Segunda-feira, 31 Julho, 2006
HOJE FARIA ANOS
«Me tornei judeu em Auschwitz. A plena consciência da minha diferença me foi imposta. Alguém, sem nenhuma razão, decidiu que sou diferente e inferior. Por uma reação normal, me senti diferente e superior. Neste sentido, Auschwitz me deu algo que ficou, recuperei meu patrimônio cultural, minha identidade de judeu.»
Primo Levi
«Primo Levi, 1919-1987, judeu italiano foi um dos poucos sobreviventes de Auschwitz, o campo de concentração onde milhões de prisioneiros, judeus como ele, foram assassinados pelos nazistas. Sobreviveu para regressar a Turim, sua cidade natal, e escrever um dos mais extraordinários e comoventes testemunhos dos campos de extermínio nazista.
(...)
Dedicou o resto da sua vida à procura incessante da resposta para a pergunta essencial de Auschwitz: “O que é um homem?”Químico por formação, mas escritor por força do destino, Levi escreveu dezena de títulos, entre memórias, ensaios, ficção e poesia. Sua obra é frequentemente vista como uma ponte entre dois mundos: antes e após Auschwitz. Primo Levi é, às vezes, lembrado por ter dito que quem passou por campos de concentração nazistas se divide em duas categorias “os que calam e os que falam”. Foi justamente a necessidade de falar, de curar suas feridas espirituais, que levou Primo Levi a construir uma das obras fundamentais sobre os horrores criados pelo regime nazista. Sua obra é uma penosa interrogação sobre a natureza humana. Um testemunho sobre o “mal absoluto” e de como seres humanos conseguiram preservar sua humanidade intacta em face deste mal.
Sua obra, um testemunho
Primo Levi é a testemunha que precisa e quer narrar sua experiência – sabendo não ser esta somente sua, mas de todo o povo judeu – com a máxima transparência e precisão possíveis. A precisão que lhe advém de sua formação de químico, com que ele dosa de forma adequada suas palavras, que são pesadas e repesadas, repensadas e lapidadas. A linguagem é breve para tornar claro e visual tudo o que acontecia em Auschwitz para um judeu que como Levi fora selecionado para viver “por mais algum tempo”.
Levi é a testemunha que precisa fazer justiça às vítimas contando o processo de desumanização e degradação que sofreram e todas as aberrações cometidas pela espécie humana nos campos de aniquilamento nazistas. Em seu primeiro e mais impressionante livro, “Se questo è un uomo” (Se isto é um homem), escrito em 1947, Levi relata o ano que passou em Auschwitz. Os capítulos não obedecem a uma sucessão lógica, mas são escritos segundo a ordem de urgência que o autor sente em narrar o que vivera.
O livro inicia-se (assim como seus outros livros) com uma poesia, com versos duros e amargos. O poema escrito por Levi em Janeiro de 1946, que leva o título “Shemá”, quando é publicado separadamente do livro faz eco à oração primordial do judaísmo o “Shemá Israel”, oração que Levi aprendeu com 12 anos por ocasião de seus estudos de seu barmitzvá. A poesia é um alerta endereçado a todos que vivem em segurança para que meditem sobre os sofrimentos de nosso povo, gravando-os em pedra no coração e os contando a seus filhos para que nunca sejam esquecidos.
Mas, nos anos após a Segunda Guerra Mundial, poucos no mundo queriam saber a verdade sobre a Shoá e os campos de morte nazistas e o livro é recusado por vários editores que o consideraram muito triste. Quando é, finalmente, publicado, apesar de ser bem recebido pelos críticos, vende muito pouco. Reeditado em 1958, ‘Se isto é um homem se torna um sucesso de público.
Em 1963, Primo Levi publica seu segundo livro ‘A Trégua’, em que narra os últimos dias em Auschwitz, após os nazistas terem abandonado o campo, e sua viagem de volta para casa, na Itália. O livro é muito bem acolhido pela crítica e pelo publico. Levi passa a ser reconhecido como um grande escritor.
Recordar, contar, refletir e testemunhar continua-rão a ser o tema de todos os seus livros. Em 1963, logo depois de publicar ‘A Trégua’, Levi declara que considerava encerrado seu trabalho testemunhal. Mas nunca lhe foi possível manter esse propósito. Já que ele afirmava… “Com o passar dos anos, essas recordações não empalidecem nem se dissipam, ao contrário, se enriquecem com detalhes que eu acreditava esquecidos e que, às vezes, adquirem sentido à luz das recordações de outras pessoas, de cartas que recebo ou de livros que leio”. Seu último livro, ‘Os afogados e os sobreviventes é publicado em 1986. No ano seguinte é indicado para o Prémio Nobel.
Sua morte:
suicídio ou acidente?
Em Abril de 1987, aos 68 anos, Primo Levi é encontrado morto no poço da escadaria do apartamento no qual vivera toda a vida. Deixou Lúcia, sua esposa, e dois filhos, além de sua mãe. Na época, sua morte foi atribuída a suicídio. Acreditou-se que o grande escritor havia posto um fim à vida, pois esta se tornara pesada demais. Mas, nos últimos anos, três importantes biografias (duas na Inglaterra e uma na França) colocam em dúvida esse suposto suicídio. Afirmam que, provavelmente, foi um acidente provocado pelos remédios que Primo Levi tomava na época.
Uma das mais completas biografias é da escritora e pesquisadora Myriam Anissimov, publicada na França em 1996. Primo Levi é retratado como um homem gentil, um tanto reservado. Em sua essência, era um otimista. Enfrentou a crueldade em sua forma mais irracional. Foi forçado a testar suas certezas racionais e humanas contra a máquina nazista, determinada a transformar suas vítimas em seres desprezíveis antes de exterminá-los. Mas, mesmo assim, não perdeu a lucidez, nem sua fé na racionalidade, sua curiosidade em observar e analisar, mesmo nas horas mais desesperadoras. Por que um homem assim escolheria o suicídio, pergunta Myriam Anissimov em seu livro. E se ele realmente queria acabar com sua vida, por que, sendo químico, não usou uma forma menos traumática? Por que não deixou algo escrito, uma última mensagem? Acreditar que um homem assim se suicidou é difícil, porém a verdade sobre os últimos instantes do grande escritor nunca será descoberta. Talvez, no fim, Auschwitz tenha atingido seu objectivo, cobrando-lhe a vida tantos anos depois. Mas não resta dúvida que a vida de Primo Levi pode ser dividida em dois períodos distintos: antes e depois de Auschwitz.
