NAMORAR
Matisse
“Há espaço na menor cabana para um feliz casal de namorados." « Encaminhar »
Schiller
Publicado por Violeta Teixeira em 31/03 às 05:24 PM
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Matisse
“Há espaço na menor cabana para um feliz casal de namorados." « Encaminhar »
Schiller
Publicado por Violeta Teixeira em 31/03 às 05:24 PM
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Como
Se me penumbra
A esperança
Que me entranço!
Faço com que me atices
Os lumes da lua.
Masturbo-me na cama
Que fantasmo tua,
Mas
Toda me arrefeço, num
Espasmo roxo e
Fundo.
De vazio.
Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2000
Publicado por Violeta Teixeira em 31/03 às 12:39 AM
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Marc Chagall
«Amar é descobrirmos a nossa riqueza fora de nós.»
Alain
In O CITADOR
Publicado por Violeta Teixeira em 30/03 às 01:05 AM
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Trabalho fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora
Suspiro
O meu corpo!
Frio de beira-mar,
Petrificado,
Na respiração
Do teu olhar.
Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2001
Publicado por Violeta Teixeira em 30/03 às 12:14 AM
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Munch
«Gosto dos hábitos que não duram; são de um valor inapreciável se quisermos aprender a conhecer muitas coisas, muitos estados, sondar toda a suavidade, aprofundar a amargura. Tenho uma natureza que é feita de breves hábitos, mesmo nas necessidades de saúde física, e, de uma maneira geral, tão longe quanto posso ver nela, de alto a baixo dos seus apetites. Imagino sempre comigo que esta ou aquela coisa se vai satisfazer duradouramente - porque o próprio hábito breve acredita na eternidade, nesta fé da paixão; imagino que sou invejável por ter descoberto tal objecto: devoro-o de manhã à noite, e ele espalha em mim uma satisfação, cujas delícias me penetram até à medula dos ossos, não posso desejar mais nada sem comparar, desprezar ou odiar.
E depois um belo dia, aí está: o hábito acabou o seu tempo; o objecto querido deixa-me então, não sob o efeito do meu fastio, mas em paz, saciado de mim e eu dele, como se ambos nos devêssemos gratidão e estendemo-nos a mão para nos despedirmos. E já um novo me aguarda, mas aguarda no limiar da minha porta com a minha fé - a indestrutível louca… e sábia! - em que este novo objecto será o bom, o verdadeiro, o último… Assim acontece com tudo, alimentos, pensamentos, pessoas, cidades, poemas, músicas, doutrinas, ordens do dia, maneiras de viver.
Em compensação, odeio os hábitos que duram, parece-me que tiranos se aproximam de mim para inquinar o meu ar vital com o seu hálito, logo que os acontecimentos se orientam de tal maneira que parece deverem sair deles hábitos definitivos: por exemplo, devido a uma função social, à frequência constante do mesmo meio, de uma residência determinada, de um género de saúde exclusivo. Confessarei até que, no mais fundo da minha alma, estou grato às minhas misérias físicas, à minha doença e a todas as minhas imperfeições, porque me deixam mil portas de saída que me permitem escapar aos hábitos definitivos. O que me seria, para falar verdade, mais insuportável, o que verdadeiramente me aterraria, seria uma vida totalmente despojada de hábitos, uma vida que exigisse uma improvisação constante; isso seria o meu exílio, seria a minha Sibéria.»
Friedrich Nietzsche, in ‘A Gaia Ciência’
Publicado por Violeta Teixeira em 29/03 às 10:55 AM
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Portada da obra «As Viagens de Gulliver»
«Nada é constante neste mundo senão a inconstância»
Autor: Swift , Jonathan
In O CITADOR
Jonathan Swift nasceu em 30 de Novembro de 1667, em Dublin, na Irlanda. Órfão de pai, com um ano de idade, é levado secretamente por sua ama para a Inglaterra e, após dois anos em solo inglês, volta para Irlanda em virtude dos problemas políticos que ocorria no país. É entregue então ao seu tio Godwin que o manda estudar na escola Kilkenny, em Dublim em 1673. O tio ensina-lhe boas maneiras, mas não lhe dá amor e carinho, limitando-se a medicá-lo quando tinha crises de surdez, mal que o ameaçou pelo resto da vida.
Em 1681 Swift matricula-se no Trinity College de Dublin, onde só se distingue pelas punições. Em 1688 recebe o diploma da congregação e, com a morte de seu tio, neste mesmo ano, Swift vai para Leicester viver junto de sua mãe. Com ela não dispunha de muito dinheiro para ajudá-lo, é obrigado a procurar um emprego e sustentar-se.
Em 1689 vai Moor Park, Surrey (Inglaterra) e torna-se secretário com Sir William Temple - (1628 -1699) estadista e escritor de grande prestígio. Swift amadurece intelectualmente entre os livros de Temple e conhece uma doce menina de oito anos chamada Esther Johnson que, segundo diziam, era filha de William Temple com uma ama da casa.
Swift chama-a carinhosamente de Stella e lhe dedica alguns de seus mais belos poemas. A diferença de idade entre os dois, não serviu de barreiras para que desabrochasse um grande afeto entre os dois.
A presença de Stella era um bálsamo para Swift, mas não o suficiente para retê-lo como empregado de Sr. Temple. Swift tinha ambições e compreendia que, para realizá-las, precisava de um diploma. Em 1693 doutorou-se em Teologia pela Universidade de Oxford e, em 1965, assume o posto de Cônego em Kilbroot, na Irlanda.
