Terça-feira, 09 Março, 2010

«AMOR E AMIZADE AFECTAM SEMPRE TERCEIROS»

The Tree of Life, Stoclet Frieze, c.1909

Gustav Klimt

http://www.allposters.com/-sp/The-Tree-of-Life-Stoclet-Frieze-c-1909-Posters_i1214452_.htm

«Pretende-se sempre obter a mesma preferência que se conce¬de; o amor deve ser recíproco. Para se conseguir ser amado, é pre¬ciso ser-se amável; para se ser preferido, é preciso ser-se mais amável que outro, mais amável que todos os outros, pelo menos aos olhos do objecto amado. Daí, os primeiros olhares sobre os nossos semelhantes; daí, as primeiras comparações com eles, daí a emu¬lação, as rivalidades, o ciúme. Um coração penetrado de um sen¬timento que transborda gosta de se expandir: da necessidade de uma amada, em breve nasce a de um amigo. Aquele que experi¬menta a doçura de ser amado quereria sê-Io por todos, e todos não poderiam pretender ser preferidos, sem que houvesse muitos des-contentes. Com o amor e a amizade, nascem as desavenças, a an¬tipatia, o ódio. Do seio de tantas paixões diferentes, vejo a opinião que, para si mesma, erige um trono firme, e os estúpidos mortais, sujeitos ao seu domínio, basearam a sua existência nos juízos de outrém.»

Jean-Jacques Rousseau, in ‘Emílio’

http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200608250900&author=26&theme=11

Publicado por Violeta Teixeira em 09/03 às 02:47 AM
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«EU VOU COM AS AVES»

Registo fotográfico da autoria de rattus
http://olhares.aeiou.pt/im_up_in_the_clouds_foto3357375.html


Poema à Mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal…
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

Publicado por Violeta Teixeira em 09/03 às 02:25 AM
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SOBE SÓ A RAMPA DA IDADE

Registo fotográfico da autoria de Violeta Teixeira/Pandora

http://olhares.aeiou.pt/a_mitica_femina_pandora_louca_desejo_do_no_foto3520050.html

Sobe só a rampa da idade que não tem,
Segura do que, lúcida, simula, estacando
O sangue da verdade, laqueando as veias
Da tempestade do tempo, limpando as lágrimas
Que chora para o dentro do vaso da vanidade
De todo o esforço, para o fingimento se fazer,
De facto, a realidade mais limpidamente pura.

Sobe. Sobe. Sobe a rampa da idade que não
Tem. Sobe segura do saber ser-se um ser só,
E, somente, a sós, se vai morrendo, sentada num
Canapé «handicapé», absorvendo o veneno
Do silêncio, injectado nas nádegas do Nada.

Violeta Teixeira, inédito (VASO DE VAZIOS)

Publicado por Violeta Teixeira em 09/03 às 02:05 AM
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Segunda-feira, 01 Março, 2010

DESNUDA-SE

Trabalho fotográfico da autoria de Violeta Teixeira/Pandora

http://olhares.aeiou.pt/desnuda-se_no_foto3498132.html

Desnuda-se, com vagares mornos,
De Outono, sob um céu de um branco
Gélido. Cubram-me todo o corpo,
Tombado no solo, exposto ao esquecimento
Iníquo! O tempo! O tempo não tomba!
Passa por nós! A nossa sombra! Tombam
Pássaros, árvores, phallós… Tomba tudo
O que se ama. E a mágoa cresce. Cresce
Nas longas noites geladas, no forro íntimo
Do silêncio amargo. E corta, cerce, as raízes…
Todas as raízes, sem remorsos dos derrotados
Infelizes, contemplando, com júbilo, o gozo
Dos outros, plantados no regaço aveludado,
Do calor de um abraço, num barco ancorado.

Desnuda-se, com vagares mornos de Outono.
Cubram-me todas essas folhas! Cubram-me
Todo o corpo! Não se esqueçam das pedras!

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 01/03 às 11:29 PM
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A MÚSICA

http://atelierdeideia.files.wordpress.com/2008/12/piano.jpg

«A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende.»

Arthur Schopenhauer

http://www.pensador.info/

Publicado por Violeta Teixeira em 01/03 às 10:03 PM
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CHOPIN FARIA 200 ANOS HOJE

«Frédéric Chopin (Żelazowa Wola, 1 de Março de 1810[1] — Paris, 17 de Outubro de 1849) foi um pianista polaco[2] e compositor para piano da era romântica. É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história.[3] Sua técnica refinada e sua elaboração harmônica vêm sendo comparadas historicamente com as de outros gênios da música, como Mozart e Beethoven, assim como sua duradoura influência na música até os dias de hoje.(…)»

Em seus sonetos, o poeta Escudero Pires homenageou Chopin, ilustrando cada um de seus prelúdios. Neste, ele se refere à Overture[19]:
“ Colar maravilhoso de harmonia,
De sonho, de revolta e de tristeza,
Chopin, gênio da Música irradia
Nos “Prelúdios” sem par, sua grandeza.