A vida antes de Auschwitz
Primo Levi nasceu em Turim, no dia 31 de julho de 1919, no seio de uma família judaica burguesa de origem sefaradita. A família Levi, apesar de manter a maior parte das tradições e festas judaicas, assim como grande parte dos judeus italianos era muito bem integrada na tolerante sociedade da Itália pré-fascista. Mesmo após a subida de Mussolini ao poder havia na Itália um clima de relativa tolerância em relação aos judeus. Seu próprio pai se torna a contra-gosto, assim como outros judeus, membro do partido fascista. Mas, mesmo na Itália, as doutrinas raciais e as ideias fascistas tomaram conta de grande parte da sociedade italiana. Em 1938, Mussolini anuncia as leis raciais italianas inspiradas nas Leis de Nuremberg. Um regime de segregação é instituído contra os judeus; muitos são afastados de seus cargos públicos ou demitidos de escolas e faculdades. Bens e moradias são sequestrados. Mas apesar do que via em sua volta, Primo Levi estava convencido que a “razão iria triunfar”, que “a ciência com seu discurso objetivo” acabaria por colocar em dúvida as ideias fascistas, derrotando-as.
Em 1941, um ano depois de a Itália ter entrado na guerra ao lado de Hitler, Levi recebe seu doutorado em Química pela Universidade de Turim. Apesar de excluírem os judeus das universidades, havia na área das ciências exactas muitos professores antifascistas e um deles, Nicola Dallaporta, aceitou Levi como aluno no curso de pós-graduação.
Dois anos mais tarde, após o colapso do regime de Mussolini, em 1943, Primo Levi toma a decisão que vai marcar sua vida para sempre. Decide com alguns amigos formar um grupo de “partigiani” para lutar contra os fascistas. Inexperiente, acaba sendo preso num esconderijo nos Alpes, a 13 de dezembro de 1943, por milícias fascistas. Interrogado, declara-se “cidadão italiano de raça judaica” e como judeu é enviado a um campo de concentração fascista perto de Módena. No mesmo campo, encontra centenas de outros judeus italianos, famílias inteiras. Quando em fevereiro, dois meses após sua prisão, tropas das SS chegam ao campo com a ordem de deportar imediatamente todos os judeus, o medo se alastra entre eles. Já era o final de 1943. As notícias vindas da Alemanha, da Polónia e da Rússia sobre o terrível destino que esperava qualquer judeu que caía em mãos nazistas já circulavam entre os judeus. A maioria sabia que a deportação era uma condenação à morte.
No fatídico 22 de fevereiro, 650 judeus foram jogados dentro de 12 vagões chumbados, num “dos famosos comboios alemães, desses que não retornam, dos quais com um calafrio e com uma pontinha de dúvida tantas vezes tinham ouvido falar”, relata Levi. A viagem durou cinco dias. O destino era um lugar que nunca antes ninguém ouvira falar: Auschwitz. Do total dos 650 judeus italianos deportados naquele comboio, só 29 sobreviveram. Os restantes morreram em Auschwitz, uma morte anónima.
Primo Levi conta que antes de Auschwitz, para ele, “ser judeu” era algo vago.Tinha plena consciência da história de seu povo e uma espécie de incredulidade benéfica frente à religião. Porém, não se sentia diferente de seus amigos cristãos em cuja companhia se sentia à vontade. Sua paixão era o mundo das idéias abstratas, da cultura humanista italiana, das ciências, dos livros. Primo Levi escreve: “Me tornei judeu em Auschwitz. A plena consciência da minha diferença me foi imposta. Alguém, sem nenhuma razão, decidiu que sou diferente e inferior. Por uma reação normal, me senti diferente e superior. Neste sentido, Auschwitz me deu algo que ficou, recuperei meu patrimônio cultural, minha identidade como judeu”.
Publicado por Violeta Teixeira em 31/07 às 03:35 PM
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HOJE FARIA ANOS
Nota: já se publicou a biobibliografia deste escritor.
Publicado por Violeta Teixeira em 31/07 às 03:30 PM
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ESCOA-SE-ME
Escoa-se-me, sobre a palidez
Da página,
Sangue de insectos e de répteis.
Fluido e esbranquiçado,
Como a seiva dos coqueiros,
Desagua no estuário
Das águas ásperas da sintaxe,
Onde se dissolve na linfa
Violácea dos meus viveiros
De versos: os imprevisíveis
E definitivos,
Afectos ao culto íntimo,
Que presto aos ritos
Heréticos.
Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000
Publicado por Violeta Teixeira em 31/07 às 03:20 PM
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Domingo, 30 Julho, 2006
CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO
"Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas.
Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha,
nem desconfia que se acha conosco desde o início
das eras. Pensa que está somente afogando problemas
dele, João Silva… Ele está é bebendo a milenar
inquietação do mundo!”
Mario de Miranda Quintana nasceu na cidade de Alegrete (RS), no dia 30 de julho de 1906, quarto filho de Celso de Oliveira Quintana, farmacêutico, e de D. Virgínia de Miranda Quintana. Com 7 anos, auxiliado pelos pais, aprende a ler tendo como cartilha o jornal Correio do Povo. Seus pais ensinam-lhe, também, rudimentos de francês.
No ano de 1914 inicia seus estudos na Escola Elementar Mista de Dona Mimi Contino.
Em 1915, ainda em Alegrete, freqüentou a escola do mestre português Antônio Cabral Beirão, onde conclui o curso primário. Nessa época trabalhou na farmácia da família. Foi matriculado no Colégio Militar de Porto Alegre, em regime de internato, no ano de 1919. Começa a produzir seus primeiros trabalhos, que são publicados na revista Hyloea, órgão da Sociedade Cívica e Literária dos alunos do Colégio.
Por motivos de saúde, em 1924 deixa o Colégio Militar. Emprega-se na Livraria do Globo, onde trabalha por três meses com Mansueto Bernardi. A Livraria era uma editora de renome nacional.
No ano seguinte, 1925, retorna a Alegrete e passa a trabalhar na farmácia de seu pai. No ano seguinte sua mãe falece. Seu conto, A Sétima Personagem, é premiado em concurso promovido pelo jornal Diário de Notícias, de Porto Alegre.
O pai de Quintana falece em 1927. A revista Para Todos, do Rio de Janeiro, publica um poema de sua autoria, por iniciativa do cronista Álvaro Moreyra, diretor da citada publicação.
Em 1929, começa a trabalhar na redação do diário O Estado do Rio Grande, que era dirigida por Raul Pilla. No ano seguinte a Revista do Globo e o Correio do Povo publicam seus poemas.
Vem, em 1930, por seis meses, para o Rio de Janeiro, entusiasmado com a revolução liderada por Getúlio Vargas, também gaúcho, como voluntário do Sétimo Batalhão de Caçadores de Porto Alegre.