Ainda em 1695 volta para Moor Place e encontra o Sir Temple escrevendo um panfleto altamente conservador sobre a “Batalha dos Livros”, pelo qual foi muito atacado. Swift, promovido por ele a secretário, se viu obrigado a defendê-lo e redigiu em 1697 “A Batalha dos Livros”. Por trás da defesa ironizava sutilmente tanto os conservadores quanto os liberais. Com a morte de Sr. Temple em 1699, Swift, desempregado, pleiteia o cargo de deão(coordenador de um grupo de párocos) de Serry, mas as autoridades eclesiásticas consideravam o posto elevado demais para um pastor tão jovem e o nomeiam Cônego de Dublim, na Irlanda.
A nomeação não o agradou muito, mas Swift não teve alternativa senão aceita-Ia. Pede então que Stella vá viver ali perto. A proximidade da menina dá-lhe ânimo para continuar escrevendo e em 1701 publica anonimamente o “Discurso sobre as Dissensões entre os nobres e comuns em Atenas e Roma”. Nessa obra, a alusão aos partidos ingleses é clara como também é nítida a sua posição ao lado dos Whigs (liberais). Por isso, Tories (conservadores) passam a atacá-lo. No entanto, passa a ser admirado por estadistas como Somers (1651 -1716) e Halifaz (1633 -1695), de elevado prestígio junto ao governo. Vislumbrando a possibilidade de ascender-se na Igreja anglicana e com ajuda dos políticos, Swift começa a viajar freqüentemente para Londres. Consegue então editores para “A Batalha dos Livros” e “O Conto de Tonel” . Além disso, apoiado por escritores satíricos Pope (1688 -1744), Richard Steele (1672 -1729) e Joseph Addison (1672 -1719), ganha popularidade.
Em 1708 escreve um panfleto para desmascarar o astrólogo Patridge, tido por ele como charlatão. Sob o pseudônimo de Isaac .Bickestaff profetizava, no estilo de adivinho, a morte de Patridge. A luta entre os dois acirra-se em 1709 e Swift escreve o artigo “A Vingança de Isaac Bickertaff”, na qual resume satiricamente a disputa.
A ambição e as amizades fazem com que Swift permaneça em Londres, mas, sempre pensando em Stella, lhe escreve numerosas cartas. Em seu “Diário”, falava de tudo: de encontros com aristocratas e políticos; das impressões suscitadas; das intrigas da corte; do fumo do Brasil; da invasão do Rio de Janeiro pelos franceses (1710); dos sonhos; das aversões etc. Ao falar de assuntos íntimos, se expressa numa linguagem cifrada, compreensível só para ele e Stella, mais tarde essa experiência deu frutos em “Viagens de Gulliver”.
Em 1713 torna-se deão da catedral de Saint Patrick em Dublin. Sua a acolhida nesse local foi fria, pois desconfiavam que suas atividades políticas não eram compatíveis com as funções religiosas. Ao saber de seus problemas, Stella vai juntar-se a ele em Dublin. Pouco depois outra mulher o procura: ela é Esther Vamhomrigh, filha de um rico mercador alemão. Swift dedicou a ela o poema “Cadenus e Vanessa” em 1726.
Vanessa fica sabendo da sua ligação com Stella e, não suportando a hipótese de amá-lo só no espírito sufocando os ímpetos da carne, escreve à rival uma carta falando de seus laços com Swift. Furioso, Swift procura Vanessa e, sem dizer nem uma palavra, atira-lhe aos pés uma carta de despedida. Nunca mais a viu. Semanas depois a moça morreu de tristeza.
Em 1725 começa escrever “Viagens de Gulliver” onde pretendia agredir o mundo, não diverti-lo. A Enciclopédia Barsa assim se refere a essa obra:
Em 1728 Stella morre de um mal desconhecido. No ano de 1731 Swift faz da sua própria morte um objecto da sátira ao escrever um poema sobre a morte do Dr. Swift.
Sua última obra foi escrita em 1738 um ensaio destinado a despojar a conversação inglesa das banalidades e incorreções que o levam ao ridículo. Com o título de “A Conversação Polida” a qual representava o resultado de vinte anos de observação e pesquisa.
Em 19 de Outubro de 1745 Jonathan Swift, surdo e louco, morre em Dublin. Ele é enterrado na Catedral de São Patrício. Em sua lápide, o epitáfio em latim, escrito por ele mesmo:
“Aqui jaz o corpo de JONATHAN SWIFT, doutor em Teologia e deão desta catedral, onde a colérica indignação não poderá mais dilacerar-lhe o coração. Segue passante, e imita, se puderes, esse que se consumiu até o extremo pela causa da Liberdade”.
“A obra-prima de Swift, Gulliver’s Travels (1726; As viagens de Gulliver), que fez sucesso imediato, é um dos livros mais famosos e inteligentes da literatura universal. Da sátira aos whigs, recriados nos anões de Lilliput, à invectiva contra a humanidade em geral, o autor recompôs o mundo de acordo com sua fantasia mordaz. O grotesco é explorado sob todos os ângulos: na pequenez desprezível dos lilliputianos; na ampliação escatológica da miséria física dos gigantes de Brobdingnag; nas diatribes contra os juristas e a arte militar; na idiotice dos intelectuais de Laputa; e na superioridade do cavalo sobre o ser humano no reino dos Houyhnhnms. Expurgado das verdades e sátiras, esse livro se transformou num clássico da literatura infantil.”
In WIKIPÉDIA
Publicado por Violeta Teixeira em 29/03 às 01:39 AM
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Trabalho fotográfico de Violeta Teixeira/Pandora
Vácuo. Vertigem.
Pico eufórico.
Abismo-me.
Assombro-me. Entrego-me,
O corpo, cem por cento
Químico, a corpos-outros.
