Quinta-feira, 31 Agosto, 2006
GLENN FORD
«Actor Glenn Ford morreu aos 90 anos
O actor de origem canadiana Glenn Ford, que protagonizou dezenas de filmes da idade de ouro em Hollywood, entre os quais «Gilda» com Rita Hayworth, morreu quarta-feira na sua casa em Beverly Hills com 90 anos.
Falando anonimamente, um polícia de Beverlly Hills, cidade a oeste de Los Angeles, na Califórnia, confirmou a morte de Ford, que estava doente há vários anos, tendo sofrido vários AVC (acidente vascular cerebral).
Com o verdadeiro nome de Gwyllyn Samuel Newton, o actor, nascido em 1916 em Sainte-Christine no Quebeque, emigrou com a sua família para a Califórnia em 1924, onde iniciou uma carreira no grande ecrã em Hollywood, antes da Segunda Guerra Mundial.
Diário Digital / Lusa
31-08-2006 6:47:26
«Glenn Ford faleceu aos 90 anos
Morreu uma lenda dos anos de ouro de Hollywood. Glenn Ford faleceu ontem aos 90 anos na sua casa de Beverly Hills. O actor norte-americano de origem canadiana nasceu no Quebeque em Maio de 1916, emigrando com a família para os Estados Unidos em 1924. A sua carreira no grande ecrã começou ainda antes da Segunda Guerra Mundial, mas é durante entre os anos 50 e 70 que deixa a sua marca em Hollywood, chegando a ser mais popular que monstros do cinema como Gary Cooper ou Cary Grant.»
« Glenn Ford, de son vrai nom Gwyllyn Samuel Newton Ford, est né au Quebec. En 1924, à l’âge de huit ans, il s’installe en Californie avec sa famille. D’abord intéressé par la médecine, c’est finalement vers le théâtre qu’il se dirige. Il débute sur la scène de l’école de Santa Monica, et il enchaîne alors avec des tournées sur la côte Ouest.
En 1939, il est repéré par un découvreur de talents, il fait ses premiers pas au cinéma, dans Heaven with a Barbed Wire Fence pour la Fox, mais signe parallèlement un contrat avec la Columbia, avec qui il restera plus de 14 ans. Avec son physique de jeune premier, il tourne des films de série B dont deux westerns : Texas de George Marshall en 1941, et The Desperadoes de Charles Vidor en 1943. Il est alors catalogué comme acteur de films d’action.
Son engagement dans la Marine, en 1943, l’oblige à mettre sa carrière entre parenthèses. Il est envoyé en France pendant la Deuxième Guerre mondiale où il aide à contruire des abris pour les populations. A son retour, en 1946, il tourne dans un classique du film noir qui le propulse au sommet: Gilda de Charles Vidor où il joue le rôle de Johnny Farell, l’aventurier amoureux de la belle Rita Hayworth. Par la suite il jouera dans un autre film noir culte : Règlement de comptes de Fritz Lang. Glenn Ford, bien que spécialiste du western (plus de la moitié de sa filmographie), il tourne aussi bien des films policiers - Allo brigade speciale de Blake Edwards en 1962, que des drames - Le Souffle de la violence de Rudolph Maté en 1955, des comédies - Il faut marier papa de Vincente Minnelli en 1963 ou des films d’aventure Les Revoltes de la Claire-Louise de Jacques Tourneur en 1953.
Marié depuis 1943 à la reine des claquettes, Eleanor Powell, dont il a un fils Peter, Glenn Ford s’éprend de sa partenaire du Gantelet vert (de Rudolph Maté, en 1952), Geraldine Brooks. Mais l’actrice refusant ses avances, il décide de s’engager dans la Légion Etrangère. La Columbia parviendra avec beaucoup de mal à le faire revenir.
Dans les années 70, Glenn Ford débute à la télévision dans le controversé Brotherhood of the Bell et apparait plus tard dans des séries populaires telles que: Sam Cade et The Family Holvak, dans lesquels il tient la vedette. De 80 à 90, Ford n’apparaît plus que dans quelques documentaires, et quelques films. Il joue par exemple un second rôle dans Superman I (1978) en interprétant le père de Clark Kent. Témoin privilégié de l’âge d’or d’Hollywood, il est souvent sollicité pour participer à des documentaires retraçant l’histoire de cette période. En 1970, Ford publie son autobiographie, Glenn Ford, RFD Beverly Hills.»
Publicado por Violeta Teixeira em 31/08 às 05:43 PM
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A ANGÚSTIA
Para o Fernando, com um abraço de uma amizade singular.
A angústia transborda,
Inunda, alaga,
Apodrece as raízes
Das árvores.
Náufraga, se segura
A poetisa
Aos cabelos de uma
Lua ruiva que, logo,
Se empalidece, fugidia,
Entre os dedos.
Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, 2003
Publicado por Violeta Teixeira em 31/08 às 08:13 AM
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Quarta-feira, 30 Agosto, 2006
HUMÍLIMA HOMENAGEM
Escritor egípcio Naguib Mahfouz morreu aos 94 anos
O escritor egípcio Naguib Mahfouz, prémio Nobel da Literatura em 1988, morreu hoje num hospital público do Cairo.
Naguib Mahfouz, de 94 anos, estava hospitalizado desde 16 de Julho.
Nascido no Cairo a 11 de Dezembro de 1911, Naguib Mahfouz escreveu cerca de cinquenta romances, entre os quais «A Viela de Midaq», editado em Portugal, e era considerado o intelectual mais célebre do Egipto.
30-08-2006 8:05:42
Escritor Naguib Mahfouz será sepultado amanhã no Cairo
O escritor egípcio e Prémio Nobel da Literatura Naguib Mahfouz, que faleceu hoje com 94 anos, será sepultado quinta-feira no Cairo, informaram hoje fontes do ministério do Interior do país.
Primeiro e único autor de língua árabe a receber o Nobel da Literatura, em 1988, Mahfouz morreu num hospital público da capital egípcia na sequência de uma insuficiência renal, de uma pneumonia e problemas ligados à sua idade avançada.
Uma fonte ministerial indicou que as exéquias do escritor se realizam «quinta-feira ao meio-dia (09:00 TMG) na Mesquita de Al- Rashdan» do Cairo.
Este templo acolhe normalmente funerais de personalidades a quem o país presta honras militares.
Uma outra fonte observou que a escolha da mesquita significa que provavelmente o presidente egípcio, Hosni Mubarak, deverá assistir ao funeral.
Diário Digital / Lusa
30-08-2006 12:16:00
Vencedor do Prémio Nobel de Literatura de 1988
O encontro das culturas diferentes
Caderno 3 de 13/08
14/08/2006 - 11h43min
É mais do que oportuna a realização no Brasil, em especial numa capital nordestina do porte de Fortaleza, uma Bienal do livro cujo tema principal seja a literatura árabe. Trata-se, com efeito, de um assunto que, por motivos ainda não estudados, a cultura luso-brasileiro – ao contrário de todas as outras – tem ignorado sistematicamente. A título de comparação, basta dizer que a maioria das universidades espanholas tem cursos de língua, literatura e cultura árabes, ao passo que nenhuma – eu disse nenhuma – unversidade portuguesa os tem.