Volta a Porto Alegre, em 1931, e à redação de O Estado do Rio Grande.
O ano de 1934 marca a primeira publicação de uma tradução de sua autoria: Palavras e Sangue, de Giovanni Papini. Começa a traduzir para a Editora Globo obras de diversos escritores estrangeiros: Fred Marsyat, Charles Morgan, Rosamond Lehman, Lin Yutang, Proust, Voltaire, Virginia Woolf, Papini, Maupassant, dentre outros. O poeta deu uma imensa colaboração para que obras como o denso Em Busca do Tempo Perdido, do francês Marcel Proust, fossem lidas pelos brasileiros que não dominavam a língua francesa.
Retorna à Livraria do Globo, onde trabalha sob a direção de Érico Veríssimo, em 1936.
Em 1939, Monteiro Lobato lê doze quartetos de Quintana na revista lbirapuitan, de Alegrete, e escreve-lhe encomendando um livro. Com o título Espelho Mágico o livro vem a ser publicado em 1951, pela Editora Globo.
A primeira edição de seu livro A Rua dos Cataventos, é lançada em 1940 pela Editora Globo. Obtém ótima repercussão e seus sonetos passam a figurar em livros escolares e antologias.
Em 1943, começa a publicar o Do Caderno H, espaço diário na Revista Província de São Pedro.
Canções, seu segundo livro de poemas, é lançado em 1946 pela Editora Globo. O livro traz ilustrações de Noêmia.
Lança, em 1948, Sapato Florido, poesia e prosa, também editado pela Globo. Nesse mesmo ano é publicado O Batalhão de Letras, pela mesma editora.
Seu quinto livro, O Aprendiz de Feiticeiro, versos, de 1950, é uma modesta plaquete que, no entanto, obtém grande repercussão nos meios literários. Foi publicado pela Editora Fronteira, de Porto Alegre.
Em 1951 é publicado, pela Editora Globo, o livro Espelho Mágico, uma coleção de quartetos, que trazia na orelha comentários de Monteiro Lobato.
Com seu ingresso no Correio do Povo, em 1953, reinicia a publicação de sua coluna diária Do Caderno H (até 1967). Publica, também, Inéditos e Esparsos, pela Editora Cadernos de Extremo Sul - Alegrete (RS).
Em 1962, sob o título Poesias, reúne em um só volume seus livros A Rua dos Cataventos, Canções, Sapato Florido, espelho Mágico e O Aprendiz de Feiticeiro, tendo a primeira edição, pela Globo, sido patrocinada pela Secretaria de Educação e Cultura do Rio Grande do Sul.
Com 60 poemas inéditos, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, é publicada sua Antologia Poética, em 1966, pela Editora do Autor - Rio de Janeiro. Lançada para comemorar seus 60 anos, em 25 de agosto o poeta é saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira, que recita o seguinte poema, de sua autoria, em homenagem a Quintana:
Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.
Quinta-essência de cantares…
Insólitos, singulares…
Cantares? Não! Quintanares!
Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.
São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.
São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.
São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.
Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.
E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares
Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.
Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares…
Perdão! digo quintanares.
A Antologia Poética recebe em dezembro daquele ano o Prêmio Fernando Chinaglia, por ter sido considerado o melhor livro do ano. Recebe inúmeras homenagens pelos seus 60 anos, inclusive crônica de autoria de Paulo Mendes Campos publicada na revista Manchete no dia 30 de julho.
Preso à sua querida Porto Alegre, mesmo assim Quintana fez excelentes amigos entre os grandes intelectuais da época. Seus trabalhos eram elogiados por Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Morais, Cecília Meireles e João Cabral de Melo Neto, além de Manuel Bandeira. O fato de não ter ocupado uma vaga na Academia Brasileira de Letras só fez aguçar seu conhecido humor e sarcasmo. Perdida a terceira indicação para aquele sodalício, compôs o conhecido
Poeminho do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!
(Prosa e Verso, 1978)
A Câmara de Vereadores da capital do Rio Grande do Sul — Porto Alegre — concede-lhe o título de Cidadão Honorário, em 1967. Passa a publicar Do Caderno H no Caderno de Sábado do Correio do Povo (até 1980).
Em 1968, Quintana é homenageado pela Prefeitura de Alegrete com placa de bronze na praça principal da cidade, onde estão palavras do poeta: “Um engano em bronze, um engano eterno”. Falece seu irmão Milton, o mais velho.
1973. Nesse ano o poeta e prosador lançou, pela Editora Globo — Coleção Sagitário — o livro Do Caderno H. Nele estão seus pensamentos sobre poesia e literatura, escritos desde os anos 40, selecionados pelo autor.
Em 1975 publica o poema infanto-juvenil Pé de Pilão, co-edição do Instituto Estadual do Livro com a Editora Garatuja, com introdução de Érico Veríssimo. Obtém extraordinária acolhida pelas crianças.
Quintanares é impresso em 1976, em edição especial, para ser distribuído aos clientes da empresa de publicidade e propaganda MPM. Por ocasião de seus 70 anos, o poeta é alvo de excepcionais homenagens. O Governo do Estado concede-lhe a medalha do Negrinho do Pastoreio — o mais alto galardão estadual. É lançado o seu livro de poemas Apontamentos de História Sobrenatural, pelo Instituto Estadual do Livro e Editora Globo.
A Vaca e o Hipogrifo, segunda seleção de crônicas, é publicado em 1977 pela Editora Garatuja. O autor recebe o Prêmio Pen Club de Poesia Brasileira, pelo seu livro Apontamentos de História Sobrenatural.
Em 1978 falece, aos 83 anos, sua irmã D. Marieta Quintana Leães. Realiza-se o lançamento de Prosa & Verso, antologia para didática, pela Editora Globo. Publica Chew me up slowly, tradução Do Caderno H por Maria da Glória Bordini e Diane Grosklaus para a Editora Globo e Riocell (indústria de papel).
Na Volta da Esquina, coletânea de crônicas que constitui o quarto volume da Coleção RBS, é lançado em 1979, Editora Globo. Objetos Perdidos y Otros Poemas é publicado em Buenos Aires, tradução de Estela dos Santos e organização de Santiago Kovadloff.
Seu novo livro de poemas é publicado pela L&PM Editores - Porto Alegre, em 1980: Esconderijos do Tempo. Recebe, no dia 17 de julho, o Prêmio Machado de Assis conferido pela Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra. Participa, com Cecília Meireles, Henrique Lisboa e Vinicius de Moraes, do sexto volume da coleção didática Para Gostar de Ler, Editora Ática.