Aleatórios e ilícitos.
Mas, do vício,
Logo me limpo,
Aos pespontos de um equívoco.
Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003
Publicado por Violeta Teixeira em 29/03 às 01:16 AM
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«Um homem com fome não é um homem livre»
Stevenson, Robert
In O CITADOR
Robert Louis Balfour Stevenson (13 de novembro de 1850, Edinburgh, Escócia – 3 de dezembro de 1894), foi um novelista, poeta e escritor de roteiros de viagem.
In WIKIQUOTE
Publicado por Violeta Teixeira em 28/03 às 12:02 AM
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arquivonatural.naturlink.pt/ morcego1.htm
Escorrego num
Antro de morcegos
Predadores.
Olhos
Bestiais. Esbugalhados.
Sugam-me a «lympha»
Sépia das veias e fazem-me
Poemas, sabendo
A convulsões astrais
E a amnésias solares,
No desfiladeiro dos dias.
Violeta Teixeira, inédito ( DÉDALOS DE AFECTO)
Publicado por Violeta Teixeira em 27/03 às 11:32 PM
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Harold Pinter- Prémio Nobel da Literatura em 2005
«Filho de judeus de origem portuguesa, estudou no colégio do bairro londrino de Hackney, onde nasceu.
É um forte opositor às politicas belicistas, opondo-se à invasão do Iraque em 2003, contestando assim as políticas de George Bush e Tony Blair. A sua primeira obra importante foi The bithday party (1958) que foi um fracasso na estreia e êxito na reposição, mas só depois de ter sido passada à televisão. É um dos mais importantes renovadores do teatro do absurdo e as suas peças apresentam, num estilo característico a que se deu o nome de pinteresco, situações em que as personagens vêem repentinamente em perigo a segurança das suas vidas quotidianas.»
[Principais obras:
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Prosa
• Kullus (1949)
• The Dwarfs (1952-56)
• Latest Reports from the Stock Exchange (1953)
• The Black and White (1954-55)
• The Examination (1955)
• Tea Party (1963)
• The Coast (1975)
• Problem (1976)
• Lola (1977)
• Short Story (1995)
• Girls (1995)
• Sorry About This (1999)
• God’s District (1997)
• Tess (2000)
• Voices in the Tunnel (2001)
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Poesia
• War (2003)
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Teatro
• The room (1957)
• The caretaner (1960)
• A slight ache (1961)
• The homcoming (1965)
• Md Times (1971)
• No Maris land (1975)
Prémios
Em 13 de Outubro de 2005 a Academia Sueca atribuiu-lhe o Prémio Nobel da Literatura desse ano.
in WIKIPÉDIA
«Nascido em 1930, Harold Pinter começou por ser actor (com o nome David Baron) e em 1957 escreveu a sua primeira peça, THE ROOM. Autor fundamental do teatro contemporâneo, encenou e representou em algumas das suas mais de trinta peças, que foram traduzidas e encenadas por todo o mundo. Escreveu também para rádio, televisão e cinema, onde é difícil esquecer a colaboração com Joseph Losey. Recebeu já diversos prémios e distinções: recentemente, o título de Companion of Honour da Rainha. O seu site é o http://www.haroldpinter.org.
Os Artistas Unidos realizaram um ciclo com a obra de Harold Pinter durante as temporadas de 2001/2/3. Na ocasião a editora Relógio d´Água publicou dois volumes com as peças mais importantes do autor.
Não sei resumir nenhuma das minhas peças. Não sei descrever nenhuma. Só sei dizer foi isto o que aconteceu, foi isto o que disseram, foi isto o que fizeram.
(...)
«As personagens de Pinter exprimem exactamente aquilo que lhes vem à mente e muitas vezes emerge directamente do inconsciente. Pode acontecer que isso nada tenha a ver com a acção ou com o que acaba de dizer a outra personagem. Para dizer a verdade, não há diálogo.As personagens de Pinter só se revelam aos poucos e de uma maneira incompleta: esse é o trabalho do actor.
Mervyn Jones
“As suas palavras não dizem o que dizem, dizem mais. O enigma é muito interessante porque está bem perto da verdade da vida.”
Claude Régy àcerca de Harold Pinter
“O teatro de Harold Pinter revela um universo singular, cómico e aterrador, feito de sub-entendidos, mal-entendidos ou puros equívocos. Nele observa-se, como se fosse ao microscópio, personagens que vegetam confusamente, de quem quase nada se sabe e que, de repente, explode num confronto em que as palavras são armas mortais. Estamos no reino do falso para se atingir uma verdade que é ainda mais falsa. As perguntas que se colocam não são aquelas que nos vêm à cabeça e a resposta, ou a recusa de responder limita-se a aumentar o abismo da incompreensão. O pudor torna-se violência, o sorriso ameaça, o desejo impotência, a vitória desfaz-se.”
Eric Kahane
Peças
The Room (1957)
The Birthday Party (1957) estreada em Lisboa em 1967 com o titulo Feliz Aniversário e tradução de Artur Ramos e Jaime Salazar Sampaio, encenação de Artur Ramos no Teatro Avenida (Companhia Amélia Rey Colaço / Robles Monteiro) com Sinde Filipe, Josefina Silva, Paiva Raposo, Hermínia Tojal;
The Dumb Waiter (1957) estreada em Lisboa em 1962 com o título O Monta Cargas com encenação de Jacinto Ramos e tradução Luis de Sttau Monteiro (na Guilherme Cossoul) com Carlos Néry e Filipe Ferrer. Estreada pelos Artistas Unidos a 24 de Outubro no Festival de Portalegre com o título O Serviço, em tradução de João Saboga e Pedro Marques, um trabalho de Vítor Correia e João Saboga.
