Sábado, 30 Setembro, 2006
OS MELHORES MOMENTOS DO AMOR
Marc Chagall
«Nos transportes do amor, na conversa com a amada, nos favores que recebes dela, até nos mais extremos, vais mais em busca da felicidade do que à tentação de provar isso de que o teu coração agitado sente uma grande falta, um não-sei-quê de menos do que ele esperava, um desejo de algo, mesmo de muito mais. Os melhores momentos do amor são aqueles de uma tranquila e doce melancolia em que choras e não sabes porquê, e te resignas quase na quietude a um infortúnio que desconheces. Nessa quietude, a tua alma está quase cumulada, e quase sente o gosto da felicidade. Assim como no amor, que é o estado da alma mais rico de prazeres e ilusões, a melhor parte, a via mais correcta para o prazer e para uma sombra de felicidade é a dor.
(...) Quando um homem concebe o amor, o mundo inteiro se dissipa aos seus olhos, ele não vê nada além do ser amado, está no meio da multidão, das conversas, em plena solidão, abstraído, fazendo os gestos que lhe inspira esse pensamento sempre imóvel e muito poderoso, sem se preocupar com a surpresa nem com o desprezo alheios, ele se esquece de tudo e tudo lhe parece tedioso sem esse único pensamento, essa única visão. Nunca tive a experiência de um pensamento que solta a alma com tanto poder de todas as coisas que a circundam quanto o amor, e quero dizer que na ausência do ser amado, na presença de quem não se pode dizer o que acontece, com excepção, por vezes, do grande medo, que a rigor poderia ser-lhe comparado.»
Giacomo Leopardi, in «Pensamentos Diversos»
Nota: já se publicou a sua biobibliografia.
Publicado por Violeta Teixeira em 30/09 às 10:15 AM
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O AMOR
Gustav Climt
«O amor nasce do repentino desejo de tornar eterno o passageiro.»
Ramón Goméz de la Serna
Nota: Já se publicou a sua biobibliografia.
Publicado por Violeta Teixeira em 30/09 às 10:05 AM
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CONVOCO
Mondigliani
Para o Luca
Convoco, sonhando o ontem,
O silêncio molhado
E quente do teu corpo.
Violeta Teixeira, inédito ( ROSAS DE JERICHÓ)
Publicado por Violeta Teixeira em 30/09 às 09:51 AM
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Sexta-feira, 29 Setembro, 2006
PROVÉRBIOS ÁRABES
«A CONDIÇÃO HUMANA
As limitações, as contingências, as dificuldades, a dor, as contrariedades e desgostos (e, também, os consolos e a ação da divina providência) estão presentes nos provérbios de todas as culturas. Os provérbios árabes, certamente, também fazem esses registros e procuram orientar o homem para que viva sabiamente em sua realidade. Mas, para além de qualquer fatalismo, alguns amthal apontam também para o fato de que das dificuldades podemos tirar proveito em termos de vivência e crescimento enquanto seres humanos.»
O mar brigou com o vento e quem virou… foi a barquinha
O pobre achou uma tâmara seca no caminho
e disse-lhe: “Aonde devo ir para te comer em paz?”
Com um bom conselho, antigamente ganhava-se um camelo;
hoje, a inimizade…
Quem não provou o amargo não sabe apreciar o doce
A dor mais amarga é a dor presente.
O mundo é um moinho d’água:
os que têm se esvaziam;
os que não têm recebem em abundância..
Cada um tem o seu dia!
Há, na terra, lugar para todos.
Publicado por Violeta Teixeira em 29/09 às 03:52 AM
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MESQUITA
«Uma mesquita(em árabe:مسجد
é um local de culto para os seguidores do islão. Os muçulmanos frequentemente referem-se à mesquita utilizando o seu nome em árabe, masjid (plural: masajid). A palavra masjid significa templo ou local de culto e deriva da raíz árabe sajada (raíz s-j-d, “prostrar-se”, em alusão às prostrações realizadas durante as orações islâmicas). A palavra mesquita é usada para se referir a todos os tipos de edifícios dedicados ao culto muçulmano, embora em árabe seja feita uma distinção entre a mesquitas de dimensões menores e as mesquita de maior dimensão, que possuem estruturas sociais. Estas últimas são denominadas como “masjid jami”.