O fato é estranho, uma vez que a cultura árabe se reveste, para a história portuguesa, de importância quase igual à que se reveste para a história espanhola. Sem dúvida que na Espanha a presença árabe foi mais longa e mais marcante, mas nada que explique tamanha diferença. Há quem diga que, enquanto na Espanha as lutas e diferenças se deram até bem entrado o século XVII, em Portugal a assimilação dos árabes após a consolidação cristã foi rápida e deixou como herança uma tendência ao silêncio a respeito do assunto.
No Brasil, de certo modo, reproduz-se essa característica portuguesa, aqui acentuada pela postura isolacionista assumida por parte dos intelectuais – e também dos apologistas da ignorância, como é o caso de uma escritora de cujo nome não me quero lembrar, que durante a criminosa invasão do Iraque declarou “que se dane a Mesopotânia”, assim mesmo, com “n” e com um verbo mais cabeludo, segundo me asseguraram fontes dignas de toda credibilidade.
Mas a postura isolacionista, ressalte-se, é de um isolacionismo de araque. Primeiro, isso tem sido impossível desde o advento dos tempos modernos. Segundo, esses mesmos isolacionistas eram, na verdade, ocidentalistas, eurocentristas e americanistas, como queiram, todas as alternativas juntas ou isoladas.
Por isso, a tradução de literatura árabe ao português é escassa, e no Brasil existem mais traduções diretas do que em Portugal. Nos últimos anos, foram traduzidos diretamente do árabe ao português, no Brasil, autores modernos como o Prêmio Nobel Naguib Mahfouz (várias obras), Tayyeb Sálih, Mourid Barghouti e Elias Khoury, este último em processo de finalização, e medievais como o poeta andaluz Bin Quzmán e o prosador Ibn Almuqaffá, além de obras anônimas como “As Cento e uma Noites” e “As Mil e uma Noites” e obras não exatamente literárias como as dos filósofos medievais Avicena (“A Origem e o Retorno” e “O Livro da Alma”, este último em processo de finalização), Averróis (“O Discurso Decisivo”) e Ibn Tufayl (“O Filósofo Autodidata”) e contemporâneos como o marroquino Abed Jabri. A maior parte dessa produção é traduzida diretamente do árabe e se deve ao esforço de professores universitários. É pouco se comparado com outros países, mas muito se comparado com Portugal, onde não se fazem traduções diretas do árabe, e com um passado não muito distante
Trata-se, evidentemente, de romper as barreiras dos dois lados, pois a literatura brasileira tampouco é bem conhecida no Mundo Árabe. Um autor palestino recém traduzido ao português, Mourid Barghouti, na introdução de seu livro de memórias “Eu Vi Ramallah”, especialmente escrita para para a tradução brasileira, ao falar de nossa literatura citou Jorge Amado e Paulo Coelho, apenas. Sem desfazer de nenhum dos dois, antes pelo contrário, não acredito que possam ser considerados os representantes mais significativos, hoje, de nossa literatura. No entanto, somente eles, e talvez mais um ou outro, são conhecidos no mundo árabe. Talvez mais uns outros, poucos.
Há coisa de alguns anos, o poeta iraquiano Khalid Al Maaly, que virá à Bienal e é também editor, me pediu que traduzisse o “Livro do Desassossego”, de Fernando Pessoa. Bem, não é literatura brasileira, mas Pessoa é o autor português do qual mais escandalosamente nos apropriamos no Brasil. Conforme disse Saramago, costumamos, ou costumávamos, nos referir a ele, talvez inconscientemente, como “poeta de língua portuguesa”. Seja como for, não pude levar o projeto adiante. Também morreu perto do nascedouro minha tentativa, com ajuda da escritora egípcia Afaf El Sayyed, de traduzir “Um Copo de Cólera”, de Raduan Nassar, ao árabe. Ainda hoje guardo os rascunhos do começo do trabalho. Mas a falta de tempo me impediu de continuar. Minha colega da USP, Safa Jubran, traduziu, para uma boa editora libanesa, a “Casa Alfarabi”, o romance “Dois Irmãos”, de Milton Hatoum, com patrocínio da Biblioteca Nacional.
Enfim, um dos principais motivos para essa aparente indiferença cultural entre Brasil e Mundo Árabe está na falta de especialistas na arte da tradução, sobretudo da tradução literária, que exige maior tato e delicadeza. Iniciativa louvável como esta da VII Bienal Internacional do Livro do Ceará pode se constituir no passo inicial e decisivo para uma virada nesse panorama. Oxalá isso se dê!
Mamede Jarouche é Doutor em Letras e professor de língua e literatura árabe do curso de Letras da Universidade de São Paulo. Vencedor do prêmio Jabuti de melhor tradução pelos volumes I e II do “Livro das Mil e uma Noites”.
Fonte: jornal DIÁRIO DO NORDESTE
http://www.diariodonordeste.com.br
A Viela de Midaq
Naguib Mahfouz
«É visível que há um crescente e deslumbrado interesse pela obra de Naguib Mahfouz. Basta atentar no ritmo a que se sucedem edições francesas, inglesas, espanholas, alemãs… Basta reparar no espaço que os críticos destes e doutros países lhe dedicam. Basta notar no facto impressionante de livros de Mahfouz se terem mantido meses a fio nos primeiros lugares da lista dos mais vendidos na nossa vizinha Espanha.
É caso para dizer que o Prémio Nobel cumpriu bem a sua missão «impondo», merecidamente, um escritor egípcio a uma Europa tantas vezes desatenta das literaturas árabes.
A Viela de Midaq, segundo livro de Mahfouz publicado pela Caminho — pois já havia editado Em Busca —, é um romance amplo e minucioso, que transcende facilmente o tempo e o lugar, para nos dar um fresco cuja vivacidade e cujo brilho tornam salientes a textura dos dramas e das questões que vivem as mais variadas personagens na sua natureza e nas suas circunstâncias.
A Viela de Midaq é um mundo, um mundo de um escritor consumado e extremamente cativante.»
«Naguib Mahfuz, (11 de dezembro de 1911, Cairo) é um escritor egípcio, autor de relatos, romances e roteiros de cinema. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1988. Seus romances mais conhecidos são Miramar (1967) e os que compõem “A trilogia do Cairo” (1956-1957), onde cada um dos livros é batizado com o nome de um bairro da capital egípcia. É autor, também, de “A taberna do gato preto”.
É o único escritor de língua árabe a receber o Prémio Nobel.
Publicado por Violeta Teixeira em 30/08 às 03:05 PM
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HUMÍLIMA HOMENAGEM
Escritor egípcio Naguib Mahfouz morreu aos 94 anos
O escritor egípcio Naguib Mahfouz, prémio Nobel da Literatura em 1988, morreu hoje num hospital público do Cairo.