Relicários de luz e de poesia,
Inspiração sublime de pureza,
Onde a angústia se molda em fantasia,
Cada “Prelúdio” é um mundo de beleza.

Confidências… Presságio… Sofrimento…
Meio ano de paixão e de torturas
Entre as velhas paredes de Convento,

Neles, palpita o hausto criador,
Que impulsiona as estrelas, nas alturas,
E diviniza o Homem, pelo amor… ”

Escudero Pires

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fr%C3%A9d%C3%A9ric_Chopin

Sugestão:

http://www.youtube.com/watch?v=EvxS_bJ0yOU

Publicado por Violeta Teixeira em 01/03 às 09:27 PM
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Domingo, 28 Fevereiro, 2010

COMUNICAÇÃO

http://maschamba.weblog.com.pt/JoseGilPortugalOMedoDeExistir.jpg/JoseGilPortugalOMedoDeExistir.jpg

«Paradoxo: por um lado, a televisão fabrica-me representações de um mundo longínquo; por outro, esse é o mundo adequado ao meu mundo. É o que me convém: se as imagens do mundo não me dizem respeito, ou me dizem só longinquamente respeito, então está tudo bem assim, porque a minha imagem também só enevoada me diz respeito.
Eu nem me apercebo do «longe», do «afastamento», da «ausência de mim a mim». Não há paradoxo, porque não há consciência dele. Não há sobressalto de pensamento. Tudo se mistura, talvez.»

José Gil, in ‘Portugal Hoje - O Medo de Existir’

http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200504110005&author=20537

Filósofo e pensador português nascido em 1939, em Lourenço Marques, Moçambique. Após completar o ensino secundário na capital moçambicana, em 1957 veio estudar para a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde se inscreveu no curso de Ciências Matemáticas. Contudo, logo no ano seguinte mudou-se para Paris, em França, onde prosseguiu os estudos em Matemática. No entanto, percebeu que a sua área preferida era a Filosofia e mudou de curso. Em 1968 concluiu a licenciatura em Filosofia na Faculdade de Letras de Paris, na Universidade da Sorbonne. No ano seguinte fez o mestrado de Filosofia, com uma tese sobre a moral de Kant. Em 1982 concluiu o doutoramento com a tese Corpo, Espaço e Poder, editada em livro em 1988.
Entretanto, já desde 1965 era professor de Filosofia num liceu, funções que manteve até 1973, com passagens por Vincennes e pela Córsega. A partir dessa altura foi coordenador do Departamento de Psicanálise e Filosofia da Universidade de Paris VIII. Ao mesmo tempo fazia traduções de textos científicos para um organismo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Em 1976 José Gil regressou a Portugal para ser adjunto do Secretário de Estado do Ensino Superior e da Investigação Científica. Cinco anos mais tarde instalou-se definitivamente em Portugal quando passou a ser professor auxiliar convidado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Leccionou Estética e Filosofia Contemporânea. Paralelamente deu aulas no Colégio Internacional de Filosofia, de Paris, numa escola em Amesterdão, na Holanda, e na Universidade São Paulo, no Brasil. Orientou também vários seminários em Porto Alegre, no Brasil, e participou em congressos de Filosofia nos Estados Unidos da América. A partir de 1996 passou a dirigir a Colecção de Filosofia da editora Relógio D’ Água.
Publicou diversos artigos e ensaios científicos em revistas e enciclopédias de todo o mundo, destacando-se nas suas preferências a reflexão sobre o corpo. Também elaborou alguns trabalhos sobre o poeta Fernando Pessoa.
Em 2004 publicou Portugal, Hoje. O Medo de Existir, a sua primeira obra escrita directamente em português, que rapidamente se tornou um sucesso de vendas. O livro fala do quotidiano de uma forma simples e acessível. Antes disso já tinha publicado diversas obras, sobre temas tão diversos como Salazar, Fernando Pessoa, a Córsega, o corpo ou O Principezinho, de Saint-Exupéry.
Em Janeiro de 2005 a conceituada revista francesa Le Nouvel Observateur integrou José Gil no grupo dos 25 grandes pensadores do mundo.

http://www.wook.pt/authors/detail/id/7402

Publicado por Violeta Teixeira em 28/02 às 03:17 AM
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ANGÚSTIA

http://www.baroque.it/barocco-cultura/immagini/metastasio.jpg

«Se a íntima angústia de cada um se lesse escrita na cara, muitos dos que inspiram inveja só fariam pena.»