O objectivo principal da mesquita é servir como local onde os muçulmanos possam se encontrar para rezar. No entanto, as mesquitas são também conhecidas pela seu papel comunitário e por serem as formas mais expressivas da arquitectura islâmica. Elas evoluíram significativamente desde os espaços ao ar livre que eram a Mesquita Quba e o Masjid al-Nabawi do século VII d.C.. Hoje em dia, a maioria das mesquitas possuem cúpulas, minaretes e salas de oração que podem assumir formas elaboradas. Surgidas na Península Arábica, as mesquitas podem ser encontradas em todos os continentes em que existem comunidades muçulmanas. Não são apenas locais para o culto e a oração, mas também locais onde se pode aprender sobre o islão e conviver com outros crentes.»
Publicado por Violeta Teixeira em 29/09 às 03:33 AM
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OBSERVO
Observo do pátio pétreo
Do presente:
Uma névoa espessa
E cinzenta envolve
Uma antiga
Mesquita,
Plantada
Numa encosta rochosa,
Dando para o vale
Do olvido.
A cúpula, essa,
É uma cabeça decepada,
Se balanceando
Na corda das
Iníquas
Brumas
Da
História.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 29/09 às 03:19 AM
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Quinta-feira, 28 Setembro, 2006
A LUA
Miró
«A lua é o espelhinho com que o sol se entretém de noite a inquietar os olhos da terra.»
Ramon Gómez de la Serna
Nota: já se publicou a sua biobibliografia.
Publicado por Violeta Teixeira em 28/09 às 02:19 PM
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ESCREVEMOS
Gustav Climt
Escrevemos,
Até as palavras
Serem carne,
E o poema
A foz
Do nosso gozo.
Violeta Teixeira, inédito ( ORGIAS DE ESQUECIMENTO)
Publicado por Violeta Teixeira em 28/09 às 07:34 AM
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Quarta-feira, 27 Setembro, 2006
AMIZADE
Gustav Climt
«Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade.»
In A CASA DOS PENSAMENTOS
Publicado por Violeta Teixeira em 27/09 às 09:32 AM
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MASTURBAÇÃO
Gustave Climt
«Na Grécia Antiga, de moralidade sexual muito livre, comparada à Ocidental actual, a masturbação era um acto sexual usual e aceite como natural. Com a chegada da cultura judaico-cristã no Ocidente, iniciou-se um processo de repressão, por motivos morais e religiosos. Nomeadamente, o desperdício voluntário de esperma (ou sêmen) era pecado grave, punido, algumas vezes, até com pena de morte. Este fenómeno teve dois grandes responsáveis: a Igreja Católica e a Medicina. A Igreja Católica, através do teólogo São Tomas de Aquino, classificou-a como um pecado contra natureza, mesmo pior do que incesto. Ele se baseava na interpretação da narrativa (critica-se, errónea) do Antigo Testamento sobre Onã. A descoberta do espermatozóide, em 1677, motivou a Medicina a se associar à Igreja Católica para qualificar a masturbação como uma doença abominável e um mal moral, uma vez que o espermatozóide veio a ser considerado como um bebé em miniatura.
A repressão da masturbação foi, consequentemente, a regra nos Séculos XVII a XIX. Era vista como uma doença que provocava distúrbios do estômago e da digestão, perda do apetite ou fome voraz, vómitos, náuseas, debilitação dos órgãos respiratórios, tosse, rouquidão, paralisias, enfraquecimento do órgão de procriação a ponto de causar impotência, falta de desejo sexual e ejaculações nocturnas e diurnas. Em 1758, Samuel Auguste Tissot publica o “Ensaio sobre as doenças decorrentes do Onanismo”, em que diz que esta doença ataca os jovens e libidinosos e, embora comam bem, emagrecem e consomem seu vigor juvenil.
Criaram-se mitos anti-científicos fortemente negativos acerca da prática da masturbação, visando a desencorajar o acto nos jovens ainda em desenvolvimento psicosexual, o que levou a muitos casos de complexos de culpa, medos e recalcamentos.
