Quarta-feira, 30 Novembro, 2005

HUMÍLIMA HOMENAGEM

HUMÍLIMA HOMENAGEM NO DIA DA MORTE DE FERNANDO PESSOA(S)

São passados setenta anos sobre a morte de Fernando Pessoa(s)

«Quem me dirá quem sou?»

Grito-me para dentro.
Grito-me. Sem êxito.

O dentro, se o há,
Se, alguma vez, o houve, deveras,
É um palco repleto de máscaras,
Ou um deserto gélido de sombras, sem
Signos legíveis das pegadas
De ser nenhum.

Grito-me, de novo. Para dentro.
Como teria feito o Pessoa,
Sem pessoa dentro.

Sempre ouço um «Não sou nada.»
Um « Nunca serei nada.»
Um «Não posso querer ser nada.»
Atroado da «Tabacaria»
Do Álvaro de Campos.

Então, meu caro poeta,
Se o Nada sustenta o Ser, um dia
Haverá, em que nos seremos.

( Não!) « Nunca serei nada.»
«Não posso querer ser nada.»
( Nada! Nada! Nada!), repete-me,
Com gritos histéricos, o Campos
Sado - masoquista das odes
«Triunfal e Marítima.»

«Quem me dirá quem sou?»

Agora, grito dentro das ditas
Odes futuristas, que não ouço,
E, de súbito, solta-se um
«Posso imaginar-me tudo porque
Não sou nada», do niilista
«Livro do Desassossego.»

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 30/11 às 10:53 AM
Categoria • Poesia • (0) Comentários • (0) Trackbacks

Terça-feira, 29 Novembro, 2005

FILOSOFIA, ARTE E PODER

Para o meu amigo Fernando Capítulo

« Muitas vezes na História o poder se ajoelhou perante a filosofia e a arte.Umas por sincera devoção ao belo, outras por medo: os poetas e os filósofos têm ligações secretas com os deuses e alguns demónios - assim se dizia e se diz ainda, entre os incapazes da construção de palavras ou ideias.»

Gonçalo M. tavares, in «HISTÓRIAS FALSAS», Campo de Letras, 2005

Publicado por Violeta Teixeira em 29/11 às 02:23 PM
Categoria • Citações • (0) Comentários • (0) Trackbacks

SEJA ABSINTO!

PARA O MEU AMIGO FERNANDO CAPÍTULO


Seja absinto!
Ácido!
Verdísssimo!

Que eu veja
Cinzeladas, nos
Cálices,
De cristal,

Agulhas
De abetos, folhas
De faias, de bétulas,
Raposas vermelhas aladas,
E bagas límpidas,
De água.

Caia-me
No olhar um vago
Sabor
De amoras.

Na boca,
Uma lágrima
Solar.

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 29/11 às 02:09 AM
Categoria • Poesia • (2) Comentários • (0) Trackbacks

Segunda-feira, 28 Novembro, 2005

VAN GOGH E O ABSINTO

«O ABSINTO»

«Essa bebida foi descoberta por um médico francês que usou a infusão de absinto (Artemisia absinthium) como vermífugo, principalmente para Ascaris lumbricóides. Em seus estudos, ele percebeu que, ao se acrescentar álcool à infusão, se potencializava a ação vermicida do absinto. Isso nos lembra a história da Coca-Cola, vendida inicialmente como remédio até que alguém resolveu gaseificá-la, tornado-a um refrigerante consumido mundialmente.
Os intelectuais e artistas da época, inclusive van Gogh, elegeram então o absinto a bebida da moda. Vários pintores - dentre eles Paul Gauguin, Monet, Degas e Picasso - retrataram pessoas bebendo a “fada verde”, apelido dado à bebida esverdeada, por causa da sensação de euforia que ela provocava, assim como hoje o sinônimo de cerveja no Brasil é “loura gelada”.
O absinto é extremamente hepatotóxico e neurotóxico, daí ter agravado a loucura de van Gogh. Dentre os sintomas da intoxicação pelabebida está a “xantopsia”, ou seja, a distorção visual que leva seu usuário a ver objetos na cor amarela. Se observarmos os quadros da série “Os Girassóis”, por exemplo, veremos que a quantidade de girassóis vai aumentando e que o fundo fica mais amarelo à medida que o nível de intoxicação de van Gogh se eleva.»