Naguib Mahfouz, de 94 anos, estava hospitalizado desde 16 de Julho.
Nascido no Cairo a 11 de Dezembro de 1911, Naguib Mahfouz escreveu cerca de cinquenta romances, entre os quais «A Viela de Midaq», editado em Portugal, e era considerado o intelectual mais célebre do Egipto.
30-08-2006 8:05:42
Diário Digital
«Naguib Mahfuz, (11 de dezembro de 1911, Cairo) é um escritor egípcio, autor de relatos, romances e roteiros de cinema. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1988. Seus romances mais conhecidos são Miramar (1967) e os que compõem “A trilogia do Cairo” (1956-1957), onde cada um dos livros é batizado com o nome de um bairro da capital egípcia. É autor, também, de “A taberna do gato preto”.
É o único escritor de língua árabe a receber o Prémio Nobel.
Publicado por Violeta Teixeira em 30/08 às 10:42 AM
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HUMÍLIMA HOMENAGEM
Naguib Mahfouz, romancista e poeta egípcio, faleceu hoje. Nasceu, no Cairo, em 1911. Foi galardoado com o Prémio Nobel, em 1988.
Publicado por Violeta Teixeira em 30/08 às 09:03 AM
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POEMA INCONCLUSO
Henry Moore
Enovelam-se-me
Silêncios múrmuros
Em lajes lisas
De xisto.
(...)
Publicado por Violeta Teixeira em 30/08 às 08:31 AM
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Terça-feira, 29 Agosto, 2006
ESCRITOR
«Um escritor é uma coisa curiosa. É uma contradição e, também, um contra-senso. Escrever também é não falar. É calar. É gritar sem ruído. Um escritor é, muitas vezes, repousante: ouve muito. Não fala muito porque é impossível falar a alguém de um livro que se escreveu e, sobretudo, de um livro que se está a escrever.
É impossível. É o oposto do cinema, o oposto do teatro e de outros espectáculos. É o oposto de todas as leituras. É o mais difícil de tudo. É o pior. Porque um livro é o desconhecido, é a noite, é fechado, é assim. É o livro que avança, que cresce, que avança em direcções que julgávamos ter explorado, que avança em direcção ao seu próprio destino e ao do seu autor, então aniquilado pela sua publicação: a sua separação dele, do livro sonhado, como da criança recém-nascida, sempre a mais amada.»
Marguerite Duras, in «Escrever»
Marguerite Donnadieu, também conhecida como Marguerite Duras (4 de abril de 1914, Indochina Francesa (hoje Vietnã) - 3 de março de 1996), foi uma escritora e diretora de filmes.
Ela nasceu em Gia Dinh, antiga Indochina Francesa e atual Vietnã, e foi para a França, terra de seus pais, estudar Direito. Lá, tornou-se escritora. Decidiu mudar o apelido/sobrenome Donnadieu por Duras, nome de uma vila do departamento francês de Lot-et-Garonne onde se situava a casa de seu pai.
É autora de diversas peças de teatro, novelas, filmes e narrativas curtas. Seu trabalho foi associado com o movimento chamado nouveau roman (novo romance) e com o existencialismo. Entre algumas de suas obras estão O Amante, A Dor, O Amante da China do Norte e O Deslumbramento.
Algumas de suas obras foram adaptadas para o cinema como O Amante.
Morreu os 81 anos de idade de câncer e foi sepultada no cemitério de Montparnasse.
Uma obra múltipla
Depois de um relato autobiográfico ainda marcado pelo realismo, onde evoca sua infância e sua adolescência passadas na Indochina (Un Barrage contre le Pacifique, 1950), Marguerite Duras volta-se para obras aparentemente estáticas, onde os personagens tentam escapar da solidão para dar um sentido a sua vida através do amor absoluto (Le Ravissement de Lol V. Stein, 1964; Le Vice-Consul, 1966), o crime e a loucura (Moderato Cantabile, 1958; L’Amante Anglaise, 1967). Incapazes de se comunicar realmente, suas heroínas vivem “sem saber por que”, mas esperam que “alguma coisa saia do mundo e venha até (elas)”. Diálogos de uma aparente inutilidade traduzem essa espera patética (L’Après-midi de Monsieur Andesmas, 1962), sugerem “essas soluções ambíguas e impossíveis de se deslindar” (Détruire, dit-elle, 1969) ou evocam personagens atingidos “por uma fraqueza essencial e mortal” (La Maladie de la Mort, 1983).
Com L’Amant e L’Amant de la Chine du Nord (1991), a escritora retorna à China dos anos 30, para falar tanto do paroxismo do gozo e da dor da morte quanto do desejo sempre renovado de escrever, Yann Andréa Steiner (1992) é dedicado a seu último amante e companheiro, um jovem com quem dividiu os últimos anos de sua vida. Ao todo, sua obra reúne quarenta romances, dez peças de teatro e filmes escritos e(ou) realizados (dos quais India Song, 1975).
MARGUERITE DURAS
Saigão - Indochina francesa, 1914-1944
Nascida em 2 de Abril de 1914, em Saigão, Indochina, onde passou a infância e a adolescência, Marguerite Duras iria ficar profundamente marcada pela paisagem e pela vida da antiga colónia francesa. Em 1932 fixou-se em Paris, onde estudou Direito, Matemática e Ciências Políticas. Foi capturada pela Gestapo quando fazia parte dos quadros da Resistência, durante a ocupação alemã, e sofreu longa deportação na Alemanha nazista. Após o armistício ingressou no Partido Comunista Francês, de que foi expulsa, em 1950, por dissidências ideológicas. Formada sob a influência da moderna narrativa norte-americana, e sobretudo de Hemingway, obteve renome internacional com a publicação do romance Un barrage contre le Pacifique (1950), cuja acção decorre na Indochina. Nesta obra, parcialmente autobiográfica, a autora narra a vida estranha de uma viúva francesa e de seu filho, implicados nos sofrimentos impostos pela corrupção do ambiente colonial francês, e atinge momentos de grande energia e de um vigor excepcional. Seguem-se outros romances, de que se destacam Le Square (1955), em que a autora envereda por uma técnica de narração que virá a ser uma característica dominante do seu ficcionismo e que a associou ao movimento do nouveau roman . Autora de peças de teatro e de vários filmes, entre os quais o célebre Hiroshima, meu amor, foi o seu romance O Amante, (prémio Goncourt de 1984), relato exacerbado de uma paixão na adolescência inquieta da escritora, que a tornou conhecida de um público vastíssimo, até aí arredado de uma obra considerada demasiado difícil e intimista. “Não podemos fazer mais do que amar - ou execrar - essa pequena mulher provocante, rodeada dos seus fantasmas (...). Essa pequena mulher, que roda sobre ela mesma como uma valsa solitária, terá sido uma senhora? Foi sobretudo uma mulher voraz de uma literatura que é um grito de amor ao longo de todas as páginas. Uma Piaf.” - Jean-François Josselin.
in Mulheres nas Letras, Mulheres dos Livros
Publicado por Violeta Teixeira em 29/08 às 09:09 AM
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ESCULTURA
Iñaki Castillo
Escultor
«Ainda em diálogo poético com a pedra, qual mestre de vida, frequentando-a, para melhor percebê-la. Pois de dureza, de resistência também se faz a ética da existência.»
