poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

:: Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

NoVaS.dO.teU.oLhAr

Sinto o teu olhar ausente em mim seguro
o porto é vasto, e os barcos muitos
cruzando os mares frios de silêncio,
e ondeando em ventos logo impuros.
Mas na tua vela apenas se desfralda
um horizonte de contentamento mudo…

Sinto o teu olhar carícia ardente,
em promissora devoção de flores carnais
em voos de invenção do impossível
em zonas de inscrição de mais e mais
sempre o muito agora e o tudo apenas
na certeza de meus olhos que é serena.

Sinto o teu olhar fresca floração
suspenso nas fráguas inóspitas do mundo
e no horizonte que contemplas vejo escrito
o desejo e a vontade do meu corpo
a dádiva do teu cerrado e mudo.

Enquanto os olhos despedem as palavras
cobre-se de um fervor amargo a tua ausência
e disparam desde já lírios imensos
para as oblíquas voltas do tempo ido
em que nos faremos de novo doce olvido.

Deixo-te novas de um tempo novo:
viajaremos mais pelas colinas e
em novos areais nos deteremos.
Em estridente fogo azul arderá o mundo
enquanto nos fizermos metal uno.

E eu serei a voz que silencia a dor azul
e tu serás o corpo que precede a morte
e ambos seremos cabo de qualquer esperança
que na vida se perfile, esbelta e magnífica,
como se refaz numa menina nova trança.

7 de Junho de 2003

Até 2007! Um Bom ano para todos! 

publicado por libelua • às 10:22 AM • categoria: poesia



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