Quarta-feira, 31 Janeiro, 2007

DATA DO SEU ANIVERSÁRIO

«Franz Peter Schubert nasceu em 31 de Janeiro de 1797 em Lichtenthal, um lugarejo nos arredores de Viena. Era filho do diretor de escola Franz Theodor Florian Schubert, nascido da Morávia, e da cozinheira Maria Elisabeth Catharina Vietz, nascida na Silésia.

Seus pais tiveram quatorze filhos, mas apenas ele e mais quatro irmãos sobreviveram: os mais velhos Ignaz, Ferdinand Lukas e Franz Karl e a caçula Maria Theresa.

Sua família era musical. Seu pai lhe deu as primeiras lições de violino aos seis anos e Ignaz ensinou-lhe piano. O quarteto formado por Schubert na viola, Ignaz e Ferdinand no violino e seu pai no violoncelo alegrava a casa com freqüência.

Percebendo o grande interesse do filho pela música, em 1805 seu pai resolveu encaminha-lo a Michael Holzer, organista da paróquia de Lichtenthal, para desenvolver os estudos. Passou a tocar violino e cantar no coro da paróquia até 1808.

Em 30 de Setembro de 1808 seu pai o leva para participar do concurso de corista da Capela Imperial, onde Antônio Salieri, compositor oficial da corte, selecionaria os novos cantores. Sua bela voz de soprano lhe garantiu um lugar no coro, ganhando também uma bolsa de estudos em Stadtkonvikt, um dos melhores colégios de Viena.

Na escola fez amigos que o acompanhariam por toda a vida. Um deles era Josef von Spaun, nove anos mais velho, que fazia parte da orquestra da escola, onde Schubert se tornou o primeiro violino.

Em Stadtkonvikt começou suas primeiras composições. Sua primeira composição catalogada data de 1º de Maio de 1810: Fantasia a quatro mãos, mas há manuscritos com datas anteriores.

Franz raramente se utilizava do piano para compor, pois dizia que o instrumento lhe interrompia a corrente de idéias. Escrevia com facilidade e rapidez e fazia poucas correções. Sua espontaneidade de criação só se equiparou a Mozart.

Em 30 de Março de 1811 compõe seu primeiro Lied: Hagars Klage, que chamou a atenção de Salieri que, impressionado, encaminhou-o a Wenzel Ruzicka, professor de harmonia e organista da capela imperial.

Tantos elogios de Ruzicka fizeram com que Salieri quisesse ser ele próprio professor do garoto.

A influência do professor compositor de óperas fez com que Schubert adentrasse pelo campo das árias, onde jamais obteve êxito, apesar de seu desejo e persistência. A crítica dizia que suas óperas faleciam de qualidade dramática necessária, que Franz carecia de um conhecimento mais íntimo do palco.

Uma ópera encomendada, graças à interveniência de Vogl, pelo Kärthnerthor Theatre, a Die Zwillingsbrüder, obteve apenas 6 apresentações. Uma outra, a Die Zauberharfe, estreada no Theatre an der Wien, 8 apresentações. Ambas de 1820. Outro fiasco foi Alfonso und Estrella.

A única exceção foi a bela música de cena que escreveu em 1823 para a peça Rosamunde, que, mesmo assim, na época, a crítica achou bizarra.

No final de 1812 sua mãe morreu. No ano seguinte (já havia composto até então 15 lieds, oito quartetos de cordas, um trio para piano, cinco aberturas, uma sinfonia e numerosas fantasias e danças para piano) sua voz se tornou grave e perdeu seu posto de corista da capela imperial, consequentemente perdendo sua bolsa de estudos em Stadtkonvikt. Antes de deixar a escola, em Outubro de 1813, compôs sua Primeira Sinfonia em ré maior, dedicada ao diretor.

Ingressou então na escola normal St. Anna e formou-se em um ano, indo trabalhar como professor na escola de seu pai, onde ficou por dois anos.

Nessa época, para escapar da prisão das quatro paredes da sala de aula que detestava, não parou de compor em suas horas vagas. Em 1815 compôs uma ópera, quatro operetas, duas missas, cerca de vinte pequenos trabalhos pra coral, duas sinfonias, um quarteto, quatro sonatas e mais de 140 lieder.

Compôs sua primeira missa, Missa em Fá Maior, para o centenário da igreja de Lichtenthal em 25 de Setembro de 1814. Apaixonou-se por Therese Grob, a soprano que cantou sua missa. Três dias depois compôs o lied Gretchen am Spinnrade, baseado no poema de Goethe.

Therese desprezou os sentimentos de Franz e casou-se com um padeiro, preferindo o realismo dos biscoitos frescos ao romantismo das canções inspiradas.

Em 1815 compôs Erlkönig, obra-prima do gênero balada, mais um lied inspirado em poema de Goethe.

Spaun escreveu a Goethe uma carta reverente tentando apresentar Franz a ele, mas o escritor nem se dignou a responder.

Goethe só foi conhecer a beleza dessa melodia assistindo a um concerto dois anos depois da morte de Schubert, com lágrimas nos olhos.

No final de 1816 Schubert abandona a casa e a escola de seu pai e vai viver com outro amigo dos tempos do Stadtkonvikt, Franz von Schober.

Seus amigos o acompanharam pela vida nas farras e sempre lhe deram assistência moral e material. Entre eles estavam também Johann Senn, o violoncelista Anton Holzapfel, Anselm Hüttenbrenner, o poeta Johann Mayrhofer e o barítono Michael Vogl. Seus encontros eram chamados de “schubertíades”.

Em 1818 recebeu o emprego de professor de Maria e Caroline, as duas filhas de Johann Carl Esterhazy, em Zseliz, na Hungria. Mas a nostalgia o fez abandonar o emprego e retornar a Viena, indo morar dessa vez com Mayrhofer.

Em Julho de 1819 Vogl convida Schubert para fazer uma turnê pela Áustria, começando por Steyr, cidade natal de Vogl. Essa turnê foi um grande êxito, e essa divulgação de sua obra deu novo ânimo a Schubert, que começava a construir uma reputação fora do seu círculo de amizades e a ganhar algum dinheiro.

Em Steyr, Sylvester Paumgartner, um violoncelista e um mecenas da música, encomendou a Schubert uma composição. Ele então criou a encantadora Truta, quinteto para o conjunto incomum de violino, viola, violoncelo, contrabaixo e piano.

Em 1821 seus amigos mandaram imprimir por conta própria 100 exemplares contendo 20 lieder, que foram vendidos rapidamente, pois Schubert já começava a gozar de certo prestígio nos salões da burguesia vienense.

O sucesso, principalmente depois da apresentação de Vogl do Erlkönig, despertou o interesse dos editores. A editora vienense Cappi & Diabelli publica então Erlkönig, op.1.

Entre 1821 e 1828 foram lançadas no mercado 106 obras suas em edições separadas, editadas por onze editoras diferentes.

Muitas vezes essas publicações eram acompanhadas de dedicatórias, e aqueles a quem Schubert dedicava sua obra também costumavam dar-lhe um donativo, como o Conde Moritz von Fries, a quem Schubert dedicou Gretchen am Spinnrad, que lhe deu 650 florins. Schubert dedicou 47 obras. Algumas foram dedicadas a Beethoven e Salieri, que não lhe renderam nada, mas a maioria foi dedicada à alta burguesia e à nobreza que lhe rendia alguma recompensa financeira.

Mas Schubert não sabia lidar com dinheiro. Nunca visava o lucro, vivia para compor. Destituído de todo e qualquer espírito comercial, as editoras pagavam pouco pelo seu trabalho.

Em 1822 deixou a casa de Mayrhofer e se mudou para um cômodo próximo. Nesse mesmo ano compôs a célebre e apaixonada Sinfonia Inacabada em si menor, poema lírico em forma épica, com dois movimentos. Schubert chegou a escrever uma ou duas páginas do terceiro movimento, o Scherzo, mas não encontrou um final que lhe agradasse e deixou-a de lado.

