poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

:: Sexta-feira, Dezembro 08, 2006

Infinito Absoluto

Sobe, segue a montanha no seu dorso
olha estas casas que se perdem no vazio
vê os caminhos que o tempo já percorreu
sem que se atingisse o espaço absoluto
olha as muralhas em ruína
os ventos bruscos
sente a inclinação da luz
pelo crepúsculo
alisa a escarpa que se abre
no teu peito e chora meu amor,
chora no ar fresco rarefeito
por todos os espaços que ainda
não percorreste e transpiras por viver
- porque o cais que buscas é a noite
a noite dos predadores sem medo
onde às vezes, mas só às vezes
na transparência do silêncio
entre as montanhas onde vive o tempo
o mar diz o teu nome a medo
na dança das águas contra o vento
e todo o absoluto de uma vida
cabe nesse relativo momento…
Sobe, escala a montanha até ao sol
aqui onde o tempo se retrai
aqui mesmo te reinventei como urze
solitária ou composto de carbono
nascido da terra mãe
Sobe e procura as cinzas
do lume onde o tempo arde
E sente o infinito absoluto
Do teu nome ecoando pelos vales…

20 de Nov. de 2004

publicado por deSaraComAmor • às 06:44 PM • categoria: poesia



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