Quarta-feira, 31 Maio, 2006
RUIU
Ruiu
Todo o sentido
Do cimo
Do teu estúdio.
Só se ouviu,
À tona do desenlace,
O marulhar
De um azul-anil.
Violeta Teixeira, in AFLUENTES LUNARES, 1º PRÉMIO LITERÁRIO AFONSO LOPES VIEIRA, 1ª edição, 2000, co-edição Magno Edições/ Câmara Municipal de Leiria, 2001
Publicado por Violeta Teixeira em 31/05 às 01:21 PM
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PRÉMIO PRINCÍPE DAS ASTURIAS
Paul Auster vence Prémio Príncipe das Astúrias (act.)
O Prémio Príncipe de Astúrias das Letras 2006 foi hoje atribuído a Paul Auster, considerado um dos escritores norte-americanos mais reconhecidos e admirados universalmente, anunciou a Fundação Príncipe de Astúrias.
«Paul Auster foi galardoado com o Prémio Príncipe de Astúrias das Letras 2006», de acordo com o júri.
Considerado um dos escritores norte-americanos mais relevantes da sua geração, Paul Auster criou um universo literário onde a realidade e fantasia invadem os espaços quotidianos do Homem.
Novelista, poeta e guionista, Paul Auster nasceu em Newark (Nova Jersey, Estados Unidos) em 1947.
Depois de completar os estudos na Universidade de Columbia, onde se licenciou em Literatura Inglesa e Comparada, viveu três anos em França (1971-1974), onde exerceu os mais diversos ofícios, fez traduções de Mallarme, Sartre e Simeon, entre outros, e escreveu poesia e obras teatrais de um acto.
Durante esse período passou algumas dificuldades económicas, regressando aos Estados Unidos.
Já em Nova Iorque, Auster dedicou-se à tradução e começou a publicar críticas, poesias e ensaios em revistas como a New York Review of Books e Harper’s Saturday Review.
Começou a ser conhecido como escritor com a publicação de «Inventar a Solidão» (1982), obra autobiográfica e, sobretudo, com a «Trilogia de Nova Iorque (1985-1986), Paul Auster trabalhou também como guionista em 1993.
Este foi o quinto dos oito Prémios Príncipe de Astúrias concedidos este ano.
O Prémio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional (a Bill e Melinda Gates), o de Comunicação e Humanidades (à National Geographic Society), o das Artes (concedido a Pedro Almodóvar) e o da Investigação Científica e Técnica (a Juan Ignacio Cirac).
Na próxima semana será anunciado o Prémio das Ciências Sociais.
Os Prémios Príncipe de Astúrias de Desporto e Concórdia serão anunciados em Setembro.
Ao Prémio Príncipe das Astúrias de Letras concorreram 27 candidaturas, entre as quais as do português António Lobo Antunes e do angolano Luandino Vieira.
Entre os candidatos estava também o norte-americano Philip Roth, o israelita Amos Oz, o novelista turco Orhan Pamuk, o holandês Cees Nooteboom, a escritora e activista indiana Arundhati Roy, o crítico literário alemão Marcel Reich-Ranicki, o poeta e ensaísta sirio-libanês Adonis e o poeta dinamarquês Henrik Nordbrandt.
O Prémio Príncipe de Astúrias de Letras de 2005 foi atribuído a Nelida Pinon, e em edições anteriores a Mario Vargas Llosa, Miguel Delibes, José Angel Valente, Gunter Grass, Doris Lessing e Claudio Magris, entre outros autores.
Diário Digital / Lusa
31-05-2006 11:17:00
Publicado por Violeta Teixeira em 31/05 às 12:54 PM
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DIA DO ANIVERSÁRIO DE WALT WHITMAN
52.
O gavião malhado cai-me em cima
e me acusa e reclama
da minha parolagem e do meu
andar à toa.
Também não sou nem um pouquinho acomodado
também não sou fácil de traduzir,
faço tinir meu dialeto bárbaro
sobre os telhados do mundo.