É também de 1822 a Fantasia Wanderer, Fantasia em dó maior op.15, para piano solo, que mais tarde Listz adaptou para piano e orquestra.

No início de 1823 começam as primeiras manifestações da sífilis. Nesse ano foi hospitalizado várias vezes. Período em que entrou em séria depressão. Durante a primeira internação começou a compor o ciclo Die Schöne Müllerin (A Bela Moleira), o mais belo idílio lírico da poesia musical.

Havia períodos em que melhorava, mas logo vinham as recaídas. Uma delas foi em Novembro quando houve uma erupção cutânea cujo tratamento era necessário raspar o cabelo, período em que teve que usar peruca.

Em 1824 já se sentia mais recuperado. Compôs o Octeto em fá maior, o Quarteto de cordas nº 13 em lá menor e o Quarteto para cordas em ré menor (A Morte e a Donzela), um de seus pontos mais sublimes. E também publicou A Bela Moleira, mas seu estado de depressão continuava.

O Conde Esterházy pede a Schubert que volte a dar aulas às suas filhas. Ele então aceitou pela consideração pessoal que tinha para com o Conde, ficando lá de Maio a Setembro, quando voltou para Viena.

Em 1825 foi internado novamente em Janeiro. Em Dezembro teve outra recaída.

Em 19 de Março de 1827 vai ao funeral de Beethoven.

Nesse ano compôs Deutsche Messe (Missa Alemã), uma coleção de pequenos coros para serem cantados durante a missa, Winterreise (Jornadas de Inverno), uma série de cantos de despedida, Trio para piano e cordas em si bemol maior, op.99, uma de suas obras mais populares, o sério Trio para piano e cordas em mi bemol maior op. 100, os imponentes Impromptus e os encantadores Momentos Musicais.

O ultimo ano de vida de Schubert e sua enorme produção nessa época dá à sua morte um aspecto meio trágico. O contínuo pedido dos editores por trabalhos curtos para piano pode ser a razão pela qual Schubert produziu tantas peças desse tipo em seu último ano de vida. Estas obras são eminentemente líricas e representam diversos estados de ânimo, sendo dramáticas, meditativas ou apaixonadas, pressagiando o desenvolvimento mais livre que teriam as formas pianísticas em mãos daqueles compositores do romantismo. Aparecem nesse período obras transcedentes como o ciclo de canções Canto do Cisne (nome dado pelo editor), a excepcional obra-prima Nona Sinfonia em dó maior (A Grande), o intenso e lírico Quinteto para cordas em dó maior e a Missa em mi bemol maior.

Trata-se de uma etapa na qual o músico se desenvolveu enormemente, concebendo partituras amplamente grandiosas e orientadas em novas direções. E nenhuma revelava sinais de declínio, apesar de sua saúde se deteriorar progressivamente.

Em Setembro de 1828 muda-se para a casa de seu irmão Ferdinand, onde completa as três últimas sonatas para piano: em dó menor, lá maior e a nobre Sonata em si bemol maior.

Morre de tifo, às 3:00 da tarde do dia 19 de Novembro de 1828.

Seu corpo foi enterrado no cemitério de Währing e em 1888 foi trasladado ao Zentralfriedhof - cemitério central de Viena, para repousar junto a Beethoven.»

Publicado por Violeta Teixeira em 31/01 às 11:16 AM
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«QUEREMOS HOMENS COMPLETOS OU MEROS CIDADÃOS?»

«Queremos Homens Completos ou Meros Cidadãos ?»
«A educação actual e as actuais conveniências sociais premeiam o cidadão e imolam o homem. Nas condições modernas, os seres humanos vêm a ser identificados com as suas capacidades socialmente valiosas. A existência do resto da personalidade ou é ignorada ou, se admitida, é admitida somente para ser deplorada, reprimida ou, se a repressão falhar, sub-repticiamente rebuscada. Sobre todas as tendências humanas que não conduzem à boa cidadania, a moralidade e a tradição social pronunciam uma sentença de banimento. Três quartas partes do Homem são proscritas. O proscrito vive revoltado e comete vinganças estranhas. Quando os homens são criados para serem cidadãos e nada mais, tornam-se, primeiro, em homens imperfeitos e depois em homens indesejáveis.
A insistência nas qualidades socialmente valiosas da personalidade, com exclusão de todas as outras, derrota finalmente os seus próprios fins. O actual desassossego, descontentamento e incerteza de propósitos testemunham a veracidade disto. Tentámos fazer homens bons cidadãos de estados industriais altamente organizados: só conseguimos produzir uma colheita de especialistas, cujo descontentamento em não serem autorizados a ser homens completos faz deles cidadãos extremamente maus. Há toda a razão para supor que o mundo se tornará ainda mais completamente tecnicizado, ainda mais complicadamente arregimentado do que é presentemente; que graus cada vez mais elevados de especialização serão requeridos dos homens e mulheres individuais. O problema de reconciliar as reivindicações do homem e do cidadão tornar-se-á cada vez mais agudo. A solução desse problema será uma das principais tarefas da educação futura. Se irá ter êxito, e até mesmo se o êxito é possível, somente o evento poderá decidir.»

Aldous Huxley, in ‘Sobre a Democracia e Outros Estudos’

Aldous Leonard Huxley (Godalming, Surrey, 26 de Julho de 1894 — Los Angeles, 22 de Novembro de 1963) foi um escritor inglês.
Biografia
Sua família incluía os mais distintos membros da classe dominante inglesa; uma vasta elite intelectual. O pai de Aldous era filho de Thomas Henry Huxley, um grande biólogo que ajudou no desenvolvimento da teoria da evolução sendo um ferrenho defensor da teoria de Charles Darwin. Sua mãe era irmã da romancista Humphrey Ward; a sobrinha de Matthew Arnold, o poeta; e a neta de Thomas Arnold, um famoso educador e diretor da Rugby School que acabou se tornando um personagem no romance “Tom Brown’s Schooldays”.
Estudou na aristocrática escola de Eton, que foi obrigado a abandonar aos dezesseis anos, devido a uma doença nos olhos que quase o cegou impedindo-o de cursar medicina. Mais tarde, ele recuperou visão suficiente para se formar com honra pela Universidade de Oxford, mas não suficiente para servir o exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. Em Oxford, engajou-se com a literatura pela primeira vez, conhecendo Lytton Strachey e Bertrand Russell, também se tornou um amigo íntimo de D. H. Lawrence.
Em 1921, lançou “Crome Yellow”, o primeiro de uma série de romances e novelas que combinam diálogos emocionantes, e um aparente ceticismo, com profundas considerações morais.
Viveu a maior parte dos anos 20 na Itália fascista de Mussolini que inspirou parte dos sistemas autoritários retratados em suas obras.
A obra-prima de Huxley, “Brave New World” (Admirável Mundo Novo), foi escrita durante quatro meses no ano de 1931. Os temas nela abordados remontam grande parte de suas preocupações ideológicas como a liberdade individual em detrimento ao autoritarismo do Estado.
No ano de 1937 Aldous Huxley mudou-se para Los Angeles, e em 1938, no auge da sua carreira, chegou a Hollywood, como um de seus mais bem remunerados roteiristas. Nessa fase, escreveu romances como “Também o cisne morre” (1939), “O Tempo pode parar” (1944), “O macaco e a essência” (1948).
O cinema para Huxley foi uma aventura tão fascinante quanto suas descobertas e experiências com a mescalina, narradas em “As portas da percepção”, de 1954. Dois anos depois, viúvo, casou-se novamente e publicou “Entre o céu e o inferno”.
Huxley viajou ainda pela América Central e em 1958 visitou o Brasil, tendo conhecido os índios do Xingu e as favelas do Rio de Janeiro.
Em 1959, foi agraciado pela Academia Americana de Artes e Letras com um prêmio por seus romances. Tal premiação era concedida a cada cinco anos e havia sido entregue anteriormente a Ernest Hemingway, Thomas Mann e Theodore Dreiser.
Huxley permaneceu quase cego por toda a sua vida. Sua esposa, Maria Huxley, faleceu em 1955. Um ano mais tarde, Huxley casou-se com Laura Archera. Ele morreu em 22 de Novembro de 1963 na sua pequena casa de Los Angeles.
Huxley produziu um total de 47 livros ao longo de sua vida. O crítico britânico Anthony Burgess uma vez afirmou que Huxley fora o pioneiro do “romance cerebral”. No entanto, outras correntes de críticos classificaram Huxley como um ensaísta, ao invés de romancista, pois suas obras eram conduzidas mais apoiadas sobre suas idéias do que o desenrolar de personagens ou contextos de história
Bibliografia:
Esta é a cronologia de alguns de seus trabalhos mais conhecidos:
• 1920 - Limbo, contos de estréia
• 1921 - Crome Yellow, romance
• 1923 - Antic Hay (Ronda Grotesca), romance
• 1926 - Two or Three Graces (Duas ou Três Graças), contos
• 1928 - Point Counter Point (Contraponto), romance
• 1932 - Brave New World (Admirável Mundo Novo) , romance
• 1936 – Eyeless in Gaza (Sem Olhos Em Gaza) , romance
• 1939 – After Many Summers (Também o Cisne Morre) , romance
• 1941 – Grey Eminence (Eminência Parda), bibliografia romanceada
• 1943 – The Art of Seeing, ensaios
• 1945 - Time Must Have a Stop (O Tempo Deve Parar) , romance
• 1946 – The Perennia Philosophy, ensaios
• 1949 – Ape and Essence (O Macaco e a Essência), romance
• 1950 – The Doors of Perception / Heaven and Hell (As Portas da Perceção / Céu e Inferno), ensaios
• 1952 – The Devils of Loudun (Os Demônios de Loudun)
• 1959 – Brave New World Revisited (Regresso ao Admirável Mundo Novo), ensaios- sua obra-prima
• 1962 – Island (A Ilha), romance
• 1978 – The Human Situation (A Situação Humana), ensaios

