Domingo, 31 Dezembro, 2006

LOUCURA/ESCRITOR

A Loucura é uma Destilação Decisiva
Nestes séculos, o escritor tem mantido uma conversa com a loucura. Podemos quase dizer que o escritor do século vinte aspira à loucura. Alguns conseguiram-no, evidentemente, e ocupam lugares especiais na nossa consideração. Para um escritor, a loucura é uma destilação decisiva do eu, uma edição decisiva. É o submergir das vozes enganadoras.

Don DeLillo, in ‘Os Nomes’
In CITADOR

«Don DeLillo nasceu em 1936, em Nova Iorque, EUA. “Os Nomes” foi publicado em 1982.»

“Os Nomes”, de Don DeLillo,
na Colecção Mil Folhas
É um dos maiores escritores norte-americanos vivos, escreveu 10 romances, vários textos dramatúrgicos e inúmeras “short stories” e a sua obra continua a exercer uma profunda influência em autores como Jonathan Frazen ou Jeffrey Eugenides. Thomas Pynchon não lhe poupa elogios, Martin Amis colou-lhe o epíteto jocoso de “poeta da paranóia”.


“Tornei-me escritor por viver em Nova Iorque, vendo, ouvindo e sentindo todas as coisas grandiosas, extraordinárias e perigosas que a cidade nos mostra sem cessar. E também me tornei escritor por evitar compromissos sérios com o que quer que fosse.”



Publicado por Violeta Teixeira em 31/12 às 03:35 PM
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LANGUIDEZ/DESISTÊNCIA

Desenho da autoria de Humberto Antunes (olhares.com)

“Porque a vida é melancolia, tristeza e decepção.”
«Desistência, languidez. Nada há mais que uma eterna passividade. O sangue não mais flui quente, mas flui por fluir…
Todos estes anos foram de repreensão, censura e limitação, e as fronteiras tornaram-se tão grandes e fortes! Não fronteiras físicas… posso ir a qualquer lugar que desejar, mas sim as fronteiras sentimentais… psicológicas, mentais… Não sou capaz de entrar ali, naquele salão e dizer - Amo-te. A iniciativa extinguiu-se há muito. Mas em todos estes anos a tristeza tem me moldado, meus desejos têm controlado-se. Basta-me olhar-te e por enquanto sinto-me saciado. Até que a sede aumente incontrolavelmente há de sumir, ei de esquecer-te. Sempre haverá sede, paixões diversas, mas sempre desaparecerá antes de forçar-me a dizer - Amo-te. E jamais deixarei de saciar-me com um belo olhar...»

In DIRECTRIZES (blog brasileiro)

Publicado por Violeta Teixeira em 31/12 às 03:18 PM
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A ANGÚSTIA

Pablo Picasso

A angústia transborda,
Inunda, alaga,
Apodrece as raízes
Das árvores.

Náufraga, se segura
A poetisa
Aos cabelos de uma
Lua ruiva que, logo,
Se empalidece, fugidia,
Entre os dedos.

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 31/12 às 02:48 PM
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JUVENTUDE/VELHICE

Foto da autoria de Humberto Antunes (olhares.com)

«Creio que se pode traçar uma fronteira muito precisa entre a juventude e a velhice. A juventude acaba quando termina o egoísmo, a velhice começa com a vida para os outros. Ou seja: os jovens têm muito prazer e muita dor com as suas vidas, porque eles a vivem só para eles. Por isso todos os desejos e quedas são importantes, todas as alegrias e dores são vividas plenamente, e alguns, quando não vêem os seus desejos cumpridos, desperdiçam toda uma vida. Isso é a juventude. Mas para a maior parte das pessoas vem o tempo em que tudo se modifica, em que vivem mais para os outros, não por virtude, mas porque é assim. A maior parte constitui família. Pensa-se menos em nós próprios e nos nossos desejos quando se tem filhos. Outros perdem o egoísmo num escritório, na política, na arte ou na ciência. A juventude quer brincar, os adultos trabalhar.
Não há quem se case para ter filhos, mas quando chegam, modificamo-nos, e acabamos por perceber que tudo aconteceu por eles. Da mesma forma, a juventude gosta de falar na morte, mas nunca pensa nela; com os velhos acontece o contrário. Os jovens acreditam ser eternos e centram todos os desejos e pensamentos sobre si próprios. Os velhos já perceberam que o fim vai chegar e que tudo o que se tem e se faz para si próprio acaba por cair num buraco e de nada valeu. Para isso necessita de uma outra eternidade e de acreditar que não trabalhou apenas para os vermes. Por isso existe a mulher e os filhos, o negócio ou o escritório e a pátria, para que se tenha a noção de que o esforço diário e as calamidades têm um sentido.
Assim, uma pessoa é mais feliz quando vive para mais alguém, e não para si só. Mas os velhos não devem fazer disso um heroísmo, que não é. Do mais irrequieto jovem resulta o melhor dos velhos, o que não é verdade para aqueles que já na escola agiam como velhos...»