O último passo do dia
demora por minha causa,
puxa a imagem de mim depois das outras
e fiel como as outras no inóspito das sombras,
e me arrasta para o vapor e a treva.
Eu parto que nem ar,
sacudo os cabelos brancos ao sol
que se está indo embora,
derramo em remoinhos minha carne
e deixo-a flutuando em pontas rendilhadas
Eu me planto no chão para crescer
com a relva que eu amo:
quando vocês de novo me quiserem,
é só me procurarem
debaixo das solas dos seus sapatos.
Dificilmente saberão quem sou
ou o que eu quero dizer,
mas mesmo assim eu hei de ser para vocês
boa saúde, dando ao sangue de vocês
pureza e energia.
Se logo de saída não me acharem,
mantenham a coragem:
se me perderem num lugar, procurem
achar-me noutro:
em algum ponto eu hei de estar parado
à espera de vocês.
Walt Whitaman(USA,1819 -1892)
(Tradução de Geir Campos)
Obs.: existe tradução portuguesa do Canto de mim mesmo,por José Agostinho Baptista - e também de Folhas de Relva,por Maria de Lourdes Guimarães- ambas na Assírio e Alvim.
«Walt Whitman foi um poeta norte-americano 1819-1892 nascido em West Hills, Long Island.
Contudo, quando tinha apenas quatro anos de idade, a sua família mudou-se para Brooklyn, onde este frequentou até aos onze anos uma escola oficial, trabalhando depois como aprendiz numa tipografia.
Em 1835 trabalhou como impressor em Nova Iorque e no Verão do ano seguinte começou a ensinar em East Norwich, Long Island. Entre 1836-1838 deu aulas e de 1838 a 1839 editou o semanário Long Islander, em Huntington. Voltou ao ensino depois de participar como jornalista na campanha presidencial de Van Buren (1840-41).
Em Maio de 1841 regressou a Nova Iorque, onde trabalhou novamente como impressor.
Entre 1842-1844 editou um jornal diário, Aurora, e o Evening Tatler. Regressou a Brooklyn em 1845, e durante um ano escreveu para o Long Island Star, tornando-se de seguida editor do Daily Eagle de Brooklyn, lugar que ocupou de 1846 a 1848.
Em Fevereiro desse ano partiu com o irmão Jeff para Nova Orleães, onde trabalhou no Crescent. Deixou Nova Orleães em Maio do mesmo ano, regressando a Brooklyn através do Mississippi e dos Grandes Lagos.
Editou o Freeman de Brooklyn entre 1848-1849 e no ano seguinte montou uma tipografia e uma papelaria.
No início de Julho de 1855 publicou a primeira edição de “Leaves of Grass”, impressa na Rome Brothers de Brooklyn e cujos custos Whitman suportou. A primeira edição da obra mais importante da sua carreira, não mencionava o nome do autor, e continha apenas 12 poemas e um prefácio.
A obra poética de Whitman centra-se na colectânea “Leaves of Grass”, dado que ao longo da sua vida o escritor se dedicou a rever e completar aquele livro, que teve oito edições durante a vida do poeta.
No Verão seguinte foi publicada a segunda edição de “Leaves of Grass” (1856), ostentando na capa o nome do seu autor. O livro foi recebido com entusiasmo por alguns críticos, mas mal recebido pela maioria, o que, contudo, não impediu Whitman de continuar a trabalhar em novos poemas para aquela colectânea.
A segunda edição de “Leaves of Grass” era composta por 32 poemas, intitulados e numerados. Entre eles encontrava-se Poem of Walt Whitman, an American, o poema que haveria de se chamar “Song of Myself” (Canto de Mim Mesmo).
Entre a Primavera de 1857 e o Verão de 1859 Whitman editou o Times de Brooklyn, sendo publicada a 1860, em Boston, a terceira edição da sua obra. Contudo, a editora foi à falência em 1861 e a edição, que continha 154 poemas, foi pirateada.
Entre 1863-1864 trabalhou para o Exército em Washington, DC, servindo entretanto como voluntário em hospitais militares. Regressou a Brooklyn doente e com marcas de envelhecimento prematuro causadas pela experiência da guerra civil.