Metastásio , Pietro, in «Melodramas»

http://www.citador.pt/citacoes.php?Angustia=Angustia&cit=1&op=8&theme=15&firstrec=10

Pietro Metastasio

Pietro Trapassi, mais conhecido como Pietro Metastasio, (13 de janeiro de 1698, em Roma, Itália - m. 12 de abril de 1782, Viena, Áustria) foi um poeta e escritor.
Como grande articulador político, sua participação na formação de uma monarquia nacional que compreenderia a Áustria e Boêmia foi muito importante, isso reflete-se em sua nomeação para duque da Baixa-Áustria, em 1745, e bispo de Viena, em 1749.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pietro_Metastasio

Publicado por Violeta Teixeira em 28/02 às 02:47 AM
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LEVO-ME PARA OS LENÇÓIS DO FRIO

Trabalho fotográfico da autoria de Paulo Faria

http://olhares.aeiou.pt/peitos_de_pedra_paulo_faria_foto3461376.html

Levo-me para os lençóis do frio,
Passos descalços e espectrais,
Quando os pássaros soletram
Supostas notas musicais, sem maestro,
As quais rendilham-me os nervos,
Com fios que me ferem. Aliás,
Se despertos são, ter-se-ão
Entregues ao sono, num qualquer
Galho macio, o que não creio,
Porque os pássaros não dormem,
Como não dormem as pedras.

Levo-me para os lençóis do frio,
Mas, se cantos entoam os pássaros,
Não me aquecem, pois, gélido o corpo,
Logo, me naufrago, nas trevas.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 28/02 às 01:59 AM
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Domingo, 21 Fevereiro, 2010

NOTÍCIAS DA ILHA DA MADEIRA

http://www.google.com/hostednews/epa/slideshow/ALeqM5jZH_ivltSUnJAA7L-9nwrnSvbUBg?index=0

NOTÍCIAS DA ILHA DA MADEIRA

De: Alertas do Google [mailto:googlealerts-noreply@google.com]
Enviada: domingo, 21 de Fevereiro de 2010 01:42
Para:
Assunto: Alerta do Google - noticias da ilha da madeira

Alerta de notícias do Google sobre: noticias da ilha da madeira
Protecção Civil tenta restabelecer ligações com zona oeste e ...
Jornal de Notícias
Segundo fonte dos Bombeiros do Machico, não houve feridos a lamentar na sequência do temporal que tem afetado a ilha da Madeira, e foram notadas apenas ...
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Chuvas torrenciais fustigam a Ilha da Madeira
RTP
A Costa sul da ilha foi a mais afectada pela chuva.... ha zonas sem ligação por terra ou mar....o vento e as cheias que se fizeram sentir no Funchal ...
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LUSA

Forças Armadas mobilizam cinco equipas para a ilha da Madeira
LUSA
... dois helicópteros e disponibilizaram alojamento para 130 pessoas num quartel, para dar resposta aos efeitos do temporal que hoje se abateu na Madeira. ...
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Madeira: Domingo terá aguaceiros e vento moderado
Diário Digital
Até ao final do dia de hoje são esperadas chuvas fortes na ilha da Madeira, mas para domingo prevêem-se aguaceiros e vento moderado, de acordo com o ...
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Madeira: Situação é de catástrofe, diz Aguiar-Branco
Diário Digital
O líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, apelidou hoje de «catástrofe» o temporal que afetou a ilha da Madeira, causando 32 mortos. ...
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Chuva intensa provoca o caos em vários pontos da ilha da Madeira
Sol
O vereador responsável pelo pelouro do Ambiente na câmara municipal do Funchal, Costa Neves, disse que a população do Vasco Gil, uma localidade na zona alta ...
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Benfica vai ajudar vítimas da tragédia madeirense
Record
O Benfica, possivelmente atração da Fundação do clube, vai ajudar as vítimas do temporal que, no sábado, causou uma enorme destruição na Ilha da Madeira. ...
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Prioridade é dar socorro e remover escombros
Jornal de Notícias
Ainda durante o dia de ontem, para dar resposta à destruição provocada pelo temporal que se abateu na ilha da Madeira, as Forças Armadas mobilizaram cinco ...
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Madeira/Mau tempo - Liga de futebol decreta minuto de silêncio por ...
Jornal de Notícias
Uma forte tempestade assolou hoje a ilha da Madeira, registando-se, até ao momento, 32 vítimas mortais e 68 feridos. Este texto da agência Lusa foi escrito ...
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Alerta enviado uma vez por dia pelo Google.