No entanto, no início do Século XX, surgiram novos estudiosos com Sigmund Freud, Kraft-Hebing e Havelock Ellis, com novas linhas de pensamento que levaram a uma visão diferente da masturbação.
No entanto, o peso histórico da carga negativa e pecaminosa desta actividade ainda existe em algumas pessoas, inibindo-as da vivência plena de sua sexualidade ou mesmo atrofiando o seu natural desenvolvimento psicossexual. Atualmente, o novo Catecismo da Igreja Católica classifica-a de “desordem moral” a ser vencida pelo crente.
Análise Psicológica
Alguns psicólogos defendem a masturbação na adolescência como essencial para o auto conhecimento das zonas erógenas e da sua resposta sexual, para o exercício das fantasias sexuais, e nos casos de impossibilidade de se ter um relacionamento sexual, desde que não seja em excesso ou se torne numa obsessão. Estudos científicos comprovam que o orgasmo resultante da masturbação pode ser tão intenso ou mais do que o resultante de uma relação sexual. Em geral, a masturbação tende a diminuir e até desaparecer completamente por volta dos 25 anos; mas para a maioria das pessoas, independentemente do seu envolvimento ou não em actividades sexuais, torna-se uma prática saudável complementar que permanece até a velhice, sem maiores intercorrências.
Há algumas correntes da psicologia que defendem que a prática da masturbação pode ser prejudicial à vida conjugal futura, quando um(a) jovem acostumado à rápida satisfação sexual por meio da masturbação acaba por desconsiderar egoisticamente as necessidades de satisfação sexual do seu parceiro(a), podendo gerar problemas no seu relacionamento sexual e afectivo.
Para além disto, pode constituir um problema psicológico, quando uma pessoa adulta prefere obter satisfação sexual unicamente pela masturbação, em vez de uma relação sexual. A masturbação compulsiva não é uma mera busca ocasional de alívio da ansiedade ou da tensão; torna-se numa prejudicial válvula de escape da realidade, podendo tornar-se numa dependência psicológica fortissíma. Nestes casos, a pessoa deverá procurar um acompanhamento psicológico, identificar as causas do seu comportamento e, depois, lidar com elas.
Origem do termo “onanismo” e sua crítica
Embora se use frequentemente o termo onanismo quando se fala da masturbação, muitos consideram-no inapropriado. Segundo o relato bíblico, Er, o primogénito de Judá, teria sido executado por Deus por um motivo grave não mencionado. Como ele não tinha descêndencia, Judá mandou que Onã, seu segundo filho, realizasse o casamento de cunhado (ou casamento levirato) com Tamar, viúva de Er. (Génesis 38:6-8) Se tivessem um filho, a herança de primogénito lhe pertenceria como herdeiro legal de Er. Se não tivesse um herdeiro, Onã ficaria com a herança de primogénito. Ao ter relações sexuais com Tamar, ele “desperdiçou o seu esperma na terra”, em vez de inseminá-la. Não se tratava de um acto de masturbação por parte de Onã, pois o relato diz que ele “teve relações com a esposa de seu irmão”. O que aconteceu foi, na verdade, um caso de coito interrompido. Onã, que não tinha filhos, terá sido executado por Deus por causa de sua cobiça e desobediência deliberada da Lei. (Génesis 38:9-10).»
Publicado por Violeta Teixeira em 27/09 às 03:15 AM
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QUANDO TE DESNUDAS
Para o Nuno
Quanso te desnudas
Acendes-me os
Gestos
Que, a sós,
Me Faço.
Exultas.
Apago-os.
Violeta Teixeira, inédito
Publicado por Violeta Teixeira em 27/09 às 01:42 AM
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Terça-feira, 26 Setembro, 2006
VIOLÊNCIA
Thoreau
«Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.»
Bertolt Brecht
Nota: já se publicou a biobibliografia de Brecht.
Publicado por Violeta Teixeira em 26/09 às 02:41 PM
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BASTAVA
Moun
Bastava. Bastava uma
Palavra saída do silêncio.
Virtual, embora.
