poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

:: Domingo, Junho 17, 2007

às vezes um barco

Ilustração de Paulo Neto

às vezes um barco desliza para longe
entre céu e mar as nuvens movem-se
e parece que o barco nos voa

na barra já longa o aceno ao sonho
a vela emplumada branca madragoa
e asa de gaivota o barco voa

na luz ou na névoa o barco vai cheio
a carga não pesa o barco flutua

nas vagas do mundo às vezes não volta
o barco perdeu-se
na rota insegura

se volta vazio sem carga nas redes
o barco não larga
o sal da viagem

e a carga prossegue e parte e reparte
cada vez mais ágil

se o barco desiste, apodrece ao cais
a flor da aventura

lá longe o aceno o barco não sabe
se regressa cedo

o barco é o sonho o amor que perdura
e eu sigo lá dentro
na sei quando vou não sei quando venho

publicado por deSaraComAmor • às 02:15 PM • categoria: poesiaconta aqui a tua estória (1) •



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