Hermann Hesse, in «Gertrud»

Nota: já se publicou a biobibliografia deste grande escritor.

Publicado por Violeta Teixeira em 31/12 às 11:38 AM
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Sábado, 30 Dezembro, 2006

A BELEZA

Gustav Climt

A beleza é efémera. Eu sei.
Dolorosamente.
Angustiadamente. Eu sei.

Por isso, finda que for,
No olhar do outro,
A aranha, que me sou,
Tecerá, negríssima,
A derradeira teia.

Faça silêncio, o leitor,
E, antes que a tecedeira
Se despeça das babas, dos fios,
Dos fusos, dê-me a boca a beijar,
Como um amante.

Abrace-me. Faça-me amor,
Como se o tempo a haver não
Houvera, nem fora efémera
A Primavera.

Mas, por favor, não me traga
Flores, nesse Inverno a vir,
Que eu o adorno de orvalhos
Azulinos e de um vago rumor
De galhos, se partindo.

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 30/12 às 10:00 AM
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O MEDO

«De onde aprendi desde então que o medo recíproco era aquele que governava o mundo.»

Vittorio Alfieri

«Niccolò Vittorio Alfieri (* 17 de janeiro de 1749, em Asti, Itália; † 8 de outubro de 1803, em Florença, Itália), escritor italiano.
Filho de uma família aristocrata piemontesa, abandonou os estudos aos dezessete anos para viajar pela Europa. Consciente da necessidade de tornar a Itália uma nação, retornou ao seu país. Escreveu dezesstete tragédias, entre as quais: Saul, Antígona e Maria Stuart. Além disso, escreveu apelos à liberdade, à ação contra os tiranos e ao patriotismo.
Amante da condessa de Albany, viveu em Paris na época de Revolução Francesa. Fugiu de lá durante o terror jacobino, indo viver em Florença. Apesar de contrário ao absolutismo, desiludiu-se com os excessos da Revolução Francesa a ponto de, em 1798, escrever a sátira Il Misogallo, violento panfleto contra o jacobinismo.
Após sua morte, em Florença, a condessa de Albany, mandou construir um magnífico sepulcro na Igreja de Santa Croce. Alfieri escreveu ainda Della Tirannide (1777), sonetos que forma reunidos sob o título de Rime e a autobiografia Vita (1790/1803).»

In WIKIPÉDIA

Publicado por Violeta Teixeira em 30/12 às 09:51 AM
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Sexta-feira, 29 Dezembro, 2006

«NADA PIOR QUE UM MAL-ENTENDIDO»

«Uma bagatela, como se sabe, leva uma vida depreciada e desprezada - depois, vinga-se; porque o mal-entendido, sobretudo quando toma uma forma violenta e má, radica naturalmente numa bagatela; senão, não haveria mal-entendido, mas essencialmente discórdia.
O que caracteriza o mal-entendido é o seguinte: aquilo que para um é importante, é insignificante para o outro, mas no sentido de que, no fundo, as duas pessoas estão separadas por uma bagatela; estão desunidas no seu mal-entendido porque não arranjaram tempo para começarem a entender-se.
Pois, no fundo de todo o «desacordo real», há um acordo: «o mal-entendido» sem fundamento reside na falta de compreensão prévia sem a qual acordo e desacordo são, um e outro, um mal-entendido. Este pode, pois, desaparecer e transformar-se em desacordo real; porque se duas pessoas estão em desacordo real não há aí um mal-entendido, estão precisamente em desacordo real porque se compreendem mutuamente.»