Trabalhou posteriomente como funcionário do Departamento do Interior (1865) e publicou em Maio desse ano o livro “Drum-Taps”, que continha 53 poemas acerca da guerra civil e da experiência do autor nos hospitais militares. No mesmo ano foi despedido pelo Secretário James Harlan, por este ter considerado “Leaves of Grass” indecente.
Em 1867 foi publicada a quarta edição de “Leaves of Grass”, com 8 novos poemas. No ano seguinte saiu em Londres uma selecção de poemas de Michael Rossetti, intitulada “Poems by Walt Whitman”.
A quinta edição de “Leaves of Grass” (1870-1871) teve uma segunda tiragem que incluía “Passage to India” e mais 71 poemas, alguns dos quais inéditos.
Depois de publicar “Democratic Vistas”, Whitman viajou para Hannover, New Hampshire. Corria o ano de (1872). Na Faculdade de Dartmouth leu “As a Song Bird on Pinions Free”, posteriormente publicado com um prefácio. Em Janeiro de 1873, Whitman sofreu uma paralisia parcial. Pouco depois morreu a mãe e o escritor deixou Washington para se fixar em Camden, New Jersey, com o irmão George.
Em 1876 surgiu a sexta edição de “Leaves of Grass”, publicada em dois volumes. Em Agosto de 1880, Whitman reviu as provas da sétima edição de “Leaves of Grass”, que sob ameaças do Promotor Público teve de suspender a distribuição do livro.
A edição só foi retomada dois anos mais tarde por Rees Welsh e depois por David McKay. Incluía 20 poemas inéditos e os títulos definitivos e uma ordem dos poemas revista. Em 1882 foi ainda publicado o livro “Specimen Days and Collect”.
Os últimos anos de vida de Whitman foram marcados pela pobreza, atenuada apenas pela ajuda de amigos e admiradores americanos e europeus.
Em 1884, Whitman adquiriu uma casa em Camden, New Jersey. Quatro anos depois, sofreu um novo ataque de paralisia e viu publicados 62 novos poemas sob o título “November Boughs” (1888). Ainda nesse ano foi publicado “Complete Poems and Prose of Walt Whitman”.
A oitava edição de “Leaves of Grass” apareceu em 1889, e no ano seguinte o escritor começou a preparar a sua nona edição, publicada em 1892.
Whitman morreu no dia 26 de Março de 1892 e foi sepultado em Camden, New Jersey.
Cinco anos depois foi publicada em Boston a décima edição de Leaves of Grass (1897), a que se juntaram os poemas póstumos “Old Age Echoes”.
Nos seus poemas, Walt Whitman elevou a condição do homem moderno, celebrando a natureza humana e a vida em geral em termos pouco convencionais. Na sua obra “Leaves of Grass”, Whitman exprime em poemas visionários um certo panteísmo e um ideal de unidade cósmica que o Eu representa. Profundamente identificado com os ideais democráticos da nação americana, Whitman não deixou de celebrar o futuro da América.
Ficou ainda mais conhecido mundialmente a partir das citações inseridas no enredo do filme Sociedade dos Poetas Mortos.
“Introduziu uma nova subjectividade na concepção poética e fez da sua poesia um hino à vida. A técnica inovadora dos seus poemas, nos quais a ideia de totalidade se traduziu no verso livre, influenciou não apenas a literatura americana posterior, mas todo o lirismo moderno, incluindo o poeta e ensaísta português Fernando Pessoa.”
Marcos Importantes na vida de Walt Whitman
• 1819 Nascimento (31 de Maio)
• 1841 Muda-se para a cidade de Nova Iorque.
• 1855 O seu pai, Walter, morre. Sai a primeira edição de Leaves of Grass.
• 1865 Assassinato de Abraham Lincoln. Publicação de Drum-Taps, o seu poema que retrata a sua experiência de guerra, posteriormente incorporado em “Leaves of Grass”
• 1871 Sofre uma paralisia parcial e a mãe, Louisa, morre.
