Domingo, 14 Março, 2010

SONHO E HEROÍSMO

Trabalho fotográfico de Alberto Korda

http://www.lilithgallery.com/arthistory/photography/big_iconic_che.jpg

Che Guevara
Contra ti se ergueu a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas

A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra

De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo,

Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas.

Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece

Sophia de Mello Breyner Andresen, in “O Nome das Coisas”

Publicado por Violeta Teixeira em 14/03 às 08:15 PM
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AMOR

Gustav Klimt

http://www.allposters.com/-sp/The-Kiss-c-1907-detail-Posters_i825887_.htm

«Serás amado apenas quando puderes mostrar a tua fraqueza, sem provocar nenhuma força.»

Adorno , Theodore, in “Minima Moralia”

http://www.citador.pt/citacoes.php?Amor=Amor&cit=1&op=8&theme=12&firstrec=200

Publicado por Violeta Teixeira em 14/03 às 07:53 PM
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NO DEPOIS…

Escultura da autoria de Maribel Santos (artista plástica)

http://olhares.aeiou.pt/interiolhar_foto3529061.html

No depois,
Sobre o teu sexo,
Carícias cálidas,
A mão molhada,
Um búzio róseo
A marulhar.
Sabe-me a sémen
De Apolo.
Sabe-me a pólen
De luar.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 14/03 às 07:26 PM
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Sábado, 13 Março, 2010

OS CAMINHOS DA VIDA

Jackson Pollock

http://www.allposters.com/-sp/No-14-Gray-Posters_i1813739_.htm

Caminho: faixa de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada distingue-se do caminho não só por ser percorrida de automóvel, mas também por ser uma simples linha ligando um ponto a outro. A estrada não tem em si própria qualquer sentido; só têm sentido os dois pontos que ela liga. O caminho é uma homenagem ao espaço. Cada trecho do caminho é em si próprio dotado de um sentido e convida-nos a uma pausa. A estrada é uma desvalorização triunfal do espaço, que hoje não passa de um entrave aos movimentos do homem, de uma perda de tempo.
Antes ainda de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana: o homem já não sente o desejo de caminhar e de extrair disso um prazer. E também a sua vida ele já não vê como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha conduzindo de uma etapa à seguinte, do posto de capitão ao posto de general, do estatuto de esposa ao estatuto de viúva. O tempo de viver reduziu-se a um simples obstáculo que é preciso ultrapassar a uma velocidade sempre crescente.

Milan Kundera, in “A Imortalidade”

http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200709280900&author=478

Publicado por Violeta Teixeira em 13/03 às 10:39 PM
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DESCE, REINCIDENTE…

Stephen Hender

http://www.allposters.com/-st/Black-and-White-Photography-Posters_c6127_p4_.htm

Desce, reincidente,
Todos os lanços que a levam,
Parece-lhe, ao tempo
Verde-verde e tenro
Do se não lembra,
No hoje.

Embalde, insiste, obsessiva,
Na descida ao tão longe
Da vista enevoada
Do hoje.

Encontra, apenas,
No tempo do se recorda,
Uma garota, como a fêmea
Do sempre,
Solitária e triste.

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 13/03 às 10:06 PM
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FARIA ANOS HOJE

http://www.arabicnadwah.com/bookreviews/darwish-huleileh.htm

PALESTINA

As nossas tristezas escondemo-las nas jarras, temendo
Que os soldados as vejam e celebrem o cerco…
Escondemo-las por futuras causas,
Tendo em vista uma celebração,
Uma surpresa ao longo do caminho.
Quando a vida for normal,
Sentiremos tristeza como toda a gente, por pessoais motivos
Hoje ocultados pelos grandes slogans.
Esquecemos as nossas pequenas chagas que sangravam.
Amanhã, quando o sítio sarar,
Sentiremos os seus efeitos secundários.

Extraído de État de siège, poema de Mahmoud Darwich, tradução francesa de Elias Sanbar, Arles, 2004;(Tradução da versão francesa de Elias Sanbar por Júlio Henriques)

Nota: enviado por Amélia Pais

«Mahmoud Darwich , né le 13 mars 1941 à Al-Birwah en Galilée (Palestine sous mandat britannique) et mort le 9 août 2008 à Houston (Texas, États-Unis), est une des figures de proue de la poésie palestinienne.
Profondément engagé dans la lutte de son peuple, il n’a pour autant jamais cessé d’espérer la paix et sa renommée dépasse largement les frontières de son pays. Il est le président de l’Union des écrivains palestiniens. Il a publié plus de vingt volumes de poésie, sept livres en prose et a été rédacteur de plusieurs publications, comme Al-jadid - - Le nouveau), Al-fajr ; - L’aube), Shu’un filistiniyya ; - Affaires palestiniennes) et Al-Karmel . Il est reconnu internationalement pour sa poésie qui se concentre sur sa nostalgie de la patrie perdue. Ses œuvres lui ont valu de multiples récompenses et il a été publié dans au moins vingt-deux langues.
Dans les années 1960, Darwich a rejoint le Parti communiste d’Israël, le Rakah, mais il est plus connu pour son engagement au sein de l’Organisation de libération de la Palestine (OLP). Élu membre du comité exécutif de l’OLP en 1987, il quitte l’organisation en 1993 pour protester contre les accords d’Oslo. Après plus de trente ans de vie en exil, il peut rentrer sous conditions en Palestine, où il s’installe à Ramallah.(…)»

http://fr.wikipedia.org/wiki/Mahmoud_Darwich

Publicado por Violeta Teixeira em 13/03 às 09:44 PM
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Sexta-feira, 12 Março, 2010

O MEU CORPO É…

Pamela Hanson

http://www.allposters.com/-st/Figurative-Photography-Posters_c58281_.htm

O meu corpo
É
Todo um oceano
Revolto
E
Louco.

