Sábado, 31 Março, 2007

SENSIBILIDADE

G. Climt

«Sofremos mais hoje que as gerações passadas porque o estímulo da maquinaria, da multidão, da coisa impressa e do barulho desgastou os tecidos protectores dos nossos nervos. Há compensações: esta sensibilidade em carne viva ergue-nos a uma subtileza de percepção e de coordenação nervosa e muscular que somos capazes de fazer coisas absolutamente impossíveis aos homens primitivos e mesmo aos medievais. Ficamos na situação dos músicos, cujos ‘ouvidos educados’ os fazem sofrer com todos os sons que não sejam harmónicos: esses músicos pagam o crime da sensibilidade excessiva e possuem os defeitos das suas virtudes. Mas pensam lá eles em perder tais dons em troca de se livrarem dos sofrimentos consequentes? Não há homem moderno que queira desistir de uma sensibilidade que, se puplica o sofrimento, também multiplica os prazeres.»

Will Durant, in ‘Filosofia da Vida’

«William James Durant (5 de Novembro, 1885 - 7 de Novembro, 1981 foi um filósofo, historiador e escritor estadunidense.Mais conhecido por sua autoria e co-autoria junto a sua mulher Ariel Durant na série historiográfica ‘História da Civilização’.
William Durant nasceu em 5 de novembro de 1885 na cidade de North Adams, no estado de Massachusetts-EUA, de pais Franco-Canadenses que tiveram parte na emigração Qebequiana aos Estados Unidos. Estes se chamavam Joseph Durant e Marry Allard. Foi um filósofo, historiador e escritor. Mais conhecido por sua autoria e co-autoria junto a sua mulher Ariel Durant na série historiográfica ‘História da Civilização’.
Durant lutou pelo sufrágio feminino, por salários igualitários e por melhores condições de trabalho para a ‘força trabalhista Norte-americana’. Durant não apenas escreveu sobre muitos tópicos, mas também pôs suas idéias em prática. Will é amplamente mencionado por tentar trazer a filosofia ao homem comum. Ele escreveu A História da Filosofia, e mais tarde com a ajuda de sua mulher Ariel escreveu A História da Civilização, além de ter escrito artigos para revistas.
Ele tentou melhorar o entendimento da existência humana, do ponto de vista de suas fraquezas e de sua peversidade. Durant reprovava a estreiteza da vertente histórico-social que hoje é conhecido por Eurocentrismo, comentando e identificando em seu livro Nossa herança Oriental que a Europa foi apenas uma parte irregularmente projectada da Àsia, ou seja, a Europa foi uma colônia sociocultural da Àsia, e sua veracidade confere, pois desde o período clássico, cidades como Atenas foram colónias culturais da Àsia Menor. Will queixou-se do provincialismo de nossas tradições históricas que começaram com a Grécia e preteriam a Ásia, resumindo sua história em apenas uma linha, mostrando que este foi um dos maiores erros de nossa perspectiva e inteligência.

A História da Filosofia originou-se como uma série de livretos azuis (que nos EUA representam panfletos educacionais destiandos aos trabalhadores) ficando tão popular que foi republicado em 1926 pela editora Simon & Schuster, tornando-se um bestseller, e dando aos Durant a independência financeira que lhes permitiram viajar pelo mundo várias vezes e gastar 40 anos escrevendo A História da Civilização.
Engajado com causas sociais, Willliam esboçou os direitos civis no início de 1940, ou seja, muito antes da ascenção do movimento dos direitos civis Norte-Americanos.
Quanto aos seus livros, os Durant enpenharam-se em criar o que eles chamavam de História Integral. No entanto, eles se opuseram à especialização histórica exacerbada, ou seja, uma rejeição antencipada do que alguns viriam a chamar de o culto do expert. Suas metas eram de escrever uma biografia detalhada da civilização (ocidental), sem perder o bom senso, incluindo não apenas guerras usuais, políticas e biografias, mas também a cultura, arte, filosofia, religião e a ascenção da comunicação de massa.
Em face do décimo volume de A História da Civilização, Rousseau e a Revolução, Durant foi premiado com o prêmio Pulitzer de literatura, e mais tarde em 1977 com o maior prêmio concedido a um civil pelo governo dos Estados Unidos da America - a Medalha Presidencial da Liberdade, que foi entregue pelo presidente Ford. Will morreu em 7 de novembro de 1981, e sua mulher Ariel, dentro de 2 semanas depois, veio também a falecer, em 25 de outubro. Os Durant foram enterrados lado a lado no Westwood Village Memorial.»

