Sábado, 31 Dezembro, 2005

ÁLCOOL

Álcool

«Aspectos históricos

Toda a história da humanidade está permeada pelo consumo de álcool. Registros arqueológicos revelam que os primeiros indícios sobre o consumo de álcool pelo ser humano data de aproximadamente 6000 a.C., sendo portanto, um costume extremamente antigo e que tem persistido por milhares de anos. A noção de álcool como uma substância divina, por exemplo, pode ser encontrada em inúmeros exemplos na mitologia, sendo talvez um dos factores responsáveis pela manutenção do hábito de beber ao longo do tempo.

Inicialmente, as bebidas tinham conteúdo alcoólico relativamente baixo, como por exemplo o vinho e a cerveja, já que dependiam exclusivamente do processo de fermentação. Com o advento do processo de destilação, introduzido na Europa pelos árabes na Idade Média, surgiram novos tipos de bebidas alcoólicas, que passaram a ser utilizadas na sua forma destilada. Nesta época, este tipo de bebida passou a ser considerado como um remédio para todas as doenças, pois “dissipavam as preocupações mais rapidamente do que o vinho e a cerveja, além de produzirem um alívio mais eficiente da dor”, surgindo então a palavra whisky (do gálico usquebaugh, que significa “água da vida").

A partir da Revolução Industrial, registrou-se um grande aumento na oferta deste tipo de bebida, contribuindo para um maior consumo e, consequentemente, gerando um aumento no número de pessoas que passaram a apresentar algum tipo de problema devido ao uso excessivo de álcool.

Aspectos gerais

Apesar do desconhecimento por parte da maioria das pessoas, o álcool também é considerado uma droga psicotrópica, pois ele actua no sistema nervoso central, provocando uma mudança no comportamento de quem o consome, além de ter potencial para desenvolver dependência.(...)»

Publicado por Violeta Teixeira em 31/12 às 02:31 PM
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DO ÁLCOOL E DO ÓPIO

Caí
Pela
Escada
Abaixo
Do
Álcool
E
Do
Ópio.

Violeta Teixeira, inédito (ORGIAS DE ESQUECIMENTO)

Publicado por Violeta Teixeira em 31/12 às 02:16 PM
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EU?

Publicado por Violeta Teixeira em 31/12 às 09:41 AM
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Sexta-feira, 30 Dezembro, 2005

LAMENTAÇÃO

A Lamentação é Completamente Inútil

Não há dúvida de que é inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante o mundo. Resta saber se não é igualmente inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante nós próprios. Evidentemente. De facto, ninguém se lamentará perante si próprio, a fim de se incitar à piedade, o que nada significaria, dado que a piedade é, por definição, o voluptuso encontro de dois espíritos. Para quê, então? Não para obter favores, porque o único favor que um espírito pode fazer a si próprio é conceder-se indulgência, e toda a gente percebe quanto é prejudicial que a vontade seja indulgente para com a sua própria e lamentável fraqueza.
Resta a hipótese de o fazermos para extrair verdades do nosso coração amolecido pela ternura. Mas a experiência ensina que as verdades surgem apenas em virtude de uma pacata e severa busca, que surpreende a consciência numa atitude inesperada e a vê, como de um filme que parasse de repente, estupefacta, mas não emocionada.
Basta, portanto.

Cesare Pavese, in «O Ofício de Viver»

Publicado por Violeta Teixeira em 30/12 às 02:45 PM
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INVEJO-VOS!

PARA O LUCA

Invejo! Invejo com furor e raiva. Invejo-vos.
A todos os que se sabem ser seres possíveis.

Invejo-vos! A todos os que são, impossivelmente,
Exímios fazedores das vidas que se vivem. Possíveis.

Possíveis no mesmo onde, onde me não sei ser,
Ainda que, insensatamente, um ser possível,
E me sufoco nos fumos do tudo é absurdo.

Invejo! Invejo-vos, com fúrias mansas. Invejo,
com alma alva de asceta e de místico, às vossas vidas.