In WIKIPÉDIA

Publicado por Violeta Teixeira em 31/01 às 03:36 AM
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MEGALOMANIA

«Nada é mais perigoso do que a megalomania dos pequenos.»

Stefan Zweig in «O Mundo de Ontem, Recordações de um Europeu.»

Tradução de Gabriela Fragoso
© Assírio & Alvim

«Stefan Zweig (Viena, 28 de Novembro de 1881 — Petrópolis, 23 de Fevereiro de 1942) foi um importante escritor austríaco de ascendência judaica.
Crítico aos regimes do Nazi-fascismo, Stefan Zweig dedicou-se a quase todas as atividades literárias: foi poeta, ensaísta, dramaturgo, novelista, contista, historiador e biógrafo.
Entre os romances, merecem destaque: Carta de uma Desconhecida, A novela de xadrez, Amok, Vinte quatro horas na vida de uma mulher.
Escreveu várias biografias como Maria Antonieta, Fouché, Maria Stuart, etc.
Na história, escreveu Momentos decisivos da Humanidade. Escreveu Brasil, país do futuro, que constitui não só um retrato do Brasil, como também uma interpretação do espírito brasileiro.
Zweig escreveu também uma espécie de auto-biografia, intitulada “O Mundo Que Eu Vi” (Die Welt von Gestern), na qual relata episódios de sua vida tendo como base os contextos históricos do período em que viveu (como por exemplo a Monarquia Austro-Húngara e a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais).
Suicidou-se no Brasil, em Petrópolis, onde veio a residir após ter residido na Inglaterra, depois de decidir-se pelo exílio voluntário da Áustria, então sob dominação alemã.»

In WIKIPÉDIA

Publicado por Violeta Teixeira em 31/01 às 03:13 AM
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ALUCINACIÓN

PANDORA (autoria?)

Tremolan, suspensas,
Sonámbulas, esculturas
Espectrales, «en papier mâché».

Una revolada de aves nocturnas
Astillan las vidrieras duplas,
Y si lanza en la caza de los insectos,
Que defecan en las bocas absortas
De les seis piezas excéntricas.

Artista maníaca, cruzo mías piernas
Bellas, extendidas en lo marmóreo
Bermejo de la vieja galería de arte.

Enciendo, con «charme», uno cigarrillo
De «cannabis», y fumo, con furores
Sádicos, las delicias encolerizadas
De les eximias aves «ravisseuses».

Violeta Teixeira, in Antologia Internacional, REGALOS DEL ALMA, 2005

Publicado por Violeta Teixeira em 31/01 às 02:26 AM
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Terça-feira, 30 Janeiro, 2007

«OS CRENTES E OS FANÁTICOS»

Os Crentes e os Fanáticos
«A crença num Deus produz e deve produzir quase tantos fanáticos quantos crentes. Por toda a parte em que se admite um Deus, existe um culto; em todo o lugar onde existe um culto, a ordem natural dos deveres morais é derrubada, e a moral corrompida. Cedo ou tarde, chega um momento em que a noção que impediu de roubar um escudo faz degolar cem mil homens.»

Denis Diderot, in ‘Carta a Sophie Volland’

«Denis Diderot (5 de Outubro de 1713, Langres - 31 de Julho de 1784, Paris) foi um filósofo e escritor francês.
A primeira peça importante da sua carreira literária é Lettres sur les aveugles à l’usage de ceux qui voient, em que resume a evolução do seu pensamento desde o deísmo até ao cepticismo e o materialismo ateu, o que o leva à prisão. Mas a obra da sua vida é a edição da Encyclopédie (1750-1772), que leva a cabo com empenho e entusiasmo apesar de alguma oposição da Igreja Católica e dos poderes estabelecidos. Escreveu também algumas peças teatrais de pouco êxito. Destaca-se particularmente nos romances, nos quais segue as normas dos humoristas ingleses, em especial de Sterne: A Religiosa, O Sobrinho de Rameau, Jacques, o fatalista e seu mestre. Escreve numerosos artigos de crítica de arte.
É um dos primeiros autores que fazem da literatura um ofício, mas sem esquecer nunca que é um filósofo. Preocupam-no sempre a natureza do homem, a sua condição, os seus problemas morais e o sentido do destino. Admirador entusiasta da vida em todas as suas manifestações, Diderot não reduz a moral e a estética à fisiologia, mas situa-as num contexto humano total, tanto emocional como racional. Seu pensamento sobre a nobreza e o clero se exprime na seguinte frase: “O homem só será livre quando o último déspota for estrangulado com as entranhas do último padre”.

