Cobre-me o corpo esta memória de cinza breve
Desfolhando sílabas fumegantes. Prenúncio talvez
Da noite sobre o outeiro. Céleres aves d´outrora
Em voo rasante infectadas de vagas profecias ...
O lago é esta flor perdida na foz de um seco rio
Excrescências letais correndo no interior da seiva
Que o manto da lágrima sufoca - a flor e o cio! –
Mandrágora festiva negando-se no vórtice da hora…
Enxutos os olhos é a inútil labareda que se agita
Desmaiada harpa que o canto álacre não requer
Espuma apenas na quebrada onda já sem brio…
Apenas esta ilusão sofrida na lucidez da espera
Corvos brancos pairando sobre o nada e o vento
Em monótona toada gemendo o bater do dia…