Soren Kierkegaard, in ‘Ponto de Vista Explicativo da Minha Obra de Escritor’

«Søren Kierkegaard, ou Søren Aabye Kierkegaard (5 de Maio de 1813 - 11 de Novembro de 1855) foi um teólogo e um filósofo dinamarquês do século XIX, que é conhecido por ser o “pai” do existencialismo.»

Publicado por Violeta Teixeira em 29/12 às 04:05 AM
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QUANDO ACORDOU JÁ O SOL ESTAVA MORTO

Joan Miró

Quando acordou já o Sol estava morto,
Dentro dos seus olhos amarelo - esverdeados,
De lagarto. Não fora ele o assassino, porque, aliás,
Se o Sol já tinha sido, ele jamais o havia visto
Redondo e dourado, rubro ou ruborizado,
Empalidecido e triste, como o haviam descrito,
No tempo em se cegara, numa cela
Escancarada de iníqua exclusão, pelo facto
Dos seus olhos reclusarem, em segundos,
Horizontes infinitos, fossem da terra ou fossem dos
Céus, do dentro ou do fora dos seus semelhantes,
Que caíssem, por um infausto acaso, no seu espaço,
Incomensuravelmente exíguo, mas sem fundo.

Quando chegou ao termo da sua condenação,
A cela toldou-se de uma cegueira de iluminado.

Passou, então, a ser acusado de demência esclarecida
E cegante. Assustou-se o ser livre, o vidente, e ficou
Para todo o sempre aprisionado numa cela, sem muros,
Com todo o mundo à alerta, vigiando e protegendo os seus
Gestos excêntricos, os seus passos de snob satânico, o mais
Ínfimo mover de lábios ou de olhos ou das maças do rosto.

Deleita-se, desmesuradamente, com a derrocada dos livres, com
Cataclismos cósmicos, com reclusos - reclusos, com a decadência
Dos soalhos e dos tectos, que não pisa, que não vê, com todos os
Emparedados, do sem álcool, sem ervas, sem heroína, sem ópios.

Consagra os seus ódios, excessiva e comedidamente, contra
O assassino do Astro luzente, embora não creia que tenha,
Alguma vez, brilhado uma aurora sobre a sua seara, ou nascido
Luz da boca de alguma noite cerrada de breu, tal como não crê
Na unicidade do eu, na existência de um deus, nem em coisa
Nenhuma, a não ser na extinção radical da urbana humanidade.

Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 29/12 às 03:04 AM
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ANO NOVO

FUNCHAL

ANO NOVO
O Ano Novo é um evento que acontece quando uma cultura celebra o fim de um ano e o começo do próximo. Todas culturas que têm calendários anuais celebram o “Ano Novo”. A celebração do evento é também chamada réveillon, termo oriundo do verbo réveiller, que em francês significa “despertar”.
A comemoração ocidental tem origem num decreto do governador romano Júlio César, que fixou o 1º de janeiro como o Dia do Ano Novo em 46 a.C. Os romanos dedicavam esse dia a Jano, o deus dos portões. O mês de Janeiro, deriva do nome de Jano, que tinha duas faces - uma voltada para frente e a outra para trás.
Celebrações modernas de Ano Novo
1º de janeiro: Culturas ocidentais nas quais o ano começa em janeiro.
• Em Nova Iorque a celebração mais famosa de Ano-Novo é a de Times Square - onde uma bola gigante começa a descer às 23 horas e 59 minutos até atingir o prédio em que está instalada, marcando exactamente zero hora (00:00:00).
• No Rio de Janeiro a celebração mais famosa é a dos fogos de artifício em Copacabana. Milhares de cariocas e turistas juntam-se nas ruas à beira-mar e nas praias para assistirem ao interminável espectáculo, que começa prontamente à meia-noite do novo ano.
• Em São Paulo a Avenida Paulista é o palco de atracções e queima de fogos. Em 31 de Dezembro de 2005, a festa reuniu mais de 2 milhões de pessoas.
• Na Escócia há muitos costumes especiais associados ao Ano Novo - como a tradição de ser a primeira pessoa a pisar a propriedade do vizinho, conhecida como first-footing (primeira pisada). São também dados presentes simbólicos para desejar boa sorte, incluindo biscoitos.
• Em muitos países, as pessoas têm o costume de soltar fogos de artifício em suas casas, como é o caso do Brasil, dos Países Baixos e de outros países europeus.
• Muitas pessoas tomam decisões de Ano Novo, ou fazem promessas de coisas que esperam conseguir no novo ano. Elas podem desejar perder peso, parar de fumar, economizar dinheiro e arrumar um amor para suas vidas.
• Em países de língua inglesa, cantar e/ou tocar a música Auld Lang Syne é muito popular logo após a meia-noite.