Publicado por Violeta Teixeira em 28/11 às 02:30 AM
Categoria • Reflexões • (0) Comentários • (0) Trackbacks

Domingo, 27 Novembro, 2005

BÚZIO FÊMEA FERIDO

Ouço-os.

Uivos azuis arranhados,
Na garganta do tempo
Invivido.

Guinchos nas fracturas
Expostas
Do pensamento.

Gritos, com espinhos
Verdes, no ventre
Do desejo aceso.

Relinchos rubros,
Nos lábios de uma boca,
Que sangra
Desencontros.

Suspiros ruivos,
De raiva, nos sulcos
Fundos e doridos,
De uma vida
Empapada de malogros.

Gemidos gélidos,
Nas artérias da sintaxe.
Magoados. Tristes.
Insubmissos.

Marulhares ásperos,
Ácidos, na veias
De abrunheiros - bravos,
Derrubados.

Longo e grosso crepitar
Na lenha da lareira,
Soprado pelo vento
Do desconcerto.

Bramido do mar irado,
Na carne rósea
De um búzio fêmea. 

Ferido.

Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 27/11 às 05:39 PM
Categoria • Poesia • (2) Comentários • (0) Trackbacks

Sábado, 26 Novembro, 2005

POESIA

«A poesia é outra forma de apreensão do real. Foi Novalis que disse que a poesia é o real absoluto. O que eu acho é que, ficcionando, chega-se mais perto da realidade, da essência das coisas.»

Manuel Alegre, in MIL FOLHAS (Público)

Publicado por Violeta Teixeira em 26/11 às 02:58 PM
Categoria • Citações • (0) Comentários • (0) Trackbacks

LAS LÁGRIMAS DE LEZERTA

Nuñez, Guillermo

Publicado por Violeta Teixeira em 26/11 às 02:22 PM
Categoria • Poesia • (0) Comentários • (0) Trackbacks

BAGAS ACÍDULAS


Bagas
Acídulas
Caem-me na nudez
Da fala.

Turvam-me
A rebentação fluida,
Que,
No antes, fora
A do poema,
Como
A água.

Falo-vos
De uma extrema
Privação,
No curso óbvio
Do corpo.

Acérrimo,
O leito.
O texto.

Violeta Teixeira, inédito (BOLORES DE AUSÊNCIA)


Publicado por Violeta Teixeira em 26/11 às 01:29 AM
Categoria • Poesia • (0) Comentários • (0) Trackbacks

Sexta-feira, 25 Novembro, 2005

POESIA

Publicado por Violeta Teixeira em 25/11 às 07:00 PM
(0) Comentários • (0) Trackbacks

Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra Mulheres

II PLANO NACIONAL CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 2003-2006

INTRODUÇÃO
INFORMAÇÃO

FORMAÇÃO

LEGISLAÇÃO

PROTECÇÃO

INVESTIGAÇÃO

IMIGRANTES

AVALIAÇÃO

ÍNDICE SIGLAS

INTRODUÇÃO

A violência doméstica não é, infelizmente, um problema dos nossos dias, assim como não é um problema especialmente nacional. Muito pelo contrário, a sua prática atravessa os tempos, e o fenómeno tem características muito semelhantes em países cultural e geograficamente distintos, mais e menos desenvolvidos.

A violência doméstica é o tipo de violência que ocorre entre membros de uma mesma família ou que partilham o mesmo espaço de habitação.

