Persiste o azul como se a boca
Fosse vulcão em transe de soltar-se
E o vermelho apenas indício
Ou ténue labareda em asas de cetim…
Sopram os olhos brasas também azuis
Como se a hora do voo fosse de espera
E a borboleta apenas o corpo da brisa
Que de tão suave se queima e queimando
Se arrisca no canto fugidio da chama....
Flores de lume nos traços do rosto
De azul vestidos como farrapos de céu
Que em dor se abrem e em desejo
Se cumprem sobre as plumas caprichosas
Do voo no esplendor dos dias…
E deste lado apenas o fio de ariane
E a seda de teus laços em que cativo
Me solto em teus abraços. E me comovo
No azul que bebo em coloridos beijos teus.