No antigo Egipto, há 3750 anos antes de Cristo! A estrela Sirius alinhava-se com a estrela Canopus no rumo Sul ao centro da Via Láctea; Exactamente à zero hora sobre as Pirâmides de Guiza.
O calendário egípcio deu lugar ao cristão. O primeiro minuto de Janeiro, abre-se a janela do Ano-Novo! *** Orion * Sirius. Até os dias de hoje.
Feliz Ano-Novo em outras línguas
• Português: Feliz Ano-Novo
• Alemão: Glückliches Neues Jahr
• Dinamarquês: Nytar
• Espanhol:Feliz Año Nuevo
• Esperanto: Feliĉigan Novan Jaron
• Francês: Heureuse Nouvelle Année
• Galego: Feliz Aninovo
• Hebraico: Shaná Tová
• Inglês: Happy New Year
• Italiano: Felice Nuovo Anno
• Japonês: 明けましておめでとうございます(akemashite omedetou gozaimasu)
• Russo: Счастливого Нового Года {Schastlivogo Novogo Goda}
• Bulgaro: Честита Нова Година /Chestita Nova Godina/

Retirado de “http://pt.wikipedia.org/wiki/Ano-Novo”

Publicado por Violeta Teixeira em 29/12 às 02:01 AM
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Quinta-feira, 28 Dezembro, 2006

PRAZER E DOR

«Os filósofos têm tentado abalar todas as nossas certezas e mostrar que do mundo conhecemos apenas aparências. Possuiremos sempre, porém, duas grandes certezas, que nada poderia destruir: o prazer e a dor. Toda a nossa actividade deriva delas. As recompensas sociais, os paraísos e os infernos criados pelos códigos religiosos ou civis baseiam-se na acção dessas certezas, cuja evidente realidade não pode ser contestada.
Desde que a vida se manifesta, surgem o prazer e a dor. Não é o pensamento, mas a sensibilidade, que nos revela o nosso “eu”. Se dissesse: “Sinto, logo existo” ao invés de: “Penso, logo existo”, Descartes estaria muito perto da verdade. Assim modificada, a sua fórmula aplica-se a todos os seres e não a uma fração apenas da humanidade. Dessas duas certezas poder-se-ia deduzir a completa filosofia prática da vida. Fornecem uma resposta segura à eterna pergunta tão repetida desde o Eclesiastes: por que tanto trabalho e tantos esforços, já que a morte nos espera e o nosso planeta se extingará um dia?
Porquê? Porque o presente ignora o futuro e no presente a Natureza condena-nos a procurar o prazer e a evitar a dor.
O operário, curvado sob o peso do trabalho, a irmã de caridade, a quem não repugna nenhuma chaga, o missionário torturado pelos selvagens, o sábio que procura a solução de um problema, o obscuro micróbio que se agita no fundo de uma gota d’água, todos obedecem aos mesmos estimulantes de atividade: o atractivo do prazer, o receio da dor.
Nenhuma atividade tem outro móbil. Não poderíamos mesmo imaginar móbis diferentes desses. Só os nomes podem variar. Prazeres estéticos, guerreiros, religiosos, sexuais, etc., são formas diversas do mesmo aspecto fisiológico A actividade dos seres se dissiparia se desaparecessem as duas certezas que são os seus grandes móbis: o prazer e a dor.»