Sim! Isso mesmo! Alma de místico e de asceta. Por
Que vos espantais? Olhai. Sabei que me sento à vossa
Mesa, onde, exímios, jogais xadrez, e não me vedes
Como vos contemplo. Como contemplo o infinito,
De pálpebras abertas e absortas.

Invejo-vos, a vós, exímios jogadores, com todas as
Veias da raiva, túmidas e roxas, como amoras bravas,
E um gosto, azedo e verde, na boca.

Invejo! Invejo-vos. Estou ao vosso lado. Não vos dais
Conta. Nunca me chega a vez do jogo de xadrez, que jogais
Com gozo. Nunca. Exímios e felizes, conheceis as peças e as
Regras e tudo. Mesmo que se trate de um qualquer outro jogo.

Invejo-vos! Não vos comove ver umas místicas mãos.
Tão vazias! Vede. Estão, asceticamente, caídas no
Pano verde da vossa mesa de xadrez.

Violeta Teixeira, in AFLUENTES LUNARES ( 1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira, 1ª edição, 2000), co-edição Magno Edições/ Câmara Municipal de Leiria, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 30/12 às 02:20 PM
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Terça-feira, 27 Dezembro, 2005

MORTE DE VAN GOGH

A morte

«Alguns dias depois de pintar Campo de Trio com Corvos (1890), van Gogh sente-se extremamente deprimido e retorna à tarde ao campo de trigo, onde dá um tiro no peito. A bala perfura-lhe o tórax e faz um pneumotórax, mas não lesa grandes vasos. Ele consegue voltar para o quarto e se deita sem dizer nada a ninguém. Madame Ravoux, proprietária do café localizado no andar térreo do prédio onde ele está residindo, percebe sua ausência no café da manhã, vai ao quarto e o encontra moribundo. Ela chama o Dr. Gachet e comunica o ocorrido a Theo. Van Gogh é atendido, mas não resiste, sendo seu corpo sepultado em 30 de julho de 1890.
Para a posteridade, o Dr. Gachet deixou uma gravura que fez de van Gogh no leito de morte, como última homenagem ao amigo. O pintor não está de barba, como nos auto-retratos; foi banhado e cuidadosamente barbeado antes de seu corpo ser enterrado em Auvers-sur-Oise. Vinte anos depois, os ossos do irmão Theo - morto em 1891 - foram transladados para um túmulo ao lado do de van Gogh.»

Publicado por Violeta Teixeira em 27/12 às 02:00 AM
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EMBRIAGA-TE DA TUA ARTE!

«ANCRE»

Conjugaste-me
O verbo da exclusão,
Como se me moldasses
No bronze, o rosto
Rígido da morte,

Com raízes, de luz
Apodrecida, nas
Pálpebras,

E, na boca,
Uma crispação,
Áspera e impositiva.

Embriaga-te
Da tua obra!

Como a arte
Nos toca, e

Nos liberta
Das babas da aranha!

Violeta Teixeira, in LÂNGUIDAS FÚRIAS, Magno Edições, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 27/12 às 01:37 AM
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Segunda-feira, 26 Dezembro, 2005

CONHECIMENTO

«Só sabemos com exactidão quando sabemos pouco; à medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida.»

Goethe , Johann

Publicado por Violeta Teixeira em 26/12 às 12:07 PM
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«PÊNDULO»

Abílio Febra, artista plástico

Parabéns, Abílio!

Feliz aniversário!

Publicado por Violeta Teixeira em 26/12 às 11:54 AM
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Domingo, 25 Dezembro, 2005

FANARAM-SE-ME OS MEUS FAVOS DE FOGO

Esgarçados são os gestos.
Os seus dedos são galhos secos
E os braços,
Barbatanas moribundas.

Fanaram-se-me, nas águas
Glaucas do seu charco,
Os meus favos de fogo.