«Escultura é uma arte que representa imagens plásticas em relevo total ou parcial. Existem várias técnicas de trabalhar os materiais, como a cinzelação, a fundição, a moldagem ou a aglomeração de partículas para a criação de um objeto.»
Algumas das obras de escultura mais famosas são:
A Vitória de Samotráciaou Nikké (Vitória em grego)
Venus de Milo
O Pensador (de Auguste Rodin);
David (de Michelangelo).
Moisés (de Michelangelo).
O Beijo (de Rodin)
Grupo de Laocoonte
Publicado por Violeta Teixeira em 29/08 às 08:36 AM
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ACENDES-ME
João Cutileiro
Acendes-me
Nos dedos
Cinzas vermelhas,
Mas nem te volvem
A vista.
Carecem
Da sintaxe
E da sedução
Das pedras.
Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000
Publicado por Violeta Teixeira em 29/08 às 08:13 AM
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Segunda-feira, 28 Agosto, 2006
ARTE
"Não há morte na Arte. Ela vai apenas se adaptar aos novos meios de comunicação. E ao
se adaptar, a arte não está renunciando a nada. Está apenas se tornando contemporânea.”
João de Melo e Castro
João Cabral de Melo Neto
“...E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.”
(Morte e Vida Severina)
João Cabral de Melo Neto nasceu na cidade de Recife - PE, no dia 09 de janeiro de 1920, na rua da Jaqueira (depois Leonardo Cavalcanti), segundo filho de Luiz Antônio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro-Leão Cabral de Melo. Primo, pelo lado paterno, de Manuel Bandeira e, pelo lado materno, de Gilberto Freyre. Passa a infância em engenhos de açúcar. Primeiro no Poço do Aleixo, em São Lourenço da Mata, e depois nos engenhos Pacoval e Dois Irmãos, no município de Moreno.
Em 1930, com a mudança da família para Recife, inicia o curso primário no Colégio Marista. João Cabral era um amante do futebol, tendo sido campeão juvenil pelo Santa Cruz Futebol Clube em 1935.
Foi na Associação Comercial de Pernambuco, em 1937, que obteve seu primeiro emprego, tendo depois trabalhado no Departamento de Estatística do Estado. Já com 18 anos, começa a freqüentar a roda literária do Café Lafayette, que se reúne em volta de Willy Lewin e do pintor Vicente do Rego Monteiro, que regressara de Paris por causa da guerra.
Em 1940 viaja com a família para o Rio de Janeiro, onde conhece Murilo Mendes. Esse o apresenta a Carlos Drummond de Andrade e ao círculo de intelectuais que se reunia no consultório de Jorge de Lima. No ano seguinte, participa do Congresso de Poesia do Recife, ocasião em que apresenta suas Considerações sobre o poeta dormindo.
1942 marca a publicação de seu primeiro livro, Pedra do Sono. Em novembro viaja, por terra, para o Rio de Janeiro. Convocado para servir à Força Expedicionária Brasileira (FEB), é dispensado por motivo de saúde. Mas permanece no Rio, sendo aprovado em concurso e nomeado Assistente de Seleção do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público). Freqüenta, então, os intelectuais que se reuniam no Café Amarelinho e Café Vermelhinho, no Centro do Rio de Janeiro. Publica Os três mal-amados na Revista do Brasil.
O engenheiro é publicado em 1945, em edição custeada por Augusto Frederico Schmidt. Faz concurso para a carreira diplomática, para a qual é nomeado em dezembro. Começa a trabalhar em 1946, no Departamento Cultural do Itamaraty, depois no Departamento Político e, posteriormente, na comissão de Organismos Internacionais. Em fevereiro, casa-se com Stella Maria Barbosa de Oliveira, no Rio de Janeiro. Em dezembro, nasce seu primeiro filho, Rodrigo.
É removido, em 1947, para o Consulado Geral em Barcelona, como vice-cônsul. Adquire uma pequena tipografia artesanal, com a qual publica livros de poetas brasileiros e espanhóis. Nessa prensa manual imprime Psicologia da composição. Nos dois anos seguintes ganha dois filhos: Inês e Luiz, respectivamente. Residindo na Catalunha, escreve seu ensaio sobre Joan Miró, cujo estúdio freqüenta. Miró faz publicar o ensaio com texto em português, com suas primeiras gravuras em madeira.
Removido para o Consulado Geral em Londres, em 1950, publica O cão sem plumas. Dois anos depois retorna ao Brasil para responder por inquérito onde é acusado de subversão. Escreve o livro O rio, em 1953, com o qual recebe o Prêmio José de Anchieta do IV Centenário de São Paulo (em 1954). É colocado em disponibilidade pelo Itamaraty, sem rendimentos, enquanto responde ao inquérito, período em que trabalha como secretário de redação do Jornal A Vanguarda, dirigido por Joel Silveira. Arquivado o inquérito policial, a pedido do promotor público, vai para Pernambuco com a família. Lá, é recebido em sessão solene pela Câmara Municipal do Recife.
Em 1954 é convidado a participar do Congresso Internacional de Escritores, em São Paulo. Participa também do Congresso Brasileiro de Poesia, reunido na mesma época. A Editora Orfeu publica seus Poemas Reunidos. Reintegrado à carreira diplomática pelo Supremo Tribunal Federal, passa a trabalhar no Departamento Cultural do Itamaraty.
Duas alegrias em 1955: o nascimento de sua filha Isabel e o recebimento do Prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras. A Editora José Olympio publica, em 1956, Duas águas, volume que reúne seus livros anteriores e os inéditos: Morte e vida severina, Paisagens com figuras e Uma faca só lâmina. Removido para Barcelona, como cônsul adjunto, vai com a missão de fazer pesquisas históricas no Arquivo das Índias de Sevilha, onde passa a residir.
Em 1958 é removido para o Consulado Geral em Marselha. Recebe o prêmio de melhor autor no Festival de Teatro do Estudante, realizado no Recife. Publica em Lisboa seu livro Quaderna, em 1960. É removido para Madri, como primeiro secretário da embaixada. Publica, em Madri, Dois parlamentos.
Em 1961 é nomeado chefe de gabinete do ministro da Agricultura, Romero Cabral da Costa, e passa a residir em Brasília. Com o fim do governo Jânio Quadros, poucos meses depois, é removido outra vez para a embaixada em Madri. A Editora do Autor, de Rubem Braga e Fernando Sabino, publica Terceira feira, livro que reúne Quaderna, Dois parlamentos, ainda inéditos no Brasil, e um novo livro: Serial.