Em 1981, participa da Jornada de Literatura Sul Rio-Grandense, uma iniciativa da Universidade de Passo Fundo e Delegacia da Educação do Rio Grande do Sul. Recebe de quase 200 crianças botões de rosa e cravos, em homenagem que lhe é prestada, juntamente com José Guimarães e Deonísio da Silva, pela Câmara de Indústria, Comércio, Agropecuária e Serviços daquela cidade. No Caderno Letras & Livros do Correio do Povo, reinicia a publicação Do Caderno H. Nova Antologia Poética é publicada pela Editora Codecri - Rio de Janeiro.
O autor recebe o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no dia 29 de outubro de 1982.
É publicado, em 1983, o IV volume da coleção Os Melhores Poemas, que homenageia Mario Quintana, uma seleção de Fausto Cunha para a Global Editora - São Paulo. Na III Festa Nacional do disco, em Canela (RS), é lançado um álbum duplo: Antologia Poética de Mario Quintana, pela gravadora Polygram. Publicação de Lili Inventa o Mundo, Editora Mercado Aberto - Porto Alegre, seleção de Mery Weiss de textos publicado em Letras & Livros e outros livros do autor. Por aprovação unânime da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, o prédio do antigo Hotel Magestic (onde o autor viveu por muitos e muitos anos), tombado como patrimônio histórico do Estado em 1982, passa a denominar-se Casa de Cultura Mário Quintana.
Em 1984 ocorrem os lançamentos de Nariz de Vidro, seleção de textos de Mery Weiss, Editora Moderna - São Paulo, e O Sapo Amarelo, Editora Mercado Aberto - Porto Alegre.
O álbum Quintana dos 8 aos 80 é publicado em 1985, fazendo parte do Relatório da Diretoria da empresa SAMRIG, com texto analítico e pesquisa de Tânia Franco Carvalhal, fotos de Liane Neves e ilustrações de Liana Timm.
Ao completar 80 anos, em 1986, é publicada a coletânea 80 Anos de Poesia, organizada por Tânia Carvalhal, Editora Globo. Recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Vale dos Sinos (UNISINOS) e pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Lança Baú de Espantos, pela Editora Globo, uma reunião de 99 poemas inéditos.
Em 1987, são publicados Da Preguiça como Método de Trabalho, Editora Globo, uma coletânea de crônicas publicadas em Do Caderno H, e Preparativos de Viagem, também pela Globo, reflexões do poeta sobre o mundo.
Porta Giratória, pela Editora Globo - Rio de Janeiro, é lançada em 1988, uma reunião de crônicas sobre o cotidiano, o tempo, a infância e a morte.
Em 1989 ocorre o lançamento de A Cor do Invisível pela Editora Globo - Rio de Janeiro. Recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Campinas (UNICAMP) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, entre escritores de todo o Brasil.
Velório sem Defunto, poemas inéditos, é lançado pela Mercado Aberto em 1990.
Em 1992, a editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) reedita, em comemoração aos 50 anos de sua primeira publicação, A Rua dos Cataventos.
Poemas inéditos são publicados no primeiro número da Revista Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional/Departamento Nacional do Livro, em 1993. Integra a antologia bilíngüe Marco Sul/Sur - Poesia, publicada Editora Tchê!, que reúne a poesia de brasileiros, uruguaios e argentinos. Seu texto Lili Inventa o Mundo montado para o teatro infantil, por Dilmar Messias. Treze de seus poemas são musicados pelo maestro Gil de Rocca Sales, para o recital de canto Coral Quintanares - apresentado pela Madrigal de Porto Alegre no dia 30 de julho (seu aniversário) na Casa de Cultura Mario Quintana.
Alguns de seus textos são publicados na revista literária Liberté - editada em Montreal, Quebec, Canadá - que dedicou seu 211o número à literatura brasileira (junto com Assis Brasil e Moacyr Scliar), em 1994. Publicação de Sapato Furado, pela editora FTD - antologia de poemas e prosas poéticas, infanto - juvenil. Publicação pelo IEL, de Cantando o Imaginário do Poeta, espetáculo musical apresentado no Teatro Bruno Kiefer pelo Coral da Casa de Cultura Mário Quintana, constituído de poemas musicados pelo maestro Adroaldo Cauduro, regente do mesmo Coral.
Falece, em Porto Alegre, no dia 5 de maio de 1994, próximo de seus 87 anos, o poeta e escritor Mario Quintana.
Escreveu Quintana:
“Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas… Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira”.
E, brincando com a morte: “A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos”.
Bibliografia:
- Em português:
- A Rua dos Cata-ventos (1940)
- Canções (1946)
- Sapato Florido (1948)
- O Batalhão de Letras (1948)
- O Aprendiz de Feiticeiro (1950)
- Espelho Mágico (1951)
- Inéditos e Esparsos (1953)
- Poesias (1962)
- Antologia Poética (1966)
- Pé de Pilão (1968) - literatura infanto-juvenil
- Caderno H (1973)
- Apontamentos de História Sobrenatural (1976)
- Quintanares (1976) - edição especial para a MPM Propaganda.
- A Vaca e o Hipogrifo (1977)
- Prosa e Verso (1978)
- Na Volta da Esquina (1979)
- Esconderijos do Tempo (1980)
- Nova Antologia Poética (1981)
- Mario Quintana (1982)
- Lili Inventa o Mundo (1983)
- Os melhores poemas de Mario Quintana (1983)
- Nariz de Vidro (1984)
- O Sapato Amarelo (1984) - literatura infanto-juvenil
- Primavera cruza o rio (1985)
- Oitenta anos de poesia (1986)
- Baú de espantos ((1986)
- Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)
- Preparativos de Viagem (1987)
- Porta Giratória (1988)
- A Cor do Invisível (1989)
- Antologia poética de Mario Quintana (1989)
- Velório sem Defunto (1990)
- A Rua dos Cata-ventos (1992) - reedição para os 50 anos da 1a. publicação.
- Sapato Furado (1994)
- Mario Quintana - Poesia completa (2005)
- Quintana de bolso (2006)
No exterior:
- Em espanhol:
- Objetos Perdidos y Otros Poemas (1979) - Buenos Aires - Argentina.
- Mario Quintana. Poemas (1984) - Lima, Peru.