Publicado por Violeta Teixeira em 31/03 às 12:55 PM
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POESIA

Escher

«Todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas.»

Federico García Lorca, in «Conversa Sobre o Teatro»

«Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, 5 de junho de 1898 — Granada, 19 de agosto de 1936) foi um poeta e dramaturgo espanhol, foi uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola.
Nascido numa pequena localidade da Andaluzia, García Lorca ingressou na faculdade de Direito de Granada, em 1914, e cinco anos depois transfere-se para Madrid, onde fica amigo de artistas como Luis Buñuel e Salvador Dali. Publica seus primeiros poemas.
Grande parte dos seus primeiros trabalhos se baseiam em temas relativos à Andaluzia (Impressões e Paisagens, 1918), à música e ao folclore regionais (Poemas do Canto Fundo, 1921-2) e aos ciganos (Romancero Gitano, 1928)
Concluído o curso, vai para os Estados Unidos e Cuba, período de seus poemas surrealistas, manifestando seu desprezo pelo modus vivendi americano. Expressa seu horror com a brutalidade da civilização mecanizada nas chocantes imagens de Poeta em Nova York (publicado em 1940).
Voltando à Espanha, cria um grupo de teatro chamado La Barraca. Não oculta suas idéias socialistas e, com fortes tendências homossexuais, foi certamente um dos alvos mais visados pelo conservadorismo espanhol que, sob forte influência católica, ensaiava a tomada do poder, dando início a uma das mais sangrentas guerras fratricidas do Século XX.
Intimidado, Lorca retorna para Granada, na Andaluzia, na esperança de encontrar um refúgio. Ali, porém, tem sua prisão determinada por um deputado católico, sob o argumento (que tornou-se célebre) de que ele seria “mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver”.
Assim, num dia de Agosto de 1936, sem julgamento, o grande poeta é executado com um tiro na nuca pelos nacionalistas, e seu corpo é jogado num ponto da Serra Nevada. A caneta se calava, mas a Poesia nascia para a eternidade - e o crime teve repercussão em todo o mundo, despertando por todas as partes um sentimento de que o que ocorria na Espanha dizia respeito a todo o planeta… foi um prenúncio da Segunda Guerra Mundial.
«Em 13 Julho de 1936 o poeta foi de madrid para Granada, par fugir ao ambiente de agitação que aí se vivia após diversos incidentes, entre os quais o assassínio do deputado José Calvo Sovelo, chefe dos monárquicos e das forças conservadoras que queriam derrubar a república. Após diversos incidentes, que demonstraram que a situação era de grande perigo para a família García Lorca, em 9 de Agosto Frederico foi refugiar-se em casa do poeta Luis Rosales, sendo que já havia sido procurado em várias casas pelas autoridades nacionalistas que impunham o terror em Granada. Terá sido a irmã do poeta que, perante a ameaça das autoridades de prender ou executar de imediato o seu pai, revelou a localização de Frederico, supondo-o a salvo por se encontrar em casa de membros importantes da Falange de Granada. Frederico foi preso pelos franquistas na tarde de 16 de Agosto e fuzilado na madrugada de 18 seguinte, num campo dos arredores de Granada. O seu corpo nunca foi encontrado.»
Assim como muitos artistas - e a obra Guernica, de Pablo Picasso, durante o longo regime ditatorial do “Generalíssimo” Franco, suas obras eram consideradas clandestinas na Espanha.
Com o fim do regime, e a volta do País à democracia, finalmente sua terra natal veio a render-lhe homenagens, sendo hoje considerado o maior autor espanhol, desde Miguel de Cervantes
Lorca tornou-se o mais notável numa constelação de poetas surgidos durante a guerra, conhecida como “geração de 27”, alinhando-se entre os maiores poetas do século 20. Foi ainda um excelente pintor, compositor precoce e pianista. Sua música se reflete no ritmo e sonoridade de sua obra poética. Como dramaturgo, Lorca fez incursões no drama histórico e na farsa antes de obter sucesso com a tragédia. As três tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue(1933), Yerma(1934) e A Casa de Bernada Alba(1936) asseguraram sua posição como grande dramaturgo.
Bibliografia
Em sua curta existência, García Lorca deixou importantes obras-primas da literatura, muitas delas publicadas postumamente, dentre as quais:
Poesia
• Livro de Poemas - 1921
• Ode a Salvador Dalí - 1926.
• Canciones (1921-24) - 1927.
• Romancero gitano (1924-27) - 1928.
• Poema del cante jondo (1921-22) - 1931.
• Ode a Walt Whitman - 1933.
• Canto a Ignacio Sánchez Mejías - 1935.
• Seis poemas galegos - 1935.
• Primeiras canções (1922) - 1936.
• Poeta em Nueva York (1929-30) - 1940.
• Divã do Tamarit - 1940.
Prosa
• Impressões e Paisagens - 1918
• Desenhos (publicados em Madri) - 1949
• Cartas aos Amigos - 1950
Teatro
• Retábulo de Don Cristóvão e D.Rosita - 1931.
• Bodas de Sangue - 1935.
• Yerma - 1937.
• Quimera - 1940.
• A casa de Bernarda Alba - 1945.