Nos portos,
No
Entanto,
Nenhum barco
Ancorado.

Por que mo
Não navegas? Por que
Não lanças
A âncora
Do teu barco,
Em todos os portos?

Fá-lo!
Escolhe, como entrada
Da navegação,
A descoberta da
Boca
De uma vaga
Brava.

Ei-la! Aberta.
O que espera
O teu aprumado barco,
Para
Navegá-la?

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 12/03 às 10:43 PM
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ESCRITA

http://fowlergenealogy.com/images/Fowler-crest.gif

«Um escritor exprime-se em palavras que já foram usadas porque elas exprimem melhor a sua ideia do que ele mesmo o pode fazer, ou porque são belas e espirituosas, ou porque espera que elas toquem uma corda de associação na mente do seu leitor, ou porque deseja mostrar que é culto e lido. As citações devidas a este último motivo falham invariavelmente: o leitor inteligente descobre-o e passa a desprezar o autor; o leitor menos avisado talvez fique impressionado, mas ao mesmo tempo sente repulsa, pois as citações pretensiosas são o caminho mais seguro para o tédio.»

Henri Watson Fowler (1858-1933) e F.G.Fowler (1870-1918), in ‘Dicionário Inglês do Uso Moderno’

Henri Watson Fowler
Inglaterra
[1858-1933]

http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200406040932&author=20321

Publicado por Violeta Teixeira em 12/03 às 03:12 AM
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MANUEL DE FONSECA

http://1.bp.blogspot.com/_262cQzElJNE/StoxklFqGaI/AAAAAAAAADc/-9ByV5Ss9Xc/s400/MF.jpg

MANUEL da FONSECA (1911-1993)
Um dos principais autores do Neo – Realismo português. Em Lisboa se radicara desde a época dos estudos secundários, depois dos quais frequentou, por algum tempo, a Escola de Belas – Artes.
Destacou-se como poeta, contista e romancista. Publicou Rosa dos Ventos ( poesia, 1940), Planície ( poesia, 1941, na colecção Novo Cancioneiro, de Coimbra), Aldeia Nova (contos, 1942), Cerro – Maior (romance, 1943), O Fogo e as Cinzas (contos, 1951), Seara de Vento (romance, 1958), Poemas Completos (1958), Um Anjo no Trapézio (contos,1968), Templo de Solidão (contos, 1973), além de um volume de crónicas ( Crónicas Algarvias, 1986) e de uma Antologia de Fialho d´Almeida (1984). Reelaborou alguns de seus textos mais de uma vez, dando-lhes forma definitiva para a Obra Completa.
Exceptuando-se os dois últimos livros e contos, de ambiência lisboeta, trata-se de uma obra profundamente marcada pelo espaço físico e humano do Alentejo (…)
Em íntima relação com sua produção literária, Manuel da Fonseca desenvolveu uma intensa militância social, política e cultural, tendo chegado a ser preso em 1965, por ter integrado o júri que premiou Luanda, de José Luandino Vieira (…)

In: Biblos - Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua portuguesa – 1995

http://www.inforarte.com/cantando2/Manuel%20da%20Fonseca%20.html

Solidão

Que venham todos os pobres da Terra
os ofendidos e humilhados
os torturados
os loucos:
meu abraço é cada vez mais largo
envolve-os a todos!
Ó minha vontade, ó meu desejo
— os pobres e os humilhados
todos
se quedaram de espanto!…
(A luz do Sol beija e fecunda
mas os místicos andaram pelos séculos
construindo noites
geladas solidões.)

In «Poemas Dispersos»

http://www.aventar.eu/2010/01/02/poesia-etc-%E2%80%93-manuel-da-fonseca/

Publicado por Violeta Teixeira em 12/03 às 02:47 AM
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Terça-feira, 09 Março, 2010

«AMOR E AMIZADE AFECTAM SEMPRE TERCEIROS»

The Tree of Life, Stoclet Frieze, c.1909

Gustav Klimt

http://www.allposters.com/-sp/The-Tree-of-Life-Stoclet-Frieze-c-1909-Posters_i1214452_.htm

«Pretende-se sempre obter a mesma preferência que se conce¬de; o amor deve ser recíproco. Para se conseguir ser amado, é pre¬ciso ser-se amável; para se ser preferido, é preciso ser-se mais amável que outro, mais amável que todos os outros, pelo menos aos olhos do objecto amado. Daí, os primeiros olhares sobre os nossos semelhantes; daí, as primeiras comparações com eles, daí a emu¬lação, as rivalidades, o ciúme. Um coração penetrado de um sen¬timento que transborda gosta de se expandir: da necessidade de uma amada, em breve nasce a de um amigo. Aquele que experi¬menta a doçura de ser amado quereria sê-Io por todos, e todos não poderiam pretender ser preferidos, sem que houvesse muitos des-contentes. Com o amor e a amizade, nascem as desavenças, a an¬tipatia, o ódio. Do seio de tantas paixões diferentes, vejo a opinião que, para si mesma, erige um trono firme, e os estúpidos mortais, sujeitos ao seu domínio, basearam a sua existência nos juízos de outrém.»