• 1877 Conhece Maurice Bucke
• 1882 Conhece Oscar Wilde. Publica Specimen Days & Collect.
• 1888 Segunda paralisia parcial. Agravamento do seu estado de saúde. Publica November Boughs.
• 1892 Walt Whitman morre, a 26 de Maio.
• 1879 Publicada a última edição de “Leaves of Grass”, em Boston.»
Publicado por Violeta Teixeira em 31/05 às 12:41 PM
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ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE WALT WHITMAN
Publicado por Violeta Teixeira em 31/05 às 09:57 AM
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Terça-feira, 30 Maio, 2006
PRÉMIO DA LATINIDADE 2006
Investigadora de Estudos Clássicos
Maria Helena da Rocha Pereira recebe Prémio da Latinidade 2006
16.05.2006 - 18h44 Lusa, PUBLICO.PT
A professora e investigadora de Estudos Clássicos Maria Helena da Rocha Pereira, catedrática da Faculdade de Letras de Universidade de Coimbra, vai receber no dia 30, no Instituto Camões, em Lisboa, o V Prémio da Latinidade.
A investigadora vai receber o Troféu Latino (uma escultura do italiano Giuseppe Ducrot a representar David e Golias) das mãos do ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral.
Maria Helena da Rocha Pereira é considerada a maior autoridade portuguesa em Estudos Clássicos e tem contribuído para a divulgação da literatura clássica em Portugal.
A investigadora foi a primeira mulher catedrática da Universidade de Coimbra e tem como área de investigação os Estudos Literários-Línguas e Literaturas Clássicas e Cultura e Literatura Gregas, com várias obras publicadas.
A União Latina, fundada em 2000 por 35 Estados de língua oficial ou nacional românica, pretende promover a reflexão sobre os valores culturais e linguísticos do conjunto da comunidade latina e a consciência da identidade cultural comum destes povos.
Em Portugal esta missão tem sido cumprida com eventos como o Concurso Diálogo Latino, colóquios, representações de teatro clássico e, sobretudo, as comemorações, em Maio, do Dia da Latinidade, que culmina com a atribuição do Troféu Latino
No âmbito das celebrações, no dia 22, realiza-se no Instituto Camões uma mesa redonda subordinada ao tema “Tradução, Ensino, Mercado, Práticas e Instrumentos”, dirigida por João Barrento.
Em simultâneo será inaugurada uma exposição intitulada “Portugal, Património da Humanidade”, que fica patente ao público diariamente das 10h00 às 17h00 até finais de Maio, na sede do Instituto Camões.
O cineasta Manoel de Oliveira (2202), o ensaísta Eduardo Lourenço (2003), o arquitecto Siza Vieira (2004) e Mário Soares (2005) foram os galardoados nas anteriores edições do Troféu Latino, instituído em 2002.
No ano passado, o Prémio da Latinidade Troféu Latino foi entregue a Mário Soares pelo ministro Diogo Freitas do Amaral. O prémio foi atribuído a Mário Soares devido “à sua acção persistente na defesa e na promoção de valores da Latinidade, bem como a sua projecção internacional, com especial relevância para o domínio da cultura e da lusofonia”.
Publicado por Violeta Teixeira em 30/05 às 02:49 PM
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NOITE
Trabalho fotográfico da autoria Violeta Teixeira/PANDORA
(...)
É definitiva
E decisiva
A Noite.
(...)
Violeta Teixeira, in FALO-VOS DO SILÊNCIO, Magno Edições, 1999
Publicado por Violeta Teixeira em 30/05 às 08:32 AM
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Segunda-feira, 29 Maio, 2006
POEMA
"O poema quer o Outro, precisa desse Outro, precisa de um parceiro. Ele o procura, adequa-se a ele.
Cada coisa, cada pessoa é um poema que se dirige ao Outro, figura desse Outro.”