Com a mudança do consulado brasileiro de Cádiz para Sevilha, João Cabral muda-se para essa cidade, onde reside pela segunda vez. Continuando seu vai-e-vem pelo mundo, em 1964 é removido como conselheiro para a Delegação do Brasil junto às Nações Unidas, em Genebra. Nesse ano nasce seu quinto filho, João.
Como ministro conselheiro, em 1966, muda-se para Berna. O Teatro da Universidade Católica de São Paulo produz o auto Morte e Vida Severina, com música de Chico Buarque de Holanda, primeiro encenado em várias cidades brasileiras e depois no Festival de Nancy, no Théatre des Nations, em Paris e, posteriormente, em Lisboa, Coimbra e Porto. Em Nancy recebe o prêmio de Melhor Autor Vivo do Festival. Publica A educação pela pedra, que recebe os prêmios Jabuti; da União de Escritores de São Paulo; Luisa Cláudio de Souza, do Pen Club; e o prêmio do Instituto Nacional do Livro. É designado pelo Itamaraty para representar o Brasil na Bienal de Knock-le-Zontew, na Bélgica.
1967 marca sua volta a Barcelona, como cônsul geral. No ano seguinte é publicada a primeira edição de Poesias completas. É eleito, em 15 de agosto de 1968, para a Academia Brasileira de Letras na vaga de Assis Chateaubriand. É recebido em sessão solene pela Assembléia Legislativa de Pernambuco como membro do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT).
Toma posse na Academia em 06 de maio de 1969, na cadeira número 6, sendo recebido por José Américo de Almeida. A Companhia Paulo Autran encena Morte e vida severina em diversas cidades do Brasil. É removido para a embaixada de Assunção, no Paraguai, como ministro conselheiro. Torna-se membro da Hispania Society of America e recebe a comenda da Ordem de Mérito Pernambucano.
Após três anos em Assunção, é nomeado embaixador em Dacar, no Senegal, cargo que exerce cumulativamente com o de embaixador da Mauritânia, no Mali e na Giné-Conakry.
Em 1974 é agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco. No ano seguinte publica Museu de Tudo, que recebe o Grande Prêmio de Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte. É agraciado com a Medalha de Humanidades do Nordeste.
Em 1976 é condecorado Grande Oficial da Ordem do Mérito do Senegal e, em 1979, como Grande Oficial da Ordem do Leão do Senegal. É nomeado embaixador em Quito, Equador e publica A escola das facas.
A convite do governador de Pernambuco, vai a Recife (em 1980) para fazer o discurso inaugural da Ordem do Mérito de Guararapes, sendo condecorado com a Grã-Cruz da Ordem. Ali é inaugurada uma exposição bibliográfica de sua obra, no Palácio do Governo de Pernambuco, organizada por Zila Mamede. Recebe a Comenda do Mérito Aeronáutico e a Grã-Cruz do Equador.
No ano seguinte vai para Honduras, como embaixador. Publica a antologia Poesia crítica.
Em 1982 é agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Vai para a cidade do Porto, em Portugal, como cônsul geral. Recebe o Prêmio Golfinho de Ouro do Estado do Rio de Janeiro. Publica Auto do frade, escrito em Tegucigalpa.
Ganha o Prêmio Moinho Recife, em 1984 e, no ano seguinte, publica os poemas de Agrestes. Nesse livro há uma sessão dedicada à morte ("A indesejada das gentes"). Em 1986 é agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco. Sua esposa, Stella Maria, falece no Rio de Janeiro. João Cabral reassume o Consulado Geral no Porto. Casa-se em segundas núpcias com a poeta Marly de Oliveira.
Em 1987 publica Crime na Calle Relator, poemas narrativos. Recebe o prêmio da União Brasileira de Escritores. É removido para o Rio de Janeiro.
Em Recife, no ano de 1988, lança sua antologia Poemas pernambucanos. Publica, também, o segundo volume de poesias completas: Museu de tudo e depois. Recebe o Prêmio da Bienal Nestlé de Literatura pelo conjunto da obra, e o Prêmio Lily de Carvalho da ABCL, Rio de Janeiro.
Aposenta-se como embaixador em 1990 e publica Sevilha andando. É eleito para a Academia Pernambucana de Letras, da qual havia recebido, anos antes, a medalha Carneiro Vilela. Recebe os seguintes prêmios: Criadores de Cultura da Prefeitura do Recife, Luis de Camões (concedido conjuntamente pelos governos de Portugal e do Brasil), em Lisboa. É condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Judiciário e do Trabalho. A Faculdade Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro publica Primeiros Poemas.
Outros prêmios: Pedro Nava (1991) pelo livro Sevilha andando; Casa das Américas, concedido pelo Estado de São Paulo (1992); e também nesse ano o Neustadt International Prize for Literature, da Universidade de Oklahoma. Viaja a Sevilha para representar o presidente da República nas comemorações do dia 7 de Setembro, que tiveram lugar na Exposição do IV Centenário da Descoberta da América. No Pavilhão do Brasil, foi distribuída sua antologia Poemas sevilhanos, em edição especial. No Rio de Janeiro, na Casa da Espanha, recebe do embaixador espanhol a Grã-Cruz da Ordem de Isabel, a Católica.
Em 1993 recebe o Prêmio Jabuti, instituído pela Câmara Brasileira do Livro.
João Cabral era atormentado por uma dor de cabeça que não o deixava de forma alguma. Ao saber, anos atrás, que sofria de uma doença degenerativa incurável, que faria sua visão desaparecer aos poucos, o poeta anunciou que ia parar de escrever. Já em 1990, com a finalidade de ajudá-lo a vencer os males físicos e a depressão, Marly, sua segunda esposa, passa a escrever alguns textos tidos como de autoria do biografado. Conforme declarações de amigos, escreveu o discurso de agradecimento feito pelo autor ao receber o Prêmio Luis de Camões, considerado o mais importante prêmio concedido a escritores da língua portuguesa, entre outros. Foi a forma encontrada para tentar tirá-lo do estado depressivo em que se encontrava. Como não admirava a música, o autor foi perdendo também a vontade de falar ("Não tenho muito o que dizer”, argumentava). Era, sem dúvida, o nosso mais forte concorrente ao prêmio Nobel, com diversas indicações dos mais variados segmentos de nossa sociedade.
Transcrevemos abaixo o discurso proferido por Arnaldo Niskier, presidente da Academia Brasileira de Letras, por ocasião da morte do poeta, em 09/10/99:
“Adeus a João Cabral”
“Severino retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, Severina;
mas se responder não pude
à pergunta que fazia
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.”
Vida que foi para João Cabral uma bonita e ao mesmo tempo sofrida obra de engenharia poética, como demonstrou no seu inesquecível Morte e Vida Severina.
Aqui está o poeta João Cabral de Melo Neto, presente pela última vez na Academia Brasileira de Letras, de que foi, por 30 anos, uma das figuras fundamentais. Aos 79 anos, apaga-se a voz de significação universal, com a singularidade do seu verso, tantas vezes lembrado para a glória do Prêmio Nobel de Literatura.