In WIKIPÉDIA

Publicado por Violeta Teixeira em 30/01 às 02:30 AM
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O NADA

Thomas Buechner

«Fisicamente é preciso distinguir três coisas: o vácuo, o vazio e o nada. O vácuo é um espaço não preenchido por qualquer matéria, nem sólida, nem líquida, nem gasosa, nem plasma. Mas pode conter campos: campo elétrico, campo magnético, campo gravitacional, luz, ondas de rádio ou outros campos não materiais.
O vazio já seria um espaço sem matéria e sem nenhuma outra coisa, nem campos, nem luz, nem ondas. Mas no vazio ainda haveria o espaço vazio, isto é, a capacidade de caber algo, só que não tem. No Universo não existe vazio completo, pois todo o espaço é preenchido por campo gravitacional e pela luz que o atravessa, além de neutrinos ou outras partículas e campos, mesmo que rarefeitos.
No nada não existe nem o espaço, isto é, não há coisa alguma e nem um lugar vazio para caber algo. Além disso, o conceito de nada inclui a inexistência das próprias leis físicas que alguma coisa existente necessariamente tem que obedecer. De acordo com o modelo padrão da Cosmologia (o Big-bang), o Universo surgiu de uma singularidade primordial que, no instante zero, iniciou sua expansão, gerando tudo o que existe, inclusive o tempo e o espaço.
Mas nesta singularidade estava contido todo o conteúdo de matéria-energia que sempre existiu e existirá. Antes dela, porém, havia o nada, isto é, não havia coisa alguma, nem vácuo, nem energia, nem leis físicas, nem espaço vazio para se poder ter alguma coisa e nem mesmo o tempo decorria. O nada não é um lugar. É algo que não é lugar, um não-lugar. É impossível estar-se no nada porque sempre tem-se que estar em algum lugar.
Mesmo um ponto infinitesimal está em certo lugar do espaço (que é o conjunto dos pontos, isto é, das possibilidades de localização). Por definição quando se fala de existência se fala da existência de algo. E o nada não é coisa alguma. O nada é um signo, uma representação linguística do que se pensa ser o nada. Só se conhecem representações dele, mas essas representacões têm orígem mental, pois não existe o nada.
A definicäo de “nada” se dá somente por meio da negacäo de tudo o que existe, portanto o nada näo é definido ou conceituado positivamente (uma definição é se dizer o que a coisa é), mas apenas representado, fazendo-se a relacäo entre seu símbolo (a palavra “nada") e a idéia que se tem da não-existencia de coisa alguma. O “nada” não existe, mas é concebido por operacões de mente. Esta é a concepção de Bergson, oposta a de Hegel, modernamente reabilitada por Heidegger e Sartre de que o nada seria uma entidade de existência real, em oposição ao ser.
Matematicamente o conceito é equivalente ao de “conjunto vazio”, que é o conjunto que não possui elementos, mas que é um dos elementos do conjunto dos subconjuntos de um conjunto. Assim o “Nada” seria um dos elementos do “Tudo”, ou do Universo. Esta concepção, aplicada à física, todavia, não possui base fenomenológica sustentável.»

In WIKIPÉDIA

Publicado por Violeta Teixeira em 30/01 às 02:05 AM
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SOA, DISSONANTE

mco.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_10.html

Soa, dissonante,
No pêndulo
Do sangue,
O som
Do signo do finito.

Abro o pórtico
Branco-árctico,
E o pêndulo,
Exangue, é um
Soluço do
Sem-sentido.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 30/01 às 01:58 AM
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Segunda-feira, 29 Janeiro, 2007

«A TIRANIA INDIVIDUAL E A TIRANIA COLECTIVA»

A Tirania Individual e a Tirania Colectiva

«As divergências de opinião não resultam, como por vezes supomos, das desigualdades de instrução daqueles que as manifestam. Elas notam-se, com efeito, em indivíduos dotados de inteligência e de instrução equivalentes. Disso se convencerá quem percorrer as respostas aos grandes inquéritos colectivos destinados a elucidar certas questões bem definidas.
Entre os inúmeros exemplos fornecidos pela leitura das suas actas, mencionarei apenas um, muito típico, publicado nos Anais de Psicologia do sr. Binet. Querendo informar-se quanto aos efeitos da redução do programa de história da filosofia nos liceus, enviou um questionário a todos os professores incumbidos desse ensino. As respostas foram nitidamente contraditórias, pois uns declaravam desastroso o que os outros julgavam excelente. «Não se compreende», conclui o Sr. Binet com melancolia, «que uma reforma que consterna um professor, pareça excelente a um dos seus colegas. Que lição para eles sobre a relatividade das opiniões humanas, mesmo entre pessoas competentes!».
Contradições da mesma espécie invariavelmente se manifestaram em todos os assuntos e em todos os tempos. Para chegar à acção, o homem teve, entretanto, de escolher entre essas opiniões contrárias. Como operar tal escolha, sendo a razão muito fraca para a determinar?
Somente dois métodos foram descobertos até hoje: aceitar a opinião da maioria ou a de um único, escolhido como mestre. Desses dois métodos decorrem todos os regimes políticos.
Poucos votos de maioria, ou mesmo uma maioria considerável, obtida por uma opinião, não a tornará, certamente, superior à opinião contrária. Um juízo isolado, imposto obrigatoriamente, não será também sempre o melhor. A escolha de um ou outro método é, contudo, necessária para sairmos das indecisões que são contrárias à verdade de agir. Os próprios filósofos não têm conseguido descobrir outro processo.
As opiniões de um espírito eminente são, em geral, muito superiores ao juízo de uma colectividade, mas, se o espírito não for eminente, as suas decisões poderão ser muito perigosas. A história da Alemanha e a da França nestes últimos cinqüenta anos fornece numerosas provas das vantagens inconvenientes destes dois métodos: a tirania individual e a tirania colectiva.»

Gustave Le Bon, in ‘As Opiniões e as Crenças’

«Gustave Le Bon (7 de maio de 1841 a 13 de dezembro de 1931) foi um psicólogo francês. Foi o fundador da Psicologia Social.
Escreveu inúmeras obras. dentre as quais se destacam: A psicologia das multidões, A psicologia do socialismo, A psicologia das revoluções.
Apresentamos um dos grandes trabalhos: As opiniões e as crenças. Dificilmente se poderia estudar temas como: teoria do conhecimento, ideologia, religiões, superstições, comportamento das massas, propaganda, persuasão sem estudar e se apoiar em Le Bon.
Em As opiniões e as crenças, depois de discutir os recursos metodológicos de análise da Psicologia, Le Bon explica o papel do prazer e da dor, para então avaliar as características do consciente e inconsciente. De forma brilhante, apresenta as várias formas de lógica: biológica, afetiva, coletiva, mística e racional.
Dai em diante, passa a analisar as opiniões e crenças, sua gênese, desenvolvimento, transformação, propagação. Não deixa de discutir a morte das crenças.»

In WIKIPÉDIA

Publicado por Violeta Teixeira em 29/01 às 01:30 AM
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TOLERÂNCIA

Foto da autoria de Paulo Eduardo dos Santos Raimundo (Olhares.com)

«A responsabilidade da tolerância está com os que têm a visão mais ampla.»

George Eliot

Nota: já se publicou a sua biobibliografia. 

Publicado por Violeta Teixeira em 29/01 às 01:02 AM
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VÃO DE ESCADAS

http://www.brunoespadana.com/eng/ves/ves06.php

A porta fechou-se…
Fecharam-se-me todas
As portas, todas as saídas
Legíveis. E, de súbito, à beira
Da noite, todo o Universo
Se reduz à ínfima
Dimensão
De um vão
De escadas.