Publicado por Violeta Teixeira em 21/02 às 03:42 PM
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Sábado, 20 Fevereiro, 2010

AMANTES

http://www.imotion.com.br/imagens/data/media/75/2872amantes.jpg

Os Amantes não Contam Nada de Novo uns aos Outros
A alma só acolhe o que lhe pertence; de certo modo, ela já sabe de antemão tudo aquilo por que vai passar. Os amantes não contam nada de novo uns aos outros, e para eles também não existe reconhecimento. De facto, o amante não reconhece no ser que ama nada a não ser que é transportado por ele, de modo indescritível, para um estado de dinamismo interior. E reconhecer uma pessoa que não ama significa para ele trazer o outro ao amor como uma parede cega sobre a qual cai a luz do Sol. E reconhecer uma coisa inerte não significa identificar os seus atributos uns a seguir aos outros, mas sim que um véu cai ou uma fronteira se abre, e nenhum deles pertence ao mundo da percepção. Também o inanimado, desconhecido como é, mas cheio de confiança, entra no espaço fraterno dos amantes. A natureza e o singular espírito dos amantes olham-se nos olhos, e são as duas direcções de um mesmo agir, um rio que corre em dois sentidos, um fogo que arde em dois extremos.
E então é impossível reconhecer uma pessoa ou uma coisa sem relação connosco próprios, pois o acto de tomar conhecimento toma das coisas qualquer coisa; mantêm a forma, mas parecem desfazer-se em cinzas por dentro, algo delas se evapora, e o que resta é apenas a sua múmia. É por isso também que não existe verdade para os amantes; seria um beco sem saída, um fim, a morte do pensamento que, enquanto estiver vivo, se assemelha à fímbria arfante de uma chama, onde se abraçam a luz e a escuridão. Como pode uma coisa iluminar onde tudo é luz? Para quê a esmola do que é seguro e inequívoco onde tudo é plenitude? E como podemos ainda desejar alguma coisa só para nós, ainda que seja aquilo que amamos, depois da experiência que nos diz que os amantes não se pertencem, mas têm de se dar em oferenda a tudo o que vem ao seu encontro e se oferece aos seus olhares entrelaçados?

Robert Musil, in ‘O Homem sem Qualidades’

http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200905302300&author=988&theme=601

Publicado por Violeta Teixeira em 20/02 às 02:57 AM
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AMANTES

http://www.vanguardia.com.mx/XStatic/vanguardia/images/espanol/enamora2.jpg

«O homem e a mulher nasceram para amar-se, mas não para viverem juntos; todos os amantes célebres viveram separados»
Clarasó , Noel

Noel Clarasó Serrat (Barcelona, 1899 — 1985) foi um escritor catalão.

http://www.pensador.info/autor/Noel_Claraso/

Publicado por Violeta Teixeira em 20/02 às 02:47 AM
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Quinta-feira, 18 Fevereiro, 2010

A NOITE TOMBA-ME…

Manuel Alvarez Bravo
Fotografo Mexicano
1902-2002

http://www.ocaiw.com/galleria_maestri/?lang=pt

A noite tomba-me sobre o coração dos dias.
Toneladas de pedras esmagam-me,
Embora a sentença me tivesse sido ditada,
Desde o ventre da primeira alvorada celular.
Todavia, o brilho solar cegou-me os olhos
Da evidência, durante o longo tempo do pulsar
Das gotas de águas fluentes. No agora,
Julgo que não há modo de negar a ficção
Das palavras, nem de tomar o rumo de uma fonte,
Onde lavar o rosto da luta, as mãos da terra e da lama,
Do orgulho dos passos seguros da caminhada.

Mesmo esmagada por toneladas de pedras,
A poeta, paradoxalmente, de súbito, renasce, pisando
As uvas das palavras, afagando os seios, como se foram
De seda. Surpresa, A vulva se acende, e, dela, um poema
Se faz voz, se faz grito, se faz orgasmo de cratera vermelha.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 18/02 às 02:11 AM
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Quarta-feira, 17 Fevereiro, 2010

SOU…

Trabalho fotográfico da autoria de lúcio caldeira

http://olhares.aeiou.pt/enamorado_foto3463653.html

Sou, invariavemente,
A que não soube ser,
Salvo o nada que me sou.