A nossa dor, que é também a da sua companheira Marly de Oliveira e dos seus filhos e demais parentes, não apaga da nossa memória a convicção de que foi ele um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos - o poeta da razão - que jamais esqueceu, mesmo nos 40 anos de vida diplomática, as suas raízes pernambucanas. O homem que soube desenhar em versos cálidos a saga do retirante nordestino, quando ainda não havia passado dos 35 anos de idade.
João Cabral, o poeta João, que não se conformava em perfumar a flor, é o mesmo que escreveu aos 22 anos o livro Pedra do Sono, para depois nos brindar, entre outros, com O engenheiro, O cão sem plumas, Poesias completas, A educação pela pedra e o antológico Morte e Vida Severina, com versões no teatro e na mídia eletrônica.
Fecham-se os olhos cansados do poeta João e não conseguimos realizar o sonho que agora desvendo: ver o América Futebol Clube voltar aos seus dias de glória. Nem o daqui do Rio, nem aquele que era a sua verdadeira paixão: o América do Recife.
Quando preparava com ele a Cabraliana, que foi o seu primeiro audiolivro, ouvi fantásticas histórias da vida diplomática, especialmente dos tempos de Portugal, Espanha e Marrocos, além de nele reconhecer um orgulho especial pela família, parente que foi de grandes escritores brasileiros, como Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, Mauro Mota e Antônio de Moraes e Silva, o famoso Moraes do Dicionário de Língua Portuguesa. Parece que era herdeiro, no seu jeito tão humilde e cativante, de uma genética literária originalíssima.
É compreensível a nossa consternação. Enquanto a saúde permitiu, honrou esta casa com a sua assiduidade e o seu sentimento da mais pura cordialidade. Sofrendo agora com o seu silêncio, curvamo-nos diante do grande poeta, para afirmar que a Academia sempre o terá presente, com a saudade e a admiração de todos os seus confrades.
Descanse em paz, poeta João. A sua presença jamais deixará de estar conosco. Teremos o consolo da sua poesia imortal.”
Dados obtidos nos livros do autor, em “Obra Completa”, organizada por Marly de Oliveira com assistência do autor e em sites da Internet.
Publicado por Violeta Teixeira em 28/08 às 02:26 PM
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INCONSTÂNCIA
Para o Luca
«Nada é constante neste mundo senão a inconstância.»
Jonathan Swift
«JONATHAN SWIFT nasceu em 30 de Novembro de 1667, em Dublin, na Irlanda. Órfão de pai, com um ano de idade, é levado secretamente por sua ama para a Inglaterra e, após dois anos em solo inglês, volta para Irlanda em virtude dos problemas políticos que ocorria no país. É entregue então ao seu tio Godwin que o manda estudar na escola Kilkenny, em Dublim em 1673. O tio ensina-lhe boas maneiras, mas não lhe dá amor e carinho, limitando-se a medicá-lo quando tinha crises de surdez, mal que o ameaçou pelo resto da vida.
Em 1681 Swift matricula-se no Trinity College de Dublin, onde só se distingue pelas punições. Em 1688 recebe o diploma da congregação e, com a morte de seu tio, neste mesmo ano, Swift vai para Leicester viver junto de sua mãe. Com ela não dispunha de muito dinheiro para ajudá-lo, é obrigado a procurar um emprego e sustentar-se.
Em 1689 vai Moor Park, Surrey (Inglaterra) e torna-se secretário com Sir William Temple - (1628 -1699) estadista e escritor de grande prestígio. Swift amadurece intelectualmente entre os livros de Temple e conhece uma doce menina de oito anos chamada Esther Johnson que, segundo diziam, era filha de William Temple com uma ama da casa.
Swift chama-a carinhosamente de Stella e lhe dedica alguns de seus mais belos poemas. A diferença de idade entre os dois, não serviu de barreiras para que desabrochasse um grande afeto entre os dois.
A presença de Stella era um bálsamo para Swift, mas não o suficiente para retê-lo como empregado de Sr. Temple. Swift tinha ambições e compreendia que, para realizá-las, precisava de um diploma. Em 1693 doutorou-se em Teologia pela Universidade de Oxford e, em 1965, assume o posto de Cônego em Kilbroot, na Irlanda.
Ainda em 1695 volta para Moor Place e encontra o Sir Temple escrevendo um panfleto altamente conservador sobre a “Batalha dos Livros”, pelo qual foi muito atacado. Swift, promovido por ele a secretário, se viu obrigado a defendê-lo e redigiu em 1697 “A Batalha dos Livros”. Por trás da defesa ironizava sutilmente tanto os conservadores quanto os liberais.
Com a morte de Sr. Temple em 1699, Swift, desempregado, pleiteia o cargo de deão(coordenador de um grupo de párocos) de Serry, mas as autoridades eclesiásticas consideravam o posto elevado demais para um pastor tão jovem e o nomeiam Cônego de Dublim, na Irlanda.
A nomeação não o agradou muito, mas Swift não teve alternativa senão aceita-Ia. Pede então que Stella vá viver ali perto. A proximidade da menina dá-lhe ânimo para continuar escrevendo e em 1701 publica anonimamente o “Discurso sobre as Dissensões entre os nobres e comuns em Atenas e Roma”. Nessa obra, a alusão aos partidos ingleses é clara como também é nítida a sua posição ao lado dos Whigs (liberais). Por isso, Tories (conservadores) passam a atacá-lo. No entanto, passa a ser admirado por estadistas como Somers (1651 -1716) e Halifaz (1633 -1695), de elevado prestígio junto ao governo.
Vislumbrando a possibilidade de ascender-se na Igreja anglicana e com ajuda dos políticos, Swift começa a viajar freqüentemente para Londres. Consegue então editores para “A Batalha dos Livros” e “O Conto de Tonel” . Além disso, apoiado por escritores satíricos Pope (1688 -1744), Richard Steele (1672 -1729) e Joseph Addison (1672 -1719), ganha popularidade.
Em 1708 escreve um panfleto para desmascarar o astrólogo Patridge, tido por ele como charlatão. Sob o pseudônimo de Isaac .Bickestaff profetizava, no estilo de adivinho, a morte de Patridge. A luta entre os dois acirra-se em 1709 e Swift escreve o artigo “A Vingança de Isaac Bickertaff”, na qual resume satiricamente a disputa.
A ambição e as amizades fazem com que Swift permaneça em Londres, mas, sempre pensando em Stella, lhe escreve numerosas cartas. Em seu “Diário”, falava de tudo: de encontros com aristocratas e políticos; das impressões suscitadas; das intrigas da corte; do fumo do Brasil; da invasão do Rio de Janeiro pelos franceses (1710); dos sonhos; das aversões etc. Ao falar de assuntos íntimos, se expressa numa linguagem cifrada, compreensível só para ele e Stella, mais tarde essa experiência deu frutos em “Viagens de Gulliver”.