Publicado por Violeta Teixeira em 31/03 às 12:42 PM
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ANALISA-SE

Foto da autoria de Pedro Martins- Olhares.com

Analisa-se. Mas não realiza
Se, de tão repetida, sendo, talvez,
Fictícia a versão, se fez verídica,
Irrefutável para si mesma.

Terá sido derrubada a sebe,
Sempre débil, erguida entre
A clareira luzidia e a morada
Das sombras movediças e, por
Certo, mórbidas? Não sabe.
Não tem acesso nem a um, nem
A outro desses crípticos recintos.

Analisa-se. Sofre de disfunção
Cognitiva? Quem lhe abriria a porta desse
Inferno? Quem haverá que a salve,
Lavrando o seu chão de luz?

Violeta Teixeira, inédito (ORGIAS DE ESQUECIMENTO)

Publicado por Violeta Teixeira em 31/03 às 11:45 AM
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Sexta-feira, 30 Março, 2007

DIA DO SEU ANIVERSÁRIO

Van Gogh -30 de Março de 1853-29 de julho de 1890

«(…)»
Dois anos após ter chegado à França, parte para a cidade de Arles, ao sul do país. Uma região rica em paisagens rurais, com um cenário bucólico. Foi neste contexto que pintou várias obras com girassóis.  Em Arles, fez único quadro que conseguiu vender durante toda sua vida : A Vinha Encarnada.
Convidou Gauguin para morar com ele no sul da França. Este foi o único que aceitou sua idéia de fundar um centro artístico naquela região. No início, a relação entre os dois era tranqüila, porém com o tempo, os desentendimentos foram aumentando e, quando Gauguin retornou para Paris, Vincent entrou em depressão.  Em várias ocasiões teve ataques de violência e seu comportamento ficou muito agressivo. Foi neste período que chegou a cortar sua orelha. 
Seu estado psicológico chegou a refletir em suas obras. Deixou a técnica do pontilhado e passou a pintar com rápidas e pequenas pinceladas. No ano de 1889, sua doença ficou mais grave e teve que ser internado numa clínica psiquiátrica. Nesta clínica, dentro de um mosteiro, havia um belo jardim que passou a ser sua fonte de inspiração. As pinceladas foram deixadas de lado e as curvas em espiral começaram a aparecer em suas telas
No mês de maio, deixou a clínica e voltou a morar em Paris, próximo de seu irmão e do doutor Paul Gachet, que iria lhe tratar. Este doutor foi retratado num de seus trabalhos: Retrato do Doutor Gachet. Porém a situação depressiva não regrediu. No dia 27 de julho de 1890, atirou em seu próprio peito. Foi levado para um hospital, mas não resistiu, morrendo três dias depois.«(…»

Nota: já se publicou toda a sua biografia.