Estas circunstâncias fazem com que este seja um problema especialmente complexo, com facetas que entram na intimidade das famílias e das pessoas (agravado por não ter, regra geral, testemunhas, e ser exercida em espaços privados). Abordá-lo é delicado, combatê-lo é muito difícil. É verdade, no entanto, que mercê do grande interesse que as principais organizações internacionais têm dedicado a este tema nas últimas décadas, temos actualmente a consciência mais desperta para conhecer o problema e, consequentemente, para o enfrentar.

A violência mais comum é a exercida sobre as mulheres. Segundo o Conselho da Europa, a violência contra as mulheres no espaço doméstico é a maior causa de morte e invalidez entre mulheres dos 16 aos 44 anos, ultrapassando o cancro, acidentes de viação e até a guerra. Este dado internacional, se relacionado com os indicadores disponíveis em Portugal (embora apenas indicativos e ainda a necessitar de confirmação mais rigorosa) que sugerem que mensalmente morrem mais de cinco mulheres por razões directas e indirectamente relacionadas com actos de violência doméstica, dá-nos uma fotografia de uma realidade que nos ofende na nossa dignidade humana enquanto pessoas, e na nossa condição de cidadãos portugueses.

No entanto, somos crescentemente confrontados com o aumento de situações de violência perpetrada, também, contra as crianças, as pessoas idosas e as mais frágeis, como é o caso dos cidadãos portadores de deficiência. Esta violência pode assumir diversas formas, que vão dos maus-tratos e espancamento até ao abuso sexual, violação, incesto, ameaças, intimidação e prisão domiciliária.

Não podemos ignorar, no entanto, que a grande maioria de situações que prefiguram casos de violência doméstica são ainda as exercidas sobre as mulheres pelo seu marido ou companheiro. Este tipo de violência doméstica tem significativas implicações políticas, sociais e até económicas e constituiu uma violação dos direitos humanos com raízes históricas e culturais. Na sua origem está, porém, a persistência de flagrantes desigualdades entre as mulheres e os homens.

A Constituição da República Portuguesa preconiza, no seu artigo 9º alínea b), entre as tarefas fundamentais do Estado a de “garantir os direitos e liberdades fundamentais e o respeito pelos princípios do Estado de direito democrático”, assim como na sua alínea h), a de “promover a igualdade entre homens e mulheres”. O princípio da igualdade (artigo 13º), e o direito à integridade pessoal (artigo 26º), entre outras disposições constitucionais, reforçam esta tutela que apesar de constitucionalmente protegida é sistematicamente violada.

A nível internacional, várias orientações (normativas e outras), e programas de acção têm sido adoptados no que toca à violência, nomeadamente doméstica. No âmbito das Nações Unidas, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, adoptada pela Assembleia Geral em 1979, deu um grande passo ao proibir todas as formas de discriminação contra as mulheres, nelas se incluindo a violência. Na mesma linha vai a Resolução nº 48/104, de 20 de Dezembro de 1993, contendo a Declaração sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres. Igualmente determinantes foram a 4ª Conferência Mundial sobre as Mulheres, Pequim, 1995 e Sessão extraordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas “Mulher 2000: Igualdade entre os Sexos, Desenvolvimento e Paz no Século XXI.

No entanto, merece um relevo particular a muito recente Resolução da Comissão dos Direitos Humanos, 2002/52, sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Também o Conselho da Europa abordou o assunto de diversos modos e desde há vários anos, tendo o Comité dos Ministros adoptado, a 30 de Abril de 2002, da Recomendação Rec ( 2000) 5 sobre a Protecção das Mulheres contra a Violência.

Por outro lado, várias presidências da União Europeia mostraram uma particular sensibilidade sobre a violência doméstica tendo sido adoptada várias recomendações nesta área, de que se destaca a Presidência Espanhola em 2002. Também em reunião de Dezembro do mesmo ano, do Conselho de Ministros do Emprego, Política Social, Saúde e Consumidores, realizada no final da Presidência Dinamarquesa, foram aprovados indicadores estatísticos na área da violência doméstica.

Estamos, pois, perante um problema velho para o qual urge encontrar respostas novas.