A Slight Ache (1958) The Hothouse (1958) estreada em Lisboa em 2001 com o título Câmara Ardente com encenação de Graça Correia no Teatro Paulo Claro (Artcom) com António Rama, Elsa Galvão, António Filipe, Pedro Matos, Carlos Aurélio e Gonçalo Portela.
The Caretaker (1959) estreada em Lisboa em 1967 com o título O Porteiro com tradução e encenação de Jorge Listopad (no Teatro Tivoli) cenofragia de João Vieira e com Augusto de Figueiredo, Jacinto Ramos e Henrique Viana. Os Artistas Unidos apresentam uma nova tradução de Francisco Frazão, O Encarregado e estreiam o espectáculo na Culturgest com encenação de João Meireles e interpretação de Américo Silva, Jorge Silva Melo e José Airosa.
A Night Out (1959)
Night School (1960)
The Dwarfs (1960)
The Collection (1961) estreada em Lisboa em 2002 com o título A Colecção com tradução de Pedro Marques, encenação de Artur Ramos, cenografia de José Manuel Castanheira e interpretação de Teresa Sobral, Manuel Wiborg, Jorge Andrade e Nuno Melo, uma produção Actores Produtores Associados / Artistas Unidos / Centro Cultural de Belém.
The Lover (1962) Foi estreada em Portugal em 1992 numa tradução, encenação e interpretação de Diogo Infante na Sala Experimental do Teatro da Trindade.
O AMANTE com tradução de Pedro Marques estreou em 19 de Janeiro de 2002 no Pequeno Auditório do Rivoli (Porto) – com Gracinda Nave, Marco Delgado e Pedro Carraca, encenação de Jorge Silva Melo com a colaboração de Pedro Marques – uma produção Artistas Unidos / Culturporto
Tea Party (1964)
The Homecoming (1964)
The Basement (1966)
Landscape (1967)
Silence (1968)
Old Times (1970) estreada em 12/10/78 com tradução de Ricardo Alberty e encenação de Carlos Quevedo com Catarina Avelar, Fernando Curado Ribeiro e Graça Lobo. Espectáculo de inauguração da Sala Experimental do Teatro Nacional D. Maria II. E estreada em Lisboa em 2002 com o título Há Tanto Tempo com tradução Jorge Silva Melo, encenação de Solveig Nordlund, cenografia de Rita Lopes Alves e José Manuel Reis e interpretação de Isabel Muñoz Cardoso, Margarida Marinho e Nuno Melo, uma produção Solveig Nordlund / Artistas Unidos / Centro Cultural de Belém.
Monologue (1972) estreado na Comuna em 1996. Interpretação Victor Soares. Enc. Álvaro Correia No Man’s Land (1974)
Betrayal (1978) estreada com o título Traições em tradução de Berta Correia Ribeiro e encenação de João Vieira com Lia Gama, Mário Jacques e Filipe Ferrer (Cinema Quarteto) E em 2002, encenação de Solveig Nordlund, cenografia de Rita Lopes Alves e José Manuel Reis e interpretação de Gracinda Nave, Marco Delgado e Rogério Samora, uma produção Solveig Nordlund / Artistas Unidos / Centro Cultural de Belém.
Family Voices (1980)
Victoria Station (1982)
A Kind Of Alaska (1982)
One For The Road (1984) estreada com o título Um Para O Caminho em 2002, com tradução e encenação de Pedro Marques, cenografia de Rita Lopes Alves e José Manuel Reis e interpretação de Joana Bárcia, João Dourado Santos, José Airosa e Jorge Silva Melo.
Mountain Language (1988)
The New World Order (1991) estreada na Comuna em 1996. Interpretação de Álvaro Correia, Alfredo Brissos e Victor Soares.
Party Time (1991)
Moonlight (1993)
Ashes To Ashes (1996) estreada n´a Capital com o título Cinza às Cinzas em tradução de Paulo Eduardo Carvalho e interpretação de Rosa Quiroga e João Cardoso (uma produção Assédio / AU / Rivoli)
Celebration (1999)
Remembrance Of Things Past (2000)
Sketches:
The Black and White (1959) estreado em Julho de 2001 pelo grupo Cão Solteiro (enc.: Nuno Carinhas) integrado no espectáculo Problemas.
Trouble in the Works (1959) estreado em Julho de 2001 pelo grupo Cão Solteiro (enc.: Nuno Carinhas) integrado no espectáculo Problemas.
Last to Go (1959) estreado em Julho de 2001 pelo grupo Cão Solteiro (enc.: Nuno Carinhas) integrado no espectáculo Problemas.
Request Stop (1959)
Special Offer (1959)
That’s Your Trouble (1959)
That’s All (1959) estreado em Julho de 2001 pelo grupo Cão Solteiro (enc.: Nuno Carinhas) integrado no espectáculo Problemas.
Interview (1959)
Applicant (1959)
Dialogue Three (1959)
Night (1969)
Precisely (1983) estreado na Comuna em 1996. Interpretação de Álvaro Correia e Alfredo Brissos. Encenação de Álvaro Correia
Press Conference (2002) estreado no National Theatre em Londres em 8 de Fevereiro 2002 pelo próprio Harold Pinter e lido por Joana Bárcia e Jorge Silva Melo na mesma noite no Teatro Paulo Claro em tradução de Pedro Marques e com o título Conferência de Imprensa. E esteve na origem do espectáculo Conferência de Imprensa e Outras Aldrabices.