Publicado por Violeta Teixeira em 30/03 às 03:07 PM
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MORAL

Paul Kozal

«A respeitabilidade, a regularidade, a rotina - toda a disciplina de ferro forjada na moderna sociedade industrial - atrofiaram o impulso artístico e aprisionaram o amor de forma tal que não mais pode ser generoso, livre e criador, tendo de ser ou furtivo ou pedante. Aplicou-se controle às coisas que mais deveriam ser livres, enquanto a inveja, a crueldade e o ódio se espraiam à vontade com as bençãos de quase toda a bisparia. O nosso equipamento instintivo consiste em duas partes - uma que tende a beneficiar a nossa própria vida e a dos nossos descendentes, e outra que tende a atrapalhar a vida dos supostos rivais. Na primeira incluem-se a alegria de viver, o amor e a arte, que psicologicamente é uma consequência do amor. A segunda inclui competição, patriotismo e guerra. A moral convencional tudo faz para suprimir a primeira e incentivar a segunda. A moral verdadeira faria exactamente o contrário.

As nossas relações com os que amamos podem ser perfeitamente confiadas ao instinto; são as nossas relações com aqueles que detestamos que deveriam ser postas sob o controle da razão. No mundo moderno, aqueles que de facto detestamos são grupos distantes, especialmente nações estrangeiras. Concebemo-las no abstracto e engodamo-nos para crer que os nossos actos (na verdade manifestações de ódio) são cometidos por amor à justiça ou outro motivo elevado. Apenas uma forte dose de cepticismo pode rasgar os véus que nos ocultam essa verdade. Uma vez que o consigamos, poderíamos começar a construir uma nova moral, não baseada na inveja e na restrição, mas no desejo de uma vida pródiga e a percepção de que outros seres humanos são um auxílio e não um obstáculo, uma vez curada a loucura da inveja. Não é uma esperança utópica; foi parcialmente realizada na Inglaterra isabelina. Poderia ser realizada amanhã se os homens aprendessem a procurar a própria felicidade em lugar de provocar a desgraça alheia. Não se trata de moral impossivelmente austera, e no entanto a sua adopção transformaria o planeta num paraíso.»

Bertrand Russell, in ‘Ensaios Cépticos: Do Valor do Cepticismo’

Nota: já se publicou a sua bio bibliografia.

Publicado por Violeta Teixeira em 30/03 às 02:44 PM
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DE TUDO. DE TUDO ESPOLIADA

Chip. Hooper

De tudo. De tudo
Espoliada.

Sobram-me
A revolta
E estes amargos
Versos de águas.

Violeta Teixeira, inédito (BOLORES DE AUSÊNCIAS)

Publicado por Violeta Teixeira em 30/03 às 02:07 PM
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DIA DO SEU ANIVERSÁRIO

Van Gogh

30 de Março de 1853-29 de Julho de 1890

Publicado por Violeta Teixeira em 30/03 às 10:40 AM
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Quinta-feira, 29 Março, 2007

O ÚLTIMO GRAU DA PERFEIÇÃO COSTUMA SER O PRIMEIRO NA ORDEM DA CORRUPÇÃO

Mark Citret

«Os que crêem que sabem mais que os outros, ou se enganam, ou se persuadem bem: se se enganam, o mesmo engano lhes serve de ludíbrio; se se persuadem bem, a vaidade da ciência os faz tão ferozes, e severos, que ficam sendo insuportáveis. A ciência humana comummente se reveste de um ar intratável; imagem tosca, desagradável, e impolida. A especulação traz consigo um semblante distraído, e desprezador; quanto melhor é uma ignorância educada. Toda a ciência se corrompe no homem; porque este é como um vaso de iniquidade, que tudo o que passa por ele, fica inficionado: as coisas trabalham por se acomodarem ao lugar donde estão, e por tomarem dele as propriedades, só com a diferença, de que as cousas boas fazem-se más, porém estas não se fazem boas. Nas sociedades, o mal é mais comunicável; a perdição é mais natural; o que é bom, mais depressa tende a perder-se, que a melhorar-se; os frutos da terra quando chegam ao estado de maturidade, nem persistem nele, nem retrocedem para o estado de verdura; antes caminham até que totalmente se arruinem; por isso o último grau de perfeição, costuma ser o primeiro na ordem da corrupção.»