Paul Celan
«(Poeta romeno)
23-11-1920, Chernovtsi
20-4-1970, Paris
O nome de nascimento de Celan era Paul Antschel. Oriundo de uma família judaica de língua alemã, foi vítima da perseguição nazista: seu avô morreu num campo de concentração e ele próprio sobreviveu milagrosamente ao holocausto. Em 1948 foi viver em Paris, onde se estabeleceu definitivamente. Suas experiências traumáticas, assim como as de seus companheiros de sofrimento, influenciaram profundamente sua obra lírica, impregnada de formalismo e de traços surrealistas. O poema Fuga da Morte, publicado na compilação Mohn und Gedächtnis (1952), é, do ponto de vista artístico, uma das mais importantes criações em língua alemã sobre o extermínio nazista dos judeus. Sua obra posterior, tomando como ponto de partida a coleção de poemas chamada Sprachgitter (1959), surpreende pela força das imagens literárias, nem sempre fáceis de decifrar. Celan suicidou-se em 1970.»
Publicado por Violeta Teixeira em 29/05 às 12:17 PM
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O SOL
O Sol nasce-me,
Sem
Sol
Acaricia-me
Os ohos.
Dá-me o SOL
A beber
Na boca.
Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2000
Nota: na obra publicada, este poema tem o corpo gráfico em forma de boca.
Publicado por Violeta Teixeira em 29/05 às 10:16 AM
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ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE DANTE
Publicado por Violeta Teixeira em 29/05 às 09:25 AM
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ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE DANTE
« Agrada-me tanto saber como duvidar»
É o amor que move o sol e as estrelas
«Amor que prende facilmente as almas delicadas,
cativou este pelo belo corpo que me foi arrebatado;
e ainda me ofende o modo odioso.
Amor que obriga a amar todos os que são amados,
deste me prendeu com prazer tão forte ,
que como vês ainda não me abandona.»
Dante, A Divina Comédia;O Inferno, Canto V; edição original de 1955 da colecção de Clássicos Sá da Costa.
DANTE
Nascido em à Florença a 29 de maio de 1265
F.em Ravenna a 14 de setembro de1321
Nota: um texto biobibliográfico já foi, nesta categoria, publicado
Publicado por Violeta Teixeira em 29/05 às 09:18 AM
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DIA MUNDIAL DA ENERGIA
PORTUGAL: ENERGIAS RENOVÁVEIS
Depois da própria força humana, o fogo foi a fonte de energia que os homens primitivos utilizaram, e, com ele, nasceram as primeiras civilizações. Dispenso-me de enumerar as outras fontes de energia anteriores às explorações petrolíferas, porque seria maçar o leitor. Direi apenas que, aquando do aparecimento do petróleo, o homem ficou tão maravilhado com a inúmeras possibilidades da sua utilização, que desprezou as energias renováveis, contribuindo, assim, como todos sabemos, para o efeito estufa, as chuvas ácidas, as alterações térmicas da Terra, etc.
Ocorre perguntar: por que não mudou o homem de atitude, a partir de 1973, ano da primeira grave crise energética, voltando-se para as várias energias renováveis, a saber, a eólica, utilizada, primitivamente, para a navegação, já antes do ano 2000 a.C. ( e para outros fins, assim como outras), a hídrica, a do hidrogénio, a dos oceanos ( das marés), a da biomassa, a solar e a geotérmica? Escuso-me de responder a esta questão, por considerá-la demasiado óbvia.
O importante é que, felizmente, cada vez mais se enraíza na consciência mundial a necessidade urgente de serem adoptadas medidas que garantam a qualidade de vida na Terra, sendo a primeira medida a de educar o ser humano para o futuro, de modo a preservar o meio ambiente, encarando o mundo de forma holística, ou seja, pondo em prática os saberes da «ecologia profunda», o que leva, inevitavelmente, a recusar a denominada «ecologia rasa». Quais são, afinal, as diferenças essenciais entre estes dois ramos bio- científicos? O primeiro «entende que existe uma interdependência primordial entre todos os fenómenos da Natureza, inclusive integrando o homem e a sociedade. Ou, mais explicitamente, «entende o homem, a Natureza e todos os fenómenos como uma rede fundamental interconectada e interdependente ( ou seja), a Terra não está para nós como uma casa alugada, mas sim como o casco da tartaruga»; o segundo ramo, antropocêntrico, «entende o ser humano como superior à Natureza, atribuindo a esta um valor instrumental».