Filmes a partir das suas peças:
The Caretaker (1962) realização de Clive Donner;
The Birthday Party (1967) realização de William Friedkin; The Homecoming (1969), realização de Peter Hall., Betrayal (1981) realização de David Jones. É autor de vários argumentos para o cinema, entre os quais de The Pumpkin Eater (1963) realização de Jack Clayton;
The Servant (1963) realização de Joseph Losey ;
The Quiller Memorandum (1965) realização de Michael Anderson,
Accident realização de Joseph Losey (1966);
The Go-Between Accident realização de Joseph Losey
A La Recherche Du Temps Perdu (1972) para Joseph Losey (não filmado e adaptado ao teatro em 2000)
The Last Tycoon (1974) realização de Elia Kazan;
The French Lieutenant’s Woman realização de Karel Reisz (1980);
The Comfort Of Strangers (1989) realização de Paul Schrader.
Encenou muitas das suas peças:
The Collection (com Peter Hall) (1962);
The Lover e The Dwarfs (1963);
The Birthday Party (1964);
Hothouse (1980);
Party Time e Mountain Language (1991);
The New World Order (1991);
Landscape (1994);
Ashes To Ashes (1996);
Celebration e The Room (2000);
No Man´s Land (2001);
Encenou peças de James Joyce (Exiles ), Simon Gray (Butley, Otherwise Engaged, The Rear Column, Close Of Play, Quartermaine’s Terms, The Common Pursuit, Life Support, The Late Middle Classes, The Old Masters), Robert Shaw (The Man In The Glass Booth); William Archibald (The Innocents); Noel Coward (Blithe Spirit); Robert East (Incident At Tulse Hill); Jean Giraudoux (The Trojan War Will Not Take Place); Tennessee Williams (Sweet Bird Of Youth); David Mamet (Oleanna); Ronald Harwood (Taking Sides); Reginald Rose (Twelve Angry Men).
Realizou, para televisão, vários textos de Simon Gray. Do mesmo autor realizou Butley.
A Revista Artistas Unidos nº 7 contém um dossiê temático relativo a Pinter, bem como os textos Conferência e O Exame.
A Revista Artistas Unidos nº8 tem publicado o texto Câmara Ardentee um dossiê temático relativo ao autor.
Por iniciativa dos Artistas Unidos, a Relógio d`Água publicou o Teatro Completo de Harold Pinter, em dois volumes.
Nos Artistas Unidos:
2001 O SERVIÇO um trabalho de João Saboga e Vítor Correia (A Capital Teatro Paulo Claro).
2002 O AMANTE encenação de Jorge Silva Melo (A Capital Teatro Paulo Claro); UM PARA O CAMINHO encenação de Pedro Marques (A Capital Teatro Paulo Claro); CINZA ÀS CINZAS encenação de Rosa Quiroga e João Cardoso (A Capital Teatro Paulo Claro); TRAIÇÕES encenação de Solveig Nordlund (CCB); HÁ TANTO TEMPO encenação de Solveig Nordlund (CCB / CAM – Acarte); A COLECÇÃO encenação de Artur Ramos (CCB); O ENCARREGADO encenação de João Meireles (Culturgest)
2003 VICTORIA STATION um trabalho de Rogério Vieira e António Simão (Teatro Taborda).
2005 CONFERÊNCIA DE IMPRENSA E OUTRAS ALDRABICES de Harold Pinter, Antonio Tarantino, Arne Sierens, Antonio Onetti, Davide Enia, Duncan McLean, Enda Walsh, Finn Iunker, Irmãos Presniakov, Jon Fosse, José Maria Vieira Mendes, Jorge Silva Melo, Juan Mayorga, Letizia Russo, Marcos Barbosa, Miguel Castro Caldas, Spiro Scimone, uma canção de Boris Vian e outros ainda. A NOVA ORDEM MUNDIAL de Harold Pinter (Teatro Taborda)
« Yom Kippur II
Rabino Abraham Assor זצ"ל »
Mazel Tov Mr. Pinter!
«O dramaturgo britânico Harold Pinter venceu o Prémio Nobel da Literatura, tornando-se o 13o judeu a ganhar o Nobel nesta categoria, sucedendo à escritora judia austríaca Elfriede Jelinek, vencedora do prémio em 2004.
::ADENDA::
Será Harold Pinter descendente de judeus portugueses? Esta questão, levantada, entre outros, por Jorge Palinhos (ver BdE - Blogue de Esquerda (II): O Pinto Nobelizado), não tem uma resposta fácil. Pinter acredita que o seu nome de família resulta da anglicização de “Pinto” (ou “Pinta”), um sobrenome generalizado entre as famílias de judeus portugueses da Diáspora (ver JewishEncyclopedia– Pinto Jewish Family Name, Ancestry.com – Pinter e Wikipédia – Isaac de Pinto). Na verdade, era bastante comum aos judeus portugueses emigrados alterar o nome de família como forma de melhor se integrarem nos países de acolhimentos – em França, os descendentes do pedagogo Jacob Rodrigues Pereira, por exemplo, chamam-se hoje “Pereire”, enquanto o ramo americano da mesma família optou por “Perera” (ver National Foundation for Jewish Culture: On Being Sephardic: The Children of the Diaspora, by Victor Perera).
Por outro lado, sabe-se que os judeus portugueses são responsáveis pelo restabelecimento da comunidade judaica em Inglaterra, depois do rabino Menasseh ben Israel (Manuel Dias Soeiro) ter negociado com Oliver Cromwell, no século XVII, a revogação do decreto de expulsão de 1290. Foram os judeus portugueses os primeiros a chegar a Londres (ver JewishEncyclopedia – Bevis Marks Synagogue). Sabe-se também que existiam vários “Pintos” entes estes pioneiros – o rabino português Joseph Jesurun Pinto (1565-1648), por exemplo, viveu em Londres grande parte da sua vida.