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 25/12 às 08:32 PM
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Sábado, 24 Dezembro, 2005

DAS CRIANÇAS DE RUA DO FUNCHAL

DAS CRIANÇAS DE RUA NO FUNCHAL

Viajo. Viajo-me. Aqui, sentada numa mesa da cafetaria de uma livraria, com um jornal aberto e um guardanapo branco para a escrita. Desta vez, não poética. Viajo-me, depois da leitura de uma notícia sobre crianças de rua no Funchal. Como faço a viagem?
Sou uma menina de treze anos, saindo do Funchal, onde nasci e resido, acompanhada pelo pai, com destino a Câmara de Lobos. Chego a esta belíssima e paupérrima vila pis- catória. Sou a menina rica que só quer pintar um quadro, cujo cenário é apenas o da na- tureza física. Estou a ver, é certo, muitos miúdos sujos, mal vestidos e pedintes, mas, la- mentavelmente, que sei eu da pobreza? O meu pai guarda-me numa redoma dourada, e, com desprezo, chamo-lhes garotos, vilões, por oposição à menina rica e urbana.
Agora, passados séculos, deixei de ser a menina rica, e, solidária com os mais des- protegidos de todas as sociedades da Terra, querendo, utopicamente, pôr fim às mais gritantes iniquidades do mundo, onde a maioria da população é pobre ou vive abaixo do limiar da miséria, viajo e choro. Choro para dentro. Choro os milhões de mortes de cri- anças. Crianças que morrem devido à fome, às doenças, às guerras. Órfãs de tudo. Co -mo me indigno e grito para dentro!
Viajo. Viajo-me. Estou no Funchal. Vejo, já não os garotos, os vilões, dos tempos de
menina rica. Vejo crianças. Vejo adolescentes. Vejo, em suma, seres humanos iguais a mim. E deixo, aqui, neste suporte de papel jornalístico, a minha mais feroz e dolorosa indignação. Como é possível que, volvidos tantos anos, desde aquela visita de turismo cultural, haja crianças dos bairros daquela vila, pobres do ontem, ainda pobres no hoje, mais de duas dezenas, com idades compreendidas entre os quatro e os catorze anos, que se dedicam à mendicidade no centro do Funchal? Como é possível que nesta cidade de- senvolvida e, desde há muito, cosmopolita, existam crianças de rua? Como? Crianças de rua, homólogas dos sem-abrigo das grandes urbes?
Viajo. Viajo-me. Choro e grito para dentro. Recordo-me da obra «Capitães da Areia do Nobel Jorge Amado, e derramo lágrimas para o dentro da minha revolta. Tenho a sua fome, o seu frio. Sinto o sentimento de exclusão social, a imperativa necessidade do fur- to, do assalto. Enfim, o ímpeto legítimo da violência. Sim! Não vale a pena me chama- rem à atenção, neste caso, para a ilicitude. Quem pratica ilícitos são os responsáveis políticos. Sim! Estes deveriam saber que a pobreza gera violência, porque a pobreza é uma das múltiplas formas de violência. Quando compreenderão o óbvio? Para eles a solução é o internamento em lares da Santa Misericórdia, muitos sem qualquer mise- ricórdia, em Casas Pias, sem piedade, ou, então, as prisões, escolas excelentes para pre- pararem a reinserção social. Ignóbil hipocrisia! Sim, caro leitor! Assim, oculta-se dos turistas a intolerável e inestética realidade da mendicidade das crianças de rua.
Viajo. Viajo-me. Estou, neste momento, na minha cidade natal e, não posso deixar de me dirigir ao meu ex-colega liceal, Presidente da Região Autónoma da Madeira, que, graças ao alto patrocínio que me concedeu, foi-me possível publicar, há um ano, a min- ha quinta obra poética. Dirigir-me ao João jardim para quê? Reiterar o meu agradeci –mento? Sim. Mas, muito mais importante do que tudo isso, fazer-lhe um apelo urgente. Inadiável. Apelo, esse, no sentido de fazer com que, tendo desenvolvido extraordinária- mente a nossa ilha, elimine, de uma vez por todas, as causas que provocam a existência de crianças de rua.
Fecho o jornal. Guardo o guardanapo da escrita. Levanto-me, com lágrimas invisí veis, guardadas no bolso da memória.
Agora, sentada comodamente no meu escritório- biblioteca, viajo, vendo, com saudade e tristeza, as imagens, oferecidas pela Net, do arquipélago da Madeira, da vila de Câmara de Lobos e da cidade funchalense.
Viajo, igualmente, neste escrito, e espero chegar a bom porto, com as «armas» das palavras, armas de dois gumes. Ferem e acariciam. Viajarão, também, até ao Gabinete da Presidência do Governo da Região Autónoma Da Madeira, de modo a ferirem a consciência política do meu amigo João Jardim, e, com certeza, acariciarem o projecto da exérese do cancro social em causa.

