poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

:: Sábado, Setembro 23, 2006

Intensidade

Uns versos bem antigos, pesados e sonantes, como eu já não sei fazer. Já publicados na versão I deste blog.
Votos de bom fim de semana!

Vieste Lua cheia dos meus dias
por uma noite de chuva igual a esta
desceste na falua dos meus olhos
e meu corpo se vestiu de melancolia
eu frágil, frágil ilha descoberta,
inventada certamente por ti num
qualquer mapa de mistério
e em minha flora te fiz giesta,
de meus sonhos árvore intensa,
de meus versos fera e lidador,
meu perímetro teus braços
minhas colinas abraços, meus recifes a
doçura de teus beijos encantados
longe, longe e perto o teu olhar,
a tua voz meu deserto, voz de Merlin
exilado, voz de quem vagueia
perdido e se encontrou a meu lado,
tu vento insubmisso vieste de madrugada,
e no degelo do meu sol de Inverno,
há uma poção que faço e não bebo,
minha paixão intenso apelo, tu,
tu a raiz que não cresceu, como quando
o amor é mais forte que aquele
que o pensou. Como quando o fosso
é abismo e a ravina falésia. Qual dos dois,
pergunto-me eu, nos inventou? E a
lava fez-se rocha e a rocha erosão
e o tempo ficou na minha ilha, erguendo
castelos nas dunas da ilusão…
Ilhas depois e muitos sóis passados
na invenção da Obra nos perdemos
Fiquei a saber que me inventaste como
composto de carbono e ácido, ou flor
rara do silêncio. Fiquei a saber que as
nossas naus se perderam na eternidade
de um abraço e a intensidade foi o meu
leme, para um infinitivo adiado.
Faróis vieram e eu não vi teu rosto,
na intermitência da ofuscante luz
seguiu-se a escuridão e o silêncio
a imensa densidade que seduz…
Ainda hoje não sei quem me inventou
Se foste tu ou se fui eu. Porque há a
intensidade, esta latitude de meus versos
intenso amor, intensa a vela, intenso
o vento, intensa e bela a noite em
que te encontro…

publicado por deSaraComAmor • às 09:59 PM • categoria: poesia



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