A eventual descendência portuguesa de Harold Pinter virá por parte do pai, Jack Haim Pinter, uma vez que a família da mãe, Frances Moskowitz, tem raízes nas comunidades judaicas da Polónia e Ucrânia. Mesmo assim, sem mais elementos factuais – a não ser a palavra do próprio Harold Pinter – é difícil traçar com certezas a sua mais do que provável ancestralidade judaica portuguesa. A pista final é dada pelo facto do pai de Harold Pinter ser sefardita e da esmagadora maioria dos judeus sefarditas britânicos descenderem de judeus portugueses. (Ver ainda New York Times – Harold Pinter.)
Quanto à importância que o facto de ter nascido judeu teve na formação de Pinter, a sua biografia no site oficial da Academia Sueca parece não deixar dúvidas: “Crescendo [em Londres], Pinter foi confrontado com expressões de antisemitismo que, segundo ele próprio indica, foram importantes na sua decisão de tornar-se dramaturgo.”
This entry was posted on Friday, October 14th, 2005 at 5:12 am and is filed under Poesia & Literatura, Judeus Portugueses. You can return to the main page, send this link to a friend or translate to (terrible and lame) English or send a message to the Correio da Judiaria. Database
In RUA DA JUDIARIA
Vigo, 23 de decembro de 2005
A condenação do terrorista George Bush
Altamiro Borges-
Actualidade GalizaCIG
Harold Pinter aos membros da Academia Sueca: “Quantas pessoas será preciso matar antes que o líder possa ser qualificado como assassino em massa ou criminoso de guerra? Cem mil? Mais que o suficiente, é o que eu imaginaria. Portanto, é justo que Bush e Blair sejam indiciados diante do Tribunal Internacional de Justiça. Mas Bush foi esperto. Não ratificou o tratado que constituiu o tribunal. Assim, se qualquer soldado ou, aliás, político norte-americano for levado a julgamento, George Bush já alertou que recorrerá à força para libertá-lo. Mas Tony Blair ratificou a constituição do tribunal e, portanto, pode ser processado. Podemos fornecer o endereço dele ao tribunal. É Downing Street, número 10, Londres”.
O discurso pronunciado pelo dramaturgo e poeta britânico Harold Pinter, durante a sua premiação como Nobel de Literatura-2005, é uma das mais contundentes e lúcidas peças de acusação contra o presidente dos EUA, George W. Bush, taxado de “criminoso de guerra”. O belo texto merece ser lido e amplamente divulgado (ele está disponível na página do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz, http://www.cebrapaz.org.br). Hospitalizado em Londres com câncer linfático, o escritor de 75 anos gravou um discurso de 46 minutos que foi transmitido em vídeo para os presentes na cerimônia em Estocolmo. Numa cadeira de rodas e com a voz debilitada, Pinter foi firme na condenação do maior terrorista da atualidade.
Após relembrar um texto seu de 1958, no qual alegava que “não existem distinções concretas entre o que é real e o que é irreal” no trabalho artístico e que “a verdade na dramaturgia é sempre fugaz”, o renomado escritor revelou toda sua coragem intelectual, hoje tão em falta nos meios acadêmicos e culturais vendidos ou acovardados diante do deus-mercado. “Como escritor eu reafirmo o que disse. Mas não posso fazê-lo como cidadão. Em minha condição de cidadão, me cabe perguntar: O que é verdadeiro? O que é falso?”. Para ele, cabe ao intelectual desmistificar as mentiras dos poderosos. “Para manter o poder é essencial que as pessoas sejam mantidas na ignorância, que vivam ignorando a verdade, até mesmo a verdade das suas vidas. O que nos cerca, portanto, é uma vasta tapeçaria de mentiras, das quais nos alimentamos”.
Em defesa da verdade, o premiado dramaturgo desmascara cada um dos embustes alardeados pelos EUA, seus aliados e a mídia. “A justificativa para a invasão do Iraque era o fato de que Saddam Hussein possuía perigoso arsenal de armas de destruição em massa, algumas das quais podiam ser disparadas no prazo de apenas 45 minutos, e seriam capazes de causar chocante devastação. Garantiram-nos que isso era verdade. Não era verdade. Fomos informados de que o Iraque tinha um relacionamento com a rede Al Qaeda e era co-responsável pelas atrocidades do 11 de setembro em Nova York. Garantiram-nos que isso era verdade. Não era verdade. Fomos informados de que o Iraque representava uma ameaça para segurança do mundo. Garantiram-nos que isso era verdade. Não era verdade. A verdade é algo inteiramente diferente”.
Para ele, toda esta manipulação serve unicamente aos propósitos desta potência imperialista. Ele recorda de uma reunião do qual participou na embaixada dos EUA em Londres, no final dos anos 80. Na ocasião, a diplomata ianque Raymond Seitz teve de ouvir as duras críticas do padre John Metcalf ao financiamento dado aos contra-sandinistas: “Senhor, cuido de uma paróquia no norte da Nicarágua. Os fiéis construíram uma escola, um centro de saúde, um centro cultural. Vivíamos em paz. Alguns meses atrás, uma força dos contras atacou a paróquia. Destruíram tudo: a escola, o centro de saúde, o centro médico. Estupraram enfermeiras e professoras, massacraram médicos. Comportaram-se como selvagens. Por favor, exija que o governo dos Estados Unidos retire seu apoio a essas chocantes atividades terroristas”. O diplomata ianque ouviu a crítica e reagiu: “Padre, permita-me dizer-lhe uma coisa. Na guerra, pessoas inocentes morrem”.