Dos longes
Da vida, nada possuo
Que tenha semeado.
No agora, só tenho,
Em mim, o que não tenho,
E uma ânsia
Incontida de um abraço.

Violeta Teixeira, in FALO-VOS DO SILÊNCIO, Magno Edições, Leiria, 1999

Publicado por Violeta Teixeira em 17/02 às 02:23 PM
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HOMEM

És Um HOMEM, Se…

Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,
Quando os outros os perdem, e te acusam disso,

Se és capaz de confiar em ti, quando te ti duvidam
E, no entanto, perdoares que duvidem,

Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança
E não caluniares os que te caluniam,

Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine,
E pensar, sem reduzir o pensamento a vício,

Se és capaz de enfrentar o Triunfo e o Desastre,
Sem fazer distinção entre estes dois impostores,

Se és capaz de ouvir a verdade que disseste,
Transformada por canalhas em armadilhas aos tolos,

Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira
E construí-lo outra vez com ferramentas gastas,

Se és capaz de arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado,
E perder e começar de novo o teu caminho,
Sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado,

Se és capaz de forçar os teus músculos e nervos
E fazê-los servir se já quase não servem,
Sustentando-te a ti, quando nada em ti resta,
A não ser a vontade que diz: Enfrenta!

Se és capaz de falar ao povo e ficar digno
Ou de passear com reis conservando-te o mesmo,

Se não pode abalar-te amigo ou inimigo
E não sofrem decepção os que contam contigo,

Se podes preencher todo minuto que passa
Com sessenta segundos de tarefa acertada,

Se assim fores, meu filho, a Terra será tua,
Será teu tudo que nela existe

E não receies que te o tomem,

Mas (ainda melhor que tudo isto)
Se assim fores, serás um HOMEM.

Rudyard Kipling

Rudyard Kipling
Bombaim, 1936 – Londres,1865

Escritor britânico. Nasce na Índia onde o seu pai, pintor, é conservador de um museu. Enviado para a Grã-Bretanha para estudar, passa ali uns anos de solidão infantil num internato. Desta experiência sai posteriormente uma descrição: Bee, bee, Ovelha Negra. Em 1878 ingressa num centro educativo de filhos de oficiais e funcionários, de rigorosa moralidade e rígido ambiente (que lhe serve de inspiração para Stalky e Companhia). 
Em 1882 volta à Índia como jornalista; nesta época preocupa-se com os temas que são uma característica da sua obra: a relação entre os dominadores brancos e a população indígena, a função civilizadora dos Britânicos, a memória da remota civilização indiana… Tudo isso está recolhido nos seus primeiros ensaios narrativos: Três Soldados, Contos das Colinas, obras com as quais consegue notoriedade. 
Canções de Caserna é a obra que o torna verdadeiramente popular; trata-se de textos poéticos sobre o sentido político e ético da acção inglesa na Índia, se bem que estão muito abertos à criação individual. As grandes obras de Kipling são Kim e O Livro das Terras Virgens. Esta última conserva, sob as estruturas da fábula, um delineamento ideológico centrado no problema da relação do indivíduo com a sociedade e a primazia da lei moral sobre os impulsos e instintos existenciais. Convencionalmente considera-se que é uma obra infantil. Estes temas e delineamentos reaparecem em Kim, mas mais aprofundados e com reflexões sobre as regiões orientais. Em ambas as obras sobressaem a agilidade narrativa e a solidez formal. 
De grande êxito são as suas brilhantes narrações de aventuras, como Capitães Intrépidos. Quanto à sua obra poética, muito popular até aos anos 20 e depois esquecida, tem um ritmo vigoroso, revela uma notável habilidade no uso da métrica e possui uma sinceridade na expressão dos factos que chega a provocar ressentimentos entre personalidades públicas. O seu livro de versos mais interessante é Os Sete Mares. 
Em 1907, Kipling recebe o Prémio Nobel da Literatura. Considera-se Kipling o principal representante da literatura imperialista, mas esta interpretação é superficial. O que Kipling mostra, mais que a presunção do propagandista, é a preocupação do moralista. Preocupa-o certamente o futuro do império britânico, que sabe que vai acabar por desaparecer, mas sustenta que as suas instituições devem defender-se a partir de uma postura ética. Para Kipling, a acção do homem recupera significado na sua dimensão social. Por isso lhe interessam tanto as comunidades militares e escolares e, inclusive, a singular associação dos animais da selva.

http://www.vidaslusofonas.pt/rudyard_kipling.htm

Publicado por Violeta Teixeira em 17/02 às 02:02 PM
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