outonalidades a sépia na paisagem sem lugar
palavras de flores por vir rosas de chá
em voos displicentes na tarde tolhida
luminosas aves entre terra e mar
outonalidades rubras de mosto arrecadado
a exacta geometria da parra luzidia
a paz dos frutos a semente incendiada
a serra atapetada de folhas
folhas do passado em alegres revoadas
parecem pássaros que nunca viram
o declínio da luz na cidade
tons de trigo seco na memória
talvez nunca tão louras lembranças
como estas da luz que entardecia
no lugar onde nos púnhamos elevados
e cada caminho desembocava em poesia
simples sonoridades na simetria do olhar
talvez o sol que se fragmenta em
douradas linhas circulares
os dedos trémulos de saber absoluto
que afloram a melancolia enredada na fala
como se fosse folha e rodopiasse
para as enamoradas paisagens da alma