Pinter descreve toda sua repulsa diante deste episódio mórbido. Lembra ainda que o presidente dos EUA naquela época, Ronald Reagan, disse que “os contras são o equivalente moral de nossos pais fundadores”. Para ele, é esta mesma lógica criminosa que hoje ensangüenta o Iraque. “Os Estados Unidos apoiaram e, em muitos casos, engendraram todas as ditaduras de direita surgidas no mundo depois da Segunda Guerra Mundial. Basta citar Indonésia, Grécia, Uruguai, Brasil, Paraguai, Haiti, Turquia, Filipinas, Guatemala, El Salvador e, evidentemente, o Chile… Os crimes dos EUA foram sistemáticos, constantes, impiedosos, mas pouca gente fala sobre eles. Temos de reconhecer o talento norte-americano. O país exerceu uma manipulação clínica do poder em todo o mundo, enquanto posava o tempo todo como força que deseja o bem universal. Foi um ato brilhante, e até mesmo sutil, de hipnotismo, que obteve imenso sucesso”.
Na sua opinião, esta manipulação inclusive seduz a consumista e cínica sociedade ianque. “A linguagem é empregada de maneira a impedir que o pensamento atue. As palavras ‘o povo norte-americano’ oferecem a almofada verdadeiramente voluptuosa de segurança, de confiança. Não é preciso pensar. Simplesmente, recoste-se na almofada. A almofada talvez sufoque a sua inteligência e as suas faculdades críticas, mas é muito confortável. Isso não se aplica, claro, aos 40 milhões que vivem abaixo do limiar da pobreza, ou aos dois milhões de homens e mulheres detidos no vasto gulag de penitenciárias que se estende ao longo do território norte-americano”. É contra essa deprimente alienação que Harold Pinter levanta a sua voz.
“O que aconteceu à nossa sensibilidade moral?”, pergunta de forma estridente, provocadora. “Será que isso morreu? Pensem na baía de Guantánamo. Centenas de pessoas detidas sem acusação por mais de três anos, sem direito a representação legal, sem direito a processos justos, tecnicamente detidas para sempre… Esse ultraje criminoso está sendo cometido por um país que se declara ‘líder do mundo livre’. Será que nós pensamos sobre os habitantes da baía de Guantánamo? O que a imprensa tem a dizer sobre eles? O que o primeiro-ministro britânico tem a dizer sobre isso? Nada. Por que nada? Porque os Estados Unidos determinaram que criticar sua conduta na baía de Guantánamo constitui violação de aliança. Quem não está com eles, está contra eles. Por isso, [Tony] Blair mantém a boca fechada”.
Nesta parte de seu corajoso discurso, Pinter decreta: “A invasão do Iraque foi um ato de banditismo, um ato de gritante terrorismo de Estado, e demonstrou o completo desprezo pelo conceito de lei internacional. A invasão foi uma ação militar arbitrária inspirada por uma série de mentiras e mais mentiras, por absurda manipulação da mídia e, portanto, do público; um ato cujo objetivo é consolidar o controle econômico e militar norte-americano no Oriente Médio… Uma formidável afirmação de poderio militar, responsável pela morte e mutilação de milhares e mais milhares de pessoas inocentes. Nós levamos tortura, munição fragmentável, projéteis de urânio, inumeráveis atos de homicídio aleatório, miséria, degradação e morte ao povo iraquiano, e a isso chamamos de ‘levar a liberdade e a democracia ao Oriente Médio’”.
Diante deste veredicto implacável, o escritor sentencia: “Quantas pessoas será preciso matar antes que o líder possa ser qualificado como assassino em massa ou criminoso de guerra? Cem mil? Mais que o suficiente, é o que eu imaginaria. Portanto, é justo que Bush e Blair sejam indiciados diante do Tribunal Internacional de Justiça. Mas Bush foi esperto. Não ratificou o tratado que constituiu o tribunal. Assim, se qualquer soldado ou, aliás, político norte-americano for levado a julgamento, George Bush já alertou que recorrerá à força para libertá-lo. Mas Tony Blair ratificou a constituição do tribunal e, portanto, pode ser processado. Podemos fornecer o endereço dele ao tribunal. É Downing Street, número 10, Londres”.
Harold Pinter tem consciência de que o cumprimento desta sentença não será nada fácil. “A morte neste contexto é irrelevante. Tanto Bush quanto Blair dão importância muita pequena à morte. Pelo menos 100 mil iraquianos foram mortos por bombas e mísseis norte-americanos antes que a insurgência do Iraque começasse. Essas pessoas não importam. As mortes delas não existem. São um vazio. Não estão sequer sendo registradas como vítimas fatais. ‘Não contamos cadáveres’, disse o general Tommy Franks… Os dois mil soldados norte-americanos mortos são motivo de embaraço. São transportados para seus túmulos no escuro. Os funerais são discretos, realizados em locais distantes. Os mutilados apodrecem nas camas, alguns pelo resto de suas vidas. Assim, mortos e mutilados apodrecem em tipos diferentes de leito”.
Num mundo marcado pela crescente e brutal agressividade das potências capitalistas, a guerra é encarada como natural, as torturas são justificadas, as mortes são banalizadas. “Os Estados Unidos ocupam hoje 702 instalações militares em todo o mundo, em 132 países… Os EUA possuem oito mil ogivas nucleares ativas e operacionais. Duas mil delas estão em alerta imediato, prontas para lançamento em 15 minutos. O país está desenvolvendo novos sistemas de força nuclear, conhecidos como ‘arrasa-bunkers’… Contra quem, imagino, eles estão apontados? Osama Bin Landen? Você? Eu? China? Paris? Quem sabe. O que sabemos é que essa infantil insanidade é o cerne da filosofia política atual dos Estados Unidos”.
