chinesa e do Budismo Zen, visível sobretudo nas Tisanas), vai ser fundamental para as suas pesquisas, tanto no campo da poesia experimental e concreta, como no das artes plásticas.

Na sua obra visual, a artista realiza constantes abordagens e reflexões em torno da escrita e do acto de escrever, e explora as potencialidades gráficas da sua própria caligrafia, trabalhada mais como desenho do que como portadora de mensagens e conteúdos, de modo a “colher o inesperado dentro do conhecido”, e aproximando-se dos signos verbais orientais.
Na sua poesia, articula igualmente visualidade e conteúdos, ligando o texto à sua aparência final na página. Partindo desta profunda articulação entre mensagem e imagem desenvolve séries de Caligramas, que revelam influências de todas estas preocupações. Isso é visível tanto nas obras mais antigas como nas mais recentes: A Imagem da Mulher Invadida pelo Tempo (Homenagem a Henry Moore) (tinta-da-china s/ papel, 1998, col. do CAMJAP). Numa pequena folha vemos como a frase que dá o nome à obra desenha os contornos de uma figura feminina (cujas formas lembram as do escultor britânico). As mesmas palavras repetem-se inúmeras vezes em linhas ondeantes que definem formas e volumes e em que o conteúdo significativo se perde quase totalmente.

O período do pós-25 de Abril revela-se muito criativo para a artista, que se desdobra em intervenções. Participa na Alternativa Zero, organizada em 1977 por Ernesto de Sousa, com uma instalação intitulada Poema d’Entro. Esta obra tinha sido pensada originalmente para ser uma pequena câmara de paredes pretas, totalmente forrada a cartazes brancos e onde incidia uma luz intermitente. Contudo, recebeu a participação inesperada do público, que rasgava constantemente os papéis brancos, numa atitude de libertação violenta, que expressava a euforia da Revolução. Os cartazes tiveram de ser refeitos inúmeras vezes pela artista.

Na sequência da Alternativa Zero, Hatherly realiza, um mês depois, na Galeria Quadrum, a instalação/performance Rotura. No espaço da galeria dispuseram-se em labirinto treze grandes painéis de papel de cenário (1,20 m x 2,20 m cada). A intervenção da artista consistiu em rasgar as enormes folhas, enquanto era fotografada e filmada por duas equipas de cinema. O gesto destruidor da Alternativa Zero era aqui repetido, num formato diferente e com uma violência já plenamente intencional.

No mesmo ano, a artista produziu uma série de nove painéis de Descolagens da Cidade, hoje pertencentes ao CAMJAP. Na senda do trabalho com papéis rasgados, Hatherly saiu para a rua e dilacerou grandes pedaços de cartazes que se encontravam afixados por Lisboa. Reuniu-os depois em painéis, colocando lado a lado imagens de propaganda política com anúncios de circo e publicidades diversas.
Num deles, observa-se a imagem icónica de Che Guevara ao lado do excerto de um anúncio do Congresso da Juventude Comunista de 1977, tornado hoje num documento histórico raro. Mais abaixo, um leão e um acrobata remetem para a cartazística circense, e inúmeras frases rasgadas lembram as suas pesquisas e jogos com letras. Lembrando o trabalho de alguns artistas filiados directamente no Nouveau Réalisme, como Mimmo Rotella, a obra de Hatherly situa-se, no entanto, no ambiente vivido nos anos seguintes à Revolução e celebra de modo agressivo e eufórico este acontecimento.

As mesmas pesquisas são tratadas no vídeo Revolução (com o qual participou na Bienal de Veneza de 1976), em que a artista filma, com uma câmara de 8 mm, os graffitis e os cartazes políticos que enchiam a cidade de Lisboa.
As suas obras mais recentes continuam a articulação entre escrita, pensamento, gesto e produção de imagens. O CAMJAP mostrou algum desse trabalho recente numa exposição individual no ano 2000.
Esta mesma convocação de texto e imagem é visível nos graffitis que realiza em 2002 e em 2003, que criam imagens esfumadas e saturadas de cores fortes e que mantêm a mesma matriz experimentalista comum a todas as pesquisas, tanto na literatura como nas artes plásticas, fundidas e tornadas uma só através do seu gesto criativo.

ANA FILIPA RAMOS.

Publicado por Violeta Teixeira em 27/04 às 11:24 AM
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O AMOR/LITERATURA

«O amor e a literatura coincidem na procura apaixonada, quase sempre desesperada, da comunicação.»

“Se Amanhã Acordar”

Jorge Duran , “Se Amanhã Acordar”

Publicado por Violeta Teixeira em 27/04 às 11:02 AM
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SEDENTA DE SANGUE

Foto da autoria de Marta Ferreira - Olhares.com


Sedenta de sangue
Apanho-as,
A todas as rosas rubras,
A todas
A papoulas bravas dos campos
Sem ceifa, a todas as pétalas,
Sumarentas,
De um vermelho,
Uivantemente
Vivo.

A todas,
As esmago, com acentos
De silêncio
E de feroz euforia,
E trago-as líquidas,
Para o dentro das veias,
Obsessivamente
Assassinas,
Da minha amantíssima
Poesia.

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003 ( poema da 3ª voz= eu-outro)

Publicado por Violeta Teixeira em 27/04 às 02:34 AM
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Quinta-feira, 26 Abril, 2007

CONSCIÊNCIA

João Cutileiro

«Sempre que nos acontece descobrir algo que os outros supõem que nunca vimos, não corremos a chamar alguém para que o veja connosco?
- Oh, meu Deus, o que é?
Se, por acaso, a visão dos outros não nos ajudar a constituir em nós, de algum modo, a realidade daquilo que vemos, os nossos olhos já não sabem o que vêem; a nossa consciência perde-se, porque aquilo que pensamos ser a nossa coisa mais íntima, a consciência, significa os outros em nós; e não podemos sentir-nos sós.»