Participação em Antologias:
No Brasil:
- Obras-primas da lírica brasileira (1943)
- Coletânea de poetas sul-rio-grandenses. 1834-1951 - (1952)
- Antologia da poesia brasileira moderna. 1922-1947 - (1953)
- Poesia nossa (1954)
- Antologia poética para a infância e a juventude (1961)
- Antologia da moderna poesia brasileira (1967)
- Antologia dos poetas brasileiros (1967)
- Poesia moderna (1967)
- Porto Alegre ontem e hoje (1971)
- Dicionário antológico das literaturas portuguesa e brasileira (1971)
- Antologia da estância da poesia crioula (1972)
- Trovadores do Rio Grande do Sul (1972)
- Assim escrevem os gaúchos (1976)
- Antologia da literatura rio-grandense contemporânea - Poesia e crônica (1979)
- Histórias de vinho (1980)
- Para gostar de ler: Poesias (1980)
- Te quero verde. Poesia e consciência ecológica (1982)
No Exterior:
- La poésie brésilienne, 1930-1940 - Rio de Janeiro (para circulação no exterior) (1941)
- Brazilian literature. An outline. - New York (1945)
- Poesía brasileña contemporánea, 1920-1946 - Montevideo (1947)
- Antologia de la poesía brasileña - Madrid (1952)
- La poésie brésilliene contemporaine - Paris (1954)
- Un secolo di poesia brasiliana - Siena (1954)
- Antología de la poesía brasileña - Buenos Aires (1959)
- Antología de la poesía brasileña. Desde el Romanticismo a la Generación de Cuarenta y Cinco - Barcelona (1973)
- Chew me up slowly - Porto Alegre (para circulação no exterior) (1978)
- Las voces solidarias - Buenos Aires (1978)
Traduções:
PAPINI, Giovanni. Palavras e sangue. Porto Alegre: Globo, 1934.
MARSYAT, Fred. O navio fantasma. Porto Alegre: Globo, 1937.
VARALDO, Alessandro. Gata persa. Porto Alegre: Globo, 1938.
LUDWIG, Emil. Memórias de um caçador de homens. Porto Alegre: Globo, 1939.
CONRAD, Joseph. Lord Jim. Porto Alegre: Globo, 1939.
STACPOOLE, H. de Vere. A laguna azul. Porto Alegre: Globo, 1940.
GRAVE, R. Eu, Claudius Imperator. Porto Alegre: Globo, 1940.
MORGAN, Charles. Sparkenbroke. Porto Alegre: Globo, 1941.
YUTANG, Lin. A importância de viver. Porto Alegre: Globo, 1941.
BRAUN, Vicki. Hotel Shangai. Porto Alegre: Globo, 1942.
FULOP-MILLER, René. Os grandes sonhos da humanidade. Porto Alegre: Globo, 1942 (de parceria com R. Ledoux).
MAUPASSANT, Guy de. Contos. Porto Alegre: Globo, 1943.
LAMB, Charles & LAMB, Mary Ann. Contos de Shakespeare. Porto Alegre: Globo, 1943.
MORGAN, Charles. A fonte. Porto Alegre: Globo, 1944.
MAUROIS, André. Os silêncios do Coronel Branble. Porto Alegre: Globo, 1944.
LEHMANN, Rosamond. Poeira. Porto Alegre: Globo, 1945.
JAMES, Francis. O albergue das dores. Porto Alegre: Globo, 1945.
LAFAYETTE, Condessa de. A princesa de Cléves. Porto Alegre: Globo, 1945.
BEAUMARCHAIS. O barbeiro de Sevilha ou a precaução inútil. Porto Alegre: Globo, 1946.
WOOLF, Virginia. Mrs. Dalloway. Porto Alegre: Globo, 1946.
PROUST, Marcel. No caminho de Swann. Porto Alegre: Globo, 1948.
BROWN, Frederiek. Tio prodigioso. Porto Alegre: Globo, 1951.
HUXLEY, Aldous. Duas ou três graças. Porto Alegre: Globo, 1951.
MAUGHAM, Somerset. Confissões. Porto Alegre: Globo, 1951.
PROUST, Marcel. À sombra das raparigas em flor. Porto Alegre: Globo, 1951.
VOLTAIRE. Contos e novelas. Porto Alegre: Globo, 1951.
BALZAC, Honoré de. Os sofrimentos do inventor. Porto Alegre: Globo, 1951.
MAUGHAM, Somerset. Biombo chinês. Porto Alegre: Globo, 1952.
THOMAS, Henry & ARNOLD, Dana. Vidas de homens notáveis. Porto Alegre: Globo, 1952.
GRENNE, Graham. O poder e a glória. Porto Alegre: Globo, 1953.
PROUST, Marcel. O caminho de Guermantes. Porto Alegre: Globo, 1953.
PROUST, Marcel. Sodoma e Gomorra. Porto Alegre:Globo, 1954.
BALZAC, Honoré de. Uma paixão no deserto. Porto Alegre: Globo, 1954.
MÉRIMÉE, Prospero Novelas completas. Porto Alegre:Globo, 1954.
MAUGHAM, Somerset. Cavalheiro de salão. Porto Alegre: Globo, 1954.
BUCK, Pearl S. Debaixo do céu. Porto Alegre: Globo, 1955.
BALZAC, Honoré de. Os proscritos. Porto Alegre: Globo, 1955.
BALZAC, Honoré de. Seráfita. Porto Alegre: Globo, 1955.
Discos:
- Antologia Poética de Mario Quintana - Gravadora Polygram (1983)
Música:
- Recital Canto Coral Quintanares (1993) - treze poemas musicados pelo maestro Gil de Rocca Sales.
- Cantando o Imaginário do Poeta (1994) - Coral Casa de Mario Quintana - poemas musicados pelo maestro Adroaldo Cauduro.
Teatro:
- Lili Inventa o Mundo (1993) - montagem de Dilmar Messias.
Sobre o autor:
- Quintana dos 8 aos 80 (1985)
Dados obtidos em livros do e sobre o autor e páginas na Internet, em especial a da Casa de Cultura Mario Quintana / Suzana Kanter.
Publicado por Violeta Teixeira em 30/07 às 07:25 PM
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HOMENAGEM PÓSTUMA
A um colega que, há longos anos, se suicidou.
Partiste para Amares
E, no teu gesto
De despedida
Inconcluído,
Célere, um fio teceu
A distância definitiva.
Não há cais que te prenda
A Porto-de-Mós,
Não há barco nem vela
Para viajares a tua sede,
Para vestires de verde
As tuas visões saturadas,
E amanhecerem frutos
Nas copas dos teus dedos.
Violeta Teixeira, in FALO-VOS DO SILÊNCIO, Magno Edições, 1999
Nota: premonição do sujeito poético.
Publicado por Violeta Teixeira em 30/07 às 02:18 PM
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Sábado, 29 Julho, 2006
SORVI, COMPULSIVA
Sorvi, compulsiva,
Gota a gota,
Toda a cicuta
Da minha ânfora.
Absorvo o espanto
Do poder perverso
E obscuro
Das minhas mãos.
Nebulosa aspiração!
