sol seja
solfejo o sol na maré cega
há sempre o lume da tarde
no sonho que pranteio
há uma elgância de porte
e renda
nas gaivotas encrespadas
no velho poste
e no ar que me admite
rebola um sol de cetim
uma válvula de antracite
noiva das brumas a água
em preia-mar regride
para o sol que nos une
o sol sonhado a salvo
de marés negras
sol seja o limite
solfejo o sol e a cereja
hoje sem sol o dia de metal
tem estas frágeis borboletas
atentas ao pólen do universo
perfeitamente imóvel
hoje sem sol nem sal
o sol é este respirar oculto e cheio
sol seja o teu olhar
que profundamente beija o meu