Talvez bastara apenas
Uma vogal
Vermelha, aberta:
Brecha de ar, na opacidade
Aspérrima e negra
Daquela hora.
Violeta Teixeira, inédito (BOLORES DE AUSÊNCIAS)
Publicado por Violeta Teixeira em 26/09 às 08:01 AM
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Segunda-feira, 25 Setembro, 2006
DEPRAVAÇÃO E GÉNIO
Pablo Picasso
«Uma vez que a maior parte das pessoas encara a santidade como qualquer coisa insulsa e conforme a uma pureza legal, é provável que a depravação represente uma maneira do génio dos sentidos, quer dizer, de desvio até ao extremo de uma vertente descida em liberdade e exterior às regras. Disto resulta que o génio, tal como é aceite, ou antes, tal como é tolerado, constitua uma depravação espiritual análoga a uma depravação dos sentidos. Muitas vezes uma arrasta a outra, e é raro um génio das letras, da escultura ou da pintura não se denunciar e, mesmo que lá não meta a sua carne, fazer prova de uma liberdade de ver, sentir e admirar que ultrapassa os limites consentidos.
(...) Acontece que nos interrogamos com estupefacção sobre as inúmeras depravações de bairro limítrofe que a polícia e os hospitais testemunham. Só poderemos ver nelas o meandro onde os medíocres se perdem quando decidem deixar-se arrastar e sair das regras que lhes foram destinadas.
Traduzam-se estas depravações noutra língua, dê-se-lhes elevação, transcendência, sejam elas revestidas de inteligência, e obter-se-à uma imagem em ponto pequeno das altas depravações que as obras-primas da arte nos valem.
Tal como Picasso apanha o que encontra no lixo e o eleva à dignidade de servir, Proust emprega sem hesitar as suas pequenas depravações secretas para fazer delas uma rica psicologia. Compreendeis o que quero dizer.
É evidente que a admiração obedece aos mesmos mecanismos; porque ela não nos interessa se não for por uma erecção da alma que escapa ao nosso domínio; e de outro modo passa a corresponder ao platonismo, ao diletantismo, ao esteticismo, numa palavra, ao bom gosto que julga obrigatoriamente ao contrário de uma forma de sensualidade transcendente.»
Jean Cocteau, in «Visão Invisível»
Nota: já se publicou a biobibliografia de Cocteau.
Publicado por Violeta Teixeira em 25/09 às 01:11 AM
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RENÉ CHAR
«Aquilo que vem ao mundo para nada perturbar não merece nem contemplações nem paciência.»
René Char
René Char (1907-1988), um dos mais importantes poetas franceses no século XX. Char aderiu ao movimento surrealista em 1929. Naquele momento, enquanto os grandes nomes do grupo — Louis Aragon, Paul Éluard, André Breton — já eram homens maduros, Char contava apenas 22 anos. Mas sua permanência no grupo durou somente até 1934. A partir daí sua poesia tomou rumos mais pessoais, embora tenha guardado, até o fim, certas marcas do surrealismo.
Para o destacado crítico francês Maurice Blanchot, os escritos de Char são uma “revelação poética”. Nascido na Provença, o poeta conserva em seus versos (muitas vezes em forma de prosa) o mundo da terra, dos rios, dos animais. Mas seu lirismo não é de fácil leitura. Por causa de suas metáforas enigmáticas, há quem o acuse de abusar do hermetismo para seduzir leitores universitários ciosos de vanguardismos e mistérios. Exagero. O certo é que Char escreveu algumas das páginas mais interessantes da poesia contemporânea.
Outro aspecto importantíssimo da biografia de Char foi sua ativa participação na Resistência antinazista, na qual atuou com o nome de guerra de capitão Alexandre. Seu livro Feuillets d’Hypnos (Folhas de Hipnos), de 1946, relata a experiência nos anos da guerra. Por sua atuação, Char foi nomeado Cavaleiro da Legião de Honra e Oficial das Artes e Letras. Também recebeu a Medalha da Resistência e a Cruz de Guerra.
Carlos Machado
Publicado por Violeta Teixeira em 25/09 às 12:54 AM
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