Hoje, sou o inferno
De uma ânfora
Sem braços.
E são outras
As mãos
Que recolhem
Os cacos.
Violeta Teixeira, in FALO-VOS DO SILÊNCIO, Magno Edições, 1999
Publicado por Violeta Teixeira em 29/07 às 01:56 PM
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HUMÍLIMA HOMENAGEM
Faz hoje 150 anos que faleceu.
«Robert Schumann nasceu em 8 de junho de 1810 na cidade de Zwickau, Saxónia, Alemanha, filho de um livreiro e Johanna Schumann.
Era o mais novo de cinco crianças e, por esse motivo, foi considerado a criança notável.
Aos seis anos de idade foi enviado à Escola de Archdeacon Döhner, similar à atual escola avançada.
Com sete anos começou a receber aulas de piano. Seu instrutor foi Baccalaureus Kuntzsch, Professor da Universidade de Zwickau. Nesta época escreveu algumas composições ainda bastante rudimentares, contudo, pela idade, foi considerado muito avançado.
Um dos grandes eventos que o influenciaram no piano foi o concerto que assistiu em Carlsbad, tocado por Ignatz Moscheles, pianista famoso na época.
Em 1826, falece seu pai, um grande incentivador da aprendizagem do piano. Terminou sua faculdade de Direito.
Em 1830, passou a dedicar-se exclusivamente à música, com auxílio de seu professor Friedrich Wieck. Em 1832 um misterioso incidente envolvendo um suposto mecanismo, por ele inventado para dar mais independência aos dedos, fez com que Schumann perdesse os movimentos do quarto dedo da mão esquerda. Hoje, alguns estudiosos dizem que o compositor, na verdade, teve os movimentos das mãos prejudicados em função de um remédio para sífilis, contudo, isso ainda não pode ser comprovado.
Tendo o sonho de se tornar um solista interrompido por este destino infortuno, começou a se interessar mais pela composição. Sua tendência era revolucionária na época, não gostava das (usando suas próprias palavras) áridas escolas do contraponto e da harmonia. Teve na análise das obras de Mozart, Schubert e Beethoven, dentre outros, sua principal influência composicional.
Em conjunto com amigos e intelectuais da época fundou o Neue Zeitschrift für Musik (Nova revista para a música). Um jornal voltado para a música, em 1834. Nos dez anos em que esteve à frente deste, teve uma rica produção artística.
Por volta de 1835, apaixona-se por Clara de Wieck, filha de seu instrutor. Apesar de um atribulado romance e profundamente depressivo, casaram-se em 1840.
Foi Diretor Musical na cidade de Düsseldorf - Alemanha em 1850. Foi forçado a renunciar o cargo em 1854, devido ao seu estado avançado de doença mental, que o afligia desde pequeno, causado por uma séria inflamação do ouvido, tendo tentado suicídio nesse ano. Acabou internando-se num asilo e veio a falecer em 29 de junho de 1856 no Asilo de Endenich, perto de Bonn, Alemanha.»
As composições de Schumann
Piano Solo
• Tema no nome de “ABEGG” com Variações, Opus 1. (1830)
• Papillons, Opus 2. (1829-1831)
• Intermezzi, Opus 3. (1832)
• Toccata em Dó maior, Opus 7. (1830)
• Carnaval. Scènes mignonnes sur quatre notes, Opus 9. (1834-1835)
• Davidsbündlertänze, Opus 6. (1837, revised 1850)
• Fantasiestücke, Opus 12. (1847)
• Fantasiestücke, Opus 111. (1851)
• Etudes en forme de variations, Opus 13. (doze Estudos sinfônicos) (1834, rev. 1852)
• Kinderscenen, Opus 15. (1838)
• Kreisleriana. Fantasien, Opus 16. (1838, revised 1850)
• Fantasia em Dó maior, Opus 17. (1836)
• Arabesque em Dó maior, Opus 18. (1838-39)
• Humoreske em Si bemol maior, Opus 20. (1839)
• Novelletten, Opus 21. (1838):
-No.1, Fá maior. -No.2, Ré maior. -No.3, Ré maior. -No.4, Ré maior. -No.5, Ré maior. -No.6, Lá maior. -No.7, Mi maior. -No.8, Fá sustenido menor-Ré maior.
• Faschingsschwank aus Wien. Fantasiebilder, Opus 26. (1839)
• Waldszenen, Op. 82. (1848-49)
Concertos
• Concerto para Piano e Orquestra em Lá menor, Opus 54. (1841 and 1845)
• Concerto para Violoncelo e Orquestra em Lá maior, Opus 129. (1850)
• Fantasy para Violino e Orquestra em Dó maior, Opus 131. (1853)
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Lieder
• Liederkreis, Opus 24. (1840) text by Heine.
• Myrthen, Opus 25. Song Cycle of 26 Nos. (1840)
• 1. Widmung.
• Liederkreis, Opus 39. (1840) text by Eichendorff.
• Frauenliebe und Leben, Opus 42. Cycle (1840) text by Chamisso.
• Dichterliebe, Opus 48. Song Cycle. (1840) text by Heine.
Orquestral
• Sinfonia No.1 em Si bemol maior, Opus 38. “Primavera.” (1841)
• Sinfonia No.2 em Dó maior, Opus 61. (1845-1846)
• Sinfonia No.3 em Mi bemol maior, Opus 97. “Rhenish.” (1850)
• Sinfonia No.4 em Ré menor, Opus 120. (1841, revised 1851)
• Abertura para “Manfred” de Byron, Opus 115. (1848-1849)
• Abertura para o Festival de Rheinweinlied, Opus 123. (1853)
Música de câmara
• Três Quartetos de Cordas, Opus 41. (1842):
-No.1, Lá menor -No.2, Fá maior -No.3, Lá maior
• Quinteto para Piano em Mi bemol maior, Opus 44. (1842)
• Quarteto para Piano em Mi bemol maior, Opus 47. (1842)
• Fantasiestücke para Clarinete (ou Violino, ou Violoncelo) e Piano, Opus 73. (1849)
• Drei Romanzen para Oboé e Piano, Opus 94. (1849)
Coral
• Das Paradies und die Peri para Vozes solistas, Coro, e Orquestra, Opus 50. (1843)
• Missa, Opus 147. (1852)
• Requiem, Opus 148. (1852)
Piano de pedal
• Studien für den Pedal-Flügel, Opus 56. (1845):
-No.1, Dó menor. -No.2, Lá menor. -No.3, Mi maior. -No.4, Lá bemol maior. -No.5, Si menor. -No.6, Si maior
• Skizzen für den Pedal-Flügel, Opus 58. (1845):
-No.1, Dó menor. -No.2, Dó maior. -No.3, Fá menor. -No.4 Ré bemol maior.