Vejamos como se posiciona Portugal no panorama energético mundial, nomeadamente, no da União Europeia: importa 80 a 90% da energia que consome, e o seu consumo por unidade de Produto Bruto Interno tem vindo a aumentar nos últimos anos, tendência contrária à da maioria dos Estados- Membros da U.E. ( dos 15). Todavia, as energias renováveis constituem, segundo estudos há muito realizados, o único recurso energético que nos é mais próprio. Porquê? Porque de algumas daquelas energias está bem provido o nosso país, como, por exemplo, a energia solar, a eólica, a hídrica, a das marés e a da biomassa.
Consultemos o Livro Branco para uma estratégia e um plano de acção comunitários, no respeitante às energias renováveis: « as fontes de energia renováveis podem contribuir para diminuir a dependência das importações de energias e para aumentar a segurança do abastecimento (…)O objectivo principal é o de duplicar a parte das fontes de fontes de energia renováveis no consumo interno bruto de energia da União Europeia, elevando-a a 12% até 2010» (…), assim como utilizar 39% de electricidade procedente de fontes de energia «verde».
No entanto, Portugal, neste, como em muitos noutros domínios, é o mais atrasado no cumprimento daquele objectivo, ou melhor, daquele compromisso ( a par da Grécia), tendo, embora, boas condições para ser obediente. Parece que este exíguo território hispânico tem prazer em ser indisciplinado, desprezando a tomada de medidas políticas que melhorem a qualidade de vida do ambiente e dos cidadãos. Lamentável!
Não estarei a ser injusta? A realização do Euro 2004 neste atrasado país não é um evento mais glorioso do que a utilização acelerada das energias renováveis? Não basta para pôr, desmesuradamente, em erecção, o «ego» patriótico?
Em todo o caso, como o meu «ego» não aumenta de volume com aquele feito heróico, porque é antipatriótico, dou por findo este escrito, transcrevendo ( em vão, disso estou convicta) as recomendações da Comissão comunitária das energias «verdes», feitas em 2001: « A Comissão entende que, no futuro, os esforços devem incidir essencialmente na elaboração das estratégias e objectivos específicos para os sub-sectores nos Estados- Membros, na promoção da biomassa, nas medidas relativas ao sector da construção, no intercâmbio de boas práticas, visando uniformizar as medidas voluntárias nacionais, e na supressão dos entraves jurídicos e administrativos, acompanhada dos instrumentos comerciais inovadores a nível comunitário, sobretudo em matéria fiscal.»
Violeta Teixeira ( crónica publicada na TRIBUNA DA MARINHA GRANDE)
Publicado por Violeta Teixeira em 29/05 às 01:25 AM
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DIA MUNDIAL DA ENERGIA
Boletim Quercus | Data de envio: 29-05-2006 | Edição n° 20
29 de Maio - Dia da Energia. Quercus considera que em Portugal há um boicote à energia renovável
No Dia da Energia, e apesar do relevo que a Quercus tem dado à área da conservação da energia e eficiência energética, escolhemos mostrar como um conjunto de medidas existentes para as quais a Quercus e diversas associações ligadas à produção de energia por fontes renováveis têm vindo a alertar como constituindo um verdadeiro “boicote” ao investimento das famílias portuguesas num desenvolvimento mais sustentável.
29 de Maio de 2006
Publicado por Violeta Teixeira em 29/05 às 12:51 AM
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DIA MUNDIAL DA ENERGIA
Energias renováveis
Publicado por Violeta Teixeira em 29/05 às 12:41 AM
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Domingo, 28 Maio, 2006
SÓ. INSONE
http://www.bbc.co.uk/.../ mosaics_gallery_04.shtml
Noite. Negrume.
Um silêncio de cinzas
Veste-me as paredes
Das veias.
O Sol dorme, algures,
No sossego de um
Leito de sumaúma.
A Lua, essa, oculta
A face nos novelos
Dos alvéolos
Das suas mágoas.