Em 1713 torna-se deão da catedral de Saint Patrick em Dublin. Sua a acolhida nesse local foi fria, pois desconfiavam que suas atividades políticas não eram compatíveis com as funções religiosas. Ao saber de seus problemas, Stella vai juntar-se a ele em Dublin. Pouco depois outra mulher o procura: ela é Esther Vamhomrigh, filha de um rico mercador alemão. Swift dedicou a ela o poema “Cadenus e Vanessa” em 1726.
Vanessa fica sabendo da sua ligação com Stella e, não suportando a hipótese de amá-lo só no espírito sufocando os ímpetos da carne, escreve à rival uma carta falando de seus laços com Swift. Furioso, Swift procura Vanessa e, sem dizer nem uma palavra, atira-lhe aos pés uma carta de despedida. Nunca mais a viu. Semanas depois a moça morreu de tristeza.
Em 1725 começa escrever “Viagens de Gulliver” onde pretendia agredir o mundo, não diverti-lo. A Enciclopédia Barsa assim se refere a essa obra:
“A obra-prima de Swift, Gulliver’s Travels (1726; As viagens de Gulliver), que fez sucesso imediato, é um dos livros mais famosos e inteligentes da literatura universal. Da sátira aos whigs, recriados nos anões de Lilliput, à invectiva contra a humanidade em geral, o autor recompôs o mundo de acordo com sua fantasia mordaz. O grotesco é explorado sob todos os ângulos: na pequenez desprezível dos lilliputianos; na ampliação escatológica da miséria física dos gigantes de Brobdingnag; nas diatribes contra os juristas e a arte militar; na idiotice dos intelectuais de Laputa; e na superioridade do cavalo sobre o ser humano no reino dos Houyhnhnms. Expurgado das verdades e sátiras, esse livro se transformou num clássico da literatura infantil.”
Em 1728 Stella morre de um mal desconhecido. No ano de 1731 Swift faz da sua própria morte um objeto da sátira ao escrever um poema sobre a morte do Dr. Swift.
Sua última obra foi escrita em 1738 um ensaio destinado a despojar a conversação inglesa das banalidades e incorreções que o levam ao ridículo. Com o título de “A Conversação Polida” a qual representava o resultado de vinte anos de observação e pesquisa.
Em 19 de Outubro de 1745 Jonathan Swift, surdo e louco, morre em Dublin. Ele é enterrado na Catedral de São Patrício. Em sua lápide, o epitáfio em latim, escrito por ele mesmo:
“Aqui jaz o corpo de JONATHAN SWIFT, doutor em Teologia e deão desta catedral, onde a colérica indignação não poderá mais dilacerar-lhe o coração. Segue passante, e imita, se puderes, esse que se consumiu até o extremo pela causa da Liberdade”.
::. OBRA
• História de um tonel (1704) Sátira em prosa.
• A batalha dos livros (1704) Sátira em prosa.
• Argumento contra a abolição do cristianismo (1708) Panfleto.
• Diário para Stella (1710-1713) Cartas.
• The Conduct of the Allies (1711) Panfleto politico.
• As viagens de Gulliver (1726) Romance.
• Modesta proposição (1729) Sátira política.
• Versos sobre a morte do doutor Swift (1739) Poema.
«(...)»
Publicado por Violeta Teixeira em 28/08 às 08:41 AM
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ANOITEÇO-ME
Foto da autoria de Violeta Teixeira/Pandora
Para o Luca
Brusco.Tom
Metálico. De aço.
Bateste-me
A porta do não,
Contra o rosto
Do desejo óbvio.
Ainda hoje
Se me anoiteço.
A mesma noite.
Ainda hoje.
Longuíssima. Ilógica.
Ainda hoje,
Fluem suspiros
Líquidos,
Nas fendas
Do poema.
Violeta Teixeira, in AFLUENTES LUNARES, 1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira, 1ª edição, 2000, co-edição Magno Edições/Câmara Municipal de Leiria, 2001
Publicado por Violeta Teixeira em 28/08 às 08:13 AM
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Domingo, 27 Agosto, 2006
CONSCIÊNCIA
A Nossa Consciência é Fabricada a Partir da Visão dos Outros
«Sempre que nos acontece descobrir algo que os outros supõem que nunca vimos, não corremos a chamar alguém para que o veja connosco?
- Oh, meu Deus, o que é?
Se, por acaso, a visão dos outros não nos ajudar a constituir em nós, de algum modo, a realidade daquilo que vemos, os nossos olhos já não sabem o que vêem; a nossa consciência perde-se, porque aquilo que pensamos ser a nossa coisa mais íntima, a consciência, significa os outros em nós; e não podemos sentir-nos sós.»
Luigi Pirandello (escritor italiano, 1867-1936), in ‘Um, Ninguém e Cem Mil’
Luigi Pirandello
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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«Luigi Pirandello (Agrigento, 28 de Junho 1867 — Roma, 10 de Dezembro 1936) foi um dramaturgo, poeta e romancista siciliano. Foi um grande renovador do teatro, com profundo sentido de humor e grande originalidade. Suas obras mais famosas são: Seis personagens à procura de um autor, Assim é, se lhe parece, Cada um a seu modo e os romances O falecido Matias Pascal, “Um, Nenhum e Cem Mil”, etc. Recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1934. Coloca que o cómico nasce de uma percepção do contrário (no livro Do teatro ao teatro, e tem um capítulo que se chama O Humorismo). Mas essa percepção pode se transformar- num sentimento do contrário: é quando aquele que ri procura entender as razões da piada. Portanto não existe mais o distanciamento. Pirandello separa o cómico do humorístico, para passar da atitude cómica para a atitude humorística, é preciso renunciar ao distanciamento e à superioridade.»
Œuvres de Luigi Pirandello
En italien
Textes disponibles en ligne:
Oeuvres à télécharger (plusieurs formats) sur le site Liber Liber:
Così è (se vi pare). Édition de 1918 (Liber Liber)
Così è (se vi pare). Édition de 1925 (Liber Liber)
Donna Mimma (téléchargement - ZIP: RTF, TXT)
Enrico IV (téléchargement - ZIP: TXT). Théâtre
L’esclusa (téléchargement - ZIP: TXT). Roman
Il fu Mattia Pascal (téléchargement - ZIP: TXT). Roman
La giara (téléchargement - ZIP: TXT). Nouvelles
Una giornata (téléchargement - ZIP: TXT). Nouvelle
Il giuoco delle parti (téléchargement - ZIP: RTF, TXT)
In silenzio (téléchargement - ZIP: RTF, TXT)
La mosca (téléchargement - ZIP: RTF, TXT)
Novelle per un anno (téléchargement - ZIP: RTF, TXT)
La patente (téléchargement - ZIP: TXT)
Il piacere dell’onestà (téléchargement - ZIP: RTF, TXT)
Quaderni di Serafino Gubbio operatore (téléchargement - ZIP: RTF, TXT)
Scialle nero (téléchargement - ZIP: TXT)
Sei personaggi in cerca d’autore (téléchargement - ZIP: RTF, TXT). Théâtre
Suo marito (téléchargement - ZIP: RTF, TXT)
Il turno (téléchargement - ZIP: TXT). Roman
Tutt’e tre (téléchargement - ZIP: RTF, TXT)
L’uomo dal fiore in bocca (téléchargement - ZIP: RTF, TXT). Théâtre. Extrait.