Órgão
• Seis Fugas Sobre o nome de “BACH”, Opus 60. (1845)
• No.1, Si bemol maior.
• No.2, Si bemol maior.
• No.3, Sol menor.
• No.4, Si bemol maior.
• No.5, Fá maior.
• No.6, Si bemol maior
Ópera
• Genoveva, Opus 81. (1846-48)
WIKIPÉDIA
Publicado por Violeta Teixeira em 29/07 às 01:34 PM
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EFEMÉRIDE
Faz hoje 150 anos que faleceu Schumann.
Publicado por Violeta Teixeira em 29/07 às 01:21 PM
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Sexta-feira, 28 Julho, 2006
DESEJO
«Se Deus quisesse que o amor fosse eterno, teria feito que se mantivessem as condições do desejo.»
In “Ardèle»
Jean Anouilh (1910-1987)
“Anouilh a une incontestable habileté de dramaturge et atteint parfois la puissance : son registre ne manque pas d’ampleur, puisqu’il va du romantisme de l’Hermine , sa première pièce , au réalisme inquiétant du Voyageur sans bagage et au réalisme mythique d’Antigone; du pessimisme moral des Pièces Noires à la fantaisie des Pièces roses, dont se détache le charmant Bal des voleurs”.
Gaëtan Picon
Panorama de la Nouvelle Littérature,
Gallimard 1960
Jean Anouilh a toujours fait preuve d’une grande discrétion concernant sa propre histoire : Ma vie privée est mon affaire personnelle a-t-il d’ailleurs confié lors d’une interview en 1964.
Il est né à Bordeaux en 1910, d’un père tailleur et d’une mère musicienne. Il arrive à Paris en 1921 et poursuit ses études au collège Chaptal. Après des études de droit, il débute dans la publicité où il rencontrera Prévert. Très tôt passionné par le théâtre, Jean Anouilh assiste émerveillé, au printemps 1928, à la représentation de Siegfried de Jean Giraudoux . Cette pièce servira de révélateur : “c’est le soir de Siegfried que j’ai compris...”
En 1929 il devient le secrétaire de Louis Jouvet . Les relations entre les deux hommes sont tendues. Qu’importe, son choix est fait, il vivra pour et par le théâtre.
Sa première pièce, l’Hermine (1932), lui offre un succès d’estime, et il faut attendre 1937 pour qu’il connaisse son premier grand succès avec le Voyageur sans bagages . L’année suivante le succès de sa pièce la Sauvage confirme sa notoriété et met fin à ses difficultés matérielles. Au travers de textes apparemment ingénus, Anouilh développe “une vision profondément pessimiste de l’existence”.
Puis éclate la seconde guerre mondiale. Pendant l’occupation, Jean Anouilh continue d’écrire. Il ne prend position ni pour la collaboration, ni pour la résistance. Ce non-engagement lui sera reproché.
il se lance dans l’adaptation de tragédies grecques et obtient un nouveau succès avec Eurydice (1942). En 1944 est créé Antigone (1944). Cette pièce connaît un immense succès public mais engendre une polémique. Certains reprochent à Anouilh de défendre l’ordre établi en faisant la part belle à Créon . Ses défenseurs mettent au contraire en avant les qualités de l’Héroïne.
À la Libération, Anouilh continue d’écrire en alternant pièces “noires”, “roses”, “brillantes”, “grinçantes”, “costumées”, “secrètes” et “farceuses”, suivant leur degré de pessimisme, de férocité et d’hypocrisie.
Il obtient de nombreux succès. Citons notamment L’Invitation au château (1947), L’Alouette (1952), Pauvre Bitos ou le dîner de têtes (1956), Beckett ou l’honneur de Dieu (1959).
En 1961, il connaît un échec avec La Grotte . Il se tourne alors vers la mise en scène. Anouilh est un des premiers à saluer le talent de Samuel Beckett, lors de la création d’En attendant Godot. Il soutiendra également Ionesco, Dubillard, Vitrac…
Il écrira encore plusieurs pièces dans les années soixante-dix, dont certaines lui vaudront le qualificatif “d’auteur de théâtre de distraction” . Anouilh assume alors parfaitement ce rôle revendiquant volontiers le qualificatif de “vieux boulevardier”. Et allant même jusqu’à se présenter comme un simple “fabricant de pièces” .
Il n’en reste pas moins qu’Anouilh a bâti une œuvre qui sous l’apparence d’un scepticisme amusé révèle un pessimisme profond. Il a également su dépeindre ces combats passionnés où l’idéalisme et la pureté se fracassent contre le réalisme et la compromission. Comme l’écrit Kléber Haedens, “ Anouilh touche par ses appels au rêve, sa nostalgie d’un monde pur et perdu”.
Anouilh est mort en 1987.
Aude Sanseverina
Source bibliographique
Véronique Taquin, Antigone (Hachette)
Charles Delattre, Antigone (Bréal Editions)
Kléber Haedens Une Histoire de la Littérature française, Grasset 1970
Publicado por Violeta Teixeira em 28/07 às 04:00 PM
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SOU APENAS UMA BOCA VULVAR
Sou apenas uma boca vulvar. Não! De nada te vale a pena
Mo negares. Sob uma aura vermelha da Lua, fá-la
Lagar. Mosto. Vinho branco. De Creta.
Vinho perfumado de resina. Ou, então, de aromas
De noz-moscada, gengibre, mostarda ou açafrão,
De acordo com a temperatura e a cor
Da nossa combustão.
Violeta Teixeira ( inédito- ROSAS DE JERICHÓ)
Publicado por Violeta Teixeira em 28/07 às 09:39 AM
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Quinta-feira, 27 Julho, 2006
DESORDEM
Gorky
«A desordem é o melhor servidor da ordem estabelecida.»
Jean-Paul Sartre
Nota: já se publicou a biobibliografia de Sartre.
Publicado por Violeta Teixeira em 27/07 às 02:15 PM
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TODOS ME INVISITAM
Salvador Dali
Todos
Me invisitam.
Sou
Um desvalor.
Um desvario.
Peso
O peso do me desvivo.
Morfinize-me,
O pólen
Da poesia,
A obsessão das cinzas,
Das pétalas,
Dos azuis atlânticos das vagas,
Dos voos estrídulos
Das gaivotas.
Quem,
Se um ser houvera,
Me traz de volta?
Violeta Teixeira, in AFLUENTES LUNARES, 1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira, 1ª edição, 2000, co-edição Magno Edições/Câmara Municipal de Leiria, 2001
Publicado por Violeta Teixeira em 27/07 às 02:07 PM
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Quarta-feira, 26 Julho, 2006
EFEMÉRIDE
Faz hoje 116 anos que Van Gogh diaparou um tiro no peito, tendo falecido dois dias depois.