Só. Insone.
Avivo
Faúlhas no ventre
Rosáceo de Vénus.
O sono é um cavalo,
À solta, num pasto de fogo.
Violeta Teixeira, inédito (ORGIAS DE ESQUECIMENTO)
Publicado por Violeta Teixeira em 28/05 às 01:18 PM
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SOLIDÃO
« Nunca chegamos ao fundo da nossa solidão.»
«Georges Bernanos est un écrivain français né le 20 février 1888 à Paris, décédé le 5 juillet 1948 à Neuilly-sur-Seine.»
«Il est né à Paris mais sa maison familiale est à Fressin en Artois où il rédige jusqu’en 1924 ses romans. Choqué par la lâcheté de l’Angleterre et de la France au moment des accords de Munich, il s’exile au Brésil. Revenu en France après la libération de celle-ci, il décline une offre du général De Gaulle de le prendre dans son gouvernement provisoire. Il meurt en 1948 à Neuilly-sur-Seine, en laissant le manuscrit d’un dernier livre, posthume : La France contre les robots..
Formation
Né à Paris, Georges Bernanos passe sa jeunesse en Artois. Son père est un artisan et sa mère, pieuse, femme de chambre chez le châtelain, il garde de son éducation une conviction catholique et monarchiste.
Combattant de 1914
Catholique fervent, nationaliste, il milite très jeune dans les rangs de l’Action française. Engagé volontaire en 1914, il est plusieurs fois blessé.
Premières œuvres
Après la guerre, il travaille dans une compagnie d’assurances mais le succès de son premier roman, Sous le soleil de Satan, en 1926, l’incite à entrer dans la carrière littéraire. Ayant épousé en 1917 Jeanne Talbert d’Arc, lointaine descendante d’un frère de Jeanne d’Arc, il mène alors une vie matérielle difficile et instable dans laquelle il entraîne sa (nombreuse) famille. Il écrit en dix ans l’essentiel de son œuvre romanesque où s’expriment ses hantises : les péchés de l’humanité, les forces du mal face à l’aspiration, à la sainteté et à la grâce.
Le Journal d’un curé de campagne
En 1936 paraît Le Journal d’un curé de campagne, qui sera couronné par le Grand prix du roman de l’Académie française, puis adapté au cinéma sous le même titre par Robert Bresson (1950).
Suite des combats
Il avait été combattant de la Grande Guerre ; ancien Camelot du Roi, il s’insurge contre les reculades successives de la France devant Hitler. Écœuré par son propre pays au moment des accords de Munich, et réclamé en Amérique du Sud, il finit par s’y exiler. Il y vivra de 1938 à 1945, surtout au Brésil où il essaye sans succès de gérer une ferme. Lui-même était blessé de guerre et inapte au combat, mais ses trois fils étaient retournés en France pour se battre en 1939
Installé aux Baléares, il assiste au début de la guerre d’Espagne et prend courageusement parti contre les franquistes dans Les Grands Cimetières sous la lune, qui consacre sa rupture publique avec ses anciens amis de l’Action française, la rupture avec Maurras datant de plusieurs années mais elle était demeurée secrète. Bernanos reprochait en effet au fondateur de l’Action Française son trop grand dogmatisme. Exilé au Brésil à partir de 1938, il s’éloigne du roman et publie de nombreux essais et écrits de combat. Pendant la Seconde Guerre mondiale, où ses fils partiront se battre en France, il soutient la Résistance et l’action de la France libre dans de nombreux articles de presse où éclate son talent de polémiste.
Il continue sa vie errante après la Libération et se fixe en Tunisie.
À la Libération, le Général de Gaulle l’invite à revenir en France, où il a sa place, y compris au gouvernement. Il revient, mais restera en marge de la vie politique. Mais, malade, il rentre à Paris où il meurt le 5 juillet 1948 à Neuilly-sur-Sein
Isolé
Aussi isolé - en tout cas en France - qu’un Don Quichotte, il avait dénoncé les trahisons aussi bien dans le sens autoritaire et agricole de l’État français que la technique dans ce qu’elle avait de liberticide. Ses essais traduisent par ailleurs un goût de l’amour physique et conjugal qu’on ne reverra ensuite que chez Jacques de Bourbon Busset.