Gustave Le Bon, in ‘As Opiniões e as Crenças’

Gustave Le Bon (7 de maio de 1841 a 13 de dezembro de 1931) foi um psicólogo francês.

Publicado por Violeta Teixeira em 28/12 às 02:24 PM
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DOR

«Não se tem razão quando se diz que o tempo cura tudo: de repente, as velhas dores tornam-se lancinantes e só morrem com o homem.»

Ilya Ehrenburg, “Um Escritor na Revolução”

«Ilya Ehrenburg nasceu no dia 26 de Janeiro de 1891 em Kíev, na Ucrânia. De ascendência judaica, mudou-se com a família para Moscovo quando tinha apenas cinco anos. Foi preso em 1908 por actividades revolucionárias, emigrando para França após a libertação. A sua primeira colectânea de versos, intitulada Stikhi, aparece em 1910. Em Paris torna-se amigo de Picasso, Apollinaire, Léger, entre outros, ganhando a vida como correspondente de vários jornais russos. Autor de romances, pequenas histórias, poemas, fez parte do grupo construtivista, tendo-se oposto ao Realismo Socialista de Gorky. Recebeu o Prémio Estaline em 1942 e 1948 e manteve alguma actividade política relevante, assumindo posições por vezes controversas, nos últimos anos da sua vida. Morreu em Moscovo no dia 31 de Agosto de 1967.»

Publicado por Violeta Teixeira em 28/12 às 02:09 PM
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NÃO ME FAÇAS FISSURAS NO SILÊNCIO

Não me faças
Fissuras no silêncio.

Estou a tecê-lo…
A tecê-lo…

Bicho ferido e mudo,
Estou a tecê-lo…
A tecê-lo…

Meu xaile de luto…
Estou a tecê-lo…
A tecê-lo…

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 28/12 às 01:41 PM
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Quarta-feira, 27 Dezembro, 2006

«PENSAR É DESTRUIR»

Desenho de Almada Negreiros

«O homem vulgar, por mais dura que lhe seja a vida, tem ao menos a felicidade de a não pensar. Viver a vida decorrentemente, exteriormente, como um gato ou um cão - assim fazem os homens gerais, e assim se deve viver a vida para que possa contar a satisfação do gato e do cão.
Pensar é destruir. O próprio processo do pensamento o indica para o mesmo pensamento, porque pensar é decompor. Se os homens soubessem meditar no mistério da vida, se soubessem sentir as mil complexidades que espiam a alma em cada pormenor da acção, não agiriam nunca, não viveriam até. Matar-se-iam assustados, como os que se suicidam para não ser guilhotinados no dia seguinte.»
Bernardo Soares (Fernando Pessoa), in «O Livro do Desassossego»’

Publicado por Violeta Teixeira em 27/12 às 08:02 PM
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ANALISA-SE

J. Miró

Analisa-se. Mas não realiza
Se, de tão repetida, sendo, talvez,
Fictícia a versão, se fez verídica,
Irrefutável para si mesma.

Terá sido derrubada a sebe,
Sempre débil, erguida entre
A clareira luzida e a morada
Das sombras movediças e, por
Certo, mórbidas? Não sabe.
Não tem acesso nem a um, nem
A outro desses crípticos recintos.

Analisa-se. Sofre de disfunção
Cognitiva? Quem lhe abre a porta desse
Inferno? Quem haverá que a salve,
Lavrando o seu chão de luz?

Violeta Teixeira, inédito (ORGIAS DE ESQUECIMENTO)

Publicado por Violeta Teixeira em 27/12 às 04:13 AM
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Terça-feira, 26 Dezembro, 2006

DONOS DO NOSSO «DESTINO»

«Dentro de nós está o poder do consentimento para a saúde e a doença, a riqueza e a pobreza, a liberdade e a escravidão; somos nós que controlamos isso e não os outros.»

Richard Bach

Nota: já se publicou a biobibliografia deste grande escritor.

Publicado por Violeta Teixeira em 26/12 às 08:16 PM
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