entre as minhas duas mãos mal cabe o mundo
de futuro imperfeito
e mal amado
entre as minhas duas mãos
entre os meus braços
fica assim o presente que me enleia
enlaçado num passado
que deslaço
entre as minhas duas mãos mal cabe o tudo
daquele nada de que me faço
em palavras
entre as minhas duas mãos
o azul profundo
é um mar de palavras
inventadas
entre as minhas duas mãos cabe o presente
aquele outro de combate
e paliçadas
entre as minhas duas mãos
é mais urgente
pressentir de cada tempo
o inesperado
entre as minhas duas mão o amor ausente
há-de ser pelas minhas mãos sempre esperado.