L’uomo solo (téléchargement - ZIP: TXT).
I vecchi e i giovani (téléchargement - ZIP: RTF, TXT)
La vita nuda (téléchargement - ZIP: RTF, TXT)
Autres versions numériques:
Una Giornata
Il Turno
L’Esclusa
Il fu Mattia Pascal
En traduction française
Une belle biobibliographie en langue française (sur le site de la Librairie Compagnie)
Nouvelles complètes, Paris, Gallimard, 2000, 2240 p. Recension de Laurence Liban, Lire, juillet-août 2000
L’ami de leurs femmes, Traduit de l’italien par Michel Arnaud. L’Arche éditeur, 1961, 96 p. (présentation sur le site de l’éditeur)
Le mari de sa femme, Paris, Éditions Balland, 1986. On peut en lire ici une présentation.
En traduction anglaise
Textes disponibles en ligne:
Henry IV. Traduction de Edward Storer (Eldritch Press)
The Late Mattia Pascal. Traduction de Arthur Livingston (Project Gutenberg Australia)
The Old and the Young. Traduction de C. K. Scott-Moncrieff (Project Gutenberg Australia)
Right You Are! (If You Think So). Traduction de Arthur Livingston (Eldritch Press)
Shoot! (Si Gira) The Notebooks of Serafino Gubbio, Cinematograph Operator. Traduction de C. K. Scott-Moncrieff (Project Gutenberg Australia)
Six Characters in Search of an Author. Traduction de Edward Storer (Eldritch Press)
Three Plays (Eldritch Press)
Documentation
Jean-Pierre Léonardini, Luigi Pirandello ne dormait que d’un oeil, L’Humanité, 15 octobre 2001
Film:
Un siècle d’écrivains: Luigi Pirandello. Réalisation: Michel Dumoulin, 1996 (Institut national de l’audiovisuel, Fr.)
Document sonore:
Abirached, Robert. Une tentation radicale, Pirandello. Cours de l’Université de Paris X-Nanterre. Date d’enregistrement: 1993-12-10. On peut en faire l’écoute en ligne ou le télécharger en format MP3 sur le site de l’Encyclopédie sonore - il faut s’inscrire au préalable: c’est gratuit!
DOCUMENTS ASSOCIÉS
THÉÂTRE
Comment et pourquoi j’ai écrit «Six personnages en quête d’un auteur»
LUIGI PIRANDELLO
«Quel auteur pourra jamais dire comment et pourquoi un personnage a surgi dans son imagination? Le mystère de la création artistique est le mystère même de la naissance naturelle.»
«Si ma modestie ne peut accepter l’affirmation de G.-B. Shaw, à savoir que les Six personnages en quête d’auteur constituent l’œuvre la plus originale et la plus puissante de tous les théâtres, antiques et modernes, de toutes les nations, ma conscience sait bien que leur apparition dans l’histoire du théâtre italien marque une date qu’on ne pourra oublier.» Luigi Pirandello, 1925»
Publicado por Violeta Teixeira em 27/08 às 09:38 AM
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PAUL VERLAINE
«Agora, livro meu, vai, vai para onde o acaso te leve.»
«Música antes de mais nada.»
«Paul Marie Verlaine (30 de Março, 1844 – 8 de Janeiro, 1896) é considerado um dos maiores e mais populares poetas franceses.»
Obra
• Poèmes saturniens (1866)
• Les Amies (1867)
• Fêtes galantes (1869)
• La Bonne chanson (1870)
• Romances sans paroles (1874)
• Sagesse (1880)
• Les Poètes maudits (1884)
• Jadis et naguère (1884)
• Amour (1888)
• Parallèlement (1889)
• Dédicaces (1890)
• Femmes (1890)
• Hombres (1891)
• Bonheur (1891)
• Mes hôpitaux (1891)
• Chansons pour elle (1891)
• Liturgies intimes (1892)
• Mes prisons (1893)
• Élégies (1893)
• Odes en son honneur (1893)
• Dans les limbes (1894)
• Épigrammes (1894)
• Confessions (1895)
«Paul Verlaine(1844-1896)
Notas Biográficas:
Poeta francês, nascido em 1844, de vida considerada atribulada e escandalosa, cuja poesia reflete a contradição entre uma conduta deplorável e um ideal quase primitivo de pureza e misticismo. Verlaine nasceu em Metz e fez seus estudos secundários em Paris, entrando depois, como funcionário, para a Prefeitura. Já nessa época, frequentava a boêmia dos cafés parisienses, sendo um funcionário relapso e pouco assíduo. É então que descobre a poesia.
Poèmes Saturniens ("Poemas Saturninos, 1866) é sua primeira coletânea publicada. Verlaine professa de início a impassibilidade parnasiana, mas já seu instinto poético o conduz a dar maior agilidade ao alexandrino, a utilizar os ritmos ímpares a sugerir vagos estados por estrofes vaporosas. Poucas obras na história da poesia francesa são mais sinceras e comoventes.
Inquieto e instável, o poeta conquista por algum tempo o equilíbrio e paz, quando se casa em 1870 com Mathilde Meauté. Porém sucedem-se logo os mal entendidos conjugais e Verlaine retoma seus antigos hábitos boêmios. Liga-se então ao jovem poeta Rimbaud e em sua companhia perambula pela Inglaterra e a Bélgica. Em julho de 1873, em Bruxelas, sob a influência da bebida, atira duas vezes no amigo, e é preso. Durante os dois anos de prisão em Mons vem a saber que a esposa pedira divórcio. Profundamente abalado, Verlaine se converte a fé católica. Testemunhas dessa fase de crise e conversão, são seus dois livros Romances sem palavras de 1874 e Sabedoria de 1881. Também é flagrante a influência do gênio de Rimbaud nos temas e nos ritmos. Foi admirado pelos simbolistas que o endeusaram, embora o próprio poeta se quisesse manter independente de qualquer corrente literária.
No final de sua vida, o poeta se esgota e o homem se degrada. Apesar da celebridade e do respeito da novas gerações que o consagram como o “Príncipe dos Poetas”, ele vive miseravelmente perambulando de hospital em hospital e de café em café até sua morte em 1896.»
Publicado por Violeta Teixeira em 27/08 às 08:50 AM
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DISFÓRICO
Pablo Picasso
Para o Miguel
Declaras disfórico
E desistente o Sol.
Diz-me como, agora,
A Lua preenche, com «mousse»
De ananás luzente, a cratera
Negra que traz no peito?
Violeta Teixeira, inédito (BOLORES DE AUSÊNCIAS)
Publicado por Violeta Teixeira em 27/08 às 08:41 AM
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