Sur la question de l’antisémitisme, il est essentiel de ne pas se contenter de lire les textes de combat publiés essentiellement dans les années 1930 qui peuvent choquer mais de lire l’étonnante lettre qu’il écrit en 1945 sur l’antisémitisme et lui.
Dialogues des Carmélites
Bernanos rédigea quelque temps avant sa mort un scénario cinématographique adapté du récit La dernière à l’échafaud de Gertrud von Le Fort, lui-même inspiré de l’histoire véridique de carmélites guillotinées en place de Grève, appelées les Carmélites de Compiègne, en y ajoutant le personnage fictif de Blanche de La Force (translittération de G. von Le Fort). Ce scénario, intitulé Les Dialogues des Carmélites est devenu le livret de l’opéra du même nom du compositeur Francis Poulenc, créé en 1957, puis a servi de base au film du Père Bruckberger, en 1960. Il a aussi été adapté au théâtre. Bernanos y traite de la question de la Grâce, de la peur, du martyre.
Style
Le mot Imbéciles (au pluriel) revient souvent sous la plume de Bernanos dans ses essais. Par cette injure fraternelle, il manifestait sa « pitié » pour « les petits cancres de la nouvelle génération réaliste » (les néo-maurrassiens des années 30), et, plus tard, pour « les affreux cuistres bourgeois de gauche » (les communistes et les démocrates-chrétiens), mais aussi pour tous ceux chez qui la propagande des media et des abstractions excessives avait fini par remplacer l’expérience humaine réelle et concrète.
Son style ne peut être qualifié de « parlé », bien qu’il s’adresse souvent à un lecteur imaginaire. Ample et passionné (ses pages sur le Brésil ou sur Hitler ne peuvent laisser indifférent), sa lecture nécessite toutefois une profonde connaissance de l’histoire de France.
Bernanos situe souvent l’action de ses romans dans les villages de son Artois natal, en en faisant ressortir les traits sombres. La figure du prêtre catholique est très présente dans son œuvre, et est parfois le personnage central, comme dans Le Journal d’un curé de campagne. Autour de lui gravitent les notables locaux (châtelains nobles ou bourgeois), les petits commerçants, et les paysans. Bernanos fouille la psychologie de ses personnages et fait ressortir leur âme en tant que siège du combat entre le Bien et le Mal. Il n’hésite pas à faire parfois appel au divin et au surnaturel. Jamais de réelle diabolisation chez lui, mais au contraire, comme chez Mauriac, un souci de comprendre ce qui se passe dans l’âme humaine derrière les apparences.
Bibliographie
• Hans Urs von Balthasar. Le chrétien Bernanos. Traduit de l’allemand par Maurice de Gandillac. Paris, Seuil, 1956.
• Cahiers de l’Herne. Bernanos. Paris, Pierre Belfond, 1967. Cahier dirigé par Dominique de Roux, avec des textes de Thomas Molnar, Michel Estève et al.
Œuvres
Romans
• Sous le soleil de Satan, Plon, 1926
• L’imposture, Plon, 1927
• La joie, la Revue universelle, 1928, puis Plon, 1929
• Un crime, Plon, 1935
• Journal d’un curé de campagne, la Revue hebdomadaire, 1935-1936, puis Plon, 1936
• Nouvelle Histoire de Mouchette, Plon, 1937
• Monsieur Ouine, Rio de Janeiro, 1943, puis Plon, 1946
• Les Dialogues des carmélites, Seuil, 1949
• Un mauvais rêve, Plon, 1950
Essais
• La Grande peur des bien-pensants, Grasset, 1931
• Les Grands Cimetières sous la Lune, Plon, 1938
• Scandale de la vérité, Gallimard, 1939
• La France contre les robots, Rio de Janeiro, 1944, puis Laffont, 1947»
Publicado por Violeta Teixeira em 28/05 às 01:18 AM
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