Luigi Pirandello (escritor italiano, 1867-1936), in ‘Um, Ninguém e Cem Mil’

Publicado por Violeta Teixeira em 26/04 às 01:35 AM
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O AMOR

«O amor agrada mais que o casamento, pelo mesmo motivo que os romances divertem mais que a História.»

Sébastien-Roch Nicolas de Chamfort

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Sébastien-Roch Nicolas, qui prit par la suite le nom de Chamfort, né à Clermont-Ferrand le 6 avril 1741 et mort à Paris le 13 avril 1794 est un poète et un moraliste français.

Biographie
Né d’un père inconnu, fit ses études comme boursier au collège des Grassins à Paris, et remporta les premiers prix de l’Université. Il s’y montra un élève brillant mais fantasque, qui alla jusqu’à faire une fugue au cours de laquelle il pensa s’embarquer pour l’Amérique. On lui pardonna et il put terminer ses études.
II prit en entrant dans le monde le nom de Chamfort, à la place, du simple nom de Nicolas qu’il avait porté jusque-là, se fit de bonne heure connaître par des prix de poésie remportés à l’Académie, donna au Théâtre-Français quelques comédies qui réussirent, et s’attacha pour vivre à diverses entreprises littéraires. Sa réputation le fit choisir par le prince de Condé pour être secrétaire de ses commandements; il devint ensuite en 1789 lecteur de Madame Elisabeth, sœur du roi. Avant la Révolution, il fut un des écrivains les plus apprécié par les salons parisiens, brillant et spirituel, il écrivit des pièces de théâtre. Il avait été élu à l’Académie française en 1781 au fauteuil no 6.
Il applaudit la venue de la Révolution française mais en condamna les excès, parlant à son sujet de « la fraternité d’Étéocle et de Polynice ». De 1790 à 1791, il est secrétaire du club des Jacobins. Il fut l’ami de Mirabeau ; il écrivit pour l’orateur du peuple des discours et des rapports, collabora à la rédaction de plusieurs journaux en particulier le Mercure. En 1792, Jean-Marie Rolland le nomme directeur de la Bibliothèque nationale. Le Comité de sûreté générale le dénonça pour propos hostile à la Terreur (il avait blâmé les fautes et les violences du parti révolutionnaire). Il fut emprisonné quelques jours aux Madelonnettes avec son neveu, l’abbé Bathélemy. Un mois après, menacé d’une nouvelle arrestation, il essaya de se suicider et fut sauvé par une intervention chirurgicale. Mais il mourut au bout de quelques semaines, des suites des blessures qu’il s’était faites (avril 1794).
Il fit une carrière d’homme de lettres qui le conduisit à l’Académie, mais très tôt contracta une maladie vénérienne dont il ne guérit jamais véritablement et qui le tint dans un état valétudinaire tout le reste de sa vie.
L’œuvre la plus célèbre et la seule lue de Chamfort a été publiée en 1795 par son ami Pierre Louis Ginguené : Maximes et pensées, caractères et anecdotes, tirée des notes manuscrites qu’il avait laissées de Maximes et Pensées et de Caractères et Anecdotes. L’amertume de ces écrits annonce déjà Ambrose Bierce ou George Bernard Shaw. Sébastien-Roch Nicolas de Chamfort souhaitait les publier sous le nom de Produits de la civilisation perfectionnée.
La mort de Chamfort représente le comble du suicide raté. Ne supportant l’idée de retourner en prison, il s’enferme dans son cabinet et se tire une balle dans le visage. Le pistolet fonctionne mal et, s’il perd le nez et une partie de la mâchoire, ne parvient pas à se tuer. Il se saisit alors d’un coupe-papier et tente de s’égorger mais malgré plusieurs tentatives ne parvient pas à trouver d’artère. Il utilise alors le même coupe-papier pour « fouiller sa poitrine » et ses jarrets. Épuisé, il perd connaissance. Son valet, alerté, le retrouvera dans “une mare de sang”. Malgré tous ces efforts pour se supprimer, on parviendra à sauver Chamfort qui mourra quelques mois plus tard d’une humeur dartreuse.
Publications
Ses écrits les plus estimés au XIXe siècle selon le Dictionnaire Bouillet sont :
• Éloge de Molière, couronné (1769) ;
• Éloge de La Fontaine (1774) ;
• La jeune Indienne ;
• le Marchand de Smythe, comédies ;
• Mustapha et Zéangir, tragédie.
Plusieurs de ses ouvrages se sont perdus, entre autres un Commentaire sur La Fontaine (il n’en a paru qu’une partie dans les Trois Fabulistes, 1796).
Ses œuvres ont été rassemblées :
• par Pierre Louis Ginguené, 1795, 4 vol. in-8
• par M. Auguis, 1824, 5 vol. in-8.
Chamfort brillait surtout par l’esprit : on a fait sous le titre de Cliam-fortiana un recueil de ses bons mots, 1800.

Publicado por Violeta Teixeira em 26/04 às 01:20 AM
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FAZ-ME AMOR!

Erick

Faz-me amor!

Fá-lo,
Seja como for!
Ortodoxo. Desviante.
Alternativo.

Fá-lo!
Fá-lo, sem demora!

Não me respiro
Fora do incêndio
Das tuas águas.

Violeta Teixeira, inédito (ROSAS DE JERICHÓ)

Publicado por Violeta Teixeira em 26/04 às 12:41 AM
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Quarta-feira, 25 Abril, 2007

FALTA CUMPRIR O 25 DE ABRIL!

Foto da autoria de Maria José Amorim - Olhares.com

Publicado por Violeta Teixeira em 25/04 às 09:54 AM
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