Violeta Teixeira

Publicado por Violeta Teixeira em 24/12 às 03:30 AM
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SEM TÍTULO

VAN GOGH

Entre o curso do rio
E a evidência
Expandem-se-me os véus
De tule e as teias
Iniludíveis
Do crepúsculo.

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 24/12 às 02:45 AM
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Quinta-feira, 22 Dezembro, 2005

AMIGO

«É muito difícil encontrar um amigo, mais difícil ainda deixá-lo e impossível esquecê-lo.»

Robert Louis Stevenson (13 de Novembro de 1850, Edinburgh, Escócia - 3 de dezembro de 1894 - foi novelista, poeta e escritor de roteiros de viagens.)

Publicado por Violeta Teixeira em 22/12 às 04:50 PM
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Quarta-feira, 21 Dezembro, 2005

BOCAGE

200 anos são passados sobre a aua morte.




::. MÚLTIPLAS FACES


Por ser um poeta de faces múltiplas a obra literária de Bocage não pode ser simplesmente incluída no gênero literário do Neoclassicismo ou Arcadismo. O Bocage que ficou conhecido em Portugal e no Brasil é o poeta boêmio, satírico e erótico, que freqüentava o bar do Nicola e o Botequim das Parras. Além disso, apesar de Bocage dominar a técnica do verso, sendo considerado, devido a isso, como clássico, sua poesia vai muito além das convenções literárias da época. Essa transgressão às normas faz de Bocage um poeta de transição entre o Neoclassicismo e o Romantismo.

Por isso, e porque é sua poesia que, sem sobra de dúvidas, anuncia os primeiros valores do Romantismo em Portugal que Bocage é considerado por vários estudiosos como um poeta Pré-romântico.

Apesar de ser fortemente influenciado pelo estilo dominante em sua época e fazer concessões ideológicas, políticas, sociais e religiosas para sobreviver, é comum encontrar na poesia de Bocage, principalmente nos poemas escritos depois de sua prisão, uma luta constante entre a razão iluminista e a emoção. Nessa luta dolorosa e angustiante a emoção sobrepuja a razão como se pode ver no fragmento do soneto abaixo:

“ Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura,
Se a lei de Amor, se a Força da ternura
Nem domas, nem contrastas nem mitingas.
Se acusas os mortais, e os não obrigas,
Se, conhecendo o mal, não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura;
Importuna Razão, não me persigas.”

Somente um Romântico escreveria versos como “Importuna Razão, não me persigas” ou “Deixa-me apreciar minha loucura” um neoclássico ou arcádico jamais faria algo semelhante. Se nos versos acima já encontramos algumas características do movimento literário que está por vir, no tema da Morte é que se pode perceber claramente que Bocage é uma espécie de profeta do Romantismo. Isso se dá porque todo o sofrimento da vida acaba com a morte, ela, a morte, é a única verdade da vida.

Oh retrato da morte, oh Noite amiga
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto!
De meus desgostos secretária antiga!
Pois manda Amor, que a somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga:
E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!
Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.

Incapaz de encontrar uma forma nova que melhor correspondesse à novidade dos seus sentimentos, Bocage permaneceu um típico produto de transição. Citando as palavras de David Mourão Ferreira: “ Com um pé nos degraus da Arcádia, com o outro suspenso ante os abismos enigmáticos do futuro, a sua posição de tão instável, tão depressa nos comove como logo nos impacienta”.

In MUNDO CULTURAL (site)

Publicado por Violeta Teixeira em 21/12 às 11:29 AM
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CLAUDE MONET

«Ce que je ferai, ce sera l’impression de ce que j’aurai ressenti.»

Claude Monet

Publicado por Violeta Teixeira em 21/12 às 02:16 AM
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