Matias Aires, in ‘Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Carta Sobre a Fortuna’
Aires, Matias

(1705 - 1763)

«Escritor moralista português, estudou no colégio jesuíta de Santo Antão, em Lisboa, e cursou Direito na Universidade de Coimbra (1723). Viveu em Paris entre 1728 e 1733, onde estudou direito civil, direito canónico, física, química e matemática. Após a morte do pai, e já em Lisboa, herdou o lugar de Provedor da Casa da Moeda, que ocupou entre 1744 e 1761. Escreveu as Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens (1752), obra de grande êxito na época, marcada pelo sentimento bíblico da visão do homem como joguete da sua própria vaidade e que revela as qualidades de prosador de Matias Aires. Relacionou-se com alguns estrangeirados, salientando-se Alexandre de Gusmão.»

«Estrangeirados era um nome pejorativo que era dado em Portugal aos intelectuais portugueses dos finais do século XVII e particularmente no século XVIII, o século do Iluminismo, que tinham vivido no norte da Europa ou que tinham tido contacto com novas ciências, desconhecidas em Portugal e que por terem tomado contacto com uma realidade estrangeira mais “moderna” (liberdade de pensamento, revolução científica, secularismo, democracia, nascer do capitalismo) eram desprezados por sectores influentes da sociedade portuguesa, católica conservadora, autocrática, que ainda menosprezava as idéias da Europa protestante.
Em Portugal, como em outros países católicos, o Index Librorum Prohibitorum ainda era corrente, mais de dois terços da população era ainda analfabeta e as Universidades Portuguesas ainda ensinavam matérias da escolástica da Idade Média.
Os principais aparelhos repressivos eram a Inquisição, visando os inimigos de Roma, e a polícia política, combatendo as ideias da Revolução Francesa. Os judeus continuavam a ser perseguidos, bem como os maçons, que atacavam a Igreja com o anti-clericalismo e com a filosofia do naturalismo, negando a existência do sobrenatural.
Neste contexto de um país que permanecera em estagnação perante o norte da Europa, onde a Revolução Industrial lançava a humanidade numa nova etape de prosperidade material, os “estrangeirados” constituiam uma elite que permanecia marginal à sociedade portuguesa. Em alguns casos foram alvo de perseguição política e religiosa.
A França, um país católico e como tal com uma cultura mais semelhante à nossa, com uma língua latina e menos distante do que outras nações desenvolvidas, foi o principal ponto de referência para esta geração de pensadores portugueses.

Alguns “estrangeirados”
Um português que activamente se empenhou nesta tentativa de regeneração do país foi Luís António Verney, autor do Verdadeiro Método de Estudar, base da política educativa reformista do Sebastião José de Carvalho e Melo Marquês de Pombal. O Marquês de Pombal, que viveu alguns anos na Áustria e Inglaterra era ele próprio um estrangeirado. São de mencionar também os nomes de Luís da Cunha, Alexandre de Gusmão, Jacob de Castro Sarmento e António Nunes Ribeiro Sanches, entre outros estrangeirados célebres.»

Publicado por Violeta Teixeira em 29/03 às 06:55 PM
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AMIZADE

«Não queres usar máscara diante do teu amigo? Prestas-lhe uma honra,
apresentando-te a ele, tal como és? Mas é precisamente por isso que ele
te manda para o DIABO!»

NIETZCHE

Publicado por Violeta Teixeira em 29/03 às 06:17 PM
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MUDA A DOR DA MENTE

Chrstian Coigny


Muda.
Muda, a dor da mente
Não encontra palavras
Para se fazer dizer, nem modo
Para ser arável o
Pensamento.

Violeta Teixeira, inédito (VASO DE VAZIOS)

Publicado por Violeta Teixeira em 29/03 às 06:10 PM
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Quarta-feira, 28 Março, 2007

SOLIDARIEDADE

Munch

Nota: título da minha lavra.

Publicado por Violeta Teixeira em 28/03 às 05:37 PM
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«A ARTE ENGRANDECE A VIDA»

Foto da autoria de António Arruda – Olhares.com

«Também do ponto de vista pessoal a arte engrandece a vida. Propicia maior felicidade e mais rápido desgaste. Grava no semblante do seu servidor pistas de aventuras imaginárias e espirituais e provoca, com o tempo, mesmo mantendo uma vida exterior de calma enclausurada, em exacerbamento e um refinamento da sensibilidade, uma febre e exaustão de nervos como a vida plena de paixões e prazeres extravagantes dificilmente consegue apresentar.»