Violeta Teixeira, in FALO-VOS DO SILÊNCIO, Magno Edições, 1999

Publicado por Violeta Teixeira em 29/01 às 12:51 AM
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Domingo, 28 Janeiro, 2007

ESCRITOR/INFÂNCIA

"Sem que o escritor tenha consciência os anos da infância são seu verdadeiro capital… o que vem depois e que até pode ser considerado muito mais interessante, em nada acrescenta, estranhamente, apenas que, anos mais tarde é que se começa a entender o que se viu com o primeiro olhar”,

«Citação encontrada no diário de Ingeborg Bachmann, escrito em 23 de março de 1971, uma das escritoras mais representativas da literatura de língua alemã, na época do pós-guerra.»
Áustria, 25 de Janeiro de 1926-1939)

«A tríade campo, rio e lago de Ingeborg Bachmann»

“Sem que o escritor tenha consciência os anos da infância são seu verdadeiro capital… o que vem depois e que até pode ser considerado muito mais interessante, em nada acrescenta, estranhamente, apenas que, anos mais tarde é que se começa a entender o que se viu com o primeiro olhar”, citação encontrada no diário de Ingeborg Bachmann, escrito em 23 de março de 1971, uma das escritoras mais representativas da literatura de língua alemã, na época do pós-guerra. Contemporânea de Paul Celan, Max Frisch, Bertold Brecht, Heidegger e Wittgenstein, entre outros, Bachmann nasceu em 25 de junho de 1926, numa pequena cidade austríaca chamada Klagenfurt, localizada na fronteira da Itália e Iugoslávia, oito anos após a primeira Guerra Mundial. Porém, quando a autora menciona sua infância, não é esta cidade que surge em sua reminiscência, mas a região de Obervellach, onde a família de seu pai vivia. Até os treze anos de idade, Bachmann passou uma infância tranqüila em meio à natureza de um campo, um rio e um lago. A tríade campo, rio e lago acompanhou toda a obra da escritora, a bucólica saudade daquele pedaço de terra, intacto pela atrocidade, de onde foi expulsa pela história e desde então entregou-se à demanda destes três caminhos em sua vida, como a terra santa na Bíblia. Alguns personagens femininos em suas obras, como por exemplo, em Malina (Malina, 1971), Tipos de Morte (Todesarten) e O Caso Franza (Der Fall Franza) têm sua origem em Obervellach. Malina foi seu primeiro e único romance, os outros dois fazem parte de um ciclo que, entretanto, não chegou a ser concluído pela autora. Malina é dividido em três capítulos e narra uma história de amor não convencional entre três pessoas, isto é, duas pessoas, pois uma delas é, na realidade, representada duplamente. Malina integra a complexa trajetória de um personagem feminino transformado em um instrumento de análise dos seus próprios pensamentos e sentimentos, onde a hipérbole de sua sensibilidade e dor é descrita através de uma linguagem poética.
Não apenas a fronteira territorial existia naquela região, mas também a fronteira da língua. A necessidade de ultrapassar as fronteiras fizeram com que se tornassem imprescindíveis, mas nós queremos falar das fronteiras/ e as fronteiras ainda traspassam cada palavra:/ nós iremos ultrapassá-las movidos pela saudade da pátria/ e então entraremos em harmonia com todos os lugares. Desde a juventude a autora se opôs aos pensamentos nacionalistas da época, mais tarde tornou-se uma intelectual engajada politicamente, foi contra o armamento nuclear e a guerra no Vietnã. O pai, no entanto, foi integrante de grupos nacional-socialistas e serviu na primeira e na segunda Guerras Mundiais, era uma presença rara junto da família.
No final da segunda Guerra Mundial, em 1945, Bachmann era uma mulher jovem e desconhecida, que foi à Viena para estudar filosofia e filologia germânicas. Chegou numa cidade destruída pela guerra, circundada por escombros de edifícios bombardeados, pessoas passando frio e fome. Felizmente, a universidade e as mais importantes bibliotecas não tinham sido devastadas, o que contribuiu para que muitos intelectuais regressassem à Viena. Muitos deles se encontravam no famoso bar Raimund, de Hans Weigel, onde passavam a noite discutindo fervorosamente sobre política e literatura. Weigel foi escritor e cabaretista que muito colaborou para a literatura pós-guerra. Os intelectuais nesta época lutavam contra o conflito exógeno nascido do sentimento de culpa por pertencer a um país que contribuiu para a maior catástrofe na história da humanidade e a negação desta culpa, a angústia perante um sentimento cada vez mais arraigado, a debilidade diante do passado assombroso. Este passado assombroso é, nas obras de Bachmann, representado pela figura do pai. Como na obra expressionista de Kafka, onde em Carta ao Pai o conflito entre pai e filho foi acentuado, aqui o conflito é entre pai e filha, retratado, por exemplo, num trecho do romance Malina, no capítulo em que a autora descreve um sonho, onde pai e filha estão presos na maior câmara de gás (Gaskammertraum). O início deste capítulo é a cena precursora da literatura após 1945: uma criança da geração dos culpados, Tätergeneration, procura a fuga do mundo do holocausto e é abandonada pelo pai. 
No apartamento do pintor surrealista Edgar Jené, em 1948, Ingeborg Bachmann conhece o poeta Paul Celan, com quem mais tarde manteve uma extensa e valiosa correspondência. 86 cartas da escritora dedicadas a Celan estão trancadas no arquivo literário alemão de Marbach, as de Celan estão lacradas no arquivo da biblioteca de Viena. Paul Celan teve seus pais assassinados no campo de concentração, ele próprio sobreviveu aos tratamentos desumanos num campo de trabalho. Muitas das poesias de Paul Celan foram direcionadas a Ingeborg Bachmann. Ela o segue até Paris, para tentarem uma vida juntos, amava-o mais do que minha vida, mas por razões diabólicas (…), foram as suas palavras numa carta ao amigo Hans Weigel. Eles se separam. Contudo, o encontro com Celan serviu para transformar profundamente os pensamentos e a linguagem da poeta, onde o acontecimento histórico relacionado ao extermínio dos judeus adquire a efusiva em suas obras. Der dunkle Schatten,/ dem ich schon seit Anfang folge,/ führte mich in tiefe Wintereinsamkeiten (A escura sombra/ que persigo desde o início/ me conduz a uma profunda solidão de inverno), a escura sombra que antes representava a solidão do eu-lírico condenado a viver subjugado pela arte, como na poesia Medo (Ängste), onde a iníqua lei da arte, igualada à lei dos homens no que diz respeito à criação literária, exaure o sangue da vida. Neste período artístico a exigência de escrever era encarada como uma tortura e obsessão. A escura sombra passou a ser a sombra da guerra, da destruição. Sob a influência de Celan, der dunkle Schatten transformou-se na escura sombra em cima dos escombros da guerra, o tema tradicional do poeta exilado pela arte é agora a imagem do exílio do poeta após o holocausto.
