No amanhecer do novo ano, venho aqui voar contigo, convosco… Os blogs, essa inconstante forma de estar e de ser, por aí disponível ao alcance da voz e dos espíritos, têm-me dado oportunidades infinitas e infinitamente aproveitáveis nessa tal arte de encontrar o outro. Tanto lhes devo, pois.
Ao fim de cada ano o saldo mantém-se positivo e as expectativas elevadas. Já nem falo dos afectos, de contabilização impossível.
Como na lei geral da vida, os blogs nascem e morrem, cumprindo-se. Em homenagem viva, um pequeno poema que me foi sugerido por excelente fotografia ‘postada’ há algum tempo na Catedral, pelo amigo Ognid, num desses desafios em que este campo é fértil - se assim o quisermos entender:
voando
voando sempre no descaso do voo
faces de rugas e mãos de guitarras
reflexos de mar em paletas de auroras
palavras de raiva que brotam nos dias
na ânsia das pontes
e esse horizonte que tarda em chegar
voando
voando sempre no acaso do sonho
e a mão fugidia num afago breve
que nos dá alento no dia mortiço
feitiço de vida que nos enternece
e assim apetece beber outro dia
voando
voando sempre…