Jean-Jacques Rousseau, in ‘Emílio’

http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200608250900&author=26&theme=11

Publicado por Violeta Teixeira em 09/03 às 02:47 AM
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«EU VOU COM AS AVES»

Registo fotográfico da autoria de rattus
http://olhares.aeiou.pt/im_up_in_the_clouds_foto3357375.html


Poema à Mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal…
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

Publicado por Violeta Teixeira em 09/03 às 02:25 AM
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SOBE SÓ A RAMPA DA IDADE

Registo fotográfico da autoria de Violeta Teixeira/Pandora

http://olhares.aeiou.pt/a_mitica_femina_pandora_louca_desejo_do_no_foto3520050.html

Sobe só a rampa da idade que não tem,
Segura do que, lúcida, simula, estacando
O sangue da verdade, laqueando as veias
Da tempestade do tempo, limpando as lágrimas
Que chora para o dentro do vaso da vanidade
De todo o esforço, para o fingimento se fazer,
De facto, a realidade mais limpidamente pura.

Sobe. Sobe. Sobe a rampa da idade que não
Tem. Sobe segura do saber ser-se um ser só,
E, somente, a sós, se vai morrendo, sentada num
Canapé «handicapé», absorvendo o veneno
Do silêncio, injectado nas nádegas do Nada.

Violeta Teixeira, inédito (VASO DE VAZIOS)

Publicado por Violeta Teixeira em 09/03 às 02:05 AM
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Segunda-feira, 01 Março, 2010

DESNUDA-SE

Trabalho fotográfico da autoria de Violeta Teixeira/Pandora

http://olhares.aeiou.pt/desnuda-se_no_foto3498132.html

Desnuda-se, com vagares mornos,
De Outono, sob um céu de um branco
Gélido. Cubram-me todo o corpo,
Tombado no solo, exposto ao esquecimento
Iníquo! O tempo! O tempo não tomba!
Passa por nós! A nossa sombra! Tombam
Pássaros, árvores, phallós… Tomba tudo
O que se ama. E a mágoa cresce. Cresce
Nas longas noites geladas, no forro íntimo
Do silêncio amargo. E corta, cerce, as raízes…
Todas as raízes, sem remorsos dos derrotados
Infelizes, contemplando, com júbilo, o gozo
Dos outros, plantados no regaço aveludado,
Do calor de um abraço, num barco ancorado.

Desnuda-se, com vagares mornos de Outono.
Cubram-me todas essas folhas! Cubram-me
Todo o corpo! Não se esqueçam das pedras!

Violeta Teixeira, inédito

Publicado por Violeta Teixeira em 01/03 às 11:29 PM
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A MÚSICA

http://atelierdeideia.files.wordpress.com/2008/12/piano.jpg

«A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende.»

Arthur Schopenhauer

http://www.pensador.info/

Publicado por Violeta Teixeira em 01/03 às 10:03 PM
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CHOPIN FARIA 200 ANOS HOJE

«Frédéric Chopin (Żelazowa Wola, 1 de Março de 1810[1] — Paris, 17 de Outubro de 1849) foi um pianista polaco[2] e compositor para piano da era romântica. É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história.[3] Sua técnica refinada e sua elaboração harmônica vêm sendo comparadas historicamente com as de outros gênios da música, como Mozart e Beethoven, assim como sua duradoura influência na música até os dias de hoje.(…)»

Em seus sonetos, o poeta Escudero Pires homenageou Chopin, ilustrando cada um de seus prelúdios. Neste, ele se refere à Overture[19]:
“ Colar maravilhoso de harmonia,
De sonho, de revolta e de tristeza,
Chopin, gênio da Música irradia
Nos “Prelúdios” sem par, sua grandeza.

Relicários de luz e de poesia,
Inspiração sublime de pureza,
Onde a angústia se molda em fantasia,
Cada “Prelúdio” é um mundo de beleza.

Confidências… Presságio… Sofrimento…
Meio ano de paixão e de torturas
Entre as velhas paredes de Convento,

Neles, palpita o hausto criador,
Que impulsiona as estrelas, nas alturas,
E diviniza o Homem, pelo amor… ”

Escudero Pires

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fr%C3%A9d%C3%A9ric_Chopin

Sugestão:

http://www.youtube.com/watch?v=EvxS_bJ0yOU

Publicado por Violeta Teixeira em 01/03 às 09:27 PM
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