Thomas Mann, in “Morte em Veneza”

Publicado por Violeta Teixeira em 28/03 às 09:16 AM
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MORTE

«A morte do homem começa no instante em que ele desiste de aprender.»

«Públio Siro. (85 a.C. - 43 a.C.), escritor latino da Roma antiga. Também conhecido como Publilio Sirio, ou como Publilius Syrius ou Publio Sirio, ou Publius Syrius ou Publilio Siro ou Publilii Syri). Era nativo na Síria e foi feito escravo e enviado para a Itália, mas graças ao seu talento, ganhou o favor de seu senhor, que o libertou e o educou.»

Publicado por Violeta Teixeira em 28/03 às 12:15 AM
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CANTO.CANTO A IGNORÂNCIA DA IGNORÂNCIA

David Michau

Canto. Canto a ignorância da ignorância;
Canto os que dilatam o tráfico da arte
E o desperdício químico da sapiência;
Canto o lixo ortográfico, prosódico- tóxico,
Retórico, morfo-sintáctico, lexical e semântico;
Canto os versos longos paginados como se de frases
Se tratassem, com hífenes semioticamente estéticos;
Canto todos os desvios eufónicos e disfóricos;
Canto os semas inférteis e os fonemas impotentes;
Canto os espermatozóides transgénicos,
Acasalando óvulos de odes báquicas;
Canto a verborreia de romancistas «reputés»
E dos seus discípulos, na «ágora» dos «best selers»;
Canto o sumo dulcíssimo dos escritos «light»;
Canto os velhos do Restelo, no cais do expansionismo
Da Poética, exortando os navegantes das Letras
A não seguirem as rotas mais desviantes e alternativas;
Canto a ária árida do ensino da língua mátria,
Em prol da reflorestação de vícios linguísticos vis;
Canto, enfim, os artesãos que, por obras
De lixo prolixo, «se (não) vão da lei da morte libertando».

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 28/03 às 12:10 AM
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Terça-feira, 27 Março, 2007

DIA MUNDIAL DO TEATRO

Dia Mundial do Teatro comemora-se hoje em todo o País

Esta terça-feira celebra-se o Dia Mundial do Teatro com iniciativas em todo o País. O Teatro Art´Imagem apresenta na Maia uma animação de rua integrada na abertura da primeira edição da Primavera do Teatro.
A companhia portuense, fundada em 1981, comemora pela primeira vez este ano o Dia Mundial do Teatro fora da sua cidade, na sequência do diferendo que mantém com a Câmara do Porto, devido ao não pagamento pela autarquia do subsídio à realização do festival internacional de teatro «Fazer a Festa», organizado pelo Teatro Art´Imagem.
Já depois de ter garantido o subsídio à realização deste evento, já na sua 25ª edição, a autarquia condicionou o seu pagamento, à assinatura de um protocolo em que a companhia se comprometia a não fazer críticas públicas à gestão autárquica, o que o Teatro Art´Imagem recusou.
A Primavera do Teatro - Comemorações do Dia Mundial do Teatro, que se prolonga até sexta-feira é uma iniciativa da Câmara Municipal da Maia e do Teatro Art´Imagem.
A iniciativa inclui, além de espectáculos de teatro, oficinas de expressão dramática para jardins-de-infância, um ciclo de cinema ligado ao teatro para público sénior dos lares de terceira idade, uma exposição sobre a vida da actriz Beatriz Costa e a leitura e discussão de obras teatrais.
Entre as iniciativas programadas encontra-se a apresentação, quinta-feira, pelo Teatro Art´Imagem, da peça «Babine, o Parvo», de Leon Tolstoi, com dramaturgia e encenação de José Leitão, no Auditório da Biblioteca Municipal.
O Teatro Nacional de S. João (TNSJ), no Porto, celebra o Dia Mundial do Teatro, convidando o público a efectuar visitas guiadas ao edifício e bastidores e com entradas grátis para os seus espectáculos.
À tarde, o TNSJ oferece bilhetes - até ao limite da lotação da sala - para o espectáculo «Beiras», leitura encenada de três peças de Gil Vicente, com direcção cénica de Nuno Carinhas.
às 21:30, estará em cena a peça «O Saque», de Joe Orton, com encenação de Ricardo Pais, também com entrada gratuita.
O Teatro Experimental do Porto assinala a efeméride com uma representação gratuita de «Os Maias - Crónica Social Romântica», baseado na obra homónima de Eça de Queiroz, com adaptação e encenação de Norberto Barroca.
Este espectáculo que está em cena há quatro anos, registando já mais de 33 mil espectadores, terá terça-feira a sua última representação.