Nota: já se publicou a biografia deste célebre pintor.
Publicado por Violeta Teixeira em 26/07 às 03:14 PM
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ABORRECIMENTO
«É preciso esconjurar, da forma que nos for possível, este diabo de vida que não sei porque é que nos foi dada e que se torna tão facilmente amarga se não opusermos ao tédio e aos aborrecimentos uma vontade de ferro. É preciso, numa palavra, agitar este corpo e este espírito que se delapidam um ao outro na estagnação e numa indolência que se confunde com um torpor. É preciso passar, necessariamente, do descanso ao trabalho - e reciprocamente: só assim estes parecerão, ao mesmo tempo, agradáveis e salutares. Um desgraçado que trabalhe sem cessar, sob o peso de tarefas inadiáveis, deve ser, sem dúvida, extremamente infeliz, mas um indivíduo que não faça mais do que divertir-se não encontrará nas suas distracções nem prazer nem tranquilidade; sente que luta contra o tédio e que este o prende pelos cabelos - como se fosse um fantasma que se colocasse sempre por detrás de cada distracção e espreitasse por cima do nosso ombro.
Não julgue, cara amiga, que eu só porque trabalho regularmente estou isento das investidas deste terrível inimigo; penso que, quando se tem uma certa disposição de espírito, é preciso termos uma imensa energia de forma a não nos deixarmos absorver e conseguir escapar, graças à nossa força de vontade, à melancolia em que caímos continuamente. O prazer que sinto, neste momento, em dialogar consigo acerca deste sentimento é mais uma prova de como eu me procuro agarrar, avidamente, sempre que tenho forças para isso, a todas as oportunidades para ocupar o espírito (ainda que seja referindo-me a este tédio, que procuro combater).
Sempre pensei que havia tempo a mais. Atribuo em grande parte este sentimento ao prazer que quase sempre encontrei no próprio trabalho: os verdadeiros ou pretensos prazeres que se lhe sucediam não contrastavam talvez muito com a fadiga que me comunicava o trabalho - fadiga que a maior parte dos homens sente duramente. Não tenho dificuldade em imaginar o prazer que deve sentir nas suas horas de repouso essa multidão de homens que vemos vergados sob trabalhos desencorajadores - e não me refiro apenas aos pobres, que têm de ganhar o seu pão quotidiano, mas também aos advogados, aos funcionários, submersos pela papelada e ocupados com encargos fastidiosos ou que não lhe dizem respeito.
No entanto, também é verdade que a maior parte desses indivíduos não têm problemas com a imaginação e vêem nas suas ocupações maquinais uma maneira como qualquer outra de ocupar o tempo. E serão tanto menos infelizes quanto mais medíocres forem. Para me consolar, termino com este último axioma: que é por ter espírito que me aborreço.»
Eugène Delacroix, in «Diário»
Publicado por Violeta Teixeira em 26/07 às 02:57 PM
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INVEJA
«A inveja é tão vil e vergonhosa que ninguém se atreve a confessá-la.»
Ramón Cajal
«Santiago Ramón y Cajal (Petilla de Aragón, 1 de Maio de 1852 — Madrid, 17/18 de Outubro de 1934) foi um importante médico e histologista espanhol. Premiado com o Nobel de Medicina de 1906.
Vida
Filho de Justo Ramón e Antonia Cajal, Ramón y Cajal estudou na escola médica de Zaragoza, onde se licenciou em 1873. Logo depois de ter concluído a licenciatura foi incorporado como médico militar no exército espanhol. Nessa qualidade foi enviado para Cuba, onde adoeceu com malária. Regressando a Espanha casou com Silveria Fañanás García em 1879, de quem teve quatro filhas e três filhos. Em 1881, foi nomeado professor da universidade de Valença, e em 1883 obteve o grau de doutor em Madrid. Mais tarde viria a ocupar cátedras em Barcelona e em Madrid. Foi director do Museu de Zaragoza (1879), director do Instituto Nacional de Higiene (1899), e fundador do Laboratorio de Investigaciones Biológicas (1922) (rebaptizado mais tarde como Instituto Cajal).
Obra
Os estudos mais famosos de Ramón y Cajal incidiram sobre a estrutura fina do sistema nervoso central. Cajal usou uma técnica de coloração histológica desenvolvida pelo seu contemporâneo Camillo Golgi. Golgi descobriu que conseguia escurecer algumas células cerebrais tratando o tecido do cérebro com uma solução de cromato de prata. Isto permitiu que resolvesse em detalhe a estrutura dos neurônios individuais e levou-o a concluir que o tecido nervoso era um retículo contínuo (ou teia) de células interligadas como as que constituíam o sistema circulatório. Usando o método de Golgi, Ramón y Cajal chegou a uma conclusão muito diferente. Postulou que o sistema nervoso é composto por biliões de neurónios distintos e que estas células se encontram polarizadas. Cajal sugeriu que os neurônios, em vez de formarem uma teia contínua, comunicam entre si através de ligações especializadas chamadas sinapses. Esta hipótese transformou-se na base da doutrina do neurónio, que indica que a unidade individual do sistema nervoso é o neurónio. A microscopia electrónica mostrou mais tarde que uma membrana plasmática envolve completamente cada neurônio, reforçando a teoria de Cajal, e enfraquecendo a teoria reticular de Golgi. Contudo, com a descoberta das sinapses eléctricas (junções directas entre células nervosas), alguns autores argumentaram que Golgi estava ao menos parcialmente correcto. Por este trabalho, Ramón y Cajal e Golgi compartilharam o prêmio Nobel de fisiologia e medicina em 1906. Ramón y Cajal propôs também que a maneira como os axónios crescem é através de um cone de crescimento nas suas extremidades. Compreendeu que as células neuronais poderiam detectar sinais químicos e mover-se no sentido apropriado para o crescimento.
Ramón y Cajal numa aula de anatomía c. 1915.
Publicou, a partir de 1880, mais de uma centena de trabalhos e artigos científicos em francês, castelhano e alemão. Entre os mais importantes encontram-se:
• Manual de histología normal y técnica micrográfica, 1889.
• Elementos de Histología, 1897;
• Manual de Anatomía Patológica General, 1890.
• Les nouvelles idées sur la fine anatomie des centres nerveux, 1894.
• Textura del sistema nervioso del hombre y de los vertebrados, 1897-1899.
• Die Retina der Wirbelthiere, 1894.»
Publicado por Violeta Teixeira em 26/07 às 02:26 PM
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