O II Plano Nacional Contra a Violência Doméstica foi elaborado por um grupo de trabalho integrado por representantes dos vários ministérios mais directamente relacionados com esta área. Trata-se de um Plano ambicioso: tanto pelo número e características das medidas apresentadas que requerem, quase todas, a colaboração transversal entre diversos organismos públicos; como pelo rigoroso calendário que se propõe cumprir.

Está organizado em sete capítulos principais que se desdobram em várias medidas concretas, e tem como principal objecto de intervenção a violência doméstica exercida sobre as mulheres. O XV Governo Constitucional tem presente, como já ficou explícito, que também prefiguram situações de violência doméstica as praticadas sobre os homens, crianças, pessoas idosas e pessoas deficientes.

No entanto, considerando que:
> são as mulheres a grande maioria das vítimas de violência doméstica;
> se conhece muito mal a realidade da violência praticada sobre crianças, pessoas idosas e pessoas deficientes (lacuna que se procurará colmatar, em parte, ao longo do período de vigência deste Plano);
> que é a Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres a dinamizadora deste Plano, sob a tutela do Ministro da Presidência;
> que a CIDM não tem competências directas nas outras áreas que pressupõem situações de violência doméstica (crianças, pessoas idosas e pessoas deficientes);
> que a violência sobre as mulheres radica na persistente desigualdade de condições entre as mulheres e os homens, e que muito embora nela sejam também englobadas outras formas de violência sobre as mulheres (assédio, tráfico, etc.), é a violência doméstica que causa o maior número de mortes de mulheres entre os 16 e os 44 anos.

Por todas estas razões, o Governo apresenta este II Plano Nacional Contra a Violência Doméstica focalizado, principalmente, na violência doméstica exercida sobre as mulheres.

A sociedade, mulheres e homens, partilha representações sociais sobre o género e as relações entre os géneros, em todos os estratos sociais e profissionais. Os testemunhos das mulheres são tidos como pouco credíveis pela sociedade em geral e, por isso, muitas mulheres sentem-se prisioneiras isoladas no seu mundo de violência. Muitas vezes, de vítimas transformam-se em acusadas; poucas acreditam na possibilidade de se libertarem da perseguição dos agressores ou de que estes venham a ser punidos. Suportam o insustentável na convicção de que estão a proteger os seus filhos, ignorando que, ao fazê-lo, estão a alimentar uma espiral de violência que levará a que alguns deles sejam mais tarde, novos agressores.

Não mais poderemos continuar a fechar os olhos a estes factos, sob pena de impedirmos Portugal de se afirmar como um país moderno, onde o respeito pelos direitos humanos esteja garantido, onde homens e mulheres partilhem entre si, em igualdade de circunstâncias, os direitos e deveres de cidadãos e cidadãs.

O II Plano Nacional Contra a Violência Doméstica pretende mudar a situação vigente, marcando uma viragem no combate sem tréguas à violência doméstica sobre mulheres

Publicado por Violeta Teixeira em 25/11 às 03:10 PM
Categoria • Reflexões • (0) Comentários • (0) Trackbacks

Quinta-feira, 24 Novembro, 2005

«COMPREENSÃO SÁBIA E ACTIVA»

Compreensão Sábia e Activa

A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de separar e distinguir ou dominado pelos sentimentos e impulsos, não o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligência, eternamente crítica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; banirá do seu campo a histeria e a retórica; e substituirá a musa trágica por Platão e os geómetras.
Hei-de vê-lo depois de despido de egoísmo, atente somente aos motivos gerais; o seu bem será sempre o bem alheio; terá como inferior o que se deleita na alegria pessoal e não põe sobre tudo o serviço dos outros; à sua felicidade nada falta senão a felicidade de todos; esquecido de si, batalhará, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorância e a miséria que impedem os seus irmãos de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.