Diário Digital / Lusa
26-03-2007 18:08:00

«A palavra teatro define tanto o prédio onde podem se apresentar várias formas de artes quanto uma determinada forma de arte.
O vocábulo grego Théatron estabelece o lugar físico do espectador, “lugar onde se vai para ver”. Entretanto o teatro também é o lugar onde acontece o drama frente a audiência, complemento real e imaginário que acontece no local de representação. Ele surgiu na Grécia antiga, no século IV a.C..
Toda reflexão que tenha o drama como objecto precisa se apoiar numa tríade: quem vê, o que se vê, e o imaginado. O teatro é um fenómeno que existe nos espaços do presente e do imaginário, e nos tempos individuais e colectivos que se formam neste espaço.
O teatro é uma arte em que um actor, ou conjunto de actores, interpreta uma história ou actividades, com auxílio de dramaturgos, directores e técnicos, que têm como objectivo apresentar uma situação e despertar sentimentos na audiência.

História do teatro
Grécia antiga
A consolidação do teatro, enquanto espectáculo, na Grécia antiga deu-se em função das manifestações em homenagem ao deus do vinho, Dionísio. A cada nova safra de uva, era realizada uma festa em agradecimento ao deus, através de procissões.
Com o passar do tempo, essas procissões, que eram conhecidas como “Ditirambos”, foram ficando cada vez mais elaboradas, e surgiram os “directores de coro” (os organizadores das procissões).
Nas procissões, os participantes se embriagavam, cantavam, dançavam e apresentavam diversas cenas das peripécias de Dionísio. Em procissões urbanas, se reuniam aproximadamente vinte mil pessoas, enquanto que em procissões de localidades rurais (procissões campestres), as festas eram menores.
O primeiro diretor de coro foi Téspis, que foi convidado pelo tirano Préstato para dirigir a procissão de Atenas. Téspis desenvolveu o uso de máscaras para representar pois, em razão do grande número de participantes, era impossível todos escutarem os relatos, porém podiam visualisar o sentimento da cena pelas máscaras.
O “Coro” era composto pelos narradores da história, que através de representação, canções e danças, relatavam as histórias do personagem. Ele era o intermediário entre o actor e a platéia, e trazia os pensamentos e sentimentos à tona, além de trazer também a conclusão da peça. Também podia haver o “Corifeu”, que era um representante do coro que se comunicava com a platéia.
Em uma dessas procissões, Téspis inovou ao subir em um “tablado” (Thymele – altar), para responder ao coro, e assim, tornou-se o primeiro respondedor de coro (hypócrites). Em razão disso, surgiram os diálogos e Téspis tornou-se o primeiro ator grego.
Autores
Os tragediógrafos
Muitas das tragédias escritas se perderam e, na actualidade, são três os tragediográfos conhecidos e considerados importantes: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes.
Ésquilo (525 a 456 a.C.. aproximadamente)
• Principal texto: Prometeu acorrentado.
• Tema principal que tratava: contava fatos sobre os deuses e os mitos.
Sófocles (496 a 406 a.C. aproximadamente)
• Principal texto: Édipo Rei.
• Tema principal que tratava: as grandes figuras reais.
Eurípides (484 a 406 a.C aproximadamente)
• Principal texto: As troianas
• Tema principal que tratava: dos renegados, dos vencidos (pai do drama ocidental)

Os comediógrafos
Aristófanes (445 a.C.? – 386 a.C.)
Dramaturgo grego considerado o maior representante da comédia grega clássica.
«(…)»

Publicado por Violeta Teixeira em 27/03 às 09:54 AM
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