Bachmann defendeu sua tese sobre a filosofia existencial de Martin Heidegger, mas recusou-se a escrever uma poesia dedicatória aos setenta anos do filósofo, assim como seu amigo Paul Celan, como nolição ao pensamento irracional alemão: Heidegger era simpatizante com idéias nacionalistas. No início dos anos cinqüenta a escritora voltou-se para os pensamentos de Wittgenstein, nesta época a poeta, ensaísta e filósofa era conhecida no meio literário, possuía seus textos publicados nas revistas mais significativas da Áustria. Escreveu um ensaio sobre a filosofia de Wittgenstein que foi publicado no Caderno de Frankfurt 1953, um ensaio sobre o romance de Robert Musil, O Homem sem Virtude (Der Mann ohne Eigenschaft) na revista Akzente (1954) e outros. Foi um dos primeiros intelectuais a reconhecer o valor da filosofia de Wittgenstein. Mas o verdadeiro sucesso obteve com o Grupo 47, de onde eram integrantes a também poeta austríaca Ilse Aichinger e Paul Celan. Em 1953 foi publicado seu primeiro livro de poesias, O Tempo Prorrogado (Die gestundete Zeit), que tornou-a famosa de um dia para o outro. A maestria de fundir fatos históricos com experiências empíricas resultou na tônica de suas poesias, unir a condição social e histórica atual à tradição literária. Os motivos e a linguagem adotados pela poeta lembra Bertold Brecht no que se refere ao ir embora, a não se fixar em nenhum lugar, a não se prender a nada. Contribuiu para o grande sucesso de O Tempo Prorrogado o fato de ser uma lírica que podia ser interpretada não apenas através de um prisma político, mas também do ponto de vista filosófico. Há uma alusão à passagem de Heidegger, O Tempo Contado (Die gezählte Zeit) e ao texto de Aristóteles, Ser e Tempo (Sein und Zeit). Só mais tarde é que a crítica iria se deparar com o elemento você (Du): pela primeira vez na história da lírica um poeta se dirige diretamente a um você para desafiar a posição masculina desprovida de respeito contra a mulher em desvantagem. Não é sem fundamento que Bachmann, consciente ou inconscientemente, preferia se expressar através de personagens masculinos. Segundo Christa Wolf escreveu sobre Ingeborg Bachmann: toda mulher deste século que ousou circular no nosso meio cultural dominado pelos homens - a literatura, a estética - conheceu o desejo de autodestruição. 
O desejo de autodestruição recrudesceu com a separação de Max Frisch. No outono de 1958 Ingeborg Bachmann conhece o escritor austríaco Max Frisch, com quem viveu durante cinco anos e que a levou ao abismo sentimental. Após a separação do conterrâneo e depois da publicação de seu livro Meu Nome é Gantenbein (Mein Name ist Gantenbein, 1964), onde Max Frisch descarrega livremente todas as frustrações do casal, Bachmann se sente aniquilada, a aleivosidade do ex-companheiro a atinge profundamente. Segue estadias em hospitais e manicômios, a entrega ao alcoolismo e à dependência de calmantes. Nesta fase obscura de sua vida, em sua expressão artística a doença deixa de ser subjetiva e passa a adquirir um âmbito social - a metáfora para o insalubre da sociedade na época. No discurso por ocasião do Prêmio Büchner, com o qual foi agraciada em 1964, o enfermo não surge como metáfora, mas as condições externas que levam um indivíduo a adoecer: a usurpação da violência, a pura brutalidade, a perda da honra e a ameaça de ver sua existência destruída. A loucura, os nervos, são a visível derrota num mundo aparentemente saudável. O discurso para o Prêmio Büchner, Um Lugar de Coincidências (Ein Orte für Zufälle, 1965), refere-se a uma crise durante sua estadia em Berlim, de 1963 a 1965; aqui ela descreve um doente anônimo internado num hospital à mercê das experiências destrutivas da cidade, a fronteira deixa de existir entre o Eu, o hospital e a cidade e a violência toma posse dos acontecimentos. No livro Tipos de Morte, talvez uma alusão à menção de Brecht sobre os diferentes métodos de se matar alguém (existem várias formas de assassinato, pode-se enfiar uma faca na barriga de alguém, roubar-lhe o pão, não curá-lo de uma doença, colocá-lo para viver em moradia precária, fazê-lo trabalhar até a morte, induzi-lo ao suicídio, enviá-lo à guerra etc. Somente poucos destes meios são ilícitos na sociedade), Bachmann descobre que muitos destes métodos são considerados naturais na sociedade e é exatamente esta indiferença à desgraça humana que leva um indivíduo à doença física e psíquica. Paradoxalmente surge nesta época de crise os seus mais belos poemas, A Boêmia fica perto do Mar (Böhm liegt am Meer) e Praga Jänner 64 (Prag Jänner 64), revelam a saudade onírica daquele pedaço de terra da infância, representando a harmonia com o mundo, a tranqüilidade e a anuência com a natureza, onde entre o Morava e o Danúbio/ e meu rio da infância/ tudo possui uma noção de mim.
Outros gêneros literários fazem parte da gama artística de Ingeborg Bachmann, além de poemas, contos, ensaios e romances, produziu novelas para programas de rádio e também um livreto para a ópera de Hans Werner Henzel, O Príncipe de Homburg (Der Prinz von Homburg, 1960). As mais conhecidas novelas para rádio são Uma Loja de Sonhos (Eine Geschäfte mit Träume, 1952) e As Cigarras (Die Zikaden, 1955): pois as cigarras foram um dia pessoas, que pararam de comer, de beber e de amar, para continuarem cantando sempre. Na fuga à música foram se tornando magras e pequenas e agora elas cantam perdidas de saudades, encantadas, mas também amaldiçoadas, porque sua voz não é mais humana.
A complexidade na obra de Bachmann concentra-se na tríade eu-lírico, arte e história. A arte é um istmo que promove a união à exigência da criação literária e à interpretação da história - para a nolição a qualquer método incruento de morte, a qualquer pensamento bélico diante da raça humana. Como resposta a uma pergunta, numa entrevista para um programa de rádio polonês, Bachmann define como principal compromisso do escritor descrever suas experiências o melhor possível e aliciar o leitor a sentir, pensar e sofrer exatamente como o escritor o fez. Esta escritora, pertencente à literatura após 1945, como Paul Celan, Ilse Aichinger e a poeta russa Ana Achmatowa, a quem conheceu pessoalmente em Roma, entre outros, não nega o passado assombroso, mas é de uma forma singular que ela o interpreta em suas obras, acentuando a concatenação de sua dor, sua doença com o enfermo de toda uma geração. Não é o passado que Ingeborg Bachmann combate, mas um futuro ágrafo, um futuro que sirva apenas para encobrir os crimes do passado, um futuro mudo que permita que estes crimes incomparáveis caiam para sempre no esquecimento. E além disso, seu esforço literário consistiu também na expressão estética infensa aos diferentes métodos de morte que não são considerados ilícitos na sociedade.
Na madrugada de 26 de setembro de 1973 Ingeborg Bachmann sofre um acidente, cujas queimaduras graves levam-na ao falecimento semanas depois no hospital, no dia 17 de outubro. Seus amigos surpreenderam-se com a gravidade das queimaduras, uma vez que a escritora tinha apenas desmaiado no banheiro com o cigarro aceso e, mesmo inconsciente, teria voltado a si em pouco tempo movida pelas dores da chama ardendo na pele. No entanto, Bachmann não despertou a tempo, estava alcoolizada e sob efeito de calmantes. Foi enterrada em Klagenfurt, perto de Obervellach, onde um campo, um rio e um lago compõem a paisagem.»