Agostinho da Silva, in “Compreensão Sábia e Activa”

Publicado por Violeta Teixeira em 24/11 às 04:18 PM
Categoria • Reflexões • (0) Comentários • (0) Trackbacks

NOTAS DE UMA ÁRIA LÍQUIDA

Feixes de uma luz azul
Pertinaz, ferem-me a vista
Dos arrozais, fraccionam
Os troncos e os cabelos
Fartos dos choupos, que
Se banham nas águas trémulas
E exaustas dos meus olhos.

Fecho-os. Esmago-os, com
Os dedos, mas, nos meus céus
Negros, explodem jactos acesos,
Policromos, e chegam-me,
Límpidas, das orlas dos arrozais,
Notas de uma ária líquida
Que me acaricia a vista, com
Uma branquíssima lua- d’água.

Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003

Publicado por Violeta Teixeira em 24/11 às 03:59 PM
Categoria • Poesia • (0) Comentários • (0) Trackbacks

Quarta-feira, 23 Novembro, 2005

CITAÇÕES

A sabedoria suprema é ter sonhos bastante grandes para não se perderem de vista enquanto os perseguimos

Fonte: “Sartoris”
Tema: Sabedoria


O sexo e a morte - a porta da frente e a porta de trás do mundo

Fonte: “Uma Dívida”
Tema: Amor físico


Olhando de perto, um sonho não é uma coisa sem perigo. É como uma pistola com dois gatilhos. Se vive muito tempo acaba por ferir alguém

Fonte: “Um Cheiro a Vebbena”
Tema: Sonho


Para ses grande é preciso ter 99 por ce~to de talento, 99 por cento de disciplina e 99 por cento de trabalho

Tema: Grandes


Ele supunha que era à solidão que te~tava escapar, e não a si mesmo !

Tema: Solidão


Dir-se-ia `ue o homem pode aguentar tudo (...), até a ideia de que não podt aguentar mais

Tema: Tolerância

Faulkner

Publicado por Violeta Teixeira em 23/11 às 03:19 AM
Categoria • Citações • (0) Comentários • (0) Trackbacks

ABRAÇA-ME!

PARA UM AMIGO CLANDESTINO

Segura-me!
Falta-me a força do ar
E da água, da pedra
E do fogo.
Resgata-me do fundo
Gélido dos infernos!
Senta-me nas tuas pernas.
Saliva-me a boca. Eu
Sei… Sabe-te a vodka, a fumo,
A fuga, a fogo moribundo.
A cinza. Desculpa-me!
Dá-me a beber água
Da tua água, ar do que respiras.
Verde - limão.
Passa-me a mão pelos olhos!
Fá-los abertos. Rega-os
De Sol ou de luar.
Abraça-me! Sou o frio
Da que se desistiu.
Diz-me o onde estou.
Nomeia-me! Que me não
Existo em mim.
Deixa-me saber Ser,
Sem máscaras,
Dentro do teu olhar.

Ensina-me, por fim,
O como os respirar, aos olhos,
Que se não miram no mar.

Violeta Teixeira, in PARTOS DE PANDORA, Magno Edições, 2001

Publicado por Violeta Teixeira em 23/11 às 02:48 AM
Categoria • Poesia • (0) Comentários • (0) Trackbacks

Terça-feira, 22 Novembro, 2005

ESTRANGEIRA DESTA TASCA

Silenciosos, os «habitues»
Deste antro sórdido
Bebem e fumam, bebem…
E fumam o labor
Que não fazem…

No que me concerne,
Sou estrangeira
Desta tasca, como, aliás,
De tudo. De tudo! Por isso,
Os observo, a todos, sem
A mínima discrição, urdindo,
Do alto do meu cachimbo,
A suprema indiferença
Do Absurdo.

Violeta Teixeira, in FALO-VOS DO SILÊNCIO, Magno Edições, 1999

Publicado por Violeta Teixeira em 22/11 às 09:08 AM
Categoria • Poesia • (0) Comentários • (0) Trackbacks

Página 1 de 3 páginas  1 2 3 >