Para este engajado escritor, a única forma de deter a atual escalada agressiva, que coloca em perigo a própria existência do planeta, é erguer a voz, é pressionar, é lutar. “Acredito que a despeito das enormes dificuldades, cabe-nos como cidadãos, com ferrenha, inamovível e feroz determinação intelectual, definir a verdade real de nossas vidas e nossas sociedades. Trata-se de uma obrigação crucial para todos nós. É de fato compulsória. Se essa determinação não for incorporada por nossa visão política, não teremos a esperança de restaurar aquilo que está quase perdido para nós: a dignidade humana”. Ao receber o talvez mais merecido Nobel da Literatura, Pinter não falou de literatura, mas sim do futuro da humanidade. A poesia recitada por ele na ocasião, de Pablo Neruda, explica as razões do seu contundente discurso.
“E vocês perguntarão porque a poesia dele
não fala de sonhos e folhas
e dos grandes vulcões de sua terra natal.
Venham e vejam o sangue nas ruas.
Venham e vejam
o sangre nas ruas.
Venham e vejam
o sangue nas ruas!”.
Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, junho de 2005).
[Artigo enviado a http://www.galizacig.com polo autor, 21/12/2005]
Publicado por Violeta Teixeira em 27/03 às 06:24 PM
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Harold Pinter - Prémio Nobel Da Literatura (2005)
Publicado por Violeta Teixeira em 27/03 às 06:19 PM
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Para a Gabriela, cor de canela, neta a vir de Cabo Verde, esperada pela avó de cor branca
«Não há famílias adoptivas e famílias naturais, mas famílias verdadeiras e falsas», Eduardo Sá, 2005
Publicado por Violeta Teixeira em 27/03 às 01:59 PM
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«Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
(...) E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros.
E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.»
Haruki Murakami, in «Kafka à Beira-Mar»
In O CITADOR
«Um dos mais populares escritores japoneses, Haruki Murakami nasceu em Kyoto em 1949. Cresceu em Kobe, cidade portuária que lhe rendeu uma visão de mundo cosmopolita, um dos pilares de sua obra. Seus dias de universidade foram caóticos e intensos, incluindo uma participação ativa nos protestos contra a guerra do Vietnã. Formou-se em dramaturgia clássica no Departamento de Literatura da Universidade de Waseda. Pouco depois, montou um bar em Kokubunji, Tóquio (1974 a 1981), sobre o qual diria mais tarde: “Tudo que preciso saber na vida aprendi no meu bar de jazz.” Nesse período, publicou seus dois primeiros livros: Hear the Wind Sings (1979) e Pinball 1973 (1980).
Depois viriam Caçando carneiros (1982), publicado no Brasil pela Estação Liberdade em 2001; Hard-boiled Wonderland and the End of the World (1985), que lhe rendeu o prestigioso Prêmio Tanizaki; Norwegian wodd (1987), com mais de 20 milhões de cópias vendidas em um ano, e, em seguida, Dance Dance Dance (1988), entre outras obras. Seus livros de ficção mais recentes são After the quake (2000) e Kafka on the shore (2002).
Em 1996, Murakami recebeu o Prêmio Literário Yomiuri, prêmio já concedido a importantes nomes da literatura japonesa, como Kenzaburo Oe, Kobo Abe e Yukio Mishima.
Suas maiores influências literárias são Raymond Chandler, Kurt Vonnegut e Richard Brautigan. Paralelamente à atividade de escritor, traduziu para o japonês autores como F. Scott Fitzgerald, John Irving, Tim O´Brien, Truman Capote e Paul Theroux.
Após morar alguns anos na Europa e nos Estados Unidos, Murakami voltou ao Japão e atualmente vive nas proximidades de Tóquio.»
http://www.estacaoliberdade.com.br/autores/murakami.htm - 3k
Publicado por Violeta Teixeira em 27/03 às 12:42 AM
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Digo-me
Do interdito.
Digo-te
Do consentido.
Interdito
Sublime!
Puríssimo!
Abismo-me
Neste oxímoro.
E silencio-me.
Violeta Teixeira, inédito ( DÉDALOS DE AFECTO)
Publicado por Violeta Teixeira em 27/03 às 12:18 AM
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Rodin
«O amor é a única paixão que não admite nem passado nem futuro.»
Honoré de Balzac
In OCITADOR
«Honoré de Balzac (Tours, 20 de maio de 1799 — Paris, 18 de agosto de 1850), foi um romancista francês.
Nasceu no departamento francês de Indre-et-Loire e em 1849, com a saúde debilitada, viajou para a Polônia para visitar Eveline Hanska, uma rica dama polaca com quem manteve correspondência por mais de 15 anos. Em 1850, três meses antes da morte de Balzac, eles casaram-se.
Tendo-se tornado num dos maiores nomes do realismo na literatura, as suas obras são, no entanto, cunhadas sobre a tradição literária do romantismo francês. Sua Comédia Humana (La Comédie Humaine), que reúne mais de 90 romances e contos, procura retratar a realidade da vida burguesa da França na sua época.
Os hábitos de trabalho de Balzac tornaram-se lendários - escrever cerca de quinze horas por dia, impulsionado por um sem-número de xícaras de café. Com uma produção volumosa, é frequente que se apontem pequenas imperfeições em sua obra - o que, no entanto, não é suficiente para retirar de muitas delas o epíteto de obras-primas(...)»
In Wikipédia
Publicado por Violeta Teixeira em 26/03 às 11:23 AM
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