Viviane de Santana Paulo

Publicado por Violeta Teixeira em 28/01 às 02:53 AM
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PSICANÁLISE

«A psicanálise surgiu na década de 1890, com Sigmund Freud, um médico interessado em achar um tratamento efetivo para pacientes com sintomas neuróticos ou histéricos. Conversando com os pacientes, Freud acreditava que seus problemas originaram-se da inaceitação cultural, sendo assim reprimidos seus desejos inconscientes e suas fantasias de natureza sexual. Desde Freud, a psicanálise se desenvolveu de muitas maneiras e, atualmente, há diversas escolas.
O método básico da Psicanálise é a interpretação da transferência e da resistência com a análise da livre associação. O analisante, numa postura relaxada, é solicitado a dizer tudo o que lhe vem à mente. Sonhos, esperanças, desejos e fantasias são de interesse, como também as experiências vividas nos primeiros anos de vida em família. Geralmente, o analista simplesmente escuta, fazendo comentários somente quando no seu julgamento profissional visualiza uma crescente oportunidade para que o analisante torne consciente os conteúdos reprimidos que são supostos, a partir de suas associações. Escutando o analisando, o analista tenta manter uma atitude empática de neutralidade. Uma postura de não-julgamento, visando a criar um ambiente seguro.
O conceito de inconsciente fora usado por Leibniz 200 anos antes de Freud, também sendo usado por Hegel para construir sua dialética hegeliana.
A originalidade do conceito de Inconsciente introduzido por Freud deve-se à proposição de uma realidade psíquica, característica dos processos inconscientes. É preciso diferenciar inconsciente, sem consciência, de Inconsciente, conforme elaborado por Freud, que diz respeito a uma instância psíquica basilar na constituição da personalidade.
Muitos colocam a questão de como observar o Inconsciente. Se a Freud se deve o mérito do termo “inconsciente”, pode-se perguntar como foi possível a ele, Freud, ter tido acesso a seu inconsciente para poder ter tido a oportunidade de verificar seu mecanismo, já que não é justamente o inconsciente que dá as coordenadas da ação do homem na sua vida diária. É nesse sentido que Freud formulou a expressão Psicopatologia da vida cotidiana. Como observá-la senão pelos efeitos inconscientes?
A pergunta por uma causa ou origem pode ser respondida com uma reflexão sobre a eficácia do inconsciente, eficácia que se dá em um processo temporal que não é cronológico, mas lógico. Não é possível abordar diretamente o Inconsciente, o conhecemos somente por suas formações: atos falhos, sonhos, chistes e sintomas.
Outro ponto a ser levado em conta sobre o inconsciente é que ele introduz na dimensão da consciência uma opacidade. Isto indica um modelo no qual a consciência aparece, não como instituidora de significatividade, mas sim como receptora de toda significação desde o inconsciente. Pode-se perguntar: de que modo o inconsciente poderia estar informado sobre os progressos da investigação psicanalítica a menos que fosse, precisamente, uma consciência?
Correntes, dissenções e críticas
Diversas dissidências da matriz freudiana foram sendo verificadas ao longo do século XX, tendo a psicanálise encontrado seu apogeu nos anos 50 e 60.
Entre as principais dissenções, registra-se a de Reich, em 1930, e de Fromm, um pouco depois, preconizando este psicanalista que o estudo do amor deveria superar a visão sexista vigente.
A visão da Psicanálise de Sigmund Freud trouxe avanços principalmente nos estudos mais atuais. Podemos observá-los na aprendizagem, cura de fobias e traumas, medos, estado emocional e outras contribuições de mecanismos e de problemas transderivacionais do cérebro.
Sua contribuição para o conhecimento humano e sua psicologia é inegável. O verdadeiro choque moral provocado pelas idéias de Freud serviu para que a humanidade rompesse seus tabus e preconceitos na compreensão da sexualidade.
Centenário
Em 1995 a Psicanálise completou um século como a ciência do Inconsciente. A Psicanálise, além de ciência, é também um método de tratamento de doenças psíquicas e, inclusive, um método de pesquisa. A fonte teórica inicial da Psicanálise é a Neuropatologia. Após Freud, muitos outros psicanalistas contribuiram para o crescimento do corpo teórico da Psicanálise, pois todo o conhecimento científico é acumulativo e progressivo.
A formação de um psicanalista é um processo lento, longo e difícil. É feita em Institutos de Psicanálise de Instituições Psicanalíticas. Entretanto é comum confundirem psicólogos com psicanalístas.
A sexualidade humana, berço da vida e do amor, pode ser ao mesmo tempo o berço de neuroses, psicoses, desvios narcísicos de personalidade e é também a nascente inicial da Psicanálise. A sexualidade em Freud deve ser entendida em seu sentido amplo e não restrito, ou seja, a sexualidade como manifestação do prazer no organismo.
A cura psicanalítica (segundo os psicanalistas) é um processo lento e gradativo. Quando uma pessoa precisar de um psicanalista, deve recorrer a uma Instituição Psicanalítica que lhe indicará alguns nomes para a sua escolha. Um dos grandes empecilhos para o tratamento psicanalítico é o alto custo das consultas e do tratamento por consequência, o que faz da psicanálise algo restrito às classes mais abastadas. Essa situação é verificada em nível mundial, mesmo em países de alto padrão de vida.
Autores importantes
• Alfred Adler
• Sigmund Freud
• Erich Fromm
• Carl Jung
• Lacan
• Melanie Klein
• J.-B.Pontalis
• Donald Winnicott [1]

«(...)»

In WIKIPÉDIA

Publicado por Violeta Teixeira em 28/01 às 02:01 AM
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PLENO, O VAZIO ESTÉTICO

http://www.salvador.martin

Desmoronou-se-me,
De súbito, a morada.

Soterradas as palavras,
Sou, no agora,
Uma sem-abrigo.

Sem êxito, pelas ruas
Enlameadas de mágoas,
Mendigo uma migalha
De afecto. Uma gota
De néctar poético.

Pleno, o vazio estético.

Violeta Teixeira, inédito (VASO DE VAZIOS)

Publicado por Violeta Teixeira em 28/01 às 01:49 AM
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Sábado, 27 Janeiro, 2007

DATA DO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO

«Quer saber como eu componho? Posso dizer-lhe apenas isto: quando me sinto bem disposto, seja na carruagem quando viajo, seja de noite quando durmo, ocorrem-me idéias aos jorros, soberbamente. Como e donde, não sei. As que me agradam, guardo-as como se tivessem sido trazidas por outras pessoas, retenho-as bem na memória e, uma após a outra, delas tomo a parte necessária, para fazer um pastel segundo as regras do contraponto, da harmonia, dos instrumentos, etc. Então, em profundo sossego, sinto aquilo crescer, crescer para a claridade de tal forma que a obra mesmo extensa se completa na minha cabeça e posso abrangê-la de um só relance, como um belo retrato ou uma bela mulher… Quando chego neste ponto, nada mais esqueço, porque boa memória é o maior dom que Deus me deu.»

«Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburgo, 27 de Janeiro de 1756 — Viena, 5 de Dezembro de 1791) foi um compositor e músico da música erudita, um dos expoentes máximos da música clássica e um dos mais populares das audiências contemporâneas.»

Nota: Já se publicou a sua biobibliografia.

Publicado por Violeta Teixeira em 27/01 às 02:25 AM
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HEROÍNA

«A heroína é descendente directa da morfina, e ambas são tão relacionadas que a heroína, ao penetrar na corrente sanguínea e ser processada pelo fígado, é transformada em morfina. A droga tem sua origem na papoila, planta da qual é extraído o ópio. Processado, o ópio produz a morfina, que em seguida é transformada em heroína. A papoila empregada na produção da droga é cultivada principalmente no México, Turquia, China, Índia e também nos países do chamado triângulo Dourado (Birmânia, Laos e Tailândia).

