poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

:: Sábado, Outubro 28, 2006

vida veleiro veloz ao vento

a vida é assim, deserto semeado de amor,
mercado vazio de sentimentos, floresta de
encantos e de loucos, lago plácido onde
nadam os espíritos da noite e os anjos das
manhãs de flores

a vida é isto, é tudo, é um sol a despontar
após a chuva, um sorriso a beijar o mundo
conchas na maré vazia, e cabelos soltos ao
vento, pés descalços na areia e a força, o viço
de estarmos mais vivos e intensos

por isso, hoje a manhã é música, é ritmo, é maré
é paisagem cor de mel, é leve borboleta em anil,
é um balão rasando o céu, baile de gaivotas no
porão, dança azul de sete véus, beijos, risos,
uma mesa e os amigos no café

colar de conchas e de luzes e de búzios e de
palavras e de risos - a magia das pedras nos
meus dedos, uma serra a pingar no arvoredo
e o mistério, o desafio das coisas novas e desejos
de um dia despido de medos

um veleiro veloz ao vento uma vela leve
adeja no interior da pele sempre mais perto
uma certeza incerta no azul do pensamento
e a festa prossegue no olhar mar adentro

tudo começa numa página branca de palavras
e nós que as queremos alvas saindo dos dedos
e da alma e dos olhos ramalhetes de paixão e
tudo que se faz num dia assim é gesto de leveza
em céu de marfim...porque a vida…

é acordar com um beijo pronto nos lábios e
afastar com um pé os possíveis despojos de
invernos precoces e andrajosos e sentir que
mesmo na maré vazia, estarmos vivos é uma
perpétua aventura de sol e fantasia…

Bom fim de semana!

publicado por deSaraComAmor • às 11:26 AM • categoria: poesia



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