Dobram-se os dias
A memória é apenas gesso
E as breves frinchas
Nas cortinas rasgadas pelo vento…
E no entanto
Quedo-me suspenso
Desta hora
Nem de partida
Nem chegada…
Espera pura!…
O sangue balbucia o nome inacessível
Das coisas por arder
Bem sabendo
Que o coração rebenta
Nas impossíveis luas
E os pés
São apenas pó nos caminhos
Inalcançados…
E no entanto
Em todas as manhãs
Se soltam andorinhas
E primaveras
Como flores fortuitas
Recolhidas no orvalho
Suspenso
De meus dias…