A morfina é um alcalóide natural do ópio, que deprime o sistema nervoso central, e foi a primeira droga opiácea a ser produzida em 1803. Como poderoso analgésico, suas propriedades foram amplamente empregadas para tratar de feridos durante a Guerra Civil Americana, em meados do século passado. No final do conflito, 45 mil veteranos encontravam-se viciados em morfina, o que despertou na comunidade médica a certeza de que a droga era perigosa e altamente causadora de dependência. Mesmo assim, nos Estados Unidos, a morfina continuou sendo usada para tratar tosse, diarreia, cólicas menstruais e dores de dente, sendo vendida não só em farmácias, mas também em doceiras e até por reembolso postal. Em consequência, o número de viciados começou a crescer, e os riscos representados pela droga eram cada vez mais evidentes, o que fez com que os cientistas passassem a procurar um substituto seguro para a morfina.
Em 1898, nos laboratórios da Bayer, na Alemanha, surgiu o que se acreditou na época ser o substituto ideal: a diacetilmorfina, uma substância três vezes mais potente que a morfina. Devido a essa potência, considerada “heróica”, a Bayer decidiu baptizar oficialmente a nova substância com o nome de heroína.
A heroína foi aplicada em viciados em morfina, e os cientistas comprovaram que a droga aliviava os sintomas de abstinência dos morfinômanos.
Durante doze anos acreditou-se que a heroína poderia substituir, segura e eficazmente, a morfina. Além das doenças anteriormente “tratadas” pela morfina, a heroína também foi usada como remédio para a cura do alcoolismo. Por ironia, ficou provado que a heroína é ainda mais viciante do que a morfina, podendo criar dependência em apenas algumas semanas de uso. Em 1912, os Estados Unidos assinaram um tratado internacional visando acabar com o comércio de ópio no mundo inteiro. Por causa disso, dois anos mais tarde, o Congresso norte-americano aprovou uma lei que restringiu o uso de opiáceos, e, na mesma década, criou mecanismos judiciais que tornavam a heroína ilegal. Isso levou a uma situação peculiar: antes de 1914, muitas pessoas se haviam tornado viciadas em heroína consumindo a droga como remédio; a partir desse ano os dependentes eram transformados em marginais que precisavam recorrer ao mercado negro para obter a droga e evitar os dolorosos sintomas da síndrome de abstinência. Ao ser consumida (geralmente por injecção intravenosa), a heroína pode causar inicialmente náusea e acessos de vomito, mas à medida que o organismo se adapta aos efeitos da droga o usuário passa a sentir-se num estado de excitação e euforia, às vezes semelhante ao prazer sexual. Simultaneamente a droga induz sensações de paz, alívio e satisfação, que se desvanecem algum tempo depois. Como o efeito é relativamente breve (mais ou menos 60 minutos), o usuário é impelido a consumir nova dose de droga. Dentro de algum tempo de uso constante, ele sentirá necessidade de quantidades cada vez maiores de heroína, não para sentir prazer, mas simplesmente para evitar os terríveis sintomas da abstinência. O viciado em heroína torna-se apático, letárgico e obcecado pela droga, perdendo todo interesse pelo mundo que o cerca. Ficar sem a droga significa um verdadeiro inferno para ele, que passa a sentir dores atrozes, febres, delírios, suores frios, náusea, diarreia, tremores, depressão, perda de apetite, fraqueza, crises de choro, vertigens, etc.
Apesar de tudo isso, algumas teorias recentes sustentam que ninguém morre de overdose de heroína, já que testes em animais mostraram que não existe uma dose letal da droga. Afirma-se que uma dose de heroína pode ser mortal para um viciado em certas ocasiões, mas em outras não.
Essas teorias consideram que, nesses casos, não é a heroína a causa da morte, mas sim um efeito semelhante ao choque causado pela injecção de misturas de heroína com outras substâncias utilizadas para adulterar a droga vendida ilegalmente. Como se não bastassem os perigos da heroína, ela ainda é consumida em coquetéis conhecidos como speedballs, onde a droga é misturada com anfetaminas ou cocaína. Esta última mistura foi responsável pela morte do cantor e comediante John Belushi, em 1982.
Da mesma forma que a heroína foi descoberta como remédio para a morfina, outras substâncias vêm sendo pesquisadas para resolver o problema do vício em heroína. Uma delas é a metadona, uma mistura química sintética que alivia os sintomas de abstinência de heroína. Sintetizada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, a metadona é um opiáceo produzido em laboratório, pouco mais potente que a morfina. Ela é quase tão eficaz quando aplicada por via intravenosa. Doses adequadas de metadona podem durar até 24 horas, e por isso a droga vem sendo empregada, nos Estados Unidos, para tratar viciados em heroína. Seu uso é totalmente restrito a clínicas e hospitais que aplicam a metadona em pacientes dependentes de heroína, que precisam da droga para escapar dos sintomas da síndrome de abstinência. Entretanto, o viciado que não receber a sua dose também está sujeito a sofrer diarreia, suores, insónia, e dores de estômago, provocados pela falta da substância.
Ela também é considerada altamente viciante, mas não produz a euforia gerada pela heroína. A metadona não causa tolerância e, a medida que o tratamento vai evoluindo, o usuário pode reduzir paulatinamente as doses até livrar-se do vício.»
********
A Heroína ou Diacetilmorfina é uma droga opióide natural ou sintética, produzida e derivada do ópio do bulbo de algumas espécies de papoila/papoula. O consumo regular de heroína causa sempre dependência física, envelhecimento acelerado e danos cerebrais irreversiveis, além de outros problemas de saúde. A heroína é a mais aditiva e perigosa droga recreativa em uso disseminado.

A sua composição é 3,6-diacetil-morfina (ou (5α,6αwink-7,8-didehidro-4,5-epoxi- 17-metilmorfinano-3,6-diol diacetato (éster)).
A heroína é fabricada a partir da morfina por acetilação. A produção da droga é feita a partir da morfina presente no ópio. O ópio é extraído dos bulbos da papoila do ópio, frequentemente roxa, Papaver somniferum. (A papoila vermelha comum (Papaver rhoeas), uma erva daninha nos campos agricolas, não contém praticamente nenhum narcótico, mas é moderadamente venenosa devido a outras substâncias.)
Administração
A injecção é preferida no abuso recreativo, devido ao efeito de prazer súbito intenso (denominado “orgasmo abdominal"). A inalação tem vindo a ganhar terreno, numa modalidade denominada “chasing the dragon”, com origens orientais, onde a disponibilidade de seringas e agulhas é menor.
Também pode ser ingerida, absorvida pela pele ou fumada. O consumo com cocaína ("speedballs" ou “moonrocks") tem vindo a generalizar-se.
A heroína é mais lipofílica do que os outros opióides, e que leva à sua absorção muito mais rápida para o cérebro. A rapidez de efeito é importante para os toxicodependentes, porque proporciona maiores concentrações inicialmente, traduzindo-se em prazer intenso após a injecção ("chuto"). No cérebro ela é imediatamente convertida em morfina por enzimas celulares.
Metabolizada no figado.Ultrapassa a barreira hemato-encefálica e a placenta: os filhos de consumidoras apresentam malformações aumentadas e profunda dependência.
A heroína é permitida em alguns países (e.g. Reino Unido), sob apertada vigilância, como analgésico de uso hospitalar. Para os demais usos é proibida.
Mecanismo de acção
A heroína é um agonista dos receptores opióides, um receptor de mediadores opióides fisiológicos, como as endorfinas e encefalinas, importante na regulação da dor. Ela imita as acções desses agonistas, mas é usada em doses muitas vezes superiores às que eles alguma vez atingem.
Os receptores opióides existem em neurónios de algumas zonas do cérebro, medula espinal e nos sistemas neuronais do intestino. A heroína activa todos os receptores opióides, mas os seus efeitos são largamente devidos à activação do subtipo mu.
O mecanismo prazer e bem-estar produzido pelo consumo da heroína não está completamente esclarecido, mas sabe-se que, como o das outras drogas recreativas, é devido a interferência nas vias dopaminérgicas (vias que utilizam o neurotransmissor dopamina) meso-límbicas-meso-corticais. As vias dopaminérgicas que relacionam o sistema límbico (região das emoções e aprendizagem) e o córtex (região dos mecanismos conscientes) são importantes na produção de prazer. Normalmente, elas só são activadas de forma limitada em circunstâncias especificas, ligadas à recompensa da aprendizagem e dos comportamentos bem sucedidos a nivel de obtenção de recursos, conhecimentos ou ligações sociais ou sexuais importantes para o sucesso do individuo. No consumo de droga, estas vias são modificadas e pervertidas ("highjacked") e passam a responder de forma positiva apenas ao disturbio bioquimico cerebral criado pela própria droga. Grande parte da motivação do individuo passa assim para a obtenção e consumo da droga, e os interesses sociais, familiares, ambição profissional, aprendizagem e outros factores não directamente importantes para a sua obtenção são com o consumo crescente cada vez mais desleixados, sem que muitas vezes o individuo tome decisões conscientes nesse sentido.
A dependência é devida à regulação dos receptores. O heroímano tem concentrações de opióide muito altas entre as sinapses de forma continua. Essas concentrações são detectadas pelos neurónios, levando-os a reduzir, por feedback negativo, as concentrações de endorfinas que libertam, e a diminuir os efeitos de cada activação dos receptores (através da diminuição dos mediadores intracelulares por eles libertados, ou pela maior inibição por outros neurónios). O individuo fica então totalmente dependente das altas concentrações de opióides externas, porque os seus neurónios já quase não produzem opióides fisiológicos, e os receptores estão insensibilizados. São necessárias concentrações cada vez maiores para os mesmos efeitos, e até para a pessoa se sentir normal.
Efeitos
A heroína tem efeitos similares aos outros opióides.»

Publicado por Violeta Teixeira em 27/01 às 02:13 AM
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